Reeducaçao física

Physical re-education (article in English)

Reeducaçao física (PT)

Sabias que, ao contrário de muito do que se diz por aí, podes reeducar o teu corpo, mudá-lo e pô-lo a funcionar como deve de ser?

A primeira vez que me deparei com uma oportunidade de reeducar o meu corpo foi quando ainda era miúda. Eu metia os pés um pouco para dentro ao caminhar, um deles um pouco mais que o outro. Mais pequena ainda, tinha usado sapatos ortopédicos sem grande resultado. Algum adulto disse-me que devia tentar caminhar com os pés direitos ou andaría com os pés metidos para dentro para sempre. Lembro-me perfeitamente de ir no caminho para a escola concentrada na minha forma de caminhar. No meu inconsciente a posição dos meus pés por defeito era para dentro, e isso era o que os meus sentidos percebiam como “normal”, ao centrá-los tinha a impressão de que estava a caminhar com eles completamente virados para fora (tipo como as bailarinas). Eventualmente a nova forma de caminhar tornou-se o novo “normal”, e hoje em dia ninguém diria que andava com os pés para dentro quando era criança.

Bastantes anos mais tarde, já depois de adulta, comecei a fazer Yoga e percebi que não sabia respirar. Respirava quase sempre pela boca e só usava a parte superior dos meus pulmões. Nessa altura o Yoga ajudou-me a tomar consciência da minha respiração e aprendi a respirar utilizando todo o pulmão, pelo nariz e de forma mais tranquila. Levei o que aprendia para a minha vida diária, sempre que podia tentava estar consciente da minha respiração, e respirar de maneira mais eficaz.

Com o tempo o corpo habituou-se e rara é a vez que respiro pela boca durante o tempo em que estou acordada. Já não preciso estar sempre a pensar em como respirar corretamente, mas o hábito de analisar de vez enquanto a minha respiração ficou. Essa análise esporádica, mas mais ou menos constante, ajuda-me a analisar também o meu estado de espírito.

Uma das reeducações físicas mais impactantes pelas que já passei foi a segunda vez que decidi mudar a forma como caminho. Essa tem sido uma longa “caminhada” cheia de aprendizagem sobre o funcionamento do meu próprio corpo. Tudo começou quando, à semelhança da Tico, comecei a pesquisar sobre o movimento barefoot e os benefícios de andar descalç@ (e os malefícios de usar os sapatos convencionais). Comprei os meus FiveFingers mais ou menos na mesma altura que ela mas usava-os pouco, intercalando com o uso de calçado convencional.

No verão passado decidi comprar umas sandálias minimalistas que seriam o meu calçado para todo o verão. Levei-as na viagem para visitar a Tico ao Canadá e depois de vários dias de passeio, em que percorremos entre 10 e 30 quilometros por dia, percebi que não havia nada melhor para grandes caminhadas. Sempre tive o pé chato e isso fazia com que, depois de caminhar muito tempo com sapatos muito rasos, me começassem a doer os pés na zona do arco (que não tinha) e por vezes também os tornozelos. Eu pensava que isso era normal, eu tinha o pé chato e isso era irreversível por isso tinha que usar sobretudo sapatos com algum desnível e com suporte para o arco do pé.

Quando estava a fazer a mochila para o Caminho de Santiago (Buen Camino) decidi que ia apenas levar dois pares de calçado, as minhas sandálias minimalistas e os meus FiveFingers. No primeiro dia do caminho, depois de cerca de três horas de caminhada, lá me começou a doer o arco do pé esquerdo. Quando olhei para o meu pé enquanto caminhava (com as sandálias minimalistas, sem desnível nem apoio para o arco, era fácil de ver) percebi que apoiava demasiado a parte interior deste (onde o arco é suposto estar) e pouco a parte exterior. Então decidi fazer uma experiência. Para poder fazê-lo teria que me concentrar nos meus movimentos e caminhar de forma consciente. Decidi tentar apoiar o pé com mais ênfase na parte exterior (que vai do dedo mindinho até ao meio do calcanhar). Ao final de alguns quilometros vi o resultado, a dor no pé diminuía.

