When thoughts have a life

When thoughts have a life (EN)

Cuando los pensamientos tienen vida propia (ES)

Quando os pensamentos têm vida própria (PT)

Tens ansiedade? Se sim, como a descreverias?

  • a) Sentes pressão no peito?
  • b) Sentes que tens o estômago ao contrário?
  • c) Sentes que tens um nó na garganta?
  • d) Sentes-te inquiet@ com a aproximação de um evento?
  • e) Sentes uma onda de calor a passar pelo teu corpo?
  • f) Todas as opções acima referidas.
  • g) Nenhuma das opções acima referidas.

Há tantas formas de se sentir ansiedade e cada pessoa consegue descrever a sensação de maneiras diferentes. Algumas pessoas sentem-se tão arrasadas pela ansiedade que a deixam tomar o controlo. Outras não entendem o que significa. Eu não entendia até muito recentemente.

Quando estava a estudar nutrição holística em Vancouver (Canadá), tive que formular um protocolo para um estudo de caso e para isso precisava de um voluntário que quisesse trabalhar comigo. O meu voluntário era um rapaz que penava com ansiedade já há algum tempo. Senti compaixão pelo seu problema, já que parecia afectar a sua qualidade de vida e estava disposta a ajudá-lo da forma que pudesse. Para tal, teria de compreender verdadeiramente o que era a ansiedade. Pela sua descrição, era algo que eu nunca tinha vivido. Fui para casa e comecei a pesquisar.

Num artigo que eu estava a ler para a minha pesquisa, o autor referia que “fazia um filme na sua cabeça” vezes sem conta antecipando um evento e que era assim que descrevia a sua ansiedade. No momento em que li isto tive uma epifania: “Perdão? Ansiedade também é isto?” – reagi. Eu pensei toda a minha vida que criar toda uma panóplia de cenários e situações na minha cabeça, num remoinho sem fim, era nervosismo.

Quando era criança/ adolescente, pensava sobre a mesma situação vezes sem conta. Uma conversa que tinha que ter com o meu pai, com um@ professor@ ou mesmo com um@ amig@ dava origem a muitas noites mal dormidas. Durante o dia, de cada vez que me lembrava dessa conversa o meu coração começava a bater mais depressa, roía as unhas até chegar ao sabugo e imaginava todas as hipóteses possíveis de como a dita conversa poderia acabar mal – “E depois el@ vai dizer isto e eu vou responder isto… ou talvez aquilo. Não, el@ vai ficar chatead@ comigo. Não consigo.” As conversas eram adiadas mais uma vez e o meu “nervosismo” – leia-se ansiedade – só piorava.

Quando eu entendi claramente que o que eu tive anos a fio era ansiedade, mais coisas começaram a fazer sentido na minha cabeça. Verdade seja dita, eu também ficava nervosa às vezes em situações específicas: antes de um teste ou apresentação, ir ao dentista ou outro evento qualquer que me deixasse desconfortável. Penso que a maior parte das pessoas se revê nesta sensação, pois todos nós já nos sentimos tensos nalguma(s) altura(s) da vida.

No entanto, ansiedade era algo que regia a minha vida e me deixava fora de controlo. E a maior parte das pessoas não sabiam disto pois eu conseguia escondê-lo muito bem.

Na escola secundária, eu tinha um namorado que era o rapaz mais fixe da escola. Ele vestia-se como um rapper, andava de skate e fazia-me corar cada vez que o via. Mas vê-lo na escola era também sinónimo de muita ansiedade pois eu não parava de pensar em cada possibilidade de como o nosso encontro fosse dar errado. Então acabei com o namoro.

Um tempo depois tinha-me tornado numa mestre da sabotagem. Se me convidavam para um evento que provavelmente me iria provocar ansiedade, eu dizia que ia mas começava imediatamente a pensar numa desculpa para não ir – “eu posso dizer que estou doente ou que a minha mãe não me deixa ir… talvez um contratempo de última hora possa ser a desculpa perfeita”.

Os meus pensamentos tinham vida própria dentro da minha cabeça e eram eles que me controlavam.

Isso só melhorou e finalmente deixou de acontecer quando mudei a forma como pensava e as coisas em que acreditava (mais posts neste tópico virão no futuro). Aprendi a lidar com a ansiedade e, mais importante, descobri que a sua causa não fazia o mínimo sentido.

Sendo alguém que gosta de agradar aos outros e evita confrontos a todo o custo, eu sentia sempre que precisava de ser a pessoa que os outros esperavam de mim. Eu achava que se dissesse a verdade e explicasse a um@ amig@ que não queria ir ao seu evento, el@ ficaria desiludid@ ou triste comigo e não iria entender ou aceitar.

A causa da ansiedade era simplesmente criada pela minha cabeça. Eu criei a causa porque assumi que tinha de agradar aos outros e não os podia desapontar. Por isso tinha toda esta pressão (desnecessária) em cima.

Não consigo meter em palavras o quão importante é sermos honest@s connosco própri@s e questionarmos os nossos pensamentos. Os teus pensamentos são teus inimigos? Eles impedem-te de fazeres alguma coisa na tua vida? És um@ mestre da sabotagem tal como eu era?

