What do queuing and fake news have in common?

What do queuing and fake news have in common? (EN)

¿Qué tienen en común hacer cola y las noticias falsas? (ES)

O que têm em comum uma fila e uma notícia falsa? (PT)

Talvez alguns de vós não saibam que a Tico tem uma certa “alergia” a filas. Mas não é pela fila em si, no sentido em que há que fazer fila e esperar, é porque muitas vezes as filas são filas (e das grandes) porque as pessoas se metem nelas só porque veem que há lá mais pessoas, e que por isso acham que deve ser onde elas também devem estar. Lembro-me de estarmos na Expo98 e de ouvir a minha irmã dizer: “As pessoas são mesmo ovelhas”, ela tinha apenas 10 anos. Eu nessa altura achava que ela estava a exagerar.

Hoje em dia acho que não é correcto ofender as ovelhas… Há umas semanas estivemos as duas numa espécie de congresso. À parte do evento em si estar bastante mal organizado (talvez algum dia escrevamos sobre esse evento), quando chegámos vimos que havia uma fila gigante. Mas a Tico é perita nisto das filas e foi logo averiguar o que se passava. O que se passava era que a maioria das pessoas não tinha percebido que havia 4 filas diferentes lá mais à frente, perto da entrada, e que as pessoas se deviam distribuir, segundo o seu tipo de passe, por cada uma das filas. A maioria das pessoas não se preocupava em ir averiguar (lá mais à frente) porque é que havia uma fila tão grande, elas apenas entravam na fila maior, que era a que acabava mais atrás, e nem se apercebiam que havia outras filas (filas essas que provavelmente eram as que correspondiam aos seus passes de entrada no evento). Este fenómeno acontece onde quer que haja muita gente, e não só em forma de filas.

Na verdade este artigo nem é sobre filas, é sobre a facilidade que as pessoas têm em “ir atrás” ou “seguir o rebanho” de maneira praticamente cega. Porque as pessoas não se questionam! Isto é algo que vejo acontecer prácticamente todos os dias nas redes sociais. Hoje (escrevo este artigo no dia 2 de Dezembro), por exemplo, deparei-me com uma partilha no facebook cujo texto começava com a frase: “O PAN apresentou uma proposta para proibir que os pobres e os sem abrigo pudessem ter animais” e acabava com “Quem não gosta de pessoas não pode gostar de animais!” logo a seguir tinha um link.

Eu, como a maioria das pessoas, tive uma reação imediata, que foi pensar “Que estupidez!!”, e  depois pensei “Como assim o PAN apresentou uma proposta para proibir que os pobres e os sem abrigo pudessem ter animais?”. Só que depois eu fiz algo que muitas das pessoas que partilharam ou comentaram essa publicação não fizerem: cliquei no link!! O link abria um documento com o título “Proposta de Regulamento Municipal do Animal Município de Lisboa”. Um documento que eu me dei ao trabalho de ler, ao contrário das pessoas que se apressaram em partilhar ou comentar demonstrando a sua revolta para com o partido animalista. Nesse documento, onde por acaso o nome do PAN nem aparece em lado nenhum, figuram uma série de propostas de protecção e bem estar animal bastante dentro do que a maioria das pessoas consideraria dentro do bom senso (ora cliquem no link e leiam com os vossos próprios olhos). Em nenhum lado havia algo que dizia que queriam proibir os pobres de ter animais, nem muito menos da leitura daquele documento, que podia nem ser da autoria do PAN, podemos retirar a ideia de que o partido animalista “não gosta de pessoas”.

A publicação em causa tinha sido feita no dia 20 de Novembro e tinha (no momento em que eu escrevia este artigo) 859 comentários, 2715 partilhas e mais de 1860 gostos. E tinha sido feita por um senhor que nitidamente sabe que a maioria das pessoas não se preocuparia em clicar no link e ler o documento. Um senhor que sem dúvida quer denegrir a imagem do PAN, e que de certa forma o conseguiu, de maneira tão simples como escrever umas frases polémicas e colocar um link que figura como fonte daquilo que declara, mas que na realidade sabia que (quase) ninguém ia abrir.

A mesma suposta notícia (com base no tal documento) poderia ter sido: “O PAN apresentou uma proposta que defende que, para ter animais, se devem ter certas condições mínimas para garantir o seu bem estar”. A linguagem é muito importante, como já escrevi num artigo anterior, e a maneira como dizemos as coisas é um exemplo disso, pois uma maneira ou outra podem alterar completamente a resposta que as pessoas têm a uma mesma ideia. O senhor que fez a tal publicação também sabia isso demasiado bem.

