Uma questão de obrigação ou escolha…

A question of obligation or choice… (EN)

Una cuestión de obligación o elección… (ES)

Uma questão de obrigação ou escolha… (PT)

Tenho que ir fazer o jantar.
Amanhã tenho que ir trabalhar.
Não posso porque tenho que fazer outras coisas.

Quantas vezes durante o dia repetes as palavras “tenho que”? A tua vida é uma grande soma de “tenho ques”?

Mas será que “tens mesmo que”? “Ter que” indica obrigação. És obrigad@ a fazer todas essas coisas ao longo do dia?

Vamos fazer uma experiência! Escolhe um dia, pode ser amanhã, ou podes começar a partir de agora. Durante esse/este dia troca a expressão “tenho que” pela palavra “quero”. Não só quando falas com outras pessoas, mas especialmente quando falas contigo. Aproveita para vigiar os teus pensamentos e se vires que estás a pensar “tenho que” corrige-te e volta a formular a frase mas com “quero”.   

“Quero ir fazer o jantar” vai ser fácil, mas dizer “Amanhã quero ir trabalhar” pode ser muito difícil para algumas pessoas. Ora aí está a magia!!

Custa-te dizer “quero” porque achas que realmente não queres? Pensa então porque é que fazes as coisas. Continuamos com o exemplo de “ir trabalhar”. Não te esqueças de continuar com o “quero”. Eu ajudo: “Quero ir trabalhar porque quero continuar a ter emprego” boa, continuamos: “Quero ter um emprego porque quero ter um salário ao final do mês” seguinte: “Quero ter dinheiro para pagar as contas, para ir ao cinema, para dar o melhor aos meus filhos, para ir de férias com o meu namorado, para ajudar a minha avó…” Acho que deu para perceber. Já é mais fácil dizer que “queres” ir trabalhar, verdade?

Podemos pensar que são só palavras e que se trata apenas de linguagem, de uma forma de expressão. Mas acredito que a linguagem que usamos pode afectar profundamente a maneira como pensamos e o nosso comportamento. Se não estás convencid@ desafio-te a fazer uma pesquisa rápida no Google sobre estudos publicados sobre o assunto. Mas sobretudo desafio-te a fazer o exercício que proponho acima.

Trocar o “tenho que” pelo “quero” pode ter efeitos secundários surpreendentes. O melhor de todos, infelizmente, é o que faz com que a maioria das pessoas desista de continuar. Perceber que temos as rédeas das nossas vidas não é para tod@s. Ao princípio pode parecer desvantajoso. Quando vês que não fazes as coisas por obrigação fica difícil culpar os outros, o tempo, o governo, a situação em que estás, etc.,  e isso pode parecer muito chato à primeira vista. Mas na verdade é empoderador. Pensar que fazemos as coisas por que queremos dá-nos força e ânimo para as fazermos, mas o mais importante é que, ao fazer este exercício, nos apercebemos de quais são as coisas que realmente NÃO queremos fazer. Quando não consegues encontrar razões para querer fazer uma coisa é porque realmente não queres fazê-la. E como há 99,99% de probabilidade de que ninguém te esteja a apontar uma arma à cabeça, então… Adivinha!! Não “tens que” se não “queres”!

Outros efeitos secundários podem ser: deixar de fazer coisas que vens fazendo há imenso tempo sem querer e nunca te deste conta; deixar de dar desculpas a ti mesm@ para fazer coisas que realmente queres fazer; começar a procurar maneiras de conseguir o que queres em vez de passar o dia a imaginar o bom que sería se pudesses fazer “x”; deixar de meter pressão em ti mesm@, e naqueles que te rodeiam, com coisas que “têm que” ser feitas; perder algumas rugas na testa; ver o mundo com uns olhos novos; etc.

Adoraria saber o que têm a dizer sobre isto tod@s aquel@s que decidiram fazer a experiência. Mudou alguma coisa? O quê? Algum “efeito secundário” não mencionado que valha a pena contar? Podes nos escrever de forma privada, através do formulário de contacto ,ou pública, comentando abaixo ou na nossa página de facebook.


Una cuestión de obligación o elección… (ES)

Tengo que ir hacer la cena.
Mañana tengo que ir a trabajar.
No puedo porque tengo otras cosas que hacer.

¿Cuántas veces al largo del día repites las palabras “tengo que”? ¿Tu vida es una gran suma de “tengo ques”?

¿Pero será realmente verdad que “tienes que”? “Tener que” indica obligación. ¿Eres obligad@ a hacer todas esas cosas al largo del día?

Vamos hacer un experimento! Elige un día, puede ser mañana, o puedes empezar ahora mismo. Durante ese/este día cambia la expresión “tengo que” por la palabra “quiero”. No solo cuando hables con otras personas, pero especialmente cuando hables contigo mism@. Aprovecha para vigilar tus pensamientos y si ves que estás pensando “tengo que” corrígete y vuelve a formular la frase con el “quiero”.

“Quiero ir hacer la cena” va a ser fácil pero decir “Mañana quiero ir a trabajar” puede ser algo muy difícil para algunas personas. Pues ahí está la magia!

Te es difícil decir “quiero” porque crees que realmente no quieres? Entonces piensa porque lo haces. Seguimos con el ejemplo de “ir a trabajar”. No te olvides de seguir usando el “quiero”. Yo te enseño: “Quiero ir a trabajar porque quiero seguir teniendo un empleo” bien, seguimos: “Quiero tener un empleo porque quiero tener un salario al final de mes” adelante: “Quiero tener dinero para pagar las cuentas, ir al cine, dar lo mejor a mis hijos, irme de vacaciones con mi novio, ayudar a mi abuela…” Creo que ya se entiende. A que ya es más fácil decir “quiero”, verdad?  

