Why do people get so bothered by those who question everything?

Why do people get so bothered by those who question everything? (EN)

¿Por qué es que las personas que cuestionan todo incomodan tanto a las demás? (ES)

Porque é que as pessoas que questionam tudo incomodam tanto? (PT)

Frequentemente passo por situações nas que sinto (ou me fazem sentir) que estou a incomodar alguém apenas por questionar o que está socialmente estabelecido como normal. Mesmo sem expressar directamente os meus pontos de vista, e muito menos sem antagonizar ninguém, faço (sem intenção) com que algumas pessoas se sintam desconfortáveis apenas com a minha presença, porque me veem fazer escolhas que não encaixam com os padrões aos quais estão habituadas, ou simplesmente porque sabem que vejo o mundo desde outra perspectiva.

Eu aceito e já estou habituada a causar esse desconforto, e até percebo o sentimento de confusão que se apodera dessas pessoas quando estão diante de alguém que pensa de uma maneira tão diferente da sua, nas coisas que consideram mais básicas (como comer, como vestir, como levar a vida profissional, como viver as relações, etc.) e por isso mais inquestionáveis. O problema não é este desconforto normalmente traduzir-se numa certa hostilidade dirigida à minha pessoa. Não, o problema é que se trata geralmente de uma hostilidade cobarde.

O que quero dizer com hostilidade cobarde são coisas como:

  • mandar bocas “para o ar” que não estão “oficialmente” dirigidas à minha pessoa mas que tanto eu como todos os presentes percebemos que era mesmo para mim;
  • dizer coisas com um tom de brincadeira mas com a intenção de deixar-me desconfortável (talvez para fazer-me sentir como el@s se sentem) ou numa posição desagradável;
  • guardar todos os comentários e opiniões sobre a minha pessoa para o momento em que eu viro costas ou falar mal de mim quando não estou presente.

O que todas estas formas de hostilidade têm em comum, e a razão pela qual digo que são gestos cobardes, é que me tiram a possibilidade de me defender. Se respondo a bocas que não estão formalmente dirigidas a mim, ou reajo mal a coisas ditas “na brincadeira” corro o risco de parecer que tenho a mania da perseguição, ou que me ofendo sem razão.  E obviamente o facto de falar de mim nas minhas costas me tira a possibilidade de expor o meu ponto de vista.

Outra coisa que me chateia nisto é o facto de estas pessoas se sentirem ameaçadas pelo simples facto de que alguém fazer as coisas de maneira diferente. Quem me conhece sabe que não costumo dizer às pessoas coisas como: “devias ser vegan@”, “esses sapatos que usas estão a deformar os teus pés, devias usar uns como os meus”, “a felicidade não depende de teres menos problemas, se queres ser uma vítima quando este problema se resolver tu encontrarás outro para te queixares”, “se tens um problema crónico de saúde devias tentar perceber que mudanças no teu estilo de vida poderão ser benéficas com relação a esse problema”, etc.

Não, eu na realidade talvez diga: “sou vegana pelos animais, pela minha saúde e pelo planeta”; “desde que comecei a usar calçado ‘barefoot’ deixei de ter dores nas ancas e nos joelhos”; “sei que este problema irá passar, mas virão outros, e não posso deixar que a minha felicidade dependa disso”; “sinto-me muito melhor desde que deixei de consumir alimentos com glúten, descobri que afinal alguns dos problemas crónicos que tinha estavam relacionados com o seu consumo”. Mas pelos vistos essas pessoas, na cabeça delas, ouvem alguma versão mais parecida às do parágrafo anterior e não o que realmente expresso. Só pode ser essa a razão, certo? Afinal eu não lhes digo que o que fazem está mal, nem opino sobre como o deviam fazer, nem exprimo julgamentos sobre as suas decisões, então porque é que elas reagem como se eu o fizesse?

Desconfio que quem questiona o estabelecido, cria (na cabeça destas pessoas) a possibilidade de questionamento daquilo que antes era inquestionável para elas. Estes questionamentos criam muitas mais hipóteses de escolha que as que haviam anteriormente, mas elas não querem ter que tomar decisões reais nas suas vidas, porque acham que é mais fácil escolher apenas de entre as possibilidades já delimitadas pela sociedade, do que escolher uma das possibilidades criada por elas próprias.

O que acham sobre isto? Compreendem o que quero dizer? Revêem-se nalguma parte deste meu desabafo? Este texto foi escrito exatamente para pedir ajuda com estas questões. Como acham que devo reagir às hostilidades cobardes? Acham que devo ignorar (que é o que tenho vindo a fazer até agora mas realmente não tem ajudado a fazer com que essas hostilidades me deixem de ser dirigidas)? Acham que devo confrontar as pessoas de alguma maneira específica? Acham que há outra razão pela qual faço as pessoas se sentirem desconfortáveis? Que devo mudar algo na maneira como lido com as pessoas? Qualquer ideia é bem vinda!!


 

Why do people get so bothered by those who question everything? (EN)

I often go through situations in which I feel that I am bothering someone just by questioning what is socially established as normal. Even without directly expressing my point of view, let alone without antagonising anyone, I (unintentionally) make some people feel uncomfortable only with my presence, because they see me making choices that do not fit the standards they are used to, or simply because they know that I see the world from a different perspective.

I accept that and am already used to causing this discomfort, and I even understand the sense of confusion that grips these people when they are face to face with someone who thinks in a way so different from theirs about the things they consider most basic (like eating, dressing , how to lead a professional life, how to manage relationships, etc.) and therefore more unquestionable. The problem is not that this discomfort usually translates into a certain hostility directed at me. No, the problem is that it’s usually what I like to call “coward’s hostility”.

What I mean by “coward’s hostility” are things like:

  • dropping hints that are not “officially” addressed to me but everybody else, including myself, know that are actually directed to me;
  • saying things with a joking tone but with the intention of making me uncomfortable (maybe to make me feel like I make them feel) or putting me in an unpleasant position;
  • making comments and giving opinions as soon as I turn my back or speaking ill of me when I am not present.

What all these forms of hostility have in common, and the reason why I say that they are cowardly gestures, is that they take away from me the possibility of defending myself. If I respond to dropped hints that are not formally addressed to me, or I react badly to things said “in jest” I run the risk of seeming to have delusions of persecution, or that I get offended with no reason. And obviously talking about me behind my back makes it impossible for me defend my own opinions.

Another thing that annoys me is the fact that these people feel threatened by the simple fact that someone does things differently. Those who know me can attest that I don’t usually tell people things like “you should become vegan,” “those shoes that you are wearing are deforming your feet, you should use ones like mine,” “happiness does not depend on having fewer problems, if you want to be a victim, when this problem is solved you will find another one to complain about”, “if you have a chronic health problem you should try to understand what changes in your lifestyle could be beneficial for you” etc.

Instead, what I might actually say is: “I am vegan for the animals, for my health and for the planet”; “since I started wearing ‘barefoot’ shoes I stopped having pain in my hips and knees”; “I know this problem will pass, but others will come, and I can’t let my happiness depend on it”; “I feel much better since I stopped consuming foods with gluten, I discovered that after all some of the chronic problems I had were related to gluten consumption.” But apparently these people, in their head, hear a version more similar to the ones on the previous paragraph and not what it actually express. Only that can be the reason, right? At the end of the day, I do not tell them that what they do is wrong, I do not give opinions about how they should do it (unless asked), nor do I express judgments about their decisions, so why do they react as if I do?

I suspect that anyone who questions what is established creates (in the minds of these people) the possibility of questioning what was previously unquestionable for them. These questions create many more possibilities of choice than the ones they had before, but they do not want to have to make real decisions in their lives, because they think it is easier to choose only from the possibilities already delimited by society, than to choose one of the possibilities created by themselves.

What do you think about this? Do you understand what I mean? Do you see yourself in some part of my outburst? This text was written exactly to ask for help with these questions. How do you think I should react to “coward’s hostilities”? Do you think I should ignore (which is what I have been doing so far but it really has not helped to stop these hostilities from being addressed to me)? Do you think I should confront people in some specific way? Do you think there’s another reason why I make people uncomfortable? Or do you think that I should change the way I deal with people? Any ideas are welcome !!


 

¿Por qué es que las personas que cuestionan todo incomodan tanto a las demás? (ES)

A menudo paso por situaciones en las que siento (o me hacen sentir) que estoy molestando a alguien sólo por cuestionar lo que está socialmente establecido como normal. Incluso sin expresar directamente mis puntos de vista, y mucho menos sin antagonizar a nadie, hago (sin intención) con que algunas personas se sienten incómodas sólo con mi presencia, porque me ven hacer elecciones que no encajan con los patrones a los que están acostumbrados o simplemente porque saben que veo el mundo desde otra perspectiva.

Yo acepto y ya estoy acostumbrada a causar esa incomodidad, e incluso entiendo el sentimiento de confusión que se apodera de esas personas cuando están frente a alguien que piensa de una manera tan diferente de la suya, en las cosas que consideran más básicas y por eso más incuestionables (ej: cómo comer, cómo vestir, cómo llevar la vida profesional, cómo vivir las relaciones, etc.). El problema no es esta incomodidad normalmente traducirse en una cierta hostilidad dirigida a mi persona. No, el problema es que se trata generalmente de una hostilidad cobarde.

Lo que quiero decir con hostilidad cobarde son cosas como:

  • mandar recados “al aire” que no están “oficialmente” dirigidos hacia mí pero que tanto yo como todos los presentes percibimos que eran para mí;
  • decir cosas con un tono de broma pero con la intención de dejarme incómodo o en una posición desagradable;
  • guardar todos los comentarios y opiniones sobre mí para el momento en que me vuelvo la espalda o hablar mal de mí cuando no estoy presente.

Lo que todas estas formas de hostilidad tienen en común, y la razón por la que digo que son gestos cobardes, es que me quitan la posibilidad de defenderme. Si respondo a “recados” que no están formalmente dirigidos a mí, o reajo mal a cosas dichas “de broma”, corro el riesgo de parecer que tengo la manía de la persecución, o que me ofendo sin razón. Y obviamente el hecho de hablar de mí en mis espaldas me quita la posibilidad de exponer mi punto de vista.

Otra cosa que me molesta en esto es que estas personas se sienten amenazadas por el simple hecho de que alguien haga las cosas de manera diferente. El que me conoce sabe que no acostumbro decir a las personas cosas como: “deberías hacerte vegan@”, “esos zapatos que usas están deformando tus pies, deberías usar unos como los míos”, “la felicidad no depende de tener menos problemas, si quieres seguir siendo una víctima cuando este problema se solucione tú encontrarás otro para que quejarte “,” si tienes un problema crónico de salud deberías intentar percibir qué cambios en tu estilo de vida podrán ser beneficiosos para ti”, etc.

No, en realidad quizás yo diga: “soy vegana por los animales, por mi salud y por el planeta”; “desde que empecé a usar calzado ‘barefoot’ dejé de tener dolores en las caderas y en las rodillas”; “sé que este problema pasará, pero vendrán otros, y no puedo dejar que mi felicidad dependa de eso”; “me siento mucho mejor desde que dejé de consumir alimentos con gluten, descubrí que al final algunos de los problemas crónicos que tenía estaban relacionados con su consumo”. Pero por lo visto estas personas, en sus cabezas, oyen alguna versión más parecida a las del párrafo anterior y no lo que realmente expreso. Sólo puede ser esa la razón, ¿verdad? Al final yo no les digo que lo que hacen está mal, ni opino sobre cómo lo debían hacer, ni expreso juicios sobre sus decisiones, entonces ¿por qué reaccionan como si yo lo hiciera?

Desconfio que quien cuestiona lo establecido, crea (en las cabezas de estas personas) la posibilidad de cuestionamento de aquello que antes era incuestionable para ellas. Estos cuestionamientos crean muchas más opciones de elección que las que habían anteriormente, pero ellas no quieren tener que tomar decisiones reales en sus vidas, porque creen que es más fácil escoger sólo entre las posibilidades ya delimitadas por la sociedad, en el lugar de elegir una de las posibilidades creada por ellas mismas.

¿Qué piensas sobre esto? ¿Comprendes lo que quiero decir? ¿Te reconoces en alguna parte de este mi desahogo? Este texto fue escrito exactamente para pedir ayuda con estas cuestiones. ¿Cómo crees que debo reaccionar ante las hostilidades cobardes? ¿Creen que debo ignorarlas (que es lo que he hecho hasta ahora, pero realmente no ha ayudado parar las hostilidades)? ¿Crees que debo confrontar a las personas de alguna manera específica? ¿Creen que hay otra razón por la que las personas se sienten incómodas? ¿Qué debo cambiar algo en la forma en que leído con la gente? ¡Cualquier idea es bienvenida!

Walking away from jealousy

Como afastar-se do caminho dos ciúmes (PT)

Cómo alejarse del camino de los celos (ES)

Walking away from jealousy (EN)

While talking to a good friend the other day about her love life, she then said “It’s good to have some jealousy in a relationship” to which I answered “why would you say that?” to what she replies “Well, it means that your partner likes you…”.

The conversation went on and I was in total disagreement with her point of view. However, I knew where she was coming from. I once thought exactly the same! Back then, when I used to think that jealousy was part of a romantic relationship, I never questioned myself to understand why I had this belief. I just had it probably because that’s what I learned.

I remember at early age having jealousy “attacks”, normally because my sister was having more attention from my mother than me in some situation. That feeling of seeking exclusive attention from someone else, without having to share it,  was something very familiar to me. Most of us don’t get to have an explanation of the feelings we are experiencing while growing up. If we feel frustrated we are grounded, if we feel annoyed therefore we are considered ill-behaved and when we feel bored someone gives us another task just so we are entertained again. We end up not knowing why we feel the way we feel.  We end up not knowing why we behave the way we do. We end up not learning how to deal with our feelings. We just get that something is wrong or right with no reason and no explanation. This is something we all have to deal with as kids.

Then we grow up and jump into romantic relationships. Our partner is flirting with another person and here it comes again that same feeling. It’s human, everybody felt this way at some point in their lives. And it’s ok. What today I realise it’s not ok, is the fact that we don’t understand our own feelings so we act according to them without being aware of that.

I can say that when I was in a long-term relationship I was super jealous at some point. It wasn’t much in the beginning surprisingly. But as soon as I suspected of infidelity my “radar” fired up. I started to be this mad person that was always thinking that my boyfriend at the time was surely cheating on me. I couldn’t help it but being in a loop of negative thoughts. Today I know that it wasn’t his problem. It was mine. I was in a very insecure phase in my life and my self-esteem was at a low point. Because of this, I obviously thought that every girl was more interesting, more beautiful and in better shape than me. Today I think much clearly (perhaps because I’m not in that situation right now) and with this distance I know that whatever your partner wants to do they will end up doing it anyway. It is not because you’re jealous that it will stop the other person from cheating, flirting or doing something else. And being jealous will not make your partner feel more loved.

Plus, jealousy is something super selfish. If you love someone, you probably want the best for them and want them to be happy. If you can deeply understand that, you will see that you will become more relaxed. It doesn’t mean that cheating is something right, which I think it is definitely not! But the other person’s actions are out of our control and it is just healthier to let them go when they need to, because we love them and want the best for them, instead of monitoring every single action.

Why is that we feel jealous when our loved one is giving more attention to someone at certain moment? Is it connected to our state of mind at that moment? Is it related to past traumas? Can we learn to deal with it?

Getting back to where this article started, I deeply believe that your partner doesn’t need to be jealous in order for you to feel loved, nor vice-versa. Because jealousy comes from a self-centered mindset, it can be observed, recognized and then released. It needs some training because the neurotransmitters inside our brains love to go always through the same pathways, and those pathways are very worn out so it’s easier to “walk” on them instead of going through a new track full of weeds. But if we try to walk on the new path, we will trample on the weeds and they will eventually disappear and form another firm pathway.  This is a straightforward analogy to explain that if we choose to have thoughts that will propagate our feelings of jealousy (walking on the worn out path) we will end up in a loop of instability. If, on the other hand, we decide to observe the feeling, understand where it is coming from and then move one to a more positive mindset (walk on a new pathway) we will start to train our brain to demystify that feeling. After some time, we will eventually stop going through the old path and instead choose the new one.

“Nothing is more capable of troubling our reason, and consuming our health, than secret notions of jealousy in solitude.” –  Aphra Behn

Como afastar-se do caminho dos ciúmes (PT)

Um dia destes, enquanto falava com uma grande amiga sobre os seus amores e desamores, ela diz “É bom haver alguns ciúmes numa relação”, ao que eu respondi “Porque é que dizes isso?” e de seguida diz ela “Então significa que o teu parceiro gosta de ti…”.

A conversa continuou e eu estava em pleno desacordo com o seu ponto de vista. Ainda assim, percebi a sua forma de pensar. Não há muito tempo eu pensava o mesmo! Nessa altura, quando pensava que os ciúmes eram algo intrínseco numa relação amorosa, não me questionava sobre porque pensava assim. Provavelmente porque foi o que aprendi.

Lembro-me que, quando era bem miúda, tinha “ataques” de ciumeira, normalmente por ver que a minha irmã estava a receber mais atenção do que eu, por parte da minha mãe, num momento específico. Aquele sentimento de querer que a atenção de alguém seja exclusivamente dirigida para nós, sem termos que a dividir, era algo muito familiar para mim. A maioria de nós não recebe uma explicação sobre os sentimentos que experienciamos enquanto crescemos. Se nos sentimos frustrad@s somos posto@s de castigo, se nos sentimos irritado@s então somos considerad@s mal-comportad@s e quando estamos aborrecid@s alguém nos dá uma tarefa, para que fiquemos entretidos mais uma vez. Acabamos assim por não compreender o porquê de nos comportarmos de determinada forma e por não aprender a lidar com os nossos sentimentos. Acabamos por não entender porque nos sentimos como sentimos. Apenas percebemos que algo é considerado certo ou errado, sem nenhuma razão ou explicação. Isto é algo com o qual tod@s temos que lidar quando somos crianças.

Depois crescemos e metemo-nos em relações amorosas. Quando @ noss@ parceir@ parece estar a flertar com outra pessoa lá vem aquele sentimento outra vez. É humano, toda a gente já o sentiu alguma vez na vida. E não faz mal. O que eu hoje reconheço que “faz mal” é que não percebemos os nossos próprios sentimentos e agimos com base neles sem nos darmos conta muitas vezes.

Posso dizer que, quando tive numa relação duradoura, fui muito ciumenta a certa altura. Curiosamente não foi na fase inicial. Mas assim que tive suspeitas de infidelidade, o meu “radar” disparou. Comecei a ser uma pessoa neurótica que pensava frequentemente que estava a ser traída pelo namorado. Eu não conseguia evitar estar naquele ciclo vicioso de pensamentos negativos. Mas hoje sei que o problema não era dele. Era meu. Eu é que estava numa fase muito insegura da minha vida e com a auto-estima muito em baixo. Por essa razão, pensava que qualquer rapariga era mais interessante, mais bonita e estava em melhor forma física do que eu. Hoje os meus pensamentos são bem mais claros (talvez por já não estar nessa situação) e com esta distância sei que a outra pessoa vai acabar por fazer o que quiser, seja como for. Não é pelo facto de teres ciúmes que isso irá impedir a outra pessoa de te trair, flertar ou fazer o que quer que seja. Também não é por teres ciúmes que vais fazer com que a pessoa com quem estás numa relação se sinta mais amada.

Além disso os ciúmes são algo muito egoísta. Se amas alguém, provavelmente queres o melhor para essa pessoa e que seja feliz. Se conseguires compreender isso profundamente, vais ver que vais ficar mais relaxad@. Não quer dizer que trair é algo correcto, acredito definitivamente que não o é! Mas as acções da outra pessoa estão fora do nosso controle e é mais saudável deixá-la ir quando for necessário, porque a amamos e queremos o melhor para ela, em vez de quer tê-la presa a nós e vigiar todos os seus movimentos.  

Porque é que sentimos ciúmes quando achamos que a pessoa que amamos está a dar mais atenção a outra? Estará relacionado com o nosso estado de espírito naquele momento? Estará relacionado com traumas passados? Podemos aprender a lidar com isso?

Voltando ao ponto de partida deste artigo, acredito profundamente que a pessoa com a qual tens uma relação amorosa não tem que ter ciúmes para que tu te sintas amad@, ou vice-versa. Já que os ciúmes fazem parte do ego, podem ser observados, reconhecidos e depois libertados. É preciso algum treino pois os neurotransmissores no nosso cérebro adoram “percorrer” repetidamente os mesmos caminhos, e esses caminhos são de terra batida, daí ser mais fácil andar por eles em vez de escolher caminhos novos e cheios de vegetação. Mas se tentarmos andar num caminho novo, começamos a espezinhar as ervas e elas eventualmente desaparecerão e darão origem a um novo caminho delineado. Esta é uma analogia para explicar que se escolhermos pensamentos que vão propagar os nossos sentimentos – ciúmes neste caso (andar no caminho gasto) acabamos num ciclo de instabilidade. Se, por outro lado, decidirmos observar o sentimento, compreender de onde vem e daí partir para pensamentos mais positivos (andar no novo caminho por desbravar), começamos a treinar o nosso cérebro para desmistificar os sentimentos. Depois de algum tempo, começamos a escolher os novos caminhos mais vezes e paramos de ir pelos velhos.

