O que aconteceu quando deixei de usar sutiã

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

O que aconteceu quando deixei de usar sutiã (PT)

Quando era miúda, ainda nem me tinham começado a crescer as maminhas e já dizia à minha mãe que queria usar sutiã. Lembro-me perfeitamente do primeiro conjuntinho de roupa interior, com cuequinha e top, que a minha mãe me comprou. Nesse dia fiz questão de posar para uma sessão de fotos caseira, vestida com esse conjunto e usando as minhas sandálias de salto alto (que tinham apenas três centímetros). Essas fotos vivem nalgum dos álbuns de família.

Comecei então a usar sutiã (ou algo parecido) quando ainda nem tinha mamas para ‘suster’. A pouco e pouco o seu uso começou a ser cada vez mais frequente – à medida que as minhas mamas também cresciam – até que passou a ser constante. Sair à rua sem sutiã passou a ser tão impensável como sair de casa sem cuecas. Sem sutiã sentia-me nua e desprotegida. Além disso durante muito tempo usei sutiãs que davam aos meus seios o aspecto que eu achava que eles deviam ter. O tamanho (maiores), forma (mais redondos) e localização (mais para cima) que eu achava que me fazia parecer mais desejável. Os sutiãs que usava davam volume através de esponjas e enchimentos, que apertavam os peitos em direcção ao centro e os puxavam para cima através de caixas com aros e muitos apertos.

Por outro lado, com o passar do tempo, o uso do sutiã começou a trazer cada vez mais desconforto. Ao ponto de ser a primeira coisa que tirava quando chegava a casa (muitas vezes até antes de descalçar os sapatos). A pouco e pouco deixei de usar sutiãs com “enchimento” e depois deixei de usar sutiãs com caixa. Durante uns anos usei sutiãs que se pareciam um pouco aos primeiros tops que a minha mãe me comprou quando era miúda, só que com tecidos e formas mais sexys e muito menos infantis. Ainda assim esses tecidos não eram a coisa mais confortável para mim, e os elásticos ainda apertavam.

Há um par de anos comecei a deixar de vestir o sutiã para ir à rua quando saía para fazer algo rápido, como deitar o lixo no contentor ou ir comprar algo à mercearia ao final da minha rua. Ao princípio sentia a tal sensação de nudez, de que estava a fazer algo errado ou até um pouco vergonhoso. Depois percebi que aquela sensação não era mais que isso, uma simples sensação, sem razão real. Essa sensação foi-se desvanecendo, e comecei a transgredir a norma cada vez mais vezes. Transgredir era exactamente o que comecei a sentir que fazia, cada vez que saía de casa sem o sutiã. Também essa sensação se foi desvanecendo, até que um dia percebi que não fazia sentido vestir algo que fisicamente me causava tanto desconforto.

Decidi deixar de usar sutiã no final do Inverno há dois anos atrás. Depois de um par de meses, livre de apertos, mas com várias camadas de roupa que ajudavam a que não se notasse tanto a falta dessa peça de roupa, veio o tempo dos tops, vestidos e t-shirts. Veio o tempo de assumir realmente a minha decisão. Agora era bastante evidente que não usava sutiã. O relevo dos meus mamilos era perceptível às vezes, a localização real dos meus seios também (uns bons três ou quatro centímetros mais abaixo da sua versão ‘sustentada’). O que a princípio causou algum constrangimento tornou-se verdadeiramente libertador. Além disso comecei a usar algumas peças de roupa que até então não usava porque não me agradava a forma como o sutiã ficava visível.

Antes de ter deixado de usar sutiã já era frequente fazer “top-less” na praia, depois deixou de me fazer qualquer sentido usar a parte superior do bikini. Só havia uma ocasião na qual ainda usava sutiã: para correr e fazer exercício. Ainda acreditava no mito que o peito podia sofrer algum tipo de lesão causada pelo seu livre movimento durante saltos e movimentos mais bruscos. Cerca de um ano depois de ter deixado de usar sutiã no dia-a-dia decidi sair para correr sem o sutiã desportivo porque não tinha nenhum lavado. Tal foi a minha surpresa quando, ao correr, o movimento não me causou nenhum tipo de dor nem desconforto. Quando há uns anos atrás até com o sutiã me doía o peito ao correr ou saltar!