Até ao final do caminho (115km) fiz esse esforço de caminhar de forma consciente apoiando melhor a parte exterior do pé. Nos primeiros dias sempre que me distraía lá me começava a doer o pé e isso era sinal de que não estava a caminhar correctamente. No ultimo dia já tinha incorporado no meu inconsciente esta nova forma de caminhar. Desde que voltei do Caminho de Santiago nunca mais voltei a usar calçado que não cumpra os requisitos barefoot, com a única excepção dos 5 dias de muita chuva distribuídos pelo inverno Valenciano (em Valência quase nunca chove) em que tive que usar umas botas realmente impermeáveis que não são barefoot.

Nunca mais me doeu o pé naquele sítio (nem noutro verdade seja dita) e agora os meus pés já não são chatos. MAGIA!!! A reeducação da minha forma de caminhar e a utilização de calçado human friendly fizeram com que os arcos, que nunca se tinham formado em 31 anos de existência, finalmente e a pouco e pouco começassem a surgir.  

Mas essa transformação não acabou aí. Talvez por se ter processado de maneira mais deliberada e consciente, levou a que continuasse a pesquisar e a perceber que realmente ainda haviam ajustes a fazer. Ainda estou em processo de melhorar a minha postura e de reabilitar a total mobilidade dos meus pés, ancas e tornozelos mas posso dizer que vejo a evolução de semana para semana.

Entretanto, numa visita a um consultório de uma dentista que tem uma abordagem mais holística com relação à medicina dentária, encontrei uma possível solução para outro problema físico que há algum tempo queria resolver mas sem saber como. Uns parágrafos acima falo da minha primeira reeducação respiratória. Neste momento estou no início da segunda! O facto é que quando estou desperta consigo respirar de uma forma correcta, mas quando estou a dormir respiro geralmente com a boca aberta. Isto faz com que, além de despertar várias vezes durante a noite com a boca seca, entre menos ar nos meus pulmões. O que resulta em pesadelos, sonos pouco profundos, alguns episódios de apneia, amígdalas inchadas e umas valentes olheiras que tenho desde sempre, entre outras coisas.

Sei que vai parecer estranho mas parte desta reeducação respiratória passa por dormir com um adesivo na boca. Se te estás a rir não és @ unic@! Eu cada vez que penso nisso escangalho-me a rir, e muitas vezes quando me preparo para dormir (e colo a minha boca com adesivo) não consigo evitar umas gargalhadas (mudas, porque já tenho a boca colada). Ainda é cedo para falar de resultados a longo prazo. Será que o meu inconsciente se habituará à boca fechada durante o sono como o “novo normal”? Será que algum dia vou conseguir dormir de boca fechada mas sem a sinistra “fita-cola”? O que posso dizer é que tenho realmente dormido melhor, já não desperto a meio da noite com a necessidade de beber água e tenho a impressão de ter mais energia durante o dia e maior capacidade de concentração.

Acho que é importante que estejamos mais conscientes do poder que temos para mudar a nossa condição física. Volto a dizer (como disse neste artigo) que tomar as rédeas da própria vida, e neste caso do próprio corpo, não é para todos na medida em que é uma questão de responsabilizar menos a nossa genética, o nosso contexto sócio-cultural e as outras pessoas, responsabilizando-nos mais a nós próprios. Coisa que nem todos estão dispostos a fazer, pois é mais fácil queixarmo-nos e culpar fatores externos.

Também achas que há muito que podemos fazer pelo aperfeiçoamento dos nossos corpos? Já fizeste algum tipo de reeducação física? Este artigo encorajou-te a tomar mais responsabilidade sobre o teu próprio corpo? Achas que o que digo não faz sentido nenhum? Como sempre, estou curiosa para saber a tua opinião!

Espelho mágico

Magic mirror (EN)

Espejo mágico (ES)

Espelho mágico (PT)

Espelho meu, espelho meu…

O que pensas quando te olhas ao espelho? Gostas do que vês? Gostavas que algo fosse diferente? Até onde irias para mudar algo no teu aspecto físico? Fazer dieta, fazer mais desporto, mudar os hábitos de alimentação e movimento, fazer um tratamento, passar por uma cirurgia plástica?