“Nada é mais capaz de perturbar a nossa razão, e consumir a nossa saúde, do que pensamentos secretos de ciúme em solidão” – Aphra Behn

 

Cómo alejarse del camino de los celos (ES)

Un día de estos, mientras hablaba con una gran amiga sobre sus amores y desamores, ella dijo: “Es bueno tener algunos celos en una relación”, a lo que yo contesté: “¿Por qué dices eso?”, y ella: “Pues porque significa que tu pareja te quiere … “.

La conversación continuó y yo seguía sin estar de acuerdo con su punto de vista. Sin embargo, percibí su forma de pensar. ¡Hace poco tiempo eu pensaba lo mismo! En ese momento, cuando pensaba que los celos eran algo intrínseco de una relación amorosa, no me cuestionaba  sobre porque pensaba aquello. Probablemente porque fue lo que aprendí.

Recuerdo que cuando era muy pequeña, tenía “ataques” de celos, normalmente por ver que mi hermana estaba recibiendo más atención que yo, por parte de mi madre, en un momento específico. Aquel sentimiento, de querer que la atención de alguien sea exclusivamente dirigida hacia nosotros, era algo muy familiar para mí. La mayoría de las nosotr@s no recibimos una explicación sobre los sentimientos que experimentamos mientras crecimos. Si nos sentimos frustrad@s somos castigad@s, si nos sentimos irritados somos considerados mal comportados y cuando estamos aburridos alguien nos dan alguna tarea para que nos estemos entretenidos una vez más. Y así acabamos por no comprender el porqué de comportarnos de determinada forma y ni aprendemos a lidiar con nuestros sentimientos. Acabamos por no entender por qué nos sentimos de cierta manera Sólo percibimos que algo está considerado correcto o incorrecto, sin ninguna razón o explicación. Esto es algo con lo que tod@s tenemos que lidiar cuando somos niños.

Después crecimos y nos metemos en relaciones amorosas. Cuando nuestra pareja parece estar coqueteando con otra persona ya viene esa sensación otra vez. Es humano, todo el mundo lo ha sentido alguna vez en la vida. Y no pasa nada. Lo que hoy reconozco como negativo es que no percibimos nuestros propios sentimientos y actuamos con base en ellos muchas veces sin darnos cuenta.

Hace algún tiempo, cuando tuve una relación duradera, fui muy celosa en un determinado momento de esa relación. Curiosamente no fue en la fase inicial. En el momento en el que tuve sospechas de infidelidad, mi “radar” disparó. Comencé a ser una persona neurótica que pensaba a menudo que estaba siendo traicionada por el novio. No podía evitar estar en ese círculo vicioso de pensamientos negativos. Pero hoy sé que el problema no era de él. Era mío. Yo estaba en una fase muy insegura de mi vida y con la autoestima muy baja. Por esa razón, pensaba que cualquier chica era más interesante, más bonita y estaba en mejor forma física que yo. Hoy mis pensamientos son mucho más claros (quizá por no estar en esa situación) y con esta distancia sé que la otra persona terminará haciendo lo que quiera, sea como sea. No es por el hecho de que tengáis celos que eso impedirá a la otra persona de traerte, coquetear o hacer lo que sea. También no es por tener celos que vas a hacer que la persona con quien estás en una relación se sienta más amada.

Además, los celos son algo muy egoísta. Si amas a alguien, probablemente quieres lo mejor para esa persona y que sea feliz. Si logras comprender eso profundamente, verás que vas a estar más relajad@. No quiere decir que traicionar sea algo correcto, creo definitivamente que no lo es. Pero las acciones de la otra persona están fuera de nuestro control y es más saludable dejarla ir cuando sea necesario, porque la amamos y queremos lo mejor para ella, en vez de querer tenerla presa a nosotros y vigilar todos sus movimientos.

¿Por qué sentimos celos cuando creemos que la persona que amamos está dando más atención a otra? ¿Está relacionado con nuestro estado de ánimo en aquel momento? ¿Estará relacionado con traumas pasados? ¿Podemos aprender a lidiar con eso?

Volviendo al punto de partida de este artículo, creo profundamente que la persona con la que tienes una relación amorosa no tiene que tener celos para que te sientas amad@, o viceversa. Ya que los celos forman parte del ego, pueden ser observados, reconocidos y luego liberados. Es necesario algún entrenamiento pues los neurotransmisores en nuestro cerebro adoran “recorrer” repetidamente los mismos caminos, y esos caminos son de tierra batida, de ahí ser más fácil andar por ellos en vez de elegir caminos nuevos y llenos de vegetación. Pero si intentamos caminar en un camino nuevo, empezamos a pisotear las hierbas y eventualmente desaparecerán y darán lugar a un nuevo camino delineado. Esta es una analogía para explicar que si elegimos pensamientos que van a propagar nuestros sentimientos – celos en este caso (caminar en el camino gastado) acabamos en un ciclo de inestabilidad. Si, por otro lado, decidimos observar el sentimiento, comprender de dónde viene y partir a pensamientos más positivos (caminar en el nuevo camino por desbravar), empezamos a entrenar nuestro cerebro para desmitificar los sentimientos. Después de algún tiempo, empezamos a escoger los nuevos caminos más veces y dejamos de ir por los viejos.

“Nada es más capaz de perturbar nuestra razón, y consumir nuestra salud, qué pensamientos secretos de celos en soledad” – Aphra Behn

 

When your body talks to you

When your body talks to you. (EN)

Cuando tu cuerpo habla contigo. (ES)

Quando o teu corpo fala contigo. (PT)

Ouves o teu corpo? O que te diz? Quando tens um problema (uma dor, uma doença, uma sensação física estranha, etc.) percebes o que te quer dizer?

Tem sido uma verdadeira benção começar a ouvir e a entender o meu corpo ao longo dos últimos anos. Antes de ter começado a ouvir o meu corpo sentia muitas vezes que ele era meu inimigo. Quando estava doente, enjoada ou com alguma dor pensava coisas como: “que chatice”, “porquê eu?”, “ficar doente agora não dá jeito nenhum”, “mas agora qual é o problema?”. E lá ia queixar-me ao médico, ou tomar aqueles medicamentos que estão sempre ao alcance. Mas na realidade nunca pensava no que era que o meu corpo me estava a querer dizer.

No meu primeiro artigo falei de como tive, durante muitos anos, frequentes enjoos matinais. Despertava com uma enorme sensação de fraqueza e quando me levantava tinha de me sentar ou deitar imediatamente. Até que bebesse água com açúcar o enjoo não passava e cheguei até a desmaiar. Tinha me queixado das tonturas matinais a vários médicos ao longo dos anos e todos diziam que isso era falta de açúcar no sangue e que devia comer algo doce à noite antes de dormir. Quem leu esse artigo talvez se lembre que mais  tarde descobri que na verdade o problema era exactamente o contrário. Na realidade aqueles enjoos matinais não eram nada mais que o meu corpo a alertar-me para o facto de que tinha que parar com o consumo exagerado de açúcar refinado. Olhando para trás não gosto nem de imaginar o que poderia ter acontecido se tivesse ignorado esses sinais durante muito mais tempo.   

Desde muito pequena que sofro com o “flagelo” do herpes labial. Não me lembro de existir sem episódios mais ou menos frequentes de “herpes simplex” a acontecerem no meu lábio superior. Sempre relativamente ao centro de maneira que, às vezes, quando a inflamação piorava, eu ficava com o lábio a tocar na ponta do nariz. Estas crises sempre mexeram muito com a minha auto-estima e com a minha qualidade de vida. Quando tinha uma crise de herpes não tinha vontade nem de existir. A dor física misturada com comichão que o vírus provoca, aliada ao inchaço e à erupção de pus amarelo, que se traduz visualmente em algo bastante nojento, faziam com que falar e comer fosse um tormento, e com que sair de casa e expor-me aos olhares das outras pessoas parecesse um pesadelo. Mas a verdade é que acontecia demasiadas vezes para que a minha vida normal pudesse realmente parar cada vez que tinha uma crise. Fui bastantes vezes ao médico por causa de crises de herpes que pareciam não ter fim. Os médicos nunca me deram muita esperança de que alguma vez pudesse controlar os episódios de herpes, receitavam os típicos anti-virais em comprimido ou em pomada e diziam-me que não havia nada mais a fazer.  

Desde à uns anos para cá, comecei a tentar observar a relação que o herpes tinha com o meu humor e estado mental, com a minha alimentação, e com o meu ciclo menstrual.

Desde que tive o período pela primeira vez, lá para os 13 anos de idade, lembro-me de ter dores menstruais lancinantes. Essas dores diminuíram um pouco durante os anos em que tomei a pílula anticoncepcional e voltaram em força quando deixei de a tomar. Durante cerca de três ou quatro horas, no primeiro dia do meu ciclo, ficava completamente incapacitada pela dor. Não conseguia nem pensar, estar de pé ou sentada era muito difícil, tinha enjoos, tonturas e calafrios, muitas cólicas, diarreia, sentia todo o corpo dorido, a vulva inchada, as pernas pesadas. Passava essas horas entre a casa de banho e o sofá, enrolada em posição fetal. Mais uma vez os médicos não ajudaram muito, a pílula anticoncepcional era a única solução apontada e os medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios eram receitados para “poder fazer uma vida normal”.

Há algum tempo comecei também a perguntar-me se realmente teria que viver com aquelas dores mensais até à menopausa. Comecei a ler sobre o assunto e também a falar sobre isso com a minha irmã, especialmente a partir do momento em que ela começou a estudar nutrição holística.

Voltando à questão do herpes. Percebi que o herpes “aparecia” sobretudo se pelo menos dois destes factores se juntavam:

  • Ter momentos de grande stress emocional, como discussões, ter que tocar em temas sensíveis com alguém importante para mim, ou quando algo me causa muita vergonha ou sensação de desmerecimento;  
  • Consumir grandes quantidades de chocolate ou frutos secos e sementes (ou a junção de todos);
  • Estar no final do ciclo menstrual (fase lútea).

Além disso percebi que normalmente o meu estado de ânimo piorava bastante no final do ciclo menstrual, o que fazia com que nessa altura os momentos de stress emocional também fossem mais propícios.

As coisas começaram a fazer ainda mais sentido quando a Tico me comentou que tinha aprendido nas aulas dela, que a ativação do herpes e o seu agravamento, estavam bastante relacionados com um aminoácido chamado arginina. O que ela me explicou, e que eu depois pude verificar através de artigos científicos online, foi que este aminoácido é necessário para a expressão das funções do vírus, ou seja essencial para que o vírus latente desperte e se manifeste (quem tem herpes vive com ele no estado latente até que volta “a aparecer”, e quando a lesão se cura o vírus volta ao estado adormecido). Por outro lado existe um aminoácido análogo à arginina, a lisina, que ajuda na supressão do vírus. A lisina é reconhecida pelo vírus como se fosse arginina mas ao contrário da segunda não possibilita a sua multiplicação.

Nesse sentido, tanto como forma de prevenção como de luta contra o herpes, a alimentação é muito importante. Pois tanto a arginina como a lisina se encontram em doses maiores ou menores na maioria dos alimentos. – Talvez seja também importante referir que embora estes dois aminoácidos sejam muito importantes para o normal e saudável funcionamento do organismo, apenas a lisina é considerada um aminoácido essencial (não é produzida no corpo humano tendo que se obter do exterior, através da alimentação ou suplementação), pois a arginina pode sintetizada endogenamente por humanos saudáveis. – Por exemplo o chocolate, o coco, os frutos secos e as sementes têm uma grande quantidade de arginina e muito pouca lisina. Por outro lado a beterraba, a maçã, a manga, o abacate, os figos e os pêssegos, entre outras frutas e vegetais têm grandes quantidades de lisina e menores quantidades de arginina.

Como os episódios de manifestação do herpes me acontecem maioritariamente durante os 12 dias antes do período decidi, nessa fase do meu ciclo, cortar com os alimentos que aportavam grandes doses de arginina e baixas de lisina e, para ajudar na prevenção, comprei um suplemento de lisina para tomar caso achasse que as possibilidades de despertar o herpes (por causa de algum pico de stress imprevisto) tivessem aumentado nalgum momento específico.

O resultado com relação à prevenção do herpes tem sido extraordinário. Vão fazer 5 meses que comecei esta experiência e tenho conseguido manter o vírus adormecido.

Mas o melhor é que esta simples mudança cíclica de alimentação também veio apaziguar as minhas dores menstruais. Entretanto andei a pesquisar sobre isso e, apesar de não haver muita informação científica disponível, parece que o consumo de frutos secos e sementes (e neste caso o seu não consumo) podem ajudar a reequilibrar os desequilíbrios hormonais que podem ser a causa de oscilações de humor e menstruações dolorosas.

Resumindo, mais uma vez, ao ouvir o meu corpo, não só aquilo o que ele me diz fisicamente mas também as expressões físicas dos meus estados emocionais, e ao analisar a minha alimentação e redesenhá-la, consegui melhorar bastante a minha qualidade de vida no que diz respeito a estes dois problemas crónicos, tudo isto sem a ajuda de medicamentos nem de médicos.

No outro dia veio-me um velho e recorrente pensamento à cabeça: “Que bom que seria que pudesse curar o raio do herpes definitivamente”.  Mas surpreendentemente outro pensamento se seguiu: “Não, na realidade não. Na verdade o herpes é uma das maneiras que o meu corpo tem de me dizer que estou a fazer algo mal. Quando me apercebo que o meu herpes labial está a ponto de despontar (quem o tem sabe que uma sensação muito particular, como um ardor localizado, precede o primeiro sinal visível) já sei que é porque me estou a deixar levar pelo stress e pelos pensamentos negativos, se não fosse esse aviso quem sabe os danos que poderia provocar até que o corpo me desse outro sinal mais forte.

Estas não foram as únicas vezes que o meu corpo me disse que algo não estava bem e eu ouvi. Mas basta uma ou duas para ilustrar o como a minha vida mudou quando percebi que uma dor não é o corpo “a ser chato” mas sim a ser o meu melhor companheiro.

Espero não ter sido eu a chata com tantos detalhes técnicos ou pouco agradáveis, o meu objectivo com este texto não é mais do que empoderar-te para ouvir o teu corpo e procurar soluções a longo prazo, sem riscos nem efeitos secundários, para os teus próprios problemas de saúde.

Escuta o teu corpo. Sentes alguma coisa fora do comum? Sentes algo que já vem sendo habitual mas que sabes que não é normal? O que vais fazer quanto a isso? Meter tudo para baixo do tapete com um remédio rápido mas de curta duração? Ou vais parar para ouvir realmente, dialogar com o teu corpo, analisar os teus comportamentos e investigar o que podes fazer para solucionar o problema?


 

When your body talks to you. (EN)

Do you listen to your body? what does it tell you? When you have a problem (a pain, a disease, an odd physical sensation, etc.) do you understand what it wants to tell you?

It has been a real blessing to start listening and understanding my body throughout the last few years. Before I started to listen to my body I used to feel that it was my enemy.  When I was hill, sick to my stomach or having any ache I used to think: “what a pain in the ass”, “why me?”, “this is the worst timing to be sick!”, “what is wrong with me now?”. And there I was complaining to the doctor or taking those meds that are very accessible. In truth I never thought of what my body was trying to tell me.

In my first article I wrote about my frequent morning sickness that went on for many years. I would wake up with a huge weakness sensation and when standing up, I would have to seat or lay down immediately. I even passed out at times and this sickness would only go away after drinking sugar water. Over the years I had complaint to several doctors about my dizziness and all of them said the same, that it was low blood sugar and therefore I should eat something sweet at night before bed time. Whoever read that article might recall that later I found out that in truth the problem was the exact opposite. The morning sickness was indeed my body trying to alert myself for the fact that I was consuming way too much refined sugar. Looking back I can’t imagine what might have happened if I had ignored those symptoms for a longer period of time.

Since I was a little child that I suffer with cold sores. Since I can remember I always had those episodes more or less frequent of herpes simplex, in my upper lip. Right in the center of my lip which sometimes, when the inflammation got worse, my lip would touch the tip of my nose. Those flares always disturbed my self-esteem and quality of life. I didn’t even feel like being alive once a herpes flare started to show up. The physical pain mixed up with the itchiness provoked by the virus, plus the swelling and the yellow pus outbreak (that visually turns out pretty disgusting), would make eating or talking a real torment, and leaving the house to get exposed to prying eyes seemed like a nightmare. Actually, this would happen so often that my regular life couldn’t stop every time a herpes outbreak would start. I’ve seen the doctor many times due to this attacks that seemed to be endless. Doctors never gave me any hope to believe that those episodes would ever be in control, they would prescribe the standard antiviral pills or ointment and just say that there wasn’t anything else that could be done.

Since a few years ago, I began observing the relationship between the cold sores and my mood and state of mind, with my diet and with my menstrual cycle.

Since when I had my first period, I think by the age of 13, I remember having harrowing menstrual cramps. These pain subsided a little during the years I took the contraceptive pill and came back when I stopped taking it. For about three or four hours, on the first day of my cycle, I was completely incapacitated by the pain. I couldn’t even think, standing or sitting was very difficult, I had nausea, dizziness and chills, many cramps, diarrhea, my whole body ached, my vulva felt swollen and my legs heavy. I would spend these hours between the bathroom and the sofa, rolled up in fetal position. Again the doctors did not help much, the contraceptive pill was the only solution pointed out and the analgesic and anti-inflammatory drugs were prescribed to “be able to lead a normal life.”

Some time ago I also began to wonder if I really would have to live with those monthly aches until reaching the menopause. I started reading about it and also talking about it with my sister, especially from the time she started studying holistic nutrition.

Back to the herpes subject. I noticed that cold sores “appeared” especially if at least two of these factors happened:

  • Having moments of great emotional stress, such as fights and arguments, having to touch sensitive subjects with someone important to me, or when something causes me a lot of embarrassment or a sense of unworthiness;
  • Consuming large quantities of chocolate or nuts and seeds (or the mix of it all);
  • Being at the end of the menstrual cycle (luteal phase).

Besides this, I realised that my mood usually got worse at the end of the menstrual cycle, which also made the emotional stress moments more propitious.

Things started to make even more sense when Tico told me that she had learned in her classes that herpes activation and its aggravation were closely related to an amino acid called arginine. What she explained to me, and which I later verified through online scientific articles, was that this amino acid is necessary for the expression of virus functions, meaning that it is essential for the latent virus to awaken and manifest itself (whoever has herpes lives with it latently until it bursts again, and when the lesion heals the virus returns to its dormant state). On the other hand there is an amino acid analogous to arginine, this one named lysine, which helps in suppressing the virus. Lysine is recognised by the virus as if it were arginine but unlike the second it does not allow its multiplication.

In this sense, nutrition is very important when it comes to prevention and fighting herpes. Because both arginine and lysine are found in higher or lower doses in most foods. – It may also be important to note that although these two amino acids are very important for the normal and healthy functioning of the body, only lysine is considered to be an essential amino acid (it is not produced by the human body and has to be obtained through food or supplements), since arginine can be synthesized endogenously by healthy humans. – For example, chocolate, coconut, nuts and seeds have a large amount of arginine and very little lysine. On the other hand beets, apples, mangoes, avocados, figs and peaches, among other fruits and vegetables have large amounts of lysine and smaller amounts of arginine.

Since my herpes outbreaks occur mostly during the 12 days before menstruation, I decided to cut back on foods that had large doses of arginine and low lysine, at this stage of my cycle, and to help with prevention I got a lysine supplement to take if I thought that the chances of a cold sore bursting (because of some unforeseen peak of stress for example) had increased in some specific moment.

The result regarding herpes prevention has been extraordinary. It has been close to 5 months since I started this experiment and I have managed to keep the virus at bay.

But the best thing is that this simple cyclical shift in the foods I eat has also come to appease my menstrual cramps. In the meantime I have been researching this, and although there is not much scientific information available, it seems that the consumption of nuts and seeds (and in this case their non-consumption) can help to rebalance the hormonal imbalances that may be the cause of oscillations of mood and painful periods.

Summing up, once again, by listening to my body, not only what it tells me physically but also the physical expressions of my emotional states, and by analysing my diet and redesigning it, I was able to improve my quality of life a lot with regard to these two chronic problems, all without the help of medicines or doctors.

The other day an old recurring thought came to me: “It would be so nice if I could cure the damn herpes for good.” But surprisingly another thought followed: “No, not really. In fact cold sores are one of the ways my body has to tell me that I am doing something wrong. When I realize that my cold sores are on the verge of emerging (whoever has them knows that a very particular sensation, like a localised burning, precedes the first visible signs) I already know that it is because I am letting myself go with stress and negative thoughts, if it had not been for this warning who knows the damage it could cause until the body gave me another stronger warning.

These were not the only times my body told me that something was not right and I heard it. But I guess just one or two are enough to illustrate how my life changed when I realised that pain is not my body being “a jerk” but rather being my best friend.

I hope I have not been too boring with so many technical or unpleasant details, my goal with this text is to empower you to listen to your body and look for long-term solutions, without risks or side effects, for your health problems.

Listen to your body. Do you feel anything out of the ordinary? Do you feel something that is already usual but you know it is not normal? What are you going to do about it? Put everything underneath the carpet with a quick but short-lasting remedy? Or are you going to stop to really listen and dialogue with your body, analyse your behaviours and investigate what you can do to solve the problem?


 

Cuando tu cuerpo habla contigo. (ES)

¿Oyes tu cuerpo? ¿Qué te dice? Cuando tienes un problema (un dolor, una enfermedad, una sensación física extraña, etc.) te das cuenta de lo que quieres decir?

