A fair amount of clothes

A fair amount of clothes (EN)

La ropa necesaria (ES)

A roupa necessária (PT)

Quando estava a viajar no Sudeste Asiático, carreguei com a mesma mochila durante aqueles cinco meses. A mochila não era enorme mas tinha a roupa necessária, suficiente para umas duas semanas. No entanto, estava preparada com roupas para diferentes estações, já que decidia a cada semana qual era o próximo destino. Na semana seguinte o destino poderia levar-me aos Himalaias, onde estava a nevar, e queria estar preparada para uma dessas situações.

Se bem me lembro, levava comigo cerca de trinta peças de roupa (incluindo roupa interior) para a viagem inteira, que poderia durar até um ano.

Trinta itens de roupa pode parecer muito, mas de facto não era assim tanto, quando comparado com a quantidade de roupas que eu tinha deixado em casa.

Até aqui, eu era uma pessoa um pouco consumista e comprava roupas com alguma frequência. Sempre senti a necessidade de comprar outra peça como se me faltasse algo no guarda-fatos. Navegava em sites de roupa online e entrava em lojas quase todas as semanas. Os saldos… esses não os perdia por nada pois poderia encontrar “achados” a um bom preço. Ocasionalmente dava uma vista de olhos por lojas de segunda mão com roupas “vintage” mas acabava por sair de “mãos a abanar”. Por alguma razão, achava estranho ter roupas usadas que já tinham pertencido a alguém em outros tempos.

Durante a viagem, carregar com a mochila às costas fez me decidir manter o mesmo número de peças de roupa, para não ter de transportar mais peso. De cada vez que comprava um item (o que era raro), tinha de me desfazer de outro. Isso fez com que as minhas decisões fossem mais ponderadas e conscientes.

Com esta viagem aprendi uma lição especial, para além de outras tantas, relacionada com os bens materiais. Aprendi que até então acumulava demasiada roupa nos armários e gavetas. Peças essas das quais só me desfazia quando não cabiam mais nas arrumações lá de casa.

Qual é a necessidade de acumular tanta roupa?

Algumas peças ter um significado especial, outras podem voltar a servir um dia e outras são tão únicas que só as usamos “quando o rei faz anos”. Comprar roupa nova em cada estação torna-se num hábito, pois aquelas que temos já não estão na moda ou já não são do nosso gosto..

Se consegui viver cinco meses com as mesmas roupas, será que precisava mesmo das outras que havia deixado de fora?

Olhando para trás, consigo agora analisar como eu pensava relativamente à roupa e outros bens materiais. Acreditava que vestir repetidamente as mesmas roupas significava desleixo, baixa auto-estima, baixo poder de compra, pouca criatividade, não ter estilo próprio, insegurança… e a lista podia continuar. Essa forma de pensar era totalmente inconsciente porque eu nunca me tinha parado a pensar sobre isso…

Comprar roupa era algo que me trazia alegria de alguma forma. Vestir roupa nova num evento especial fazia-me sentir bem.

Sei agora que essas convicções são exatamente aquilo que as grandes marcas e empresas de moda querem que nós tenhamos. Elas tem sucesso por venderem a pessoas que pensam dessa forma.

E depois? Bem, assim que percebermos onde está a rasteira, podemos evitar cair na armadilha.

“Destralhar” é o próximo passo. Tens alguma coisa guardada nos teus armários que só manténs porque talvez um dia possas voltar a gostar ou porque pode vir a dar jeito? Talvez seja hora de dar uma nova casa a esses pertences. A doação é uma ótima opção pois outra pessoa pode querer realmente usar aquilo que tu já não usas.  

Ainda não consegui encontrar o equilíbrio perfeito no que toca aos bens materiais – comprar, manter, desfazer-me deles – mas estou a tentar o meu melhor para tomar melhores decisões quando o assunto é comprar roupa:

  • Evito a todo o custo comprar a grandes marcas com produção “made in” Bangladesh ou outros países em vias de desenvolvimento e sem leis que protejam os trabalhadores destas indústrias. Ao comprar dessas marcas, continuamos a incentivar práticas como a exploração de crianças e adultos que trabalham sem condições e por salários míseros.
  • Não apoio marcas que usem produtos de origem animal, tais como pele, penas, lã etc. nas suas roupas.
  • Dou preferência a pequenas marcas locais, dependendo do sítio onde me encontro no momento da compra. Deste modo apoio a economia local e as pequenas empresas, mesmo que isso signifique pagar um preço maior.
  • Escolho comprar coisas com mais qualidade que me durem mais tempo ou itens de segunda mão.
  • Compro só se houver mesmo necessidade.

Tens ideia da quantidade de roupa que tens? Precisas de toda? Para quê?

 

A fair amount of clothes (EN)

When I was traveling in SE Asia, I carried the same backpack during those five months. It was not a big backpack but had a fair amount of clothes, enough for a couple weeks. However, I was prepared with clothes for both hot and cold weather as I decided where to go next on a weekly basis. I could end up on the Himalayas with snow and I wanted to be equipped just in case.

If I recall, I had about thirty pieces (including underwear) for my entire journey, which at the time I didn’t know when was the end of it and it could last for up to one year.

Thirty items of clothing might sound a lot but in fact, compared to the rest of the clothes I left behind, it wasn’t much.

Up until there, I would buy clothes quite often. I always felt the need to buy another piece as if something was missing in my wardrobe. I would look at online clothing websites and enter in fast fashion stores almost every week. The sales… those I wouldn’t miss as I could purchase good findings with a nice deal. Occasionally I would visit thrift stores with vintage garments but ending up not buying anything. For some reason, it felt strange to have something old that belonged to someone else at certain time.

During my trip, carrying that backpack on my shoulders made me decide to always keep the same amount of clothing, as I didn’t want to add more weight. Every time I bought an item (which was very rare), I had to get rid of another item. It surely made my decisions much more weighted and conscious.

With this trip I learned a special lesson, among many other lessons, related with material belongings. I learned that in the past I was keeping way too many clothing items in my closet and drawers. Items that I would only get rid of/ donate once the capacity of my closet was so full that no more pieces would fit.

What is the need to accumulate clothes?

Some of them might have a special meaning, others may fit again one day and others are so unique that we only wear them once a year. It becomes a habit to buy clothes every season because the ones we have are no longer in vogue or we don’t love them anymore.

If I was able to live five months with the same clothing, did I really need the other items I left behind?

Looking back, I can now analyse my previous believes related to clothing and other material belongings. I believed that wearing the same clothes over and over meant lack of caring, low self-esteem, low purchasing power, lack of creativity, no sense of styling, insecurity and the list goes on. These beliefs were totally unconscious as I was not aware of them.

Buying clothes brought me joy  somehow. Wearing my brand new purchased garments to an event felt amazing.

I know now that those believes are exactly what big companies and corporations want us to have. They thrive because of those believes. Thinking like that is a huge reason to keep buying from them.

Well, guess what? Once you realise it’s all a trap, you can avoid being fooled.

Declutter is the next step. Is there something in your storage that you keep just because you might like it again at some point or can be handy sometime in the future? Time to give those things a new home. Donation is great because someone else will give better use to your stuff than you do.

I still didn’t find the “perfect balance” regarding material belongings – buying, keeping, getting rid of – however am trying my best to make better decisions when buying wearing apparel:

  •      I avoid at all cost to buy clothes from big corporations, made in Bangladesh and other underdeveloped countries. By purchasing from those brands, we keep supporting children exploitation, measly salaries and lack of fair trade.
  •      I do not support brands that use animal products such as skin, feathers, silk, etc. for their outfits.
  •      I choose to buy more local to where I’m living at the moment of my purchase. In this way supporting the local economy and small businesses, even if that means paying a higher price.
  •      I choose to either buy goods that have better quality and will last longer or items that are second hand.
  •      I only buy if it is absolutely necessary.

Are you conscious of all the clothing you possess? Do you need all of them? What for?

 

La ropa necesaria (ES)

Cuando viajaba en el Sudeste Asiático, cargué con la misma mochila durante esos cinco meses. La mochila no era enorme pero tenía la ropa necesaria, lo suficiente para unas dos semanas. Sin embargo, estaba preparada con ropa para diferentes estaciones, ya que decidía cada semana cuál sería el próximo destino. La semana siguiente el destino podría llevarme al Himalaya, donde estaba nevando, y quería estar preparada para una de esas situaciones.

Si lo recuerdo bien, llevaba conmigo cerca de treinta piezas de ropa (incluyendo ropa interior) para el viaje entero, que podría durar hasta un año.

Treinta prendas puede parecer mucho, pero de hecho no era tanto cuando se compara con la cantidad de ropa que yo había dejado en casa.

Hasta aquí, yo era una persona un tanto consumista y compraba ropa con alguna frecuencia. Sentía la necesidad de comprar otra prenda más como si me faltara siempre algo en el guardarropa. Casi todas las semanas entraba en alguna  tienda física o online. Y las rebajas… esas no me las perdía por nada pues podría encontrar alguna ganga. Ocasionalmente echaba un ojo a las tiendas de segunda mano con ropa “vintage” pero acababa por salir de manos vacías. Por alguna razón, me parecía raro tener ropa usada que en el pasado ya había pertenecido a alguien.

Durante el viaje, cargar con la mochila me llevó a decidir mantener siempre el mismo número de prendas, para no aumentar aún más el peso que tenía que transportar. Cada vez que compraba un artículo (lo que era raro), tenía que deshacerme de otro. Esto hizo que mis decisiones fueran más ponderadas y conscientes.

Con este viaje aprendí una lección especial, además de otras tantas, relacionada con los bienes materiales. Aprendí que hasta entonces acumulaba demasiada ropa en los armarios y cajones. Prendas de las que sólo me deshacía cuando no cabían más en las manijas allá de casa.

¿Cuál es la necesidad de acumular tanta ropa?

Algunas prendas pueden tener un significado especial, otras pueden volver a servir un día y otras son tan únicas que sólo las usamos una o dos veces al año. Comprar ropa nueva en cada estación se convierte en un hábito, pues las que tenemos ya no están de moda o ya no nos gustan.

¿Después de vivir cinco meses con la misma ropa, necesitaba toda la que había dejado de afuera?

Mirando hacia atrás, puedo ahora analizar cómo pensaba con relación a la ropa y otros bienes materiales. Creía que vestir repetidamente la misma ropa significaba descuido, baja autoestima, bajo poder adquisitivo, poca creatividad, no tener estilo propio, inseguridad, etc.. Esta forma de pensar era totalmente inconsciente porque nunca me había pensado sobre ello.

Comprar ropa era algo que de alguna manera me traía alegría. Vestir ropa nueva en un evento especial me hacía sentir bien.

Hoy en día sé que esas convicciones son exactamente lo que las grandes marcas y empresas de moda quieren que tengamos. Ellas tienen éxito por vender a las personas que piensan de esa manera.

¿Y después? Bueno, tan pronto como percibimos dónde está la trampa, podemos evitar caer en ella.

El próximo paso el deshacerse de lo que sobra  ¿Tienes alguna cosa guardada en tus armarios que sólo guardas porque quizás un día te vuelva a gustar o porque algun dia puede que vuelva a tener utilidad? Quizás sea el momento de darles una nueva casa a esas pertenencias. La donación es una gran opción, de esa manera otra persona puede realmente usar lo que tu ya no usas.

Todavía no he podido encontrar el equilibrio perfecto en lo que respecta a los bienes materiales – comprar, mantener, deshacerme de ellos – pero estoy tratando de hacer mi mejor para tomar mejores decisiones cuando el tema es comprar ropa:

  • Evito a toda costa comprar de grandes marcas con producción “made in” Bangladesh u otros países en vías de desarrollo y sin leyes que protejan a los trabajadores de estas industrias. Al comprar estas marcas, seguimos fomentando prácticas como la explotación de niños y adultos que trabajan sin condiciones y por salarios míseros.
  • No apoyo a marcas que usan productos de origen animal, tales como piel, plumas, lana, etc. en sus ropas.
  • Doy preferencia a las pequeñas marcas locales, dependiendo del lugar donde me encuentro en el momento de la compra. De este modo apoyo a la economía local ya las pequeñas empresas, aunque esto signifique pagar un precio mayor.
  • Elijo comprar cosas con más calidad y que me duren más tiempo o artículos de segunda mano.
  • Solo compro algo si realmente es necesario.

¿Tienes idea de la cantidad de ropa que tienes? ¿La necesitas toda? ¿Para que?

O algodão não engana

Clean cotton (EN)

El algodón no engaña (ES)

O algodão não engana (PT)

Quantos produtos de beleza, higiene e limpeza diferentes usas no teu dia a dia? Se me recordo bem, eu cheguei a usar: champô, amaciador e máscara para lavar e hidratar o cabelo, mais cera, espuma ou gel para o pentear; pasta dentífrica e elixir para a boca e dentes; sabão ou gel de limpeza específico para a cara, desmaquilhante, tónico e hidratante para além de toda a panóplia de maquilhagem e claro, o perfume. Sem passar do pescoço já podemos estar a falar de pelo menos 15 produtos diferentes!! Quando falamos dos produtos de limpeza da casa o mesmo ocorre. Geralmente usamos um detergente de limpeza especial para cada superfície, um detergente da roupa para cada tipo de tecido, e ainda os ambientadores, os amaciadores e os abrilhantadores.

Mas o que é importante aqui é que utilizamos tudo isto sem realmente nos perguntarmos se é realmente necessário. Mais, não falamos sobre algumas coisas relacionadas com a higiene porque são consideradas tabu e praticamos uma série de contradições sem nenhum cabimento.

Falemos de algumas dessas contradições:

  • Lavamos o cabelo diariamente (ou quase), com uma quantidade de detergente* e afinco que muitas vezes nem despendemos para lavar as mãos antes de ir para a mesa. Se pensarmos um pouco sobre isso, vemos que lavamos os nossos cabelos como se eles andassem diariamente em contacto com superfícies sujas ou contaminadas. Depois de lhes tirarmos todo o seu óleo natural, que está lá para o proteger, substituímo-lo por outros óleos, mais ou menos sintéticos acompanhados de mais perfume. Porque o cabelo não deve cheirar a cabelo, isso não é lá muito civilizado.
  • Lavamos também cara e corpo com bastante detergente* e com uma bela esfrega, da mesma maneira que faríamos se estivéssemos mesmo sujos de lama. E, adivinha, depois de retirarmos, com tanto detergente*, água quente e esponjas esfoliantes, a gordura que a própria pele produz para se auto limpar e proteger, besuntamo-nos com uma mistura de produtos (à que chamamos creme hidratante) que não sabemos o que são, nem o que fazem, mas que certamente não comeríamos, e que a pele absorve e eventualmente acabam por circular dentro do nosso organismo.
  • Usamos desodorantes anti-transpirantes que, além de muitas vezes acentuarem o cheiro da transpiração (ao conjugarem-na com outros cheiros fortes), nos impedem de transpirar, impossibilitando uma função muito importante da pele que nos ajuda a eliminar toxinas (que mais uma vez é um sistema natural de limpeza do corpo).
  • Assoamos-nos com lenços de papel porque os lenços de tecido que se usavam no tempo dos nossos avós não são muito higiénicos. Tão preocupados que estamos de poder espalhar os nossos micróbios e vírus, mas acabamos por nos esquecermos dos lenços de papel enrolados nos bolsos dos casacos. E não, não lavamos as mãos de cada vez que lhes tocamos. O que acaba por fazer deles algo tão higiénico como os lenços de pano que se põe para lavar ao final do dia.
  • Lavamos as t-shirts e as camisas porque as usámos uma, ou vá lá, duas vezes, mesmo que elas não estejam realmente sujas nem com mau cheiro. Mas como já não cheira a “Violetas do Bosque” ou a “Orquídeas Douradas” também já não as consideramos limpas.
  • Compramos detergentes com embalagens diferentes e que expressamente nos são vendidos para um único fim (para o chão, para madeira, para a sanita, para o fogão, etc.), mas na verdade têm mais ou menos todos o mesmo conteúdo a nível de ingredientes. Como ninguém se questiona, as empresas que os vendem fazem muito mais dinheiro e nós enchemos o meio ambiente com uma maior diversidade de embalagens.

Quando comecei a questionar-me sobre as questões da nutrição e da alimentação, também me comecei a interessar pela questão da quantidade de produtos tóxicos que inadvertidamente colocamos no nosso corpo através de todos estes detergentes* e cremes, a quantidade de recursos que desperdiçamos sem necessidade real, e principalmente, a quantidade de vezes que realizamos verdadeiros rituais de limpeza só porque aprendemos (em casa ou através da publicidade) que era assim que se fazia.

Depois de muita pesquisa, experimentação e algumas conversas com a Tico posso dizer que reduzi o meu leque de produtos de limpeza, higiene e beleza para cerca de 10 produtos diferentes no total (falando de produtos para a casa e para todo o corpo). Quando tomo banho só uso sabão em duas os três pequenas zonas do corpo. Lavo o cabelo apenas uma vez por semana, com água corrente e uma solução diluída de vinagre de maçã para suavizar. Apenas lavo a minha roupa se cheirar mal ou tiver alguma sujidade. Uso lenços de pano em vez de lenços de papel. Raramente sinto a necessidade de hidratar a minha pele e quando o faço é com azeite ou com algum óleo natural.

Isto é o que funciona para mim. Sei que para diminuir o meu impacto ambiental, sem comprometer a minha saúde e conforto, ainda há coisas que posso mudar. Aqui a questão não é dizer que eu estou certa e quem não faz o mesmo está equivocado. O meu objectivo é encorajar-te a questionar e não fazer só porque todos o fazem, mas sim porque é o que queres fazer em consciência, porque achas que tens razões para tal. E que essas maneiras de fazer as coisas estejam de acordo com os valores que defendes e com as preocupações sócio-ambientais que tens. Cria os teus próprios rituais!

É que na verdade o “teste do algodão” é um grande engano.

* Nota da autora: a palavra detergente aparece neste texto muitas vezes em substituição de outras como champô ou gel de banho. Essa substituição é propositada pois por um lado esses produtos são exactamente isso – detergentes – e por outro porque a sua composição muitas vezes não difere assim tanto da composição dos detergentes de limpeza da casa.


El algodón no engaña (ES)

¿Cuántos productos diferentes de belleza, higiene y limpieza usas en tu día a día? Si me recuerdo bien, yo llegué a usar: champú, suavizante y máscara para lavar e hidratar el cabello, además de cera, espuma o gomina para peinarme; pasta dentífrica y elixir para la boca y los dientes; jabón o gel de limpieza específico para la cara, desmaquillante, tónico e hidratante además de toda la gama de maquillaje y claro, el perfume. ¡Sin pasar del cuello ya podemos estar hablando de al menos 15 productos diferentes! Cuando hablamos de los productos de limpieza de la casa lo mismo ocurre. Generalmente usamos un detergente de limpieza especial para cada superficie, un detergente de la ropa para cada tipo de tejido, y además los ambientadores, los suavizadores y los abrillantadores.

