Walking away from jealousy

Como afastar-se do caminho dos ciúmes (PT)

Cómo alejarse del camino de los celos (ES)

Walking away from jealousy (EN)

While talking to a good friend the other day about her love life, she then said “It’s good to have some jealousy in a relationship” to which I answered “why would you say that?” to what she replies “Well, it means that your partner likes you…”.

The conversation went on and I was in total disagreement with her point of view. However, I knew where she was coming from. I once thought exactly the same! Back then, when I used to think that jealousy was part of a romantic relationship, I never questioned myself to understand why I had this belief. I just had it probably because that’s what I learned.

I remember at early age having jealousy “attacks”, normally because my sister was having more attention from my mother than me in some situation. That feeling of seeking exclusive attention from someone else, without having to share it,  was something very familiar to me. Most of us don’t get to have an explanation of the feelings we are experiencing while growing up. If we feel frustrated we are grounded, if we feel annoyed therefore we are considered ill-behaved and when we feel bored someone gives us another task just so we are entertained again. We end up not knowing why we feel the way we feel.  We end up not knowing why we behave the way we do. We end up not learning how to deal with our feelings. We just get that something is wrong or right with no reason and no explanation. This is something we all have to deal with as kids.

Then we grow up and jump into romantic relationships. Our partner is flirting with another person and here it comes again that same feeling. It’s human, everybody felt this way at some point in their lives. And it’s ok. What today I realise it’s not ok, is the fact that we don’t understand our own feelings so we act according to them without being aware of that.

I can say that when I was in a long-term relationship I was super jealous at some point. It wasn’t much in the beginning surprisingly. But as soon as I suspected of infidelity my “radar” fired up. I started to be this mad person that was always thinking that my boyfriend at the time was surely cheating on me. I couldn’t help it but being in a loop of negative thoughts. Today I know that it wasn’t his problem. It was mine. I was in a very insecure phase in my life and my self-esteem was at a low point. Because of this, I obviously thought that every girl was more interesting, more beautiful and in better shape than me. Today I think much clearly (perhaps because I’m not in that situation right now) and with this distance I know that whatever your partner wants to do they will end up doing it anyway. It is not because you’re jealous that it will stop the other person from cheating, flirting or doing something else. And being jealous will not make your partner feel more loved.

Plus, jealousy is something super selfish. If you love someone, you probably want the best for them and want them to be happy. If you can deeply understand that, you will see that you will become more relaxed. It doesn’t mean that cheating is something right, which I think it is definitely not! But the other person’s actions are out of our control and it is just healthier to let them go when they need to, because we love them and want the best for them, instead of monitoring every single action.

Why is that we feel jealous when our loved one is giving more attention to someone at certain moment? Is it connected to our state of mind at that moment? Is it related to past traumas? Can we learn to deal with it?

Getting back to where this article started, I deeply believe that your partner doesn’t need to be jealous in order for you to feel loved, nor vice-versa. Because jealousy comes from a self-centered mindset, it can be observed, recognized and then released. It needs some training because the neurotransmitters inside our brains love to go always through the same pathways, and those pathways are very worn out so it’s easier to “walk” on them instead of going through a new track full of weeds. But if we try to walk on the new path, we will trample on the weeds and they will eventually disappear and form another firm pathway.  This is a straightforward analogy to explain that if we choose to have thoughts that will propagate our feelings of jealousy (walking on the worn out path) we will end up in a loop of instability. If, on the other hand, we decide to observe the feeling, understand where it is coming from and then move one to a more positive mindset (walk on a new pathway) we will start to train our brain to demystify that feeling. After some time, we will eventually stop going through the old path and instead choose the new one.

“Nothing is more capable of troubling our reason, and consuming our health, than secret notions of jealousy in solitude.” –  Aphra Behn

Como afastar-se do caminho dos ciúmes (PT)

Um dia destes, enquanto falava com uma grande amiga sobre os seus amores e desamores, ela diz “É bom haver alguns ciúmes numa relação”, ao que eu respondi “Porque é que dizes isso?” e de seguida diz ela “Então significa que o teu parceiro gosta de ti…”.

A conversa continuou e eu estava em pleno desacordo com o seu ponto de vista. Ainda assim, percebi a sua forma de pensar. Não há muito tempo eu pensava o mesmo! Nessa altura, quando pensava que os ciúmes eram algo intrínseco numa relação amorosa, não me questionava sobre porque pensava assim. Provavelmente porque foi o que aprendi.