Podemos pensar que solo son palabras y que se trata nada más que de lenguaje, de maneras de expresarse. Pues yo creo que el lenguaje que usamos puede afectar profundamente a la manera como pensamos y a nuestro comportamiento. Si no estás de todo convencid@ te propongo que hagas una búsqueda rápida en Google para encontrar estudios publicados sobre ello. Pero sobretodo te desafío a que intentes el experimento del que hablo arriba.

Cambiar los “tengo ques” por “quiero” puede tener efectos secundarios sorprendentes. Lo mejor de todos, infelizmente, es también el que más hace que la gente desista del experimento. Compreender que podemos dirigir nuestras propias vidas no es para tod@s. Al principio puede parecer desfavorable. Cuando percibes que no haces las cosas porque estás obligad@ se hace difícil culpar a los demás, al tiempo, al gobierno, a la situación en la que estás, etc., y eso puede parecer molesto a primera vista. Pero en realidad es empoderador. Pensar que hacemos las cosas porque queremos nos dá fuerza y ánimo para hacerlas, pero lo más importante es que, al hacer este ejercicio, nos apercibimos de cuales son las cosas que realmente NO queremos hacer. Cuando no puedes encontrar razones para querer hacer una cosa es porque realmente no quieres hacerla. Y como hay un 99,99% de probabilidad de que no tienes una pistola apuntada a la cabeza… ¿adivina? ¡No “tienes que” si no “quieres”!

Otros efectos secundarios pueden ser: dejar de hacer cosas que vienes haciendo hace mucho tiempo sin querer y nunca te has dado cuenta; dejar de dar disculpas a ti mismo para hacer cosas que realmente quieres hacer; empezar a buscar maneras de conseguir lo que quieres en vez de pasar el día imaginando lo bueno que sería si pudieras hacer “x”; dejar de meter presión en ti mism@, y en aquellos que te rodean, con cosas que “tienen que” ser hechas; perder algunas arrugas en la frente; ver el mundo con unos ojos nuevos; etcétera.

Me encantaría saber lo que tienen que decir sobre esto tod@s aquell@s que decidieron hacer el experimento. ¿Cambió algo? ¿Qué? ¿Algún “efecto secundario” no mencionado que valga la pena contar? Puedes escribirnos de forma privada, a través del formulario de contacto, o pública, comentando abajo o en nuestra página de facebook.

More than crossing borders

More than crossing borders (EN)

Más que cruzar fronteras (ES)

Mais do que atravessar fronteiras (PT)

Alguma vez pensaste porque é que gostas/ não gostas de viajar? O que é que gostas nas viagens? O que é que não gostas quando viajas?

Este artigo é sobre diferentes maneiras de viajar, e como viajar significa muito mais do que atravessar fronteiras.

Tempos de adolescência

Viajar era algo que eu adorava fazer quando era adolescente. Todos os anos, a minha irmã e eu, viajávamos com os nossos pais para destinos variados. Como os nossos pais eram divorciados, viajávamos garantidamente para dois destinos diferentes. Podíamos simplesmente viajar para outra parte de Portugal ou para o outro lado do mundo. Nessa altura, a minha participação na organização da viagem era quase inexistente, eu queria era ir. No entanto, sabia mais ou menos o que iríamos ver: os monumentos, os parques, as atrações turísticas etc. Também comprávamos daqueles livros práticos com guias da cidade que nos encaminhavam para o que ver/ fazer e íamos marcando um “certo” em cada missão cumprida. Estes guias davam algum jeito, até porque continham um mapa da cidade na contra-capa, para o caso de nos perdermos.

Apesar de nos encontrarmos de férias havia, na maior parte das vezes, um certo stress envolvido. Encontrar o hotel, encontrar um telefone público para ligar à restante família a avisar que chegamos vivos ao destino, tentar perceber a dinâmica dos transportes públicos para nos deslocarmos ou tentar comunicar em línguas menos conhecidas. Tudo isso era sinónimo de stress e só agora com alguma distância o consigo reconhecer. Talvez, porque quando estamos num sítio que não conhecemos, temos tendência para ficar alerta, o que faz com que fiquemos mais vigilantes e menos relaxados.

Independente da maneira como viajávamos, eu sentia-me sempre agradecida por poder ter essa oportunidade. Tivemos a possibilidade de ver praias bonitas, parques, atrações & monumentos, e eu agradeço muito a ambos os meus pais por isso.

Tempos de jovem adulta

Aos 20 anos, enquanto fazia Erasmus (um programa de intercâmbio na Europa) na Alemanha por um ano, tive a oportunidade de viajar com uma amiga num interrail. Comprámos o passe de comboio que nos permitia entrar na carruagem a qualquer hora e descer onde quiséssemos (dentro de cinco ou seis países selecionados). Nas mochilas levávamos uns pares de meias, cuecas e comida. Não tínhamos grandes planos nem tampouco sabíamos onde iríamos dormir. Desta forma estaríamos livres e abertas a todas e quaisquer oportunidades que se apresentassem no nosso caminho. Fazíamos o que nos apetecesse e assim que nos fartássemos de uma cidade, subíamos no comboio que nos levasse ao próximo destino. Numa semana, estivemos em quatro países diferentes – Áustria, Eslováquia, República Checa e Hungria. Obviamente que só ficávamos com uma ideia de cada sítio mas o melhor disto tudo era a sensação de liberdade. Liberdade porque o tempo não existia pois não havia nada que tivesse de ser feito, ninguém para encontrar, nenhum sítio onde estar a determinada hora. Não estávamos dependentes de nada e nada estava dependente de nós.