Pero lo que es importante aquí es que utilizamos todo esto sin realmente preguntarnos si es realmente necesario. Más, no hablamos de algunas cosas relacionadas con la higiene porque son consideradas tabú y practicamos una serie de contradicciones sin ningún sentido.

Hablemos de algunas de estas contradicciones:

  • Lavamos el cabello diariamente (o casi), con una cantidad de detergente * y ahínco que muchas veces no se gasta ni para lavarse las manos antes de sentarse la mesa. – Si pensamos un poco sobre eso, vemos que lavamos nuestros cabellos como si ellos estuvieran diariamente en contacto con superficies sucias o contaminadas. – Después de quitarle todo su aceite natural, que está allí para protegerlo, lo sustituimos por otros aceites, más o menos sintéticos acompañados de más perfume. Porque el pelo no debe oler a pelo, eso no es muy civilizado.
  • Lavamos también cara y cuerpo con bastante detergente * y con un buen fregado, de la misma manera que haríamos si estuviéramos realmente sucios de lodo. Y, adivina, después de retirar, con tanto detergente *, agua caliente y esponjas exfoliantes, la grasa que la propia piel produce para auto-limpiarse y protegerse, nos untamos con una mezcla de productos (a la que llamamos crema hidratante) que no sabemos lo que son, ni lo que hacen, pero que ciertamente no comeríamos, y que la piel absorbe y eventualmente acaban por circular dentro de nuestro organismo.
  • Usamos desodorantes anti-transpirantes que, además de muchas veces acentuar el olor de la transpiración (al conjugarse con otros olores fuertes), nos impiden transpirar, imposibilitando una función muy importante de la piel que nos ayuda a eliminar toxinas (que una vez más es un sistema natural de limpieza del cuerpo).
  • Nos sonamos las narices con pañuelos de papel porque los pañuelos de tela que llevaban nuestros abuelos no son muy higiénicos. Estamos tan preocupados por no esparcir nuestros microbios y virus, pero acabamos por olvidar los pañuelos de papel enrollados en los bolsillos de las chaquetas. Y no, no lavamos las manos de todas las veces que les tocamos. Lo que acaba por hacer de ellos algo tan higiénico como los pañuelos de tela que se ponen para lavar al final del día.
  • Lavamos las camisetas y las camisas porque las usamos una o dos veces, aunque no estén realmente sucias ni con malos olores. Pero como ya no huelen a “Campo de Flores” o a “Frescor y Pureza” tampoco las consideramos limpias.
  • Compramos detergentes con envases diferentes y que expresamente se venden para un único fin (para el suelo, para madera, para el inodoro, para la cocina, etc.), pero en realidad tienen más o menos todos los mismos contenidos a nivel de ingredientes. Como nadie se cuestiona, las empresas que los venden hacen mucho más dinero y quienes los compramos llenamos el medio ambiente con una mayor diversidad de envases.

Cuando empecé a cuestionarme sobre las cuestiones de la nutrición y la alimentación, también gané interés por el tema de la cantidad de productos tóxicos que inadvertidamente colocamos en nuestro cuerpo a través de todos estos detergentes * y cremas, la cantidad de recursos que desperdiciamos sin necesidad real, y principalmente, la cantidad de veces que realizamos verdaderos rituales de limpieza sólo porque aprendemos (en casa o a través de la publicidad) que así que se hace.

Después de mucha investigación, experimentación y algunas conversaciones con Tico puedo decir que he reducido mi gama de productos de limpieza, higiene y belleza para alrededor de 10 productos diferentes en total (hablando de productos para la casa y para todo el cuerpo). Cuando tomo baño solo uso jabón en dos las tres pequeñas zonas del cuerpo. Lavo el pelo sólo una vez por semana, con agua corriente y una solución diluida de vinagre de manzana para suavizar. Solo lavo mi ropa si huele mal o tiene alguna suciedad. Uso pañuelos de tela en lugar de pañuelos de papel. Rara vez siento la necesidad de hidratar mi piel y cuando lo hago es con aceite de oliva o con otro aceite natural.

Esto es lo que funciona para mí. Sé que para disminuir mí impacto ambiental, sin comprometer mi salud y comodidad, todavía hay cosas que puedo cambiar. Aquí la cuestión no es decir que estoy cierta y quien no hace lo mismo está equivocado. Mi objetivo es alentarte a cuestionar y no hacer las cosas sólo porque todos lo hacen, sino porque es lo que quieres hacer en conciencia, porque crees que tienes razones para ello. Y que esas maneras de hacer las cosas estén de acuerdo con los valores que defiendes y con las preocupaciones socio-ambientales que tienes. ¡Crea tus propios rituales!

Es que en realidad el “test del algodón” es una gran estafa.

* Nota de la autora: la palabra detergente aparece en este texto muchas veces en sustitución de otras como champú o gel de baño. Esta sustitución se hace deliberadamente porque, por un lado, estos productos son exactamente eso – detergentes – y por otro, porque su composición a menudo no difiere tanto de la composición de los detergentes de limpieza de la casa.


Fear (Less)

Fear (Less) (EN)

(Menos) Miedo (ES)

(Menos) Medo (PT)

A minha irmã mais nova tem oito anos. Ela gosta de um rapaz da escola mas não sabe como lhe dizer porque teme ser rejeitada – “Mana, então e se ele não gostar de mim? O que é que eu faço?”. Então ela vive com medo de não ser correspondida.

Ainda que sendo uma miúda pequena, já tem medos de gente grande. Eu tentei explicar-lhe que se ele não gostar dela tudo vai ficar bem pois há outros rapazes na escola. Não a convenci. O medo dela fala mais alto do que eu.

Com esta idade, ela ainda não teve ninguém que lhe “partisse o coração”, nem foi rejeitada por outro miúdo e mesmo assim aprendeu de algum lado a ter este medo.

(Intenção de responsabilidade: Eu não sou psicóloga. Esta é só a minha maneira de ver o medo e questionar sobre ele.)

Como muitas outras coisas na vida, o medo é algo que aprendemos através de experiências pessoais ou por observação. Não há bebé ou criança pequena que saiba o significado de medo quando começa a explorar o mundo. Enfiar os dedos numa tomada elétrica não os assusta porque eles não compreendem o perigo que daí advêm. No entanto, se uma criança  apanhar um choque elétrico, entende imediatamente que pode ser perigoso e aprende a ter medo disso.

Podemos ter medo de algo que nos possa provocar dor, ou ponha em risco a nossa integridade física (tal como o exemplo acima) ou medo emocional (medo da rejeição, falhanço, julgamento e assim por diante).

O medo é claramente uma emoção que levou a nossa espécie até aos dias de hoje. Sem ele não sentiríamos a necessidade de fugir de um tigre ou manter uma distância segura perto de uma fogueira. Esses medos tinham uma razão e as pessoas poderiam morrer se eles não existissem, comprometendo a espécie. Mas, à medida que fomos evoluindo, fomos criando mais medos que não fazem o mínimo sentido. Alguns medos não começam com uma má experiência, são sim irracionais e não os conseguimos perceber ou explicar. Podem também ser “herdados” dos nossos pais ou pessoas próximas. E mais, podem ser aprendidos através da sociedade e dos meios de comunicação. Qual é a razão pela qual tantas pessoas têm medo de tubarões e cobras, se nunca na vida se viram em frente a um animal destes?

O medo do desconhecido é tão grande que pode levar a outras fobias: necrofobia (medo da morte),, homofobia (medo de homosexuais), xenofobia (medo de estranhos ou pessoas de outros países), etc.

Como foi dito anteriormente, creio que na maior parte dos casos, esses medos do desconhecido nos são implantados nas nossas mentes pelos média (e provavelmente também por pessoas ignorantes/ negativas à nossa volta).

Os meios de comunicação gostam de mostrar desgraças ao redor do mundo: o homem que matou a mulher e os filhos, o furacão que matou milhares na Ásia, o dilúvio que destruiu dezenas de casas, bla bla bla.Os filmes de terror que nos fazem ter medo de fantasmas, de espíritos, do escuro, dos extraterrestres, das pessoas que usam capuz à noite, etc.

Assim sendo, deveríamos deixar de usar os meios de comunicação para vermos as notícias e programas de entretenimento?

Os média podem ser usados como bons ou maus instrumentos. Os filmes podem entreter-nos ou ensinar-nos algumas coisas e as notícias podem ser úteis para nos manterem atualizad@s. Contudo, qual é a necessidade de ser estar sempre atualizad@?

Faz um par de anos que eu deixei de ver ou ler notícias e não acho que tenha perdido alguma informação importante. Essa informação virá ao meu encontro, mais cedo ou mais tarde, através do “boca em boca”, na maior parte das vezes. A única coisa que eu perdi, foi o facto de ficar preocupada por causa de problemas que não são os meus.

Se virmos ou lermos o que está nos média, ao menos devemos estar conscientes de como essas coisas afectam a nossa vida com negativismo. Se vires as notícias, consegues notar que a tua energia, pensamentos e/ ou ambiente mudam? A tua mente fica depois a “matutar” sobre desgraças e desastres? Então talvez tenhas caído na armadilha que te vai aprisionar nesses pensamentos menos bons.

Se tens medo de algo, houve uma altura na tua vida em que este medo se começou a manifestar. Muitas pessoas têm medo de andar de avião por variadas razões: um voo prévio que não correu bem e as assustou; nunca andaram de avião mas têm uma ideia terrível sobre isso (talvez por causa de filmes/ vídeos sobre desastres com aviões ou talvez tenham ouvido a má experiência de alguém a bordo de um avião); têm medo de alturas, entre outras razões.

Vamos pegar no exemplo da pessoa que tem medo de andar de avião porque teve uma péssima experiência num voo prévio. A questão é: o que é que fez com que a experiência fosse tão má? Foi o medo de um possível acidente? Se um acidente acontecesse, poderia ser evitado? Se não poderia ser evitado, significa que esta pessoa não tinha controlo na situação. Terá medo que as coisas fiquem fora do seu controlo? Qual é a pior coisa que pode acontecer se as coisas saírem do seu controlo? Na pior das hipóteses… morrer? Terá medo de morrer? Morrer não é algo natural? Não iremos todos morrer mais cedo ou mais tarde? Porque é que a pessoa tem medo de andar de avião? (as perguntas podem continuar por aí fora).

Este tipo de questões podem ajudar-nos a chegar à raiz do medo. Não é um simples processo pois o medo pode estar relacionado com traumas, o que faz com que seja mais complicado ainda de se chegar à raiz. Mas poderemos nós entender melhor os nosso medos e tentar desmontá-los?

Os medos não se podem desvanecer de um dia para o outro. Mas já tentaste perceber o que originou os teus maiores medos? Se a resposta for positiva, haverá algo que possas fazer quanto a isso?

“Nada na vida é para ser temido, só é para ser entendido. Agora é a hora de entender mais, para que possamos ter menos medo.” – Marie Curie

Fear (Less) (EN)

My youngest sister is eight years old. She likes a boy and doesn’t know how to tell him because she has the fear of rejection – “Sissy, what if he doesn’t like me? What do I do?”. And so she lives in fear of not being corresponded.

Even though she is just a little girl, has already fears of a grown up. I tried to explain her that if he doesn’t like her, it is ok, there will be other boys out there but I didn’t convince her. Her fear speaks louder than me. In such young age she had never had heartbreaks nor was she rejected by another boy and yet she learned from somewhere to have this fear.

(Disclaimer: I’m not a psychologist. This is only my view on fear to make us question about it.)

Just like many other things, fear is something we get to learn through personal experiences or through observation. No baby or toddler knows the meaning of fear as they start to explore the world. Sticking the fingers into the socket doesn’t scare them because they don’t know the danger of it. Though, if a child gets an electric shock, they became aware of the danger next time and learn to be afraid of it.

We can be physically afraid of something that provokes pain (just like the example above) or emotionally afraid (fear of rejection, failure, judgement and so on).

Fear is certainly an emotion that carried our species till this day. Without it we wouldn’t have the need to run away from a tiger or keep a safe distance from a fire. Those fears had a reason as people could potentially die if they didn’t exist, compromising the species. But as we evolved we only created more fears that are completely non-sense. Some fears don’t start with a bad experience we had but are ratter irrational as we can’t understand or explain them. They can also be inherited from our parents and close ones. And more, they can be learned through society and media. Why are so many people afraid of sharks or snakes if they never encountered one in their entire life?

The fear of the unknown is a big one that can lead to many phobias: necrophobia (fear of death), homophobia (fear of gay people), xenophobia (fear of strange and foreign people), etc.

As said above, I believe that in most cases, those fears of the unknown are implanted in our minds by the media (and probably also by ignorant/ negative people around us).

The mass media likes to show us calamities all around the world: the man that killed the wife and children, the hurricane that killed thousands in Asia, the flood that destroyed dozen of houses, yada yada yada.The horror movies that make us afraid of ghosts, the spirits, the dark, the aliens, people wearing hoodies at night, etc.

Should we then stop watching broadcast media (the news and recreational content)? Media can be used as either good or bad instruments. Movies can entertain us or teach us some things and the news can be useful to get us updated. However, in what extent do you really need to be updated?

I quit watching or reading the news for the last couple of years and think that I haven’t been missing out of any important information. This information will reach me sooner or later by word-of-mouth most times. The only thing I miss out is getting worried because of problems that are not mine.

If we watch/ read media, at least we should be aware of how those things affect our lives daily with negativity. If you watch the news, can you notice if your vibe, energy and/ or thoughts change? Does it keep your mind busy afterwards thinking about catastrophes or calamities? Then you probably slipped on a pitfall that will keep you trapped with those thoughts.

If you are afraid of something, there was a time in your life when this fear started showing up. Many people are afraid of flying on an airplane and it can have multiple reasons: there was a previous flight that didn’t go well and scared them; they never flew before but have a dreadful idea about it (perhaps due to movies/ videos with airplane disasters or maybe someone told them a bad experience aboard an aircraft); they are afraid of heights and so forth.

Let’s grab the example of a person that is afraid of flying because of a bad experience in a previous flight. The question is: What made that experience so awful? Was it the fear of a possible accident? If an accident could happen, could they avoid it? If they could not avoid the accident it means that they were not in control. Is the person afraid of letting things out of their control? What is the worst thing that can happen if things get out of their control? Is the worst case scenario… death? Is the person afraid of dying? Isn’t dying a natural thing? Aren’t we all going to die sooner or later? Again, why is this person afraid of flying? (The questions can continue on and on).

Those kind of questions can help us get to the root of the fear. It is not a simple process as fear can be related with traumas, which makes it harder to get to the root. But can we understand better our fears and try to disassemble them?

Our fears cannot be erased overnight. But have you tried to understand what originated your biggest fears in the first place? If so, can you do something about it?

“Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less.” – Marie Curie

(Menos) Miedo (ES)

Mi hermana pequeña tiene ocho años. Le gusta un chico de la escuela pero no sabe cómo decirle porque teme ser rechazada – “Hermanita, ¿entonces y si yo no le gusto a él? ¿Qué hago? “. Esto la hace vivir con miedo el miedo de no ser correspondida.

Aunque siendo una niña pequeña, ya tiene miedos de gente grande. He intentado explicarle que si no le gusta, todo va a ir bien, porque hay otros chicos en la escuela. No la convencí. Su miedo habla más alto que yo.Con esta edad, ella todavía no tuvo nadie que le “partiera el corazón”, ni fue rechazada por otro niño pero aún así aprendió de alguna parte a tener este miedo.

(Intención de responsabilidad: No soy psicóloga. Esta sólo es mi manera de ver el miedo y cuestionarme sobre él.)

Como muchas otras cosas en la vida, el miedo es algo que aprendemos a través de experiencias personales o por observación. No hay bebé o niño pequeño que sepa el significado del miedo cuando empieza a explorar el mundo. Meter los dedos en una toma eléctrica no los asusta porque ellos no comprenden el peligro que hay en hacerlo. Sin embargo, si un@ niñ@ recibe una descarga eléctrica, entiende que puede ser peligroso y aprende a tener miedo de ello.

Podemos tener miedo físicamente de algo que nos provoque dolor o ponga en riesgo nuestra integridad física (tal como el ejemplo anterior) o miedo emocional (miedo al rechazo, fracaso, juicio y así sucesivamente).

El miedo es claramente una emoción que ha llevado a nuestra especie hasta los días de hoy. Sin él no sentiríamos la necesidad de huir de un tigre o mantener una distancia segura cerca de una hoguera. Estos miedos tenían una razón y la gente podría morir si no existieron, comprometiendo la especie. Pero, a medida que fuimos evolucionando, fuimos creando más miedos que no tienen el mínimo sentido. Algunos miedos no empiezan con una mala experiencia, son irracionales y no los conseguimos percibir o explicar. Pueden también ser “heredados” de nuestros padres o personas cercanas. Y más, se pueden aprender a través de la sociedad y los medios de comunicación. ¿Cuál es la razón por la cual tantas personas tienen miedo de tiburones y serpientes, si nunca en la vida se vieron frente a un animal de éstos?

El miedo a lo desconocido es tan grande que puede llevar a otras fobias: necrofobia (miedo a la muerte), homofobia (miedo de homosexuales), xenofobia (miedo de extraños o personas de otros países), etc.

Como se ha dicho anteriormente, creo que en la mayoría de los casos, estos miedos de lo desconocido son implantados en nuestras mentes por los medios (y probablemente también por personas ignorantes / negativas a nuestro alrededor).

A los medios de comunicación les gusta mostrar desgracias alrededor del mundo: el hombre que mató a la mujer y los hijos, el huracán que mató a miles en Asia, el diluvio que destruyó decenas de casas, bla bla bla. Las películas de terror que nos hacen tener miedo de fantasmas, de espíritus, de la oscuridad, de los extraterrestres, de las personas que usan capucha por la noche, etc.

Por lo tanto, deberíamos dejar de usar los medios de comunicación para ver las noticias y programas de entretenimiento?

Los medios se pueden utilizar como buenos o malos instrumentos. Las películas pueden entretenernos o enseñarnos algunas cosas y las noticias pueden ser útiles para mantenernos actualizados. Sin embargo, ¿cuál es la necesidad de estar siempre actualizad@?

Hace un par de años dejé de ver o leer noticias y no creo que haya perdido ninguna información importante. Esta información vendrá hasta mi, tarde o temprano, a través del “boca en boca”, la mayor parte del tiempo. La única cosa que perdí, fue el hecho de estar preocupada por problemas que no son los míos.

Si vemos o leemos lo que está en los medios, al menos debemos estar conscientes de cómo esas cosas afectan a nuestra vida con negativismo. Si ves las noticias, puedes notar que tu energía, pensamientos y / o ambiente cambian? ¿Tu mente se queda después  sobrecargada con pensamientos sobre desgracias y desastres? Entonces quizás hayas caído en la trampa que te aprisiona en esos pensamientos menos buenos.

