When your body talks to you

When your body talks to you. (EN)

Cuando tu cuerpo habla contigo. (ES)

Quando o teu corpo fala contigo. (PT)

Ouves o teu corpo? O que te diz? Quando tens um problema (uma dor, uma doença, uma sensação física estranha, etc.) percebes o que te quer dizer?

Tem sido uma verdadeira benção começar a ouvir e a entender o meu corpo ao longo dos últimos anos. Antes de ter começado a ouvir o meu corpo sentia muitas vezes que ele era meu inimigo. Quando estava doente, enjoada ou com alguma dor pensava coisas como: “que chatice”, “porquê eu?”, “ficar doente agora não dá jeito nenhum”, “mas agora qual é o problema?”. E lá ia queixar-me ao médico, ou tomar aqueles medicamentos que estão sempre ao alcance. Mas na realidade nunca pensava no que era que o meu corpo me estava a querer dizer.

No meu primeiro artigo falei de como tive, durante muitos anos, frequentes enjoos matinais. Despertava com uma enorme sensação de fraqueza e quando me levantava tinha de me sentar ou deitar imediatamente. Até que bebesse água com açúcar o enjoo não passava e cheguei até a desmaiar. Tinha me queixado das tonturas matinais a vários médicos ao longo dos anos e todos diziam que isso era falta de açúcar no sangue e que devia comer algo doce à noite antes de dormir. Quem leu esse artigo talvez se lembre que mais  tarde descobri que na verdade o problema era exactamente o contrário. Na realidade aqueles enjoos matinais não eram nada mais que o meu corpo a alertar-me para o facto de que tinha que parar com o consumo exagerado de açúcar refinado. Olhando para trás não gosto nem de imaginar o que poderia ter acontecido se tivesse ignorado esses sinais durante muito mais tempo.   

Desde muito pequena que sofro com o “flagelo” do herpes labial. Não me lembro de existir sem episódios mais ou menos frequentes de “herpes simplex” a acontecerem no meu lábio superior. Sempre relativamente ao centro de maneira que, às vezes, quando a inflamação piorava, eu ficava com o lábio a tocar na ponta do nariz. Estas crises sempre mexeram muito com a minha auto-estima e com a minha qualidade de vida. Quando tinha uma crise de herpes não tinha vontade nem de existir. A dor física misturada com comichão que o vírus provoca, aliada ao inchaço e à erupção de pus amarelo, que se traduz visualmente em algo bastante nojento, faziam com que falar e comer fosse um tormento, e com que sair de casa e expor-me aos olhares das outras pessoas parecesse um pesadelo. Mas a verdade é que acontecia demasiadas vezes para que a minha vida normal pudesse realmente parar cada vez que tinha uma crise. Fui bastantes vezes ao médico por causa de crises de herpes que pareciam não ter fim. Os médicos nunca me deram muita esperança de que alguma vez pudesse controlar os episódios de herpes, receitavam os típicos anti-virais em comprimido ou em pomada e diziam-me que não havia nada mais a fazer.  

Desde à uns anos para cá, comecei a tentar observar a relação que o herpes tinha com o meu humor e estado mental, com a minha alimentação, e com o meu ciclo menstrual.

Desde que tive o período pela primeira vez, lá para os 13 anos de idade, lembro-me de ter dores menstruais lancinantes. Essas dores diminuíram um pouco durante os anos em que tomei a pílula anticoncepcional e voltaram em força quando deixei de a tomar. Durante cerca de três ou quatro horas, no primeiro dia do meu ciclo, ficava completamente incapacitada pela dor. Não conseguia nem pensar, estar de pé ou sentada era muito difícil, tinha enjoos, tonturas e calafrios, muitas cólicas, diarreia, sentia todo o corpo dorido, a vulva inchada, as pernas pesadas. Passava essas horas entre a casa de banho e o sofá, enrolada em posição fetal. Mais uma vez os médicos não ajudaram muito, a pílula anticoncepcional era a única solução apontada e os medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios eram receitados para “poder fazer uma vida normal”.

Há algum tempo comecei também a perguntar-me se realmente teria que viver com aquelas dores mensais até à menopausa. Comecei a ler sobre o assunto e também a falar sobre isso com a minha irmã, especialmente a partir do momento em que ela começou a estudar nutrição holística.

