Coração e mente em dissonância

Heart and mind in dissonance (EN)

Corazón y mente en disonancia (ES)

Coração e mente em dissonância (PT)

Leon Festinger (1919- 1989), pai do conceito “dissonância cognitiva”, defendia que os seres humanos necessitam manter uma certa coerência psicológica de forma a poder funcionar mentalmente no mundo real. Uma pessoa que vivencia inconsistências internas tende a ficar psicologicamente desconfortável e é motivada (pelos próprios mecanismos de defesa) a reduzir a dissonância cognitiva. Para reduzir a dissonância causada pela incoerência entre opiniões, comportamentos, valores e/ou crenças há que mudar de alguma forma uma dessas variáveis. Uma das maneiras de fazê-lo é reajustando ou substituindo uma ou mais opiniões, comportamentos, valores e/ou crenças; outra maneira é procurando e adquirindo novas informações ou crenças que aumentem a consonância. Mas a maneira mais fácil (mas também menos eficaz, na minha opinião) é tentar esquecer ou reduzir a importância das cognições que provocam a dissonância. Quanto mais enraizada uma crença estiver, na cultura e nas práticas diárias de uma pessoa, mais forte será a necessidade de negar, substituir, esquecer ou reduzir a importância de crenças que se lhe oponham.

Quem me conhece sabe que nunca fui uma “amante dos animais”. Até aos 12 anos tive fobia de cães (cinofobia), e os gatos nunca me despertaram muito interesse. A maioria das aves e outros animais com asas, como os morcegos e as borboletas, causam-me uma sensação de desconforto físico que me provoca arrepios (não consigo explicar melhor). Sempre achei uma certa piada a esquilos nunca foi mais do que vê-los a passear-se pelos parques. Em resumo nunca fui uma daquelas pessoas que se derretem com todos os cães e gatos que veem na rua, e nunca tive vontade de ter um animal para que me fizesse companhia.

A minha mãe também não era uma “amante dos animais”, mas era bastante empática para com eles. Quando começava o calor não havia dia em que ela não pusesse um, ou vários, recipientes de água no quintal, para que os passarinhos pudessem beber e sobreviver ao verão alentejano. Lembro-me, como se fosse hoje, de um dia em que o meu pai apareceu lá em casa com um grilo, que ele próprio tinha apanhado, dentro de uma mini gaiola. A minha irmã e eu achamos piada no momento, mas quando o meu pai se foi embora e deixou o grilo connosco a minha mãe explicou-nos que era cruel manter o bichinho numa jaula e fomos logo com ela soltá-lo no jardim. Ela também não gostava das matanças do porco (“festa” tradicional em que família e amigos se juntam para matar um ou mais porcos e depois repartir tarefas de transformação do cadáver em vários tipos de “comida”) nem de touradas, nem de ver animais no circo.

A minha mãe sabia que os outros animais também sofrem, sentem dor, alegria e de alguma forma conhecem a diferença entre conforto e desconforto, liberdade e cativeiro. Empatia é isso, a capacidade de pôr-se na posição do outro. Mas a empatia para com os outros animais geralmente causa um certo grau (dependendo da capacidade empática) de dissonância cognitiva. Acho que a minha mãe lidava com a dissonância cognitiva, que se produz ao ser simultaneamente empático para com os outros animais e ao mesmo tempo gostar de comê-los (uma das refeições preferidas da minha mãe era “passarinhos fritos” – codornizes mais especificamente mas não tão diferentes dos pássaros que tentava ajudar todos os verões), da mesma maneira que a maioria das pessoas lida, e como eu própria lidei durante a maior parte da minha vida. Por um lado ela agarrava-se à crença de que é necessário, para ter uma boa saúde, comer produtos de origem animal, por outro ela pensava que o facto de comer animais ser “normal” (toda a gente o faz) e “natural” (porque os seres humanos “sempre o fizeram”) eram razões fortes o suficiente para fazê-lo. Mas mais ainda, ela recorria à tal maneira fácil de lidar com a dissonância cognitiva: simplesmente “esquecia-se” de que o que comia eram partes de animais que tinham vivido antes de chegar ao seu prato, e que para que isso acontecesse eles tivessem que viver em cativeiro e ser assassinados depois de ver os seus semelhantes passar pelo mesmo.

A minha mãe era o que eu gosto de chamar uma “vegana não praticante”. Acredito realmente que se ela estivesse viva hoje, depois de a Tico e eu nos termos tornado veganas, a minha mãe também se teria tornado verdadeiramente vegana. Na verdade já vi isso acontecer em muitas famílias de amigos veganos. E é natural, aprendermos sobre empatia, e sobre muitas outras coisas, através do exemplo de quem nos cria desde pequenos, e essas pessoas, quando veem as suas criaturas fazer uma mudança tão profunda nas suas crenças e comportamentos, sentem-se motivadas a repensar os seus próprios valores e hábitos. Famílias inteiras tornam-se veganas depois de um membro mudar a estratégia para lidar com a sua dissonância cognitiva, mas desta vez de maneira permanente, sem fazer o esforço de “esquecer” que ainda que eles não pudessem fazer mal a nenhum animal, pagam constantemente a outras pessoas para fazê-lo.

Conheço muitas pessoas que são, à primeira vista, muito mais empáticas que eu com relação aos outros animais. Uma delas não aguenta ver documentários sobre a vida selvagem porque fica com o coração nas mãos quando vê as presas serem abocanhadas pelos predadores. Outra adotou um cão que ama como se fosse um filho e desenvolveu um interesse especial pela espécie canina mas sei que se ela tivesse a oportunidade de conhecer outro animal (um porco por exemplo) profundamente na sua vida cotidiana, estaria tão comprometida em defender os direitos dessa espécie como os direitos da espécie do seu filho não humano . Outra ainda é talvez a pessoa mais empática que eu conheço com relação a pessoas, mas que, eu suspeito bastante também, com relação aos outros animais e acho que no seu caso a dissonância cognitiva já nem deixa que o seu corpo digira bem alimentos de origem animal, o que faz com que ela tenha muitos problemas digestivos.

Até o meu pai, que faz a matança do porco e os mata com as próprias mãos e que adora touradas, muitas vezes demonstra empatia por outros animais. Uma das maiores surpresas que tive na minha vida foi saber que o meu pai queria ter sido veterinário, a minha admiração por ele cresceu ainda mais nesse dia. No seu caso a dissonância cognitiva fez com que fortalecesse a crença de que há espécies que merecem carinho, proteção e respeito, outras que só servem para satisfazer os humanos e são coisas, como objectos sem sentidos nem sentimentos, e outras ainda que são “pragas” que nem sequer deveriam existir.

Todos nós temos que encontrar maneiras de lidar com as nossas próprias dissonâncias cognitivas, não só neste aspecto da relação com as outras espécies de animais, mas com muitos outros aspectos como crenças sociais e políticas dissonantes, inconsistências ao nível dos nossos valores e comportamentos, incoerências com relação a como nos vemos a nós própri@s e aos outros, etc.. Pela minha experiência nada dá mais paz de espírito do que acabar com as dissonâncias cognitivas mudando os comportamentos que estão em desacordo com os nossos valores, dentro dos possíveis para cada um.

Quais são as tuas dissonâncias cognitivas? Sentes por vezes o incómodo mental que provoca a empatia para com os outros animais conjugada com os hábitos alimentares “normais”? Conheces mais “vegan@s não praticantes” ou consideraste um@? Como sempre são bem vindas as vossas opiniões sobre este assunto.