Si tienes miedo de algo, hubo una altura de tu vida en la que este miedo se empezó a manifestar. Muchas personas tienen miedo de viajar en avión por varias razones: un vuelo previo que no corrió bien y las asustó; nunca viajaron en avión pero tienen una idea terrible de ello (quizás a causa de películas / vídeos sobre desastres con aviones o quizás hayan escuchado la mala experiencia de otra persona); tienen miedo de alturas, entre otras razones.

Tomemos el ejemplo de la persona que tiene miedo de viajar en avión porque tuvo una pésima experiencia en un vuelo previo. La cuestión es: ¿qué ha hecho que la experiencia fuera tan mala? ¿Fue el miedo a un posible accidente? Si se produjo un accidente, podría evitarse? Si no se podría evitar, significa que esta persona no tenía control en la situación. ¿Tendrá miedo de que las cosas queden fuera de su control? ¿Cuál es la peor cosa que puede suceder si las cosas salen de su control? En el peor de los casos … morir? ¿Tiene miedo de morir? ¿Morir no es algo natural? ¿No todos morir antes o después? ¿Por qué la persona tiene miedo de volar en avión? (las preguntas pueden continuar por ahí).

Este tipo de preguntas pueden ayudarnos a llegar a la raíz del miedo. No es un simple proceso porque el miedo puede estar relacionado con traumas, lo que hace que sea más complicado aún de llegar a la raíz. Pero ¿podemos entender mejor nuestros miedos y tratar de desmontarlos?

Los miedos no se pueden desvanecer de un día para otro. Pero ya has intentado percibir lo que originó tus mayores miedos? Si la respuesta es positiva, ¿hay algo que puedas hacer en cuanto a eso?

“Nada en la vida es para ser temido, sólo es para ser entendido. Ahora es el momento de entender más, para que podamos tener menos miedo.” – Marie Curie

Espelho mágico

Magic mirror (EN)

Espejo mágico (ES)

Espelho mágico (PT)

Espelho meu, espelho meu…

O que pensas quando te olhas ao espelho? Gostas do que vês? Gostavas que algo fosse diferente? Até onde irias para mudar algo no teu aspecto físico? Fazer dieta, fazer mais desporto, mudar os hábitos de alimentação e movimento, fazer um tratamento, passar por uma cirurgia plástica?

Eu sempre fui vaidosa, quem me viu crescer deu por mim mais de uma vez a dançar em frente ao espelho, a fazer caretas, ou simplesmente a admirar o bem que ficava com o vestido novo. Mas a partir da adolescência o espelho deixou de ser tão simpático. Sempre tive uma certa gordurinha abdominal (mesmo quando era criança e tinha as pernas tão magras como dois palitos) mas até aos 14 anos isso não me importava. Apareceram-me varizes aos 16 anos (por causa da pílula contraceptiva, história que deixarei para outro artigo), quando me mudei de Évora (onde vivi até aos 18 anos), para ir viver e estudar em Lisboa, engordei uns 7/ 8 quilos, e já não me lembro quando percebi que tinha celulite. Lembro-me de achar que tinha a cintura pouco marcada e que tinha pouco peito (o que me fazia usar sutiãs “push-up” com enchimento, sem eles sentia que não era ninguém). Lembro-me de não comprar certas peças de roupa porque “me faziam as coxas largas”.

Um conjunto de factores (como a morte da minha mãe, o Yoga e outros dos quais acabarei por falar eventualmente noutros artigos) fez com que chegasse aos 29 com uma total aceitação do meu corpo. Não me lembro do momento em que o espelho deixou de ser um crítico de beleza, até porque acho que não foi da noite para o dia.

O Yoga foi definitivamente um dos fatores que contribuiu para mudar a minha relação com o meu corpo. Uma das características do Yoga é que o praticante deve estar consciente do seu corpo durante a prática. O que muitos professores chamam de “ouvir o teu corpo” é na verdade a melhor ferramenta para manter o equilíbrio entre desafiar o corpo mais um pouco sem abusar e produzir lesões. Esta concentração nas capacidades e limites do meu corpo, durante a hora e meia de cada prática, faz-me reconectar com este instrumento maravilhoso que a natureza me deu.

O Yoga alterou completamente os objectivos que tinha quando praticava outras actividades físicas. Deixei de fazer exercícios abdominais para ter uma barriga mais lisa, para passar a fazê-los para fortalecer o meu centro e poder evoluir dentro da prática. Deixei de querer ter umas pernas mais finas e mais tonificadas e passei a concentrar-me em ter umas pernas mais fortes e mais flexíveis. Deixei, aos poucos, de querer ter um corpo que parecesse assim ou assado, para passar a trabalhar para ter um corpo que pudesse fazer isto ou aquilo. Como ter mais autonomia na hora de levantar e carregar coisas pesadas ou poder chegar a ser uma velhota com muita genica que não precise de ajuda para as tarefas do dia a dia.

O Yoga ensinou-me esta lição mas não precisamos ir tod@s practicar Yoga para a aprender. Basta termos mais consciência dos nossos corpos. Quando te baixares para apertar o sapato, baixa-te lentamente, percebe até onde vai o teu tronco sem dobrares as pernas. Se não consegues chegar aos atacadores então dobra as pernas o suficiente para chegar. E quando estiveres lá em baixo, ouve o teu corpo, percebe o que te diz. Podes fazer isto com outros movimentos, ou fazê-lo enquanto estiveres no ginásio, ou no cross-fit. Até quando estiveres a tomar banho, concentra-te na tua pele e na sua resposta à temperatura da água.

Quando crias uma relação de amizade e confiança com o teu corpo, o que ele parece segundo o reflexo do espelho deixa de importar, o que importa agora é o como te sentes dentro dele.

…quem é mais bela do que eu?

Quantas vezes já ouviram uma amiga dizer “Quem me dera ter um corpo como o da ______”? – Preencher o espaço em branco com o nome de qualquer famosa que seja nacional ou internacionalmente reconhecida como ‘“boazona’”. – Quantas vezes já o pensaste tu? – Falo directamente às mulheres, pois a minha experiência não me permite entender tão bem como os homens vivem estas questões da aceitação do próprio corpo.

Há uns dois ou três anos atrás, falava com uma amiga e ela disse: “Ai, se eu tivesse o corpo da _____…”. A frase acabou aqui claro, acaba sempre. É uma frase que fica suspensa. E fica suspensa porque quem a diz não chega a pensar realmente na outra parte. O “se” é uma conjunção subordinativa condicional, o que significa que, neste contexto, indica uma hipótese. Mas nunca ninguém diz o que aconteceria “se tivesse aquele corpo”. Para surpresa da minha amiga eu decidi perguntar: “Se tivesses o corpo da ______, o quê? O que aconteceria? O que seria diferente?”.

A minha amiga é uma rapariga normal, como uma massa corporal bastante dentro do que é considerado saudável, ela não tem nenhum problema ao nível da mobilidade e faz até desporto e dança. Apesar de não haver realmente nada de errado com o seu corpo, ela não tem o que a nossa sociedade considera um “corpo perfeito”.

Então, de que lhe serviria ter um “corpo perfeito”? De que serve a qualquer um@ de nós? Seríamos tod@s modelos ou atrizes/actores famos@s? Mas e quem não quer ter uma profissão relacionada com a beleza física? Ter um “corpo perfeito” será sinónimo de felicidade? Ou sinónimo de uma vida amorosa de sonho? Basta pensarmos um bocado para percebermos que não, apesar de ser essa a mensagem que recebemos dos meios de comunicação e das redes sociais a toda a hora, ISSO NÃO É VERDADE. E no fundo tod@s o sabemos. Também bastam alguns “clicks” para percebermos que @s que supostamente já têm o “corpo perfeito” estão obcecad@s por mantê-lo, ou, na maioria acham que ainda não o atingiram. Hum… isto parece-me mais uma daquelas buscas intermináveis por um ideal incansável.

Atenção, ninguém está a dizer que devemos deixar de fazer qualquer tipo de exercício físico, nem começar a comer sem qualquer controlo, por que a forma física não importa. Ela importa, importa que estejamos saudáveis, que tenhamos força, que mantenhamos o corpo e flexível e preparado, para aquela corrida até à porta do autocarro que está quase a partir, ou para carregar aquelas caixas da mudança de casa. Para que no futuro tenhamos energía e saúde para brincar com os netos ou para ser @ próxim@ Iron Nun. Importa muito que nos sintamos bem no nosso corpo, que o amemos e respeitemos, até que a morte nos separe… dele.


Espejo mágico (ES)

Espejito, espejito, dime una cosa…

¿Qué piensas cuando te miras al espejo? ¿Te gusta lo que ves? ¿Te gustaría que algo fuera diferente? ¿Hasta dónde irías para cambiar algo en tu aspecto físico? Hacer dieta, hacer más deporte, cambiar los hábitos de alimentación y movimiento, hacer un tratamiento, pasar por una cirugía plástica?

Yo siempre fui vanidosa, quien me vio crecer me encontró más de una vez bailando frente al espejo, o haciendo muecas, o simplemente admirando lo bien que me quedaba el vestido nuevo. Pero a partir de la adolescencia el espejo dejó de ser tan simpático. Siempre tuve una cierta grasa abdominal (incluso cuando era niña y tenía las piernas tan delgadas como dos palillos) pero hasta los 14 años eso no me importaba. A los 16 años me salieron varices (a causa de la píldora anticonceptiva, una historia que dejo para otro artículo), cuando me mudé de Évora (donde viví hasta los 18 años), para ir a vivir y a estudiar en Lisboa, gané unos 7/8 kilos, y ya no recuerdo cuando fué que percibí que tenía celulitis. Me acuerdo pensar que tenía la cintura poco marcada, y que tenía poco pecho (lo que me hacía usar sujetadores ‘push-up’ con ‘relleno’, sin ellos sentía que no era nadie). Me acuerdo de no comprar ciertas prendas porque “me hacían los muslos anchos”.

Un conjunto de factores (como la muerte de mi madre, el Yoga y otros de los cuales acabaré por hablar eventualmente en otros artículos) hizo que llegase a los 29 con una total aceptación de mi cuerpo. No recuerdo el momento en que el espejo dejó de ser un crítico de belleza, incluso porque creo que no fue de la noche a la mañana.

El Yoga fue definitivamente uno de los factores que contribuyó para cambiar mi relación con el cuerpo. Una de las características del Yoga es que el practicante debe ser consciente de su cuerpo durante la práctica. Lo que muchos profesores llaman “oír tu cuerpo” es en realidad la mejor herramienta para mantener el equilibrio entre desafiar al cuerpo un poco más pero sin abusar y producir lesiones. Esta concentración en las capacidades y límites de mi cuerpo, durante la hora y media de cada práctica, me hace reconectar con este maravilloso instrumento que la naturaleza me ha dado.

El Yoga cambió completamente los objetivos que tenía cuando practicaba otras actividades físicas. Dejé de hacer ejercicios abdominales para tener una barriga más lisa, para pasar a hacerlos para fortalecer mi centro y poder evolucionar dentro de la práctica. Dejé de querer tener unas piernas más finas y más tonificadas y pasé a concentrarme en tener unas piernas más fuertes y más flexibles. Dejé, poco a poco, de querer tener un cuerpo que pareciera así o asá, para pasar a trabajar para tener un cuerpo que pudiera hacer esto o aquello. Como tener más autonomía a la hora de levantar y cargar cosas pesadas o poder llegar a ser una vieja con mucha vitalidad y que no necesite ayuda para las tareas del día a día.

El Yoga me enseñó esta lección pero no es necesario practicar Yoga aprenderla. Basta con tener más conciencia de nuestros cuerpos. Cuando te bajes para apretar los zapatos, bájate lentamente, percibe hasta donde va tu torso, sin doblar las piernas. Si no puedes llegar a los cordones, entonces dobla las piernas, pero solo lo suficiente para llegar. Y cuando estés allá abajo, oye tu cuerpo, percibe lo que te dice. Puedes hacer esto con otros movimientos, o hacerlo mientras estés en el gimnasio, o en el cross-fit. Hasta lo puedes hacer mientras que estés duchando, concentrándote en tu piel y en su respuesta a la temperatura del agua.

Cuando creas una relación de amistad y confianza con tu cuerpo, lo que él parece según el reflejo del espejo deja de importar, lo que importa ahora es lo que sientes desde dentro de él.

…¿quién en este reino es la más hermosa?

¿Cuántas veces has escuchado a una amiga decir “Ojalá tuviera el cuerpo como el de ______”? – Rellenar el espacio en blanco con el nombre de cualquier famosa que esté reconocida nacional o internacionalmente como ‘muy buena’. – ¿Cuántas veces lo has pensado tú? – Hablo directamente a las mujeres, porque mi experiencia no me permite entender tan bien como viven los hombres estas cuestiones de la aceptación del propio cuerpo.

Hace unos dos o tres años, hablaba con una amiga y ella dijo: “Ay, si yo tuviera el cuerpo de ______…”. La frase acabó aquí claro, siempre acaba aquí. Es una frase que se suspende. Y queda suspendida porque quien la dice no llega a pensar realmente en la otra parte. El “si” es una conjunción condicional, lo que significa que, en este contexto, indica una hipótesis. Pero nunca nadie dice lo que sucedería “si tuviera ese cuerpo”. Para sorpresa de mi amiga decidí preguntarle: “Si tuvieras el cuerpo de  ______, ¿qué? ¿Qué sucedería? ¿Qué sería diferente?”.

Mi amiga es una chica normal, como una masa corporal bastante dentro de lo que se considera sano, no tiene ningún problema al nivel de la movilidad y hace hasta deporte y danza. A pesar de que no hay realmente nada malo con su cuerpo, no tiene lo que nuestra sociedad considera un “cuerpo perfecto”.

Entonces, ¿de qué le serviría tener un “cuerpo perfecto”? ¿De qué sirve a cualquier@ de nosotr@s? ¿Seríamos tod@s modelos o actrices/actores famos@s? Pero, ¿y quién no quiere tener una profesión relacionada con la belleza física? ¿Tener un “cuerpo perfecto” es sinónimo de felicidad? ¿O sinónimo de una vida amorosa de sueño? Basta pensar un poco para percibir que no, a pesar de ser ese el mensaje que recibimos de los medios de comunicación y de las redes sociales a toda hora, ESO NO ES VERDAD. Y en el fondo tod@s lo sabemos. También bastan algunos “clicks” para percibir que l@s que supuestamente ya tienen el “cuerpo perfecto” están obcecad@s por mantenerlo, o la mayoría creen que aún no lo han alcanzado. Jo … esto me parece una de aquellas búsquedas interminables por un ideal inalcanzable.

Atención, nadie está diciendo que debemos dejar de hacer cualquier tipo de ejercicio físico, ni empezar a comer sin ningún control, por qué la forma física no importa. Si que importa, es importante que estemos san@s, que tengamos fuerza, que mantengamos el cuerpo flexible y preparado para aquella carrera hacia la puerta del autobús que está a punto de salir, o para mover esas cajas de la mudanza de casa. Para que en el futuro tengamos energía y salud para jugar con los nietos o para ser la próxima Iron Nun. Importa mucho que nos sintamos bien en nuestro cuerpo, que lo amemos y lo respetemos, hasta que la muerte nos separe… de él.

The illusion we live in

The illusion we live in (EN)

La ilusión en la que vivimos (ES)

A ilusão em que vivemos (PT)

Quando estava a estudar Nutrição Holística, aprendi com alguns professores sobre casos de estudo de pessoas com transtorno dissociativo de identidade, que tem diferentes doenças consoante a identidade que está em controlo. O caso particular de um homem que tinha diabetes do tipo II com uma personalidade mas não com a outra, atraiu a minha atenção e fui aprofundar os meus conhecimentos nesta matéria. Haviam vários outros casos: uma pessoa que tinha miopia com uma personalidade mas que via perfeitamente com a outra; uma pessoa que tinha erupções cutâneas com uma personalidade e o problema começava a curar ou até desaparecia com a outra personalidade; entre outros exemplos. Estes casos foram estudados, incluindo análises de sangue e outros exames que não poderiam ter sido inventados para a conclusão dos mesmos.
Não era a primeira vez que eu tinha ouvido falar deste tipo de casos mas desta vez fez todo o sentido na minha cabeça. A ciência estava agora a confirmar o que eu já vinha a saber sobre crenças e a realidade. Fez todo o sentido!

Se alguém que têm uma doença e esta desaparece quando sintoniza numa outra realidade, significará que nós conseguimos tod@s melhorar ou curar doenças se alterarmos a nossa realidade? E mais, será que conseguimos começar a mudar as nossas crenças e mentalidade se escolhermos outra realidade?

Há algum tempo atrás, em conversa com  a Nico, cheguei à conclusão de que mesmo criadas e educadas da mesma forma, vivíamos duas realidades diferentes. Dezanove meses é o pouco tempo que nos separa em idade e daí que não consideramos o facto de eu ser mais nova e por essa razão não entender algumas coisas. Para resumir uma longa história e não ser muito específica, chegámos à conclusão de que percepcionávamos os nossos pais de maneiras muito diferentes. Ainda que sabendo as virtudes e defeitos de cada um, acabámos por escolher caminhos díspares que iluminavam ou escureciam essas características. Não é que eu tenha esquecido coisas que a minha irmã se lembra (ou vice-versa), no entanto escolhemos no passado ignorar ou dar menos importância a eventos distintos e dessa forma as nossas memórias foram construídas de formas diferentes.

Os meus pais não eram apenas essas duas realidades distintas mas muitas mais. Essas eram só as nossas. As que nós escolhemos. As realidades que nos moldaram nas pessoas em que mais tarde nos tornamos.

Não só o fizemos com os nossos pais mas também com o resto da família, amigos, comunidade. Assim como todas nós fizemos e continuamos a fazer! Mas como é que tu saberias que o fizeste de modo empírico se não falasses com aqueles que te são mais próximos (especialmente irmãos ou pessoas com idade semelhante)? Provavelmente não saberias. Pensarias que unicamente a tua realidade seria A Realidade. E o que há de mal nisso? Bom, percebendo que há mais realidades que não apenas a tua, mais versões do mundo, vais passar a ter a liberdade de escolher aquela em que queres sintonizar. Porque tens alternativas.

Podemos escolher focarmos-nos no lado negativo das pessoas e coisas, e alimentar estes comportamentos, ou podemos fazer o oposto focando no lado positivo das coisas, pessoas, situações, acontecimentos e por aí fora. Sim, isto parece clichê e muito óbvio. Todos nós já ouvimos isto várias vezes na vida. Mas mudámos algo?

Um exemplo: És despedid@ do teu trabalho e agora estás desempregad@ e com contas para pagar. É um facto. Assim posto, há pelo menos duas realidades alternativas que podes escolher:

      1. A vítima – podes sentir pena de ti própri@, ser miserável com este evento desafortunado, ter medo do futuro. Começar a procurar trabalhos com este sentimento de incerteza e temor, o que certamente levará a mais miséria. Esta baixa vibração vai de encontro a um trabalho ou colegas que têm a mesma energia.
      2. O optimista – podes começar a pensar na grande oportunidade que agora ganhaste de fazer aquelas coisas que estavas a adiar por teres o horário tão preenchido. Podes pensar que lições tiraste desse trabalho que perdeste e dos colegas que tiveste. Podes perceber que aquelas coisas desnecessárias onde gastavas o dinheiro não eram assim tão importantes e assim reduzir as tuas despesas. Podes encontrar uma nova paixão ou uma mais antiga que estava em “stand-by”. Talvez agora até possas criar um trabalho a partir duma dessas paixões ou começar a procurar trabalhos com esta alta vibração, o que irá trazer coisas que alinham com esta energia.

