Ser feliz estando triste

Being happy while feeling sad (EN)

Ser feliz estando triste (ES)

Ser feliz estando triste (PT)

Desde há bastante tempo que a psicologia e a neurociência tentam desvendar os segredos das emoções humanas. Há estudos que apontam para o facto de haver um número reduzido de emoções primárias ou básicas e muitos investigadores (como Turner e Plutchik) pensam inclusivamente que as emoções tiveram um papel muito importante na evolução da nossa espécie. Contudo não existe ainda um consenso geral sobre estes temas. Alguns estudos apontam para vários leques de emoções básicas que variam entre quatro a dez emoções diferentes.

Daquilo que li e aprendi estou bastante confortável com a ideia de que há quatro emoções principais: alegria, tristeza, medo e ira. Acredito que todas as outras emoções mais complexas partam dessas quatro e que nelas podemos encontrar a chave para compreender os nossos estados emocionais.

Muitas vezes estamos tomados por uma dessas emoções sem darmos por isso. Há pouco tempo a Tico escreveu sobre o ciúme e sobre como num momento da sua vida não tinha controlo sobre esse sentimento. Os sentimentos são interpretações conscientes das emoções. O ciúme não é mais que uma interpretação do medo de que a pessoa de quem gostas goste mais de uma terceira pessoa do que de ti.

Infelizmente muitos de nós aprendemos desde cedo a suprimir as nossas emoções mais básicas. Há relativamente pouco tempo, através de muita auto-análise e com alguma ajuda exterior, descobri que tenho uma tendência muito forte para suprimir a tristeza. Essa tendência tem várias razões sendo uma delas o exemplo (ou a falta dele).

Como com todas as outras ferramentas básicas para viver, aprendemos a gerir e controlar as nossas emoções de pequenos e através do exemplo. Não me lembro de ver a minha mãe triste nunca, exceptuando pelo falecimento de entes queridos. A minha mãe era uma mulher trabalhadora, divorciada e com duas filhas para criar. Acho que era um mecanismo de defesa e preservação que ela tinha, uma maneira de se mostrar a ela e aos outros como “forte”. Ela transformava toda a tristeza que pudesse sentir em ira. E mesmo o medo estava sempre um pouco disfarçado de ira, por isso só me lembro dela alegre ou zangada. Na realidade também só vi o meu pai triste uma ou duas vezes embora o tenha visto alegre e zangado muitas mais.

Lamentavelmente a tristeza (assim como o medo) é tida como sinónimo de fraqueza na nossa sociedade e eu, mesmo sabendo que isso não é verdade (que de facto saber lidar com a tristeza e com o medo são sinais de força e maturidade), tenho também tendência para suprimir essa emoção. Assim como fazia a minha mãe, quando um acontecimento me provoca tristeza eu “reciclo” imediatamente a emoção e transformo-a em ira. Não de forma consciente, como disse só há bem pouco tempo me apercebi disto.

Uma das coisas que me fez constatar esta minha dificuldade para lidar com a tristeza foi conhecer uma pessoa que tinha suprimido a ira durante grande parte da sua vida. Esta pessoa tinha nascido numa família bastante diferente da minha, onde o que estava mal visto era exprimir fúria, raiva ou indignação, onde ninguém gritava nem se zangava nunca.

Há pessoas que suprimem as suas emoções de alegria porque cresceram ou vivem em contextos onde estar alegre não parece estar correcto e muitas outras suprimem o medo porque acham que exprimir essa emoção as faz parecer menos corajosas. O que é um facto é que suprimir as emoções cria problemas e desequilíbrios emocionais.

Em muita da bibliografia disponível sobre a questão das emoções básicas “alegria” e “felicidade” são utilizadas como sinónimo e aí é onde eu ouso discordar. Na minha opinião a alegria é sim uma emoção, ou seja um conjunto de reacções físicas e psíquicas que são desencadeadas por um acontecimento (que pode ser interior como uma memória ou exterior como uma discussão). Não considero que a felicidade seja uma emoção mas um estado ou um modo de ser e estar na vida.