Ha sido una verdadera bendición empezar a escuchar y entender mi cuerpo a lo largo de los últimos años. Antes de haber comenzado a oír mi cuerpo sentía muchas veces que él era mi enemigo. Cuando estaba enferma, mareada o con algún dolor pensaba cosas como: “que desastre”, “¿por qué yo?”, “ponerme enferma ahora no me va nada bien”, “¿pero ahora cuál es el problema?”. Y luego me iba a quejarme al médico, o tomaba esos medicamentos que están siempre al alcance. Pero en realidad nunca pensaba en lo que mi cuerpo me quería decir.

En mi primer artículo hablé de cómo tuve, durante muchos años, frecuentes mareos matutinos. Despertaba con una enorme sensación de debilidad y cuando me levantaba tenía que sentarme o acostarme inmediatamente. Hasta que bebiera agua con azúcar el mareo no pasaba y llegué hasta a desmayarme. Me quejé de los mareos matutinos a varios médicos a lo largo de los años y todos decían que aquello era falta de azúcar en la sangre y que tenía que comer algo dulce por la noche antes de dormir. Quienes han leído este artículo quizás recuerden que más tarde descubrí que en realidad el problema era exactamente lo contrario. En realidad, esos mareos matinales no eran más que mi cuerpo advirtiéndome del hecho de que tenía que parar con el consumo exagerado de azúcar refinado. Mirando hacia atrás no me gusta ni imaginar lo que podría haber ocurrido si hubiera ignorado esas señales durante mucho más tiempo.

Desde muy pequeña que sufro con el “flagelo” del herpes labial. No recuerdo mi existencia sin episodios más o menos frecuentes de “herpes simplex” ocurriendo en mi labio superior. Siempre relativamente al centro de manera que, a veces, cuando la inflamación empeoraba, el labio me llegaba a tocar la punta de la nariz. Estas crisis siempre se han bajado mucho mi autoestima y mi calidad de vida. Cuando tenía una crisis de herpes no tenía ganas ni de existir. El dolor físico mezclado con picor que el virus provoca, aliado a la hinchazón y la erupción de pus amarillo, que se traduce visualmente en algo bastante asqueroso, hacían que hablar y comer fuera un tormento, y que salir de casa y exponerme a las miradas de las otras personas pareciera una pesadilla. Pero la verdad es que sucedía demasiadas veces para que mi vida normal pudiera realmente parar cada vez que tenía una crisis. Fui bastantes veces al médico a causa de crisis de herpes que parecían no tener fin. Los médicos nunca me dieron mucha esperanza de que alguna vez pudiera controlar los episodios de herpes, recetaban los típicos anti-virales en comprimido o en crema y me decían que no había nada más que hacer.

Desde hace unos años, empecé a observar la relación que el herpes tenía con mi estado de ánimo y estado mental, con mi alimentación, y con mi ciclo menstrual.

Desde que tuve la regla por primera vez, creo que a los 13 años, me acuerdo de tener dolores menstruales lancinantes. Estos dolores disminuyeron un poco durante los años en que tomé la píldora anticonceptiva y volvieron en fuerza cuando dejé de tomarla. Durante cerca de tres o cuatro horas, en el primer día de mi ciclo, estaba completamente incapacitada por el dolor. No podía ni pensar, estar de pie o sentada era muy difícil, tenía mareos y escalofríos, muchos cólicos, diarrea, sentía todo el cuerpo dolorido, la vulva hinchada, las piernas pesadas. Pasaba esas horas entre el baño y el sofá, enrollada en posición fetal. Una vez más los médicos no ayudaron mucho, la píldora anticonceptiva era la única solución apuntada y los medicamentos analgésicos y anti-inflamatorios eran recetados para “poder hacer una vida normal”.

Hace algún tiempo empecé también a preguntarme si realmente tendría que vivir con esos dolores mensuales hasta la menopausia. Comencé a leer sobre el tema y también a hablar de ello con mi hermana, especialmente a partir del momento en que ella empezó a estudiar nutrición holística.

Volviendo al tema del herpes. Percibí que el herpes “aparecía” sobre todo si al menos dos de estos factores se juntaban:

  • Tener momentos de gran estrés emocional, como discusiones, tener que tocar en temas sensibles con alguien importante para mí, o cuando algo me causa mucha vergüenza o sensación de desmerecimiento;
  • Consumir grandes cantidades de chocolate o frutos secos y semillas (o la unión de todos);
  • Estar al final del ciclo menstrual (fase lútea).

Además, percibí que normalmente mi estado de ánimo empeoraba bastante al final del ciclo menstrual, lo que hacía que en ese momento los picos de estrés emocional también fueran más propicios.

Las cosas empezaron a hacer aún más sentido cuando Tico me comentó que había aprendido en sus clases, que la activación del herpes y su agravamiento, estaban bastante relacionados con un aminoácido llamado arginina. Lo que ella me explicó, y que después pude comprobar a través de artículos científicos online, fue que este aminoácido es necesario para la expresión de las funciones del virus, o sea esencial para que el virus latente despierte y se manifieste (quien tiene herpes vive con en el estado latente hasta que vuelve “a aparecer”, y cuando la lesión se cura el virus vuelve al estado dormido). Por otro lado existe un aminoácido análogo a la arginina, la lisina, que ayuda a la supresión del virus. La lisina es reconocida por el virus como si fuera arginina pero al contrario de la segunda no posibilita su multiplicación.

En ese sentido, tanto como forma de prevención como de lucha contra el virus, la alimentación es muy importante. Pues tanto la arginina como la lisina se encuentran en dosis mayores o menores en la mayoría de los alimentos. – Quizás sea también importante señalar que aunque estos dos aminoácidos son muy importantes para el normal y saludable funcionamiento del organismo, sólo la lisina se considera un aminoácido esencial (no se produce en el cuerpo humano teniendo que obtenerse del exterior, a través de la alimentación o suplementación), pues la arginina puede ser sintetizada endógenamente por los humanos sanos. – Por ejemplo el chocolate, el coco, los frutos secos y las semillas tienen una gran cantidad de arginina y muy poca lisina. Por otro lado la remolacha, la manzana, la manga, el aguacate, el higo y le melocotón, entre otras frutas y vegetales tienen grandes cantidades de lisina y menores cantidades de arginina.

Como los episodios de manifestación del herpes me suceden mayoritariamente durante los 12 días antes del período, decidí, en esa fase de mi ciclo, cortar con los alimentos que aportan grandes dosis de arginina y bajas de lisina y, para ayudar en la prevención, compré un suplemento de lisina para tomar veo que las posibilidades de despertar el herpes (debido a algún pico de estrés imprevisto) han aumentado en algún momento específico.

El resultado con respecto a la prevención del herpes ha sido extraordinario. Hace 5 meses que empecé esta experiencia y hasta ahora he conseguido mantener el virus dormido.

Pero lo mejor  de todo es que este simple cambio cíclico de alimentación también vino a apaciguar mis dolores menstruales. He estado investigando sobre esto y, a pesar de que no hay mucha información científica disponible, parece que el consumo de frutos secos y semillas (y en este caso su no consumo) pueden ayudar a re-equilibrar los desequilibrios hormonales que pueden ser la causa de oscilaciones de humor y menstruaciones dolorosas.

Resumiendo, una vez más, al oír mi cuerpo, no sólo lo que él me dice físicamente, sino también las expresiones físicas de mis estados emocionales, y al analizar mi alimentación y rediseñarla, logré mejorar bastante mi calidad de vida en lo que se refiere a estos dos problemas crónicos, todo ello sin la ayuda de medicamentos ni de médicos.

El otro día me vino un viejo y recurrente pensamiento a la cabeza: “Qué bueno que sería si pudiera curar el maldito del herpes de una vez”. Pero sorprendentemente otro pensamiento se siguió: “No, en realidad no. En realidad el herpes es una de las maneras que mi cuerpo tiene para decirme que estoy haciendo algo mal. Cuando me doy cuenta de que mi herpes labial está a punto de despuntar (quien lo tiene sabe que una sensación muy particular, como un ardor localizado, precede la primera señal visible) ya sé que es porque me estoy dejando llevar por el estrés y los pensamientos negativos, si no fuera ese aviso quien sabe los daños que podría provocar hasta que el cuerpo me diera otra señal más fuerte.

Estas no fueron las únicas veces que mi cuerpo me dijo que algo no estaba bien y lo oí. Pero basta con una o dos para ilustrar cómo mi vida cambió cuando percibí que un dolor no es el cuerpo “fastidiando” sino siendo mi mejor compañero.

Espero no haber sido muy aburrida con tantos detalles técnicos o poco agradables, mi objetivo con este texto no es más que empoderarte para oír tu cuerpo y buscar soluciones a largo plazo, sin riesgos ni efectos secundarios, para los tuyos propios problemas de salud.

Escucha tu cuerpo. ¿Sientes algo fuera de lo común? ¿Sientes algo que ya viene siendo habitual pero que sabes que no es normal? ¿Qué vas a hacer en cuanto a eso? ¿Meter todo bajo la alfombra con un remedio rápido pero de corta duración? ¿O vas a parar para escuchar realmente, dialogar con tu cuerpo, analizar tus comportamientos e investigar lo que puedes hacer para solucionar el problema?

My problem with money

O meu problema com o dinheiro (PT)

Mi problema con el dinero (ES)

My problem with money (EN)

Since I can remember, my relationship with money has ben rather odd.

Growing up I never felt I was missing on something in regards to material things. However, when asking for toys or random things in the supermarket, I do recall my mother saying “no” multiple times to both my sister Nico and I. I think I ended up understanding that there were priorities on which to spend the money.

When my mother was to receive her vacation allowance, as it was an extra, she would spend it on our summer vacation or to buy us clothes for the upcoming season. I never felt like she was short on money, despite supporting the three of us, in fact I think she was always saving.

We also grew up not fully understanding how much goods| property| income the other family members (from both family sides) had. It wasn’t our business nor our money so it wouldn’t matter to us.

I remember my grandmother making us outfits in her sewing machine or mend our clothes quite often. Actually she would do the same for the entire family. Which means that our clothes would “stretch” until not being wearable anymore.

Our food was homemade and many of the vegetables and some fruits would come from my grandparent’s backyard. We would occasionally go to restaurants if we wanted a specific food like chinese or pizza. That would happen maybe twice a month.

This to say that life was “normal”, we had enough but not too much.

I understood, since early age, the meaning of saving (not just by my mother’s example) because I had my own bank account and savings by the age of eight. All the cash I would receive from my family as a present, either on Christmas or birthdays, or from my father’s monthly pocket money would go into that account. It would be also my decision weather to spend that money or keep saving it to buy something more expensive. I could update my account booklet in the bank counter to see the progress of my savings. I must say that I rarely spent that money, as nothing seemed to convince me to see my savings downsize. My mother would call me a “tight-fisted” girl just to make fun of me and relativize my clinging to money.

Asking for money to my parents was something that I would avoid at all cost. I would instead just manage it the best I could so I wouldn’t need to say the words “I need some money”.

Administer my money is something I can be proud of as I have always done it very well. There are many things on where to spend our money and we just have to put them in order of priorities. We can all have the money for something we want to purchase if we put some effort on it. For instance: if I want to buy a laptop, go to the movies, buy new clothes, buy some groceries, go to the hairdresser, pay the house rent and go to a restaurant, then some things have to be compromised in order for my goal to be achieved. From this list, if buying a laptop is my goal, then I can skip the movies, the restaurant, the clothes and the hairdresser. Those are things that accumulated can save up some money towards the goal. However, buying groceries and paying the rent are priorities above my goal because those are basic necessities. If the laptop is to be bought in a long term, maybe going to the restaurant won’t do much “harm”, but instead of spending a lot, I can cut the drinks and reduce my bill just as an example.

Some years ago I got my degree in design, which made me capable of working with new software and develop graphic design content. Most recently, I got my certificate in Holistic Nutrition, which allows me to create protocols so that I can help people with their diseases and health issues.

What does this have to do with money? Well fact is, as I said above, my relationship with money has always been odd and still is. I can perhaps be able to save a lot of money and manage my priorities really well but there’s something I deeply struggle with.

I can count, with the fingers of one hand, how many times I’ve charged for any of my services in those two areas. My inability to ask for money, now as a payment for my services, remains pretty much the same.

Is it my time that I don’t value enough?  Is it my nature to help people, that prevents me from charging them? Is it because I do what I like and therefore I don’t think is worth anything? Do I still believe deeply that work has to be hard, difficult and boring in order to be rewarded? Is it because I think it’s rude to ask for a payment? Is it because I always think about other people’s own struggles with finances and don’t want to put more pressure on them?

Is this a general issue to freelancers out there?

One thing I know for sure, I’m the only one that is affected in the end of the day.

Not valuing our time = not valuing our capacities = not valuing ourselves

I am willing to change that! I need to change that!

Any tips are welcome ☺

O meu problema com o dinheiro (PT)

Desde que me lembro, a minha relação com o dinheiro tem sido sempre meio estranha.

Durante a minha infância nunca senti falta de nada a nível material. No entanto, quando a minha irmã Nico ou eu pediamos brinquedos ou quaisquer outras coisas no supermercado, lembro-me de recebermos um “não” várias vezes. Acho que acabei por perceber, mais cedo ou mais tarde, que haviam prioridades nas quais gastar o dinheiro.

Quando a minha mãe recebia o seu subsídio de férias, por ser um extra, era atribuído a despesas de férias de Verão ou para comprarmos roupa para a estação seguinte. Nunca senti que o dinheiro lhe faltasse, ainda que tivesse que suportar-nos às três, de facto penso que ela conseguia sempre poupar.

Nós também crescemos sem perceber a quantidade de bens | propriedades | salário dos outros membros da família (dos dois lados). Não nos dizia respeito nem era o nosso dinheiro e por isso não era do nosso interesse.

Lembro-me das roupas que a minha avó materna nos fazia frequentemente na sua máquina de costura e dos remendos e ajustes feitos às roupas que iam deixando de servir. O que significava que  a vida útil da nossa roupa “esticava” até ao máximo.

As nossas refeições eram principalmente feitas em casa, com comida caseira e muitos dos vegetais e algumas das frutas vinham do quintal dos nossos avós. Por vezes íamos comer a restaurantes quando havia apetite para comida diferente como a chinesa ou pizza. Isso acontecia um par de vezes por mês.

Isto para dizer que a vida era “normal”, tínhamos o suficiente e não demasiado.

Percebi, desde tenra idade, o significado de juntar dinheiro (não só pelo exemplo da minha mãe) porque tive a minhas próprias contas à ordem e poupança desde os oito anos. Todo o dinheiro que membros da família me ofereciam, pelo Natal ou em aniversários, ou a mesada que o meu pai me dava, ia logo para a conta poupança. Era também decisão minha se/ onde queria gastar esse dinheiro.

Podia atualizar o meu boletim de contas no balcão do banco para ver o progresso das minhas poupanças. Devo dizer que raramente gastava esse dinheiro já que nada me convencia a ver diminuir os valores na conta. A minha mãe costumava chamar-me “mãos de vaca” na brincadeira, para relativizar o meu apego ao dinheiro.

Pedir dinheiro aos meus pais era algo que evitava a todo o custo. Em vez disso geria o que tinha da melhor forma que sabia só para não ter que pronunciar as palavras “preciso de dinheiro”.

Administrar bem o meu dinheiro é algo de que me posso orgulhar. Há várias coisas onde podemos gastar o nosso dinheiro e só as temos que meter por ordem de prioridades. Todos nós conseguimos ter dinheiro para comprar se nos empenharmos. Por exemplo: se eu quiser comprar um computador, ir ao cinema, comprar roupa, comprar comida, ir ao cabeleireiro, pagar a renda da casa e ir ao restaurante, então há coisas que tem que ser comprometidas para que o meu objectivo seja cumprido. Desta lista, se comprar um computador é o meu objetivo principal, então posso deixar de lado a ida ao cinema e ao restaurante, comprar roupa e ir ao cabeleireiro. Todas essas coisas acumuladas podem ajudar a economizar algum dinheiro para poder comprar o computador. Por outro lado, comprar comida e pagar a renda da casa são prioridades que estão acima desse objectivo porque são necessidades básicas. Se não houver urgência para comprar o computador, talvez não tenha que abrir mão de todas as idas ao restaurante, mas posso sempre cortar nas bebidas para reduzir a conta.

Há alguns anos atrás, tirei uma licenciatura em Design, a qual capacitou para  criar conteúdo de design gráfico depois de aprender a desenvolver projetos e a trabalhar com certos programas de computador. Mais recentemente, tirei um curso em Nutrição Holística, a qual me permite criar protocolos com o fim de ajudar pessoas com as suas doenças e problemas de saúde.

O que é que isto tem a ver com dinheiro? Bem, a verdade é que assim como disse acima, a minha relação com o dinheiro foi sempre estranha e ainda o é. Eu posso ter a capacidade de poupar muito dinheiro e gerir as minhas prioridades da melhor forma mas há uma outra coisa com a qual não sei lidar.

Posso contar pelos dedos de uma mão quantas foram as vezes que cobrei por algum dos meus serviços nessas duas áreas. A minha incompetência para pedir dinheiro, agora como pagamento dos meus serviços, permanece a mesma.

Será que não valorizo suficientemente o meu tempo? Será que é a minha natureza para ajudar os outros o que me impede de cobrar? Será que é por fazer aquilo gosto que não sinto que deva ser valorizado? Será que no fundo ainda acredito que o trabalho tem que ser duro, difícil e aborrecido para que seja recompensado? Será que é por achar que estou a ser indelicada por cobrar? Será que, por ter consciência dos problemas de finanças que os outros tem, não quero pôr ainda mais pressão neles? Será que este é um problema geral de todos os freelancers?

Há uma coisa da qual estou bastante segura: eu sou a única pessoa que fica afectada no fim de contas.

Não valorizar o nosso tempo = não valorizar as nossas capacidades = não nos valorizarmos a nós mesm@s

Eu estou pronta para mudar isso! Eu preciso de mudar isso!

Qualquer dica é bem-vinda 🙂

 

Mi problema con el dinero (ES)

Desde que recuerdo, mi relación con el dinero ha sido siempre un poco rara.

Durante mi infancia nunca sentía falta de nada al nivel material. Sin embargo, cuando mi hermana Nico o yo pedimos juguetes o cualquier otra cosa en el supermercado, recuerdo que varias veces “no” era la respuesta.. Creo que acabé percibiendo, tarde o temprano, que había prioridades en las que gastar el dinero.

Cuando mi madre recibía su subsidio de vacaciones, por ser un extra, se le asignaban a los gastos de las vacaciones de verano o se usaba para comprar ropa para la siguiente estación. Nunca sentí que le faltaba dinero a mi madre, aunque tuviera que soportar a las tres, de hecho pienso que ella siempre acababa ahorrando.

También crecemos sin darnos cuenta de la cantidad de bienes | propiedades | salario de los demás miembros de la familia (de los dos lados). No era nuestro dinero y por eso no era de nuestro interés.

Recuerdo los remiendos y modificaciones que mi abuela materna hacía en las ropas que se estropean o dejaban de servir, y de las ropas nuevas que nos hacía en su máquina de coser. En realidad hacía lo mismo para toda la familia. Lo que significaba que la vida útil de nuestra ropa “se estiraba” hasta el máximo.

Nuestras comidas se hacían sobretodo en casa, con comida casera y muchos de los vegetales y algunas de las frutas venían del huerto de nuestros abuelos. A veces íbamos a comer a restaurantes cuando habian ganas de comida diferente como chino o la pizza. Esto sucedía un par de veces al mes.

Esto para decir que la vida era “normal”, teníamos suficiente y no demasiado.

He percibido, desde temprana edad, el significado de juntar dinero (no sólo por el ejemplo de mi madre) porque tuve mis propia cuenta bancaria de  ahorro a los ocho años. Todo el dinero que los miembros de la familia me regalaban, por Navidad o en mis cumpleaños, o la mesada que mi padre me daba, iba luego a la cuenta de ahorros. Era también decisión mía si / donde quería gastar ese dinero.

Podía actualizar mi boletín de cuentas en el mostrador del banco para ver el progreso de mis ahorros. Debo decir que rara vez gastaba ese dinero ya que nada me convencía de ver disminuir los valores en la cuenta. Mi madre solía, de broma, llamarme “manos de vaca”, para relativizar mi apego al dinero.

Pedir dinero a mis padres era algo que evitaba a toda costa. En vez de eso manejaba lo que tenía de la mejor forma que sabía, sólo para no tener que pronunciar las palabras “necesito dinero”.

Administrar bien mi dinero es algo de lo que estoy  orgullosa. Hay varias cosas donde podemos gastar nuestro dinero y sólo las tenemos que ordenar conforme nuestras prioridades. Todos podemos tener dinero para comprar lo que realmente nos hace falta si nos empeñamos. Por ejemplo: si quiero comprar un ordenador, ir al cine, comprar ropa, comprar comida, ir a la peluquería, pagar el alquiler del piso e ir al restaurante, entonces hay cosas que tienen que ser comprometidas para que mi objetivo sea cumplido. De esta lista, si comprar una computadora es mi objetivo principal, entonces puedo dejar de lado la ida al cine y al restaurante, comprar ropa e ir a la peluquería. Todas estas cosas acumuladas pueden ayudar a ahorrar algo de dinero para poder comprar el ordenador. Por otro lado, comprar comida y pagar el alquiler son prioridades que están por encima de ese objetivo porque son necesidades básicas. Si no hay urgencia para comprar el ordenador, quizás no tenga que renunciar a todas las idas al restaurante, pero puedo cortar en las bebidas para reducir la cuenta.