Lembro-me que, quando era bem miúda, tinha “ataques” de ciumeira, normalmente por ver que a minha irmã estava a receber mais atenção do que eu, por parte da minha mãe, num momento específico. Aquele sentimento de querer que a atenção de alguém seja exclusivamente dirigida para nós, sem termos que a dividir, era algo muito familiar para mim. A maioria de nós não recebe uma explicação sobre os sentimentos que experienciamos enquanto crescemos. Se nos sentimos frustrad@s somos posto@s de castigo, se nos sentimos irritado@s então somos considerad@s mal-comportad@s e quando estamos aborrecid@s alguém nos dá uma tarefa, para que fiquemos entretidos mais uma vez. Acabamos assim por não compreender o porquê de nos comportarmos de determinada forma e por não aprender a lidar com os nossos sentimentos. Acabamos por não entender porque nos sentimos como sentimos. Apenas percebemos que algo é considerado certo ou errado, sem nenhuma razão ou explicação. Isto é algo com o qual tod@s temos que lidar quando somos crianças.

Depois crescemos e metemo-nos em relações amorosas. Quando @ noss@ parceir@ parece estar a flertar com outra pessoa lá vem aquele sentimento outra vez. É humano, toda a gente já o sentiu alguma vez na vida. E não faz mal. O que eu hoje reconheço que “faz mal” é que não percebemos os nossos próprios sentimentos e agimos com base neles sem nos darmos conta muitas vezes.

Posso dizer que, quando tive numa relação duradoura, fui muito ciumenta a certa altura. Curiosamente não foi na fase inicial. Mas assim que tive suspeitas de infidelidade, o meu “radar” disparou. Comecei a ser uma pessoa neurótica que pensava frequentemente que estava a ser traída pelo namorado. Eu não conseguia evitar estar naquele ciclo vicioso de pensamentos negativos. Mas hoje sei que o problema não era dele. Era meu. Eu é que estava numa fase muito insegura da minha vida e com a auto-estima muito em baixo. Por essa razão, pensava que qualquer rapariga era mais interessante, mais bonita e estava em melhor forma física do que eu. Hoje os meus pensamentos são bem mais claros (talvez por já não estar nessa situação) e com esta distância sei que a outra pessoa vai acabar por fazer o que quiser, seja como for. Não é pelo facto de teres ciúmes que isso irá impedir a outra pessoa de te trair, flertar ou fazer o que quer que seja. Também não é por teres ciúmes que vais fazer com que a pessoa com quem estás numa relação se sinta mais amada.

Além disso os ciúmes são algo muito egoísta. Se amas alguém, provavelmente queres o melhor para essa pessoa e que seja feliz. Se conseguires compreender isso profundamente, vais ver que vais ficar mais relaxad@. Não quer dizer que trair é algo correcto, acredito definitivamente que não o é! Mas as acções da outra pessoa estão fora do nosso controle e é mais saudável deixá-la ir quando for necessário, porque a amamos e queremos o melhor para ela, em vez de quer tê-la presa a nós e vigiar todos os seus movimentos.  

Porque é que sentimos ciúmes quando achamos que a pessoa que amamos está a dar mais atenção a outra? Estará relacionado com o nosso estado de espírito naquele momento? Estará relacionado com traumas passados? Podemos aprender a lidar com isso?

Voltando ao ponto de partida deste artigo, acredito profundamente que a pessoa com a qual tens uma relação amorosa não tem que ter ciúmes para que tu te sintas amad@, ou vice-versa. Já que os ciúmes fazem parte do ego, podem ser observados, reconhecidos e depois libertados. É preciso algum treino pois os neurotransmissores no nosso cérebro adoram “percorrer” repetidamente os mesmos caminhos, e esses caminhos são de terra batida, daí ser mais fácil andar por eles em vez de escolher caminhos novos e cheios de vegetação. Mas se tentarmos andar num caminho novo, começamos a espezinhar as ervas e elas eventualmente desaparecerão e darão origem a um novo caminho delineado. Esta é uma analogia para explicar que se escolhermos pensamentos que vão propagar os nossos sentimentos – ciúmes neste caso (andar no caminho gasto) acabamos num ciclo de instabilidade. Se, por outro lado, decidirmos observar o sentimento, compreender de onde vem e daí partir para pensamentos mais positivos (andar no novo caminho por desbravar), começamos a treinar o nosso cérebro para desmistificar os sentimentos. Depois de algum tempo, começamos a escolher os novos caminhos mais vezes e paramos de ir pelos velhos.

“Nada é mais capaz de perturbar a nossa razão, e consumir a nossa saúde, do que pensamentos secretos de ciúme em solidão” – Aphra Behn

 

Cómo alejarse del camino de los celos (ES)

Un día de estos, mientras hablaba con una gran amiga sobre sus amores y desamores, ella dijo: “Es bueno tener algunos celos en una relación”, a lo que yo contesté: “¿Por qué dices eso?”, y ella: “Pues porque significa que tu pareja te quiere … “.