Desde então sou 100% “bra free”. Desde então as minhas mamas estão mais firmes (apesar de já ter passado dos 30) e nunca mais ficaram doloridas depois de uma corrida. “Bra free” é como o movimento “barefoot” mas para as mamas, é mais um tipo de minimalismo, trata-se se eliminar algo que, no meu caso pelo menos, não trazia nenhum benefício mais além da prescrição social.

Alguns estudos apontam para a relação entre o uso de sutiãs e o cancro de mama, e já são muitas as plataformas que preconizam que deixar o sutiã não só traz conforto mas também pode ajudar a acabar com alguns tipos de dores de cabeça e de costas, melhorar a respiração e aumentar a auto-estima, entre outros benefícios. Eu tenho o peito pequeno, bem sei, mas não pensem que só as pessoas com o peito pequeno podem ser “bra free”. Na verdade há pela internet fora vários relatos, de mulheres com mamas de todos os tamanhos, que contam como o abandono dos sutiãs melhorou a sua qualidade de vida.

Afinal para que servem os sutiãs? Sutiã, vem do francês “soutien” que significa apoio ou suporte. Em português, apesar de não muito usado, outro nome para esta peça de roupa interior é “porta-seios” e a sua definição no dicionário é: Peça de vestuário feminino destinado a acomodar, acondicionar ou apoiar os seios”. Mas na realidade parece haver alguns indícios de que os seios afinal não beneficiam do suporte artificial.

Usamos sutiã porque aprendemos que é uma peça de roupa indispensável e normalmente não questionamos a sua real necessidade. Usamo-lo porque, na nossa sociedade, há uma dessas regras não escritas que diz que os mamilos femininos são ofensivos ou libidinosos e por isso merecedores de censura, ao passo que os mamilos masculinos não. A sociedade também dita que as mamas se querem bem puxadas para cima (para agradar à vista) mas sem que se movam demasiado (para não chamar demasiado a atenção para si mesmas?!).

Há mulheres que gostam de usar sutiã ou não se sentem cómodas sem ele. O propósito do movimento “Bra free” (e deste artigo) não é fazer com que todas as mulheres deixem de usar sutiã, nem muito menos criticar as que não abdicam desta peça de roupa, mas sim defender a liberdade de escolha para usar ou não sutiã, sem ter a preocupação da aceitação social, nem a pressão de mitos sem fundamento.

Estudos sobre o uso de sutiã e a sua relação com o cancro

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Alguns relatos de mulheres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

Indícios de que os seios não precisam de suporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

Aún no me habían empezado a crecer las tetitas cuando empecé a decir a mi madre que quería usar sujetador. Recuerdo el primer conjunto de ropa interior con braguitas y top que mi madre me compró. En ese día quise hacer una sesión de fotos casera, vestida con ese conjunto y usando mis sandalias de tacón alto (que tenían sólo tres centímetros). Esas fotos viven en alguno de los muchos álbumes de familia.

Empecé entonces a usar sujetador (o algo parecido) cuando aún no tenía tetas para ‘sostener’. A poco y poco su uso empezó a ser cada vez más frecuente – a medida que mis pechos también crecían – hasta que pasó a ser constante. Salir a la calle sin sujetador pasó a ser tan impensable como salir de casa sin bragas. Sin sujetador me sentía desnuda y desprotegida. Además, durante mucho tiempo usé sujetadores que daban a mis senos el aspecto que creía que debían tener. El tamaño (más grande), la forma (más redondos) y la ubicación (más arriba) que creía que me hacía parecer más deseable. Los sujetadores que usaba daban volumen a través de esponjas y rellenos, apretaban los pechos hacia el centro y los empujaban hacia arriba a través de cajas con aros y muchos aprietos.

Por otro lado, con el paso del tiempo el uso del sujetador comenzó a traer cada vez más incomodidad. Al punto de ser la primera cosa que me quitaba al llegar a casa (muchas veces hasta antes de quitarme los zapatos). A poco y poco dejé de usar sujetadores con “relleno” y luego dejé de usar sujetadores con caja. Durante unos años usé sujetadores que se parecían a los primeros tops que mi madre me compró cuando era niña, pero con tejidos y formas más sexys y mucho menos infantiles. Sin embargo, esos tejidos no eran la cosa más cómoda para mí, y las gomas todavía aprietaban.