Pela primeira vez na minha vida, viajar tinha outro sabor e possibilidades infinitas.

Tempos diferentes

Por alguns anos, trabalhei em hotéis em Amesterdão e como tal pude testemunhar várias formas de viajar. As pessoas que viajavam com a “casa atrás”, as pessoas que raramente saíam do bar do hotel, as pessoas que se perderam e só voltaram ao hotel passados dois dias, as pessoas que vestiram sempre a mesma roupa porque a bagagem se tinha perdido, a família de sete membros que queria caber num quarto para dois, etc. Acho que vi de tudo e tenho histórias hilariantes dessa época.

Uma coisa é certa: não há forma correta ou errada de se viajar. Viajar é só uma forma de sairmos da nossa zona de conforto. E sair da zona de conforto para alguns pode ser viajar para a cidade mais próxima de casa, enquanto que para outros será necessário ir para muito mais longe.

Tempos recentes

No início de 2017, a minha viagem (sozinha) começou em Bali com a Nico e uma amiga minha, onde viajámos juntas por duas semanas. Quando o regresso a casa delas se aproximava, comecei a sentir-me desamparada e com alguma incerteza nesta decisão de viajar sozinha. Por esse motivo, decidi inscrever-me em aulas de cozinha indonésia e começar assim que elas se fossem embora. Aquela semana a aprender a cozinhar comida tradicional balinesa, à base de plantas e com uma chefe local, deu um novo propósito à minha viagem. A partir daquele momento decidi que iria cozinhar em cada país que eu passasse, pratos tradicionais (veganos), com chefes e cozinheiros nativos. E assim foi. Á Indonesia seguiu-se a Tailândia, Malásia, Vietname e Camboja.

Juntar duas paixões minhas  – comida vegana e viajar – deu um novo sentido a esta viagem. De uma certa forma até facilitou a minha escolha nos destinos seguintes, já que eu estava um pouco dependente dos cozinheiros e chefes disponíveis para me ensinarem. E encontrar esses cozinheiros e chefes não foi uma tarefa fácil.

Passar um mês em cada país não significava cozinhar a toda a hora. Na verdade, eu só tinha cinco ou seis aulas de cozinha com cada chefe. No tempo restante, estava numa relação de amor-ódio com as outras pessoas: ou a esconder-me delas (como uma boa introvertida faria) ou a socializar com as que tinham algo em comum comigo – turistas ou locais.

Na verdade, ter este propósito na viagem, era uma maneira de me introduzir a cada cultura, e cozinhar tornou-se numa boa desculpa para estar mais com pessoas locais. Pessoas locais que depois se tornavam amig@s meus e que me apresentavam aos amig@s deles. Mais cedo ou mais tarde, estava a encontrar-l@s para fazermos caminhadas, jantares e festas. El@s conectavam-me com mais amig@s noutras cidades e eu rapidamente me sentia integrada, ainda que estando do outro lado do mundo.

Com o passar do tempo, viajar passou a ser muito mais do que ver um monumento, nadar em praias de águas cristalinas ou tirar uma fotografia na frente de uma escultura. Tornou-se numa experiência cultural que envolve todos os sentidos. Fez-me perceber que são as pessoas com quem nos cruzamos no caminho que fazem a diferença na experiência. Fez-me perceber que a minha zona de conforto não se limita a espaço ou distância mas sim à interação com as pessoas.

Nota para tempos futuros

Já alguma vez pensaste porque é que é importante para ti tirar uma fotografia em frente a um edifício, só pelo facto deste se encontrar noutro sítio, longe de casa? Seguramente toda a gente o faz ou fez no passado, eu incluída (ora dá uma vista de olhos à imagem que ilustra este artigo). Mas isso dirá alguma coisa sobre a viagem que fizeste? E se, em vez de tirares essa fotografia, escreveres sobre os vistas do sítio, o que gostas mais nessa cidade, qual é a energia dos habitantes, o que achas do edifício com o qual estavas prestes a tirar uma foto?

Mais até, porque não perguntar a uma pessoa local qual a história do edifício? E se ela não souber bom, podes sempre contar-lhe uma história sobre o teu edifício preferido na tua cidade.

As memórias que temos com as pessoas são as que fazem boas histórias. E as histórias que trazemos para casa, para contarmos aos amigos e família são muito mais valiosas que as fotografias. As fotografias… essas podemos postar nas redes sociais para elevar o nosso ego. Mas é só isso.

Um agradecimento especial aos chefes e cozinheiros que me ensinaram, elevando a minha viagem a outro nível: Chef Yin Boey, Malaika Secret Moksha, Andy Teo, Kashew Cheese, Justin Parke & Srey Pov Haing


 

More than crossing borders (EN)

Have you ever thought why you like/ don’t like traveling? What do you like about traveling? What don’t you like about traveling?

The following article is about different ways of traveling and how it is much more than crossing borders.

Teenager times

Traveling was something that I was always looking forward to as a teenager. Every year, my sister and I, would travel to different places with our parents. As our parents were divorced, we had guaranteed two different destinations. It could be simply traveling to another part of Portugal or to the other side of the world. At the time I didn’t participate much in the planning, I just wanted to go. However, I knew more or less what we were going to see: the monuments, the parks, the tourist attractions etc. We would buy city guide-books that made it easier for us to check the marks as we went. It was handy, as most of them had a map of the city at the back cover, in case we got lost.

Even though we were on holidays, there was most of the time, some kind of stress involved. Figuring out where the hotel was, finding a public phone to call the family to tell them we arrived safely, understanding how the public transportation worked in order to get to places or trying to communicate in other languages. It all meant stress at some level and I only acknowledge it now, with some distance. Maybe because when you are somewhere unknown, you stay in an alert mode that makes you vigilant and doesn’t allow relaxation to sink in.