Eu sempre fui vaidosa, quem me viu crescer deu por mim mais de uma vez a dançar em frente ao espelho, a fazer caretas, ou simplesmente a admirar o bem que ficava com o vestido novo. Mas a partir da adolescência o espelho deixou de ser tão simpático. Sempre tive uma certa gordurinha abdominal (mesmo quando era criança e tinha as pernas tão magras como dois palitos) mas até aos 14 anos isso não me importava. Apareceram-me varizes aos 16 anos (por causa da pílula contraceptiva, história que deixarei para outro artigo), quando me mudei de Évora (onde vivi até aos 18 anos), para ir viver e estudar em Lisboa, engordei uns 7/ 8 quilos, e já não me lembro quando percebi que tinha celulite. Lembro-me de achar que tinha a cintura pouco marcada e que tinha pouco peito (o que me fazia usar sutiãs “push-up” com enchimento, sem eles sentia que não era ninguém). Lembro-me de não comprar certas peças de roupa porque “me faziam as coxas largas”.

Um conjunto de factores (como a morte da minha mãe, o Yoga e outros dos quais acabarei por falar eventualmente noutros artigos) fez com que chegasse aos 29 com uma total aceitação do meu corpo. Não me lembro do momento em que o espelho deixou de ser um crítico de beleza, até porque acho que não foi da noite para o dia.

O Yoga foi definitivamente um dos fatores que contribuiu para mudar a minha relação com o meu corpo. Uma das características do Yoga é que o praticante deve estar consciente do seu corpo durante a prática. O que muitos professores chamam de “ouvir o teu corpo” é na verdade a melhor ferramenta para manter o equilíbrio entre desafiar o corpo mais um pouco sem abusar e produzir lesões. Esta concentração nas capacidades e limites do meu corpo, durante a hora e meia de cada prática, faz-me reconectar com este instrumento maravilhoso que a natureza me deu.

O Yoga alterou completamente os objectivos que tinha quando praticava outras actividades físicas. Deixei de fazer exercícios abdominais para ter uma barriga mais lisa, para passar a fazê-los para fortalecer o meu centro e poder evoluir dentro da prática. Deixei de querer ter umas pernas mais finas e mais tonificadas e passei a concentrar-me em ter umas pernas mais fortes e mais flexíveis. Deixei, aos poucos, de querer ter um corpo que parecesse assim ou assado, para passar a trabalhar para ter um corpo que pudesse fazer isto ou aquilo. Como ter mais autonomia na hora de levantar e carregar coisas pesadas ou poder chegar a ser uma velhota com muita genica que não precise de ajuda para as tarefas do dia a dia.

O Yoga ensinou-me esta lição mas não precisamos ir tod@s practicar Yoga para a aprender. Basta termos mais consciência dos nossos corpos. Quando te baixares para apertar o sapato, baixa-te lentamente, percebe até onde vai o teu tronco sem dobrares as pernas. Se não consegues chegar aos atacadores então dobra as pernas o suficiente para chegar. E quando estiveres lá em baixo, ouve o teu corpo, percebe o que te diz. Podes fazer isto com outros movimentos, ou fazê-lo enquanto estiveres no ginásio, ou no cross-fit. Até quando estiveres a tomar banho, concentra-te na tua pele e na sua resposta à temperatura da água.

Quando crias uma relação de amizade e confiança com o teu corpo, o que ele parece segundo o reflexo do espelho deixa de importar, o que importa agora é o como te sentes dentro dele.

…quem é mais bela do que eu?

Quantas vezes já ouviram uma amiga dizer “Quem me dera ter um corpo como o da ______”? – Preencher o espaço em branco com o nome de qualquer famosa que seja nacional ou internacionalmente reconhecida como ‘“boazona’”. – Quantas vezes já o pensaste tu? – Falo directamente às mulheres, pois a minha experiência não me permite entender tão bem como os homens vivem estas questões da aceitação do próprio corpo.

Há uns dois ou três anos atrás, falava com uma amiga e ela disse: “Ai, se eu tivesse o corpo da _____…”. A frase acabou aqui claro, acaba sempre. É uma frase que fica suspensa. E fica suspensa porque quem a diz não chega a pensar realmente na outra parte. O “se” é uma conjunção subordinativa condicional, o que significa que, neste contexto, indica uma hipótese. Mas nunca ninguém diz o que aconteceria “se tivesse aquele corpo”. Para surpresa da minha amiga eu decidi perguntar: “Se tivesses o corpo da ______, o quê? O que aconteceria? O que seria diferente?”.

A minha amiga é uma rapariga normal, como uma massa corporal bastante dentro do que é considerado saudável, ela não tem nenhum problema ao nível da mobilidade e faz até desporto e dança. Apesar de não haver realmente nada de errado com o seu corpo, ela não tem o que a nossa sociedade considera um “corpo perfeito”.