Corazón y mente en disonancia (ES)

León Festinger (1919- 1989), padre del concepto “disonancia cognitiva”, defendía que los seres humanos necesitan mantener una cierta coherencia psicológica para poder funcionar mentalmente en el mundo real. Una persona que vive inconsistencias internas tiende a quedar psicológicamente incómoda y es motivada (por los propios mecanismos de defensa) a reducir la disonancia cognitiva. Para reducir la disonancia causada por la incoherencia entre opiniones, comportamientos, valores y / o creencias hay que cambiar de alguna forma una de esas variables. Una de las maneras de hacerlo es reajustando o sustituyendo una o más opiniones, comportamientos, valores y / o creencias; otra manera es buscar y adquirir nuevas informaciones o creencias que aumenten la consonancia. Pero la manera más fácil (pero también menos eficaz, en mi opinión) es intentar olvidar o reducir la importancia de las cogniciones que provocan la disonancia. Cuanto más enraizada una creencia esté, en la cultura y en las prácticas diarias de una persona, más fuerte será la necesidad de negar, sustituir, olvidar o reducir la importancia de las creencias que se le oponen.

Quien me conoce sabe que nunca he sido una “amante de los animales”. Hasta los 12 años tuve fobia de perros (cinofobia), y los gatos nunca me despertaron mucho interés. La mayoría de las aves y otros animales con alas, como los murciélagos y las mariposas, me causan una sensación de incomodidad física que me provoca escalofríos (no puedo explicar mejor). Siempre me han parecido graciosas las ardillas, pero la gracia nunca fue más allá de verlas paseando por los parques. En resumen nunca fui una de aquellas personas que se derriten con todos los perros y gatos que ven en la calle, y nunca tuve ganas de tener un animal para que me hiciera compañía.

Mi madre tampoco era una “amante de los animales”, pero era bastante empática con ellos. Cuando comenzaba el calor todos los días ponía uno o varios recipientes de agua en el patio, para que los pajaritos pudieran beber y sobrevivir al duro y seco verano del interior. Me recuerdo, como si fuera hoy, de un día en que mi padre apareció con un grillo, que él mismo había cogido, dentro de una mini jaula. A mi hermana y a mi nos pareció gracioso en el momento, pero cuando mi padre se fue y dejó el grillo con nosotras mi madre nos explicó que era cruel mantener el bichito en una jaula y fuimos a soltarlo inmediatamente en el jardín. A ella tampoco le gustaban las matanzas del cerdo (“fiesta” tradicional en que familia y amigos se unen para matar a uno o más cerdos y después repartir tareas de transformación del cadáver en varios tipos de “comida”) ni de corridas de toros, ni de ver animales en el circo.

Mi madre sabía que los otros animales también sufren, sienten dolor, alegría y de alguna manera conocen la diferencia entre comodidad e incomodidad, libertad y cautiverio. La empatía es eso, la capacidad de ponerse en la posición del otro. Pero la empatía hacia los demás animales generalmente causa un cierto grado de disonancia cognitiva (dependiendo de la capacidad empática de cada uno). Creo que mi madre lidiaba con la disonancia cognitiva, que se produce al ser simultáneamente empático para con los otros animales y al mismo tiempo tener gusto en comerlos de la misma manera que la mayoría de la gente leía, y como yo misma lidié durante la mayor parte de mi vida. Una de las comidas preferidas de mi madre era “pajaritos fritos” – codornices más específicamente pero no tan diferentes de los pájaros que intentaba ayudar todos los veranos. Por un lado ella se aferraba a la creencia de que es necesario, para tener una buena salud, comer productos de origen animal y por otro ella pensaba que el hecho de comer animales ser considerado “normal” (todo el mundo lo hace) y “natural “(Porque los seres humanos” siempre lo hicieron “) era razón suficientemente fuerte para hacerlo. Pero más aún, ella recurría a tal manera fácil de lidiar con la disonancia cognitiva: simplemente “se olvidaba” de que lo que comía eran partes de animales que habían vivido antes de llegar a su plato, y que para que eso sucediera ellos tuvieran que vivir en cautiverio y ser asesinados después de ver a sus semejantes pasar por el mismo.

Mi madre era lo que me gusta llamar una “vegana no practicante”. Creo realmente que si estuviera viva hoy, después de que Tico y yo nos volvimos veganas, mi madre también se habría vuelto verdaderamente vegana. En realidad ya lo he visto en muchas familias de amigos veganos. Y es natural, aprendemos sobre la empatía, y sobre muchas otras cosas, a través del ejemplo de quien nos crea desde pequeños, y esas personas, cuando ven sus criaturas hacer un cambio tan profundo en sus creencias y comportamientos, se sienten motivadas a repensar sus propios valores y hábitos. Familias enteras se vuelven veganas después de que un miembro cambie la estrategia para lidiar con su disonancia cognitiva, pero esta vez de manera permanente, sin hacer el esfuerzo de “olvidar” que aunque no pudieran hacer daño a ningún animal, pagan constantemente a otras personas para hacerlo.

Conozco a muchas personas que son, a primera vista, mucho más empáticas que yo con respecto a otros animales. Una de ellas no aguanta ver documentales sobre la vida salvaje porque se queda con el corazón en las manos cuando ve a las presas ser abocadas por los predadores. Otra adoptó un perro que ama como si fuera un hijo y desarrolló un interés especial por la especie canina, pero sé que si ella tuviera la oportunidad de conocer otro animal (un cerdo por ejemplo) profundamente en su vida cotidiana, estaría tan comprometida en defender los derechos de esa especie como los derechos de la especie de su hijo no humano. Otra es quizás la persona más empática que conozco con respecto a las personas, y también, lo sospecho, que con respecto a los otros animales. En su caso la disonancia cognitiva ya no deja que su cuerpo digiera bien alimentos de origen animal, lo que hace que tenga muchos problemas digestivos.

Hasta mi padre, que hace la matanza del cerdo y los mata con sus propias manos y que adora las corridas de toros, a menudo demuestra empatía por otros animales. Una de las mayores sorpresas que tuve en mi vida fue saber que mi padre quería haber sido veterinario, mi admiración por él creció aún más en ese día. En su caso la disonancia cognitiva hizo que fortaleciera la creencia de que hay especies que merecen cariño, protección y respeto, otras que sólo sirven para satisfacer a los humanos y son cosas, como objetos sin sentidos ni sentimientos, y otras son solo “plagas ” y que ni siquiera deberían existir.

Tod@s tenemos que encontrar maneras de lidiar con nuestras propias disonancias cognitivas, no sólo en el aspecto de la relación con las otras especies de animales, pero con muchos otros aspectos como creencias sociales y políticas disonantes, inconsistencias a nivel de nuestros valores y comportamientos, incoherencias con respecto a cómo nos vemos a nosotr@s mism@s a y los otros, etc. Por mi experiencia nada da más paz de espíritu que acabar con las disonancias cognitivas cambiando los comportamientos que están en desacuerdo con nuestros valores, dentro de los posibles para cada uno uno.

¿Cuáles son tus disonancias cognitivas? ¿Siente a veces la molestia mental que provoca la empatía hacia los otros animales conjugada con los hábitos alimentarios “normales”? ¿Conoces más “vegan@s no practicantes” o te consideras un@? Como siempre, vuestras opiniones sobre este asunto son muy bienvenidas.

My mixed feelings about Xmas

My mixed feelings about Xmas (EN)

Mis sentimientos encontrados con relación a Navidad (ES)

Os meus sentimentos contraditórios com relação ao Natal (PT)

O Natal está mesmo à porta. Esta celebração, de uma forma ou de outra, costuma estar carregada de emoções. Para umas pessoas é um momento melancólico porque as recorda de todas as pessoas que já não estão presentes na mesa da ceia; para outras é um stress, uma azáfama quer seja pela correria para comprar presentes ou pela preparação da comida; para outras pessoas é um momento esperado pois é a única altura do ano em que veem alguns membros da família que vivem longe; para outras ainda esta festa cria muita ansiedade pois vão ter que dividir a mesa com membros da família com os quais não se dão muito bem; para algumas pessoas é um momento mesmo especial pois podem ver a felicidade na cara dos mais novos ao abrir os presentes e quase como que relembrar o que elas próprias sentiam nesse momento.

O Natal pode significar um montão de coisas diferentes e os rituais de cada família também variam. Já te questionaste o que significa o Natal para ti? Que sentimentos traz à tona? E quais são mais positivos ou menos?