Regardless the way we travelled, it was something I was always grateful for. We got to see beautiful beaches, parks, attractions & monuments and I thank both my parents for that.

Young adult times

At 20 years old, while doing an exchange program in Germany for one year, I got the chance to travel with a girlfriend on an inter city rail. We bought the train pass that would allow us to hop aboard anytime and hop off anywhere (within a selection of five or six countries). We packed our rucksacks with a couple pairs of socks, underwear and food. Nothing really was planed, not even the places where we would sleep. In this way we would be free and open to any opportunity that would show up in front of us. We just did whatever we felt like doing and as soon as we were done with a city, we would hop on the train again to the next destination. In one week, we were able to be in four different countries – Austria, Slovakia, Czech Republic and Hungary. Obviously we only got a glimpse of every place but the best thing in the end of the day was the feeling of freedom. Freedom because time didn’t exist as there was nothing that had to be done, there was no one to be met, there was nowhere to be at a certain time. We were not dependent on anything and nothing was depended on us.

For the first time in my life, traveling had another taste and infinite possibilities.

Different times

As I got to work in hospitality in Amsterdam for quite some time, I got to see different ways of traveling. The people that arrived with their “whole house” inside the luggage, the people that barely left the hotel bar to see the city, the people that got lost outside and came back to the hotel after a couple days, the people that always wore the same clothes because their bag got lost, the seven members family that wanted to fit in a double room, etc. I think I saw it all and have hilarious stories from that period.

One thing is for sure: there’s no right or wrong way on how to travel.  Traveling is just a way of getting out of our comfort zone. And someone’s comfort zone can mean traveling two hours away from their home or a bit more or a lot more.

Recent times

In the beginning of 2017, my (solo) trip started in Bali with Nico and a girlfriend of mine, where we travelled together for a couple weeks. When their time to say goodbye was approaching, I started to feel emptiness and a huge uncertainty of what was to come. So I decided to enroll in Indonesian cooking classes as soon as they left. That week of learning Balinese plant based cooking with a local chef gave me a new purpose to my travelling experience. From that moment on, I would cook in every single country, traditional (plant based) food, with local cooks or chefs. And so I did. Indonesia was followed by Thailand, Malaysia, Vietnam and Cambodia.

Merging two passions of mine – plant based food and traveling – gave a new twist to this trip. In a way, made it easier for me to decide which next country I would travel to, as I was dependent on finding cooks and chefs that were able or willing to teach me. And that was not an easy task.

Spending a month in each country didn’t mean cooking all the time. In fact, I would only have five or six cooking classes with each chef. In the remaining time I was in a love-hate relationship with other people: either hiding from them, as a good introvert would do, or hanging out with like-minded fellow travellers or locals.

In truth, having this purpose of traveling was a way of introducing me to every culture and cooking became a good excuse to hang out and bond with local people. Local people that then became my friends and would introduce me to their friends. Sooner or later, I was meeting them for hikes, dinners and parties. They would connect me to more friends in other cities and I quickly felt like I belonged, despite being on the other side of the world.

With time, traveling became for me more then seeing a new monument, sunbathing in a crystal clear beach or taking a picture in front of a famous sculpture. It became a fully cultural experience involving all senses. It made me understand that the people we cross paths with, while on the road, are the ones that make or break an experience. It made me realize that my comfort zone is not limited by space or distance but ratter by interacting with people.

A note for future times

Have you ever thought why is it important for you to take pictures in front of a building, just because it’s situated somewhere else, away from home? One thing is for sure, I do it (check out the picture illustrating this article), everybody does it or has done it in the pass. But does that say anything about your trip, either than checking a mark on your “what to see” list? What if, instead of taking the picture, you write about what you are looking at, what did you like about the city, what was the vibe of the locals, what did you think of the building you were about to take a picture with?

Even further, why not asking a local the story of the building? And if they don’t know, well you can always tell them a story about the best looking building in your hometown.

The memories we have with people are the ones that make good stories. And the stories we bring home to tell friends and family are much more appreciated than pictures. The pictures…those we can post on social media to praise our ego. But that’s it.

Special shout out to thank all the cooks and chefs that teached me and brought my trip to another level: Chef Yin Boey, Malaika Secret Moksha, Andy Teo, Kashew Cheese, Justin Parke & Srey Pov Haing


 

Más que cruzar fronteras (ES)

¿Alguna vez has pensado por qué te gusta/no te gusta viajar? ¿Qué te gusta o no te gusta cuando viajas?

Este artículo es sobre diferentes maneras de viajar, y cómo viajar significa mucho más que cruzar fronteras.

Tiempos de la adolescencia

Viajar era algo que me encantaba hacer cuando era adolescente. Todos los años, mi hermana y yo, viajábamos con nuestros padres a destinos variados. Como nuestros padres estaban divorciados, viajábamos siempre a dos destinos diferentes. A veces íbamos simplemente a otra parte de Portugal otras veces íbamos al otro lado del mundo. En ese momento, mi participación en la organización del viaje era casi inexistente, todo lo que quería era ir. Sin embargo, sabía más o menos lo que íbamos a ver: los monumentos, los parques, las atracciones turísticas, etc. Compráramos aquellos libros prácticos con guías de la ciudad que nos encaminaban hacia lo que ver/hacer e íbamos marcando un “X” en cada misión cumplida. Estos guías eran muy útiles especialmente porque contenían un mapa de la ciudad en la contra-capa, para el caso de perderse.

