Why do people get so bothered by those who question everything?

Why do people get so bothered by those who question everything? (EN)

¿Por qué es que las personas que cuestionan todo incomodan tanto a las demás? (ES)

Porque é que as pessoas que questionam tudo incomodam tanto? (PT)

Frequentemente passo por situações nas que sinto (ou me fazem sentir) que estou a incomodar alguém apenas por questionar o que está socialmente estabelecido como normal. Mesmo sem expressar directamente os meus pontos de vista, e muito menos sem antagonizar ninguém, faço (sem intenção) com que algumas pessoas se sintam desconfortáveis apenas com a minha presença, porque me veem fazer escolhas que não encaixam com os padrões aos quais estão habituadas, ou simplesmente porque sabem que vejo o mundo desde outra perspectiva.

Eu aceito e já estou habituada a causar esse desconforto, e até percebo o sentimento de confusão que se apodera dessas pessoas quando estão diante de alguém que pensa de uma maneira tão diferente da sua, nas coisas que consideram mais básicas (como comer, como vestir, como levar a vida profissional, como viver as relações, etc.) e por isso mais inquestionáveis. O problema não é este desconforto normalmente traduzir-se numa certa hostilidade dirigida à minha pessoa. Não, o problema é que se trata geralmente de uma hostilidade cobarde.

O que quero dizer com hostilidade cobarde são coisas como:

  • mandar bocas “para o ar” que não estão “oficialmente” dirigidas à minha pessoa mas que tanto eu como todos os presentes percebemos que era mesmo para mim;
  • dizer coisas com um tom de brincadeira mas com a intenção de deixar-me desconfortável (talvez para fazer-me sentir como el@s se sentem) ou numa posição desagradável;
  • guardar todos os comentários e opiniões sobre a minha pessoa para o momento em que eu viro costas ou falar mal de mim quando não estou presente.

O que todas estas formas de hostilidade têm em comum, e a razão pela qual digo que são gestos cobardes, é que me tiram a possibilidade de me defender. Se respondo a bocas que não estão formalmente dirigidas a mim, ou reajo mal a coisas ditas “na brincadeira” corro o risco de parecer que tenho a mania da perseguição, ou que me ofendo sem razão.  E obviamente o facto de falar de mim nas minhas costas me tira a possibilidade de expor o meu ponto de vista.

Outra coisa que me chateia nisto é o facto de estas pessoas se sentirem ameaçadas pelo simples facto de que alguém fazer as coisas de maneira diferente. Quem me conhece sabe que não costumo dizer às pessoas coisas como: “devias ser vegan@”, “esses sapatos que usas estão a deformar os teus pés, devias usar uns como os meus”, “a felicidade não depende de teres menos problemas, se queres ser uma vítima quando este problema se resolver tu encontrarás outro para te queixares”, “se tens um problema crónico de saúde devias tentar perceber que mudanças no teu estilo de vida poderão ser benéficas com relação a esse problema”, etc.

Não, eu na realidade talvez diga: “sou vegana pelos animais, pela minha saúde e pelo planeta”; “desde que comecei a usar calçado ‘barefoot’ deixei de ter dores nas ancas e nos joelhos”; “sei que este problema irá passar, mas virão outros, e não posso deixar que a minha felicidade dependa disso”; “sinto-me muito melhor desde que deixei de consumir alimentos com glúten, descobri que afinal alguns dos problemas crónicos que tinha estavam relacionados com o seu consumo”. Mas pelos vistos essas pessoas, na cabeça delas, ouvem alguma versão mais parecida às do parágrafo anterior e não o que realmente expresso. Só pode ser essa a razão, certo? Afinal eu não lhes digo que o que fazem está mal, nem opino sobre como o deviam fazer, nem exprimo julgamentos sobre as suas decisões, então porque é que elas reagem como se eu o fizesse?

Desconfio que quem questiona o estabelecido, cria (na cabeça destas pessoas) a possibilidade de questionamento daquilo que antes era inquestionável para elas. Estes questionamentos criam muitas mais hipóteses de escolha que as que haviam anteriormente, mas elas não querem ter que tomar decisões reais nas suas vidas, porque acham que é mais fácil escolher apenas de entre as possibilidades já delimitadas pela sociedade, do que escolher uma das possibilidades criada por elas próprias.