Para mim o Natal tem dois lados.

Um deles é o lado que me dá alegria e que tem a ver com o facto de que, durante 2 dias (24 e 25 de Dezembro), consigo estar algumas horas com todos os membros da minha família mais próxima. Sempre aguardei com entusiasmo as reuniões familiares e agora que vivo longe de toda a família ainda mais.

O outro é o lado que me traz muita tristeza. É saber que esta é a altura do ano em que o maior número de animais são mortos para que algumas pessoas satisfaçam a sua gula. Que se cozinha cabrito sem pensar que aquele ser era um bebé por desmamar, que se prepara o bacalhau sem pensar na morte dolorosa e angustiante que possibilitou a sua chegada à travessa, que se recheiam perus sem ter em conta que eles são animais sociais que criam verdadeiros laços uns com os outros.

Por um lado quero desfrutar destes momentos preciosos com a minha família, e celebrar a paz e o amor conforme pede a festividade. Por outro não consigo, nem quero, ignorar os cadáveres que encimam a mesa da ceia e do almoço de Natal.

Apesar de ainda viver num mundo onde a maioria das pessoas ignora o termo “especismo” e de a grande parte das pessoas que eu conheço não serem vegan@s, durante a maior parte do ano consigo ou esquivar-me bastante a situações nas que tenha que ver pessoas comerem pedaços de cadáveres. E quando não me consigo safar tento não pensar muito sobre o assunto. Mas no Natal encontro-me, suponho que como a maioria das pessoas, ainda mais empática o que faz com que viva de maneira mais intensa tanto a parte alegre, como a parte triste.

Para compensar esses sentimentos menos positivos que me traz o Natal tento recordar-me de duas coisas que me trazem alegria e esperança.

A primeira é o facto de não passar por tudo isto sozinha, tenho a sorte gigantesca de estar neste caminho da compaixão e do respeito pelos outros animais com a minha irmã Tico. Podemos segurar a mão uma da outra quando nos sentirmos mais assoberbadas pelas visões macabras da mesa natalícia. Às vezes basta só apenas um cruzar de olhares com a minha irmã para saber que ela está a pensar o mesmo que eu.

A segunda é o facto de saber que, a pouco e pouco, nós também estamos a fazer o nosso papel de sensibilizar um pouco a nossa família para aceitar (já nem digo adoptar) os nossos valores e, quem sabe até, simpatizar com eles. Até há bem pouco tempo provavelmente quase ninguém da nossa família próxima sabia o que era o hummus ou o seitan, nunca tinham experimentado queijos nem chouriços veganos, nunca tinham ponderado preparar um prato vegetal para as reuniões familiares. E todos os anos sinto que se torna cada vez mais fácil.

Este ano, para a ceia de Natal, até vamos preparar o nosso prato principal na casa onde se juntará a família, e dessa forma dar uma mini aula de culinária à base de vegetais. Temos preparada uma receita infalível, que vai deixar bem claro que para ter uma refeição equilibrada e cheia de sabor não fazem falta produtos de origem animal. E para a sobremesa estamos a pensar fazer uma versão vegana de uma das sobremesas que fazíamos sempre com a nossa mãe para esta altura. Tentaremos fazer algumas fotos e depois contaremos como foi 🙂 .

Também tens sentimentos contraditórios com relação ao Natal? O Natal leva-te a questionar algumas coisas? Como fazes para lidar com isso?


My mixed feelings about Xmas (EN)

Christmas is right around the corner. This celebration, in one way or another, is loaded with plenty of emotions. For some people it is a melancholic moment because it reminds them of all dear ones that are no longer present at supper; to others it’s a massive stress, a bustle due to the rush to buy presents or prepping food; to other people it’s a moment for which they are looking forward as it is the only time of the year when they get to see their family members that live abroad; other people feel anxious at this time of the year because they’ll have to share table with family members with whom they don’t get along; to some people it’s a very special moment because they get to see the happiness “stamped” on youngster’s faces while opening presents, recalling them on how they felt like back in the day.

Christmas has different meanings and every family have their own rituals. Have you ever questioned what does Christmas means to you? What feelings are brought up? And which are more positive or less positive?

To me Christmas has two sides.

One of them is the side that gives me joy and that has to do with the fact that during two days (December 24th and 25th) I’m able to spend some time and be with all my relatives. I’ve always looked forward enthusiastically for family gatherings and now even more so because I live far away from them.

The other side is the one that brings me a lot of sadness. Knowing that this is the time of the year on which the greatest number of animals are killed so that some of us can indulge with gluttony. That a little lamb is cooked without the conscience that that being was a baby yet to be weaned, that codfish is prepped without any awareness of how painful and distressed of a death that that being had to go through before getting to a platter, that turkeys are stuffed with herbs disregarding the fact that they are social animals that bond with each other.

On one hand I want to enjoy those precious moments with my family, celebrating the peace and love according to what this festivity aims for. On the other hand I cannot, nor do I want to, ignore the corpses that lie on supper’s table and Christmas lunch.

Despite living in a world where the majority of people disregard the word “speciesism” and the fact that most of the people that I know are not vegan, I can wriggle for most part of the year to many events on which I would have to see people eating pieces of death bodies. And when I cannot get away, I try to avoid thinking too much about it. But during Christmas I find myself, just like all the others (I reckon), even more empathetic which makes me live both joyful and sad parts in an intense way.

To make up for these less positive feelings that Christmas brings, I try to remind myself of two things that bring me hope and delight.

The first one is the fact that I don’t have to go through all of this by myself, as i have the enormous luck of being in this compassionate path with respect towards all animals together with my sister Tico. We can hold hands when we feel swamped by the gruesome imagery that stands before our eyes on top of the table. Sometimes it only takes an exchange of glances with my sister to know that she is thinking exactly the same as I am.

On the other hand is knowing that, little by little, our role that aims to sensitise our family to accept (it’s not realistic to say adopt) our values and who knows, even sympathise with them. Not long ago, probably many of our family members were not familiarised with foods such as hummus or seitan, nor have they tried vegan cheese or chorizo or even consider preparing a veggie dish to family meetings. And every year I notice that is getting easier.

This year, for Christmas supper, we will prepare our main meal at the location where Christmas will be celebrated and thus giving a mini cooking class where vegetables are on the spotlight. We have planned an infallible recipe, that will clarify that in order to have a balanced meal, full of flavour, no animal products are needed. And for dessert we will try to bake a vegan version of one of our favourite desserts that we always made with our mother in this time of the year. We will take some pictures and share the experience after all 🙂 .

Do you also have mixed feelings when it comes to Christmas? Does Christmas leads you to question anything?  How do you deal with it?


La Navidad a 5 días de distancia. Esta celebración, de una forma u otra, suele estar cargada de emociones. Para una gente es un momento melancólico porque las recuerda de todas las personas que ya no están presentes en la mesa de la cena; para otras es un estrés, un bullicio ya sea por la correría para comprar regalos o por la preparación de la comida; para otras personas es un momento muy esperado pues es la única altura del año en la que ven a algunos miembros de la familia que viven lejos; para otras aún esta fiesta les crea mucha ansiedad pues van a tener que compartir la mesa con miembros de la familia con los que no se llevan muy bien; para algunas personas es un momento bastante especial pues pueden ver la felicidad en la cara de los más jóvenes al abrir los regalos y casi como recordar lo que ellas mismas sentían en ese momento.

La Navidad puede significar un montón de cosas diferentes y los rituales de cada familia también varían. ¿Te has preguntado qué significa la Navidad para ti? ¿Qué sentimientos trae a la superficie? ¿Y cuáles son más positivos o menos?

Para mí la Navidad tiene dos lados.

Uno de ellos es el lado que me da alegría y que tiene que ver con el hecho de que durante 2 días (24 y 25 de diciembre) puedo estar unas horas con todos los miembros de mi familia más cercana. Siempre esperé con entusiasmo las reuniones familiares y ahora, que vivo lejos de toda la familia, aún más.