Aunque estuviéramos de vacaciones había, la mayoría de las veces, un cierto estrés involucrado. Encontrar el hotel, encontrar un teléfono público para avisar al resto de la familia habíamos llegamos y estaba todo bien, entender la dinámica del transporte público para desplazarse o intentar comunicarnos en idiomas menos conocidos. Todo eso era sinónimo de estrés y sólo ahora con cierta distancia lo puedo reconocer. Quizás, porque cuando estamos en un sitio que no conocemos, tenemos la tendencia para permanecer en modo de alerta, lo que nos hace más vigilantes y menos relajados.

Independiente de cómo viajábamos, siempre sentía gratitud por poder tener esa oportunidad. Tuvimos la posibilidad de ver hermosas playas, parques, atracciones y monumentos, y agradezco mucho a ambos mis progenitores por eso.

Tiempos de joven adulta

A los 20 años, mientras estaba de Erasmus (un programa que facilita la movilidad académica dentro de la UE) en Alemania (por un año), tuve la oportunidad de viajar con una amiga en un “interrail”. Hemos comprado el bono de tren que nos permitía entrar subir en cualquier momento y bajar donde quisiéramos (dentro de cinco o seis países seleccionados). En las mochilas llevábamos calcetines, braguitas y comida. No teníamos muchos planes ni tampoco sabíamos dónde iríamos a dormir. De esta forma estaríamos libres y abiertas a todas las oportunidades que se pudieran presentar en nuestro camino. Hacíamos lo que nos daba la gana y cuando nos hartábamos de una ciudad, subíamos en el tren que nos llevaría al próximo destino. En una semana habíamos estado en cuatro países diferentes – Austria, Eslovaquia, la República Checa y Hungría. Evidentemente vimos cada sítio muy por encima pero lo mejor de todo era la sensación de libertad. Libertad porque el tiempo no existía pues no había nada que hacer por obligación, nadie para encontrar, ningún sitio donde estar a cierta hora. No estábamos dependientes de nada y nada dependía de nosotros.

Por primera vez en mi vida, viajar tenía otro sabor y posibilidades infinitas.

Tiempos diferentes

Cuando vivía en Ámsterdam trabajé algunos años en hostelería y pude conocer varias maneras de viajar. Estaba la gente que llevaba toda su casa en las maletas, la gente que siempre llevaba la mismo porque había perdido las maletas, las personas que casi no salían del bar del hotel, la familia de siete que quería meterse en una habitación de dos, etc. Creo que he visto de todo y tengo historias muy chistosas de esa época.

Una cosa es cierta: no hay manera correcta de viajar. Viajar es solo una manera de uno salir de su zona de confort. Y la zona de confort de cada uno es diferente, para unos para salir basta ir al pueblo más cercano, para otros hay que ir mucho más lejos.

Tiempos recientes

A principios de 2017, mi viaje (sola) empezó en Bali con Nico y una amiga mía, viajamos juntas por dos semanas. Cuando el regreso a casa de ellas se acercaba, empecé a sentirme desamparada y con cierta incertidumbre en esta decisión de viajar sola. Así que decidí inscribirme en clases de cocina indonesia y empezar tan pronto cuanto se marchasen. Aquella semana aprendiendo a cocinar comida tradicional balinesa, de base vegetal y con una chef local, dio un nuevo propósito a mi viaje. A partir de ese momento decidí que iba a cocinar en cada país que visitase, platos tradicionales (veganos), con chefs y cocineros nativos. Y así lo hice. A Indonesia se siguió Tailandia, Malasia, Vietnam y Camboya.

Juntar dos pasiones mías – comida vegana y viajar – dio un nuevo sentido a este viaje. De cierta manera incluso facilitó la elección de los siguientes destinos, ya que estaba un poco dependiente de los cocineros y chefs disponibles para enseñarme. Y encontrar a esos cocineros y chefs no fue una tarea fácil.

Pasar un mes en casa país no significaba cocinar todo el tiempo. En realidad solo tenía cinco o seis clases de cocina con cada chef. El el tiempo que sobraba tenía una relación amor-odio con la gente: o me escondía (como una verdadera introvertida) o socializaba con gente con la que tenía algo en común – personas locales o turistas.

De hecho este reto gastronómico de mi viaje era una forma de conocer mejor cada cultura, y cocinar acabó siendo una muy buena excusa para pasar más tiempo con personas locales. Personas esas que se convertían en amigas que por si vez me presentaban a sus amig@s. En poco tiempo ya estábamos todos quedando para hacer senderismo, cenas y fiestas. Ell@s me conectaban con sus amig@s en otras ciudades, y cuando me movía ya estaba otra vez integrada, incluso estando en el otro lado del mundo.

Con el paso del tiempo, viajar pasó a ser mucho más que ver un monumento, nadar en playas de aguas cristalinas o hacer una foto delante de una escultura. Se convirtió en una experiencia cultural que envuelve a todos los sentidos. Me hizo percibir que son las personas con quienes nos cruzamos en el camino que hacen la diferencia en la experiencia. Me hizo percibir que mi zona de confort no se limita a espacios o distancias, sino a la interacción con las personas.

Nota para tiempos futuros

¿Alguna vez te has preguntado, por qué es tan importante para ti hacer una fotografía frente a un edificio, sólo por el hecho de que se encuentre en otro lugar, lejos de casa? Seguramente todo el mundo lo hace o lo hizo en el pasado, yo incluía (échale un ojo a la imagen que ilustra este artículo). ¿Pero dice eso algo sobre el viaje que has hecho? ¿Y si en lugar de sacar esa foto, escribes sobre las vistas del sitio, o sobre lo que más te gusta en aquella ciudad, cuál es la energía de los habitantes, qué crees del edificio con el que estás a punto de hacer una foto? 