Conforme a realidade que escolheres, vais encontrar evidências para ela. Se estiveres num caminho mais pessimista, vais começar a ver coisas negativas em todo o lado e o oposto acontece quando escolheres seguir um caminho positivo, começando a notar cada vez mais aspectos benéficos.

Claramente que não é tarefa fácil escolher sempre a realidade optimista, porém é algo que se pode praticar. De cada vez que “meteres o pé” na mentalidade de vítima, reconheces prontamente e escolhes outro caminho que não esse.

As contas que se estão a acumular na tua mesa não serão de forma alguma pagas mais rapidamente por teres essa mentalidade negativa nem se procrastinares. E ser positivo nada tem a ver com procrastinar e esperar que uma solução divina venha resolver problemas. Em vez disso, é a mentalidade que te guiará à criatividade e à descoberta de soluções.

Uma vez entendido o conceito desta ideia de que somos nós quem escolhemos as nossas realidades à medida que a vida corre, podemos começar a desconstruir os nosso medos, queixumes e crenças. Quando tomamos as rédeas da nossa vida, a responsabilidade vem incluída e deixamos de culpabilizar os outros quando algo corre mal no nosso percurso. Portanto comecemos a familiarizar-nos com esta ideia.

Está tudo nas nossas mãos. Temos muitas opções. E é tão libertador!

“A vida é uma ilusão óptica. O que tu vês é baseado nas tuas crenças.” – Dr. Joe Vitale

The illusion we live in (EN)
Back when I was studying Holistic Nutrition, I learned from a couple teachers about study cases of people with multiple personality disorder that have different diseases according to the persona they switch to. A particular case about a man that had type II diabetes in one alter but not in the other one caught my attention and I researched more about it. There were studies of more cases: a person that had short sightedness with one personality but could see perfectly well with the other personality; another person that had skin rashes with one personality and would heal them and eventually disappear with the other personality, among many other examples. Those people were studied, blood levels were measured and the results could not be made up.

It wasn’t the first time I heard about these kinds of cases but this time it really made sense in my head. Science was backing up what I already knew about beliefs and reality. It just made sense!

If one has a disease that can disappear when switching to another reality, does that mean that we can all improve and cure diseases if we change our reality? And further, can we start changing our beliefs and mindset by switching to another reality?

Quite some time ago, in conversation with Nico, I came to conclusion that even though we both were raised together and equally educated, we pretty much lived two different realities. Only nineteen months separate us in age and therefore we can’t really say that I was much younger than her and didn’t get the full picture because of that. To cut a long story short and not be very specific, we realised that we perceived our parents in two very different ways. Despite knowing their virtues and faults, we kind of chose different pathways that would light up or darken those features. It’s not that I forgot some things that my sister remembers (or vice-versa), however we chose to ignore or give less importance in the past to different events and therefore our memories were portrayed differently.

My parents were not only those two different realities but many more. Those were our realities. The ones we chose. The realities that shaped us into the people we later became.

We did that with our parents, with our family, our friends, our community. As we all people did and still do! But how would you know that you did it empirically, if you didn’t speak about it with your close relatives (especially with your siblings or people close in age)? You probably wouldn’t. You would think instead that your reality is the only reality. And what’s so bad about it? Well, understanding that there are more realities out there, more versions of the world, we can totally choose the one we want to tune in. Because it gives you options.

We can choose to focus on the negative side of people or things and feed this behaviour or we can do the opposite and focus on the positive side of things, people, situations, happenings and so on. Yes, this seems very cliché and obvious. We all heard this many times in life. But have we done something about it?

An example: you lose your job and now you are unemployed with bills to pay. That’s the fact. Now, there are at least two different realities you can choose:

      1. The victim – you can feel sorry for yourself, be miserable with this unfortunate event, be fearful of the future. Start looking for jobs from a place of fear and uncertainty, which will lead to more misery. That low vibrancy will also make you encounter a job or colleagues with the same vibe.
      2. The optimistic – you can start thinking of what a great opportunity you have now of doing those things you were postponing when you were too busy working. You can think about what lessons you took from that job and colleagues. You can finally see that those things where you were spending your money are maybe not very important and reduce your expenses. You can find a new passion or an old one that was on hold. You can now maybe create a job out of those passions or start looking into new jobs with this high vibrancy, which will bring you something aligning with this vibe.

Whatever reality you follow, you will find evidence for it. If you are on a negative path, you will starting seeing more negative aspects everywhere, whereas if you choose to follow a positive one, more positive things you will notice.

Obviously is not an easy task to choose always the optimistic reality, yet it is something that can be practiced. Every time you enter a victim mindset, you acknowledge it and change the pathway.

The bills that are accumulating in your desk won’t be paid quicker because of a negative mindset nor if you procrastinate. And positivity is not about procrastinating and await for a divine solution for your problems. Instead, is a mindset that will guide you to creativity and solutions.

Once we understand the concept of the idea that we come to choose our different realities along the way, we can start deconstructing our fears, scarcities and beliefs embedded in us. When we take the reins of our life, responsibility comes with it, as we will stop blaming others when something goes wrong in life. Thus, let’s start getting used to this idea.

It’s all in our hands. We have many options. And it is so liberating!

“Life is an optical illusion. What you see is based on your beliefs” – Dr. Joe Vitale

La ilusión en la que vivimos (ES)
Cuando estaba estudiando Nutrición Holística, aprendí con algunos de los profesores sobre casos de estudios de personas con trastorno de identidad disociativo, que tienen diferentes enfermedades según la personalidad que toma el control. El caso particular de un hombre que tenía diabetes del tipo II con una personalidad pero no con la otra, atrajo mi atención y me hizo querer profundizar mis conocimientos en esta materia. Había varios otros casos: una persona que tenía miopía con una personalidad pero que veía perfectamente con la otra; una persona que tenía erupciones cutáneas con una personalidad y el problema empezaba a curarse o hasta desaparecía con la otra personalidad; entre otros ejemplos. Estos casos se estudiaron, incluyendo análisis de sangre y otros exámenes que no podrían haber sido inventados para la conclusión de los mismos.

No era la primera vez que oía hablar de este tipo de casos pero de esta vez hizo todo el sentido en mi cabeza. La ciencia estaba ahora confirmando lo que ya sabía sobre las creencias y la realidad. ¡Hizo todo el sentido!

Si alguien que tiene una enfermedad y esta desaparece cuando se sintoniza en otra realidad, significará que tod@s podemos mejorar o curar enfermedades si alteramos nuestra realidad? Y más, ¿es posible que podamos cambiar nuestras creencias y mentalidad si elegimos otra realidad?

Hace algún tiempo, hablando con Nico, llegué a la conclusión de que, a pesar de criadas y educadas de la misma forma, vivíamos dos realidades diferentes. Diecinueve meses es el poco tiempo que nos separa en edad y por eso no consideramos el hecho de yo ser más joven y por esa razón no haber entendido algunas cosas. Para resumir una larga historia sin ser muy específica, llegamos a la conclusión de que percibíamos a nuestros padres de maneras muy diferentes. Aunque sabiendo las virtudes y defectos de cada uno, acabamos por escoger caminos dispares que iluminaban o oscurecían esas características. No es que yo haya olvidado cosas que mi hermana recuerda (o viceversa), sin embargo escogemos en, el pasado, ignorar o dar menos importancia a eventos distintos, y de esa forma nuestras memorias fueron construidas de formas diferentes.

Mis padres no eran sólo esas dos realidades distintas, pero muchas más. Estas eran sólo las nuestras. Las que elegimos. Las realidades que nos moldearon en las personas en que más tarde nos convertimos.

No sólo lo hicimos con nuestros padres, pero también con el resto de la familia, amigos, comunidad. ¡Así como todos hicimos y seguimos haciendo! Pero ¿cómo sabrías que lo hiciste de modo empírico si no hablas con aquellos que te son más cercanos (especialmente hermanos o personas con edad semejante)? Probablemente no sabrías. Pensarías que sólo tu realidad sería La Realidad. ¿Y qué hay de mal en eso? Bueno, percibiendo que hay más realidades que no sólo la tuya, más versiones del mundo, vas a tener la libertad de escoger aquella en la que quieres sintonizarte. Porque tienes alternativas.

Un ejemplo: Eres despedid@ de tu trabajo y ahora estás desemplead@ y con cuentas para pagar. Es un hecho. Así puesto, hay al menos dos realidades alternativas que puedes elegir:

      1. La víctima – puedes sentir pena por ti mismo, ponerte miserable con este evento desafortunado, tener miedo del futuro.  Puedes buscar trabajos con este sentimiento de incertidumbre y temor, lo que seguramente traerá más miseria. Esta baja vibración va a encontrar un trabajo o colegas que tienen la misma energía negativa.
      2. El optimista – puedes pensar en la gran oportunidad que ahora tienes para hacer aquellas cosas que estabas a posponiendo por tener el horario tan lleno. Puedes pensar en las lecciones tiraste de ese trabajo que perdiste y de los colegas que tuviste. Puedes percibir que esas cosas innecesarias donde gastabas el dinero no eran tan importantes y así reducir tus gastos. Puedes encontrar una nueva pasión o volver a una más antigua que estaba en “stand-by”. Quizás ahora puedas crear un trabajo desde una de esas pasiones o buscar trabajos con esta alta vibración, lo que traerá cosas que se alinean con esta energía.

Según la realidad que elijas, vas a encontrar evidencias para ella. Si estás en un camino más pesimista, vas a empezar a ver cosas negativas en todas partes y lo contrario sucede cuando eliges seguir un camino positivo, empezando a notar cada vez más aspectos beneficiosos.

Sin duda que elegir siempre la realidad optimista no es tarea fácil, pero es algo que se puede practicar. Cada vez que metas el pie en el camino del victimismo, lo reconoces y prontamente escoges otro camino mejor.

Las cuentas, que se están acumulando en tu escritório, no serán pagadas con más rapidez porque tienes esa mentalidad negativa, ni si procrastinas. Y ser positivo nada tiene que ver con procrastinar y esperar que una solución divina venga a solucionar los problemas. En lugar de eso, es una mentalidad te llevará hacia la creatividad y a encontrar nuevas soluciones.

Una vez entendido el concepto de esta idea, de que somos nosotros quienes elegimos nuestras realidades, a medida que la vida ocurre. Podemos empezar a deconstruir nuestros miedos, lamentos y creencias. Cuando tomamos las riendas de nuestra vida, la responsabilidad está incluída y dejamos de culpar a los demás cuando algo malo ocurre en nuestro recorrido. Por lo tanto, comencemos a familiarizarnos con esta idea.

Todo está en nuestras manos. Tenemos muchas opciones. ¡Y es tan liberador!

“La vida es una ilusión óptica. Lo que ves se basa en tus creencias.” – Dr. Joe Vitale

Background music

Background music (EN)

Música de fondo (ES)

Música de fundo (PT)

O que é o sucesso (ou êxito)? Porque é que vivemos preocupad@s ou até mesmo obcecad@s com tê-lo, quando às vezes nem sabemos bem o que significa? Porque é que é tão importante na nossa sociedade ter sucesso? É importante para quem?

Durante muito tempo a obtenção de sucesso foi uma grande preocupação minha. E aposto que já foi, ou ainda é, uma grande preocupação da maioria das pessoas que estão a ler isto. Era uma preocupação daquelas que ‘toca’ na mente lá atrás, como música de fundo. Não estava todo o dia a pensar “tenho que ser bem sucedida”, na verdade acho que não pensava nada parecido. Mas estava constantemente a tentar atingir um ideal, que na verdade era inalcançável. Porque cada vez que atingia um objectivo, imediatamente aparecia outro que afinal é que era realmente importante alcançar.

Essa fome insaciável estava maioritariamente relacionada com o que os outros poderiam pensar sobre mim ou como me poderiam valorizar: que os meus amigos me achassem mais fixe, que os meus colegas que achassem mais competente, que os meus pais tivessem mais orgulho em mim, etc. Mas nunca sentia que aquilo que fazia efectivamente me ajudava a obter a aprovação que procurava.

Esta busca contínua fazia com que tivesse uma sensação de insatisfação constante. Por outro lado havia sempre coisas que eu achava que me levariam a conseguir a aprovação que pretendia, mas eram coisas que por alguma razão forte não queria fazer. Principalmente porque iam contra os meus valores ou contra a minha personalidade.

Um dia ouvi alguém falar sobre esta preocupação com o sucesso e identifiquei-me. E comecei a questionar-me sobre o assunto. Uma das primeiras coisas que fiz foi procurar o significado “oficial” das palavras sucesso e êxito. Partilho contigo a minha descoberta:

Segundo vários dicionários da língua portuguesa “sucesso” significa: aquilo que sucede (= acontecimento); resultado de ação ou empreendimento; o que tem bom resultado, boas vendas ou muita popularidade. E “êxito” define-se como: saída, fim, termo; resultado de uma acção; resultado feliz; celebridade ou popularidade.

Em espanhol apenas a palavra “êxito” (éxito) existe e está oficialmente definida como: resultado feliz de um negócio ou actuação; boa aceitação que tem alguém ou algo; fim ou término de um negócio ou assunto.

Mas foi na definição em inglês da palavra “sucesso” (success) que obtive mais esclarecimento: alcançar os resultados desejados ou esperados; atingir resultados positivos; realização de um objectivo ou propósito; obtenção de fama, riqueza ou status social.

Acho que podemos resumir o conceito em duas ideias chave: por um lado a ideia de um resultado positivo ou de um objectivo cumprido, e por outro a obtenção de popularidade, fama e/ou riqueza.

Isto desmistifica bastante a ideia de sucesso, verdade? Tendo em conta que tenho bastante assumido que ser famosa não me interessa, e ser rica não é um objectivo no qual ponha algum empenho, o que é que me importa desta ideia? Qual é o meu conceito de sucesso? Obtenção de resultados positivos e alcance de objetivos?

Sempre que as coisas às que me proponho têm resultados positivos, e sempre que atinjo objetivos, estou a ser sucedida ou a ter êxito? Mas isso acontece constantemente!

E finalmente a busca terminou.

Uma lista de objetivos cumpridos e resultados positivos dos últimos tempos confirmou a minha suposição. E finalmente senti-me uma pessoa de sucesso.

Acabei por criar um conceito próprio de sucesso que englobava melhor aquilo que passei a sentir como sucesso: viver a vida como a quero viver naquele momento. Periodicamente faço uma revisão do meu sucesso actual. Para tal basta perguntar-me se estou a levar a vida como quero e responder-me sinceramente. Se percebo que a resposta é não, então é porque há coisas que precisam ser mudadas. Coisas específicas e atingíveis que se podem mudar com um prazo mais ou menos previsível ou estimado. Objetivos que, depois de cumpridos, me colocam na vida que quero ter, naquele momento.

“Naquele momento” são palavras chave. Estamos em constante crescimento, mudança, evolução e por isso acho que devemos aceitar que o que queremos da vida também vai mudando. O truque é não ver a vida como um suceder constante de níveis num jogo sem final, mas sim como um conjunto de jogos que ganhas ou perdes (falhar é uma parte importante da vida e ensina-nos mais do que ganhar) sem que nenhum jogo seja mais importante que o anterior. Ou seja, ver o sucesso como um conjunto de sucessos e fracassos acumuláveis e não como algo inatingível.

Comecei também a ver o sucesso dos outros com outros olhos. De repente percebi quantas pessoas sucedidas tinha à minha volta. E percebi que aquelas pessoas que pareciam sucedidas mas realmente estão a jogar o jogo sem fim não o são. Não o são por uma razão muito simples, não se sentem sucedidas, porque o sucesso está lá naquele degrau ainda mais acima. Percebi que sucesso nunca vai chegar se estiveres à espera das outras pessoas para te entregarem o troféu. Tens que ser tu a colocar todas as medalhas ao pescoço, e não importa que os outros não as possam ver ou entender.

Acabo com a partilha de algo mais pessoal: Refletir sobre o sucesso fez-me perceber que estava muito dependente da opinião do meu pai sobre mim, como bitola para o meu sucesso. Na verdade passei uma grande parte da minha vida preocupada em fazê-lo orgulhoso. Em contrapartida eu e o meu pai temos, e sempre tivemos/teremos, maneiras muito diferentes de ver e compreender o mundo e a vida em geral. Percebi que era inútil tentar encontrar algo que o fizesse ter aquela sensação de que eu tinha seguido as suas pegadas e, ao mesmo tempo, me fizesse feliz a mim. Então decidi acreditar que, o que um pai no fundo quer é que @s filh@s sejam felizes. E percebi que me tinha que preocupar com a minha felicidade, que na realidade cada um se deve preocupar com a sua.

Qual é o teu conceito de sucesso? Consideras-te sucedid@?

O sucesso não é a chave para a felicidade. A felicidade é a chave para o sucesso. Se adoras aquilo que fazes, então serás és bem sucedido.  —  Albert Schweitzer (alteração à frase original feita pela Nico)

Fontes:

https://dicionario.priberam.org/sucesso

https://dicionario.priberam.org/%C3%AAxito

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/sucesso

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/%C3%AAxito

http://dle.rae.es/srv/fetch?id=HGAP1jB

https://en.oxforddictionaries.com/definition/success

https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english/success

 


 

Música de fondo (ES)

¿Qué es el éxito? ¿Por qué vivimos preocupad@s o incluso obsesionad@s con tenerlo, cuando a veces ni sabemos bien lo que significa? ¿Por qué es tan importante en nuestra sociedad tener éxito? ¿Es importante para quién?

Durante mucho tiempo la obtención de éxito fue una gran preocupación mía. Y apuesto que ha sido, o aún lo es, una gran preocupación de la mayoría de las personas que están leyendo esto. Era una preocupación de las que ‘toca’ en la mente por detrás, como una música de fondo. No estaba todo el día pensando “tengo que ser exitosa”, en realidad creo que no pensaba nada parecido. Pero estaba constantemente tratando de alcanzar un ideal, que en realidad era inalcanzable. Porque cada vez que acumplia un objetivo, inmediatamente aparecía otro que al final era el que realmente importaba alcanzar.

Este hambre insaciable estaba mayoritariamente relacionado con lo que otros podrían pensar sobre mí o cómo me podrían valorar: que mis amigos me pensaran que yo era guay, que mis colegas de trabajo pensaran que yo era competente, que mis padres tuvieran más orgullo en mí, etc.. Pero nunca sentía que lo que hacía realmente me ayudaba a obtener la aprobación que buscaba.