Ansiedade é completamente irracional e uma vez desfeitos os nossos medos, inseguranças e crenças, ela desmorona. Já não tem onde viver uma vez expulsa das nossas mentes. Morre à fome porque a deixamos de alimentar.

Não tens de controlar os teus pensamentos. Só tens de fazer com que eles parem de te controlar a ti. Dan Millman

When thoughts have a life (EN)

Do you have anxiety? If so, how would you describe it?

  • a) Do you feel pressure in your chest?
  • b) Do you feel like your stomach is upside down?
  • c) Do you feel like you have a knot in your throat?
  • d) Do you feel uneasy as an event approaches?
  • e) Do you feel a hot flash washing over your body?
  • f) All of the above.
  • g) None of the above.

There are so many different ways of feeling anxious and everybody can describe it in a different way. Some people get so overwhelmed by anxiety that it can really impair their lives. Others can’t understand the meaning of it. I couldn’t up until very recently.

While studying holistic nutrition in Vancouver (Canada), I had to make a protocol for a case study and had to choose a volunteer that was willing to work with me. My volunteer was a young man suffering with anxiety for quite some time. I felt compassionate for his issue, as it really seemed to affect his quality of life and was willing to help him in any way. For that, I had to fully comprehend what anxiety was. By his description, it was something I had never felt. I went home and started my research.

In an article that I was reading as part of my research, the author stated that he would “play the same movie in his head” over and over again, anticipating an event and that’s how he was describing his anxiety.While reading this I had an epiphany: “Wait what? That’s anxiety?” – was my reaction. I thought up until now that creating a whole scenario of situations in my head, in a loop without and end, was called nervousness. As a child/ teenager, I would think about the same situation endless times. A conversation that needed to happen with my father, a teacher or even with a friend would give me weeks of sleepless nights. During the day, every time I thought about that conversation, I could feel my heart beating faster, I would bite my nails until reaching the nail bed and would imagine all possible hypothesis of what could go wrong – “And then they will say this, and I will reply this… or maybe that. No, they’ll be mad at me. I can’t.”

The conversations were postponed again and again and my “nervousness” -meaning anxiety – only got worse.

When I got clear in my mind that what I had for so long was anxiety, more things made sense. Truth is, I was sometimes nervous in specific situations such as: prior to a test or a presentation, going to the dentist or any other event where I felt uncomfortable. I guess most people can relate to this feeling as we all felt uneasy at some point in life.

On the other hand, anxiety was something that ruled my life and made me feel completely out of control. And not many people would know about it as I was doing a great job hiding it.

In secondary school, I had a boyfriend that I thought was the coolest dude. He dressed like a rapper, had a skateboard and made me blush every time I saw him.

But seeing him in school also meant extreme anxiety, as I couldn’t stop thinking of every possibility on how our date could go wrong. So I broke up with him.

Some time later I became the master of sabotage. If I were to be invited to an event that could possibly cause me anxiety, my RSVP was positive but I immediately started thinking of an excuse not to go – “I can say I’m sick or that my mother wouldn’t let me go… maybe even a last minute unforeseen event can save my ass”.

My thoughts had their own life inside my mind and they were ruling my life.

That only got better and finally came to an end after I changed my beliefs (more posts on this topic to come). I learned to deal with it and more important, I found out that what caused it in first place didn’t make any sense.

As someone that likes pleasing others and avoids confrontation at all cost, I felt like I needed to meet the other people’s needs. I thought that if I told the truth and explained to my friend that I didn’t want to go to their event, they would be disappointed or sad and would not understand or accept it.

The cause of anxiety was purely made up by my head. I created the cause because I assumed that I had to deliver what people expected of me and I didn’t want to disappoint them. So I had all of this (unnecessary) pressure on me.

I cannot explain how important is to be honest with ourselves and question our own thoughts. Are your thoughts your enemies? Are they preventing you from doing anything in your life? Do you sabotage yourself just like I did?

Anxiety is completely irrational and once we dismantle all our fears, insecurities and believes, it falls apart. It doesn’t have anywhere else to live once kicked out of our minds. It starves, as we don’t feed it anymore.

You don’t have to control your thoughts. You just have to stop letting them control you. – Dan Millman

Cuando los pensamientos tienen vida propia (ES)

Tienes ansiedad? Si tu respuesta es sí, cómo la describirías?

  • a) Sientes presión en el pecho?
  • b) Sientes el estómago revuelto?
  • c) Sientes que tienes un nudo en la garganta?
  • d) Te sientes inquiet@ con la aproximación de un evento?
  • e) Sientes una ola de calor pasando por todo tu cuerpo?
  • f) Todas las opciones arriba se aplican?
  • g) Ninguna de las opciones anteriores se aplica?

Hay muchas formas de sentir ansiedad y cada persona puede describir la sensación de maneras diferentes. Algunas personas se sienten tan arrasadas por la ansiedad que le dejan tomar el control. Otras no entienden lo que significa. Yo no lo entendía hasta muy recientemente.