Más aún, ¿por qué no preguntas a una persona local cuál es la historia del edificio? Y si ella no lo sabe, puedes contarle una historia sobre tu edificio preferido en tu ciudad.

Las memorias que tenemos con las personas son lo que hace las buenas historias. Y las historias que traemos a casa, para contar a los amigos y familia, son mucho más valiosas que las fotografías. Las fotografías … esas las podemos publicar en las redes sociales para elevar nuestro ego. Pero es sólo eso.

Un agradecimiento especial a l@s chefs y cociner@s que me enseñaron elevando mi viaje a otro nivel: Chef Yin Boey, Malaika Secret Moksha, Andy Teo, Kashew Cheese, Justin Parke & Srey Pov Haing

The beginning of questioning by Tico

The beginning of questioning (EN)

El principio del cuestionamiento (ES)

O princípio do questionamento (PT)

1ª parte

Em 2014, pela altura do Natal, vi um documentário de nome “Earthlings” (“Terráqueos” em português). Foi a coisa que mais me custou ver até hoje. Pausei o filme várias vezes. Chorei. Continuei a ver até o filme acabar. Fiquei vegan da noite para o dia.

Uma luz tinha-se acendido na minha cabeça e não podia jamais desligar-se. Como é que eu tinha vivido a minha vida até agora a pensar que torturar, matar ou usar animais para o nosso entretenimento era normal? Deu-me que pensar. Se o que me tinha sido ensinado até aqui (pela família, cultura, tradições) sobre comer animais, não era o certo, o que mais poderia estar errado?

Comecei então a questionar tudo. Tudo! Porque é que eu estava a tomar a pílula? Qual era a razão que me levava a tomar comprimidos quando ficava doente? Porque é que me dava com pessoas que pouco ou nada tinham a ver comigo? Porque é que lavava o cabelo com champô e lavava os dentes com pasta dentífrica? Por que razão comprava eu roupas a toda a hora? Porque é que eu ainda remoía na minha cabeça a morte da minha mãe? Porque é que eu usava maquilhagem?

As coisas em que eu acreditava antes já não faziam o mínimo sentido e uma questão levava à próxima. Pouco a pouco os meus hábitos começaram a mudar.

2ª parte

Já vivia em Amesterdão à cerca de quatro anos quando decidi inscrever-me num Mestrado em Lyon, França. Fui aceite, comprei um bilhete de avião e aluguei um quarto. Tinha tudo planeado. Finalmente iria mudar a minha vida, conhecer pessoas com coisas em comum, poder ver o sol com mais frequência, re-aprender francês. A dois meses de mudar de país, recebi um email da universidade a explicar que o mestrado não iria abrir pois não haviam inscrições suficientes. Senti-me desiludida e perdida nas semanas que se seguiram.

Um dia, sentei-me com um caderno e uma caneta na mão e comecei a fazer uma lista das coisas que eu gostaria de fazer na minha vida mas que nunca tinha feito por alguma razão. Haviam tantos sítios onde eu não tinha ido porque ninguém podia ir comigo, porque os meus amigos não tinham o dinheiro necessário, porque as minhas férias não se coordenavam com as dos outros, etc, etc, etc. Desculpas. No topo da minha lista estava fazer voluntariado noutros países e viajar.

Dois meses depois, encontrava-me na Amazónia Peruana como voluntária num projecto para estudar plantas medicinais. Nessa altura, a comer uma dieta vegana por quase dois anos e sem tomar qualquer medicação, estava cada vez mais interessada em aprender mais sobre plantas e foi por essa razão por acabei por escolher esse voluntariado.

Mal sabia eu que esta aventura no Peru acabaria por mudar a minha vida (mais posts virão sobre este tópico).

As experiências que tive lá, como conhecer uma comunidade nativa da Amazónia  e outros voluntários, deram-me uma perspectiva diferente sobre a vida. Naquele lado do mundo tudo acontece “horita”, o que se traduz para “agorinha”. Excepto que não significava realmente “agorinha”. Significava algo mais do género “acontecerá quanto for” ou “acontecerá brevemente”. E “brevemente” podia significar dez minutos, quarenta minutos, cinco horas, e por aí fora.

A minha lição aqui foi a de aprender a viver no presente. Deixar de lado o apego que tinha a certas ideias e convicções. Coisas que aprendemos com a nossa sociedade. No mundo ocidental a vida é levada mais a sério. Estamos muito agarrados a significados, o que nos leva muitas vezes a frustrações, desilusões e stress. E stress era algo que me era muito familiar nesta altura.

Depois de estar um mês no Peru, voltei para Amesterdão e demiti-me do meu trabalho na primeira oportunidade que tive. Aquela vida de stress já não era para mim. Ter um trabalho qualquer já não era para mim. Viver numa cidade chuvosa já não era para mim. Então fui embora.

3ª parte

Dois meses depois de regressar do Peru, deixei Amesterdão. Não tinha um grande plano, somente um bilhete de avião para a Indonésia, sem volta. O propósito era viajar pelo sudeste asiático até perceber o que fazer com a minha vida (mais posts sobre este tópico virão).

Acabei por viajar sozinha durante cinco meses, o que me deu muito tempo para “pensar com os meus botões”, para me conhecer melhor, para ter mais paciência e, acima de tudo, deu-me uma lição sobre limites.