Hace algunos años, saqué una licenciatura en Diseño, la cual me permite crear contenido de diseño gráfico, después de aprender a desarrollar proyectos y trabajar con ciertos programas. Recientemente, hice un curso en Nutrición Holística, el cual me permite crear protocolos con el fin de ayudar a las personas con sus enfermedades y problemas de salud.

¿Qué tiene que ver esto con el dinero? Bueno, la verdad es que así como dije arriba, mi relación con el dinero siempre fue rara y aún lo es. Puedo tener la capacidad de ahorrar mucho dinero y gestionar mis prioridades de la mejor manera, pero hay otra cosa que no se me da tan bien.

Puedo contar por los dedos de una mano cuántas veces he cobrado por alguno de mis servicios en esas dos áreas. Mi incompetencia para pedir dinero, ahora como pago de mis servicios, sigue siendo la misma.

¿Será que no valoro suficientemente mi tiempo? ¿Será que es mi naturaleza ayudar a los demás y eso me impide de cobrar? ¿Será por hacer las cosas con gusto que siento que no deba ser valorado mi trabajo? ¿En el fondo todavía creo que el trabajo tiene que ser duro, difícil y aburrido para que sea recompensado? ¿Es por creer que estoy siendo indelicada por cobrar? ¿Será que, por tener conciencia de los problemas financieros de los demás, no quiero poner aún más presión en ellos? ¿Es éste un problema general de todos los freelancers?

Hay una cosa que tengo bastante clara: yo soy la única persona que se ve afectada al final de cuentas.

No valorar nuestro tiempo = no valorar nuestras capacidades = no valorizarnos a nosotr@s mism@s

¡Estoy lista para cambiar eso! ¡Necesito cambiar eso!

Cualquier consejo es bienvenido 🙂

Cheers to New Year’s resolutions

Cheers to New Year’s resolutions (EN)

Un brindis a las resoluciones de Año Nuevo (ES)

Um brinde às resoluções de Ano Novo (PT)

Muita gente diz que as resoluções de ano novo são um engano e que ninguém as cumpre. Para mim a entrada no novo ano já foi várias vezes o marco de grandes mudanças.

No final de 2014 decidi deixar de consumir produtos de origem animal, 5 anos antes já tinha deixado de comer carne e no início de 2015 deixei primeiro o peixe e depois os ovos e os laticínios. Em Fevereiro desse mesmo ano já tinha uma alimentação 100% vegetal e ao longo desse ano fui-me informando cada vez mais para saber que outros produtos do dia a dia continham ingredientes de origem animal ou tinham utilizado algum tipo de exploração animal (como os produtos testados em animais) até que os deixei de consumir todos. Faz 4 anos que tomei essa resolução de ano novo, foi uma das melhores decisões que tomei na minha vida.

No final do ano 2017 decidi deixar de fumar, desta vez decidi que guardaria algumas exceções para eventos realmente especiais nos quais me apetecesse desfrutar de um ou dois cigarros. Mas tinha que ser algo mesmo excepcional, se não já me via a voltar a fumar todos os fins de semana cada vez que tinha um jantar com amigos. Decidi que casamentos de amigos, a minha festa de anos e o jantar de ano novo seriam as exceções. Em Novembro já passei o mês sem fumar. No início de Dezembro tive um casamento no qual decidi então abrir a exceção. Os cigarros que fumei nesse dia souberam-me bem, mas no dia seguinte tinha tosse, e uma sensação de mau gosto na boca que não passava por mais que escovasse os dentes e a língua. Na noite da passagem de ano voltei a fumar, mas na realidade era como se, em cada cigarro que acendia, procurasse o prazer que em tempos senti ao fumar mas não o encontrasse. Isso fez com que fumasse bastante nessa noite, e a manhã seguinte tinha outra vez a garganta irritada e a boca áspera. A verdade é que embora nunca tenha pensado em deixar definitivamente os cigarros, em 2018 não tive vontade de abrir exceções em nenhuma das oportunidades que tive. Mais uma vez realizei a minha resolução de ano novo e sinto-me muito grata por isso.

Este ano decidi que em 2019 não vou consumir bebidas alcoólicas. Há várias razões pelas quais tomo esta decisão mas a principal é pura curiosidade. Tenho lido sobre os efeitos do álcool na destruição da microbiota, sei que dificulta o trabalho das muitíssimas funções do fígado, sem falar das ressacas no dia seguinte ou mesmo das ocasionais perdas de controlo que me fazem arrepender de ter bebido tanto. Tenho uma enorme curiosidade de saber que efeitos tem realmente o álcool no meu organismo. Como já consumo bebidas alcoólicas há bastante tempo e de forma mais ou menos regular (todas as semanas 2 a 10 copos), a única forma de perceber esses efeitos é retirar o álcool durante um longo período de tempo e analisar as mudanças.

Sinto que socialmente vai ser um desafio. Ao contrário do tabaco que já é universalmente reconhecido como algo mau para a saúde, o álcool (acompanhado do café e do açúcar) é uma das drogas mais bem vistas socialmente. Tenho a experiência pessoal de ir contracorrente em algumas características de estilo de vida, e por isso já senti na pele o quão incomodadas algumas pessoas se sentem quando dizes que não fazes as coisas como elas acham que se deviam fazer. Mas decidi que não vou tecer muitas expectativas, nem tentar prever que reacções esta minha mudança irá provocar. Em vez disso vou observar e analisar o que acontece e dentro de um ano conto-vos como correu a experiência, quer a nível social, quer a nível pessoal. O que acham?

Voltando à questão das resoluções: Fazes resoluções de ano novo? Porque achas que não consegues cumprir as tuas resoluções de ano novo? Ou pelo contrário, se as cumpres, o que achas que faz com que tenhas êxito?

Pela minha experiência acho que para conseguir cumprir uma resolução de ano novo essa resolução tem que:

  • Ter uma razão forte por detrás – se não tens razões fortes para fazer algo o mais certo é que acabes por desistir frente às primeiras dificuldades;
  • Ter objetivos concretos – beber menos ou ir mais ao ginásio não é algo muito concreto, os limites definidos ajudam a manter o enfoque no objetivo, beber apenas um copo por semana já ou ir ao ginásio todas as semanas já são coisas bastante mais concretas;
  • Ser algo realista – se não for algo realmente possível de realizar, ou algo que dependa de muitos fatores que não controlas então vai ser muito mais difícil que consigas cumprir.

Para mim a grande vantagem das resoluções de ano novo são os desafios. Ao criar uma resolução estou a desafiar-me a mudar coisas que considero importantes para viver melhor, para ser mais feliz, ou simplesmente para provar a mim mesma que consigo. A sensação de chegar ao final do ano com mais uma resolução cumprida é muito gratificante. Na verdade ao longo do ano fazemos promessas (pessoais e profissionais) a mais ou menos pessoas, mas as promessas que fazemos a nós mesmos tendem a ser as que acabamos por não cumprir. A resolução de ano novo não é mais que uma promessa ou compromisso com o nosso eu futuro, e arrisco dizer que esse tipo de promessas devia ter sempre a nossa prioridade.

Qual é a tua resolução para este ano novo?


 

Cheers to New Year’s resolutions (EN)

Many people say that New Year’s resolutions are a deception and that nobody can accomplish them. To me, the start of the new year has been many times the mark for great changes.

Towards the end of 2014 I decided to quit consuming animal products, 5 years prior to that I had given up of eating meat and in the beginning of 2015 I quit eating fish and then the eggs and dairy. In February I was already eating a 100% plant based diet and along that same year I gathered more information to find out what other daily products contain animal source ingredients or exploited animals in some way (such as products tested on animals) until I finally stopped consuming all of them. It has been 4 years since I took that new year’s resolution, was one of the best decisions of my life.

In the end of 2017 I decided to quit smoking but this time I determined that I would allow some exceptions in events that I consider really important and in which I feel like smoking a couple cigarettes. But it had to be an exception, otherwise I could see myself smoking every weekend and every time I had a dinner with friends. Friend’s weddings, my birthday party and the New Year’s Eve would be my exceptions. In November I did not smoke.  In the beginning of December I attended a wedding and that’s when I opened an exception. The cigarettes I smoked during that day tasted great, yet the next day I had cough and a bad taste sensation in my mouth that wouldn’t go away even after brushing my teeth and tongue. On the New Year’s Eve I smoked again but as a matter of fact, in every cigarette I lighted up, I kept searching for the pleasure I once felt while smoking but couldn’t find it this time. This made me smoke way too much throughout that night, and on the following morning I had a sore throat and rough mouth. The truth is that, despite I had never thought about definitely quit smoking, in 2018 I didn’t feel like opening exceptions to any opportunity. Once again I accomplished my New Year’s resolution and am very grateful for that.

This year I have decided that in 2019 I will not drink any alcoholic beverage. There are many reasons why I’m making this decision but the main one is pure curiosity. I have been reading about the effects alcohol has in the microbiome, I know it sets back many of the liver functions, let alone the hangovers on the day after or even the loss of control that make me regret drinking so much. I have such curiosity in finding out what effects does the alcohol really has on my body. Since I have been drinking alcoholic beverages for quite a long time, with some regularity (2 to 10 glasses every week), the only way of knowing those effects on my body is to quit the alcohol consumption for a long period of time and analyse the changes.

I feel like socially it will be challenging. In contrary to the tobacco, that is already universally recognised as harmful to our health, alcohol (as well as coffee and sugar) is still a social accepted drug. I have experienced going countercurrent in some lifestyle features and therefore have felt on my own skin how disturbed some people feel when you say that you don’t do things the way they think they’re supposed to be done. However I decided not to build up expectations nor try to predict what reactions will be triggered by this change. Instead I will observe and analyse what happens and in one year from now I’ll tell you how this experience went, both on a social and personal level. What do you reckon?

Back to the resolutions: Do you make any New Year’s resolutions? Why do you think you cannot accomplish them? Or in contrary, if you do accomplish them, what makes it successful?

From my experience I think that in order to accomplish a New Year’s resolution, it needs to:

  • Have a strong reason behind it – if you do not have strong reasons to make something happen, the more likely is for you to give up when the first obstacles show up;
  • Have specific deadlines – drinking less alcoholic beverages or work out more times it’s not very precise, deadlines help to focus on the goal;
  • Be realistic – if it isn’t something really possible to achieve, or something that depends on many factors that you cannot control, then it will be more difficult for you to accomplish.

For me the great advantage of New Year’s resolutions are the challenges. By creating a resolution I’m challenging myself to change things which I consider important to have a better life, be happier or simply to prove to myself that I’m able to do so. The feeling of getting towards the end of the year with one more accomplished resolution is very rewarding. In fact, throughout the year we make promises (personal and professional) to more or less people, but those we make to ourselves tend to be the ones we don’t meet. New Year’s resolutions are not more than a promise or commitment with our future self and I venture to say that those kind of promises should always be our priorities.

What is your resolution to this new year?


 

Un brindis a las resoluciones de Año Nuevo (ES)

Muchas personas dicen que las resoluciones de año nuevo son un engaño y que nadie las cumple. Para mí la entrada en el nuevo año ha sido varias veces el marco de grandes cambios.

A finales de 2014 decidí dejar de consumir productos de origen animal, 5 años antes ya había dejado de comer carne y, a principios de 2015, dejé primero el pescado y luego los huevos y los productos lácteos. En febrero de ese mismo año ya tenía una alimentación 100% vegetal ya lo largo de ese año me fui informando cada vez más para saber qué otros productos del día a día contenían ingredientes de origen animal o habían utilizado algún tipo de explotación animal (como los productos testados en animales) hasta que los dejé de consumir todos. La resolución de ese año fue una de las mejores decisiones que tomé en mi vida.

A finales del año 2017 decidí dejar de fumar, esta vez decidí que guardaría algunas excepciones para eventos realmente especiales en los que me apetezca disfrutar de uno o dos cigarrillos. Pero tenía que ser algo muy excepcional, si no me veía volver a fumar todos los fines de semana o cada vez que tenía una cena con amigos. Decidí que bodas de amigos, mi fiesta de aniversario y la cena de nochevieja serían las excepciones. En noviembre ya pasé el mes sin fumar. A principios de diciembre tuve una boda en la que decidí entonces abrir la excepción. Los cigarrillos que fume en ese día me supieron muy bien, pero al día siguiente tenía tos, y una sensación de mal gusto en la boca que no pasaba por más que cepillara los dientes y la lengua. Al final del mismo mes, en nochevieja, volví a fumar pero en realidad era como que, en cada cigarrillo que encendía, buscaba el placer que en tiempos sentí al fumar pero no lo encontraba. Esto hizo que fumase bastante esa noche, y la mañana siguiente tenía otra vez la garganta irritada y la boca áspera. La verdad es que aunque nunca había pensado en dejar definitivamente los cigarrillos, en 2018 no tuve ganas de abrir excepciones en ninguna de las oportunidades que tuve. Una vez más he realizado mi resolución de año nuevo, incluso por encima de mi objetivo inicial, y me siento muy agradecida por ello.

Este año decidí que en 2019 no voy a consumir bebidas alcohólicas. Hay varias razones por las que tomo esta decisión pero la principal es pura curiosidad. He leído sobre los efectos del alcohol en la destrucción de la microbiota, sé que dificulta el trabajo de las muchísimas funciones del hígado, sin hablar de las resacas al día siguiente o incluso de las ocasionales pérdidas de control que me hacen arrepentirme de haber bebido tanto. Tengo una enorme curiosidad de saber qué efectos tiene realmente el alcohol en mi organismo. Como ya consumo bebidas alcohólicas hace bastante tiempo y de forma más o menos regular (cada semana 2 a 10 copas), la única forma de percibir estos efectos es retirar el alcohol durante un largo período de tiempo y analizar los cambios.

Siento que socialmente va a ser un desafío. A diferencia del tabaco que ya es universalmente reconocido como algo malo para la salud, el alcohol (acompañado del café y del azúcar) es una de las drogas más bien vistas socialmente. Tengo la experiencia personal de ir contracorriente en algunas características de estilo de vida, y por eso he sentido en la piel cuán incómodas se sienten algunas personas cuando les dices que no haces las cosas como ellas creen que deberías hacerlas. Pero decidí que no voy a crear expectativas, ni intentaré predecir qué reacciones mi cambio va a provocar. En vez de eso, voy a observar y analizar lo que sucede y dentro de un año os cuento cómo ha ido la experiencia, tanto a nivel social, como a nivel personal. ¿Qué os parece?

Volviendo a la cuestión de las resoluciones: ¿Tu haces resoluciones de año nuevo? ¿Por qué crees que no puedes cumplir tus resoluciones de año nuevo? ¿O al revés, si las cumples, qué crees que hace que tengas éxito?

Por mi experiencia, creo que para lograr cumplir una resolución de año nuevo esta resolución tiene que:

  • Tener una razón fuerte por detrás – si no tienes razones fuertes para hacer algo lo más seguro es que acabes por desistir frente a las primeras dificultades;
  • Tener objetivos concretos – beber menos o ir más al gimnasio no es algo muy concreto, los límites definidos ayudan a mantener el enfoque en el objetivo, beber sólo un vaso por semana ya o ir al gimnasio todas las semanas ya son cosas bastante más concretas;
  • Ser algo realista – si no es algo realmente posible de realizar, o algo que dependa de muchos factores que no controlas entonces va a ser mucho más difícil que lo puedas cumplir.

Para mí la gran ventaja de las resoluciones del año nuevo son los desafíos. Al crear una resolución me estoy desafiando a cambiar cosas que considero importantes para vivir mejor, para ser más feliz, o simplemente para probar a mí misma que puedo. La sensación de llegar al final del año con otra resolución cumplida es muy gratificante. En realidad a lo largo del año hacemos promesas (personales y profesionales) a más o menos personas, pero las promesas que hacemos a nosotros mismos tienden a ser las que acabamos por no cumplir. La resolución de año nuevo no es más que una promesa o compromiso con nuestro yo futuro, y arriesgo decir que ese tipo de promesas debería tener siempre nuestra prioridad.

¿Cuál es tu resolución para este año nuevo?

My mixed feelings about Xmas

My mixed feelings about Xmas (EN)

Mis sentimientos encontrados con relación a Navidad (ES)

Os meus sentimentos contraditórios com relação ao Natal (PT)

O Natal está mesmo à porta. Esta celebração, de uma forma ou de outra, costuma estar carregada de emoções. Para umas pessoas é um momento melancólico porque as recorda de todas as pessoas que já não estão presentes na mesa da ceia; para outras é um stress, uma azáfama quer seja pela correria para comprar presentes ou pela preparação da comida; para outras pessoas é um momento esperado pois é a única altura do ano em que veem alguns membros da família que vivem longe; para outras ainda esta festa cria muita ansiedade pois vão ter que dividir a mesa com membros da família com os quais não se dão muito bem; para algumas pessoas é um momento mesmo especial pois podem ver a felicidade na cara dos mais novos ao abrir os presentes e quase como que relembrar o que elas próprias sentiam nesse momento.

O Natal pode significar um montão de coisas diferentes e os rituais de cada família também variam. Já te questionaste o que significa o Natal para ti? Que sentimentos traz à tona? E quais são mais positivos ou menos?

Para mim o Natal tem dois lados.

Um deles é o lado que me dá alegria e que tem a ver com o facto de que, durante 2 dias (24 e 25 de Dezembro), consigo estar algumas horas com todos os membros da minha família mais próxima. Sempre aguardei com entusiasmo as reuniões familiares e agora que vivo longe de toda a família ainda mais.

O outro é o lado que me traz muita tristeza. É saber que esta é a altura do ano em que o maior número de animais são mortos para que algumas pessoas satisfaçam a sua gula. Que se cozinha cabrito sem pensar que aquele ser era um bebé por desmamar, que se prepara o bacalhau sem pensar na morte dolorosa e angustiante que possibilitou a sua chegada à travessa, que se recheiam perus sem ter em conta que eles são animais sociais que criam verdadeiros laços uns com os outros.

Por um lado quero desfrutar destes momentos preciosos com a minha família, e celebrar a paz e o amor conforme pede a festividade. Por outro não consigo, nem quero, ignorar os cadáveres que encimam a mesa da ceia e do almoço de Natal.

Apesar de ainda viver num mundo onde a maioria das pessoas ignora o termo “especismo” e de a grande parte das pessoas que eu conheço não serem vegan@s, durante a maior parte do ano consigo ou esquivar-me bastante a situações nas que tenha que ver pessoas comerem pedaços de cadáveres. E quando não me consigo safar tento não pensar muito sobre o assunto. Mas no Natal encontro-me, suponho que como a maioria das pessoas, ainda mais empática o que faz com que viva de maneira mais intensa tanto a parte alegre, como a parte triste.

Para compensar esses sentimentos menos positivos que me traz o Natal tento recordar-me de duas coisas que me trazem alegria e esperança.

A primeira é o facto de não passar por tudo isto sozinha, tenho a sorte gigantesca de estar neste caminho da compaixão e do respeito pelos outros animais com a minha irmã Tico. Podemos segurar a mão uma da outra quando nos sentirmos mais assoberbadas pelas visões macabras da mesa natalícia. Às vezes basta só apenas um cruzar de olhares com a minha irmã para saber que ela está a pensar o mesmo que eu.

A segunda é o facto de saber que, a pouco e pouco, nós também estamos a fazer o nosso papel de sensibilizar um pouco a nossa família para aceitar (já nem digo adoptar) os nossos valores e, quem sabe até, simpatizar com eles. Até há bem pouco tempo provavelmente quase ninguém da nossa família próxima sabia o que era o hummus ou o seitan, nunca tinham experimentado queijos nem chouriços veganos, nunca tinham ponderado preparar um prato vegetal para as reuniões familiares. E todos os anos sinto que se torna cada vez mais fácil.

Este ano, para a ceia de Natal, até vamos preparar o nosso prato principal na casa onde se juntará a família, e dessa forma dar uma mini aula de culinária à base de vegetais. Temos preparada uma receita infalível, que vai deixar bem claro que para ter uma refeição equilibrada e cheia de sabor não fazem falta produtos de origem animal. E para a sobremesa estamos a pensar fazer uma versão vegana de uma das sobremesas que fazíamos sempre com a nossa mãe para esta altura. Tentaremos fazer algumas fotos e depois contaremos como foi 🙂 .

Também tens sentimentos contraditórios com relação ao Natal? O Natal leva-te a questionar algumas coisas? Como fazes para lidar com isso?


My mixed feelings about Xmas (EN)

Christmas is right around the corner. This celebration, in one way or another, is loaded with plenty of emotions. For some people it is a melancholic moment because it reminds them of all dear ones that are no longer present at supper; to others it’s a massive stress, a bustle due to the rush to buy presents or prepping food; to other people it’s a moment for which they are looking forward as it is the only time of the year when they get to see their family members that live abroad; other people feel anxious at this time of the year because they’ll have to share table with family members with whom they don’t get along; to some people it’s a very special moment because they get to see the happiness “stamped” on youngster’s faces while opening presents, recalling them on how they felt like back in the day.

Christmas has different meanings and every family have their own rituals. Have you ever questioned what does Christmas means to you? What feelings are brought up? And which are more positive or less positive?