Como tal creio que se pode ser feliz e ter momentos tristes ou ser infeliz e estar às vezes alegre pois esses conceitos não são opostos e não se impossibilitam entre si. Para mim a felicidade tem que ver com estar em paz, com um contentamento constante e com aceitar a vida que se desenrola à nossa frente. Por sua vez a alegria está relacionada com divertimento, animação, entusiasmo ou graça.

No meu primeiro artigo falo rapidamente do episódio em que finalmente chorei a morte da minha mãe. Não foi logo a seguir a ela falecer mas sim uns anos depois durante o funeral da mãe de uma grande amiga. Nesse momento sentia-me profundamente triste, pela minha amiga e pela sua irmã (porque sabia bem pelo que elas estavam a passar), pela avó dela (que chorava e gritava de dor, a pobre senhora) e por mim (finalmente não consegui mais aguentar o dique que segurava toda aquela tristeza que guardava dentro). Mas ao mesmo tempo sentia-me em paz, sabia que a minha amiga e a sua família iam ultrapassar a dor, sabia que os finais trazem novos começos, e senti um grande alívio por finalmente deixar aquela tristeza sair cá para fora. Soube que continuava a ser uma pessoa feliz, talvez até mais feliz que antes.

Uma das maiores descobertas dos últimos tempos para mim foi perceber que, para ser mais feliz, uma das coisas na qual tenho que trabalhar é permitir-me mais tristeza. Parece uma contradição, mas não o é. Sei que tenho ainda bastante trabalho pela frente porque continuo a ter bastante dificuldade em lidar com a tristeza mas acho que com afinco lá chegarei mais tarde ou mais cedo.

E tu, tens o hábito de suprimir alguma das quatro emoções básicas ou achas que lidas bem com todas elas? Pensa se há alguma emoção que te faz sentir especialmente desconfortável, se há alguma emoção da qual tendes a fugir. Ou até se, como eu, tens tendência para processar essa emoção transformando-a noutra. Também pensas que a felicidade é algo mais que uma emoção momentânea como a alegria? Ou achas que ambas são o mesmo? Alguma vez te sentiste triste e ao mesmo tempo estavas feliz? Como sempre gostava de saber a tua opinião sobre este assunto.


Ser feliz estando triste. (ES)

Desde hace bastante tiempo que la psicología y la neurociencia tratan de resolver los misterios de las emociones humanas. Hay estudios que apuntan al hecho de que hay un número reducido de emociones primarias o básicas, y muchos investigadores (como Turner y Plutchik) piensan incluso que las emociones desempeñaron un papel muy importante en la evolución de nuestra especie. Sin embargo, no existe todavía un consenso general sobre estos temas. Algunos estudios apuntan a varios abanicos de emociones básicas que varían entre cuatro a diez emociones diferentes.

De lo que he leído y aprendido, estoy bastante cómoda con la idea de que hay cuatro emociones principales: alegría, tristeza, miedo y ira. Creo que todas las otras emociones más complejas parten de esas cuatro y que en ellas podemos encontrar la clave para comprender nuestros estados emocionales.

Muchas veces estamos tomados por una de esas emociones sin saberlo. Hace poco, Tico escribió sobre los celos y sobre cómo en un momento de su vida no tenía control sobre ese sentimiento. Los sentimientos son interpretaciones conscientes de las emociones. Los celos no son más que una interpretación del miedo de que a la persona que te gusta, le guste más una tercera persona que tu.

Desafortunadamente muchos de nosotros hemos aprendido desde temprano a suprimir nuestras emociones más básicas. Hace relativamente poco tiempo, a través de mucho autoanálisis y con alguna ayuda exterior, descubrí que tengo una tendencia muy fuerte para suprimir la tristeza. Esta tendencia tiene varias razones siendo una de ellas el ejemplo (o la falta de él).