Quando estás a viajar (especialmente sozinh@), tens muitas pessoas a meterem conversa contigo e fazerem conversa fiada. No início até é engraçado. Toda a gente com quem te vais cruzando tem a sua própria história de como foram ali parar, conheces pessoas do mundo inteiro e boas conversas podem surgir em beliches de hostels. No entanto, depois de um par de meses, eu já me irritava com as conversas das pessoas, pois a minha privacidade era escassa. Dividir quarto com seis, dez ou catorze pessoas é desafiante quando falamos de privacidade, quanto mais sossego. Comecei a questionar “porque é que as pessoas ficam tão desconfortáveis em ambientes de silêncio?”, “porque é que elas não gostam de estar sozinhas?”, “porque é que eu continuo a falar com elas, fazendo fretes?” etc.

Limites, limites, limites. Não é que eu quisesse cortar toda e qualquer interação mas em vez disso aprendi a estar apenas com aquelas pessoas com quem me identificava, sem fazer qualquer tipo de esforço. Já não sentia que tinha de participar de conversas ou interações só porque sim e isso libertou-me.

Estas foram as três instâncias na minha vida que me puseram a questionar o mundo de outras maneiras. Não aconteceu num “piscar de olhos” mas de forma orgânica em que cada fase levou à próxima. O percurso continua, mais questões se levantam a cada nova fase e aqui estarei para as relatar.

Learn from yesterday, live for today, hope for tomorrow. The important thing is not to stop questioning. Albert Einstein 


 

The beginning of questioning (EN)

1st part

In 2014, just before Christmas, I watched a documentary called “Earthlings”. It was the hardest thing to watch. I paused several times. I cried. Kept watching until the movie was finished. Went vegan cold turkey.

A light was turned on in my head and could not be turned off any longer. How did I spend all my life thinking it was ok to torture, kill and use animals for our entertainment? It got me thinking. If what I was told up until now in regards to eating animals (by family, culture, traditions) wasn’t the right thing, what else could be wrong?

I started questioning everything. Everything! Why was I taking the pill? Why was I taking meds when I got sick? Why was I hanging out with people that weren’t like-minded? Why was I washing my hair with shampoo and cleaning my teeth with toothpaste? Why was I buying clothes all the time? Why was I still mourning my mother’s death? Why was I wearing makeup?

The things I used to believe didn’t make sense anymore and one question led to another. Little by little my habits started to change.

2nd part

I was living in Amsterdam for about four years when I decided to apply for a Master’s program in Lyon, France. I got accepted, bought a flight ticket & rented a room. I had it all figured. Finally I could change my life, meet people with things in common, see the sun more often, re-learn French. Two months prior to making this move, I got an email from the university explaining that the course would not open because not enough people enrolled in this program. For a couple weeks I felt so disappointed and lost.

One day, I sat with a paper and a pen and started making a list about all the things I wanted to do in my life but never did for some reason. I didn’t go to places because no one could join me, because my friends didn’t have the money, because my holidays didn’t fit with other people’s schedules etc. etc. etc. Excuses. On top of my list was volunteering abroad and travelling.

A couple months later I went to the Peruvian Amazon as a volunteer for a medicinal plants research. At the time, eating a plant based diet for almost two years and not taking any medicine, made me curious and willing to learn more about plants and that’s why I chose this volunteering.

Little did I know how this adventure would change my life (more posts about this topic to come).

The experiences I had there, getting to know the native community in the jungle as well as the other volunteers, gave me a different perspective of life. In that side of the world everything happens “horita” which means “now”. Except that it didn’t really mean “now”. It meant more like “it happens when it’s going to happen” or “it will happen soon”. And “soon” could mean ten minutes, forty minutes, five hours, and so on. My lesson here was to learn how to live in the present. Let go of the attachment to ideas and beliefs. Things we learn from our society. We take life too serious in the Western world. We are too attached to meanings, which lead us to frustration, disappointment and stress. And I really knew the meaning of stress by then.

After one month in Peru, I got back to Amsterdam and quit my job immediately. That stressful life wasn’t for me anymore. Having a job that didn’t fulfill me wasn’t for me anymore. Living in a rainy city wasn’t for me anymore. So I left.

3rd part

Two months after coming back from Peru, I left Amsterdam. I didn’t have a big plan, only a plane ticket to Indonesia without return. The goal was to travel in South East Asia until I found out what I wanted to do next in my life (more posts about this topic to come).

I ended up travelling solo for five months in S.E. Asia, which gave me a bunch of time alone to think, to get to know myself better, to be more patient and, above all, taught me how to create boundaries.

When you travel (especially solo), you have many people talking to you and make random conversations. At first is fun! Everybody you meet along the way have their own story on how they got there, you get to know people from all over the world and cool conversations can happen in bunk beds. However, after a couple months I was getting quite annoyed by people trying to chit-chat all the time as I already had little privacy. Sharing a dorm with six, ten, fourteen other people is challenging when it comes to privacy, let alone quietness. It got me questioning “why are people so uncomfortable with silence?”, “why don’t they enjoy being alone?”, “why do I keep talking to them even though I don’t feel like it?” etc.

Boundaries, boundaries, boundaries. Not that I wanted to shut down any interaction but instead I learned how to just talk to someone or hang out with those that made it feel right and not forced. I no longer felt like I had to engage in conversations that were meaningless to me and such small change freed me up.

Those were the three instances in my life that made me start questioning the world in different ways. It didn’t happen overnight but in an organic way where every phase led to the next one. The journey continues, more questions rise in every new stage and I will be here to report and update.

Learn from yesterday, live for today, hope for tomorrow. The important thing is not to stop questioning. Albert Einstein 


 

El principio del cuestionamiento (ES)

1ª parte

En 2014, por Navidades, vi el documental Terráqueos. Fue la cosa más difícil de ver hasta hoy. Pause la película varias veces. Lloré. Seguí viendo hasta que la peli terminara. Me hice vegana de la noche a la mañana.