To me Christmas has two sides.

One of them is the side that gives me joy and that has to do with the fact that during two days (December 24th and 25th) I’m able to spend some time and be with all my relatives. I’ve always looked forward enthusiastically for family gatherings and now even more so because I live far away from them.

The other side is the one that brings me a lot of sadness. Knowing that this is the time of the year on which the greatest number of animals are killed so that some of us can indulge with gluttony. That a little lamb is cooked without the conscience that that being was a baby yet to be weaned, that codfish is prepped without any awareness of how painful and distressed of a death that that being had to go through before getting to a platter, that turkeys are stuffed with herbs disregarding the fact that they are social animals that bond with each other.

On one hand I want to enjoy those precious moments with my family, celebrating the peace and love according to what this festivity aims for. On the other hand I cannot, nor do I want to, ignore the corpses that lie on supper’s table and Christmas lunch.

Despite living in a world where the majority of people disregard the word “speciesism” and the fact that most of the people that I know are not vegan, I can wriggle for most part of the year to many events on which I would have to see people eating pieces of death bodies. And when I cannot get away, I try to avoid thinking too much about it. But during Christmas I find myself, just like all the others (I reckon), even more empathetic which makes me live both joyful and sad parts in an intense way.

To make up for these less positive feelings that Christmas brings, I try to remind myself of two things that bring me hope and delight.

The first one is the fact that I don’t have to go through all of this by myself, as i have the enormous luck of being in this compassionate path with respect towards all animals together with my sister Tico. We can hold hands when we feel swamped by the gruesome imagery that stands before our eyes on top of the table. Sometimes it only takes an exchange of glances with my sister to know that she is thinking exactly the same as I am.

On the other hand is knowing that, little by little, our role that aims to sensitise our family to accept (it’s not realistic to say adopt) our values and who knows, even sympathise with them. Not long ago, probably many of our family members were not familiarised with foods such as hummus or seitan, nor have they tried vegan cheese or chorizo or even consider preparing a veggie dish to family meetings. And every year I notice that is getting easier.

This year, for Christmas supper, we will prepare our main meal at the location where Christmas will be celebrated and thus giving a mini cooking class where vegetables are on the spotlight. We have planned an infallible recipe, that will clarify that in order to have a balanced meal, full of flavour, no animal products are needed. And for dessert we will try to bake a vegan version of one of our favourite desserts that we always made with our mother in this time of the year. We will take some pictures and share the experience after all 🙂 .

Do you also have mixed feelings when it comes to Christmas? Does Christmas leads you to question anything?  How do you deal with it?


La Navidad a 5 días de distancia. Esta celebración, de una forma u otra, suele estar cargada de emociones. Para una gente es un momento melancólico porque las recuerda de todas las personas que ya no están presentes en la mesa de la cena; para otras es un estrés, un bullicio ya sea por la correría para comprar regalos o por la preparación de la comida; para otras personas es un momento muy esperado pues es la única altura del año en la que ven a algunos miembros de la familia que viven lejos; para otras aún esta fiesta les crea mucha ansiedad pues van a tener que compartir la mesa con miembros de la familia con los que no se llevan muy bien; para algunas personas es un momento bastante especial pues pueden ver la felicidad en la cara de los más jóvenes al abrir los regalos y casi como recordar lo que ellas mismas sentían en ese momento.

La Navidad puede significar un montón de cosas diferentes y los rituales de cada familia también varían. ¿Te has preguntado qué significa la Navidad para ti? ¿Qué sentimientos trae a la superficie? ¿Y cuáles son más positivos o menos?

Para mí la Navidad tiene dos lados.

Uno de ellos es el lado que me da alegría y que tiene que ver con el hecho de que durante 2 días (24 y 25 de diciembre) puedo estar unas horas con todos los miembros de mi familia más cercana. Siempre esperé con entusiasmo las reuniones familiares y ahora, que vivo lejos de toda la familia, aún más.

El otro es el lado que me trae mucha tristeza. Es saber que esta es la altura del año en que el mayor número de animales son muertos para que algunas personas satisfagan a su gula. Que se cocina el cabrito sin pensar que aquel ser era un bebé por desmamar, que se prepara el bacalao sin pensar en la muerte dolorosa y angustiante que posibilitó su llegada a la bandeja, que se rellenan pavos sin tener en cuenta que ellos son animales sociales que crean verdaderos lazos unos con otros.

Por un lado quiero disfrutar de estos momentos preciosos con mi familia, y celebrar la paz y el amor como pide la festividad. Por otro no puedo, ni quiero, ignorar los cadáveres repartidos por las mesas de la cena y de la comida de Navidad.

Aunque todavía vivo en un mundo donde la mayoría de la gente ignora el término “especismo” y que la gran parte de las personas que yo conozco no sean vegan@s, durante la mayor parte del año consigo esquivarme bastante a situaciones en las que tenga que ver a la gente comer trozos de cadáveres. Y cuando no me puedo ahorrar esas visiones intento no pensar mucho sobre el asunto. Pero en la Navidad me encuentro, supongo que como la mayoría de la gente, aún más empática, lo que hace que viva de manera más intensa tanto la parte alegre, como la parte triste.

Para compensar esos sentimientos menos positivos que me trae la Navidad intento recordarme de dos cosas que me traen alegría y esperanza.

La primera es el hecho de no pasar por todo esto sola, tengo la suerte gigantesca de estar en este camino de la compasión y del respeto por los otros animales con mi hermana Tico. Podemos dar las manos cuando nos sentimos más abrumadas por las visiones macabras de la mesa navideña. A veces sólo basta un cruzar de miradas con mi hermana para saber que ella está pensando lo mismo que yo.

La segunda es el hecho de que, poco a poco, nosotros también estamos haciendo nuestro papel de sensibilizar un poco a nuestra familia para aceptar (no sería realista decir adoptar) nuestros valores y, quizá incluso, simpatizar con ellos. Hasta hace poco tiempo probablemente casi nadie de nuestra familia cercana sabía lo que era el hummus o el seitán, nunca habían probado quesos ni chorizos veganos, nunca habían pensado preparar un plato vegetal para las reuniones familiares. Y cada año siento que se vuelve cada vez más fácil.

Este año, para la cena de Navidad, vamos a preparar nuestro plato principal en la casa donde se unirá la familia, y de esa forma daremos una mini clase de cocina a base de vegetales. Hemos preparado una receta infalible, que va a dejar bien claro que para tener una comida equilibrada y llena de sabor no hacen falta productos de origen animal. Y para el postre estamos pensando hacer una versión vegana de uno de los postres que hacíamos siempre con nuestra madre para esta altura. Intentaremos hacer algunas fotos y luego contaremos como fue :).

¿También tienes sentimientos contradictorios con respecto a la Navidad? La Navidad te lleva a cuestionar algunas cosas? ¿Cómo haces para lidiar con eso?

Vine with a soul

Videira com alma (PT)

Vid con alma (ES)

Vine with a soul (EN)

In some of my previous articles, I briefly talked about Peru and how my life changed after that trip. What I didn’t say is that there was a special event that occurred in the Amazon that made me see life with “new eyes”.

To better contextualise what my life looked like at that moment, I have to go back in time to when my mother got sick. Diagnosed with a brain tumour, she was operated twice which left her without talking, reading, writing and very limited motion. This went on for an entire year that never seemed to come to an end. When she died, I “ran away” from Portugal (my country) and settled down in Amsterdam with my boyfriend at the time. After a couple of unfulfilling jobs, unsuccessful attempts to change my career and now a broken relationship, here I was with a plane ticket to Peru.

Immersed in the Amazon rainforest, I was fortunate enough to learn about plants with an instructor and a Shaman. One day, we went on a hike and passed by some Psychotria Viridis trees (a.k.a. Chocruna) and start picking some leaves. Later on, we mixed them up with Banisteriopsis Caapi (a.k.a. Ayahuasca) vine and other herbs and brewed it all for about eight hours straight. This remedy, most known as Ayahuasca in the ancient language of Quechua, translates to something like “vine with a soul”, has been used by indigenous people in ceremonies for thousands of years.

What happens on a chemistry level is that Chocruna contains a very high amount of DMT – a neurotransmitter found in the human body as well but broken down by enzymes. On the other hand, Ayahuasca has the capacity to inhibit those enzymes from breaking down the DMT, allowing access to altered states of consciousness.

Ayahuasca was “calling me” for a couple years at this point. I had watched documentaries, read about the plants and knew that one day I would be taking it. Perhaps I was manifesting it all along. (An article about manifestation will come out soon).

At nightfall, the Shaman got dressed up with his special garment, gathered some members of the community and four “gringos” (including myself) and the ceremony began. Facing the sunrise side, with a small glass in my hand containing the drink, I was encouraged to think about some insights I was looking for with this experience as well as giving thanks to the plants. However, as I had read before, I knew that the things plants show us are what we need and not what we want. I focused mainly in two things: connect to my mother & know the reason behind my low tolerance to pain issues and passing out quite a lot.   *

I drank the shot, sat down and waited for the effect with a peaceful mindset. When the Ayahuasca kicked in, I started seeing neon lines that formed strange shapes. These images in my mind were quite exhausting to look at and I was getting tired of it. Suddenly, I fainted and could see myself and all the others from above, as if I was out of my body. I knew that I was in another dimension. The same place that I normally go when I pass out. It is like being in a dream but with a special frequency, where I can only go when passing out. At that moment I got a download of information (very difficult to explain but something that occurs in many Ayahuasca or magic mushrooms experiences) and I simply knew that passing out was a reminder of a parallel/ passed life I had. In other words, I wasn’t supposed to forget the other life, during this lifetime and fainting was a way of being connected and reminded of that.

I then “woke up” from passing out and sat down again. I started thinking about my mother and all the pain that came with her disease and passing away – “Why did she leave us so soon? Why her? What was she going through and could not share with us? Was she mad at me for some reason?”. I felt her presence. I couldn’t see her but I knew she was around. She told me that nothing we had done differently could have stopped her from leaving us. From leaving this dimension. She had to go through everything during that year in order to learn her lessons. I couldn’t stop crying. It’s like I was crying the tears that I couldn’t cry during that year because I had to be strong. My experience went for about six hours and I saw many more things.

Ayahuasca is considered a drug in Western culture because on this side of the world most people are not as connected to plants. We are used to “put all drugs in the same bag” as if they are all addictive, damaging and disgraceful. I could not disagree more. The synthetic substances, made in labs, toxic, using specific parts of plants rather than the whole plant, alcohol etc. – those are the dangerous drugs.

Ayahuasca, Peyote, San Pedro and many more plants can be used as medicine. They have been used for thousands of years and have numerous benefits, without causing addiction. In fact some of these remedies help people with addictions, depression, anxiety and so on. Plants should be handled by those that deeply know them and can conduct ceremonies in order to help others.

Drugs on the other side, are those things we get prescribed every time we go to the doctor and complain of something. Drugs that we can get addicted to, drugs that are far more dangerous than we think, drugs that only mask the root causes of our problems. Drugs that many of us drink on a daily basis and are packed in cans or in bottles. But those drugs no one question about because they are socially acceptable.

This special event that happened in the Amazon was an Ayahuasca ceremony and it helped me tremendously with those questions I had always on my mind regarding my mother’s sickness and death. It made me accept better my issue with fainting. It changed my habit of thinking way too much about the past and brought me peace.

*  All my life I have had this undiagnosed condition, which is to faint for anything and everything. Whereas is for seeing blood, getting hurt, falling, being scared, having pain, feeling weak, draw blood, receiving bad news etc. At some point in my life I would faint a couple times a week, then it got better but never stopped happening.

Videira com alma (PT)

Nalguns dos artigos que escrevi anteriormente, falei por alto sobre o Peru e sobre como a minha vida mudou depois daquela viagem. O que eu não disse, foi que houve um acontecimento especial na Amazónia que me fez ver a vida com outros olhos.

Para melhor contextualizar como estava a minha vida naquele momento, tenho que ir atrás no tempo e parar na altura em que a minha mãe ficou doente. Diagnosticada com um tumor cerebral, foi operada duas vezes, o que a deixou sem falar, ler, escrever e com uma capacidade muito limitada de se movimentar em geral. Assim esteve durante um ano inteiro. Esse ano pareceu não ter fim. Quando ela morreu, eu “fugi” de Portugal e fui assentar em Amesterdão com o namorado que tinha na altura. Anos depois, com trabalhos que não me preenchiam, tentativas falhadas de mudar de rumo e agora de namoro terminado, ali estava eu com um bilhete de avião com destino ao Peru.

Imersa na floresta tropical da Amazónia, tive o privilégio de aprender sobre plantas com um instrutor e um Xamã. Um dia, fizemos uma caminhada onde passamos por árvores de Psychotria Viridis (mais conhecida como Chocruna) e começámos a apanhar as suas folhas. Mais tarde, misturámo-las com a videira Banisteriopsis Caapi (mais conhecida como Ayahuasca) e outras ervas para fazer uma decocção que durou cerca de oito horas. Este remédio, que se dá pelo nome de Ayahuasca na língua anciã Quechua, traduz-se para algo como “videira com alma” e tem vindo a ser usado por comunidades indígenas há milhares de anos em cerimónias.

O que acontece a nível químico é que a Chocruna contém uma dose alta de DMT – um neurotransmissor que também se encontra no corpo humano mas é decomposto por enzimas. A Ayahuasca por sua vez, tem a capacidade de impedir que as enzimas decomponham o DMT, permitindo assim o acesso a estados alterados de consciência.

A Ayahuasca já me “chamava” há um par de anos. Vi vários documentários, li sobre as plantas e sabia que um dia a iria tomar. Talvez estivesse a manifestar esta intenção já desde aí. (Um artigo sobre manifestação estará para breve.)

Ao cair da noite, o Xamã vestiu-se a rigor com uma indumentária especial, juntou alguns membros da comunidade mais quatro “gringos” (incluindo eu) e a cerimónia começou. Voltada para o lado em que nasce o sol, com um pequeno copo na mão contendo a bebida, fui encorajada a pensar na experiência que aí vinha bem como agradecer às plantas. No entanto sabia, como tinha lido anteriormente, que o que as plantas nos mostram é aquilo que nós precisamos e não aquilo que nós queremos. Foquei-me sobretudo em duas coisas: contactar com a minha mãe & saber a razão por detrás da minha baixa tolerância às dores e o facto de desmaiar demasiadas vezes.* 

Assim que o efeito da Ayahuasca arrancou, comecei a ver linhas néon que formava formas estranhas. Essas imagens na minha cabeça eram muito exaustivas e eu comecei a ficar cansada de as ver. Subitamente desmaiei e conseguia ver-me ali deitada no chão e a todos os outros participantes na cerimónia de uma perspectiva de cima, como se estivesse fora do meu corpo. Sabia que estava noutra dimensão. O mesmo sítio para onde vou sempre que desmaio. É como se estivesse num sonho mas com uma frequência muito própria à qual só tenho acesso quando desmaio. Nesse momento tive uma “transferência” de informação (muito difícil de explicar mas é algo que acontece com muitas pessoas que tomam Ayahuasca ou cogumelos mágicos) e simplesmente sabia agora que desmaiar era um lembrete de uma vida paralela/ passada que eu tive. Por outras palavras, durante esta minha vida era suposto eu não me esquecer daquela outra vida e desmaiar era assim a forma de me manter ligada a ela.

Depois “despertei” do desmaio e sentei-me de novo. Comecei a pensar na minha mãe e na tamanha dor que veio com a doença e morte dela – “Porque é que ela nos deixou tão cedo? Porquê ela? Quais seriam as coisas pelas quais ela tinha passado e não podia partilhar connosco naquela condição? Estaria ela zangada comigo por alguma razão?” Senti a sua presença. Não a conseguia ver mas sabia que ela estava ali comigo. Ela disse-me que mesmo que as coisas tivessem sido feitas de forma diferente aquando da sua doença, nada iria mudar o seu rumo. Que ela tinha que passar por tudo aquilo que passou durante aquele ano para que pudesse aprender as suas lições. Nada que nós fizéssemos iria prevenir aquele fim e deixar esta dimensão. Eu não conseguia parar de chorar. Era como se tivesse a derramar as lágrimas que não pude chorar durante um ano inteiro pois tinha que ser forte. A minha experiência durou cerca de seis horas e vi muitas outras coisas.

A Ayahuasca é considerada uma droga na cultura ocidental porque neste lado do mundo a maior parte das pessoas não estão assim tão ligadas às plantas. Estamos habituados a meter as drogas “todas no mesmo saco” como se todas fossem viciantes, prejudiciais e indignas. Eu não poderia estar mais em desacordo. As substâncias sintéticas, feitas em laboratório, tóxicas, usando apenas partes específicas das plantas, álcool etc. – essas são as drogas prejudiciais.

Ayahuasca, Peyote, San Pedro entre muitas outras plantas podem ser usadas como medicamento. São usadas há milhares de anos e têm inúmeros benefícios, sem causar dependências. Na realidade alguns destes remédios podem ajudar pessoas com vícios, depressão, ansiedade e por aí fora. As plantas deveriam ser usadas por aqueles que as conhecem e que sabem conduzir cerimónias para ajudar os outros.

Drogas no sentido da palavra, são aquelas coisas que nos receitam sempre que vamos ao médico queixando-nos de alguma coisa. Drogas que nos deixam dependentes, drogas que são muito mais perigosas do que nós pensamos, drogas que só mascaram a raiz ou a causa dos nossos problemas. Drogas que muitas pessoas consomem diariamente e que estão embaladas em latas, garrafas e pacotes de cartão.. Mas essas drogas ninguém questiona porque são socialmente aceites.

Este acontecimento especial que vivi na Amazónia chamado “cerimónia de Ayahuasca” ajudou-me tremendamente com aquelas questões que tinha sempre na minha cabeça sobre a doença e morte da minha mãe. Fez-me aceitar melhor a minha tendência para desmaiar. Mudou o meu hábito de pensar demasiado sobre o passado e trouxe-me paz.

*  Toda a minha vida tive esta condição sem diagnóstico que faz com que eu desmaie por tudo e por nada. Seja por ver sangue, magoar-me, cair, assustar-me, sentir dor, sentir fraqueza, tirar sangue, receber más notícias etc. Numa altura da minha vida desmaiava duas vezes por semana, depois melhorou mas nunca deixou de acontecer.

Vid con alma (ES)

En algunos de los artículos que escribí anteriormente, hablé por encima sobre mi viaje a Perú y sobre cómo mi vida cambió después de aquel viaje. Lo que no dije, fue que hubo un acontecimiento especial en Amazonia, que me hizo ver la vida con otros ojos.

Para mejor contextualizar cómo estaba mi vida en ese momento, tendré que retroceder en el tiempo y parar en el momento en que mi madre se enfermó. Diagnosticada con un tumor cerebral, fue operada dos veces, lo que la dejó sin hablar, leer, escribir y con una capacidad muy limitada de moverse en general. Así estuvo durante un año entero. Este año pareció no tener fin. Cuando murió, me “escapé” de Portugal y me establecí en Amsterdam con el novio que tenía en el momento. Años después, con trabajos que no me llenaban, intentos fallidos de cambiar de rumbo y ahora la ruptura con mi pareja, allí estaba yo con un billete de avión con destino a Perú.

Inmersa en la selva tropical de la Amazonia, tuve el privilegio de aprender sobre plantas con un instructor y un chamán. Un día, hicimos una caminata donde pasamos por árboles de Psychotria Viridis (más conocida como Chochuna) y empezamos a coger sus hojas. Más tarde, las mezclamos con la vid Banisteriopsis Caapi (más conocida como Ayahuasca) y otras hierbas para hacer una decocción que duró cerca de ocho horas. Este remedio, que se da por el nombre de Ayahuasca en la lengua anciana Quechua, se traduce a algo como “vid con alma” y ha sido utilizado en ceremonias por comunidades indígenas desde hace miles de años hasta los días de hoy.

Lo que ocurre a nivel químico es que la Chocuna contiene una dosis alta de DMT – un neurotransmisor que también se encuentra en el cuerpo humano pero es descompuesto por enzimas. La Ayahuasca a su vez, tiene la capacidad de impedir que las enzimas descompongan el DMT, permitiendo así el acceso a estados alterados de conciencia.

La Ayahuasca ya me ”llamaba” hace un par de años. Vi varios documentales, leí sobre las plantas y sabía que un día la tomaría. Quizás estuviera manifestando esta intención desde entonces. (Un artículo sobre manifestación estará para breve.)

Al caer la noche, el chamán se arregló y vistió una indumentaria especial, juntó a algunos miembros de la comunidad y a cuatro “gringos” (incluyendo yo) y la ceremonia comenzó. Vuelta hacia el lado en que nace el sol, con un pequeño vaso en la mano conteniendo la bebida, fui alentada a pensar en la experiencia que que me esperaba bien como a agradecer a las plantas. Sin embargo sabía, como había leído anteriormente, que lo que las plantas nos muestran es lo que necesitamos ver y no lo que queremos. Me enfoqué sobretodo en dos cosas: contactar con mi madre y saber la razón detrás de mi baja tolerancia a los dolores y el hecho de desmayarme demasiadas veces. *

Cuando el efecto de la Ayahuasca arrancó, empecé a ver líneas neón que formaban formas extrañas. Estas imágenes en mi cabeza eran muy exhaustivas y empecé a cansarme de verlas. De repente me desmayé y conseguí verme allí acostada en el suelo y a todos los demás participantes en la ceremonia desde una perspectiva de arriba, como si estuviera fuera de mi cuerpo. Sabía que estaba en otra dimensión. El mismo sitio donde voy siempre cuando desmayo. Es como si estuviera en un sueño pero con una frecuencia muy propia a la que sólo tengo acceso cuando desmayo. En ese momento tuve una “transferencia” de información (muy difícil de explicar pero es algo que sucede con muchas personas que toman Ayahuasca o hongos mágicos) y simplemente ahora sabía que desmayarme era un recordatorio de una vida paralela / pasada que tuve. En otras palabras, durante esta vida se suponía que no debía olvidarme de aquella otra vida y desmayarme era una forma de mantenerme ligada a ella.