Então, de que lhe serviria ter um “corpo perfeito”? De que serve a qualquer um@ de nós? Seríamos tod@s modelos ou atrizes/actores famos@s? Mas e quem não quer ter uma profissão relacionada com a beleza física? Ter um “corpo perfeito” será sinónimo de felicidade? Ou sinónimo de uma vida amorosa de sonho? Basta pensarmos um bocado para percebermos que não, apesar de ser essa a mensagem que recebemos dos meios de comunicação e das redes sociais a toda a hora, ISSO NÃO É VERDADE. E no fundo tod@s o sabemos. Também bastam alguns “clicks” para percebermos que @s que supostamente já têm o “corpo perfeito” estão obcecad@s por mantê-lo, ou, na maioria acham que ainda não o atingiram. Hum… isto parece-me mais uma daquelas buscas intermináveis por um ideal incansável.

Atenção, ninguém está a dizer que devemos deixar de fazer qualquer tipo de exercício físico, nem começar a comer sem qualquer controlo, por que a forma física não importa. Ela importa, importa que estejamos saudáveis, que tenhamos força, que mantenhamos o corpo e flexível e preparado, para aquela corrida até à porta do autocarro que está quase a partir, ou para carregar aquelas caixas da mudança de casa. Para que no futuro tenhamos energía e saúde para brincar com os netos ou para ser @ próxim@ Iron Nun. Importa muito que nos sintamos bem no nosso corpo, que o amemos e respeitemos, até que a morte nos separe… dele.


Espejo mágico (ES)

Espejito, espejito, dime una cosa…

¿Qué piensas cuando te miras al espejo? ¿Te gusta lo que ves? ¿Te gustaría que algo fuera diferente? ¿Hasta dónde irías para cambiar algo en tu aspecto físico? Hacer dieta, hacer más deporte, cambiar los hábitos de alimentación y movimiento, hacer un tratamiento, pasar por una cirugía plástica?

Yo siempre fui vanidosa, quien me vio crecer me encontró más de una vez bailando frente al espejo, o haciendo muecas, o simplemente admirando lo bien que me quedaba el vestido nuevo. Pero a partir de la adolescencia el espejo dejó de ser tan simpático. Siempre tuve una cierta grasa abdominal (incluso cuando era niña y tenía las piernas tan delgadas como dos palillos) pero hasta los 14 años eso no me importaba. A los 16 años me salieron varices (a causa de la píldora anticonceptiva, una historia que dejo para otro artículo), cuando me mudé de Évora (donde viví hasta los 18 años), para ir a vivir y a estudiar en Lisboa, gané unos 7/8 kilos, y ya no recuerdo cuando fué que percibí que tenía celulitis. Me acuerdo pensar que tenía la cintura poco marcada, y que tenía poco pecho (lo que me hacía usar sujetadores ‘push-up’ con ‘relleno’, sin ellos sentía que no era nadie). Me acuerdo de no comprar ciertas prendas porque “me hacían los muslos anchos”.

Un conjunto de factores (como la muerte de mi madre, el Yoga y otros de los cuales acabaré por hablar eventualmente en otros artículos) hizo que llegase a los 29 con una total aceptación de mi cuerpo. No recuerdo el momento en que el espejo dejó de ser un crítico de belleza, incluso porque creo que no fue de la noche a la mañana.

El Yoga fue definitivamente uno de los factores que contribuyó para cambiar mi relación con el cuerpo. Una de las características del Yoga es que el practicante debe ser consciente de su cuerpo durante la práctica. Lo que muchos profesores llaman “oír tu cuerpo” es en realidad la mejor herramienta para mantener el equilibrio entre desafiar al cuerpo un poco más pero sin abusar y producir lesiones. Esta concentración en las capacidades y límites de mi cuerpo, durante la hora y media de cada práctica, me hace reconectar con este maravilloso instrumento que la naturaleza me ha dado.