Esta búsqueda continua hacía que tuviera una sensación de insatisfacción constante. Por otro lado había cosas que yo creía que me llevarían a conseguir la aprobación que pretendía, pero eran cosas que por alguna razón fuerte no quería hacer. Principalmente porque iban contra mis valores o contra mi personalidad.

Un día oí a alguien hablar de esta preocupación con el éxito y me sentí identificada. Entonces empecé a cuestionarme sobre el tema. Una de las primeras cosas que hice fue buscar el significado “oficial” de la palabra éxito. Comparto contigo lo que descubrí:

De acuerdo con varios diccionarios de la lengua portuguesa “éxito” (sucesso/êxito) significa: lo que tiene buen resultado, buenas ventas o mucha popularidad; salida, fin, término; resultado de una acción; resultado feliz; celebridad o popularidad.

En español “éxito” es oficialmente definido como: resultado feliz de un negocio, actuación; buena aceptación que tiene alguien o algo; fin o terminación de un negocio o asunto.

Pero fue en la definición en inglés de la palabra éxito (success) que obtuve más aclaración: alcanzar los resultados deseados o esperados; alcanzar resultados positivos; realización de un objetivo o propósito; obtención de fama, riqueza o status social.

Creo que podemos resumir el concepto en dos ideas clave: por un lado la idea de un resultado positivo o de un objetivo cumplido, y por otro la obtención de popularidad, fama y / o riqueza.

Esto desmitifica bastante la idea de éxito, verdad? Teniendo en cuenta que tengo bastante asumido que ser famosa no me interesa, y ser rica no es un objetivo en el que ponga cualquier empeño, ¿qué me importa de esta idea? ¿Cuál es mi concepto de éxito? Obtención de resultados positivos y alcance de objetivos?

¿Siempre que las cosas a las que me propongo tienen resultados positivos, y siempre que alcanzo objetivos, estoy teniendo éxito o siendo exitosa? ¡Pero eso sucede constantemente!

Y finalmente la búsqueda terminó.

Una lista de objetivos cumplidos y resultados positivos de los últimos tiempos confirmó mi suposición. Y finalmente me sentía una persona de éxito.

Terminé creando un concepto propio de éxito que abarcaba mejor aquello que pasé a sentir como éxito: vivir la vida como la quiero vivir en aquel momento. Periódicamente hago una revisión de mi éxito actual. Para ello basta preguntarme si estoy llevando la vida como quiero, y responderme sinceramente. Si percibo que la respuesta es no, entonces es porque hay cosas que necesitan ser cambiadas. Cosas específicas y alcanzables que se pueden cambiar con un plazo más o menos previsible o estimado. Objetivos que, después de cumplidos, me colocan en la vida que quiero tener, en aquel momento.

“En aquel momento” son palabras clave. Estamos en constante crecimiento, cambio, evolución y por eso debemos aceptar que lo que queremos de la vida también va cambiando. El truco es no ver la vida como un suceder constante de niveles en un juego sin final, sino como un conjunto de juegos que ganas o pierdes (fallar es una parte importante de la vida y nos enseña más que ganar) sin que ningún juego sea más importante que el anterior. Es decir, ver el éxito como un conjunto de éxitos y fracasos acumulables y no como algo inalcanzable.

Comencé también a ver el éxito de otros con otros ojos. De repente me di cuenta de cuántas personas exitosas tenía a mi alrededor. Y me di cuenta que aquellas personas que parecen exitosas, pero realmente están jugando al juego sin fin, no lo son. No lo son por una razón muy simple, no se sienten exitosas, porque el éxito está allí, en aquel escalón aún más arriba. Me di cuenta de que el éxito nunca llegará si esperas que otras personas te entreguen el trofeo. Tendrás que ser tú a poner todas las medallas al cuello, y no importa que los demás no las puedan ver o entender.

Finalizo compartiendo algo aún más personal: Reflexionar sobre el éxito me hizo percibir que estaba muy dependiente de la opinión de mi padre sobre mí, como medidora de mi éxito. En realidad pasé una gran parte de mi vida preocupada por hacerlo orgulloso. En cambio yo y mi padre tenemos, y siempre hemos tenido/tendremos, maneras muy diferentes de ver y comprender el mundo y la vida en general. Me di cuenta de que era inútil intentar encontrar algo que le hiciera tener esa sensación de que yo había seguido sus pasos y al mismo tiempo me hiciera feliz. Entonces decidí creer que lo que un padre en el fondo quiere es que sus hij@s sean felices. Y me di cuenta de que tenía que preocuparme por mi felicidad, que en realidad cada uno debe preocuparse por la suya.

¿Cuál es tu concepto de éxito? ¿Te consideras exitos@?

El éxito no es la clave para la felicidad. La felicidad es la clave del éxito. Si amas lo que haces tendrás tienes éxito. —  Albert Schweitzer (modificación a la cita original por Nico)

Fuentes:

https://dicionario.priberam.org/sucesso

https://dicionario.priberam.org/%C3%AAxito

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/sucesso

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/%C3%AAxito

http://dle.rae.es/srv/fetch?id=HGAP1jB

https://en.oxforddictionaries.com/definition/success

https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english/success

When thoughts have a life

When thoughts have a life (EN)

Cuando los pensamientos tienen vida propia (ES)

Quando os pensamentos têm vida própria (PT)

Tens ansiedade? Se sim, como a descreverias?

  • a) Sentes pressão no peito?
  • b) Sentes que tens o estômago ao contrário?
  • c) Sentes que tens um nó na garganta?
  • d) Sentes-te inquiet@ com a aproximação de um evento?
  • e) Sentes uma onda de calor a passar pelo teu corpo?
  • f) Todas as opções acima referidas.
  • g) Nenhuma das opções acima referidas.

Há tantas formas de se sentir ansiedade e cada pessoa consegue descrever a sensação de maneiras diferentes. Algumas pessoas sentem-se tão arrasadas pela ansiedade que a deixam tomar o controlo. Outras não entendem o que significa. Eu não entendia até muito recentemente.

Quando estava a estudar nutrição holística em Vancouver (Canadá), tive que formular um protocolo para um estudo de caso e para isso precisava de um voluntário que quisesse trabalhar comigo. O meu voluntário era um rapaz que penava com ansiedade já há algum tempo. Senti compaixão pelo seu problema, já que parecia afectar a sua qualidade de vida e estava disposta a ajudá-lo da forma que pudesse. Para tal, teria de compreender verdadeiramente o que era a ansiedade. Pela sua descrição, era algo que eu nunca tinha vivido. Fui para casa e comecei a pesquisar.

Num artigo que eu estava a ler para a minha pesquisa, o autor referia que “fazia um filme na sua cabeça” vezes sem conta antecipando um evento e que era assim que descrevia a sua ansiedade. No momento em que li isto tive uma epifania: “Perdão? Ansiedade também é isto?” – reagi. Eu pensei toda a minha vida que criar toda uma panóplia de cenários e situações na minha cabeça, num remoinho sem fim, era nervosismo.

Quando era criança/ adolescente, pensava sobre a mesma situação vezes sem conta. Uma conversa que tinha que ter com o meu pai, com um@ professor@ ou mesmo com um@ amig@ dava origem a muitas noites mal dormidas. Durante o dia, de cada vez que me lembrava dessa conversa o meu coração começava a bater mais depressa, roía as unhas até chegar ao sabugo e imaginava todas as hipóteses possíveis de como a dita conversa poderia acabar mal – “E depois el@ vai dizer isto e eu vou responder isto… ou talvez aquilo. Não, el@ vai ficar chatead@ comigo. Não consigo.” As conversas eram adiadas mais uma vez e o meu “nervosismo” – leia-se ansiedade – só piorava.

Quando eu entendi claramente que o que eu tive anos a fio era ansiedade, mais coisas começaram a fazer sentido na minha cabeça. Verdade seja dita, eu também ficava nervosa às vezes em situações específicas: antes de um teste ou apresentação, ir ao dentista ou outro evento qualquer que me deixasse desconfortável. Penso que a maior parte das pessoas se revê nesta sensação, pois todos nós já nos sentimos tensos nalguma(s) altura(s) da vida.

No entanto, ansiedade era algo que regia a minha vida e me deixava fora de controlo. E a maior parte das pessoas não sabiam disto pois eu conseguia escondê-lo muito bem.

Na escola secundária, eu tinha um namorado que era o rapaz mais fixe da escola. Ele vestia-se como um rapper, andava de skate e fazia-me corar cada vez que o via. Mas vê-lo na escola era também sinónimo de muita ansiedade pois eu não parava de pensar em cada possibilidade de como o nosso encontro fosse dar errado. Então acabei com o namoro.

Um tempo depois tinha-me tornado numa mestre da sabotagem. Se me convidavam para um evento que provavelmente me iria provocar ansiedade, eu dizia que ia mas começava imediatamente a pensar numa desculpa para não ir – “eu posso dizer que estou doente ou que a minha mãe não me deixa ir… talvez um contratempo de última hora possa ser a desculpa perfeita”.

Os meus pensamentos tinham vida própria dentro da minha cabeça e eram eles que me controlavam.

Isso só melhorou e finalmente deixou de acontecer quando mudei a forma como pensava e as coisas em que acreditava (mais posts neste tópico virão no futuro). Aprendi a lidar com a ansiedade e, mais importante, descobri que a sua causa não fazia o mínimo sentido.

Sendo alguém que gosta de agradar aos outros e evita confrontos a todo o custo, eu sentia sempre que precisava de ser a pessoa que os outros esperavam de mim. Eu achava que se dissesse a verdade e explicasse a um@ amig@ que não queria ir ao seu evento, el@ ficaria desiludid@ ou triste comigo e não iria entender ou aceitar.

A causa da ansiedade era simplesmente criada pela minha cabeça. Eu criei a causa porque assumi que tinha de agradar aos outros e não os podia desapontar. Por isso tinha toda esta pressão (desnecessária) em cima.

Não consigo meter em palavras o quão importante é sermos honest@s connosco própri@s e questionarmos os nossos pensamentos. Os teus pensamentos são teus inimigos? Eles impedem-te de fazeres alguma coisa na tua vida? És um@ mestre da sabotagem tal como eu era?

Ansiedade é completamente irracional e uma vez desfeitos os nossos medos, inseguranças e crenças, ela desmorona. Já não tem onde viver uma vez expulsa das nossas mentes. Morre à fome porque a deixamos de alimentar.

Não tens de controlar os teus pensamentos. Só tens de fazer com que eles parem de te controlar a ti. Dan Millman

When thoughts have a life (EN)

Do you have anxiety? If so, how would you describe it?

  • a) Do you feel pressure in your chest?
  • b) Do you feel like your stomach is upside down?
  • c) Do you feel like you have a knot in your throat?
  • d) Do you feel uneasy as an event approaches?
  • e) Do you feel a hot flash washing over your body?
  • f) All of the above.
  • g) None of the above.

There are so many different ways of feeling anxious and everybody can describe it in a different way. Some people get so overwhelmed by anxiety that it can really impair their lives. Others can’t understand the meaning of it. I couldn’t up until very recently.

While studying holistic nutrition in Vancouver (Canada), I had to make a protocol for a case study and had to choose a volunteer that was willing to work with me. My volunteer was a young man suffering with anxiety for quite some time. I felt compassionate for his issue, as it really seemed to affect his quality of life and was willing to help him in any way. For that, I had to fully comprehend what anxiety was. By his description, it was something I had never felt. I went home and started my research.

In an article that I was reading as part of my research, the author stated that he would “play the same movie in his head” over and over again, anticipating an event and that’s how he was describing his anxiety.While reading this I had an epiphany: “Wait what? That’s anxiety?” – was my reaction. I thought up until now that creating a whole scenario of situations in my head, in a loop without and end, was called nervousness. As a child/ teenager, I would think about the same situation endless times. A conversation that needed to happen with my father, a teacher or even with a friend would give me weeks of sleepless nights. During the day, every time I thought about that conversation, I could feel my heart beating faster, I would bite my nails until reaching the nail bed and would imagine all possible hypothesis of what could go wrong – “And then they will say this, and I will reply this… or maybe that. No, they’ll be mad at me. I can’t.”

The conversations were postponed again and again and my “nervousness” -meaning anxiety – only got worse.

When I got clear in my mind that what I had for so long was anxiety, more things made sense. Truth is, I was sometimes nervous in specific situations such as: prior to a test or a presentation, going to the dentist or any other event where I felt uncomfortable. I guess most people can relate to this feeling as we all felt uneasy at some point in life.

On the other hand, anxiety was something that ruled my life and made me feel completely out of control. And not many people would know about it as I was doing a great job hiding it.

In secondary school, I had a boyfriend that I thought was the coolest dude. He dressed like a rapper, had a skateboard and made me blush every time I saw him.

But seeing him in school also meant extreme anxiety, as I couldn’t stop thinking of every possibility on how our date could go wrong. So I broke up with him.

Some time later I became the master of sabotage. If I were to be invited to an event that could possibly cause me anxiety, my RSVP was positive but I immediately started thinking of an excuse not to go – “I can say I’m sick or that my mother wouldn’t let me go… maybe even a last minute unforeseen event can save my ass”.

My thoughts had their own life inside my mind and they were ruling my life.

That only got better and finally came to an end after I changed my beliefs (more posts on this topic to come). I learned to deal with it and more important, I found out that what caused it in first place didn’t make any sense.

As someone that likes pleasing others and avoids confrontation at all cost, I felt like I needed to meet the other people’s needs. I thought that if I told the truth and explained to my friend that I didn’t want to go to their event, they would be disappointed or sad and would not understand or accept it.

The cause of anxiety was purely made up by my head. I created the cause because I assumed that I had to deliver what people expected of me and I didn’t want to disappoint them. So I had all of this (unnecessary) pressure on me.

I cannot explain how important is to be honest with ourselves and question our own thoughts. Are your thoughts your enemies? Are they preventing you from doing anything in your life? Do you sabotage yourself just like I did?

Anxiety is completely irrational and once we dismantle all our fears, insecurities and believes, it falls apart. It doesn’t have anywhere else to live once kicked out of our minds. It starves, as we don’t feed it anymore.

You don’t have to control your thoughts. You just have to stop letting them control you. – Dan Millman

Cuando los pensamientos tienen vida propia (ES)

Tienes ansiedad? Si tu respuesta es sí, cómo la describirías?

  • a) Sientes presión en el pecho?
  • b) Sientes el estómago revuelto?
  • c) Sientes que tienes un nudo en la garganta?
  • d) Te sientes inquiet@ con la aproximación de un evento?
  • e) Sientes una ola de calor pasando por todo tu cuerpo?
  • f) Todas las opciones arriba se aplican?
  • g) Ninguna de las opciones anteriores se aplica?

Hay muchas formas de sentir ansiedad y cada persona puede describir la sensación de maneras diferentes. Algunas personas se sienten tan arrasadas por la ansiedad que le dejan tomar el control. Otras no entienden lo que significa. Yo no lo entendía hasta muy recientemente.

Mientras estudiaba nutrición holística en Vancouver (Canadá), tuve que formular un protocolo para un estudio de caso y para ello necesitaba un voluntario que quisiera trabajar conmigo. Mi voluntario era un chico que padecía de ansiedad hacía ya algún tiempo. Sentí compasión por su problema que parecía afectar bastante a su calidad de vida, y estaba dispuesta a ayudarle de la forma que pudiera. Para ello, tendría que comprender verdaderamente lo que era la ansiedad. Por su descripción, era algo que yo nunca había experimentado. Cuando me fui a casa empecé a investigar.

En un artículo que encontré sobre el tema, el autor explicaba que en su cabeza repetía la misma “película” repetidamente, una y otra vez, anticipando un evento y era así que describía su ansiedad. En el momento en que lo leí tuve una epifania: “¿Perdón? ¿La ansiedad también es esto? “- reaccioné. Pensé toda mi vida que el hecho de crear repetidamente escenarios y situaciones por anticipación a algo se llamaba nerviosismo.

Cuando era niña/ adolescente, pensaba sobre la misma situación muchas veces. Una conversación que debería tener con mi padre, con un@ profesor@ o incluso con un@ amig@ originaba muchas noches mal dormidas. Durante el día, cada vez que me acordaba de esa conversación mi corazón empezaba a latir más rápido, mordía las uñas e imaginaba todas las posibilidades de cómo dicha conversación podría terminar mal – “Y después él/ella va a decir esto y yo voy a responder esto… o quizás aquello. No, él/ella se va a enfadar conmigo. No puedo decirlo.” Acababa posponiendo las conversaciones una vez más, y mi nerviosismo – o sea: ansiedad- sólo empeoraba.

Cuando entendí claramente que lo que tuve durante tantos años era en realidad ansiedad, más cosas empezaron a tener sentido en mi cabeza. La verdad es que yo también me ponía nerviosa en situaciones específicas: antes de una prueba o presentación, ir al dentista u otro evento cualquiera que me dejara incómoda. Creo que la mayoría de las gente se reconoce en esta sensación, pues todos alguna vez ya nos sentimos nerviosos en algún momento de la vida.

Sin embargo, la ansiedad era algo que me gobernaba la vida y me dejaba fuera de control. La mayoría de la gente no lo sabía porque yo podía esconderlo muy bien.

En el instituto, tuve un novio que era el chico más guay de la escuela. Él se vestía como un rapero, iba en monopatín y me hacía ruborizar cada vez que lo veía. Pero verlo en la escuela era también sinónimo de mucha ansiedad porque yo no paraba de pensar en cada posibilidad de cómo nuestro encuentro podría ir mal. Entonces rompí con él.

 Un tiempo después yo me había vuelto maestra del sabotaje. Si alguien me invitaba a un evento que probablemente me diera ansiedad, yo decía que iba pero inmediatamente empezaba a pensar en una excusa para no ir – “puedo decir que estoy enferma o que mi madre no me deja ir … quizás un contratiempo de última hora sea la excusa perfecta “.

Mis pensamientos tenían vida propia dentro de mi cabeza y eran ellos los que me controlaban.

Esto sólo mejoró y finalmente dejó de ocurrir cuando cambié mi manera de pensar  y también mis creencias (escribiré más sobre ello en el futuro). Aprendí a lidiar con la ansiedad y, más importante, descubrí que su causa no tenía el mínimo sentido.

Siendo alguien a quién le gusta agradar a los demás y suele evitar confrontaciones a cualquier coste, sentía que necesitaba ser la persona que los demás esperaban que fuera. Yo creía que si dijese la verdad y explicara a un@ amig@ que no quería ir a su evento, el@ quedaría desiludid@ o triste conmigo y no iba a entenderlo o aceptarlo.

La causa de la ansiedad era simplemente creada por mi cabeza. Yo creé la causa porque asumí que tenía que agradar a los demás y no podía decepcionarlos. Por eso tenía toda esta presión (innecesaria) encima.

No puedo meter en palabras lo importante que es ser honest@s con nosotr@s mism@s y cuestionar nuestros pensamientos. ¿Tus pensamientos son tus enemigos? ¿Te impiden de hacer algo en tu vida? ¿Eres un@ maestr@ del sabotaje como era yo?