El otro es el lado que me trae mucha tristeza. Es saber que esta es la altura del año en que el mayor número de animales son muertos para que algunas personas satisfagan a su gula. Que se cocina el cabrito sin pensar que aquel ser era un bebé por desmamar, que se prepara el bacalao sin pensar en la muerte dolorosa y angustiante que posibilitó su llegada a la bandeja, que se rellenan pavos sin tener en cuenta que ellos son animales sociales que crean verdaderos lazos unos con otros.

Por un lado quiero disfrutar de estos momentos preciosos con mi familia, y celebrar la paz y el amor como pide la festividad. Por otro no puedo, ni quiero, ignorar los cadáveres repartidos por las mesas de la cena y de la comida de Navidad.

Aunque todavía vivo en un mundo donde la mayoría de la gente ignora el término “especismo” y que la gran parte de las personas que yo conozco no sean vegan@s, durante la mayor parte del año consigo esquivarme bastante a situaciones en las que tenga que ver a la gente comer trozos de cadáveres. Y cuando no me puedo ahorrar esas visiones intento no pensar mucho sobre el asunto. Pero en la Navidad me encuentro, supongo que como la mayoría de la gente, aún más empática, lo que hace que viva de manera más intensa tanto la parte alegre, como la parte triste.

Para compensar esos sentimientos menos positivos que me trae la Navidad intento recordarme de dos cosas que me traen alegría y esperanza.

La primera es el hecho de no pasar por todo esto sola, tengo la suerte gigantesca de estar en este camino de la compasión y del respeto por los otros animales con mi hermana Tico. Podemos dar las manos cuando nos sentimos más abrumadas por las visiones macabras de la mesa navideña. A veces sólo basta un cruzar de miradas con mi hermana para saber que ella está pensando lo mismo que yo.

La segunda es el hecho de que, poco a poco, nosotros también estamos haciendo nuestro papel de sensibilizar un poco a nuestra familia para aceptar (no sería realista decir adoptar) nuestros valores y, quizá incluso, simpatizar con ellos. Hasta hace poco tiempo probablemente casi nadie de nuestra familia cercana sabía lo que era el hummus o el seitán, nunca habían probado quesos ni chorizos veganos, nunca habían pensado preparar un plato vegetal para las reuniones familiares. Y cada año siento que se vuelve cada vez más fácil.

Este año, para la cena de Navidad, vamos a preparar nuestro plato principal en la casa donde se unirá la familia, y de esa forma daremos una mini clase de cocina a base de vegetales. Hemos preparado una receta infalible, que va a dejar bien claro que para tener una comida equilibrada y llena de sabor no hacen falta productos de origen animal. Y para el postre estamos pensando hacer una versión vegana de uno de los postres que hacíamos siempre con nuestra madre para esta altura. Intentaremos hacer algunas fotos y luego contaremos como fue :).

¿También tienes sentimientos contradictorios con respecto a la Navidad? La Navidad te lleva a cuestionar algunas cosas? ¿Cómo haces para lidiar con eso?

More than crossing borders

More than crossing borders (EN)

Más que cruzar fronteras (ES)

Mais do que atravessar fronteiras (PT)

Alguma vez pensaste porque é que gostas/ não gostas de viajar? O que é que gostas nas viagens? O que é que não gostas quando viajas?

Este artigo é sobre diferentes maneiras de viajar, e como viajar significa muito mais do que atravessar fronteiras.

Tempos de adolescência

Viajar era algo que eu adorava fazer quando era adolescente. Todos os anos, a minha irmã e eu, viajávamos com os nossos pais para destinos variados. Como os nossos pais eram divorciados, viajávamos garantidamente para dois destinos diferentes. Podíamos simplesmente viajar para outra parte de Portugal ou para o outro lado do mundo. Nessa altura, a minha participação na organização da viagem era quase inexistente, eu queria era ir. No entanto, sabia mais ou menos o que iríamos ver: os monumentos, os parques, as atrações turísticas etc. Também comprávamos daqueles livros práticos com guias da cidade que nos encaminhavam para o que ver/ fazer e íamos marcando um “certo” em cada missão cumprida. Estes guias davam algum jeito, até porque continham um mapa da cidade na contra-capa, para o caso de nos perdermos.

Apesar de nos encontrarmos de férias havia, na maior parte das vezes, um certo stress envolvido. Encontrar o hotel, encontrar um telefone público para ligar à restante família a avisar que chegamos vivos ao destino, tentar perceber a dinâmica dos transportes públicos para nos deslocarmos ou tentar comunicar em línguas menos conhecidas. Tudo isso era sinónimo de stress e só agora com alguma distância o consigo reconhecer. Talvez, porque quando estamos num sítio que não conhecemos, temos tendência para ficar alerta, o que faz com que fiquemos mais vigilantes e menos relaxados.

Independente da maneira como viajávamos, eu sentia-me sempre agradecida por poder ter essa oportunidade. Tivemos a possibilidade de ver praias bonitas, parques, atrações & monumentos, e eu agradeço muito a ambos os meus pais por isso.

Tempos de jovem adulta

Aos 20 anos, enquanto fazia Erasmus (um programa de intercâmbio na Europa) na Alemanha por um ano, tive a oportunidade de viajar com uma amiga num interrail. Comprámos o passe de comboio que nos permitia entrar na carruagem a qualquer hora e descer onde quiséssemos (dentro de cinco ou seis países selecionados). Nas mochilas levávamos uns pares de meias, cuecas e comida. Não tínhamos grandes planos nem tampouco sabíamos onde iríamos dormir. Desta forma estaríamos livres e abertas a todas e quaisquer oportunidades que se apresentassem no nosso caminho. Fazíamos o que nos apetecesse e assim que nos fartássemos de uma cidade, subíamos no comboio que nos levasse ao próximo destino. Numa semana, estivemos em quatro países diferentes – Áustria, Eslováquia, República Checa e Hungria. Obviamente que só ficávamos com uma ideia de cada sítio mas o melhor disto tudo era a sensação de liberdade. Liberdade porque o tempo não existia pois não havia nada que tivesse de ser feito, ninguém para encontrar, nenhum sítio onde estar a determinada hora. Não estávamos dependentes de nada e nada estava dependente de nós.

Pela primeira vez na minha vida, viajar tinha outro sabor e possibilidades infinitas.

Tempos diferentes

Por alguns anos, trabalhei em hotéis em Amesterdão e como tal pude testemunhar várias formas de viajar. As pessoas que viajavam com a “casa atrás”, as pessoas que raramente saíam do bar do hotel, as pessoas que se perderam e só voltaram ao hotel passados dois dias, as pessoas que vestiram sempre a mesma roupa porque a bagagem se tinha perdido, a família de sete membros que queria caber num quarto para dois, etc. Acho que vi de tudo e tenho histórias hilariantes dessa época.

Uma coisa é certa: não há forma correta ou errada de se viajar. Viajar é só uma forma de sairmos da nossa zona de conforto. E sair da zona de conforto para alguns pode ser viajar para a cidade mais próxima de casa, enquanto que para outros será necessário ir para muito mais longe.

Tempos recentes

No início de 2017, a minha viagem (sozinha) começou em Bali com a Nico e uma amiga minha, onde viajámos juntas por duas semanas. Quando o regresso a casa delas se aproximava, comecei a sentir-me desamparada e com alguma incerteza nesta decisão de viajar sozinha. Por esse motivo, decidi inscrever-me em aulas de cozinha indonésia e começar assim que elas se fossem embora. Aquela semana a aprender a cozinhar comida tradicional balinesa, à base de plantas e com uma chefe local, deu um novo propósito à minha viagem. A partir daquele momento decidi que iria cozinhar em cada país que eu passasse, pratos tradicionais (veganos), com chefes e cozinheiros nativos. E assim foi. Á Indonesia seguiu-se a Tailândia, Malásia, Vietname e Camboja.