Como con todas las otras herramientas básicas para vivir, aprendemos a gestionar y controlar nuestras emociones de pequeños y a través del ejemplo. No recuerdo ver a mi madre triste nunca, excepto por el fallecimiento de seres queridos. Mi madre era una mujer trabajadora, divorciada y con dos hijas para crear. Creo que era un mecanismo de defensa y preservación que tenía, una manera de mostrarse a ella ya los demás como “fuerte”. Ella transformaba toda la tristeza que pudiera sentir en ira. Y también el miedo siempre estaba un poco disfrazado de ira en el caso de mi madre. Por esto sólo me acuerdo de ella alegre o enfadada. En realidad también sólo vi a mi padre triste una o dos veces aunque lo he visto alegre y enfadado muchas más.

Lamentablemente la tristeza (así como el miedo) es tenida como sinónimo de debilidad en nuestra sociedad y yo, aunque sabiendo que eso no es verdad (que de hecho saber lidiar con la tristeza y con el miedo son señales de fuerza y madurez), tengo también tendencia a suprimir esa emoción. Así como hacía mi madre, cuando un acontecimiento me provoca tristeza yo “reciclo” inmediatamente la emoción y la transformo en ira. No de forma consciente, como dije sólo hace poco tiempo me di cuenta de esto.

Una de las cosas que me hizo constatar mi dificultad para lidiar con la tristeza fue conocer a una persona que había suprimido la ira durante gran parte de su vida. Esta persona había nacido en una familia bastante diferente de la mía, donde lo que estaba mal visto era expresar furia, rabia o indignación, donde nadie gritaba ni se enfadaba nunca.

Hay personas que suprimen sus emociones de alegría porque crecieron o viven en contextos donde estar alegre no parece correcto y muchas otras suprimen el miedo porque creen que expresar esa emoción las hace parecer menos valientes. Lo que es un hecho es que suprimir las emociones crea problemas y desequilibrios emocionales.

En mucha de la bibliografía disponible sobre la cuestión de las emociones básicas, “alegría” y “felicidad” se utilizan como sinónimo y ahí es donde yo me opongo a desacuerdo. En mi opinión la alegría sí es una emoción, o sea un conjunto de reacciones físicas y psíquicas que son desencadenadas por un acontecimiento (que puede ser interior como una memoria o exterior como una discusión). Pero no considero que la felicidad sea una emoción sino un estado o un modo de ser y estar en la vida.

Como tal creo que se puede ser feliz y tener momentos tristes o ser infeliz y estar a veces alegre pues esos conceptos no son opuestos y no se impiden entre sí. Para mí la felicidad tiene que ver con estar en paz, con un contentamiento constante y con aceptar la vida que se desarrolla frente a nosotros. A su vez la alegría está relacionada con la diversión, la animación, el entusiasmo o la gracia.

En mi primer artículo hablo rápidamente del episodio en el que finalmente lloré la muerte de mi madre. No fue inmediatamente después de que ella falleciera, sino unos años después durante el funeral de la madre de una gran amiga. En ese momento me sentía profundamente triste, por mi amiga y por su hermana (porque sabía muy bien por lo que estaban pasando), por su abuela (que lloraba y gritaba de dolor, la pobre señora) y por mí (finalmente no pude aguantar más el dique que sostenía toda aquella tristeza que guardaba dentro). Pero al mismo tiempo me sentía en paz, sabía que mi amiga y su familia iban a superar el dolor, sabía que los finales traen nuevos comienzos, y sentí un gran alivio por finalmente dejar que esa tristeza saliera. Supe que seguía siendo una persona feliz, quizás incluso más feliz que antes.