Voltando à questão do herpes. Percebi que o herpes “aparecia” sobretudo se pelo menos dois destes factores se juntavam:

  • Ter momentos de grande stress emocional, como discussões, ter que tocar em temas sensíveis com alguém importante para mim, ou quando algo me causa muita vergonha ou sensação de desmerecimento;  
  • Consumir grandes quantidades de chocolate ou frutos secos e sementes (ou a junção de todos);
  • Estar no final do ciclo menstrual (fase lútea).

Além disso percebi que normalmente o meu estado de ânimo piorava bastante no final do ciclo menstrual, o que fazia com que nessa altura os momentos de stress emocional também fossem mais propícios.

As coisas começaram a fazer ainda mais sentido quando a Tico me comentou que tinha aprendido nas aulas dela, que a ativação do herpes e o seu agravamento, estavam bastante relacionados com um aminoácido chamado arginina. O que ela me explicou, e que eu depois pude verificar através de artigos científicos online, foi que este aminoácido é necessário para a expressão das funções do vírus, ou seja essencial para que o vírus latente desperte e se manifeste (quem tem herpes vive com ele no estado latente até que volta “a aparecer”, e quando a lesão se cura o vírus volta ao estado adormecido). Por outro lado existe um aminoácido análogo à arginina, a lisina, que ajuda na supressão do vírus. A lisina é reconhecida pelo vírus como se fosse arginina mas ao contrário da segunda não possibilita a sua multiplicação.

Nesse sentido, tanto como forma de prevenção como de luta contra o herpes, a alimentação é muito importante. Pois tanto a arginina como a lisina se encontram em doses maiores ou menores na maioria dos alimentos. – Talvez seja também importante referir que embora estes dois aminoácidos sejam muito importantes para o normal e saudável funcionamento do organismo, apenas a lisina é considerada um aminoácido essencial (não é produzida no corpo humano tendo que se obter do exterior, através da alimentação ou suplementação), pois a arginina pode sintetizada endogenamente por humanos saudáveis. – Por exemplo o chocolate, o coco, os frutos secos e as sementes têm uma grande quantidade de arginina e muito pouca lisina. Por outro lado a beterraba, a maçã, a manga, o abacate, os figos e os pêssegos, entre outras frutas e vegetais têm grandes quantidades de lisina e menores quantidades de arginina.

Como os episódios de manifestação do herpes me acontecem maioritariamente durante os 12 dias antes do período decidi, nessa fase do meu ciclo, cortar com os alimentos que aportavam grandes doses de arginina e baixas de lisina e, para ajudar na prevenção, comprei um suplemento de lisina para tomar caso achasse que as possibilidades de despertar o herpes (por causa de algum pico de stress imprevisto) tivessem aumentado nalgum momento específico.

O resultado com relação à prevenção do herpes tem sido extraordinário. Vão fazer 5 meses que comecei esta experiência e tenho conseguido manter o vírus adormecido.

Mas o melhor é que esta simples mudança cíclica de alimentação também veio apaziguar as minhas dores menstruais. Entretanto andei a pesquisar sobre isso e, apesar de não haver muita informação científica disponível, parece que o consumo de frutos secos e sementes (e neste caso o seu não consumo) podem ajudar a reequilibrar os desequilíbrios hormonais que podem ser a causa de oscilações de humor e menstruações dolorosas.

Resumindo, mais uma vez, ao ouvir o meu corpo, não só aquilo o que ele me diz fisicamente mas também as expressões físicas dos meus estados emocionais, e ao analisar a minha alimentação e redesenhá-la, consegui melhorar bastante a minha qualidade de vida no que diz respeito a estes dois problemas crónicos, tudo isto sem a ajuda de medicamentos nem de médicos.

No outro dia veio-me um velho e recorrente pensamento à cabeça: “Que bom que seria que pudesse curar o raio do herpes definitivamente”.  Mas surpreendentemente outro pensamento se seguiu: “Não, na realidade não. Na verdade o herpes é uma das maneiras que o meu corpo tem de me dizer que estou a fazer algo mal. Quando me apercebo que o meu herpes labial está a ponto de despontar (quem o tem sabe que uma sensação muito particular, como um ardor localizado, precede o primeiro sinal visível) já sei que é porque me estou a deixar levar pelo stress e pelos pensamentos negativos, se não fosse esse aviso quem sabe os danos que poderia provocar até que o corpo me desse outro sinal mais forte.