Juntar duas paixões minhas  – comida vegana e viajar – deu um novo sentido a esta viagem. De uma certa forma até facilitou a minha escolha nos destinos seguintes, já que eu estava um pouco dependente dos cozinheiros e chefes disponíveis para me ensinarem. E encontrar esses cozinheiros e chefes não foi uma tarefa fácil.

Passar um mês em cada país não significava cozinhar a toda a hora. Na verdade, eu só tinha cinco ou seis aulas de cozinha com cada chefe. No tempo restante, estava numa relação de amor-ódio com as outras pessoas: ou a esconder-me delas (como uma boa introvertida faria) ou a socializar com as que tinham algo em comum comigo – turistas ou locais.

Na verdade, ter este propósito na viagem, era uma maneira de me introduzir a cada cultura, e cozinhar tornou-se numa boa desculpa para estar mais com pessoas locais. Pessoas locais que depois se tornavam amig@s meus e que me apresentavam aos amig@s deles. Mais cedo ou mais tarde, estava a encontrar-l@s para fazermos caminhadas, jantares e festas. El@s conectavam-me com mais amig@s noutras cidades e eu rapidamente me sentia integrada, ainda que estando do outro lado do mundo.

Com o passar do tempo, viajar passou a ser muito mais do que ver um monumento, nadar em praias de águas cristalinas ou tirar uma fotografia na frente de uma escultura. Tornou-se numa experiência cultural que envolve todos os sentidos. Fez-me perceber que são as pessoas com quem nos cruzamos no caminho que fazem a diferença na experiência. Fez-me perceber que a minha zona de conforto não se limita a espaço ou distância mas sim à interação com as pessoas.

Nota para tempos futuros

Já alguma vez pensaste porque é que é importante para ti tirar uma fotografia em frente a um edifício, só pelo facto deste se encontrar noutro sítio, longe de casa? Seguramente toda a gente o faz ou fez no passado, eu incluída (ora dá uma vista de olhos à imagem que ilustra este artigo). Mas isso dirá alguma coisa sobre a viagem que fizeste? E se, em vez de tirares essa fotografia, escreveres sobre os vistas do sítio, o que gostas mais nessa cidade, qual é a energia dos habitantes, o que achas do edifício com o qual estavas prestes a tirar uma foto?

Mais até, porque não perguntar a uma pessoa local qual a história do edifício? E se ela não souber bom, podes sempre contar-lhe uma história sobre o teu edifício preferido na tua cidade.

As memórias que temos com as pessoas são as que fazem boas histórias. E as histórias que trazemos para casa, para contarmos aos amigos e família são muito mais valiosas que as fotografias. As fotografias… essas podemos postar nas redes sociais para elevar o nosso ego. Mas é só isso.

Um agradecimento especial aos chefes e cozinheiros que me ensinaram, elevando a minha viagem a outro nível: Chef Yin Boey, Malaika Secret Moksha, Andy Teo, Kashew Cheese, Justin Parke & Srey Pov Haing


 

More than crossing borders (EN)

Have you ever thought why you like/ don’t like traveling? What do you like about traveling? What don’t you like about traveling?

The following article is about different ways of traveling and how it is much more than crossing borders.

Teenager times

Traveling was something that I was always looking forward to as a teenager. Every year, my sister and I, would travel to different places with our parents. As our parents were divorced, we had guaranteed two different destinations. It could be simply traveling to another part of Portugal or to the other side of the world. At the time I didn’t participate much in the planning, I just wanted to go. However, I knew more or less what we were going to see: the monuments, the parks, the tourist attractions etc. We would buy city guide-books that made it easier for us to check the marks as we went. It was handy, as most of them had a map of the city at the back cover, in case we got lost.

Even though we were on holidays, there was most of the time, some kind of stress involved. Figuring out where the hotel was, finding a public phone to call the family to tell them we arrived safely, understanding how the public transportation worked in order to get to places or trying to communicate in other languages. It all meant stress at some level and I only acknowledge it now, with some distance. Maybe because when you are somewhere unknown, you stay in an alert mode that makes you vigilant and doesn’t allow relaxation to sink in.

Regardless the way we travelled, it was something I was always grateful for. We got to see beautiful beaches, parks, attractions & monuments and I thank both my parents for that.

Young adult times

At 20 years old, while doing an exchange program in Germany for one year, I got the chance to travel with a girlfriend on an inter city rail. We bought the train pass that would allow us to hop aboard anytime and hop off anywhere (within a selection of five or six countries). We packed our rucksacks with a couple pairs of socks, underwear and food. Nothing really was planed, not even the places where we would sleep. In this way we would be free and open to any opportunity that would show up in front of us. We just did whatever we felt like doing and as soon as we were done with a city, we would hop on the train again to the next destination. In one week, we were able to be in four different countries – Austria, Slovakia, Czech Republic and Hungary. Obviously we only got a glimpse of every place but the best thing in the end of the day was the feeling of freedom. Freedom because time didn’t exist as there was nothing that had to be done, there was no one to be met, there was nowhere to be at a certain time. We were not dependent on anything and nothing was depended on us.

For the first time in my life, traveling had another taste and infinite possibilities.

Different times

As I got to work in hospitality in Amsterdam for quite some time, I got to see different ways of traveling. The people that arrived with their “whole house” inside the luggage, the people that barely left the hotel bar to see the city, the people that got lost outside and came back to the hotel after a couple days, the people that always wore the same clothes because their bag got lost, the seven members family that wanted to fit in a double room, etc. I think I saw it all and have hilarious stories from that period.

One thing is for sure: there’s no right or wrong way on how to travel.  Traveling is just a way of getting out of our comfort zone. And someone’s comfort zone can mean traveling two hours away from their home or a bit more or a lot more.

Recent times

In the beginning of 2017, my (solo) trip started in Bali with Nico and a girlfriend of mine, where we travelled together for a couple weeks. When their time to say goodbye was approaching, I started to feel emptiness and a huge uncertainty of what was to come. So I decided to enroll in Indonesian cooking classes as soon as they left. That week of learning Balinese plant based cooking with a local chef gave me a new purpose to my travelling experience. From that moment on, I would cook in every single country, traditional (plant based) food, with local cooks or chefs. And so I did. Indonesia was followed by Thailand, Malaysia, Vietnam and Cambodia.

Merging two passions of mine – plant based food and traveling – gave a new twist to this trip. In a way, made it easier for me to decide which next country I would travel to, as I was dependent on finding cooks and chefs that were able or willing to teach me. And that was not an easy task.

Spending a month in each country didn’t mean cooking all the time. In fact, I would only have five or six cooking classes with each chef. In the remaining time I was in a love-hate relationship with other people: either hiding from them, as a good introvert would do, or hanging out with like-minded fellow travellers or locals.

In truth, having this purpose of traveling was a way of introducing me to every culture and cooking became a good excuse to hang out and bond with local people. Local people that then became my friends and would introduce me to their friends. Sooner or later, I was meeting them for hikes, dinners and parties. They would connect me to more friends in other cities and I quickly felt like I belonged, despite being on the other side of the world.

With time, traveling became for me more then seeing a new monument, sunbathing in a crystal clear beach or taking a picture in front of a famous sculpture. It became a fully cultural experience involving all senses. It made me understand that the people we cross paths with, while on the road, are the ones that make or break an experience. It made me realize that my comfort zone is not limited by space or distance but ratter by interacting with people.

A note for future times

Have you ever thought why is it important for you to take pictures in front of a building, just because it’s situated somewhere else, away from home? One thing is for sure, I do it (check out the picture illustrating this article), everybody does it or has done it in the pass. But does that say anything about your trip, either than checking a mark on your “what to see” list? What if, instead of taking the picture, you write about what you are looking at, what did you like about the city, what was the vibe of the locals, what did you think of the building you were about to take a picture with?

Even further, why not asking a local the story of the building? And if they don’t know, well you can always tell them a story about the best looking building in your hometown.

The memories we have with people are the ones that make good stories. And the stories we bring home to tell friends and family are much more appreciated than pictures. The pictures…those we can post on social media to praise our ego. But that’s it.