Tanto nas filas como nas redes sociais, para nosso próprio bem e para garantir que estamos realmente informad@s, para que não sejamos apenas mais um@ a seguir cegamente o rebanho, devemos sempre verificar o que de facto se passa. Pessoalmente considero que estar bem informad@ não é um privilégio mas sim um dever de cidadania. E perpetuar publicações falsas e tendenciosas é nocivo para tod@s e de facto muito vergonhoso para quem o faz.


What do queuing and fake news have in common? (EN)

Maybe some of you might not know that Tico has a certain “allergy” to queuing. But it is not for the queue itself, in the sense that it is necessary to queue and wait, it is because queues are often formed into queues (and big ones) as people get in them just because and they see that there are more people there waiting and so they think it must be where they should be too. I remember being at the Expo98 and hearing my sister say: “People are so like sheep,” she was only 10 years old. At that point I thought she was exaggerating.

Nowadays I think it is not right to offend the sheep … A few weeks ago we were both in a kind of congress. Apart from the event itself being rather poorly organised (maybe one day we will write about this event), when we arrived we saw that there was a giant queue. But Tico is an expert when it comes to queueing issues and was fast to find out what was going on. What was happening was that most people did not realize that there were four different queues further near the entrance, and that people were to distribute themselves, according to their type of admission ticket, by each of the queues. Most people did not bother to find out why there was such a big queue, they just entered the larger queue, which was the one that ended up further back, and they didn’t even realised that there were other queues (which were probably the ones that matched their entry tickets for the event). This phenomenon happens wherever lots of people come together, and not only in the form of queues.

Actually this article isn’t even supposed to be about queuing, it’s about how easily people engage in “following the herd” in a virtually blind fashion. Because people aren’t used to questioning! This is something I see happen practically every day on social networks. For example, the other day I came upon a post on Facebook whose text began with the phrase: “The PAN party put forward a proposal to prohibit the poor and the homeless from having animals” and ended with “Those who don’t like people can’t love animals!”. At the end of the text there was a link.

Note to non Portuguese readers: PAN : People–Animals–Nature is a Portuguese political party, founded in 2009. Since 2015, they have one seat in the Portuguese parliament.

I had an immediate reaction to the post, as most people did, and thought “How stupid is that!!”, and then I thought “How did PAN put forward a proposal to prevent the poor from having animals?”. But then I did something that many people didn’t: I clicked on the link!! The link would open a document entitled “Proposal for Animal Municipal Regulation of the Municipality of Lisbon”. I then bother myself to read it, unlike all of those who rushed to share or comment on the post, demonstrating their outrage towards the PAN party. This document, where the PAN party name never appears, presents a series of animal protection and welfare proposals, which I’m sure most people would consider within common sense. Nowhere in this document, that might not even be written by PAN, can we find a piece of text that states that they “don’t like people” nor that they have some kind of agenda against the poor or the homeless.  

The post in question had been posted on November 20th and had already (at the time I wrote this article) 859 comments, 2715 shares and more than 1860 likes. And it had been posted by a “gentleman” who clearly knows that most people would not bother clicking on the link and reading the document. A man who undoubtedly wants to denigrate the image of the PAN party, and who somehow managed to do so. In such a simple way as writing some controversial sentences and posting a link that would look like a genuine source of what he declares, but that in reality no one was going to check (and hell, he knew that so well).

The same alleged news (based on such document) could have been: “The PAN party has submitted a proposal that advocates that in order to adopt animals people must have certain minimum conditions to guarantee their well-being.”. Language is very important, as I wrote in a previous article, and the way we say things is very important too because it can completely change the response that others have to the same idea. The “gentleman” who made that post also knew this too well.

Regarding both queues and social networks, for our own good and to ensure that we are really informed, so that we are not just another one blindly “following the herd”, we should always check what is actually happening. Personally I consider that being well informed is not a privilege but a duty of citizenship. And perpetuating false and biased publications is harmful to all and indeed very shameful for the ones who do it.


¿Qué tienen en común hacer cola y las noticias falsas? (ES)

Quizás algun@s de ustedes no sepan qué Tico tiene una cierta “alergia” a filas. Pero no es por la fila en sí, en el sentido en que hay que hacer cola y esperar, es porque muchas veces las filas son filas (y de las grandes) porque las personas se meten en ellas sólo porque ven que allí hay más gente, y por ello creen que es donde ellas también deben estar. Me acuerdo de estar en la Expo98 y escuchar a mi hermana diciendo: “Las personas son como ovejas”, ella tenía sólo 10 años. En ese momento yo creía que ella estaba exagerando.