Estas não foram as únicas vezes que o meu corpo me disse que algo não estava bem e eu ouvi. Mas basta uma ou duas para ilustrar o como a minha vida mudou quando percebi que uma dor não é o corpo “a ser chato” mas sim a ser o meu melhor companheiro.

Espero não ter sido eu a chata com tantos detalhes técnicos ou pouco agradáveis, o meu objectivo com este texto não é mais do que empoderar-te para ouvir o teu corpo e procurar soluções a longo prazo, sem riscos nem efeitos secundários, para os teus próprios problemas de saúde.

Escuta o teu corpo. Sentes alguma coisa fora do comum? Sentes algo que já vem sendo habitual mas que sabes que não é normal? O que vais fazer quanto a isso? Meter tudo para baixo do tapete com um remédio rápido mas de curta duração? Ou vais parar para ouvir realmente, dialogar com o teu corpo, analisar os teus comportamentos e investigar o que podes fazer para solucionar o problema?


 

When your body talks to you. (EN)

Do you listen to your body? what does it tell you? When you have a problem (a pain, a disease, an odd physical sensation, etc.) do you understand what it wants to tell you?

It has been a real blessing to start listening and understanding my body throughout the last few years. Before I started to listen to my body I used to feel that it was my enemy.  When I was hill, sick to my stomach or having any ache I used to think: “what a pain in the ass”, “why me?”, “this is the worst timing to be sick!”, “what is wrong with me now?”. And there I was complaining to the doctor or taking those meds that are very accessible. In truth I never thought of what my body was trying to tell me.

In my first article I wrote about my frequent morning sickness that went on for many years. I would wake up with a huge weakness sensation and when standing up, I would have to seat or lay down immediately. I even passed out at times and this sickness would only go away after drinking sugar water. Over the years I had complaint to several doctors about my dizziness and all of them said the same, that it was low blood sugar and therefore I should eat something sweet at night before bed time. Whoever read that article might recall that later I found out that in truth the problem was the exact opposite. The morning sickness was indeed my body trying to alert myself for the fact that I was consuming way too much refined sugar. Looking back I can’t imagine what might have happened if I had ignored those symptoms for a longer period of time.

Since I was a little child that I suffer with cold sores. Since I can remember I always had those episodes more or less frequent of herpes simplex, in my upper lip. Right in the center of my lip which sometimes, when the inflammation got worse, my lip would touch the tip of my nose. Those flares always disturbed my self-esteem and quality of life. I didn’t even feel like being alive once a herpes flare started to show up. The physical pain mixed up with the itchiness provoked by the virus, plus the swelling and the yellow pus outbreak (that visually turns out pretty disgusting), would make eating or talking a real torment, and leaving the house to get exposed to prying eyes seemed like a nightmare. Actually, this would happen so often that my regular life couldn’t stop every time a herpes outbreak would start. I’ve seen the doctor many times due to this attacks that seemed to be endless. Doctors never gave me any hope to believe that those episodes would ever be in control, they would prescribe the standard antiviral pills or ointment and just say that there wasn’t anything else that could be done.

Since a few years ago, I began observing the relationship between the cold sores and my mood and state of mind, with my diet and with my menstrual cycle.

Since when I had my first period, I think by the age of 13, I remember having harrowing menstrual cramps. These pain subsided a little during the years I took the contraceptive pill and came back when I stopped taking it. For about three or four hours, on the first day of my cycle, I was completely incapacitated by the pain. I couldn’t even think, standing or sitting was very difficult, I had nausea, dizziness and chills, many cramps, diarrhea, my whole body ached, my vulva felt swollen and my legs heavy. I would spend these hours between the bathroom and the sofa, rolled up in fetal position. Again the doctors did not help much, the contraceptive pill was the only solution pointed out and the analgesic and anti-inflammatory drugs were prescribed to “be able to lead a normal life.”

Some time ago I also began to wonder if I really would have to live with those monthly aches until reaching the menopause. I started reading about it and also talking about it with my sister, especially from the time she started studying holistic nutrition.

Back to the herpes subject. I noticed that cold sores “appeared” especially if at least two of these factors happened:

  • Having moments of great emotional stress, such as fights and arguments, having to touch sensitive subjects with someone important to me, or when something causes me a lot of embarrassment or a sense of unworthiness;
  • Consuming large quantities of chocolate or nuts and seeds (or the mix of it all);
  • Being at the end of the menstrual cycle (luteal phase).