Special shout out to thank all the cooks and chefs that teached me and brought my trip to another level: Chef Yin Boey, Malaika Secret Moksha, Andy Teo, Kashew Cheese, Justin Parke & Srey Pov Haing


 

Más que cruzar fronteras (ES)

¿Alguna vez has pensado por qué te gusta/no te gusta viajar? ¿Qué te gusta o no te gusta cuando viajas?

Este artículo es sobre diferentes maneras de viajar, y cómo viajar significa mucho más que cruzar fronteras.

Tiempos de la adolescencia

Viajar era algo que me encantaba hacer cuando era adolescente. Todos los años, mi hermana y yo, viajábamos con nuestros padres a destinos variados. Como nuestros padres estaban divorciados, viajábamos siempre a dos destinos diferentes. A veces íbamos simplemente a otra parte de Portugal otras veces íbamos al otro lado del mundo. En ese momento, mi participación en la organización del viaje era casi inexistente, todo lo que quería era ir. Sin embargo, sabía más o menos lo que íbamos a ver: los monumentos, los parques, las atracciones turísticas, etc. Compráramos aquellos libros prácticos con guías de la ciudad que nos encaminaban hacia lo que ver/hacer e íbamos marcando un “X” en cada misión cumplida. Estos guías eran muy útiles especialmente porque contenían un mapa de la ciudad en la contra-capa, para el caso de perderse.

Aunque estuviéramos de vacaciones había, la mayoría de las veces, un cierto estrés involucrado. Encontrar el hotel, encontrar un teléfono público para avisar al resto de la familia habíamos llegamos y estaba todo bien, entender la dinámica del transporte público para desplazarse o intentar comunicarnos en idiomas menos conocidos. Todo eso era sinónimo de estrés y sólo ahora con cierta distancia lo puedo reconocer. Quizás, porque cuando estamos en un sitio que no conocemos, tenemos la tendencia para permanecer en modo de alerta, lo que nos hace más vigilantes y menos relajados.

Independiente de cómo viajábamos, siempre sentía gratitud por poder tener esa oportunidad. Tuvimos la posibilidad de ver hermosas playas, parques, atracciones y monumentos, y agradezco mucho a ambos mis progenitores por eso.

Tiempos de joven adulta

A los 20 años, mientras estaba de Erasmus (un programa que facilita la movilidad académica dentro de la UE) en Alemania (por un año), tuve la oportunidad de viajar con una amiga en un “interrail”. Hemos comprado el bono de tren que nos permitía entrar subir en cualquier momento y bajar donde quisiéramos (dentro de cinco o seis países seleccionados). En las mochilas llevábamos calcetines, braguitas y comida. No teníamos muchos planes ni tampoco sabíamos dónde iríamos a dormir. De esta forma estaríamos libres y abiertas a todas las oportunidades que se pudieran presentar en nuestro camino. Hacíamos lo que nos daba la gana y cuando nos hartábamos de una ciudad, subíamos en el tren que nos llevaría al próximo destino. En una semana habíamos estado en cuatro países diferentes – Austria, Eslovaquia, la República Checa y Hungría. Evidentemente vimos cada sítio muy por encima pero lo mejor de todo era la sensación de libertad. Libertad porque el tiempo no existía pues no había nada que hacer por obligación, nadie para encontrar, ningún sitio donde estar a cierta hora. No estábamos dependientes de nada y nada dependía de nosotros.

Por primera vez en mi vida, viajar tenía otro sabor y posibilidades infinitas.

Tiempos diferentes

Cuando vivía en Ámsterdam trabajé algunos años en hostelería y pude conocer varias maneras de viajar. Estaba la gente que llevaba toda su casa en las maletas, la gente que siempre llevaba la mismo porque había perdido las maletas, las personas que casi no salían del bar del hotel, la familia de siete que quería meterse en una habitación de dos, etc. Creo que he visto de todo y tengo historias muy chistosas de esa época.

Una cosa es cierta: no hay manera correcta de viajar. Viajar es solo una manera de uno salir de su zona de confort. Y la zona de confort de cada uno es diferente, para unos para salir basta ir al pueblo más cercano, para otros hay que ir mucho más lejos.

Tiempos recientes

A principios de 2017, mi viaje (sola) empezó en Bali con Nico y una amiga mía, viajamos juntas por dos semanas. Cuando el regreso a casa de ellas se acercaba, empecé a sentirme desamparada y con cierta incertidumbre en esta decisión de viajar sola. Así que decidí inscribirme en clases de cocina indonesia y empezar tan pronto cuanto se marchasen. Aquella semana aprendiendo a cocinar comida tradicional balinesa, de base vegetal y con una chef local, dio un nuevo propósito a mi viaje. A partir de ese momento decidí que iba a cocinar en cada país que visitase, platos tradicionales (veganos), con chefs y cocineros nativos. Y así lo hice. A Indonesia se siguió Tailandia, Malasia, Vietnam y Camboya.

Juntar dos pasiones mías – comida vegana y viajar – dio un nuevo sentido a este viaje. De cierta manera incluso facilitó la elección de los siguientes destinos, ya que estaba un poco dependiente de los cocineros y chefs disponibles para enseñarme. Y encontrar a esos cocineros y chefs no fue una tarea fácil.

Pasar un mes en casa país no significaba cocinar todo el tiempo. En realidad solo tenía cinco o seis clases de cocina con cada chef. El el tiempo que sobraba tenía una relación amor-odio con la gente: o me escondía (como una verdadera introvertida) o socializaba con gente con la que tenía algo en común – personas locales o turistas.

De hecho este reto gastronómico de mi viaje era una forma de conocer mejor cada cultura, y cocinar acabó siendo una muy buena excusa para pasar más tiempo con personas locales. Personas esas que se convertían en amigas que por si vez me presentaban a sus amig@s. En poco tiempo ya estábamos todos quedando para hacer senderismo, cenas y fiestas. Ell@s me conectaban con sus amig@s en otras ciudades, y cuando me movía ya estaba otra vez integrada, incluso estando en el otro lado del mundo.

Con el paso del tiempo, viajar pasó a ser mucho más que ver un monumento, nadar en playas de aguas cristalinas o hacer una foto delante de una escultura. Se convirtió en una experiencia cultural que envuelve a todos los sentidos. Me hizo percibir que son las personas con quienes nos cruzamos en el camino que hacen la diferencia en la experiencia. Me hizo percibir que mi zona de confort no se limita a espacios o distancias, sino a la interacción con las personas.

Nota para tiempos futuros

¿Alguna vez te has preguntado, por qué es tan importante para ti hacer una fotografía frente a un edificio, sólo por el hecho de que se encuentre en otro lugar, lejos de casa? Seguramente todo el mundo lo hace o lo hizo en el pasado, yo incluía (échale un ojo a la imagen que ilustra este artículo). ¿Pero dice eso algo sobre el viaje que has hecho? ¿Y si en lugar de sacar esa foto, escribes sobre las vistas del sitio, o sobre lo que más te gusta en aquella ciudad, cuál es la energía de los habitantes, qué crees del edificio con el que estás a punto de hacer una foto? 

Más aún, ¿por qué no preguntas a una persona local cuál es la historia del edificio? Y si ella no lo sabe, puedes contarle una historia sobre tu edificio preferido en tu ciudad.

Las memorias que tenemos con las personas son lo que hace las buenas historias. Y las historias que traemos a casa, para contar a los amigos y familia, son mucho más valiosas que las fotografías. Las fotografías … esas las podemos publicar en las redes sociales para elevar nuestro ego. Pero es sólo eso.

Un agradecimiento especial a l@s chefs y cociner@s que me enseñaron elevando mi viaje a otro nivel: Chef Yin Boey, Malaika Secret Moksha, Andy Teo, Kashew Cheese, Justin Parke & Srey Pov Haing

The beginning of questioning by Tico

The beginning of questioning (EN)

El principio del cuestionamiento (ES)

O princípio do questionamento (PT)

1ª parte

Em 2014, pela altura do Natal, vi um documentário de nome “Earthlings” (“Terráqueos” em português). Foi a coisa que mais me custou ver até hoje. Pausei o filme várias vezes. Chorei. Continuei a ver até o filme acabar. Fiquei vegan da noite para o dia.