Uno de los mayores descubrimientos de los últimos tiempos para mí fue percibir que para ser más feliz, una de las cosas en las que tengo que trabajar es permitirme más tristeza. Parece una contradicción, pero no lo es. Sé que todavía tengo mucho trabajo por delante porque todavía tengo dificultades para lidiar con la tristeza, pero creo que con ahínco lo lograré más tarde o más temprano.

Y tú, tienes el hábito de suprimir alguna de las cuatro emociones básicas o crees que leídas bien con todas ellas? Piensa si hay alguna emoción que te hace sentir especialmente incómodo, si hay alguna emoción de la que sueles huir. O incluso si, como yo, tienes tendencia para procesar esa emoción transformándola en otra. También piensas que la felicidad es algo más que una emoción momentánea como la alegría? ¿O crees que ambas son lo mismo? ¿Alguna vez te sentiste triste mientras estando feliz? Como siempre quiero saber tu opinión sobre este asunto.

O meu próprio #10YearChallenge

My own #10YearChallenge (EN)

Mi propio #10YearChallenge (ES)

O meu próprio #10YearChallenge (PT)

Para as pessoas que estão mais desligadas das redes sociais o “10 Year Challenge” (desafio dos dez anos) é a última tendência viral desses meios. Para participar basta publicar duas fotos lado a lado, uma tirada em 2009 e outra actual (2019).

Esta coisa do #10YearChallenge pôs-me a pensar, não nas diferenças físicas entre a Nico actual de 31 anos e a Nico dez anos mais nova de 2009, mas nas diferenças a nível de estilo de vida e mentalidade. É fácil esquecer quem fomos há dez anos atrás, eu já não me lembro de muitas coisas. Para ajudar na recordação dessa época recorri ao histórico do Facebook, e fui bisbilhotar o que me pareceu ser a vida de outra pessoa, só que era a minha.

Através dessa pesquisa recordei que nessa altura adorava sair à noite com as minhas amigas e amigos. A minha vida era ir à faculdade e sair à noite. Tinha uma vida social super activa com montes de coisas a acontecer, sempre que não estava barricada na Faculdade de Arquitectura numa corrida contra o tempo para acabar algum projecto que tinha deixado para a última (na verdade deixava-os sempre todos). Mas até as noites sem dormir passadas a trabalhar na faculdade eram uma festa. Pelo Facebook percebo também que era bastante mais activa nessa rede social. Todos os dias atualizava o meu status com alguma frase que achava engraçada ou arrojada – ao ler essas frases sinto aqueles arrepios de vergonha alheia (só que é própria) – e fazia montes de comentários nas fotos e status das outras pessoas.  

Em 2009 estava no 1º ano do Mestrado em Design de Moda (mestrado esse que afinal não acabei) e tentava estar no centro do pequeno mundo da moda português o mais que podia, mergulhando de cabeça em todas as oportunidades profissionais que se me apresentassem. Acho que imaginava que em 10 anos estaria a trabalhar como “Senior Designer” nalguma marca de ready-to-wear mais ou menos famosa.  

Nesses tempos demorava mais de uma hora para me arranjar depois de experimentar vários looks e olhar-me ao espelho algumas dezenas de vezes. Dava muito valor à minha imagem, mas principalmente ao que os outros pensavam sobre ela. Sempre me achei naturalmente bonita e para mim o verdadeiro desafio – ao vestir-me, pentear-me, escolher os acessórios e maquilhar-me – sempre foi parecer ousada, fora do comum e ”com estilo”.  E claro parte do desafio era fazer com que tudo aquilo parecesse natural e sem esforço. Na verdade tudo isto me criava muita ansiedade e frustração, porque nem todos os dias conseguia atingir estes objectivos e quando saía de casa a pensar que não estava no “meu melhor” o dia já ia ser uma grande merda. Perdia muito tempo.

Tento lembrar-me de como era a minha saúde naquela época. Ainda tinha muitos dos problemas de saúde que já referi noutros artigos, como as alergias respiratórias, as tonturas matinais e os problemas digestivos. Acho que tinha uma vida pouco sedentária apesar de não ter actividades físicas ligadas ao desporto. Bebia bastante álcool e a minha alimentação era à base de massa, queijo, ovos, carne e pão.