La ansiedad es completamente irracional y una vez deshechos nuestros miedos, inseguridades y creencias, se desmorona. Ya no tiene donde vivir una vez expulsada de nuestras mentes. Muere de hambre porque la dejamos de alimentar.

No tienes que controlar tus pensamientos. Sólo tienes que hacer que paren de controlarte a ti. – Dan Millman

Uma questão de obrigação ou escolha…

A question of obligation or choice… (EN)

Una cuestión de obligación o elección… (ES)

Uma questão de obrigação ou escolha… (PT)

Tenho que ir fazer o jantar.
Amanhã tenho que ir trabalhar.
Não posso porque tenho que fazer outras coisas.

Quantas vezes durante o dia repetes as palavras “tenho que”? A tua vida é uma grande soma de “tenho ques”?

Mas será que “tens mesmo que”? “Ter que” indica obrigação. És obrigad@ a fazer todas essas coisas ao longo do dia?

Vamos fazer uma experiência! Escolhe um dia, pode ser amanhã, ou podes começar a partir de agora. Durante esse/este dia troca a expressão “tenho que” pela palavra “quero”. Não só quando falas com outras pessoas, mas especialmente quando falas contigo. Aproveita para vigiar os teus pensamentos e se vires que estás a pensar “tenho que” corrige-te e volta a formular a frase mas com “quero”.   

“Quero ir fazer o jantar” vai ser fácil, mas dizer “Amanhã quero ir trabalhar” pode ser muito difícil para algumas pessoas. Ora aí está a magia!!

Custa-te dizer “quero” porque achas que realmente não queres? Pensa então porque é que fazes as coisas. Continuamos com o exemplo de “ir trabalhar”. Não te esqueças de continuar com o “quero”. Eu ajudo: “Quero ir trabalhar porque quero continuar a ter emprego” boa, continuamos: “Quero ter um emprego porque quero ter um salário ao final do mês” seguinte: “Quero ter dinheiro para pagar as contas, para ir ao cinema, para dar o melhor aos meus filhos, para ir de férias com o meu namorado, para ajudar a minha avó…” Acho que deu para perceber. Já é mais fácil dizer que “queres” ir trabalhar, verdade?

Podemos pensar que são só palavras e que se trata apenas de linguagem, de uma forma de expressão. Mas acredito que a linguagem que usamos pode afectar profundamente a maneira como pensamos e o nosso comportamento. Se não estás convencid@ desafio-te a fazer uma pesquisa rápida no Google sobre estudos publicados sobre o assunto. Mas sobretudo desafio-te a fazer o exercício que proponho acima.

Trocar o “tenho que” pelo “quero” pode ter efeitos secundários surpreendentes. O melhor de todos, infelizmente, é o que faz com que a maioria das pessoas desista de continuar. Perceber que temos as rédeas das nossas vidas não é para tod@s. Ao princípio pode parecer desvantajoso. Quando vês que não fazes as coisas por obrigação fica difícil culpar os outros, o tempo, o governo, a situação em que estás, etc.,  e isso pode parecer muito chato à primeira vista. Mas na verdade é empoderador. Pensar que fazemos as coisas por que queremos dá-nos força e ânimo para as fazermos, mas o mais importante é que, ao fazer este exercício, nos apercebemos de quais são as coisas que realmente NÃO queremos fazer. Quando não consegues encontrar razões para querer fazer uma coisa é porque realmente não queres fazê-la. E como há 99,99% de probabilidade de que ninguém te esteja a apontar uma arma à cabeça, então… Adivinha!! Não “tens que” se não “queres”!

Outros efeitos secundários podem ser: deixar de fazer coisas que vens fazendo há imenso tempo sem querer e nunca te deste conta; deixar de dar desculpas a ti mesm@ para fazer coisas que realmente queres fazer; começar a procurar maneiras de conseguir o que queres em vez de passar o dia a imaginar o bom que sería se pudesses fazer “x”; deixar de meter pressão em ti mesm@, e naqueles que te rodeiam, com coisas que “têm que” ser feitas; perder algumas rugas na testa; ver o mundo com uns olhos novos; etc.

Adoraria saber o que têm a dizer sobre isto tod@s aquel@s que decidiram fazer a experiência. Mudou alguma coisa? O quê? Algum “efeito secundário” não mencionado que valha a pena contar? Podes nos escrever de forma privada, através do formulário de contacto ,ou pública, comentando abaixo ou na nossa página de facebook.


Una cuestión de obligación o elección… (ES)

Tengo que ir hacer la cena.
Mañana tengo que ir a trabajar.
No puedo porque tengo otras cosas que hacer.

¿Cuántas veces al largo del día repites las palabras “tengo que”? ¿Tu vida es una gran suma de “tengo ques”?

¿Pero será realmente verdad que “tienes que”? “Tener que” indica obligación. ¿Eres obligad@ a hacer todas esas cosas al largo del día?

Vamos hacer un experimento! Elige un día, puede ser mañana, o puedes empezar ahora mismo. Durante ese/este día cambia la expresión “tengo que” por la palabra “quiero”. No solo cuando hables con otras personas, pero especialmente cuando hables contigo mism@. Aprovecha para vigilar tus pensamientos y si ves que estás pensando “tengo que” corrígete y vuelve a formular la frase con el “quiero”.

“Quiero ir hacer la cena” va a ser fácil pero decir “Mañana quiero ir a trabajar” puede ser algo muy difícil para algunas personas. Pues ahí está la magia!

Te es difícil decir “quiero” porque crees que realmente no quieres? Entonces piensa porque lo haces. Seguimos con el ejemplo de “ir a trabajar”. No te olvides de seguir usando el “quiero”. Yo te enseño: “Quiero ir a trabajar porque quiero seguir teniendo un empleo” bien, seguimos: “Quiero tener un empleo porque quiero tener un salario al final de mes” adelante: “Quiero tener dinero para pagar las cuentas, ir al cine, dar lo mejor a mis hijos, irme de vacaciones con mi novio, ayudar a mi abuela…” Creo que ya se entiende. A que ya es más fácil decir “quiero”, verdad?  

Podemos pensar que solo son palabras y que se trata nada más que de lenguaje, de maneras de expresarse. Pues yo creo que el lenguaje que usamos puede afectar profundamente a la manera como pensamos y a nuestro comportamiento. Si no estás de todo convencid@ te propongo que hagas una búsqueda rápida en Google para encontrar estudios publicados sobre ello. Pero sobretodo te desafío a que intentes el experimento del que hablo arriba.

Cambiar los “tengo ques” por “quiero” puede tener efectos secundarios sorprendentes. Lo mejor de todos, infelizmente, es también el que más hace que la gente desista del experimento. Compreender que podemos dirigir nuestras propias vidas no es para tod@s. Al principio puede parecer desfavorable. Cuando percibes que no haces las cosas porque estás obligad@ se hace difícil culpar a los demás, al tiempo, al gobierno, a la situación en la que estás, etc., y eso puede parecer molesto a primera vista. Pero en realidad es empoderador. Pensar que hacemos las cosas porque queremos nos dá fuerza y ánimo para hacerlas, pero lo más importante es que, al hacer este ejercicio, nos apercibimos de cuales son las cosas que realmente NO queremos hacer. Cuando no puedes encontrar razones para querer hacer una cosa es porque realmente no quieres hacerla. Y como hay un 99,99% de probabilidad de que no tienes una pistola apuntada a la cabeza… ¿adivina? ¡No “tienes que” si no “quieres”!

Otros efectos secundarios pueden ser: dejar de hacer cosas que vienes haciendo hace mucho tiempo sin querer y nunca te has dado cuenta; dejar de dar disculpas a ti mismo para hacer cosas que realmente quieres hacer; empezar a buscar maneras de conseguir lo que quieres en vez de pasar el día imaginando lo bueno que sería si pudieras hacer “x”; dejar de meter presión en ti mism@, y en aquellos que te rodean, con cosas que “tienen que” ser hechas; perder algunas arrugas en la frente; ver el mundo con unos ojos nuevos; etcétera.

Me encantaría saber lo que tienen que decir sobre esto tod@s aquell@s que decidieron hacer el experimento. ¿Cambió algo? ¿Qué? ¿Algún “efecto secundario” no mencionado que valga la pena contar? Puedes escribirnos de forma privada, a través del formulario de contacto, o pública, comentando abajo o en nuestra página de facebook.

More than crossing borders

More than crossing borders (EN)

Más que cruzar fronteras (ES)

Mais do que atravessar fronteiras (PT)

Alguma vez pensaste porque é que gostas/ não gostas de viajar? O que é que gostas nas viagens? O que é que não gostas quando viajas?

Este artigo é sobre diferentes maneiras de viajar, e como viajar significa muito mais do que atravessar fronteiras.

Tempos de adolescência

Viajar era algo que eu adorava fazer quando era adolescente. Todos os anos, a minha irmã e eu, viajávamos com os nossos pais para destinos variados. Como os nossos pais eram divorciados, viajávamos garantidamente para dois destinos diferentes. Podíamos simplesmente viajar para outra parte de Portugal ou para o outro lado do mundo. Nessa altura, a minha participação na organização da viagem era quase inexistente, eu queria era ir. No entanto, sabia mais ou menos o que iríamos ver: os monumentos, os parques, as atrações turísticas etc. Também comprávamos daqueles livros práticos com guias da cidade que nos encaminhavam para o que ver/ fazer e íamos marcando um “certo” em cada missão cumprida. Estes guias davam algum jeito, até porque continham um mapa da cidade na contra-capa, para o caso de nos perdermos.

Apesar de nos encontrarmos de férias havia, na maior parte das vezes, um certo stress envolvido. Encontrar o hotel, encontrar um telefone público para ligar à restante família a avisar que chegamos vivos ao destino, tentar perceber a dinâmica dos transportes públicos para nos deslocarmos ou tentar comunicar em línguas menos conhecidas. Tudo isso era sinónimo de stress e só agora com alguma distância o consigo reconhecer. Talvez, porque quando estamos num sítio que não conhecemos, temos tendência para ficar alerta, o que faz com que fiquemos mais vigilantes e menos relaxados.

Independente da maneira como viajávamos, eu sentia-me sempre agradecida por poder ter essa oportunidade. Tivemos a possibilidade de ver praias bonitas, parques, atrações & monumentos, e eu agradeço muito a ambos os meus pais por isso.

Tempos de jovem adulta

Aos 20 anos, enquanto fazia Erasmus (um programa de intercâmbio na Europa) na Alemanha por um ano, tive a oportunidade de viajar com uma amiga num interrail. Comprámos o passe de comboio que nos permitia entrar na carruagem a qualquer hora e descer onde quiséssemos (dentro de cinco ou seis países selecionados). Nas mochilas levávamos uns pares de meias, cuecas e comida. Não tínhamos grandes planos nem tampouco sabíamos onde iríamos dormir. Desta forma estaríamos livres e abertas a todas e quaisquer oportunidades que se apresentassem no nosso caminho. Fazíamos o que nos apetecesse e assim que nos fartássemos de uma cidade, subíamos no comboio que nos levasse ao próximo destino. Numa semana, estivemos em quatro países diferentes – Áustria, Eslováquia, República Checa e Hungria. Obviamente que só ficávamos com uma ideia de cada sítio mas o melhor disto tudo era a sensação de liberdade. Liberdade porque o tempo não existia pois não havia nada que tivesse de ser feito, ninguém para encontrar, nenhum sítio onde estar a determinada hora. Não estávamos dependentes de nada e nada estava dependente de nós.

Pela primeira vez na minha vida, viajar tinha outro sabor e possibilidades infinitas.

Tempos diferentes

Por alguns anos, trabalhei em hotéis em Amesterdão e como tal pude testemunhar várias formas de viajar. As pessoas que viajavam com a “casa atrás”, as pessoas que raramente saíam do bar do hotel, as pessoas que se perderam e só voltaram ao hotel passados dois dias, as pessoas que vestiram sempre a mesma roupa porque a bagagem se tinha perdido, a família de sete membros que queria caber num quarto para dois, etc. Acho que vi de tudo e tenho histórias hilariantes dessa época.

Uma coisa é certa: não há forma correta ou errada de se viajar. Viajar é só uma forma de sairmos da nossa zona de conforto. E sair da zona de conforto para alguns pode ser viajar para a cidade mais próxima de casa, enquanto que para outros será necessário ir para muito mais longe.

Tempos recentes

No início de 2017, a minha viagem (sozinha) começou em Bali com a Nico e uma amiga minha, onde viajámos juntas por duas semanas. Quando o regresso a casa delas se aproximava, comecei a sentir-me desamparada e com alguma incerteza nesta decisão de viajar sozinha. Por esse motivo, decidi inscrever-me em aulas de cozinha indonésia e começar assim que elas se fossem embora. Aquela semana a aprender a cozinhar comida tradicional balinesa, à base de plantas e com uma chefe local, deu um novo propósito à minha viagem. A partir daquele momento decidi que iria cozinhar em cada país que eu passasse, pratos tradicionais (veganos), com chefes e cozinheiros nativos. E assim foi. Á Indonesia seguiu-se a Tailândia, Malásia, Vietname e Camboja.

Juntar duas paixões minhas  – comida vegana e viajar – deu um novo sentido a esta viagem. De uma certa forma até facilitou a minha escolha nos destinos seguintes, já que eu estava um pouco dependente dos cozinheiros e chefes disponíveis para me ensinarem. E encontrar esses cozinheiros e chefes não foi uma tarefa fácil.

Passar um mês em cada país não significava cozinhar a toda a hora. Na verdade, eu só tinha cinco ou seis aulas de cozinha com cada chefe. No tempo restante, estava numa relação de amor-ódio com as outras pessoas: ou a esconder-me delas (como uma boa introvertida faria) ou a socializar com as que tinham algo em comum comigo – turistas ou locais.

Na verdade, ter este propósito na viagem, era uma maneira de me introduzir a cada cultura, e cozinhar tornou-se numa boa desculpa para estar mais com pessoas locais. Pessoas locais que depois se tornavam amig@s meus e que me apresentavam aos amig@s deles. Mais cedo ou mais tarde, estava a encontrar-l@s para fazermos caminhadas, jantares e festas. El@s conectavam-me com mais amig@s noutras cidades e eu rapidamente me sentia integrada, ainda que estando do outro lado do mundo.

Com o passar do tempo, viajar passou a ser muito mais do que ver um monumento, nadar em praias de águas cristalinas ou tirar uma fotografia na frente de uma escultura. Tornou-se numa experiência cultural que envolve todos os sentidos. Fez-me perceber que são as pessoas com quem nos cruzamos no caminho que fazem a diferença na experiência. Fez-me perceber que a minha zona de conforto não se limita a espaço ou distância mas sim à interação com as pessoas.

Nota para tempos futuros

Já alguma vez pensaste porque é que é importante para ti tirar uma fotografia em frente a um edifício, só pelo facto deste se encontrar noutro sítio, longe de casa? Seguramente toda a gente o faz ou fez no passado, eu incluída (ora dá uma vista de olhos à imagem que ilustra este artigo). Mas isso dirá alguma coisa sobre a viagem que fizeste? E se, em vez de tirares essa fotografia, escreveres sobre os vistas do sítio, o que gostas mais nessa cidade, qual é a energia dos habitantes, o que achas do edifício com o qual estavas prestes a tirar uma foto?

Mais até, porque não perguntar a uma pessoa local qual a história do edifício? E se ela não souber bom, podes sempre contar-lhe uma história sobre o teu edifício preferido na tua cidade.

As memórias que temos com as pessoas são as que fazem boas histórias. E as histórias que trazemos para casa, para contarmos aos amigos e família são muito mais valiosas que as fotografias. As fotografias… essas podemos postar nas redes sociais para elevar o nosso ego. Mas é só isso.

Um agradecimento especial aos chefes e cozinheiros que me ensinaram, elevando a minha viagem a outro nível: Chef Yin Boey, Malaika Secret Moksha, Andy Teo, Kashew Cheese, Justin Parke & Srey Pov Haing


 

More than crossing borders (EN)

Have you ever thought why you like/ don’t like traveling? What do you like about traveling? What don’t you like about traveling?

The following article is about different ways of traveling and how it is much more than crossing borders.

Teenager times

Traveling was something that I was always looking forward to as a teenager. Every year, my sister and I, would travel to different places with our parents. As our parents were divorced, we had guaranteed two different destinations. It could be simply traveling to another part of Portugal or to the other side of the world. At the time I didn’t participate much in the planning, I just wanted to go. However, I knew more or less what we were going to see: the monuments, the parks, the tourist attractions etc. We would buy city guide-books that made it easier for us to check the marks as we went. It was handy, as most of them had a map of the city at the back cover, in case we got lost.

Even though we were on holidays, there was most of the time, some kind of stress involved. Figuring out where the hotel was, finding a public phone to call the family to tell them we arrived safely, understanding how the public transportation worked in order to get to places or trying to communicate in other languages. It all meant stress at some level and I only acknowledge it now, with some distance. Maybe because when you are somewhere unknown, you stay in an alert mode that makes you vigilant and doesn’t allow relaxation to sink in.

Regardless the way we travelled, it was something I was always grateful for. We got to see beautiful beaches, parks, attractions & monuments and I thank both my parents for that.

Young adult times

At 20 years old, while doing an exchange program in Germany for one year, I got the chance to travel with a girlfriend on an inter city rail. We bought the train pass that would allow us to hop aboard anytime and hop off anywhere (within a selection of five or six countries). We packed our rucksacks with a couple pairs of socks, underwear and food. Nothing really was planed, not even the places where we would sleep. In this way we would be free and open to any opportunity that would show up in front of us. We just did whatever we felt like doing and as soon as we were done with a city, we would hop on the train again to the next destination. In one week, we were able to be in four different countries – Austria, Slovakia, Czech Republic and Hungary. Obviously we only got a glimpse of every place but the best thing in the end of the day was the feeling of freedom. Freedom because time didn’t exist as there was nothing that had to be done, there was no one to be met, there was nowhere to be at a certain time. We were not dependent on anything and nothing was depended on us.

For the first time in my life, traveling had another taste and infinite possibilities.

Different times

As I got to work in hospitality in Amsterdam for quite some time, I got to see different ways of traveling. The people that arrived with their “whole house” inside the luggage, the people that barely left the hotel bar to see the city, the people that got lost outside and came back to the hotel after a couple days, the people that always wore the same clothes because their bag got lost, the seven members family that wanted to fit in a double room, etc. I think I saw it all and have hilarious stories from that period.

One thing is for sure: there’s no right or wrong way on how to travel.  Traveling is just a way of getting out of our comfort zone. And someone’s comfort zone can mean traveling two hours away from their home or a bit more or a lot more.

Recent times

In the beginning of 2017, my (solo) trip started in Bali with Nico and a girlfriend of mine, where we travelled together for a couple weeks. When their time to say goodbye was approaching, I started to feel emptiness and a huge uncertainty of what was to come. So I decided to enroll in Indonesian cooking classes as soon as they left. That week of learning Balinese plant based cooking with a local chef gave me a new purpose to my travelling experience. From that moment on, I would cook in every single country, traditional (plant based) food, with local cooks or chefs. And so I did. Indonesia was followed by Thailand, Malaysia, Vietnam and Cambodia.