Uma luz tinha-se acendido na minha cabeça e não podia jamais desligar-se. Como é que eu tinha vivido a minha vida até agora a pensar que torturar, matar ou usar animais para o nosso entretenimento era normal? Deu-me que pensar. Se o que me tinha sido ensinado até aqui (pela família, cultura, tradições) sobre comer animais, não era o certo, o que mais poderia estar errado?

Comecei então a questionar tudo. Tudo! Porque é que eu estava a tomar a pílula? Qual era a razão que me levava a tomar comprimidos quando ficava doente? Porque é que me dava com pessoas que pouco ou nada tinham a ver comigo? Porque é que lavava o cabelo com champô e lavava os dentes com pasta dentífrica? Por que razão comprava eu roupas a toda a hora? Porque é que eu ainda remoía na minha cabeça a morte da minha mãe? Porque é que eu usava maquilhagem?

As coisas em que eu acreditava antes já não faziam o mínimo sentido e uma questão levava à próxima. Pouco a pouco os meus hábitos começaram a mudar.

2ª parte

Já vivia em Amesterdão à cerca de quatro anos quando decidi inscrever-me num Mestrado em Lyon, França. Fui aceite, comprei um bilhete de avião e aluguei um quarto. Tinha tudo planeado. Finalmente iria mudar a minha vida, conhecer pessoas com coisas em comum, poder ver o sol com mais frequência, re-aprender francês. A dois meses de mudar de país, recebi um email da universidade a explicar que o mestrado não iria abrir pois não haviam inscrições suficientes. Senti-me desiludida e perdida nas semanas que se seguiram.

Um dia, sentei-me com um caderno e uma caneta na mão e comecei a fazer uma lista das coisas que eu gostaria de fazer na minha vida mas que nunca tinha feito por alguma razão. Haviam tantos sítios onde eu não tinha ido porque ninguém podia ir comigo, porque os meus amigos não tinham o dinheiro necessário, porque as minhas férias não se coordenavam com as dos outros, etc, etc, etc. Desculpas. No topo da minha lista estava fazer voluntariado noutros países e viajar.

Dois meses depois, encontrava-me na Amazónia Peruana como voluntária num projecto para estudar plantas medicinais. Nessa altura, a comer uma dieta vegana por quase dois anos e sem tomar qualquer medicação, estava cada vez mais interessada em aprender mais sobre plantas e foi por essa razão por acabei por escolher esse voluntariado.

Mal sabia eu que esta aventura no Peru acabaria por mudar a minha vida (mais posts virão sobre este tópico).

As experiências que tive lá, como conhecer uma comunidade nativa da Amazónia  e outros voluntários, deram-me uma perspectiva diferente sobre a vida. Naquele lado do mundo tudo acontece “horita”, o que se traduz para “agorinha”. Excepto que não significava realmente “agorinha”. Significava algo mais do género “acontecerá quanto for” ou “acontecerá brevemente”. E “brevemente” podia significar dez minutos, quarenta minutos, cinco horas, e por aí fora.

A minha lição aqui foi a de aprender a viver no presente. Deixar de lado o apego que tinha a certas ideias e convicções. Coisas que aprendemos com a nossa sociedade. No mundo ocidental a vida é levada mais a sério. Estamos muito agarrados a significados, o que nos leva muitas vezes a frustrações, desilusões e stress. E stress era algo que me era muito familiar nesta altura.

Depois de estar um mês no Peru, voltei para Amesterdão e demiti-me do meu trabalho na primeira oportunidade que tive. Aquela vida de stress já não era para mim. Ter um trabalho qualquer já não era para mim. Viver numa cidade chuvosa já não era para mim. Então fui embora.

3ª parte

Dois meses depois de regressar do Peru, deixei Amesterdão. Não tinha um grande plano, somente um bilhete de avião para a Indonésia, sem volta. O propósito era viajar pelo sudeste asiático até perceber o que fazer com a minha vida (mais posts sobre este tópico virão).

Acabei por viajar sozinha durante cinco meses, o que me deu muito tempo para “pensar com os meus botões”, para me conhecer melhor, para ter mais paciência e, acima de tudo, deu-me uma lição sobre limites.

Quando estás a viajar (especialmente sozinh@), tens muitas pessoas a meterem conversa contigo e fazerem conversa fiada. No início até é engraçado. Toda a gente com quem te vais cruzando tem a sua própria história de como foram ali parar, conheces pessoas do mundo inteiro e boas conversas podem surgir em beliches de hostels. No entanto, depois de um par de meses, eu já me irritava com as conversas das pessoas, pois a minha privacidade era escassa. Dividir quarto com seis, dez ou catorze pessoas é desafiante quando falamos de privacidade, quanto mais sossego. Comecei a questionar “porque é que as pessoas ficam tão desconfortáveis em ambientes de silêncio?”, “porque é que elas não gostam de estar sozinhas?”, “porque é que eu continuo a falar com elas, fazendo fretes?” etc.

Limites, limites, limites. Não é que eu quisesse cortar toda e qualquer interação mas em vez disso aprendi a estar apenas com aquelas pessoas com quem me identificava, sem fazer qualquer tipo de esforço. Já não sentia que tinha de participar de conversas ou interações só porque sim e isso libertou-me.

Estas foram as três instâncias na minha vida que me puseram a questionar o mundo de outras maneiras. Não aconteceu num “piscar de olhos” mas de forma orgânica em que cada fase levou à próxima. O percurso continua, mais questões se levantam a cada nova fase e aqui estarei para as relatar.

Learn from yesterday, live for today, hope for tomorrow. The important thing is not to stop questioning. Albert Einstein 


 

The beginning of questioning (EN)

1st part

In 2014, just before Christmas, I watched a documentary called “Earthlings”. It was the hardest thing to watch. I paused several times. I cried. Kept watching until the movie was finished. Went vegan cold turkey.

A light was turned on in my head and could not be turned off any longer. How did I spend all my life thinking it was ok to torture, kill and use animals for our entertainment? It got me thinking. If what I was told up until now in regards to eating animals (by family, culture, traditions) wasn’t the right thing, what else could be wrong?

I started questioning everything. Everything! Why was I taking the pill? Why was I taking meds when I got sick? Why was I hanging out with people that weren’t like-minded? Why was I washing my hair with shampoo and cleaning my teeth with toothpaste? Why was I buying clothes all the time? Why was I still mourning my mother’s death? Why was I wearing makeup?

The things I used to believe didn’t make sense anymore and one question led to another. Little by little my habits started to change.

2nd part

I was living in Amsterdam for about four years when I decided to apply for a Master’s program in Lyon, France. I got accepted, bought a flight ticket & rented a room. I had it all figured. Finally I could change my life, meet people with things in common, see the sun more often, re-learn French. Two months prior to making this move, I got an email from the university explaining that the course would not open because not enough people enrolled in this program. For a couple weeks I felt so disappointed and lost.

One day, I sat with a paper and a pen and started making a list about all the things I wanted to do in my life but never did for some reason. I didn’t go to places because no one could join me, because my friends didn’t have the money, because my holidays didn’t fit with other people’s schedules etc. etc. etc. Excuses. On top of my list was volunteering abroad and travelling.

A couple months later I went to the Peruvian Amazon as a volunteer for a medicinal plants research. At the time, eating a plant based diet for almost two years and not taking any medicine, made me curious and willing to learn more about plants and that’s why I chose this volunteering.

Little did I know how this adventure would change my life (more posts about this topic to come).