Después “desperté” del desmayo y me senté otra vez. Empecé a pensar en mi madre y en el dolor que vino con su enfermedad y muerte – ¿Por qué nos dejó tan temprano? ¿Porque ella? ¿Cuáles serían las cosas por las que había pasado y no podía compartir con nosotros en aquella condición? ¿Estaría mi madre enfadada conmigo por alguna razón?Sentí su presencia. No la podía ver pero sabía que ella estaba allí conmigo. Me dijo que aunque las cosas se hubieran hecho de forma diferente durante su enfermedad, nada cambiaría su rumbo. Que ella tenía que pasar por todo lo que pasó durante aquel año para que pudiera aprender sus lecciones. Nada que hiciéramos podría haber impedido aquél final ni que dejara esta dimensión. Yo no podía parar de llorar. Era como si tuviera que derramar todas las lágrimas que no pude llorar durante todo un año entero porque en aquel momento tenía que ser fuerte. Mi experiencia duró unas seis horas y vi muchas más cosas.

La Ayahuasca es considerada una droga en la cultura occidental porque en este lado del mundo la mayor parte de las personas no están muy conectada com las plantas. Estamos acostumbrados a meter todas las drogas “en la misma caja” como si todas fueran adictivas, perjudiciales e indignas. No podría estar más en desacuerdo. Las sustancias sintéticas, hechas en laboratorio, tóxicas, usando sólo partes específicas de las plantas, alcohol, etc. – éstas son las drogas perjudiciales.

Ayahuasca, Peyote, San Pedro entre muchas otras plantas pueden ser usadas como medicinas. Se utilizan desde hace miles de años y tienen innumerables beneficios, sin causar dependencias. En realidad algunas de estas medicinas pueden ayudar a las personas con adicciones, depresión, ansiedad y por ahí. Las plantas deberían ser usadas por aquellos que las conocen y que saben conducir ceremonias para ayudar a los demás.

Drogas en el sentido de la palabra, son aquellas cosas que nos recetan siempre que vamos al médico quejándonos de algo. Drogas que nos dejan adictos, drogas que son mucho más peligrosas de lo que pensamos, drogas que sólo enmascaran la raíz o la causa de nuestros problemas. Drogas que muchas personas consumen diariamente y que están envasadas en latas, botellas y paquetes de cartón .. Pero esas drogas nadie cuestiona porque están aceptadas socialmente.

Este acontecimiento especial que viví en Amazonia llamado “ceremonia de Ayahuasca” me ayudó tremendamente con aquellas cuestiones que tenía siempre en mi cabeza sobre la enfermedad y muerte de mi madre. Me hizo aceptar mejor mi tendencia a desmayarme. Cambió mi hábito de pensar demasiado sobre el pasado y me trajo paz.

*  Toda mi vida he tenido esta condición sin diagnóstico que me hace desmayar por todo y por nada. Por ver sangre, hacerme daño, caer, asustarme, sentir dolor, sentir debilidad, sacar sangre para analiticas, recibir malas noticias, etc. En una época de mi vida se desmayaba dos veces por semana, después mejoró pero nunca dejó de suceder.

Give a kiss to grandma!

Give a kiss to grandma! (EN)

Dale un besito a la abuela! (ES)

Dá um beijinho à avó! (PT)

Desde Outubro que quero escrever este artigo. Venho falar sobre algo que levantou alguma polémica em meados desse mês. Na altura estávamos a preparar o lançamento do blog, e por um lado não quis começar logo “a matar” com um tema tão controverso, por outro não queria escrever de cabeça quente nem que este texto fosse lido sob esse efeito de reação automática. Agora que a poeira já assentou sobre este tema, tenho o gosto de me questionar e vos pôr a questionar também.

Para quem não esteve a par da tal polémica passo a explicar o que aconteceu. No dia 16 de Outubro num programa de debate da RTP (canal público de televisão portuguesa), chamado Prós e Contras, discutiu-se o movimento #MeToo e as suas consequências a nível social em Portugal e no mundo. Durante o debate um professor universitário disse uma frase que chocou muita gente. A frase dita por Daniel Cardoso (o professor) foi: “A educação é quando a avózinha ou o avôzinho vai lá a casa e a criança é obrigada a dar o beijinho à avózinha ou ao avôzinho. Isto é educação, estamos a educar para a violência sobre o corpo do outro e da outra desde crianças. Obrigar alguém a ter um gesto físico de intimidade com outra pessoa como obrigação coerciva é uma pequena pedagogia que depois cresce.”.

Eu não vejo televisão, mas através do facebook apercebi-me deste fenómeno. E foi lá que vi levantar-se uma onda de verdadeiro ódio para com uma pessoa que não tinha feito mais do que dar a sua opinião. Os insultos iam de parvo para cima (ou a expressão correcta seria para baixo, já que o nível também baixava?) e além de discordarem, em letras maiúsculas e com muitos pontos de exclamação, da ideia de que não se devem obrigar as crianças a beijar os avós (porque essas pessoas, que insultavam, tinham também elas sido obrigadas a dar beijos aos avós e continuavam de “boa saúde”; ou porque obrigavam os filhos a fazê-lo e queriam reafirmar que estavam a fazer o correcto), a maioria aproveitou para meter ao barulho a aparência física do Daniel, as suas relações pessoais e os seus gostos sexuais (todos considerados bastante fora do normal dentro dos parâmetros da nossa sociedade).

Eu até percebo a reação emocional das pessoas que procederam assim. Afinal toca-nos profundamente o ego quando alguém vem dizer que, uma das coisas que aceitamos como normais e por isso correctas (temos tendência para erroneamente correlacionar uma coisa com a outra), é afinal uma prática nociva. E como a maioria das pessoas não quer ir realmente ao fundo da questão, questionando-se verdadeiramente sobre o tema, é mais fácil serem infantis e atirar como argumentos coisas que não têm nada a ver com o que foi declarado pelo Daniel, como o facto de ele ter o cabelo comprido e uma aparência pouco masculina (a sério, mas que raio é que isso interessa para a conversa dos beijos aos avós?).  

Vamos então começar o exercício de pensar realmente sobre o assunto. Quais são os prós e contras de obrigar uma criança a dar um beijinho aos avós, ou a qualquer outra pessoa – seja a mãe, a tia afastada ou o amiguinho da escola?

Pró: A criança aprende que se deve cumprimentar as pessoas, mesmo quando não apetece, e que cumprimentar tem que ser através de contacto físico e alguma intimidade, como a que requer o beijo na cara. Contra: Acima está uma lição sem pés nem cabeça, primeiro porque mesmo nós (os adultos) às vezes ,por alguma razão, não cumprimentamos pessoas que conhecemos, depois porque existem mais formas de cumprimentar sem ter que beijar ou mesmo sem entrar em contacto físico.

Pró: A criança aprende que deve fazer o que se lhe manda e o que se lhe manda fazer é o correcto, porque os mais velhos é que sabem. Contra: Mas às vezes os mais velhos não sabem tudo, não sabem o que se passa dentro da cabeça da criança, nem compreendem as razões que ela possa ter para não querer beijar alguém, e essas razões devem ser consideradas tão boas como as que possas ter tu ou eu como adult@ para não querer beijar alguém (imagina que te obrigavam!). E sobretudo não me parece assim tão benéfico que uma criança aprenda que o que os mais velhos dizem, está à partida correcto, sem questionar. Isso é o que produz pessoas que não pensam pelas próprias cabeças, e não queremos educar pessoas dessas, certo?

Pró: Ensinamos à criança a ter respeito pelos mais velhos. Contra: Coagir alguém a fazer algo não ensina respeito, ensina obediência cega.  

Pró: A avó fica contente de ter ganho um beijo d@ net@. Contra: Se explicarmos à avó (ou a quem seja) porque é que não obrigamos a dar beijos talvez ela até perceba. E mais, se a avó eventualmente deixar de pedir beijos à criança esta, por iniciativa própria, pode vir a dar-lhe mais carinho quando realmente lhe apetecer, e isso certamente fará a avó mais feliz que um beijo de raspão por obrigação.  

Desafio quem não está de acordo a dizer-me então afinal o que é que se ganha obrigando as crianças a dar beijos às pessoas.

Eu não me lembro de que alguma vez me tivessem que obrigar a dar beijos aos meus avós, acho que sempre o fiz de livre vontade. Mas lembro-me bem de me fazerem dar beijos a outras pessoas, lembro-me principalmente de ir de mão dada com a minha avó no bairro onde ela vivia, e que sempre que encontrava uma amiga me pedia para eu as cumprimentar com um beijinho. Lembro-me que eram velhotas estranhas para mim, com cheiros esquisitos e com bigodes que pareciam picar ou lábios que pareciam deixar baba pelo caminho. Era normal que eu não tivesse nenhum interesse em beijá-las, e na verdade também não vejo o que nenhuma das partes ganhava com todo aquele “teatro” (nem eu, nem a minha avó, nem as amigas dela).

Eis que agora podem vir os defensores do “não vem nenhum mal ao mundo por fazer as crianças dar beijos a quem quer que seja “ porque, ao que parece, eu própria fui obrigada e não tive nenhum problema por causa disso. E eu digo: Nisso é que vocês se enganam!

O que vou partilhar a seguir sabem-no muito poucas pessoas. É um assunto que durante muito tempo da minha vida me provocou vergonha, e muita revolta. Quanto à vergonha, hoje em dia sei que não sou eu quem a deve sentir, e quanto à revolta não está completamente ultrapassada, e talvez nunca esteja.

Quando era pequena, um senhor que tinha idade para ser meu avô insistia em tocar-me de maneira pouco normal – isso era como eu via a coisa naqueles tempos. Hoje sei que ele me apalpava em zonas do corpo onde quem o faz é descrito como pedófilo. Na altura só me parecia estranho, ele fingia que me fazia cócegas para me pôr a mão no rabo e entre as pernas. Ou pedia que me sentasse no colo dele para ‘fazer o cavalinho’ quando na verdade o que fazia era esfregar-se em mim de uma maneira que hoje (não naquela altura) reconheço como sexual. Eu via este senhor várias vezes por semana, porque ele trabalhava para o meu pai e, apesar de na altura eu não ter discernimento para juntar dois mais dois (literalmente), só me fazia aquilo quando não havia mais adultos por perto. Eu fui ensinada que os mais velhos faziam o correcto, que devia aceitar as demonstrações de carinho dos mais velhos sem me queixar, e que tinha que respeitar as pessoas mais velhas. Isso fez-me aguentar estas práticas esquisitas, que me deixavam muito desconfortável, sem falar do assunto a nenhum outro adulto porque achava que não havia nada para contar.

Até que um dia este senhor nos chamou à minha irmã e mim para dentro de uma pequena sala de arquivo e fechou-nos lá dentro. Disse-me para eu ficar quieta de cara virada para a porta e, com os joelhos dobrados, pois eu ainda era bastante mais baixa que ele, começou a esfregar-se no meu rabo, com um movimento de pernas e ancas. Aquilo finalmente fez-me desconfiar que algo não batia certo. Apesar de ser tão pequena aquele episódio provocou-me muita vergonha. Lembro-me de dizer à minha mãe chorando que não queria que o meu pai me levasse mais para o trabalho dele. A minha mãe achou estranho porque eu até gostava de ir para lá, porque me entretinha com máquinas de escrever, calculadoras e outros tesouros tecnológicos aos quais não tinha acesso noutro sítio. E a muito custo e depois de muitas lágrimas, porque eu tinha vergonha de pôr aquele acto em palavras, lá contei à minha mãe o que tinha sucedido e também contei sobre os apalpões e outras coisas que achava esquisitas. A minha irmã confirmou a minha história. Eu tinha tanta vergonha que pedi à minha mãe que me prometesse que não diria ao meu pai que lhe tínhamos contado tudo isto. Tinha tanta vergonha que não podia sequer suportar ter que falar com o meu pai directamente sobre o acontecido se ele me perguntasse. A minha mãe falou com o meu pai e disse-lhe tinha ouvido uma conversa minha e da minha irmã sobre aquilo. A minha irmã e eu nunca mais fomos deixadas a sós com aquele senhor, mas ele continuou lá por muitos mais anos.

Voltando à minha revolta. Não, eu não vou dizer quem foi o pedófilo que me molestou quando eu era criança, nem sei se aquele homem ainda está vivo, e de qualquer forma não tenho nenhuma prova para além das minhas memórias. Não estou revoltada para com a minha mãe, que não tomou medidas mais assertivas (as que eu acho que tomaria se estivesse no lugar dela hoje), nem com o meu pai por não ter tentado perceber realmente o que tinha passado e por ter deixado que aquele homem continuasse a trabalhar para ele. Muito menos a minha revolta é para com a minha avó que me obrigava a dar beijos a outras pessoas mais velhas.

Sei que se tivesse sido educada para saber que a intimidade necessita consentimento e que não está certo que uma pessoa mais velha, só por o ser, possa exigir um certo nível de intimidade física comigo, em vez de aprender que é preciso dar beijinhos aos mais velhos quando estes pedem ou outro adulto o comanda… se tivesse sido educada para me respeitar, e lutar para que me respeitassem, em vez de ter de respeitar os mais velhos, só por questão de idade… se tivesse sido educada para pôr o meu desejo e o meu conforto diante de qualquer que seja a satisfação (não percebo realmente) que alguém obtém por conseguir ganhar um beijo de uma criança contrariada …se tudo isto tivesse acontecido assim e não assado talvez eu nem tivesse dado a primeira oportunidade a este homem para me molestar e talvez nunca tivesse que passar por tudo isto. Ainda hoje penso que se eu não me tivesse assustado tanto com aquele último episódio, um bastante mais traumático podia ter-se seguido.

Mas eu também não me sinto revoltada pela minha educação não ter sido diferente. O que realmente me revolta é que nos dias de hoje, com toda a informação que temos, e com pessoas finalmente dispostas a falar abertamente destes assuntos, ainda haja gente quem se recusa a questionar práticas “normais” só porque elas se fizeram assim a vida toda. O que me revolta é que tanta gente que eu considero inteligente, sem pensar cinco minutos sobre o assunto, teve a necessidade de repudiar uma opinião que sei que é bem válida.

Quando alguém tenta forçar crianças a cumprimentarem-me com um beijo eu sou a primeira a dizer que não quero. E quando (se alguma vez) tiver filh@s não @s vou obrigar a dar beijos aos avós, nem às tias, e nem a mim mesma. Se alguém achar que as minhas “crias” são mal-educadas por não beijarem à demanda, problema deles, eu não acho que o objectivo deva ser criar paus mandados, mas sim educar seres pensantes.


Give a kiss to grandma! (EN)

Today, I’m writing about something that generated some controversy in Portugal, last mid-October and since then I was willing to write this article. At that time, we were preparing to launch this blog and for that reason I didn’t want to start with such a controversial topic.

As the english readers might not be familiar with this polemic subject, I will first explain what happened. On the 16th of October, there was a debate on RTP channel (public Portuguese channel) called “Pros & Cons”, where the movement #MeToo and its consequences in Portugal and abroad, were discussed on a social level. During the debate, a university Professor called Daniel Cardoso, said something that shocked many people. The phrase was: “Education is resumed to when grandma or grandpa come to visit and the child is obligated to give a kiss to grandma or grandpa. This is the education, we are educating on violence regarding one’s body since early age. Forcing someone to have a physical and intimate gesture with such coercive obligation with another person is considered a small pedagogy that later on will grow.”.

To those who don’t know Portuguese culture, we kiss people on both cheeks to greet them and we are taught to do so since a very early age.

I don’t watch TV, but this phenomenon reached me through Facebook. There, I saw a surge of deep hatred arising towards someone that had not done anything but express his opinion. The insults were beyond foolish and besides disagreeing, with capital letters and many exclamation marks, with the idea that kids should not be forced to kiss their grandparents (because those insulting were too obligated to kiss their grandparents and remained “all right”; or because they obligate their own children to do the same and wanted to reaffirm that this was the right thing to do), the majority took advantage of the situation to comment on Daniel’s physical appearance, his personal relationships and sexual orientation (all considered abnormal among our society standards).

I even understand people’s emotional reaction when reacting in this way. After all, our ego gets profoundly touched when someone tells us that, something we accept as normal and thus correct (we have a tendency to correlate erroneously both things), is in the end of the day detrimental. As most people are not willing to dig deep to the bottom of the issue, truly questioning about the subject, it is easier to be childish and throw a bunch of arguments that nothing have to do with what Daniel said in the first place, such as commenting on his long hair and his lack of masculine appearance (really? how the hell is this related to the topic about kissing the grandparents?).

Let’s get to an exercise to really start thinking about this issue. What are the pros and cons of forcing a child to kiss their grandparents, or whoever it is – whether is the mother, the estranged aunt or a friend in school?

Pro: The child learns that they should greet people, even when they don’t feel like it, and that greeting has to be with physical contact and some intimacy, such as a cheek kiss requires. Con: Above is a non sense lesson because even adults sometimes don’t greet acquaintances for some reason and also because there are more ways of greeting others with no need for kisses or any physical contact.

Pro: The child learns that they should do what they are taught to do and that what they are taught is correct, because older people know better. Con: Except that older people don’t always know better, they don’t know what lies inside a child’s head, nor understand the reasons behind a child not wanting to kiss someone, and those reasons should be considered as good as the reasons you or I have as adults to not want to kiss someone (picture that you were obligated to!). And above all, it doesn’t seem beneficial to me if a child learns that what older people say is, from the outset, correct without questioning it. That’s exactly what generates people that cannot think for themselves and we do not want educate such people, do we?

Pro: We teach the child to have respect for older people. Con: Compel someone to do something does not teach respect, it teaches blind obedience.

Pro: The grandma is happy because she got a kiss from her grandchild. Con: If we explain to the grandma (or any other person) why we don’t force the child to kiss her, perhaps she can understand. More, eventually if the grandma stops requesting kisses from the child, they can end up giving her more affection from their own initiative, when they feel like doing it, and that will certainly make the grandma happier that gaining a forced glancing kiss.

I challenge those who don’t agree, to tell me what do we gain by forcing children to give kisses to people.

I do not recall ever being forced to give a kiss to my grandparents, I guess I did it with free will. However, I do remember being asked to kiss other people. Mostly older ladies, as I joined my grandma for a walk at her neighbourhood and every time we met one of her friends, she would kindly ask me to greet them with a kiss. I recall that I considered them as outsiders, with weird smells and facial hair that seemed to prick or lips that would drool all over my face. It seems reasonable to me that I wasn’t keen to kiss them and in truth I can’t see what any of us would gain with this “theatrical performance” (my grandma, her friends or myself).

And here can come the advocates of “I don’t see what harm can be done by obligating kids to kiss whoever it is” because, just as I said, I was too obligated and didn’t have any problem because of that. And my answer is: You have no idea!

What I’m about to share here, not many people know. It’s a subject that created shame for quite a long time in my life, and lots of outrage too. With respect to the shame, I know nowadays that it isn’t me who should feel it, and regarding the outrage it is not completely surpassed, and perhaps will never be.

When I was a child, a man that was as old as my grandfather, insisted in touching me in a rather strange way – that’s how I saw things back then. Today I know that he would touch my body in such areas where those who do are called pedophiles. At the time, it seemed odd to me, he would pretend to tickle me just to touch my butt or between my legs. He would also ask me to sit on his lap to “play horsey” when in fact what he just wanted was to rub himself on me in a way that today (not back then) I acknowledge as sexual. I encountered this man several times a week as he was my dad’s employee and, despite my lack of discernment to put two and two together (literally), he would only do those things when there were no other adults around. I was taught that older people did the right thing, that I should accept affection demonstrations for them without complaining, and to respect them. That made me put up with those weird acts, that would would make me feel very uncomfortable, without even mentioning it to any adult because I thought there was nothing to tell.

Until one day, this man took my sister and I to a small archive room and locked us inside with him. He told me to be quiet and facing the door, he bent his knees (because I was way shorter than him) and started to rub his parts in my butt, moving legs and hips. I realised then that something here wasn’t right. Despite being just a child that happening caused me a lot of shame. I recall telling my mother, with tears rolling down my face, that I no longer wanted my father to bring me to his workplace. My mother found this to be strange because going to my dad’s office was something that I enjoyed as I would get amused by the typewriter, calculators and other tech treasures to which I didn’t have access in any other place. Somehow, many tears later as I had so much shame to put that episode in words, I finally explained to my mom what had happen, together with the other odd stuff that he had done before. My sister confirmed my story. Again, my shame was such that I asked my mother to promise not to tell my father what she had just learned from us. This shame prevented me from even thinking about talking about this issue directly with my dad, if I was eventually queried by him. My mother then talked to my father and said that she had heard my sister and I chat about it. Both my sister and I were never again let alone with this man, however he ended up still working there for many more years.