Besides this, I realised that my mood usually got worse at the end of the menstrual cycle, which also made the emotional stress moments more propitious.

Things started to make even more sense when Tico told me that she had learned in her classes that herpes activation and its aggravation were closely related to an amino acid called arginine. What she explained to me, and which I later verified through online scientific articles, was that this amino acid is necessary for the expression of virus functions, meaning that it is essential for the latent virus to awaken and manifest itself (whoever has herpes lives with it latently until it bursts again, and when the lesion heals the virus returns to its dormant state). On the other hand there is an amino acid analogous to arginine, this one named lysine, which helps in suppressing the virus. Lysine is recognised by the virus as if it were arginine but unlike the second it does not allow its multiplication.

In this sense, nutrition is very important when it comes to prevention and fighting herpes. Because both arginine and lysine are found in higher or lower doses in most foods. – It may also be important to note that although these two amino acids are very important for the normal and healthy functioning of the body, only lysine is considered to be an essential amino acid (it is not produced by the human body and has to be obtained through food or supplements), since arginine can be synthesized endogenously by healthy humans. – For example, chocolate, coconut, nuts and seeds have a large amount of arginine and very little lysine. On the other hand beets, apples, mangoes, avocados, figs and peaches, among other fruits and vegetables have large amounts of lysine and smaller amounts of arginine.

Since my herpes outbreaks occur mostly during the 12 days before menstruation, I decided to cut back on foods that had large doses of arginine and low lysine, at this stage of my cycle, and to help with prevention I got a lysine supplement to take if I thought that the chances of a cold sore bursting (because of some unforeseen peak of stress for example) had increased in some specific moment.

The result regarding herpes prevention has been extraordinary. It has been close to 5 months since I started this experiment and I have managed to keep the virus at bay.

But the best thing is that this simple cyclical shift in the foods I eat has also come to appease my menstrual cramps. In the meantime I have been researching this, and although there is not much scientific information available, it seems that the consumption of nuts and seeds (and in this case their non-consumption) can help to rebalance the hormonal imbalances that may be the cause of oscillations of mood and painful periods.

Summing up, once again, by listening to my body, not only what it tells me physically but also the physical expressions of my emotional states, and by analysing my diet and redesigning it, I was able to improve my quality of life a lot with regard to these two chronic problems, all without the help of medicines or doctors.

The other day an old recurring thought came to me: “It would be so nice if I could cure the damn herpes for good.” But surprisingly another thought followed: “No, not really. In fact cold sores are one of the ways my body has to tell me that I am doing something wrong. When I realize that my cold sores are on the verge of emerging (whoever has them knows that a very particular sensation, like a localised burning, precedes the first visible signs) I already know that it is because I am letting myself go with stress and negative thoughts, if it had not been for this warning who knows the damage it could cause until the body gave me another stronger warning.

These were not the only times my body told me that something was not right and I heard it. But I guess just one or two are enough to illustrate how my life changed when I realised that pain is not my body being “a jerk” but rather being my best friend.

I hope I have not been too boring with so many technical or unpleasant details, my goal with this text is to empower you to listen to your body and look for long-term solutions, without risks or side effects, for your health problems.

Listen to your body. Do you feel anything out of the ordinary? Do you feel something that is already usual but you know it is not normal? What are you going to do about it? Put everything underneath the carpet with a quick but short-lasting remedy? Or are you going to stop to really listen and dialogue with your body, analyse your behaviours and investigate what you can do to solve the problem?


 

Cuando tu cuerpo habla contigo. (ES)

¿Oyes tu cuerpo? ¿Qué te dice? Cuando tienes un problema (un dolor, una enfermedad, una sensación física extraña, etc.) te das cuenta de lo que quieres decir?

Ha sido una verdadera bendición empezar a escuchar y entender mi cuerpo a lo largo de los últimos años. Antes de haber comenzado a oír mi cuerpo sentía muchas veces que él era mi enemigo. Cuando estaba enferma, mareada o con algún dolor pensaba cosas como: “que desastre”, “¿por qué yo?”, “ponerme enferma ahora no me va nada bien”, “¿pero ahora cuál es el problema?”. Y luego me iba a quejarme al médico, o tomaba esos medicamentos que están siempre al alcance. Pero en realidad nunca pensaba en lo que mi cuerpo me quería decir.