The experiences I had there, getting to know the native community in the jungle as well as the other volunteers, gave me a different perspective of life. In that side of the world everything happens “horita” which means “now”. Except that it didn’t really mean “now”. It meant more like “it happens when it’s going to happen” or “it will happen soon”. And “soon” could mean ten minutes, forty minutes, five hours, and so on. My lesson here was to learn how to live in the present. Let go of the attachment to ideas and beliefs. Things we learn from our society. We take life too serious in the Western world. We are too attached to meanings, which lead us to frustration, disappointment and stress. And I really knew the meaning of stress by then.

After one month in Peru, I got back to Amsterdam and quit my job immediately. That stressful life wasn’t for me anymore. Having a job that didn’t fulfill me wasn’t for me anymore. Living in a rainy city wasn’t for me anymore. So I left.

3rd part

Two months after coming back from Peru, I left Amsterdam. I didn’t have a big plan, only a plane ticket to Indonesia without return. The goal was to travel in South East Asia until I found out what I wanted to do next in my life (more posts about this topic to come).

I ended up travelling solo for five months in S.E. Asia, which gave me a bunch of time alone to think, to get to know myself better, to be more patient and, above all, taught me how to create boundaries.

When you travel (especially solo), you have many people talking to you and make random conversations. At first is fun! Everybody you meet along the way have their own story on how they got there, you get to know people from all over the world and cool conversations can happen in bunk beds. However, after a couple months I was getting quite annoyed by people trying to chit-chat all the time as I already had little privacy. Sharing a dorm with six, ten, fourteen other people is challenging when it comes to privacy, let alone quietness. It got me questioning “why are people so uncomfortable with silence?”, “why don’t they enjoy being alone?”, “why do I keep talking to them even though I don’t feel like it?” etc.

Boundaries, boundaries, boundaries. Not that I wanted to shut down any interaction but instead I learned how to just talk to someone or hang out with those that made it feel right and not forced. I no longer felt like I had to engage in conversations that were meaningless to me and such small change freed me up.

Those were the three instances in my life that made me start questioning the world in different ways. It didn’t happen overnight but in an organic way where every phase led to the next one. The journey continues, more questions rise in every new stage and I will be here to report and update.

Learn from yesterday, live for today, hope for tomorrow. The important thing is not to stop questioning. Albert Einstein 


 

El principio del cuestionamiento (ES)

1ª parte

En 2014, por Navidades, vi el documental Terráqueos. Fue la cosa más difícil de ver hasta hoy. Pause la película varias veces. Lloré. Seguí viendo hasta que la peli terminara. Me hice vegana de la noche a la mañana.

Una luz se había encendido en mi cabeza y no podía jamás apagarse. ¿Cómo había vivido mi vida hasta ahora pensando que torturar, matar o usar animales para nuestro entretenimiento era normal? Me dio que pensar. Si lo que me había sido enseñado hasta aquí (por la familia, cultura, tradiciones) sobre comer animales, no era lo correcto, ¿qué más podría estar equivocado?

Entonces empecé a cuestionarlo todo. Todo! ¿Por qué estaba tomando la píldora? ¿Cuál era la razón que me llevaba a tomar pastillas cuando estaba enferma? ¿Por qué quedaba con personas que poco o nada tenían en común conmigo? ¿Por qué lavaba el pelo con champú y los dientes con pasta dentífrica? ¿Por qué compraba ropa a todas horas? ¿Por qué seguía padeciendo por la muerte de mi madre? ¿Por qué usaba maquillaje?

Las cosas en que creía antes ya no hacían el mínimo sentido y una cuestión llevaba a la siguiente. Poco a poco mis hábitos empezaron a cambiar.

2ª parte

Ya vivía en Amsterdam hacia unos cuatro años cuando decidí aplicar para hacer una Maestría en Lyon, Francia. Fui aceptada, compré un billete de avión y alquilé una habitación. Tenía todo planeado. Finalmente cambiaría mi vida, conocería gente con cosas en común, podría ver el sol con más a menudo, volvería a aprender francés. Dos meses antes de cambiar de país, recibí un correo electrónico de la universidad explicando que la maestría no iba a abrir porque no había suficientes inscripciones. Me sentí desilusionada y perdida en las semanas que siguieron.

Un día, me senté con un cuaderno y un boli en la mano y empecé a hacer una lista de las cosas que me gustaría hacer en mi vida pero que nunca había hecho por alguna razón. Habían tantos lugares donde yo no había ido porque nadie podía ir conmigo, porque mis amigos no tenían la pasta necesaria, porque mis vacaciones no se coordinaban con las de los demás, etc, etc, etc. Escusas. En el tope de mi lista estaban hacer voluntariado en otros países y viajar.

Dos meses después, me encontraba en la Amazonía Peruana como voluntaria en un proyecto para estudiar plantas medicinales. En ese momento, comiendo una dieta vegana por casi dos años y sin tomar ninguna medicación, estaba cada vez más interesada en aprender sobre plantas y fue por esa razón que acabé por elegir ese voluntariado.

Poco sabía que esta aventura en Perú al final cambiaría mi vida (en breve contaré más sobre este tema).

Las experiencias que tuve allí, como conocer una comunidad nativa de la Amazonia y los otros voluntarios, me dieron una perspectiva diferente sobre la vida. En aquel lado del mundo todo sucede “horita”, lo que significa “ahorita”. Excepto que no significaba realmente “ahorita”. Significaba algo más del tipo “sucederá cuanto sea” o “sucederá en breve”. Y “en breve” podría significar diez minutos, cuarenta minutos, cinco horas, … ya lo imagináis.

La gran lección aquí fue la de aprender a vivir en el presente. Dejar de lado el apego que tenía a ciertas ideas y convicciones. Cosas que aprendemos de nuestra sociedad. En el mundo occidental la vida se toma más en serio. Estamos muy aferrados a significados, lo que nos lleva a menudo a frustraciones, desilusiones y estrés. Y el estrés era algo que me era muy familiar en este momento.

Después de un mes en Perú, volví a Ámsterdam y me despedí mi trabajo en la primera oportunidad que tuve. Esa vida de estrés ya no era para mí. Tener un trabajo cualquiera ya no era para mí. Vivir en una ciudad lluviosa ya no era para mí. Entonces me fui.

3ª parte

Dos meses después de regresar de Perú, dejé Amsterdam. No tenía un gran plan, sólo un billete de avión para Indonesia, sin retorno. El propósito era viajar por el sudeste asiático hasta saber qué hacer con mi vida (más posts sobre este tema  en breve).

Acabé viajando sola durante cinco meses, lo que me dio mucho tiempo para pensar, para conocerme mejor, para tener más paciencia y, sobre todo, me dio una lección sobre límites.

Cuando estás viajando (especialmente sol@), hay mucha gente con la que hablar. Al principio es divertido. Toda la gente con la que te vas cruzando tiene su propia historia de cómo llegó allí, conoces a personas del mundo entero y buenas conversaciones pueden surgir en literas de hosteles. Sin embargo, después de un par de meses, ya me aburrían las conversaciones, pues la privacidad era escasa. Compartir habitación con seis, diez o catorce personas es desafiante cuando hablamos de privacidad, y aún más si de tranquilidad. Empecé a preguntarme “¿por qué están las personas tan incómodas en ambientes de silencio?”, “¿Por qué no les gusta estar solas?”, “¿Por qué sigo hablando con ellas, aunque no tenga ganas?”, etc.

Límites, límites, límites. No es que yo quisiera cortar con toda y cualquiera interacción sino que aprendí a estar sólo con aquellas personas con las que me identificaba, sin hacer ningún tipo de esfuerzo. Ya no sentía que tenía que participar en conversaciones o interacciones sólo porque sí y eso me liberó.

Estas han sido  las tres instancias en mi vida que me hicieron cuestionar el mundo de otras maneras. No ocurrió en un “parpadeo de ojos” sino de forma orgánica en que cada fase llevó a la siguiente. El recorrido continúa, más cuestiones se levantan a cada nueva etapa y aquí estaré para contaros.

Learn from yesterday, live for today, hope for tomorrow. The important thing is not to stop questioning. Albert Einstein