O que acham sobre isto? Compreendem o que quero dizer? Revêem-se nalguma parte deste meu desabafo? Este texto foi escrito exatamente para pedir ajuda com estas questões. Como acham que devo reagir às hostilidades cobardes? Acham que devo ignorar (que é o que tenho vindo a fazer até agora mas realmente não tem ajudado a fazer com que essas hostilidades me deixem de ser dirigidas)? Acham que devo confrontar as pessoas de alguma maneira específica? Acham que há outra razão pela qual faço as pessoas se sentirem desconfortáveis? Que devo mudar algo na maneira como lido com as pessoas? Qualquer ideia é bem vinda!!


 

Why do people get so bothered by those who question everything? (EN)

I often go through situations in which I feel that I am bothering someone just by questioning what is socially established as normal. Even without directly expressing my point of view, let alone without antagonising anyone, I (unintentionally) make some people feel uncomfortable only with my presence, because they see me making choices that do not fit the standards they are used to, or simply because they know that I see the world from a different perspective.

I accept that and am already used to causing this discomfort, and I even understand the sense of confusion that grips these people when they are face to face with someone who thinks in a way so different from theirs about the things they consider most basic (like eating, dressing , how to lead a professional life, how to manage relationships, etc.) and therefore more unquestionable. The problem is not that this discomfort usually translates into a certain hostility directed at me. No, the problem is that it’s usually what I like to call “coward’s hostility”.

What I mean by “coward’s hostility” are things like:

  • dropping hints that are not “officially” addressed to me but everybody else, including myself, know that are actually directed to me;
  • saying things with a joking tone but with the intention of making me uncomfortable (maybe to make me feel like I make them feel) or putting me in an unpleasant position;
  • making comments and giving opinions as soon as I turn my back or speaking ill of me when I am not present.

What all these forms of hostility have in common, and the reason why I say that they are cowardly gestures, is that they take away from me the possibility of defending myself. If I respond to dropped hints that are not formally addressed to me, or I react badly to things said “in jest” I run the risk of seeming to have delusions of persecution, or that I get offended with no reason. And obviously talking about me behind my back makes it impossible for me defend my own opinions.

Another thing that annoys me is the fact that these people feel threatened by the simple fact that someone does things differently. Those who know me can attest that I don’t usually tell people things like “you should become vegan,” “those shoes that you are wearing are deforming your feet, you should use ones like mine,” “happiness does not depend on having fewer problems, if you want to be a victim, when this problem is solved you will find another one to complain about”, “if you have a chronic health problem you should try to understand what changes in your lifestyle could be beneficial for you” etc.

Instead, what I might actually say is: “I am vegan for the animals, for my health and for the planet”; “since I started wearing ‘barefoot’ shoes I stopped having pain in my hips and knees”; “I know this problem will pass, but others will come, and I can’t let my happiness depend on it”; “I feel much better since I stopped consuming foods with gluten, I discovered that after all some of the chronic problems I had were related to gluten consumption.” But apparently these people, in their head, hear a version more similar to the ones on the previous paragraph and not what it actually express. Only that can be the reason, right? At the end of the day, I do not tell them that what they do is wrong, I do not give opinions about how they should do it (unless asked), nor do I express judgments about their decisions, so why do they react as if I do?

I suspect that anyone who questions what is established creates (in the minds of these people) the possibility of questioning what was previously unquestionable for them. These questions create many more possibilities of choice than the ones they had before, but they do not want to have to make real decisions in their lives, because they think it is easier to choose only from the possibilities already delimited by society, than to choose one of the possibilities created by themselves.

What do you think about this? Do you understand what I mean? Do you see yourself in some part of my outburst? This text was written exactly to ask for help with these questions. How do you think I should react to “coward’s hostilities”? Do you think I should ignore (which is what I have been doing so far but it really has not helped to stop these hostilities from being addressed to me)? Do you think I should confront people in some specific way? Do you think there’s another reason why I make people uncomfortable? Or do you think that I should change the way I deal with people? Any ideas are welcome !!


 

¿Por qué es que las personas que cuestionan todo incomodan tanto a las demás? (ES)

A menudo paso por situaciones en las que siento (o me hacen sentir) que estoy molestando a alguien sólo por cuestionar lo que está socialmente establecido como normal. Incluso sin expresar directamente mis puntos de vista, y mucho menos sin antagonizar a nadie, hago (sin intención) con que algunas personas se sienten incómodas sólo con mi presencia, porque me ven hacer elecciones que no encajan con los patrones a los que están acostumbrados o simplemente porque saben que veo el mundo desde otra perspectiva.