En mi primer artículo hablé de cómo tuve, durante muchos años, frecuentes mareos matutinos. Despertaba con una enorme sensación de debilidad y cuando me levantaba tenía que sentarme o acostarme inmediatamente. Hasta que bebiera agua con azúcar el mareo no pasaba y llegué hasta a desmayarme. Me quejé de los mareos matutinos a varios médicos a lo largo de los años y todos decían que aquello era falta de azúcar en la sangre y que tenía que comer algo dulce por la noche antes de dormir. Quienes han leído este artículo quizás recuerden que más tarde descubrí que en realidad el problema era exactamente lo contrario. En realidad, esos mareos matinales no eran más que mi cuerpo advirtiéndome del hecho de que tenía que parar con el consumo exagerado de azúcar refinado. Mirando hacia atrás no me gusta ni imaginar lo que podría haber ocurrido si hubiera ignorado esas señales durante mucho más tiempo.

Desde muy pequeña que sufro con el “flagelo” del herpes labial. No recuerdo mi existencia sin episodios más o menos frecuentes de “herpes simplex” ocurriendo en mi labio superior. Siempre relativamente al centro de manera que, a veces, cuando la inflamación empeoraba, el labio me llegaba a tocar la punta de la nariz. Estas crisis siempre se han bajado mucho mi autoestima y mi calidad de vida. Cuando tenía una crisis de herpes no tenía ganas ni de existir. El dolor físico mezclado con picor que el virus provoca, aliado a la hinchazón y la erupción de pus amarillo, que se traduce visualmente en algo bastante asqueroso, hacían que hablar y comer fuera un tormento, y que salir de casa y exponerme a las miradas de las otras personas pareciera una pesadilla. Pero la verdad es que sucedía demasiadas veces para que mi vida normal pudiera realmente parar cada vez que tenía una crisis. Fui bastantes veces al médico a causa de crisis de herpes que parecían no tener fin. Los médicos nunca me dieron mucha esperanza de que alguna vez pudiera controlar los episodios de herpes, recetaban los típicos anti-virales en comprimido o en crema y me decían que no había nada más que hacer.

Desde hace unos años, empecé a observar la relación que el herpes tenía con mi estado de ánimo y estado mental, con mi alimentación, y con mi ciclo menstrual.

Desde que tuve la regla por primera vez, creo que a los 13 años, me acuerdo de tener dolores menstruales lancinantes. Estos dolores disminuyeron un poco durante los años en que tomé la píldora anticonceptiva y volvieron en fuerza cuando dejé de tomarla. Durante cerca de tres o cuatro horas, en el primer día de mi ciclo, estaba completamente incapacitada por el dolor. No podía ni pensar, estar de pie o sentada era muy difícil, tenía mareos y escalofríos, muchos cólicos, diarrea, sentía todo el cuerpo dolorido, la vulva hinchada, las piernas pesadas. Pasaba esas horas entre el baño y el sofá, enrollada en posición fetal. Una vez más los médicos no ayudaron mucho, la píldora anticonceptiva era la única solución apuntada y los medicamentos analgésicos y anti-inflamatorios eran recetados para “poder hacer una vida normal”.

Hace algún tiempo empecé también a preguntarme si realmente tendría que vivir con esos dolores mensuales hasta la menopausia. Comencé a leer sobre el tema y también a hablar de ello con mi hermana, especialmente a partir del momento en que ella empezó a estudiar nutrición holística.

Volviendo al tema del herpes. Percibí que el herpes “aparecía” sobre todo si al menos dos de estos factores se juntaban:

  • Tener momentos de gran estrés emocional, como discusiones, tener que tocar en temas sensibles con alguien importante para mí, o cuando algo me causa mucha vergüenza o sensación de desmerecimiento;
  • Consumir grandes cantidades de chocolate o frutos secos y semillas (o la unión de todos);
  • Estar al final del ciclo menstrual (fase lútea).

Además, percibí que normalmente mi estado de ánimo empeoraba bastante al final del ciclo menstrual, lo que hacía que en ese momento los picos de estrés emocional también fueran más propicios.