El Yoga cambió completamente los objetivos que tenía cuando practicaba otras actividades físicas. Dejé de hacer ejercicios abdominales para tener una barriga más lisa, para pasar a hacerlos para fortalecer mi centro y poder evolucionar dentro de la práctica. Dejé de querer tener unas piernas más finas y más tonificadas y pasé a concentrarme en tener unas piernas más fuertes y más flexibles. Dejé, poco a poco, de querer tener un cuerpo que pareciera así o asá, para pasar a trabajar para tener un cuerpo que pudiera hacer esto o aquello. Como tener más autonomía a la hora de levantar y cargar cosas pesadas o poder llegar a ser una vieja con mucha vitalidad y que no necesite ayuda para las tareas del día a día.

El Yoga me enseñó esta lección pero no es necesario practicar Yoga aprenderla. Basta con tener más conciencia de nuestros cuerpos. Cuando te bajes para apretar los zapatos, bájate lentamente, percibe hasta donde va tu torso, sin doblar las piernas. Si no puedes llegar a los cordones, entonces dobla las piernas, pero solo lo suficiente para llegar. Y cuando estés allá abajo, oye tu cuerpo, percibe lo que te dice. Puedes hacer esto con otros movimientos, o hacerlo mientras estés en el gimnasio, o en el cross-fit. Hasta lo puedes hacer mientras que estés duchando, concentrándote en tu piel y en su respuesta a la temperatura del agua.

Cuando creas una relación de amistad y confianza con tu cuerpo, lo que él parece según el reflejo del espejo deja de importar, lo que importa ahora es lo que sientes desde dentro de él.

…¿quién en este reino es la más hermosa?

¿Cuántas veces has escuchado a una amiga decir “Ojalá tuviera el cuerpo como el de ______”? – Rellenar el espacio en blanco con el nombre de cualquier famosa que esté reconocida nacional o internacionalmente como ‘muy buena’. – ¿Cuántas veces lo has pensado tú? – Hablo directamente a las mujeres, porque mi experiencia no me permite entender tan bien como viven los hombres estas cuestiones de la aceptación del propio cuerpo.

Hace unos dos o tres años, hablaba con una amiga y ella dijo: “Ay, si yo tuviera el cuerpo de ______…”. La frase acabó aquí claro, siempre acaba aquí. Es una frase que se suspende. Y queda suspendida porque quien la dice no llega a pensar realmente en la otra parte. El “si” es una conjunción condicional, lo que significa que, en este contexto, indica una hipótesis. Pero nunca nadie dice lo que sucedería “si tuviera ese cuerpo”. Para sorpresa de mi amiga decidí preguntarle: “Si tuvieras el cuerpo de  ______, ¿qué? ¿Qué sucedería? ¿Qué sería diferente?”.

Mi amiga es una chica normal, como una masa corporal bastante dentro de lo que se considera sano, no tiene ningún problema al nivel de la movilidad y hace hasta deporte y danza. A pesar de que no hay realmente nada malo con su cuerpo, no tiene lo que nuestra sociedad considera un “cuerpo perfecto”.

Entonces, ¿de qué le serviría tener un “cuerpo perfecto”? ¿De qué sirve a cualquier@ de nosotr@s? ¿Seríamos tod@s modelos o actrices/actores famos@s? Pero, ¿y quién no quiere tener una profesión relacionada con la belleza física? ¿Tener un “cuerpo perfecto” es sinónimo de felicidad? ¿O sinónimo de una vida amorosa de sueño? Basta pensar un poco para percibir que no, a pesar de ser ese el mensaje que recibimos de los medios de comunicación y de las redes sociales a toda hora, ESO NO ES VERDAD. Y en el fondo tod@s lo sabemos. También bastan algunos “clicks” para percibir que l@s que supuestamente ya tienen el “cuerpo perfecto” están obcecad@s por mantenerlo, o la mayoría creen que aún no lo han alcanzado. Jo … esto me parece una de aquellas búsquedas interminables por un ideal inalcanzable.

Atención, nadie está diciendo que debemos dejar de hacer cualquier tipo de ejercicio físico, ni empezar a comer sin ningún control, por qué la forma física no importa. Si que importa, es importante que estemos san@s, que tengamos fuerza, que mantengamos el cuerpo flexible y preparado para aquella carrera hacia la puerta del autobús que está a punto de salir, o para mover esas cajas de la mudanza de casa. Para que en el futuro tengamos energía y salud para jugar con los nietos o para ser la próxima Iron Nun. Importa mucho que nos sintamos bien en nuestro cuerpo, que lo amemos y lo respetemos, hasta que la muerte nos separe… de él.