Back to my outrage. No, I won’t say who is the pedophile that molested me when I was a young girl, I don’t even know if he is still alive, and besides my memories no other proof remained. I’m not outraged at my mother, that didn’t take the best measures (those measures that I would take today if I was in her position), nor at my father for not trying to understand what was really happening and to keep that man as an employee. My revolt is even less towards my grandma that obligated me to kiss other elderly people.

I know that if I was brought up to understand that intimacy requires consent and that it is not ok when an older person claims a certain intimacy level with me, instead of learning that it’s necessary to give kisses to older people by their or other adults request… if I was to be raised to respect myself and strive to be respected by others, instead of having to respect older people only because of their age… if I was brought up to place my desire and comfort above other people’s satisfaction for getting a kiss from a countered child…if only all of this had happened in this way and no other, maybe I would have never given this man the first chance to molest me and perhaps would never been through all of this. To this day I think that, had I never been so scared with that last event, a much more traumatising one could have succeeded.

I can’t say that I feel revolt due to the way I was brought up. What is outraging to me is that nowadays, with all the information we have available, and with people open to talk about these topics, is that still to this day there are people who refuse to question “normal” practices just because that’s how they have been done so far. What is outraging to me is that so many people that I consider as intelligent, without even taking five minutes to think about the subject, had the need to repudiate a valid opinion.

When someone tries to force a child to greet me with a kiss, I’m the first to say that I don’t want it. And when (if anytime) I’ll have my own children, they won’t be obligated to kiss their grandparents, nor aunts, nor even myself. If anyone will think that my kids are ill-mannered just because they don’t greet with a kiss, I can’t even bother. I don’t think that the goal is to raise “rubber stamps” but rather individuals that can think.


¡Dale un besito a la abuela! (ES)

Desde octubre que quiero escribir este artículo. Vengo a hablar sobre algo que ha levantado alguna polémica en Portugal a mediados de ese mes. En ese momento estábamos preparando el lanzamiento del blog, y no quise empezar tan pronto con un tema tan controvertido.

Es normal que l@s lector@s hispanohablantes no estuvisteis al tanto de esa polémica por lo que paso a explicar lo que sucedió. El 16 de octubre en un programa de debate en RTP (canal de la televisión pública portuguesa) llamado “Prós e Contras” (Pros y Contras), se discutió el movimiento #MeToo y sus repercusiones sociales en Portugal y en el mundo. Durante el debate un profesor universitario dijo una frase que chocó a mucha gente. La frase dicha por Daniel Cardoso (el profesor) fue: “Educación es cuando la abuelita o el abuelito van a la casa y se obliga al crío a dar un besito a la abuelita o al abuelito.  Esto es educación, estamos educando para la violencia sobre el cuerpo del otro y de la otra desde niñ@s. Obligar alguien a tener un gesto físico de intimidad con otra persona como obligación coercitiva es una pequeña pedagogía que después crece”.

Yo no veo la tele, pero a través de facebook me dí cuenta de este fenómeno. Y fue allí donde vi levantarse una ola de verdadero odio hacia una persona que no había hecho más que dar su opinión. Los insultos iban de tonto p’arriba (o quizás la expresión correcta sería p’abajo, ya que el nivel también bajaba) e además de discrepar, en letras mayúsculas y con muchos puntos de exclamación, de la idea de que no se deben obligar a los niños a besar a los abuelos (porque esas personas, que insultaban, también habían sido obligadas a dar besos a los abuelos y continuaban de “buena salud”, o porque obligaban a sus hijos a hacerlo y querían reafirmar que estaban haciendo lo correcto) la mayoría aprovechó para incluir en la discusión la apariencia física de Daniel, sus relaciones personales y sus gustos sexuales (todos considerados bastante fuera de lo normal dentro de los parámetros de nuestra sociedad).

Yo hasta entiendo la reacción emocional de las personas que procedieron así. Al final nos toca profundamente el ego cuando alguien viene a decir que una de las cosas que aceptamos como normales y por eso correctas (tenemos la tendencia para erróneamente correlacionar una cosa con la otra), es una práctica nociva. Y como la mayoría de la gente no quiere ir realmente al fondo de la cuestión, preguntándose verdaderamente sobre el tema, es más fácil ser infantil y disparar como argumentos cosas que no tienen nada que ver con lo que fue declarado por Daniel, como el hecho de él llevar el pelo largo y tener una apariencia poco masculina (¡en serio!,¿ pero qué diablos interesa eso para la conversación de los besos a los abuelos?).

Empecemos el ejercicio de pensar realmente sobre el tema. ¿Cuáles son los pros y contras de obligar a un niño a dar un beso a los abuelos, o a cualquier otra persona – ya sea la madre, la tía alejada o el amiguito de la escuela?

Pro: La niña o el niño aprende que se debe saludar a las personas, incluso cuando no apetece, y que saludar tiene que ser a través de contacto físico y alguna intimidad, como la que requiere el beso en la cara. Contra: Arriba está una lección sin pies ni cabeza, primero porque incluso los adultos a veces no saludamos a las personas que conocemos por alguna razón, después porque hay más formas de saludar a las personas sin tener que besar o incluso sin entrar en contacto físico.

Pro: La niña o el niño aprende que debe hacer lo que se le manda y que lo que se le manda hacer es lo correcto, porque los mayores son los que saben. Contra: Pero a veces los mayores no saben todo, no saben lo que pasa dentro de la cabeza del@ niñ@, ni comprenden las razones que él/ella pueda tener para no querer besar a alguien, y esas razones deben ser consideradas tan buenas como las que podamos tener tu y yo como adult@s para no querer besar a alguien (¡imagina que te obligan!). Y sobre todo no me parece tan beneficioso que un@ niñ@ aprenda que lo que los mayores dicen está desde un principio correcto, sin cuestionar. Eso es lo que produce personas que no piensan por las propias cabezas, y no queremos educar a personas así, ¿verdad?

Pro: Enseñamos al@ niñ@ como tener respeto por los mayores. Contra: Coaccionar a alguien a hacer algo no enseña respeto, enseña obediencia ciega.

Pro: La abuela se queda contenta de haber ganado un beso del nieto o de la nieta. Contra: Si le explicamos a la abuela (o a quien sea) porque no obligamos a dar besos quizás ella lo entienda. Y más, si la abuela eventualmente deja de pedir besos al@ niñ@ est@, por iniciativa propia, puede venir a darle más cariño cuando realmente le apetezca, y eso ciertamente hará la abuela más feliz que un beso de raspón por obligación.

Desafío a quien no está de acuerdo que me diga entonces lo que se gana obligando a l@s niñ@s a dar besos a las personas.

Yo no recuerdo que alguna vez me tuvieran que obligar a dar besos a mis abuel@s, creo que siempre lo hice de libre voluntad. Pero recuerdo bien de sí que me hacían dar besos a otras personas, recuerdo principalmente cuando iba con mi abuela por el barrio donde ella vivía, y como siempre que encontraba una amiga me pedía que yo las saludara con un besito. Recuerdo que eran viejitas extrañas para mí, con olores extraños y con bigotes que parecían picar o labios que parecían dejar babas por el camino. Era normal que yo no tuviera ningún interés en besarlas, y en realidad tampoco veo lo que ninguna de las partes ganaba con todo aquel teatro (ni yo, ni mi abuela, ni sus amigas).

Y ahora pueden venir los defensores del “no viene ningún mal al mundo por hacer los niños dar besos a cualquiera que sea” porque, al parecer, yo misma fui obligada y no tuve ningún problema a causa de eso. Y yo digo: ¡Es en eso que ustedes se equivocan!

Lo que voy a compartir a continuación lo saben muy pocas personas. Es un tema que durante mucho tiempo de mi vida me provocó vergüenza, y mucho enojo. En cuanto a la vergüenza hoy en día sé que no soy yo quien la deba sentir, y en cuanto al enojo no está completamente superado, y quizás nunca lo esté.

Cuando era pequeña, un señor que tenía edad para ser mi abuelo insistía en tocarme de manera poco normal – eso era como yo veía la cosa en aquellos tiempos. Hoy sé que él me palpaba en zonas del cuerpo donde quien lo hace es descrito como pedófilo. En la época sólo me parecía extraño, él fingía que me hacía cosquillas para ponerme la mano en el cilo y entre las piernas. O me pedía que me sentara en sus piernas para ‘hacer el caballito’ cuando en realidad lo que hacía era frotarse en mí de una manera que hoy (no en aquella época) reconozco como sexual. Yo veía a este señor varias veces por semana, porque él trabajaba para mi padre y, a pesar de que no tenía discernimiento para juntar dos más dos (literalmente), sólo me hacía aquello cuando no había más adultos cerca. Me enseñaron que los mayores hacían lo correcto, que debía aceptar las demostraciones de cariño de los mayores sin quejarme, y que tenía que respetar a las personas mayores. Eso me hizo aguantar estas prácticas extrañas, que me dejaba muy incómoda, sin hablar del tema a ningún otro adulto porque creía que no había nada que contar.

Hasta que un día este señor nos llamó a mi hermana y a mi, nos llevó para dentro de una pequeña sala de archivo y nos cerró dentro. Me dijo que me quedara quieta de cara hacia la puerta y, con las rodillas dobladas, pues yo todavía era bastante más baja que él, empezó a frotarse en mi culo, con un movimiento de piernas y caderas. Eso finalmente me hizo desconfiar que algo no estaba bien. A pesar de ser tan pequeña ese episodio me provocó mucha vergüenza. Me acuerdo de decir a mi madre llorando que no quería que mi padre me llevara más a su trabajo. A mi madre le pareció extraño porque de normal me gustaba ir allí, porque me entretenía con máquinas de escribir, calculadoras y otros tesoros tecnológicos a los que no tenía acceso en otro sitio. A mucho costo y después de muchas lágrimas, porque yo tenía vergüenza de poner aquel acto en palabras, le conté a mi madre lo que había sucedido y también conté sobre las otras cosas que me hacía y me parecían raras. Mi hermana confirmó mi historia. Yo tenía tanta vergüenza, que le pedí a mi madre que me prometiera que no diría a mi padre que le habíamos contado todo esto. Tenía tanta vergüenza que no podía soportar tener que hablar con mi padre sobre ello si él me lo preguntara directamente. Mi madre habló con mi padre y le dijo que había escuchado una conversación entre mi hermana y yo sobre aquello. Jamás nos volvieron a dejar a solas con aquel señor, pero él continuó allí por muchos más años.

Volviendo a mi enojo. No, no voy a decir quién fue el pedófilo que me molestó cuando yo era niña, ni sé si aquel hombre todavía está vivo, y de todos modos no tengo ninguna prueba más allá de mis memorias. No estoy enojada con mi madre por no haber tomado medidas más asertivas (las que creo que tomaría si estuviera en su lugar hoy), ni con mi padre por no haber intentado percibir realmente lo que había pasado y por haber dejado que aquel hombre continuara trabajando para él. Mucho menos estoy enojada con my abuela que me obligaba a dar besos a otras personas mayores.

Sé que si hubiera sido educada para saber que las intimidades necesitan consentimiento y que no está bien que una persona mayor, sólo por serlo, pueda exigir un cierto nivel de intimidad física conmigo, en vez de aprender que hay que dar besos a los mayores cuando estos me lo piden u otro adulto lo demanda … si hubiera sido educada para respetarme, y luchar para que me respetaran, en vez de tener que respetar a los mayores, sólo por cuestión de edad … si hubiera sido educada para poner a mis deseos y mi comodidad delante de cualquiera que sea la satisfacción (no percibo realmente) que alguien obtiene por conseguir ganar un beso de un@ niñ@ contrariado … si todo esto hubiera ocurrido así y no de la manera que ocurrió, quizás ni siquiera le hubiera dado la primera oportunidad a este hombre para molestarme y quizás nunca tuviera que pasar por todo esto. Hoy todavía pienso que si no me hubiera asustado tanto con aquel último episodio, uno bastante más traumático podía haberse seguido.

Pero yo tampoco me siento enojada por mi educación no haber sido diferente. Lo que realmente me enoja es que en los días de hoy, con toda la información que tenemos, y con personas finalmente dispuestas a hablar abiertamente de estos temas, todavía hay gente que se niega a cuestionar prácticas ‘normales’ sólo porque las cosas se hicieron así toda la vida. Lo que me enoja es que tanta gente que considero inteligente, sin pensar cinco minutos sobre el tema, tuvo la necesidad de repudiar una opinión que sé que es muy válida.

Cuando alguien intenta forzar a l@s niñ@s a saludarme con un beso, soy la primera en decir que no quiero. Y cuando (si alguna vez) tengo hij@s no voy a obligarl@s a dar besos a los abuelos, ni a las tías, ni a mí misma. Si alguien cree que mis crí@s son maleducad@s por no besar a demanda, problema suyo, no creo que el objetivo deba ser criar títeres, sino educar a seres pensantes.

Barefoot

Barefoot (EN)

Descalz@ (ES)

Descalç@ (PT)

Quando estava a trabalhar em hotelaria em Amesterdão, lembro-me de ver pessoas a andarem descalças não só no interior mas também na rua. Várias foram as vezes em que meti conversa com essas pessoas para tentar perceber o porquê de tal coisa. A maioria delas eram Australianas ou Neozelandesas e, como eu nunca tinha visitado esses dois países, não sabia se era um costume ou apenas coincidência.

Isto para dizer que, naquela altura, só pensava o quão malucas eram aquelas pessoas por andarem descalças… Mas então para que é que a humanidade tinha inventado os sapatos? Não era para prevenir que lesionassemos os pés?

Anos mais tarde mas ainda em Amesterdão, quando comecei a questionar várias coisas, comecei também a mudar muitos dos hábitos que tinha anteriormente. Hábitos esses que daqueles que tod@s nós temos e nunca paramos para questionar pois foi assim que aprendemos. Ainda que os meus horizontes se estivessem a abrir cada vez mais, eu continuava sem perceber esta ideia de andar descalç@.

No Peru conheci uma rapariga brasileira que era tão aventureira, “terra a terra”, um verdadeiro espírito livre e comecei a admirá-la muito. Ela tinha uns sapatos fora do normal, com dedinhos, o que me chamou a atenção. Como ela era esta miúda com muita pinta, eu queria ter uns sapatos como os dela. Então assim que cheguei a casa comprei os meus primeiros “five fingers” da marca Vibram. Posso dizer que a partir desse momento nunca mais os deixei. Usei-os durante todas as minhas viagens, e se tivesse ter que escolher apenas um par de sapatos para usar sempre, esses seriam a minha escolha.

No entanto, só mais recentemente, já a morar em Vancouver é que finalmente mergulhei numa pesquisa que mudou a forma como eu via o calçado. Sim, eu continuava a calçar os meus “five fingers” que se mantinham os sapatos mais confortáveis até à data mas eu não sabia o porquê. Esta minha pesquisa levou-me ao mundo do calçado minimalista e “barefoot”, onde profissionais desta área afirmam que os “sapatos normais”, aqueles que calçamos diariamente (como os da Nike, Aldo, Toms, Ugg, etc.) deformam os nossos pés. No início fiquei um bocado surpreendida mas, sabendo já que outros conceitos convencionais estavam completamente errados, rendi-me completamente a esta nova ideia.

Depois comecei a recordar-me de como eram os pés das pessoas nativas do Peru, Tailândia ou Indonésia, aquelas que viviam na selva ou perto da natureza e que só calçavam chinelos ocasionalmente. @s miúd@s corriam por todo o lado e subiam a árvores descalços. Os pés del@s tinham uma forma estranha a meu ver. Os dedos eram mais separados que os nossos – o que cria estabilidade. Os seus pés tinham arcos fortes – o que está diretamente conectado com as ancas e postura – e também eram rijos e capazes de enfrentar obstáculos sofrendo apenas danos ligeiros. Aposto que se eu fosse andar por ali de pés descalços como eles, ficaria cheia de feridas e lesões em todo o lado.

Bom, se os nossos pés foram como os deles em determinado momento, porque razão os “encapsulamos”?

Aqui está explicado aquilo que fazemos aos nossos pés, e por consequência ao resto do corpo, só por usarmos calçado comum:

  • Os dedos dos pés amontoam-se em cima uns dos outros;
  • O dedo grande do pé tem uma diferença grande em comparação com os outros dedos, no que toca à sua altura;
  • Pés chatos;
  • Deformidades como joanetes, dedos em martelo, unhas encravadas, etc.;
  • Dores e lesões nas costas, pescoço, joelhos e ancas;
  • Os sapatos de salto alto fazem com que os músculos quadríceps sejam mais dominantes tornando os glúteos mais fracos e causam problemas nos joelhos e tornozelos;
  • Bolhas, ferimentos, micoses, maus cheiros etc.

Os pés daqueles que pouco usam sapatos são realmente muito parecidos com os pés dos bebés. Os pés dos bebés ainda são perfeitos, até os começarmos a restringir. Assim crescemos até nos tornarmos adultos com todos os problemas e mais alguns, não só a nível de pés mas também no resto do corpo, e nem temos a mais pequena ideia acerca disso.

Idealmente deveríamos andar mais descalços na natureza ou sempre que tivermos oportunidade (evitando andar descalço em sítios onde pode não ser seguro). O tempo restante, deveríamos ao menos simular andar descalço e para isso temos ótimas opções nos dias de hoje.  O calçado “barefoot” protege os pés de danos, deixando-os respirar, permitindo a separação dos dedos e, acima de tudo, permite que os pés funcionem como se estivéssemos descalços. Este tipo de calçado pode também reverter os danos que sapatos convencionais fizeram aos nossos pés.

Desde que comecei a usar sapatos “barefoot” que deixei de me queixar com dores nos pés. Muitos quilómetros se fizeram com eles calçados, pelo caminho de Santiago, desfiladeiros, grutas, várias caminhadas e os meus pés nunca sofreram com ferimentos ou lesões. A minha irmã Nico pode bem confirmar o que digo pois andámos juntas em muitas destas aventuras. Algumas pessoas que encontrávamos pelo caminho, “metiam-se” connosco por acharem estranho o que levávamos calçado e não conseguiam entender a ideia de que os “sapatos normais” podem de facto ser prejudiciais para nós. Verdade seja dita, essas mesmas pessoas queixavam-se de dores e nós não.

Para o caso de começares a questionar-te sobre calçado “barefoot”, aqui fica um apanhado de informação que te pode ajudar. Elementos que deverás ter em conta quando comprares sapatos: *

  • Rasos: sem salto elevado – o ideal é que não haja nenhuma diferença de altura entre o calcanhar e o resto pé. Os humanos não estão adaptados para andarem com rampas nos pés o dia inteiro e isso contribui para problemas de postura;
  • Flexíveis: se não consegues dobrar, girar e mover os sapatos em todas as direções, irá impedir o movimento do teu pé, criando articulações rígidas e por vezes dolorosas;
  • Suporte do arco: os músculos do teu pé estão lá por alguma razão. Não os enfraqueças com suportes artificiais;
  • Amortecimento: ao contrário do que as marcas querem que tu acredites, amortecedores impedem o teu pé de funcionar da melhor forma e afectam de forma negativa o seu movimento.

* Fonte- The Foot Collective

Barefoot (EN)

Back when I was working in Hotels in Amsterdam, I recall seeing people walking barefoot not just inside the premises but also out in the street. I often nattered with them to figure why would they do such thing. Most of these people were “Aussies” or “Kiwis” and as I had never been in Australia or New Zealand, I couldn’t tell if it was a cultural thing or just coincidence.

This to say that, at the time, I just thought how crazy they were for walking barefoot… I mean, why did humans invented the shoes then? Wasn’t it to prevent us from injuring our feet?

Years latter but still in Amsterdam, when I started questioning various things, I also started changing many habits that I had before. Habits that we have and we would never second guess because that’s how we learned them. Despite getting more and more open minded, I still couldn’t understand the barefoot topic.

In Peru I met a Brazilian girl that was so adventurous, down to earth and a true free spirit and I really admired her for that. She had unusual shoes with fingers that immediately draw my attention. Because she was this kick-ass cool girl, I kind of wanted to have the same shoes. So I went home and bought my first “five fingers” from Vibram. I can say that since then I never left them behind. I brought them to all my trips and if I could only have one pair of shoes, those would be it.

However, it wasn’t up until recently, while living in Vancouver that I truly dived into a research that completely changed the way I saw footwear. Yes, I was still wearing the “five fingers” and they were still the most comfortable shoes I have ever had but I didn’t really know why. My research brought me to minimal footwear and barefoot shoes. These feet experts were saying that our “normal shoes”, the ones that we wear daily (such as from Nike, Aldo, Toms, Ugg etc.) were deforming our feet. At first I was a bit shocked but knowing already that other mainstream things are completely wrong, I completely surrendered to this new idea.

I started to remember how the feet of native people in Peru, Thailand or Indonesia looked like. Those living in the jungle or very close to nature would only occasionally put some flip-flops on. The kids would run around and climb on trees barefoot. Their feet were shaped funny to me. The toes were spread apart – which creates stability. Their feet had arches – which is directly connected with the hips and posture. Their feet were sturdy and could bare all nature obstacles with minor injuries. I bet that if I were to run around barefoot like them, I would get painful cuts and bruises everywhere.

Well, if our feet were just like theirs at some point, why did we “encapsulate” them?