Merging two passions of mine – plant based food and traveling – gave a new twist to this trip. In a way, made it easier for me to decide which next country I would travel to, as I was dependent on finding cooks and chefs that were able or willing to teach me. And that was not an easy task.

Spending a month in each country didn’t mean cooking all the time. In fact, I would only have five or six cooking classes with each chef. In the remaining time I was in a love-hate relationship with other people: either hiding from them, as a good introvert would do, or hanging out with like-minded fellow travellers or locals.

In truth, having this purpose of traveling was a way of introducing me to every culture and cooking became a good excuse to hang out and bond with local people. Local people that then became my friends and would introduce me to their friends. Sooner or later, I was meeting them for hikes, dinners and parties. They would connect me to more friends in other cities and I quickly felt like I belonged, despite being on the other side of the world.

With time, traveling became for me more then seeing a new monument, sunbathing in a crystal clear beach or taking a picture in front of a famous sculpture. It became a fully cultural experience involving all senses. It made me understand that the people we cross paths with, while on the road, are the ones that make or break an experience. It made me realize that my comfort zone is not limited by space or distance but ratter by interacting with people.

A note for future times

Have you ever thought why is it important for you to take pictures in front of a building, just because it’s situated somewhere else, away from home? One thing is for sure, I do it (check out the picture illustrating this article), everybody does it or has done it in the pass. But does that say anything about your trip, either than checking a mark on your “what to see” list? What if, instead of taking the picture, you write about what you are looking at, what did you like about the city, what was the vibe of the locals, what did you think of the building you were about to take a picture with?

Even further, why not asking a local the story of the building? And if they don’t know, well you can always tell them a story about the best looking building in your hometown.

The memories we have with people are the ones that make good stories. And the stories we bring home to tell friends and family are much more appreciated than pictures. The pictures…those we can post on social media to praise our ego. But that’s it.

Special shout out to thank all the cooks and chefs that teached me and brought my trip to another level: Chef Yin Boey, Malaika Secret Moksha, Andy Teo, Kashew Cheese, Justin Parke & Srey Pov Haing


 

Más que cruzar fronteras (ES)

¿Alguna vez has pensado por qué te gusta/no te gusta viajar? ¿Qué te gusta o no te gusta cuando viajas?

Este artículo es sobre diferentes maneras de viajar, y cómo viajar significa mucho más que cruzar fronteras.

Tiempos de la adolescencia

Viajar era algo que me encantaba hacer cuando era adolescente. Todos los años, mi hermana y yo, viajábamos con nuestros padres a destinos variados. Como nuestros padres estaban divorciados, viajábamos siempre a dos destinos diferentes. A veces íbamos simplemente a otra parte de Portugal otras veces íbamos al otro lado del mundo. En ese momento, mi participación en la organización del viaje era casi inexistente, todo lo que quería era ir. Sin embargo, sabía más o menos lo que íbamos a ver: los monumentos, los parques, las atracciones turísticas, etc. Compráramos aquellos libros prácticos con guías de la ciudad que nos encaminaban hacia lo que ver/hacer e íbamos marcando un “X” en cada misión cumplida. Estos guías eran muy útiles especialmente porque contenían un mapa de la ciudad en la contra-capa, para el caso de perderse.

Aunque estuviéramos de vacaciones había, la mayoría de las veces, un cierto estrés involucrado. Encontrar el hotel, encontrar un teléfono público para avisar al resto de la familia habíamos llegamos y estaba todo bien, entender la dinámica del transporte público para desplazarse o intentar comunicarnos en idiomas menos conocidos. Todo eso era sinónimo de estrés y sólo ahora con cierta distancia lo puedo reconocer. Quizás, porque cuando estamos en un sitio que no conocemos, tenemos la tendencia para permanecer en modo de alerta, lo que nos hace más vigilantes y menos relajados.

Independiente de cómo viajábamos, siempre sentía gratitud por poder tener esa oportunidad. Tuvimos la posibilidad de ver hermosas playas, parques, atracciones y monumentos, y agradezco mucho a ambos mis progenitores por eso.

Tiempos de joven adulta

A los 20 años, mientras estaba de Erasmus (un programa que facilita la movilidad académica dentro de la UE) en Alemania (por un año), tuve la oportunidad de viajar con una amiga en un “interrail”. Hemos comprado el bono de tren que nos permitía entrar subir en cualquier momento y bajar donde quisiéramos (dentro de cinco o seis países seleccionados). En las mochilas llevábamos calcetines, braguitas y comida. No teníamos muchos planes ni tampoco sabíamos dónde iríamos a dormir. De esta forma estaríamos libres y abiertas a todas las oportunidades que se pudieran presentar en nuestro camino. Hacíamos lo que nos daba la gana y cuando nos hartábamos de una ciudad, subíamos en el tren que nos llevaría al próximo destino. En una semana habíamos estado en cuatro países diferentes – Austria, Eslovaquia, la República Checa y Hungría. Evidentemente vimos cada sítio muy por encima pero lo mejor de todo era la sensación de libertad. Libertad porque el tiempo no existía pues no había nada que hacer por obligación, nadie para encontrar, ningún sitio donde estar a cierta hora. No estábamos dependientes de nada y nada dependía de nosotros.

Por primera vez en mi vida, viajar tenía otro sabor y posibilidades infinitas.

Tiempos diferentes

Cuando vivía en Ámsterdam trabajé algunos años en hostelería y pude conocer varias maneras de viajar. Estaba la gente que llevaba toda su casa en las maletas, la gente que siempre llevaba la mismo porque había perdido las maletas, las personas que casi no salían del bar del hotel, la familia de siete que quería meterse en una habitación de dos, etc. Creo que he visto de todo y tengo historias muy chistosas de esa época.

Una cosa es cierta: no hay manera correcta de viajar. Viajar es solo una manera de uno salir de su zona de confort. Y la zona de confort de cada uno es diferente, para unos para salir basta ir al pueblo más cercano, para otros hay que ir mucho más lejos.

Tiempos recientes

A principios de 2017, mi viaje (sola) empezó en Bali con Nico y una amiga mía, viajamos juntas por dos semanas. Cuando el regreso a casa de ellas se acercaba, empecé a sentirme desamparada y con cierta incertidumbre en esta decisión de viajar sola. Así que decidí inscribirme en clases de cocina indonesia y empezar tan pronto cuanto se marchasen. Aquella semana aprendiendo a cocinar comida tradicional balinesa, de base vegetal y con una chef local, dio un nuevo propósito a mi viaje. A partir de ese momento decidí que iba a cocinar en cada país que visitase, platos tradicionales (veganos), con chefs y cocineros nativos. Y así lo hice. A Indonesia se siguió Tailandia, Malasia, Vietnam y Camboya.

Juntar dos pasiones mías – comida vegana y viajar – dio un nuevo sentido a este viaje. De cierta manera incluso facilitó la elección de los siguientes destinos, ya que estaba un poco dependiente de los cocineros y chefs disponibles para enseñarme. Y encontrar a esos cocineros y chefs no fue una tarea fácil.

Pasar un mes en casa país no significaba cocinar todo el tiempo. En realidad solo tenía cinco o seis clases de cocina con cada chef. El el tiempo que sobraba tenía una relación amor-odio con la gente: o me escondía (como una verdadera introvertida) o socializaba con gente con la que tenía algo en común – personas locales o turistas.

De hecho este reto gastronómico de mi viaje era una forma de conocer mejor cada cultura, y cocinar acabó siendo una muy buena excusa para pasar más tiempo con personas locales. Personas esas que se convertían en amigas que por si vez me presentaban a sus amig@s. En poco tiempo ya estábamos todos quedando para hacer senderismo, cenas y fiestas. Ell@s me conectaban con sus amig@s en otras ciudades, y cuando me movía ya estaba otra vez integrada, incluso estando en el otro lado del mundo.

Con el paso del tiempo, viajar pasó a ser mucho más que ver un monumento, nadar en playas de aguas cristalinas o hacer una foto delante de una escultura. Se convirtió en una experiencia cultural que envuelve a todos los sentidos. Me hizo percibir que son las personas con quienes nos cruzamos en el camino que hacen la diferencia en la experiencia. Me hizo percibir que mi zona de confort no se limita a espacios o distancias, sino a la interacción con las personas.

Nota para tiempos futuros

¿Alguna vez te has preguntado, por qué es tan importante para ti hacer una fotografía frente a un edificio, sólo por el hecho de que se encuentre en otro lugar, lejos de casa? Seguramente todo el mundo lo hace o lo hizo en el pasado, yo incluía (échale un ojo a la imagen que ilustra este artículo). ¿Pero dice eso algo sobre el viaje que has hecho? ¿Y si en lugar de sacar esa foto, escribes sobre las vistas del sitio, o sobre lo que más te gusta en aquella ciudad, cuál es la energía de los habitantes, qué crees del edificio con el que estás a punto de hacer una foto? 

Más aún, ¿por qué no preguntas a una persona local cuál es la historia del edificio? Y si ella no lo sabe, puedes contarle una historia sobre tu edificio preferido en tu ciudad.

Las memorias que tenemos con las personas son lo que hace las buenas historias. Y las historias que traemos a casa, para contar a los amigos y familia, son mucho más valiosas que las fotografías. Las fotografías … esas las podemos publicar en las redes sociales para elevar nuestro ego. Pero es sólo eso.

Un agradecimiento especial a l@s chefs y cociner@s que me enseñaron elevando mi viaje a otro nivel: Chef Yin Boey, Malaika Secret Moksha, Andy Teo, Kashew Cheese, Justin Parke & Srey Pov Haing

The beginning of questioning by Nico

The beginning of questioning (EN)

El principio del cuestionamiento (ES)

O princípio do questionamento (PT)

Capítulo 1. A ponta do iceberg.

No Verão de 2010 sentia-me profundamente vazia e não sabia porquê. Para me animar decidi ir a um festival de Verão colando-me a uma amiga. Liguei-lhe e perguntei-lhe se me podia juntar a ela e aos seus amigos que eu mal conhecia. Tive uma grande surpresa quando percebi que a minha amiga realmente não queria que eu fosse porque, segundo ela, eu era muito stressada, pouco sociável e estava sempre a levantar problemas. Nesse momento o mundo caiu-me aos pés, especialmente quando vi que, exageros à parte, eu realmente era uma chata. Quando desliguei o telefone fiz as primeiras de muitas perguntas: E se eu não quiser mais ser assim? Posso mudar a minha personalidade? Seria mais feliz se fosse menos rezingona e mais relaxada? Nem me dei tempo para me responder, decidi que tinha que experimentar para saber as respostas. Dez minutos depois voltei a ligar à minha amiga e prometi-lhe que ia ser a pessoa mais descontraída do mundo e comecei a sê-lo naquele exacto momento, tanto que ela fez um esforço para acreditar e aceitou levar-me.

Aquele festival foi um dos momentos mais divertidos da minha vida até então. Hoje em dia olhando para trás sei que foi uma das primeiras vezes em que vivi no presente. Lembro-me de momentos chave em que tive que pôr um grande travão à chata que estava habituada a ser e pensar em micro-segundos como reagiria esta nova pessoa que queria tornar-me. Pela primeira vez estava consciente dos meus próprios pensamentos e começava a desconfiar de alguma forma que aquilo (que pensava) não era eu. Tinha mudado tanto que a minha amiga não me reconhecia e estava realmente admirada que eu estivesse a cumprir a minha promessa.

Com o final do festival veio o medo de que tudo voltasse a ser como antes. Sabia que voltando aos mesmos cenários quotidianos de sempre, o mais provável era que eu voltasse à minha versão mais resmungona. Decidi que ia tentar que isso não acontecesse. Mal sabia eu, que aquela pequena grande mudança de atitude perante a vida, acabaria por salvar-me de cair num poço sem fundo apenas umas semanas mais tarde.

Capítulo 2. O grande abanão.

Umas semanas depois soube que a minha mãe tinha um cancro cerebral. Sempre fui muito apegada à minha mãe, ela era o meu porto seguro. O meu maior medo desde pequena era que ela deixasse de estar ali (nem na minha cabeça me atrevia a formular a ideia de morte). Mas a minha nova maneira de ver o mundo desde um prisma menos stressado e mais presente ajudou-me a manter-me à deriva durante todo o pesadelo.

Os “tratamentos” foram avançando e a minha mãe só piorava, cada procedimento só a deixava pior.  Achei que tinha que haver algo mais e comecei a pesquisar tudo o que eram tratamentos alternativos para o cancro. Essas pesquisas levaram-me a estudos bastante convincentes, que defendiam que a carne e o açúcar eram dois grandes alimentadores do cancro e de várias outras doenças crónicas e mortais. – É de recordar que isto aconteceu uns bons anos antes dos malefícios da carne e do açúcar começarem a ser relatados nos meios de comunicação generalistas e nas redes sociais. – De repente o mundo parecía estar de cabeça para baixo. No hospital, a minha mãe era alimentada à base de carne, cereais e farinhas refinados e sobremesas carregadas de açúcar, tudo o que supostamente só servia para alimentar o maldito cancro. E as pessoas que a visitavam não faziam outra coisa que trazer-lhe mais doces e mais carne. A minha mãe já tinha muita dificuldade em comunicar e a comunicação entre os vários membros da família também se foi deteriorando. Eu era muito jovem e não conseguia fazer-me ouvir e o pior é que não conseguia ajudar a minha mãe com aquilo que estava a aprender.

De repente a carne começou a dar-me nojo e essa repulsa fez que eu deixasse de consumi-la. Também reduzi bastante o meu consumo de açúcar – hoje sei que era estupidamente alto. Comecei a sentir melhorias bastante óbvias na minha qualidade de vida. As dores de barriga que tinha frequentemente, e com as quais pensava que teria que viver até ao resto da minha vida desapareceram (mais tarde soube que o meu corpo tinha muita dificuldade para dirigir a carne). Deixei de ter as tonturas matinais que me tinham acompanhado quase toda a vida, e que sei hoje que eram causadas pelo excesso de açúcar. Também deixei de beber leite e as minhas alergias melhoraram bastante (hoje sei que ambas coisas estão relacionadas). Em geral sentia-me com mais energia e comecei a comer coisas que até então odiava. O meu paladar também tinha mudado. Abriu-se todo um novo mundo de sabores com novos vegetais e frutas que até então não tocava.

Começou a desenrolar-se um sem fim de questionamentos. Afinal todos os meus problemas de saúde crónicos se tinham resolvido com algumas mudanças de alimentação? Mas como é que até à data nenhum médico me tinha perguntado o que é que comia se, pelos vistos, a alimentação era tão importante? Porque é que me tinham dado apenas medicação que disfarçava sintomas, sem nunca tentarem resolver a raiz dos problemas?

Entretanto quase um ano tinha passado, a minha mãe continuava a piorar e essas questões começaram a ser cada vez mais dolorosas. O mesmo tipo de medicina à qual ela estava entregue para curar um cancro já tinha provado falhar em a problemas muito mais ligeiros no meu caso.

Uns meses antes do falecimento da minha mãe consegui confrontar uma das suas médicas e percebi que não havia mais esperança (pelo menos da parte dos médicos) mas por outro lado continuavam a dar-lhe quimioterapia, isto fazia ainda menos sentido! Finalmente a minha irmã e eu conseguimos falar com o resto da família e parar os tratamentos de “quimio” que já tinham causado tanto sofrimento à minha mãe e não tinham ajudado em nada.

Capítulo 3. Depois da tempestade.

No final de Julho de 2011 a minha mãe morreu. Não chorei. Não chorei a morte da minha mãe até uns anos depois quando a mãe de uma grande amiga faleceu, e uma profunda empatia desbloqueou os sentimentos com os quais não consegui lidar naquele momento. Naquele momento o sentimento maior foi de alívio. A minha mãe já não estava a sofrer, todas as pessoas implicadas podiam finalmente retomar as suas vidas.

Parte desse “seguir em frente” foi dar um destino à casa em que a minha mãe vivia. Fiquei encarregue de sozinha (nunca me senti tão sozinha) esvaziar a casa onde a minha mãe vivera mais de 20 anos. A casa onde a minha irmã e eu tínhamos crescido e passado toda a nossa infância e adolescência, mas também a casa onde a minha mãe tinha passado os últimos meses de vida, com todas as memórias que tudo isso pode acarretar.

Comecei primeiro pelo meu quarto (era mais fácil desfazer-me das minhas coisas do que de coisas que nunca me tinham pertencido directamente). O meu quarto de adolescente, onde eu já só ficava quando vinha de visita um ou outro fim de semana por mês desde que tinha ido viver para a Lisboa. Além de muitos elementos decorativos e objectos pessoais esquecidos, havia caixas com recordações (diários, postais, bilhetes de cinema e concertos, aquela flor seca que um dos primeiros namorados ofereceu, etc.). Aquilo tudo era para quê? Porque é que eu guardava aquilo? Afinal muitas daquelas coisas, guardadas na tentativa de preservar a memória que elas representavam, já não me diziam nada, a maioria só me faziam lembrar, muito geralmente, que tinha sido ainda mais jovem um dia, mas eu não precisava de recordatórios fechados em caixas para lembrar-me disso. Naquele momento decidi não voltar a acumular tralha sem utilidade practica real. Deitei todas essas “caixas de memórias” fora, encaixotei roupa e  outras coisas para dar e juntei em sacos aquilo que não podia ter outro fim se não o contentor do lixo. A minha irmã já tinha levado tudo o que era importante do seu quarto e deu-me desde Amsterdão (onde estava a viver) luz verde para eu fazer o que quisesse com o resto. Usei para o quarto dela os mesmos critérios que tinha usado para o meu. Esta tinha sido a parte mais fácil.

Faltava o resto da casa. Só que o resto da casa era parte das memórias que eu tinha da minha mãe. Demorei meses a separar coisas, perdi-me em memórias, encontrei tesouros, frustrei-me muito porque o trabalho parecia não ter fim. Vendi moveis, fiz mais caixas com roupa para dar mas principalmente deparei-me com a realidade de que ao longo da vida a maioria das pessoas vai acumulando muita coisa que não precisa. E para quê? Para que é que serve tanta coisa? Tanta roupa, tantos utensílios de cozinha, tantos objectos de decoração, tantos “gadgets”, tanta tralha? Ao final 90% era tralha, quase nada tinha realmente significado nem valor emocional. E vi que eu, na minha casa em Lisboa, estava a fazer o mesmo: a juntar tralha, a rodear-me de mais e mais objectos desnecessários e sem significado. Decidi que não o faria mais.

Quando voltei a Lisboa desfiz-me de literalmente metade das minhas coisas em poucas semanas. Muita gente pensava que tinha enlouquecido. “Como é que consegues dar os teus livros e os teus CDs? Não tens pena?”- perguntavam. Mas eu já sabia que eram só coisas, coisas das quais não precisava. Saiu-me um peso de cima, foi libertador. Tão libertador que foi isso que me permitiu criar asas e finalmente ganhar coragem para ir viver uma experiência fora do país.