Las cosas empezaron a hacer aún más sentido cuando Tico me comentó que había aprendido en sus clases, que la activación del herpes y su agravamiento, estaban bastante relacionados con un aminoácido llamado arginina. Lo que ella me explicó, y que después pude comprobar a través de artículos científicos online, fue que este aminoácido es necesario para la expresión de las funciones del virus, o sea esencial para que el virus latente despierte y se manifieste (quien tiene herpes vive con en el estado latente hasta que vuelve “a aparecer”, y cuando la lesión se cura el virus vuelve al estado dormido). Por otro lado existe un aminoácido análogo a la arginina, la lisina, que ayuda a la supresión del virus. La lisina es reconocida por el virus como si fuera arginina pero al contrario de la segunda no posibilita su multiplicación.

En ese sentido, tanto como forma de prevención como de lucha contra el virus, la alimentación es muy importante. Pues tanto la arginina como la lisina se encuentran en dosis mayores o menores en la mayoría de los alimentos. – Quizás sea también importante señalar que aunque estos dos aminoácidos son muy importantes para el normal y saludable funcionamiento del organismo, sólo la lisina se considera un aminoácido esencial (no se produce en el cuerpo humano teniendo que obtenerse del exterior, a través de la alimentación o suplementación), pues la arginina puede ser sintetizada endógenamente por los humanos sanos. – Por ejemplo el chocolate, el coco, los frutos secos y las semillas tienen una gran cantidad de arginina y muy poca lisina. Por otro lado la remolacha, la manzana, la manga, el aguacate, el higo y le melocotón, entre otras frutas y vegetales tienen grandes cantidades de lisina y menores cantidades de arginina.

Como los episodios de manifestación del herpes me suceden mayoritariamente durante los 12 días antes del período, decidí, en esa fase de mi ciclo, cortar con los alimentos que aportan grandes dosis de arginina y bajas de lisina y, para ayudar en la prevención, compré un suplemento de lisina para tomar veo que las posibilidades de despertar el herpes (debido a algún pico de estrés imprevisto) han aumentado en algún momento específico.

El resultado con respecto a la prevención del herpes ha sido extraordinario. Hace 5 meses que empecé esta experiencia y hasta ahora he conseguido mantener el virus dormido.

Pero lo mejor  de todo es que este simple cambio cíclico de alimentación también vino a apaciguar mis dolores menstruales. He estado investigando sobre esto y, a pesar de que no hay mucha información científica disponible, parece que el consumo de frutos secos y semillas (y en este caso su no consumo) pueden ayudar a re-equilibrar los desequilibrios hormonales que pueden ser la causa de oscilaciones de humor y menstruaciones dolorosas.

Resumiendo, una vez más, al oír mi cuerpo, no sólo lo que él me dice físicamente, sino también las expresiones físicas de mis estados emocionales, y al analizar mi alimentación y rediseñarla, logré mejorar bastante mi calidad de vida en lo que se refiere a estos dos problemas crónicos, todo ello sin la ayuda de medicamentos ni de médicos.

El otro día me vino un viejo y recurrente pensamiento a la cabeza: “Qué bueno que sería si pudiera curar el maldito del herpes de una vez”. Pero sorprendentemente otro pensamiento se siguió: “No, en realidad no. En realidad el herpes es una de las maneras que mi cuerpo tiene para decirme que estoy haciendo algo mal. Cuando me doy cuenta de que mi herpes labial está a punto de despuntar (quien lo tiene sabe que una sensación muy particular, como un ardor localizado, precede la primera señal visible) ya sé que es porque me estoy dejando llevar por el estrés y los pensamientos negativos, si no fuera ese aviso quien sabe los daños que podría provocar hasta que el cuerpo me diera otra señal más fuerte.

Estas no fueron las únicas veces que mi cuerpo me dijo que algo no estaba bien y lo oí. Pero basta con una o dos para ilustrar cómo mi vida cambió cuando percibí que un dolor no es el cuerpo “fastidiando” sino siendo mi mejor compañero.

Espero no haber sido muy aburrida con tantos detalles técnicos o poco agradables, mi objetivo con este texto no es más que empoderarte para oír tu cuerpo y buscar soluciones a largo plazo, sin riesgos ni efectos secundarios, para los tuyos propios problemas de salud.

Escucha tu cuerpo. ¿Sientes algo fuera de lo común? ¿Sientes algo que ya viene siendo habitual pero que sabes que no es normal? ¿Qué vas a hacer en cuanto a eso? ¿Meter todo bajo la alfombra con un remedio rápido pero de corta duración? ¿O vas a parar para escuchar realmente, dialogar con tu cuerpo, analizar tus comportamientos e investigar lo que puedes hacer para solucionar el problema?

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