Una luz se había encendido en mi cabeza y no podía jamás apagarse. ¿Cómo había vivido mi vida hasta ahora pensando que torturar, matar o usar animales para nuestro entretenimiento era normal? Me dio que pensar. Si lo que me había sido enseñado hasta aquí (por la familia, cultura, tradiciones) sobre comer animales, no era lo correcto, ¿qué más podría estar equivocado?

Entonces empecé a cuestionarlo todo. Todo! ¿Por qué estaba tomando la píldora? ¿Cuál era la razón que me llevaba a tomar pastillas cuando estaba enferma? ¿Por qué quedaba con personas que poco o nada tenían en común conmigo? ¿Por qué lavaba el pelo con champú y los dientes con pasta dentífrica? ¿Por qué compraba ropa a todas horas? ¿Por qué seguía padeciendo por la muerte de mi madre? ¿Por qué usaba maquillaje?

Las cosas en que creía antes ya no hacían el mínimo sentido y una cuestión llevaba a la siguiente. Poco a poco mis hábitos empezaron a cambiar.

2ª parte

Ya vivía en Amsterdam hacia unos cuatro años cuando decidí aplicar para hacer una Maestría en Lyon, Francia. Fui aceptada, compré un billete de avión y alquilé una habitación. Tenía todo planeado. Finalmente cambiaría mi vida, conocería gente con cosas en común, podría ver el sol con más a menudo, volvería a aprender francés. Dos meses antes de cambiar de país, recibí un correo electrónico de la universidad explicando que la maestría no iba a abrir porque no había suficientes inscripciones. Me sentí desilusionada y perdida en las semanas que siguieron.

Un día, me senté con un cuaderno y un boli en la mano y empecé a hacer una lista de las cosas que me gustaría hacer en mi vida pero que nunca había hecho por alguna razón. Habían tantos lugares donde yo no había ido porque nadie podía ir conmigo, porque mis amigos no tenían la pasta necesaria, porque mis vacaciones no se coordinaban con las de los demás, etc, etc, etc. Escusas. En el tope de mi lista estaban hacer voluntariado en otros países y viajar.

Dos meses después, me encontraba en la Amazonía Peruana como voluntaria en un proyecto para estudiar plantas medicinales. En ese momento, comiendo una dieta vegana por casi dos años y sin tomar ninguna medicación, estaba cada vez más interesada en aprender sobre plantas y fue por esa razón que acabé por elegir ese voluntariado.

Poco sabía que esta aventura en Perú al final cambiaría mi vida (en breve contaré más sobre este tema).

Las experiencias que tuve allí, como conocer una comunidad nativa de la Amazonia y los otros voluntarios, me dieron una perspectiva diferente sobre la vida. En aquel lado del mundo todo sucede “horita”, lo que significa “ahorita”. Excepto que no significaba realmente “ahorita”. Significaba algo más del tipo “sucederá cuanto sea” o “sucederá en breve”. Y “en breve” podría significar diez minutos, cuarenta minutos, cinco horas, … ya lo imagináis.

La gran lección aquí fue la de aprender a vivir en el presente. Dejar de lado el apego que tenía a ciertas ideas y convicciones. Cosas que aprendemos de nuestra sociedad. En el mundo occidental la vida se toma más en serio. Estamos muy aferrados a significados, lo que nos lleva a menudo a frustraciones, desilusiones y estrés. Y el estrés era algo que me era muy familiar en este momento.

Después de un mes en Perú, volví a Ámsterdam y me despedí mi trabajo en la primera oportunidad que tuve. Esa vida de estrés ya no era para mí. Tener un trabajo cualquiera ya no era para mí. Vivir en una ciudad lluviosa ya no era para mí. Entonces me fui.

3ª parte

Dos meses después de regresar de Perú, dejé Amsterdam. No tenía un gran plan, sólo un billete de avión para Indonesia, sin retorno. El propósito era viajar por el sudeste asiático hasta saber qué hacer con mi vida (más posts sobre este tema  en breve).

Acabé viajando sola durante cinco meses, lo que me dio mucho tiempo para pensar, para conocerme mejor, para tener más paciencia y, sobre todo, me dio una lección sobre límites.

Cuando estás viajando (especialmente sol@), hay mucha gente con la que hablar. Al principio es divertido. Toda la gente con la que te vas cruzando tiene su propia historia de cómo llegó allí, conoces a personas del mundo entero y buenas conversaciones pueden surgir en literas de hosteles. Sin embargo, después de un par de meses, ya me aburrían las conversaciones, pues la privacidad era escasa. Compartir habitación con seis, diez o catorce personas es desafiante cuando hablamos de privacidad, y aún más si de tranquilidad. Empecé a preguntarme “¿por qué están las personas tan incómodas en ambientes de silencio?”, “¿Por qué no les gusta estar solas?”, “¿Por qué sigo hablando con ellas, aunque no tenga ganas?”, etc.

Límites, límites, límites. No es que yo quisiera cortar con toda y cualquiera interacción sino que aprendí a estar sólo con aquellas personas con las que me identificaba, sin hacer ningún tipo de esfuerzo. Ya no sentía que tenía que participar en conversaciones o interacciones sólo porque sí y eso me liberó.

Estas han sido  las tres instancias en mi vida que me hicieron cuestionar el mundo de otras maneras. No ocurrió en un “parpadeo de ojos” sino de forma orgánica en que cada fase llevó a la siguiente. El recorrido continúa, más cuestiones se levantan a cada nueva etapa y aquí estaré para contaros.

Learn from yesterday, live for today, hope for tomorrow. The important thing is not to stop questioning. Albert Einstein