 

Acho que estes foram os três momentos chave na minha vida, que me levaram a questionar tudo. Primeiro vieram as questões sobre a personalidade – Eu sou a minha personalidade ou sou algo mais profundo que isso e posso mudar de personalidade e continuar a ser eu?; depois comecei a questionar-me sobre a alimentação (mais tarde essas questões fizeram com que acabasse por me tornar vegan assim como a Tico) e a medicina convencional (no futuro haverão artigos que tocam este assunto com mais profundidade), e finalmente comecei a questionar-me sobre o sentido do materialismo (o que foi o início de um rol de questões que me levaram ao Yoga e a um estilo de vida mais desapegado).  Claro que houveram mais momentos e mais questões, mesmo no meio desses que conto neste artigo. Tod@s temos momentos nos quais nos apercebemos que não podemos simplesmente seguir a manada e fazer o mesmo que @s outr@s fazem só porque é mais fácil. Consegues reconhecer um desses momentos na tua vida? Revês-te nalguma das coisas que conto? E nas que a Tico conta no seu relato? Queres fazer-nos perguntas? Responde ou pergunta através do nosso formulário de contacto.


 

The beginning of questioning (EN)

Chapter 1. The tip of the iceberg.

In the Summer of 2010 I was feeling profoundly empty and didn’t know why. To cheer me up, I thought of going to a Summer festival and join a friend that already had it all figured out. I called her to ask if I could join her and her friends that I didn’t really know very well. I was very surprised to find out that actually my friend didn’t want me to join them because, in her opinion, I was always stressed, not very sociable and couldn’t stop forging problems. In that moment my whole world fell apart, especially when I realised that in fact I could be quite annoying. When I hanged up the phone, my first questions started popping up: What if I don’t want to be that person anymore? Can I change my personality? Could I be a happier person if I was to be less grumpy and more relaxed? I didn’t even allow any time to ponder but instead I decided to put this into practice in order to find out the answers. Ten minutes later, I called my friend again and promised that I would be a much more easy going person. In fact I started to behave more relaxed right away and that’s why she made an effort to believe me and accepted to take me in with her to the festival.

That festival ended up being one of the coolest moments of my life until then. Looking back, I know now that this event was probably one of the first times I experienced living in the present. I recall specific moments in which I had to stop that annoying girl that I used to be and think in a fraction of a second how would this new person I was willing to be react. For the first time I was conscious of my own thoughts and was starting to somehow suspect that that (what I was thinking ) wasn’t me. I had changed so much that my own friend didn’t recognise me and was truly in aw to see that I had kept my promise.

With the ending of the festival came the fear of everything becoming the old same again. I knew that going back to the same daily routine, the grumpy version of myself could come back to life. I was determined to avoid that at all cost. Little did I know that such a change in my attitude towards life would save me from collapsing in a bottomless pit a couple weeks later.

Chapter 2. The big shakeup

A few weeks later, I learned that my mother had a brain cancer. I was always very close to my mom as she was my safe haven. My biggest fear, since I was a little girl, was that one day she wouldn’t be there anymore (I didn’t even formulate the idea of death in my mind). However, my new way of perceiving the world, through a more present and less stressed lens, helped me to keep my head above the water during the whole nightmare that was to come.

The “treatments” kept on going and my mother only got worse and worse with every procedure. It got me thinking that some other alternatives could be out there and I started making my own research on alternative cancer treatments. Those researches took me to some credible studies stating that meat and sugar were the two biggest foods responsible for feeding cancer, among other chronic and terminal diseases. – Reminding that this happened some good years before mainstream allegations regarding meat and sugar being on general and social media. – Suddenly the world seemed to be upside down. At the hospital, my mother’s meals were based on meat, refined cereals as well as full on sugar desserts. All the foods that supposedly only kept feeding the damned cancer. On top of that, the people who visited her would bring more treats and more meat as they didn’t know better. My mother had extreme difficulty communicating with us and the communication with the remaining family members was going down the hill. I was very young and couldn’t get my voice to be heard and the worst part was that I couldn’t help my mom with the things I was learning.

Suddenly, the meat started to seem disgusting to me which made me give up on eating it. I also decreased my consumption of sugar that was incredibly high, I can see now. My life quality improved significantly with those changes. The stomachaches I had frequently disappeared ( later on I found out that my body had great difficulty to digest meat). The dizziness I had most of my mornings also went away. I know now that it was caused by excessive sugar intake. I quit drinking milk and my allergies got much better as well (as those two things are very much linked). In general, I felt more energised and started to eat foods that I couldn’t stand until then. My taste buds had an upgrade. A new world of flavours opened up together with fruits and vegetables that I never got to try.

A never ending questioning started to unfold. After all this time, all my chronic health problems got cured with some food habit changes? How come, no doctor ever asked me what was I eating, if nutrition is something crucial? Why was I given meds that only concealed my symptoms rather then trying to solve the root cause of my problems?

Meanwhile, nearly a year had passed and my mother continued to get worse and those questions of mine only became more painful. The same medicine applied to her, in order to cure the cancer, had already proved to me its failure when it came to much smaller issues.

A couple months prior to my mother’s death, I confronted one of her doctors and understood that there was no more hope for her case (at least from the doctor’s point of view) but even then, they continued to prescribe chemotherapy. Such thing didn’t make sense whatsoever! Finally, my sister and I were able to talk to the rest of the family and stop with the chemo treatments that had caused so much suffering to my mother and never got to help her in any way, shape or form.

Chapter 3. After the storm.

In the end of July 2011 my mother died. I didn’t cry. I didn’t cry the death of my mother until a few years later, when the mother of a very good friend died and a profound empathy unblocked the feelings that I couldn’t deal with in that moment. In that moment all that I could feel was relieve. My mother wasn’t suffering anymore and everyone involved could finally resume their own lives.

Part of that moving on process was to give a destiny to my mother’s belongings. I alone (never felt so alone) was in charge of emptying the house where my  mother lived for 20 years. The house where my sister and I grew up and spent our childhood and adolescence, but also the house where my mother had lived in her last days of life, with all the memories that all of this can entail.

First I started with my own bedroom (it was easier to get rid of my own things rather than other stuff that wasn’t mine). My teenager bedroom, where I would stay when visiting over from Lisbon (sometimes less than a couple weekends a month). Besides lots of decorative items and forgotten personal objects, there were boxes filled with memories (diaries, postcards, concert tickets, that dry flower that one of my first boyfriends once offered). What was all that for? Why did I keep them? After all, many of those things, kept in the attempt to preserve the memory they represented, no longer told me anything. Most of it only reminded me, very generally, that I had been even younger one day, but I didn’t need memories closed in boxes to remind me of this. In that moment I decided I would stop accumulating useless junk. I threw away all those “memory boxes”, I boxed stuff to donate and put in garbage bags everything that couldn’t have another destination besides the trash. My sister had already taken everything that was important from her room and gave the green light for me to do whatever I wanted with the rest. I used for her room the same criteria I had used for mine. This was the easiest part.

The following part was to deal with all the rest. But the rest of the house was a big part of the memories I had of my mother. It took me months to separate things, I lost myself in memories, I found treasures, I became very frustrated because this work seemed never ending. I sold furniture, gathered more boxes with clothes to donate, but mostly I realised that throughout life most people accumulate a lot of stuff that they do not need. And for what? What’s the use of so many things? So much clothing, so many cooking tools, so many decorative objects, so many gadgets, so much stuff? In the end 90% of it was junk, almost nothing had really meaning nor emotional value. And I realised that I was doing the same exact thing in my apartment in Lisbon: gathering stuff, surrounding myself with more and more unnecessary and meaningless objects. I decided I would not do it anymore.

When I got back to Lisbon, I literally got rid of half of my stuff in a few weeks. A lot of people thought I had gone crazy. “How can you give your books and your CDs? Won’t you be sorry?”- They asked. But I already knew it was all just things, things I did not need. A weight came out of my shoulders, it was liberating. So liberating that it was this that allowed me to create wings and finally get the courage to go live an experience out of the country.

 

I think these were the three key moments in my life, which led me to question everything. First came the questions about personality – Am I my personality or am I something deeper than that and can I change my personality while still being me?; then I began questioning about food (later these issues made me become vegan like Tico) and conventional medicine (in the future there will be articles on this subject with more depth). And finally I began to question about materialism (which was the beginning of a series of questions that led me to Yoga and a much more detached lifestyle). Of course there were more moments and more questions, even simultaneously to the ones I expose in this article. We all have moments when we realise that we cannot simply follow the herd and do the same thing that others do just because it’s easier. Can you recognise one of those moments in your life? Do you see yourself in any of it? And what about in Tico’s story? Do you want to ask us questions? Please respond or ask via our contact form.


 

El principio del cuestionamiento (ES)

Capítulo 1. La punta del iceberg.

En el verano de 2010 me sentía profundamente vacía y no sabía el porqué. Para animarme decidí ir a un festival de música. Llamé a una amiga que iba a ir con amigos de ella que yo casi no conocía. Tuve una gran sorpresa cuando me enteré de que mi amiga realmente no quería mi compañía por que yo, en su opinión, era muy estresada, poco sociable y encontraba problemas en todas partes. En ese momento se me cayó el mundo en la cabeza, especialmente cuando entendí que, exageros aparte, yo realmente era muy pesada a veces. Cuando colgué la llamada hice las primeras de muchas preguntas: Y si no quisiera más ser así? Puedo cambiar mi personalidad? Sería más feliz si fuera menos gruñona y más relajada? No me di tiempo para contestar, decidí que que había que probarlo para saber las respuestas. Diez minutos después volví a llamar a mi amiga y le prometí que iba a ser la persona más tranquila del mundo, y empecé a serlo en el mismo momento. Tanto que mi amiga finalmente aceptó que me juntara a ellos.

Aquel festival fue, hasta entonces, uno de los momentos más divertidos de mi vida. Hoy en día mirando hacia detrás se que fue una de las primeras veces en las logré vivir en el presente. Me acuerdo de momentos clave en los que tuve que poner un freno a la chica pesada que estaba acostumbrada a ser, y pensar en micro-segundos cómo reaccionaría esa nueva persona en la que quería transformarme. Por primera vez era consciente de mis propios pensamientos y empezaba a sospechar que de alguna manera aquello (que pensaba) no era yo. Había cambiado tanto que mi amiga casi no me reconocía pero yo era la que estaba más sorprendida.

Con el final del festival vino el miedo de que todo volviera a ser igual que antes. Sabía que volviendo a las mismas situaciones de siempre, lo más probable era que yo volviera a mi versión más gruñona. Decidí que iba a intentar que eso no pasase. Lo que no sabía entonces era que aquel pequeño gran cambio de actitud ante la vida acabaría por salvarme de caer en un pozo sin fondo tan solo unas semanas más tarde.  

Capítulo 2. La gran sacudida.

Unas semanas después supe que mi madre tenía un cáncer cerebral. Estaba muy apegada a mi madre desde siempre, ella era mi puerto seguro. Mi peor miedo desde pequeña era que ella dejara de estar allí (ni en mi cabeza me atrevía a formular la idea de muerte). Pero mi nueva manera de ver el mundo desde un prisma menos estresado y más presente me ayudó a mantenerme a la deriva durante toda la pesadilla.

Los “tratamientos” avanzaban y mi madre solo empeoraba, cada procedimiento solo la dejaba peor. Pensé que tenía que haber algo más y empecé a investigar todo tipo de tratamientos alternativos para el cáncer. Esas búsquedas me llevaron unos estudios bastante convincentes, que defendían que la carne y el azúcar eran dos de los mayores alimentadores del cáncer y de muchas otras enfermedades crónicas y mortales. – Te recuerdo que esto pasó unos buenos años antes de que los malefícios de la carne y del azúcar fueran publicados en los medios de comunicación generalistas. – De pronto el mundo parecía estar patas arriba. En el hospital mi madre era alimentada a base de carne, cereales refinados y postres cargados de azúcar, todo lo que se suponía que alimentaba aún más el maldito cáncer. Además las personas que la visitaban no hacían otra cosa que traerle más dulces y más carne. A mi madre ya le costaba mucho comunicar, y la comunicación entre los demás miembros de la família también se fue deteriorando. Yo era muy joven, no podía hacerme oír y lo peor era que no podía ayudar a mi madre con todo lo que estaba aprendiendo.

De repente la carne empezó a provocarme asco y esa repulsión hizo que dejara de consumirla. También reduje bastante mi consumición de azúcar (hoy se que era estúpidamente alta). Empecé a sentir mejoras bastante obvias en mi calidad de vida. Los dolores de vientre que tenía frecuentemente y con los cuáles ya me había conformado, desaparecieron (más tarde supe que realmente mi cuerpo tenía mucha dificultad para digerir la carne). Dejé de sentir los mareos matinales que me habían acompañado casi toda mi vida (hoy sé que eran causadas por el exceso de azúcar). También dejé de beber leche de vaca y mis alergias mejoraron bastante (hoy se que ambas cosas están relacionadas). En general me sentía con más energía y empecé a comer cosas que hasta entonces odiaba. Mi paladar también había cambiado. Se abrió todo un nuevo mundo de sabores con nuevos vegetales y frutas que hasta entonces no tocaba.  

Empezó a desarrollarse un sinfín de cuestionamientos.¿Al final todos los problemas crónicos de salud que tenía se habían solucionado con algunos cambios en la alimentación? ¿Cómo era posible que hasta entonces ningún médico hubiera preguntado cómo ni el qué comía, si la alimentación era tan importante? ¿Por qué me habían dado medicamentos que sólo disfrazaban los síntomas sin tratar de resolver los problemas desde la la raíz?

Mientras tanto casi un año había pasado, mi madre seguía empeorando y esas cuestiones empezaron a ser cada vez más dolorosas. El mismo tipo de medicina a la que ella estaba sometida para curar un cáncer ya había probado fallar en problemas mucho más ligeros en mi caso.

Unos meses antes del fallecimiento de mi madre pude confrontar a una de sus médicas y percibí que no había más esperanza (al menos por parte de los médicos), pero por otro lado seguían dándole quimioterapia, ¡esto hacía aún menos sentido! Finalmente mi hermana y yo convencimos el resto de la familia que lo mejor sería parar los tratamientos de “quimio” que ya habían causado tanto sufrimiento a mi madre y no habían ayudado en nada.

Capítulo 3. Después de la tormenta.

A finales de Julio de 2011 mi madre murió. No lloré. No lloré la muerte de mi madre hasta unos años después, cuando la madre de una gran amiga falleció y una profunda empatía desbloqueó los sentimientos con los que no logré lidiar en aquel momento. En aquel momento el sentimiento mayor fue el de alivio. Mi madre ya no estaba sufriendo, todas las personas implicadas podían finalmente retomar sus vidas.

Parte de ese seguir adelante fue dar un destino a la casa donde había vivido mi madre. Me quedé sola (nunca me había sentido tan sola)  , de encargada de vaciar la casa donde mi madre había vivido más de 20 años. La casa donde mi hermana y yo habíamos crecido y pasado toda nuestra infancia y adolescencia, pero también la casa donde mi madre había pasado los últimos meses de vida, con todas las memorias que todo eso puede acarrear.

Empecé primero por mi cuarto (era más fácil deshacerme de mis cosas que de cosas que nunca me habían pertenecido directamente). Mi habitación de la adolescencia, en la que ya solo me quedaba un u otro finde al mes, desde cuándo me había ido a vivir a Lisboa. Además de muchos elementos decorativos y objetos personales olvidados, había cajas con recuerdos (diarios, postales, entradas de conciertos, aquella flor seca que uno de los primeros novios regaló, etc.). ¿Para qué servía todo aquello? ¿Por qué lo guardaba? Al final muchas de esas cosas, guardadas en el intento de preservar la memoria que ellas representaban, ya no me decían nada, la mayoría sólo me recordaban, muy generalmente, que había sido aún más joven un día, pero yo no necesitaba recordatorios cerrados en cajas para recordarme de eso. En aquel momento decidí no volver a guardar trastos sin utilidad práctica real. Tiré todas esas “cajas de recuerdos”, metí ropa y otras cosas para donar en cajas, y junté en bolsas aquello que no podía tener otro destino sino el contenedor de la basura. Mi hermana ya se había llevado todo lo que era importante de su habitación y me dio desde Amsterdam (donde estaba viviendo) luz verde para hacer lo que quisiera con el resto. Utilicé para su habitación los mismos criterios que había utilizado para la mía. Esta había sido la parte más fácil.

Faltaba el resto de la casa. Pero el resto de la casa era parte de las memorias que tenía de mi madre. Tardé meses en separar cosas, me perdí en recuerdos, encontré tesoros, me frustré mucho porque el trabajo parecía no tener fin. Vendí muebles y hice cajas con ropa para donar, pero principalmente me encontré con la realidad de que al largo de la vida la mayoría de las personas acumula muchas cosas de las cuales no necesita.  ¿Y para qué? ¿Para qué sirve tanta cosa? ¿Tanta ropa, tantas cosas de cocina, tantos objetos de decoración, tantos aparatos, tantos trastos? Al final el 90% eran trastos,, casi nada tenía realmente significado ni valor emocional. Y vi que en mi casa en Lisboa estaba haciendo lo mismo: acumulando trastos, rodeándome cada vez más de objetos innecesarios y sin sentido. Decidí que no lo haría más.

Cuando regresé a Lisboa me deshice literalmente la mitad de mis cosas en unas pocas semanas. Mucha gente pensaba que me había vuelto majara. “¿Cómo puedes dar tus libros y tus CDs? ¿No te dá lástima?” – preguntaban. Pero yo ya sabía que eran sólo cosas, cosas de las que no necesitaba. Me salió un peso de encima, fue liberador. Tan liberador que fue eso que me permitió crear alas y finalmente ganar coraje para ir a vivir una experiencia fuera del país.

 

Creo que estos fueron los tres momentos clave en mi vida, que me llevaron a cuestionarlo todo. Primero vinieron las preguntas sobre la personalidad – ¿Yo soy mi personalidad o soy algo más profundo que eso y puedo cambiar de personalidad y seguir siendo yo?; después empecé a cuestionarme sobre la alimentación (más tarde esas cuestiones hicieron que acabara por hacerme vegana como Tico) y finalmente empecé a cuestionarme sobre el sentido del materialismo (lo que fue el inicio de un rol de cuestiones que me llevaron al Yoga y a un estilo de vida más desapegado). Claro que hubo más momentos y más cuestiones, incluso en medio de los que cuento en este artículo. Tod@s tenemos momentos en los que nos damos cuenta que no podemos simplemente seguir la manada y hacer lo mismo que l@s demás sólo porque es más fácil. ¿Puedes reconocer uno de esos momentos en tu vida? ¿Te ves en alguna de las cosas que cuento? ¿Y en las que Tico cuenta en su relato? ¿Quieres hacernos preguntas? Responde o pregunta a través de nuestro formulario de contacto.