Here is what we have done to our feet and rest of the body by wearing regular footwear:

  • Our toes overlap each other;
  • The big toe has a huge size difference compared to the other fingers, when it comes to its height;
  • Flat arches;
  • Deformities such as bunions, hammer toes, ingrown toenail, etc.;
  • Back, neck, knee and hip injuries or pain;
  • High heeled shoes make quads muscles more dominant and the glutes muscles week & cause knee and ankles problems;
  • Blisters, bruises, mycoses, stinky feet etc.

Native people’s feet are indeed similar to babies feet. Babies feet are still perfect until we start restraining them and then we grow up to adults with all kinds of issues derived from our feet and we don’t even know about it.

Ideally we should walk more barefoot in nature or every time we have a chance (avoiding walking barefoot in the street as it can surely be unsafe). The rest of the time, we should at least mimic what is like to be barefoot and for that we have great options nowadays. Barefoot shoes protect our feet from damage, let them breathe, let the toes spread and above all, allow the feet to function as if we were barefoot. They can also start reversing what regular shoes did to our feet.

Since I started wearing barefoot shoes I stopped complaining of pain in my feet. Many kilometers were done while walking the Camino de Santiago, canyons, caves, hikes and my feet never ended up with bruises or injuries. My sister Nico can confirm as we were together in some of those adventures. People along the way would approach us because they found it rather odd and couldn’t wrap their head around the idea that regular shoes are not proper for us. Truth is, those people complaint of pain and we didn’t.

In case you’ll start questioning about barefoot footwear, here is some homework done to help you. Elements you should look for when buying shoes: *

  • Flat: no elevated heel. Humans aren’t adapted to walking around on ramps all day and it contributes to postural problems;
  • Flexible: if you can’t bend, twist and move a shoe around in every direction it will inhibit movement at your foot creating stiff and sometimes painful joints;
  • Arch support: The muscles of your foot are there for a reason. Don’t weaken them with artificial support;
  • Cushioning: contrary to what shoe companies want you to believe, cushioning actually prevents your foot from working optimally (as a ground sensor) and will negatively affect your movement.

* Resource – The Foot Collective

 

Descalz@ (ES)

Cuando estaba trabajando en hotelería en Amsterdam, recuerdo que veía algunas personas caminando descalzas no sólo en el interior, sino también en la calle. Varias veces empecé conversaciones con esas personas para intentar percibir el porqué de ello. La mayoría de ellas eran Australianas o Neozelandesas y como nunca había visitado estos dos países, no sabía si era una costumbre o apenas coincidencia.
Esto para decir que, en ese momento, sólo pensaba lo locas que eran aquellas personas por ir descalzas … Pero entonces, ¿para qué había la humanidad inventado los zapatos? ¿No era para prevenir que lesionáramos los pies?

Años más tarde pero aún en Ámsterdam, cuando empecé a cuestionar varias otras cosas empecé también a cambiar muchos de los hábitos que tenía anteriormente. Hábitos de esos que tod@s tenemos y nunca paramos para cuestionar pues fue así que los aprendemos. Aunque mis horizontes se abrían cada vez más, yo seguía sin entender esta idea de ir descalzo.

En Perú conocí a una chica brasileña que era tan aventurera, “pies en la tierra”, un verdadero espíritu libre y la admiraba mucho. Ella tenía unos zapatos fuera de lo normal, con deditos, lo que me llamó la atención. Como ella era esta chica muy guay, yo quería tener unos zapatos como los suyos. Conforme volví a casa me compré mis primeros “five fingers” de la marca Vibram. Puedo decir que a partir de ese momento nunca más los dejé. Los usé durante todos mis viajes, y si tuviera que elegir sólo un par de zapatos para usar siempre, esos serían mi elección.

Sin embargo, sólo más recientemente, ya viviendo en Vancouver fue cuando finalmente me sumergí en una investigación que cambió la forma en que veía el calzado. Sí, yo seguía calzando mis “five fingers” que seguían siendo los zapatos más cómodos hasta la fecha, pero no sabía el por qué. Mi búsqueda me llevó al mundo del calzado minimalista y “barefoot “, donde profesionales de la área afirman que los “zapatos normales”, los que calzamos diariamente (como los de Nike, Aldo, Toms, Ugg, etc.) deforman nuestros los pies. Al principio me sorprendió un poco, pero, sabiendo ya qué otros conceptos convencionales estaban completamente equivocados, me rendí completamente a esta nueva idea.

Después empecé a recordar cómo eran los pies de las personas nativas de Perú, Tailandia o Indonesia, aquellas que vivían en la selva o cerca de la naturaleza y que sólo calzaban chanclas de vez en cuando. L@s niñ@s corrían por todas partes y subían a los árboles descalzos. Me parecía que sus pies de tenían una forma rara. Los dedos eran más separados que los nuestros – lo que crea estabilidad, tenían arcos marcados – lo que está directamente conectado con las caderas y la postura – y también eran fuertes y capaces de enfrentarse a obstáculos sufriendo sólo daños ligeros. Me parece que si yo fuera a caminar por allí de pies descalzos como ellos, se me harían heridas y lesiones por todas partes.

Bueno, si nuestros pies fueron como los de ellos en determinado momento, porque razón los “encapsulamos”?

Aquí se explica lo que hacemos a nuestros pies, y en consecuencia al resto del cuerpo, sólo por usar calzado común:

  • Los dedos de los pies se amontonan encima unos de otros;
  • El dedo grande del pie tiene una diferencia grande en comparación con los otros dedos, en lo que toca a su altura;
  • Pies planos;
  • Deformidades como juanetes, dedos en martillo, uñas enclavadas, etc .;
  • Dolores y lesiones en la espalda, cuello, rodillas y caderas;
  • Los zapatos de tacón alto hacen que los músculos cuadríceps sean más dominantes haciendo los glúteos más débiles y causan problemas en las rodillas y tobillos;
  • Ampollas, heridas, hongos, malos olores, etc.

Los pies de gente que no usa zapatos son realmente muy parecidos a los pies de los bebés. Los pies de los bebés todavía son perfectos, hasta que empezamos a restringirlos. Así crecimos hasta llegar a ser adultos con todos los problemas no sólo a nivel de pies, sino también en el resto del cuerpo, y ni lo imaginamos.

Idealmente deberíamos caminar más veces descalzos en la naturaleza o siempre que tengamos oportunidad (evitando andar descalzo en sitios donde puede no ser seguro). El tiempo restante, deberíamos al menos simular andar descalzo, y para eso tenemos óptimas opciones en los días de hoy. El calzado “barefoot” protege los pies de daño, dejándolos respirar, permitiendo la separación de los dedos y, por encima de todo, permite que los pies funcionen como si estuviéramos descalzos. Este tipo de calzado también puede revertir el daño que los zapatos convencionales ha hecho a nuestros pies.

Desde que empecé a usar zapatos “barefoot” que dejé de quejarme de dolores en los pies. Muchos kilómetros se hicieron con ellos calzados, por el camino de Santiago, cañones, cuevas, varias caminatas y mis pies nunca sufrieron heridas o lesiones. Mi hermana Nico puede confirmar bien lo que digo porque hemos estado juntos en muchas de estas aventuras. Algunas personas que encontrábamos por el camino, “se metían” con nosotras porque les parecía raro lo que llevábamos calzado, y no podían entender la idea de que los “zapatos normales” pueden de hecho ser perjudiciales para nosotr@s. La verdad es que esas mismas personas se quejaban de dolores en los pies y nosotr@s no.

Para el caso de empezar a cuestionarte sobre calzado “barefoot”, aquí dejo un recopilado de información que te puede ayudar. Elementos que deberás tener en cuenta al comprar zapatos: *

Planos: sin tacón alto – lo ideal es que no haya diferencia de altura entre el talón y el resto del pie. Los humanos no estamos adaptados para caminar con rampas en los pies todo el día, y eso contribuye a problemas de postura;

Flexibles: si no puedes doblar, girar y mover los zapatos en todas las direcciones, entonces van a impedir el movimiento de tus pies, creando articulaciones rígidas ya veces dolorosas;

Soporte del arco: los músculos de tu pie están allí por alguna razón. No los debilites con soportes artificiales;

Amortiguación: al contrario de lo que las marcas quieren que tú creas, amortiguadores impiden tu pie de funcionar de la mejor forma y afectan de forma negativa a tu movimiento.

* Fuente – The Foot Collective

What do queuing and fake news have in common?

What do queuing and fake news have in common? (EN)

¿Qué tienen en común hacer cola y las noticias falsas? (ES)

O que têm em comum uma fila e uma notícia falsa? (PT)

Talvez alguns de vós não saibam que a Tico tem uma certa “alergia” a filas. Mas não é pela fila em si, no sentido em que há que fazer fila e esperar, é porque muitas vezes as filas são filas (e das grandes) porque as pessoas se metem nelas só porque veem que há lá mais pessoas, e que por isso acham que deve ser onde elas também devem estar. Lembro-me de estarmos na Expo98 e de ouvir a minha irmã dizer: “As pessoas são mesmo ovelhas”, ela tinha apenas 10 anos. Eu nessa altura achava que ela estava a exagerar.

Hoje em dia acho que não é correcto ofender as ovelhas… Há umas semanas estivemos as duas numa espécie de congresso. À parte do evento em si estar bastante mal organizado (talvez algum dia escrevamos sobre esse evento), quando chegámos vimos que havia uma fila gigante. Mas a Tico é perita nisto das filas e foi logo averiguar o que se passava. O que se passava era que a maioria das pessoas não tinha percebido que havia 4 filas diferentes lá mais à frente, perto da entrada, e que as pessoas se deviam distribuir, segundo o seu tipo de passe, por cada uma das filas. A maioria das pessoas não se preocupava em ir averiguar (lá mais à frente) porque é que havia uma fila tão grande, elas apenas entravam na fila maior, que era a que acabava mais atrás, e nem se apercebiam que havia outras filas (filas essas que provavelmente eram as que correspondiam aos seus passes de entrada no evento). Este fenómeno acontece onde quer que haja muita gente, e não só em forma de filas.

Na verdade este artigo nem é sobre filas, é sobre a facilidade que as pessoas têm em “ir atrás” ou “seguir o rebanho” de maneira praticamente cega. Porque as pessoas não se questionam! Isto é algo que vejo acontecer prácticamente todos os dias nas redes sociais. Hoje (escrevo este artigo no dia 2 de Dezembro), por exemplo, deparei-me com uma partilha no facebook cujo texto começava com a frase: “O PAN apresentou uma proposta para proibir que os pobres e os sem abrigo pudessem ter animais” e acabava com “Quem não gosta de pessoas não pode gostar de animais!” logo a seguir tinha um link.

Eu, como a maioria das pessoas, tive uma reação imediata, que foi pensar “Que estupidez!!”, e  depois pensei “Como assim o PAN apresentou uma proposta para proibir que os pobres e os sem abrigo pudessem ter animais?”. Só que depois eu fiz algo que muitas das pessoas que partilharam ou comentaram essa publicação não fizerem: cliquei no link!! O link abria um documento com o título “Proposta de Regulamento Municipal do Animal Município de Lisboa”. Um documento que eu me dei ao trabalho de ler, ao contrário das pessoas que se apressaram em partilhar ou comentar demonstrando a sua revolta para com o partido animalista. Nesse documento, onde por acaso o nome do PAN nem aparece em lado nenhum, figuram uma série de propostas de protecção e bem estar animal bastante dentro do que a maioria das pessoas consideraria dentro do bom senso (ora cliquem no link e leiam com os vossos próprios olhos). Em nenhum lado havia algo que dizia que queriam proibir os pobres de ter animais, nem muito menos da leitura daquele documento, que podia nem ser da autoria do PAN, podemos retirar a ideia de que o partido animalista “não gosta de pessoas”.

A publicação em causa tinha sido feita no dia 20 de Novembro e tinha (no momento em que eu escrevia este artigo) 859 comentários, 2715 partilhas e mais de 1860 gostos. E tinha sido feita por um senhor que nitidamente sabe que a maioria das pessoas não se preocuparia em clicar no link e ler o documento. Um senhor que sem dúvida quer denegrir a imagem do PAN, e que de certa forma o conseguiu, de maneira tão simples como escrever umas frases polémicas e colocar um link que figura como fonte daquilo que declara, mas que na realidade sabia que (quase) ninguém ia abrir.

A mesma suposta notícia (com base no tal documento) poderia ter sido: “O PAN apresentou uma proposta que defende que, para ter animais, se devem ter certas condições mínimas para garantir o seu bem estar”. A linguagem é muito importante, como já escrevi num artigo anterior, e a maneira como dizemos as coisas é um exemplo disso, pois uma maneira ou outra podem alterar completamente a resposta que as pessoas têm a uma mesma ideia. O senhor que fez a tal publicação também sabia isso demasiado bem.

Tanto nas filas como nas redes sociais, para nosso próprio bem e para garantir que estamos realmente informad@s, para que não sejamos apenas mais um@ a seguir cegamente o rebanho, devemos sempre verificar o que de facto se passa. Pessoalmente considero que estar bem informad@ não é um privilégio mas sim um dever de cidadania. E perpetuar publicações falsas e tendenciosas é nocivo para tod@s e de facto muito vergonhoso para quem o faz.


What do queuing and fake news have in common? (EN)

Maybe some of you might not know that Tico has a certain “allergy” to queuing. But it is not for the queue itself, in the sense that it is necessary to queue and wait, it is because queues are often formed into queues (and big ones) as people get in them just because and they see that there are more people there waiting and so they think it must be where they should be too. I remember being at the Expo98 and hearing my sister say: “People are so like sheep,” she was only 10 years old. At that point I thought she was exaggerating.

Nowadays I think it is not right to offend the sheep … A few weeks ago we were both in a kind of congress. Apart from the event itself being rather poorly organised (maybe one day we will write about this event), when we arrived we saw that there was a giant queue. But Tico is an expert when it comes to queueing issues and was fast to find out what was going on. What was happening was that most people did not realize that there were four different queues further near the entrance, and that people were to distribute themselves, according to their type of admission ticket, by each of the queues. Most people did not bother to find out why there was such a big queue, they just entered the larger queue, which was the one that ended up further back, and they didn’t even realised that there were other queues (which were probably the ones that matched their entry tickets for the event). This phenomenon happens wherever lots of people come together, and not only in the form of queues.

Actually this article isn’t even supposed to be about queuing, it’s about how easily people engage in “following the herd” in a virtually blind fashion. Because people aren’t used to questioning! This is something I see happen practically every day on social networks. For example, the other day I came upon a post on Facebook whose text began with the phrase: “The PAN party put forward a proposal to prohibit the poor and the homeless from having animals” and ended with “Those who don’t like people can’t love animals!”. At the end of the text there was a link.

Note to non Portuguese readers: PAN : People–Animals–Nature is a Portuguese political party, founded in 2009. Since 2015, they have one seat in the Portuguese parliament.

I had an immediate reaction to the post, as most people did, and thought “How stupid is that!!”, and then I thought “How did PAN put forward a proposal to prevent the poor from having animals?”. But then I did something that many people didn’t: I clicked on the link!! The link would open a document entitled “Proposal for Animal Municipal Regulation of the Municipality of Lisbon”. I then bother myself to read it, unlike all of those who rushed to share or comment on the post, demonstrating their outrage towards the PAN party. This document, where the PAN party name never appears, presents a series of animal protection and welfare proposals, which I’m sure most people would consider within common sense. Nowhere in this document, that might not even be written by PAN, can we find a piece of text that states that they “don’t like people” nor that they have some kind of agenda against the poor or the homeless.  

The post in question had been posted on November 20th and had already (at the time I wrote this article) 859 comments, 2715 shares and more than 1860 likes. And it had been posted by a “gentleman” who clearly knows that most people would not bother clicking on the link and reading the document. A man who undoubtedly wants to denigrate the image of the PAN party, and who somehow managed to do so. In such a simple way as writing some controversial sentences and posting a link that would look like a genuine source of what he declares, but that in reality no one was going to check (and hell, he knew that so well).

The same alleged news (based on such document) could have been: “The PAN party has submitted a proposal that advocates that in order to adopt animals people must have certain minimum conditions to guarantee their well-being.”. Language is very important, as I wrote in a previous article, and the way we say things is very important too because it can completely change the response that others have to the same idea. The “gentleman” who made that post also knew this too well.

Regarding both queues and social networks, for our own good and to ensure that we are really informed, so that we are not just another one blindly “following the herd”, we should always check what is actually happening. Personally I consider that being well informed is not a privilege but a duty of citizenship. And perpetuating false and biased publications is harmful to all and indeed very shameful for the ones who do it.


¿Qué tienen en común hacer cola y las noticias falsas? (ES)

Quizás algun@s de ustedes no sepan qué Tico tiene una cierta “alergia” a filas. Pero no es por la fila en sí, en el sentido en que hay que hacer cola y esperar, es porque muchas veces las filas son filas (y de las grandes) porque las personas se meten en ellas sólo porque ven que allí hay más gente, y por ello creen que es donde ellas también deben estar. Me acuerdo de estar en la Expo98 y escuchar a mi hermana diciendo: “Las personas son como ovejas”, ella tenía sólo 10 años. En ese momento yo creía que ella estaba exagerando.

Hoy en día creo que no está correcto ofender a las ovejas … Hace unas semanas estuvimos las dos en una especie de congreso. A parte del evento en sí estar bastante mal organizado (quizás algún día escribamos sobre ese evento), cuando llegamos vimos que había una cola gigante. Pero Tico es experta en esto de las filas y pronto averiguó lo que pasaba. Lo que pasaba era que la mayoría de la gente no se había dado cuenta que había 4 filas diferentes más allá, cerca de la entrada, y que las personas se tenían que distribuir, según su tipo de bono, por cada una de las filas. La mayoría de la gente no se preocupaba de ir a averiguar (allí un poco más adelante) porque estaba tan grande la cola, ell@s solamente se incorporaban a la fila más larga, que era la que acababa más atrás, y ni siquiera se percibían que había otras filas (filas esas que probablemente eran las que correspondían a sus bonos de entrada en el evento). Este fenómeno ocurre dondequiera que haya mucha gente, y no sólo en forma de filas.

En realidad este artículo ni siquiera va sobre colas, va sobre la facilidad con la que la gente “sigue la manada” a ciegas. ¡Porque la gente no se cuestiona! Esto es algo que veo suceder prácticamente todos los días en las redes sociales. Por ejemplo, hace pocos días vi un ‘post’ en facebook cuyo texto empezaba con la frase: “El partido PAN presentó una propuesta para prohibir que los pobres y los sin techo puedan tener animales” y el texto terminaba con: “A quien no le gusta a la gente no le gustan los animales!” a continuación tenía el enlace.

Nota para l@s lector@s no portugueses: PAN: Personas – Animales – Naturaleza es un partido político portugués, fundado en 2009. Desde 2015, tienen un escaño en el parlamento portugués. Los ideales de este partido son bastante semejantes a los del partido PACMA en España.

Yo, como la mayoría de la gente, tuve una reacción inmediata que fue pensar “¡Qué estupidez !”, y luego pensé: “¿Cómo es posible que PAN haya presentado una propuesta para prohibir que los pobres y los sin techo tengan animales?”. Pero después yo hice algo que la mayoría de personas que compartió y comentó la publicación no hicieron: ¡hice clic en el enlace! El enlace se abriría para un documento titulado “Propuesta de Reglamento Municipal de Animales del Ayuntamiento de Lisboa.”. Luego me di al trabajo de leer dicho documento, también al contrario de todas las personas que se apresuraron a compartir o comentar, demostrando su enojo hacia el partido animalista. En ese documento, donde por casualidad el nombre del PAN no aparece en ninguna parte, figuran una serie de propuestas de protección y bienestar animal bastante dentro de lo que la mayoría de las personas consideraría dentro del sentido común. En ningún lado había algo que decía que querían prohibir a los pobres de tener animales, ni mucho menos de la lectura de ese documento, que puede ni ser de la autoría del PAN, podemos sacar la idea de que al partido animalista “no le gusta a las personas”.

El post del que hablo se había publicado en Facebook el 20 de Noviembre y (en el momento en el que yo escribía este post) tenía 859 comentarios, más de 1860 “me gusta” y había sido compartido 2715 veces. Y había sido publicado por un señor que nítidamente sabe que la mayoría de la gente no se preocuparía por hacer clic en el enlace ni leer el documento. Un señor que sin duda quiere denigrar la imagen del PAN, y que de cierta forma lo consiguió, de manera tan simple como escribir unas frases polémicas y colocar un enlace que figura como fuente de lo que declara, pero que en realidad sabía que (casi) nadie iba a abrir.

La misma supuesta noticia (con base en dicho documento) podría haber sido: “PAN presentó una propuesta que defiende que, para tener animales, se deben tener ciertas condiciones mínimas para garantizar su bienestar”. El lenguaje es muy importante, como ya he escrito en un artículo anterior, y la forma como decimos las cosas es un ejemplo de ello porque puede cambiar completamente la reacción que las personas tienen a una misma idea. El señor que hizo esa publicación probablemente también lo sabe.

Tanto en las colas como en las redes sociales, para nuestro propio bien y para garantizar que estamos realmente informad@s, para que no seamos sólo un@ más siguiendo ciegamente la manada, debemos siempre verificar lo que de hecho pasa. Personalmente considero que estar bien informad@ no es un privilegio sino un deber de ciudadanía. Y perpetuar publicaciones falsas y tendenciosas es nocivo para todos y de hecho muy vergonzoso para quien lo hace.