O meu próprio #10YearChallenge

My own #10YearChallenge (EN)

Mi propio #10YearChallenge (ES)

O meu próprio #10YearChallenge (PT)

Para as pessoas que estão mais desligadas das redes sociais o “10 Year Challenge” (desafio dos dez anos) é a última tendência viral desses meios. Para participar basta publicar duas fotos lado a lado, uma tirada em 2009 e outra actual (2019).

Esta coisa do #10YearChallenge pôs-me a pensar, não nas diferenças físicas entre a Nico actual de 31 anos e a Nico dez anos mais nova de 2009, mas nas diferenças a nível de estilo de vida e mentalidade. É fácil esquecer quem fomos há dez anos atrás, eu já não me lembro de muitas coisas. Para ajudar na recordação dessa época recorri ao histórico do Facebook, e fui bisbilhotar o que me pareceu ser a vida de outra pessoa, só que era a minha.

Através dessa pesquisa recordei que nessa altura adorava sair à noite com as minhas amigas e amigos. A minha vida era ir à faculdade e sair à noite. Tinha uma vida social super activa com montes de coisas a acontecer, sempre que não estava barricada na Faculdade de Arquitectura numa corrida contra o tempo para acabar algum projecto que tinha deixado para a última (na verdade deixava-os sempre todos). Mas até as noites sem dormir passadas a trabalhar na faculdade eram uma festa. Pelo Facebook percebo também que era bastante mais activa nessa rede social. Todos os dias atualizava o meu status com alguma frase que achava engraçada ou arrojada – ao ler essas frases sinto aqueles arrepios de vergonha alheia (só que é própria) – e fazia montes de comentários nas fotos e status das outras pessoas.  

Em 2009 estava no 1º ano do Mestrado em Design de Moda (mestrado esse que afinal não acabei) e tentava estar no centro do pequeno mundo da moda português o mais que podia, mergulhando de cabeça em todas as oportunidades profissionais que se me apresentassem. Acho que imaginava que em 10 anos estaria a trabalhar como “Senior Designer” nalguma marca de ready-to-wear mais ou menos famosa.  

Nesses tempos demorava mais de uma hora para me arranjar depois de experimentar vários looks e olhar-me ao espelho algumas dezenas de vezes. Dava muito valor à minha imagem, mas principalmente ao que os outros pensavam sobre ela. Sempre me achei naturalmente bonita e para mim o verdadeiro desafio – ao vestir-me, pentear-me, escolher os acessórios e maquilhar-me – sempre foi parecer ousada, fora do comum e ”com estilo”.  E claro parte do desafio era fazer com que tudo aquilo parecesse natural e sem esforço. Na verdade tudo isto me criava muita ansiedade e frustração, porque nem todos os dias conseguia atingir estes objectivos e quando saía de casa a pensar que não estava no “meu melhor” o dia já ia ser uma grande merda. Perdia muito tempo.

Tento lembrar-me de como era a minha saúde naquela época. Ainda tinha muitos dos problemas de saúde que já referi noutros artigos, como as alergias respiratórias, as tonturas matinais e os problemas digestivos. Acho que tinha uma vida pouco sedentária apesar de não ter actividades físicas ligadas ao desporto. Bebia bastante álcool e a minha alimentação era à base de massa, queijo, ovos, carne e pão.

Na verdade não me lembro de muito mais, e tenho mesmo a sensação de serem apenas memórias de uma vida passada. Mas com algum esforço reconheço que não. De facto o que aconteceu foram algumas (bastantes) mudanças no contexto e algum (talvez nem tanto) amadurecimento. Não sei se a Nico de há 10 anos atrás se poderia reconhecer nesta versão actualizada e à primeira vista tão diferente.

Penso que o mais importante neste tipo de reflexão é não nos fixarmos (como acho que a maioria tendemos a fazer) só nas coisas que mudaram para melhor ou para pior, mas tentar perceber o que aprendemos com o passado e o que ele ainda tem para nos ensinar.

Já sabes (se leste alguns artigos anteriores) que me sinto mais em sintonia com o meu corpo e imagem que no passado, e que agradeço todos acontecimentos que me levaram a tomar as rédeas da minha alimentação o que melhorou bastante a minha saúde.

Mas com relação à minha vida social, por exemplo, acho que tenho muito que aprender com a jovem Nico. Hoje em dia mantenho vivas grandes amizades do passado. Essas amizades enchem-me de energia renovada sempre que tenho oportunidade de as reviver, mas esses momentos são escassos. Viver com o suporte de uma rede de amigos próximos fisicamente, com os quais possas estar no dia a dia e com os quais possas contar para ir tomar um café para falar da vida e descontrair, é tão importante para a saúde (mental e física) como ter uma boa alimentação e estar ativo fisicamente. A Nico de 21 anos não gostava nada de estar sozinha, começo a achar que a Nico de 31 gosta demasiado.

Esta reflexão fez-me chegar à conclusão de que tenho que fazer um esforço para alimentar novas amizades, com pessoas que estejam mais perto e que tenham interesses comuns.

Com relação à minha vida profissional tenho que refletir mais um pouco. Tenho a sensação que também ainda há algo que a Nico universitária me poderia ensinar.

Como eras há dez anos atrás? O que consegues lembrar dessa época? O que achas que podias ensinar à tua versão mais jovem? O que é que ela te pode ensinar a ti?