Yo acepto y ya estoy acostumbrada a causar esa incomodidad, e incluso entiendo el sentimiento de confusión que se apodera de esas personas cuando están frente a alguien que piensa de una manera tan diferente de la suya, en las cosas que consideran más básicas y por eso más incuestionables (ej: cómo comer, cómo vestir, cómo llevar la vida profesional, cómo vivir las relaciones, etc.). El problema no es esta incomodidad normalmente traducirse en una cierta hostilidad dirigida a mi persona. No, el problema es que se trata generalmente de una hostilidad cobarde.

Lo que quiero decir con hostilidad cobarde son cosas como:

  • mandar recados “al aire” que no están “oficialmente” dirigidos hacia mí pero que tanto yo como todos los presentes percibimos que eran para mí;
  • decir cosas con un tono de broma pero con la intención de dejarme incómodo o en una posición desagradable;
  • guardar todos los comentarios y opiniones sobre mí para el momento en que me vuelvo la espalda o hablar mal de mí cuando no estoy presente.

Lo que todas estas formas de hostilidad tienen en común, y la razón por la que digo que son gestos cobardes, es que me quitan la posibilidad de defenderme. Si respondo a “recados” que no están formalmente dirigidos a mí, o reajo mal a cosas dichas “de broma”, corro el riesgo de parecer que tengo la manía de la persecución, o que me ofendo sin razón. Y obviamente el hecho de hablar de mí en mis espaldas me quita la posibilidad de exponer mi punto de vista.

Otra cosa que me molesta en esto es que estas personas se sienten amenazadas por el simple hecho de que alguien haga las cosas de manera diferente. El que me conoce sabe que no acostumbro decir a las personas cosas como: “deberías hacerte vegan@”, “esos zapatos que usas están deformando tus pies, deberías usar unos como los míos”, “la felicidad no depende de tener menos problemas, si quieres seguir siendo una víctima cuando este problema se solucione tú encontrarás otro para que quejarte “,” si tienes un problema crónico de salud deberías intentar percibir qué cambios en tu estilo de vida podrán ser beneficiosos para ti”, etc.

No, en realidad quizás yo diga: “soy vegana por los animales, por mi salud y por el planeta”; “desde que empecé a usar calzado ‘barefoot’ dejé de tener dolores en las caderas y en las rodillas”; “sé que este problema pasará, pero vendrán otros, y no puedo dejar que mi felicidad dependa de eso”; “me siento mucho mejor desde que dejé de consumir alimentos con gluten, descubrí que al final algunos de los problemas crónicos que tenía estaban relacionados con su consumo”. Pero por lo visto estas personas, en sus cabezas, oyen alguna versión más parecida a las del párrafo anterior y no lo que realmente expreso. Sólo puede ser esa la razón, ¿verdad? Al final yo no les digo que lo que hacen está mal, ni opino sobre cómo lo debían hacer, ni expreso juicios sobre sus decisiones, entonces ¿por qué reaccionan como si yo lo hiciera?

Desconfio que quien cuestiona lo establecido, crea (en las cabezas de estas personas) la posibilidad de cuestionamento de aquello que antes era incuestionable para ellas. Estos cuestionamientos crean muchas más opciones de elección que las que habían anteriormente, pero ellas no quieren tener que tomar decisiones reales en sus vidas, porque creen que es más fácil escoger sólo entre las posibilidades ya delimitadas por la sociedad, en el lugar de elegir una de las posibilidades creada por ellas mismas.

¿Qué piensas sobre esto? ¿Comprendes lo que quiero decir? ¿Te reconoces en alguna parte de este mi desahogo? Este texto fue escrito exactamente para pedir ayuda con estas cuestiones. ¿Cómo crees que debo reaccionar ante las hostilidades cobardes? ¿Creen que debo ignorarlas (que es lo que he hecho hasta ahora, pero realmente no ha ayudado parar las hostilidades)? ¿Crees que debo confrontar a las personas de alguna manera específica? ¿Creen que hay otra razón por la que las personas se sienten incómodas? ¿Qué debo cambiar algo en la forma en que leído con la gente? ¡Cualquier idea es bienvenida!

0 thoughts on “Why do people get so bothered by those who question everything?”