Hace un par de años empecé a dejar de poner el sujetador cuando salía para hacer algo rápido, como tirar la basura o ir a comprar algo a la frutería al final de mi calle. Al principio sentía esa sensación de desnudez, de que estaba haciendo algo malo o vergonzoso. Después percibí que aquella sensación no era más que eso, una simple sensación, sin razón real. Esta sensación se desvaneció, y empecé a transgredir la norma cada vez más veces. Transgredir fue lo que pasé a sentir que hacía, cada vez que salía sin el sujetador. También esa sensación se fue desvaneciendo, hasta que un día percibí que no tenía sentido vestir algo que físicamente me causaba tanto incomodidad.

Decidí dejar de usar sujetador al final del Invierno, hace dos años. Después de un par de meses, libre de apretones, pero con varias capas de ropa que ayudaban a que no se notara tanto la falta de esa prenda, vino el tiempo de los tops, de los vestidos y las camisetas. Vino el tiempo de asumir realmente mi decisión. Ahora era bastante evidente que no usaba sujetador. El relieve de mis pezones era perceptible a veces, la ubicación real de mis senos también (unos buenos tres o cuatro centímetros más abajo de su versión “sujetada”). Lo que al principio causó cierta vergüenza se volvió verdaderamente liberador. Además, empecé a usar algunas prendas que hasta entonces no usaba porque no me gustaba la forma cómo el sujetador quedaba visible.

Antes de dejar de usar sujetador ya era frecuente hacer “top-less” en la playa, pero después dejó de hacer cualquier sentido usar la parte superior del bikini. Sólo había una ocasión en la que todavía usaba sujetador: para correr y hacer ejercicio. Todavía creía en el mito que el pecho podía sufrir algún tipo de lesión causada por su libre movimiento durante saltos y movimientos más bruscos. Um dia, al cabo de un año después de haber dejado de usar sujetador en el día a día, decidí salir para correr sin el sujetador deportivo. Tal fue mi sorpresa cuando al correr el movimiento no me causó ningún tipo de dolor ni molestia. ¡Cuando un año antes hasta con el sujetador me dolía el pecho al correr o saltar!

Desde entonces soy 100% “bra free”. Desde entonces mis tetas están más firmes (a pesar de ya haber pasado de los 30) y nunca más quedaron doloridas después de una carrera. “Bra free” es como el movimiento “barefoot” pero para las tetas, es más un tipo de minimalismo, se trata de eliminar algo que, en mi caso por lo menos, no traía ningún beneficio más allá de la prescripción social.

Algunos estudios apuntan a la relación entre el uso de sujetadores y el cáncer de mama, y ​​ya son muchas las plataformas que preconizan que dejar el sujetador trae no sólo comodidad pero también puede ayudar a acabar con algunos tipos de dolores de cabeza y de espalda, mejorar la respiración y aumentar la autoestima, entre otros beneficios. Yo tengo el pecho pequeño, bien sé, pero no piensen que sólo las personas con el pecho pequeño pueden ser “bra free”. En realidad hay por internet fuera varios relatos, de mujeres con tetas de todos los tamaños, que cuentan cómo el abandono de los sujetadores mejoró su calidad de vida.

Al final, para qué sirven los sujetadores? “Sujetador” es algo que sujeta. Otro nombre para esta prenda de ropa interior es “sostén” o sea “cosa que sostiene”… Pero en realidad parecen haber algunos indicios de que los senos al final no se benefician del soporte artificial.

Usamos sujetador porque aprendemos que es una pieza de ropa indispensable y normalmente no cuestionamos su real necesidad. Lo usamos porque en nuestra sociedad hay una de esas reglas no escritas que dice que los pezones femeninos son ofensivos o libidinosos, y por eso merecedores de censura, mientras que los pezones masculinos no. La sociedad también dice que las tetas se quieren bien tiradas hacia arriba (para agradar a la vista) pero también de manera que no se muevan demasiado (para no llamar demasiado la atención hacia sí mismas ?!).

A algunas mujeres les gusta usar sujetador o no se sienten cómodas sin él. El propósito del movimiento “Bra free” (y de este artículo) no es hacer que todas las mujeres dejen de usar sujetador, ni mucho menos criticar a las que no abdican de esta prenda. Sino defender la libertad de elección para usar o no el sujetador, sin tener la preocupación de la aceptación social ni la presión de mitos sin fundamento.

Estudios sobre el uso de sujetador y su relación con el cáncer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

 Algunos relatos de mujeres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Indicios de que los senos no necesitan soporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/

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