Mientras estudiaba nutrición holística en Vancouver (Canadá), tuve que formular un protocolo para un estudio de caso y para ello necesitaba un voluntario que quisiera trabajar conmigo. Mi voluntario era un chico que padecía de ansiedad hacía ya algún tiempo. Sentí compasión por su problema que parecía afectar bastante a su calidad de vida, y estaba dispuesta a ayudarle de la forma que pudiera. Para ello, tendría que comprender verdaderamente lo que era la ansiedad. Por su descripción, era algo que yo nunca había experimentado. Cuando me fui a casa empecé a investigar.

En un artículo que encontré sobre el tema, el autor explicaba que en su cabeza repetía la misma “película” repetidamente, una y otra vez, anticipando un evento y era así que describía su ansiedad. En el momento en que lo leí tuve una epifania: “¿Perdón? ¿La ansiedad también es esto? “- reaccioné. Pensé toda mi vida que el hecho de crear repetidamente escenarios y situaciones por anticipación a algo se llamaba nerviosismo.

Cuando era niña/ adolescente, pensaba sobre la misma situación muchas veces. Una conversación que debería tener con mi padre, con un@ profesor@ o incluso con un@ amig@ originaba muchas noches mal dormidas. Durante el día, cada vez que me acordaba de esa conversación mi corazón empezaba a latir más rápido, mordía las uñas e imaginaba todas las posibilidades de cómo dicha conversación podría terminar mal – “Y después él/ella va a decir esto y yo voy a responder esto… o quizás aquello. No, él/ella se va a enfadar conmigo. No puedo decirlo.” Acababa posponiendo las conversaciones una vez más, y mi nerviosismo – o sea: ansiedad- sólo empeoraba.

Cuando entendí claramente que lo que tuve durante tantos años era en realidad ansiedad, más cosas empezaron a tener sentido en mi cabeza. La verdad es que yo también me ponía nerviosa en situaciones específicas: antes de una prueba o presentación, ir al dentista u otro evento cualquiera que me dejara incómoda. Creo que la mayoría de las gente se reconoce en esta sensación, pues todos alguna vez ya nos sentimos nerviosos en algún momento de la vida.

Sin embargo, la ansiedad era algo que me gobernaba la vida y me dejaba fuera de control. La mayoría de la gente no lo sabía porque yo podía esconderlo muy bien.

En el instituto, tuve un novio que era el chico más guay de la escuela. Él se vestía como un rapero, iba en monopatín y me hacía ruborizar cada vez que lo veía. Pero verlo en la escuela era también sinónimo de mucha ansiedad porque yo no paraba de pensar en cada posibilidad de cómo nuestro encuentro podría ir mal. Entonces rompí con él.

 Un tiempo después yo me había vuelto maestra del sabotaje. Si alguien me invitaba a un evento que probablemente me diera ansiedad, yo decía que iba pero inmediatamente empezaba a pensar en una excusa para no ir – “puedo decir que estoy enferma o que mi madre no me deja ir … quizás un contratiempo de última hora sea la excusa perfecta “.

Mis pensamientos tenían vida propia dentro de mi cabeza y eran ellos los que me controlaban.

Esto sólo mejoró y finalmente dejó de ocurrir cuando cambié mi manera de pensar  y también mis creencias (escribiré más sobre ello en el futuro). Aprendí a lidiar con la ansiedad y, más importante, descubrí que su causa no tenía el mínimo sentido.

Siendo alguien a quién le gusta agradar a los demás y suele evitar confrontaciones a cualquier coste, sentía que necesitaba ser la persona que los demás esperaban que fuera. Yo creía que si dijese la verdad y explicara a un@ amig@ que no quería ir a su evento, el@ quedaría desiludid@ o triste conmigo y no iba a entenderlo o aceptarlo.

La causa de la ansiedad era simplemente creada por mi cabeza. Yo creé la causa porque asumí que tenía que agradar a los demás y no podía decepcionarlos. Por eso tenía toda esta presión (innecesaria) encima.

No puedo meter en palabras lo importante que es ser honest@s con nosotr@s mism@s y cuestionar nuestros pensamientos. ¿Tus pensamientos son tus enemigos? ¿Te impiden de hacer algo en tu vida? ¿Eres un@ maestr@ del sabotaje como era yo?

La ansiedad es completamente irracional y una vez deshechos nuestros miedos, inseguridades y creencias, se desmorona. Ya no tiene donde vivir una vez expulsada de nuestras mentes. Muere de hambre porque la dejamos de alimentar.

No tienes que controlar tus pensamientos. Sólo tienes que hacer que paren de controlarte a ti. – Dan Millman

0 thoughts on “When thoughts have a life”

  1. A ansiedade é o meu maior problema, fico completamente perdida, quando deixo os níveis de ansiedade subir MT, parece que até fico sem cérebro não consigo pensar, sinto-me perdida e descontrolada, como se a minha cabeça fica-se confusa, sem capacidade de raciocinar, é muito mau mesmo.
    Vou tentar exercitar os meus pensamentos.

    1. É uma sensação muito irracional, não é Ana? Porque se nos perguntarmos o porquê desses pensamentos e inseguranças, ás vezes nem têm sentido nenhum. É mesmo ir desconstruindo…

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