  1. Ana, compreendo inteiramente o que queres dizer e o que sentes, porque de certa forma, sinto o mesmo num outro sentido. Como sabes, não sou vegetariana, tenho um emprego “standard” e um estilo de vida bastante ligado a coisas materiais (compro roupa com frequência, tenho uma biblioteca que vai sempre aumentando, adoro decoração, etc). Algumas das minhas características (ser curiosa, gostar de pessoas e de perceber o porquê dos seus comportamentos, e por outro lado ser um pouco insegura e muito exigente comigo própria, sentindo muitas vezes que estou “a falhar”) fazem com que, volta e meia, me questione, olhe para o lado e para pessoas com um estilo de vida mais como o teu, e pense se não devia eu também ser assim. Tenho até mesmo ao lado o exemplo da minha irmã, uma das pessoas mais importantes da minha vida e que mais admiro, que é vegan e tem um estilo de vida oposto ao meu, tendo imensa aversão a tudo o que é material, a regras, rotinas, etc. Ela fala muitas vezes das regras e exigências da sociedade não fazerem sentido, da “caixa” em que a maior parte das pessoas está inserida, de as pessoas serem todas iguais e pensarem todas da mesma maneira, de estarem “presas” ao seu estilo de vida pouco sustentável, do consumismo e materialismo, enfim, tudo coisas que também posso ouvir de ti e de pessoas próximas com uma maneira de viver semelhante. Eu ouço-vos e entendo o vosso ponto de vista, e penso muitas vezes que se calhar também eu devia fazer um esforço para ser assim, sentindo-me até culpada e fraca por não ser, especialmente porque cada vez existem mais vegetarianos e vegan – pelo menos na minha realidade, são muitas vezes a maioria em vez da minoria. Podes não ter essa percepção, mas acredita que hoje em dia, a pressão social empurra para o vegan/vegetariano, não o oposto! Portanto, esse desconforto e pressão de que falas, as pessoas que estão do outro lado e que são seres minimamente “pensantes” como eu, também o sentem – de outra forma é certo, mas também aqui existe e logo isso dá o “mote” para ser algo passível de criar “atrito” entre pessoas com estilos de vida tão opostos. Por um lado, se calhar tu já vais para essas situações “mesmo à espera” de ter esses comentários e olhares, portanto estás super sensível a qualquer coisa que se pareça com uma “boca”, e se há coisa que eu já aprendi é que se nós vamos para uma situação à espera de algo, vamos encontrá-la seeempre… Por outro lado, se calhar muitas dessas pessoas com quem estás andam a sentir essa pressão para mudarem de estilo de vida, andam a sentir-se mal com isso, e pode acontecer que tendo um exemplo como tu à frente fiquem realmente irritadas por serem confrontadas com um exemplo vivo do que as anda a incomodar e “ataquem”. Acredito que nessas situações que descreves se passe uma mistura das duas coisas: tu já estás com o “chip” na cabeça que isso te vai acontecer (e aí é certinho, qualquer boca ou olhar vai ser pra ti), e as pessoas que andam com essa pressão na cabeça vão atacar depois de um copo. Mas isto é só o começo do que quero dizer…

