O algodão não engana

Clean cotton (EN)

El algodón no engaña (ES)

O algodão não engana (PT)

Quantos produtos de beleza, higiene e limpeza diferentes usas no teu dia a dia? Se me recordo bem, eu cheguei a usar: champô, amaciador e máscara para lavar e hidratar o cabelo, mais cera, espuma ou gel para o pentear; pasta dentífrica e elixir para a boca e dentes; sabão ou gel de limpeza específico para a cara, desmaquilhante, tónico e hidratante para além de toda a panóplia de maquilhagem e claro, o perfume. Sem passar do pescoço já podemos estar a falar de pelo menos 15 produtos diferentes!! Quando falamos dos produtos de limpeza da casa o mesmo ocorre. Geralmente usamos um detergente de limpeza especial para cada superfície, um detergente da roupa para cada tipo de tecido, e ainda os ambientadores, os amaciadores e os abrilhantadores.

Mas o que é importante aqui é que utilizamos tudo isto sem realmente nos perguntarmos se é realmente necessário. Mais, não falamos sobre algumas coisas relacionadas com a higiene porque são consideradas tabu e praticamos uma série de contradições sem nenhum cabimento.

Falemos de algumas dessas contradições:

  • Lavamos o cabelo diariamente (ou quase), com uma quantidade de detergente* e afinco que muitas vezes nem despendemos para lavar as mãos antes de ir para a mesa. Se pensarmos um pouco sobre isso, vemos que lavamos os nossos cabelos como se eles andassem diariamente em contacto com superfícies sujas ou contaminadas. Depois de lhes tirarmos todo o seu óleo natural, que está lá para o proteger, substituímo-lo por outros óleos, mais ou menos sintéticos acompanhados de mais perfume. Porque o cabelo não deve cheirar a cabelo, isso não é lá muito civilizado.
  • Lavamos também cara e corpo com bastante detergente* e com uma bela esfrega, da mesma maneira que faríamos se estivéssemos mesmo sujos de lama. E, adivinha, depois de retirarmos, com tanto detergente*, água quente e esponjas esfoliantes, a gordura que a própria pele produz para se auto limpar e proteger, besuntamo-nos com uma mistura de produtos (à que chamamos creme hidratante) que não sabemos o que são, nem o que fazem, mas que certamente não comeríamos, e que a pele absorve e eventualmente acabam por circular dentro do nosso organismo.
  • Usamos desodorantes anti-transpirantes que, além de muitas vezes acentuarem o cheiro da transpiração (ao conjugarem-na com outros cheiros fortes), nos impedem de transpirar, impossibilitando uma função muito importante da pele que nos ajuda a eliminar toxinas (que mais uma vez é um sistema natural de limpeza do corpo).
  • Assoamos-nos com lenços de papel porque os lenços de tecido que se usavam no tempo dos nossos avós não são muito higiénicos. Tão preocupados que estamos de poder espalhar os nossos micróbios e vírus, mas acabamos por nos esquecermos dos lenços de papel enrolados nos bolsos dos casacos. E não, não lavamos as mãos de cada vez que lhes tocamos. O que acaba por fazer deles algo tão higiénico como os lenços de pano que se põe para lavar ao final do dia.
  • Lavamos as t-shirts e as camisas porque as usámos uma, ou vá lá, duas vezes, mesmo que elas não estejam realmente sujas nem com mau cheiro. Mas como já não cheira a “Violetas do Bosque” ou a “Orquídeas Douradas” também já não as consideramos limpas.
  • Compramos detergentes com embalagens diferentes e que expressamente nos são vendidos para um único fim (para o chão, para madeira, para a sanita, para o fogão, etc.), mas na verdade têm mais ou menos todos o mesmo conteúdo a nível de ingredientes. Como ninguém se questiona, as empresas que os vendem fazem muito mais dinheiro e nós enchemos o meio ambiente com uma maior diversidade de embalagens.