Hoy en día creo que no está correcto ofender a las ovejas … Hace unas semanas estuvimos las dos en una especie de congreso. A parte del evento en sí estar bastante mal organizado (quizás algún día escribamos sobre ese evento), cuando llegamos vimos que había una cola gigante. Pero Tico es experta en esto de las filas y pronto averiguó lo que pasaba. Lo que pasaba era que la mayoría de la gente no se había dado cuenta que había 4 filas diferentes más allá, cerca de la entrada, y que las personas se tenían que distribuir, según su tipo de bono, por cada una de las filas. La mayoría de la gente no se preocupaba de ir a averiguar (allí un poco más adelante) porque estaba tan grande la cola, ell@s solamente se incorporaban a la fila más larga, que era la que acababa más atrás, y ni siquiera se percibían que había otras filas (filas esas que probablemente eran las que correspondían a sus bonos de entrada en el evento). Este fenómeno ocurre dondequiera que haya mucha gente, y no sólo en forma de filas.

En realidad este artículo ni siquiera va sobre colas, va sobre la facilidad con la que la gente “sigue la manada” a ciegas. ¡Porque la gente no se cuestiona! Esto es algo que veo suceder prácticamente todos los días en las redes sociales. Por ejemplo, hace pocos días vi un ‘post’ en facebook cuyo texto empezaba con la frase: “El partido PAN presentó una propuesta para prohibir que los pobres y los sin techo puedan tener animales” y el texto terminaba con: “A quien no le gusta a la gente no le gustan los animales!” a continuación tenía el enlace.

Nota para l@s lector@s no portugueses: PAN: Personas – Animales – Naturaleza es un partido político portugués, fundado en 2009. Desde 2015, tienen un escaño en el parlamento portugués. Los ideales de este partido son bastante semejantes a los del partido PACMA en España.

Yo, como la mayoría de la gente, tuve una reacción inmediata que fue pensar “¡Qué estupidez !”, y luego pensé: “¿Cómo es posible que PAN haya presentado una propuesta para prohibir que los pobres y los sin techo tengan animales?”. Pero después yo hice algo que la mayoría de personas que compartió y comentó la publicación no hicieron: ¡hice clic en el enlace! El enlace se abriría para un documento titulado “Propuesta de Reglamento Municipal de Animales del Ayuntamiento de Lisboa.”. Luego me di al trabajo de leer dicho documento, también al contrario de todas las personas que se apresuraron a compartir o comentar, demostrando su enojo hacia el partido animalista. En ese documento, donde por casualidad el nombre del PAN no aparece en ninguna parte, figuran una serie de propuestas de protección y bienestar animal bastante dentro de lo que la mayoría de las personas consideraría dentro del sentido común. En ningún lado había algo que decía que querían prohibir a los pobres de tener animales, ni mucho menos de la lectura de ese documento, que puede ni ser de la autoría del PAN, podemos sacar la idea de que al partido animalista “no le gusta a las personas”.

El post del que hablo se había publicado en Facebook el 20 de Noviembre y (en el momento en el que yo escribía este post) tenía 859 comentarios, más de 1860 “me gusta” y había sido compartido 2715 veces. Y había sido publicado por un señor que nítidamente sabe que la mayoría de la gente no se preocuparía por hacer clic en el enlace ni leer el documento. Un señor que sin duda quiere denigrar la imagen del PAN, y que de cierta forma lo consiguió, de manera tan simple como escribir unas frases polémicas y colocar un enlace que figura como fuente de lo que declara, pero que en realidad sabía que (casi) nadie iba a abrir.

La misma supuesta noticia (con base en dicho documento) podría haber sido: “PAN presentó una propuesta que defiende que, para tener animales, se deben tener ciertas condiciones mínimas para garantizar su bienestar”. El lenguaje es muy importante, como ya he escrito en un artículo anterior, y la forma como decimos las cosas es un ejemplo de ello porque puede cambiar completamente la reacción que las personas tienen a una misma idea. El señor que hizo esa publicación probablemente también lo sabe.

Tanto en las colas como en las redes sociales, para nuestro propio bien y para garantizar que estamos realmente informad@s, para que no seamos sólo un@ más siguiendo ciegamente la manada, debemos siempre verificar lo que de hecho pasa. Personalmente considero que estar bien informad@ no es un privilegio sino un deber de ciudadanía. Y perpetuar publicaciones falsas y tendenciosas es nocivo para todos y de hecho muy vergonzoso para quien lo hace.

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