La conversación continuó y yo seguía sin estar de acuerdo con su punto de vista. Sin embargo, percibí su forma de pensar. ¡Hace poco tiempo eu pensaba lo mismo! En ese momento, cuando pensaba que los celos eran algo intrínseco de una relación amorosa, no me cuestionaba  sobre porque pensaba aquello. Probablemente porque fue lo que aprendí.

Recuerdo que cuando era muy pequeña, tenía “ataques” de celos, normalmente por ver que mi hermana estaba recibiendo más atención que yo, por parte de mi madre, en un momento específico. Aquel sentimiento, de querer que la atención de alguien sea exclusivamente dirigida hacia nosotros, era algo muy familiar para mí. La mayoría de las nosotr@s no recibimos una explicación sobre los sentimientos que experimentamos mientras crecimos. Si nos sentimos frustrad@s somos castigad@s, si nos sentimos irritados somos considerados mal comportados y cuando estamos aburridos alguien nos dan alguna tarea para que nos estemos entretenidos una vez más. Y así acabamos por no comprender el porqué de comportarnos de determinada forma y ni aprendemos a lidiar con nuestros sentimientos. Acabamos por no entender por qué nos sentimos de cierta manera Sólo percibimos que algo está considerado correcto o incorrecto, sin ninguna razón o explicación. Esto es algo con lo que tod@s tenemos que lidiar cuando somos niños.

Después crecimos y nos metemos en relaciones amorosas. Cuando nuestra pareja parece estar coqueteando con otra persona ya viene esa sensación otra vez. Es humano, todo el mundo lo ha sentido alguna vez en la vida. Y no pasa nada. Lo que hoy reconozco como negativo es que no percibimos nuestros propios sentimientos y actuamos con base en ellos muchas veces sin darnos cuenta.

Hace algún tiempo, cuando tuve una relación duradera, fui muy celosa en un determinado momento de esa relación. Curiosamente no fue en la fase inicial. En el momento en el que tuve sospechas de infidelidad, mi “radar” disparó. Comencé a ser una persona neurótica que pensaba a menudo que estaba siendo traicionada por el novio. No podía evitar estar en ese círculo vicioso de pensamientos negativos. Pero hoy sé que el problema no era de él. Era mío. Yo estaba en una fase muy insegura de mi vida y con la autoestima muy baja. Por esa razón, pensaba que cualquier chica era más interesante, más bonita y estaba en mejor forma física que yo. Hoy mis pensamientos son mucho más claros (quizá por no estar en esa situación) y con esta distancia sé que la otra persona terminará haciendo lo que quiera, sea como sea. No es por el hecho de que tengáis celos que eso impedirá a la otra persona de traerte, coquetear o hacer lo que sea. También no es por tener celos que vas a hacer que la persona con quien estás en una relación se sienta más amada.

Además, los celos son algo muy egoísta. Si amas a alguien, probablemente quieres lo mejor para esa persona y que sea feliz. Si logras comprender eso profundamente, verás que vas a estar más relajad@. No quiere decir que traicionar sea algo correcto, creo definitivamente que no lo es. Pero las acciones de la otra persona están fuera de nuestro control y es más saludable dejarla ir cuando sea necesario, porque la amamos y queremos lo mejor para ella, en vez de querer tenerla presa a nosotros y vigilar todos sus movimientos.

¿Por qué sentimos celos cuando creemos que la persona que amamos está dando más atención a otra? ¿Está relacionado con nuestro estado de ánimo en aquel momento? ¿Estará relacionado con traumas pasados? ¿Podemos aprender a lidiar con eso?

Volviendo al punto de partida de este artículo, creo profundamente que la persona con la que tienes una relación amorosa no tiene que tener celos para que te sientas amad@, o viceversa. Ya que los celos forman parte del ego, pueden ser observados, reconocidos y luego liberados. Es necesario algún entrenamiento pues los neurotransmisores en nuestro cerebro adoran “recorrer” repetidamente los mismos caminos, y esos caminos son de tierra batida, de ahí ser más fácil andar por ellos en vez de elegir caminos nuevos y llenos de vegetación. Pero si intentamos caminar en un camino nuevo, empezamos a pisotear las hierbas y eventualmente desaparecerán y darán lugar a un nuevo camino delineado. Esta es una analogía para explicar que si elegimos pensamientos que van a propagar nuestros sentimientos – celos en este caso (caminar en el camino gastado) acabamos en un ciclo de inestabilidad. Si, por otro lado, decidimos observar el sentimiento, comprender de dónde viene y partir a pensamientos más positivos (caminar en el nuevo camino por desbravar), empezamos a entrenar nuestro cerebro para desmitificar los sentimientos. Después de algún tiempo, empezamos a escoger los nuevos caminos más veces y dejamos de ir por los viejos.

“Nada es más capaz de perturbar nuestra razón, y consumir nuestra salud, qué pensamientos secretos de celos en soledad” – Aphra Behn

 

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