Quando comecei a questionar-me sobre as questões da nutrição e da alimentação, também me comecei a interessar pela questão da quantidade de produtos tóxicos que inadvertidamente colocamos no nosso corpo através de todos estes detergentes* e cremes, a quantidade de recursos que desperdiçamos sem necessidade real, e principalmente, a quantidade de vezes que realizamos verdadeiros rituais de limpeza só porque aprendemos (em casa ou através da publicidade) que era assim que se fazia.

Depois de muita pesquisa, experimentação e algumas conversas com a Tico posso dizer que reduzi o meu leque de produtos de limpeza, higiene e beleza para cerca de 10 produtos diferentes no total (falando de produtos para a casa e para todo o corpo). Quando tomo banho só uso sabão em duas os três pequenas zonas do corpo. Lavo o cabelo apenas uma vez por semana, com água corrente e uma solução diluída de vinagre de maçã para suavizar. Apenas lavo a minha roupa se cheirar mal ou tiver alguma sujidade. Uso lenços de pano em vez de lenços de papel. Raramente sinto a necessidade de hidratar a minha pele e quando o faço é com azeite ou com algum óleo natural.

Isto é o que funciona para mim. Sei que para diminuir o meu impacto ambiental, sem comprometer a minha saúde e conforto, ainda há coisas que posso mudar. Aqui a questão não é dizer que eu estou certa e quem não faz o mesmo está equivocado. O meu objectivo é encorajar-te a questionar e não fazer só porque todos o fazem, mas sim porque é o que queres fazer em consciência, porque achas que tens razões para tal. E que essas maneiras de fazer as coisas estejam de acordo com os valores que defendes e com as preocupações sócio-ambientais que tens. Cria os teus próprios rituais!

É que na verdade o “teste do algodão” é um grande engano.

* Nota da autora: a palavra detergente aparece neste texto muitas vezes em substituição de outras como champô ou gel de banho. Essa substituição é propositada pois por um lado esses produtos são exactamente isso – detergentes – e por outro porque a sua composição muitas vezes não difere assim tanto da composição dos detergentes de limpeza da casa.


El algodón no engaña (ES)

¿Cuántos productos diferentes de belleza, higiene y limpieza usas en tu día a día? Si me recuerdo bien, yo llegué a usar: champú, suavizante y máscara para lavar e hidratar el cabello, además de cera, espuma o gomina para peinarme; pasta dentífrica y elixir para la boca y los dientes; jabón o gel de limpieza específico para la cara, desmaquillante, tónico e hidratante además de toda la gama de maquillaje y claro, el perfume. ¡Sin pasar del cuello ya podemos estar hablando de al menos 15 productos diferentes! Cuando hablamos de los productos de limpieza de la casa lo mismo ocurre. Generalmente usamos un detergente de limpieza especial para cada superficie, un detergente de la ropa para cada tipo de tejido, y además los ambientadores, los suavizadores y los abrillantadores.

Pero lo que es importante aquí es que utilizamos todo esto sin realmente preguntarnos si es realmente necesario. Más, no hablamos de algunas cosas relacionadas con la higiene porque son consideradas tabú y practicamos una serie de contradicciones sin ningún sentido.

Hablemos de algunas de estas contradicciones:

  • Lavamos el cabello diariamente (o casi), con una cantidad de detergente * y ahínco que muchas veces no se gasta ni para lavarse las manos antes de sentarse la mesa. – Si pensamos un poco sobre eso, vemos que lavamos nuestros cabellos como si ellos estuvieran diariamente en contacto con superficies sucias o contaminadas. – Después de quitarle todo su aceite natural, que está allí para protegerlo, lo sustituimos por otros aceites, más o menos sintéticos acompañados de más perfume. Porque el pelo no debe oler a pelo, eso no es muy civilizado.
  • Lavamos también cara y cuerpo con bastante detergente * y con un buen fregado, de la misma manera que haríamos si estuviéramos realmente sucios de lodo. Y, adivina, después de retirar, con tanto detergente *, agua caliente y esponjas exfoliantes, la grasa que la propia piel produce para auto-limpiarse y protegerse, nos untamos con una mezcla de productos (a la que llamamos crema hidratante) que no sabemos lo que son, ni lo que hacen, pero que ciertamente no comeríamos, y que la piel absorbe y eventualmente acaban por circular dentro de nuestro organismo.
  • Usamos desodorantes anti-transpirantes que, además de muchas veces acentuar el olor de la transpiración (al conjugarse con otros olores fuertes), nos impiden transpirar, imposibilitando una función muy importante de la piel que nos ayuda a eliminar toxinas (que una vez más es un sistema natural de limpieza del cuerpo).
  • Nos sonamos las narices con pañuelos de papel porque los pañuelos de tela que llevaban nuestros abuelos no son muy higiénicos. Estamos tan preocupados por no esparcir nuestros microbios y virus, pero acabamos por olvidar los pañuelos de papel enrollados en los bolsillos de las chaquetas. Y no, no lavamos las manos de todas las veces que les tocamos. Lo que acaba por hacer de ellos algo tan higiénico como los pañuelos de tela que se ponen para lavar al final del día.
  • Lavamos las camisetas y las camisas porque las usamos una o dos veces, aunque no estén realmente sucias ni con malos olores. Pero como ya no huelen a “Campo de Flores” o a “Frescor y Pureza” tampoco las consideramos limpias.
  • Compramos detergentes con envases diferentes y que expresamente se venden para un único fin (para el suelo, para madera, para el inodoro, para la cocina, etc.), pero en realidad tienen más o menos todos los mismos contenidos a nivel de ingredientes. Como nadie se cuestiona, las empresas que los venden hacen mucho más dinero y quienes los compramos llenamos el medio ambiente con una mayor diversidad de envases.

Cuando empecé a cuestionarme sobre las cuestiones de la nutrición y la alimentación, también gané interés por el tema de la cantidad de productos tóxicos que inadvertidamente colocamos en nuestro cuerpo a través de todos estos detergentes * y cremas, la cantidad de recursos que desperdiciamos sin necesidad real, y principalmente, la cantidad de veces que realizamos verdaderos rituales de limpieza sólo porque aprendemos (en casa o a través de la publicidad) que así que se hace.

Después de mucha investigación, experimentación y algunas conversaciones con Tico puedo decir que he reducido mi gama de productos de limpieza, higiene y belleza para alrededor de 10 productos diferentes en total (hablando de productos para la casa y para todo el cuerpo). Cuando tomo baño solo uso jabón en dos las tres pequeñas zonas del cuerpo. Lavo el pelo sólo una vez por semana, con agua corriente y una solución diluida de vinagre de manzana para suavizar. Solo lavo mi ropa si huele mal o tiene alguna suciedad. Uso pañuelos de tela en lugar de pañuelos de papel. Rara vez siento la necesidad de hidratar mi piel y cuando lo hago es con aceite de oliva o con otro aceite natural.

Esto es lo que funciona para mí. Sé que para disminuir mí impacto ambiental, sin comprometer mi salud y comodidad, todavía hay cosas que puedo cambiar. Aquí la cuestión no es decir que estoy cierta y quien no hace lo mismo está equivocado. Mi objetivo es alentarte a cuestionar y no hacer las cosas sólo porque todos lo hacen, sino porque es lo que quieres hacer en conciencia, porque crees que tienes razones para ello. Y que esas maneras de hacer las cosas estén de acuerdo con los valores que defiendes y con las preocupaciones socio-ambientales que tienes. ¡Crea tus propios rituales!

Es que en realidad el “test del algodón” es una gran estafa.

* Nota de la autora: la palabra detergente aparece en este texto muchas veces en sustitución de otras como champú o gel de baño. Esta sustitución se hace deliberadamente porque, por un lado, estos productos son exactamente eso – detergentes – y por otro, porque su composición a menudo no difiere tanto de la composición de los detergentes de limpieza de la casa.


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