 

Mi propio #10YearChallenge (ES)

Para las personas que están más desconectadas de las redes sociales, el “10 Year Challenge” (desafío de los diez años) es la última tendencia viral de esos medios. Para participar basta publicar dos fotos lado a lado, una hecha en 2009 y otra actual (2019).

Esto del #10YearChallenge me puso a pensar, no en las diferencias físicas entre la Nico actual de 31 años y la Nico diez años más joven de 2009, pero en las diferencias a nivel de estilo de vida y mentalidad. Es fácil olvidar quién un@ fue hace diez años, yo ya no recuerdo muchas cosas. Para ayudar en el recuerdo de esa época recurrí al historial de Facebook, y me puse a husmear lo que me pareció ser la vida de otra persona, pero que era la mía.

A través de esa investigación recordé que en ese momento adoraba salir de fiesta con mis amigas y amigos. Mi vida era ir a la universidad y salir por la noche. En el caso de que no estuviera en la Facultad de Arquitectura en una carrera contra el tiempo para acabar algún proyecto que había dejado para la última hora (en realidad los dejaba siempre todos). Pero hasta las noches sin dormir pasadas trabajando en la universidad eran una fiesta. Por Facebook percibo también que era bastante más activa en esa red social. Todos los días actualizaba mi status con alguna frase que creía graciosa o arrojada – al leer esas frases siento aquellos escalofríos de vergüenza ajena (sólo que es propia) – y hacía muchos de comentarios en las fotos y status de las otras personas.

En 2009 estaba cursando el primer año (en Portugal los másteres son de dos años) del Máster en Diseño de Moda (que no llegué a terminar) y intentaba estar en el centro del pequeño mundo de la moda portuguesa tanto como podía, aprovechando todas las oportunidades profesionales que surgían. Creo que pensaba que en 10 años estaría trabajando como “Diseñadora Senior” en una marca de ready-to-wear más o menos famosa.

En esos tiempos tardaba más de una hora para arreglarme después de probar varios looks y mirarme al espejo algunas decenas de veces. Daba mucho valor a mi imagen, pero principalmente a lo que los demás pensaban sobre ella. Siempre me vi naturalmente guapa y para mí el verdadero desafío – al vestirme, peinarme, escoger los accesorios y maquillarme – siempre fue parecer audaz, fuera de lo común y con estilo. Y claro parte del reto era hacer que todo aquello pareciera natural y sin esfuerzo. En realidad todo esto me creaba mucha ansiedad y frustración, porque no todos los días conseguía alcanzar estos objetivos y cuando salía de casa pensando que no estaba en “mi mejor” el día ya iba a ser una gran mierda. Perdía mucho tiempo.

Intento recordar cómo era mi salud en aquella época. Todavía tenía muchos de los problemas de salud que ya he mencionado en otros artículos, como las alergias respiratorias, los mareos matutinos y los problemas digestivos. Creo que tenía una vida poco sedentaria a pesar de no tener actividades físicas de deporte. Bebía bastante alcohol y mi alimentación era a base de pasta, queso, huevos, carne y pan.

En realidad no recuerdo mucho más, y tengo la sensación de que esto son memorias de una vida pasada. Pero con algún esfuerzo reconozco que no. De hecho lo que sucedió fueron algunos (bastantes) cambios en el contexto y alguna (tal vez ni tanta) madurez. No sé si la Nico de hace 10 años se podría reconocer en esta versión actualizada y a primera vista tan diferente.

Creo que lo más importante en este tipo de reflexión es no fijarnos (como creo que la mayoría tendemos a hacer) sólo en las cosas que cambiaron para mejor (en el caso de algunas personas) o para peor (en el caso de otras), pero tratar de percibir lo que aprendemos con el pasado y lo que él todavía tiene para enseñarnos.

Ya sabes (si al este algunos artículos anteriores) que me siento ahora más en sintonía con mi cuerpo e imagen que en el pasado, y que agradezco todos los acontecimientos que me llevaron a tomar las riendas de mi alimentación, lo que mejoró bastante mi salud.

Pero con respecto a mi vida social, por ejemplo, creo que tengo mucho que aprender de la joven Nico. Hoy en día mantengo vivas grandes amistades del pasado. Esas amistades me llenan de energía renovada siempre que tengo oportunidad de revivirlas, pero esos momentos son escasos. Vivir con el apoyo de una red de amigos cercanos físicamente, con los que puedas estar en el día a día y con los que puedas contar para ir a tomar un café, para hablar de la vida y relajarte, es tan importante para la salud (mental y física) como tener una buena alimentación y estar activo físicamente. A la Nico de 21 años no le gustaba nada estar sola, empiezo a pensar que a la Nico de 31 años le gusta demasiado.

Esta reflexión me hizo llegar a la conclusión de que tengo que hacer un esfuerzo para alimentar nuevas amistades, con personas que estén más cerca y que cob intereses comunes.

Con respecto a mi vida profesional tengo que reflexionar un poco más. Tengo la sensación de que todavía hay algo que la Nico universitaria me podría enseñar.

¿Cómo eras hace diez años? ¿Qué puedes recordar de esa época? ¿Qué crees que podrías enseñar a tu versión más joven? ¿Qué te puede enseñar ella a ti?

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