    Este Natal passei algum tempo com a minha irmã, e entre várias conversas ela voltava sempre a falar das mesmas coisas: consumismo e materialismo excessivo, as pessoas pensarem todas da mesma forma e estarem “em caixas”. Ela, tal como tu, não diz as coisas de forma “acusatória”, não diz nada num sentido de obrigar os outros a mudar.. pelo contrário, ela até é bastante flexível e não há nenhum julgamento da parte dela em relação a quem não vive como ela.. simplesmente diz as coisas com paixão, acreditando realmente que o caminho que ela está a fazer é o mais correcto e acertado para ser mais feliz. Mas, inevitavelmente, muito do que “renegava” eram coisas que eu fazia, era sobre mim, eu sou uma dessas pessoas que ela acha que estão em “caixas” – percebes aqui como muitas vezes, mesmo sem a mínima entoação ou intenção de acusar, o próprio conteúdo, por ser oposto ao meu, acusa? Portanto, eu ia ouvindo e encaixando, mais uma vez a sentir-me culpada. Num ponto da conversa, queixávamo-nos com tristeza de o Natal já não ser a mesma coisa, de termos perdido certas tradições, de certas pessoas já não estarem connosco, de sermos cada vez menos em casa da avó… a certa altura eu digo de forma totalmente expontânea e inocente: “o Natal ainda vai passar a ser na minha casa em Lisboa, e vamos criar novas tradições – podíamos todos começar a usar aquelas camisolas natalícias, sempre a mesma todos os anos!” – ora o que fui eu dizer, claro que a minha irmã meteu logo “a cassete” do consumismo e materialismo, e lá voltei eu a ficar desanimada e culpada.. até que de repente se fez um clic. Espera lá, eu não quero ser assim! Eu não quero viver uma vida em que não me vou sentir bem em comprar uma camisola para criar uma tradição, uma memória que vai ficar para sempre na minha família. Claro que essa tradição/memória pode ser criada de outra forma qualquer que não implique a compra de uma camisola, mas eu quero ter a liberdade de escolher que seja com uma camisola. Tal como quero ter a liberdade de usar saltos altos porque me fazem sentir bem e feliz, independentemente de ser mau para a minha coluna. Tal como não quero abdicar o cheiro de um livro novo e de construir a biblioteca de livros que quero que os meus filhos leiam. Tal como lhes vou querer cozinhar um bolo de chocolate e decorar com pasta de açúcar cheia de corantes a fazer bonecos, tal como a minha mãe me fazia e tantas boas memórias de criou. E gosto da liberdade de me deliciar tanto com os teus pratos vegan como com um lombo assado da minha avó, ou com conseguir ser tão feliz a meditar no meio do campo como às compras no Colombo. E não me sinto numa caixa, aliás, sentir-me-ia mais numa caixa se não pudesse comer o meu bife – percebes o que eu quero dizer? É uma questão de cada pessoa descobrir onde encontra a felicidade e onde se sente melhor. Ou seja, aquilo que a minha irmã estava a descrever como um defeito da sociedade e “estar dentro de uma caixa”, era simplesmente aquilo que eu encaro como o meu lugar feliz neste momento, daí o meu desânimo sempre que ela falava nisso. Eu estava-me a deixar levar pelo que ela estava a dizer, sem perceber que eu estou viva é para ser eu própria e procurar ser feliz todos os dias, mesmo que em alguns dias isso implique comprar coisas inúteis e comer gomas 🙂 Para ela, a felicidade está em não comprar coisas inúteis e não comer gomas – fine by me! Não comento nem questiono isso nela, porque é que ela comenta e questiona isso em mim?
    E aí percebi o porquê deste “eterno” atrito/desconforto que descreves no teu post. O vosso estilo de vida é algo que implica um compromisso tão grande e é tão abrangente e “global” na vida, que de repente todas as pequenas coisas do dia-a-dia têm de ser condicionadas, alteradas, reformadas. É um estilo de vida em que mergulhas e vais cada vez mais fundo, implica enorme compromisso, paixão e dedicação. De repente, a tudo na vida se pode aplicar algo desse estilo de vida. Portanto, é óbvio que isso vai ter de se tornar parte da vossa identidade, das vossas conversas, e é perfeitamente natural que, em qualquer situação com alguém “de fora”, o vosso comentário seja sempre algo relacionado com o vosso estilo de vida (ser vegan/calçado barefoot/produtos sem quimicos..). E esse simples facto é que causa o atrito. Por exemplo, eu adoro pilates. Agora imagina que, a cada coisa que alguém me dissesse, a minha resposta fosse sobre pilates: “Dormes mal, experimenta pilates”, “Estás inchado? Olha que o pilates ajuda”, “Dores de costas, desde que faço pilates não tenho”. ** Quando se calhar aquela pessoa até já experimentou pilates e não gostou, ou então não experimentou nem quer experimentar e está no seu direito de não experimentar! Claro que isto é um exemplo extremo, e falando a nível pessoal, não acho de todo que sejas chata ou repetitiva neste aspecto, como sabes adoro saber mais sobre o teu estilo de vida e sinto que temos tido conversas super interessantes e produtivas em relação a isso.. mas eu sou uma pessoa que já tem alguma abertura e predisposição para isso. Para quem não tem, acredito que seja estranho, daí a hostilidade que acabas por sentir.

    Resumindo, aquilo que tu encaras como o estar a questionar coisas “socialmente aceitáveis” porque não fazem sentido para ti, para os outros pode soar simplesmente a questionar aquilo que a pessoa acha que é melhor para si nesse momento. Ninguém gosta de sentir que, nas entrelinhas, o outro lhe está a dizer que está a fazer algo de errado, quando a pessoa só está a tentar encontrar a sua felicidade! É quase como um ataque pessoal, entendes?
    Espero ter ajudado 🙂

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