Na verdade não me lembro de muito mais, e tenho mesmo a sensação de serem apenas memórias de uma vida passada. Mas com algum esforço reconheço que não. De facto o que aconteceu foram algumas (bastantes) mudanças no contexto e algum (talvez nem tanto) amadurecimento. Não sei se a Nico de há 10 anos atrás se poderia reconhecer nesta versão actualizada e à primeira vista tão diferente.

Penso que o mais importante neste tipo de reflexão é não nos fixarmos (como acho que a maioria tendemos a fazer) só nas coisas que mudaram para melhor ou para pior, mas tentar perceber o que aprendemos com o passado e o que ele ainda tem para nos ensinar.

Já sabes (se leste alguns artigos anteriores) que me sinto mais em sintonia com o meu corpo e imagem que no passado, e que agradeço todos acontecimentos que me levaram a tomar as rédeas da minha alimentação o que melhorou bastante a minha saúde.

Mas com relação à minha vida social, por exemplo, acho que tenho muito que aprender com a jovem Nico. Hoje em dia mantenho vivas grandes amizades do passado. Essas amizades enchem-me de energia renovada sempre que tenho oportunidade de as reviver, mas esses momentos são escassos. Viver com o suporte de uma rede de amigos próximos fisicamente, com os quais possas estar no dia a dia e com os quais possas contar para ir tomar um café para falar da vida e descontrair, é tão importante para a saúde (mental e física) como ter uma boa alimentação e estar ativo fisicamente. A Nico de 21 anos não gostava nada de estar sozinha, começo a achar que a Nico de 31 gosta demasiado.

Esta reflexão fez-me chegar à conclusão de que tenho que fazer um esforço para alimentar novas amizades, com pessoas que estejam mais perto e que tenham interesses comuns.

Com relação à minha vida profissional tenho que refletir mais um pouco. Tenho a sensação que também ainda há algo que a Nico universitária me poderia ensinar.

Como eras há dez anos atrás? O que consegues lembrar dessa época? O que achas que podias ensinar à tua versão mais jovem? O que é que ela te pode ensinar a ti?


 

Mi propio #10YearChallenge (ES)

Para las personas que están más desconectadas de las redes sociales, el “10 Year Challenge” (desafío de los diez años) es la última tendencia viral de esos medios. Para participar basta publicar dos fotos lado a lado, una hecha en 2009 y otra actual (2019).

Esto del #10YearChallenge me puso a pensar, no en las diferencias físicas entre la Nico actual de 31 años y la Nico diez años más joven de 2009, pero en las diferencias a nivel de estilo de vida y mentalidad. Es fácil olvidar quién un@ fue hace diez años, yo ya no recuerdo muchas cosas. Para ayudar en el recuerdo de esa época recurrí al historial de Facebook, y me puse a husmear lo que me pareció ser la vida de otra persona, pero que era la mía.

A través de esa investigación recordé que en ese momento adoraba salir de fiesta con mis amigas y amigos. Mi vida era ir a la universidad y salir por la noche. En el caso de que no estuviera en la Facultad de Arquitectura en una carrera contra el tiempo para acabar algún proyecto que había dejado para la última hora (en realidad los dejaba siempre todos). Pero hasta las noches sin dormir pasadas trabajando en la universidad eran una fiesta. Por Facebook percibo también que era bastante más activa en esa red social. Todos los días actualizaba mi status con alguna frase que creía graciosa o arrojada – al leer esas frases siento aquellos escalofríos de vergüenza ajena (sólo que es propia) – y hacía muchos de comentarios en las fotos y status de las otras personas.

En 2009 estaba cursando el primer año (en Portugal los másteres son de dos años) del Máster en Diseño de Moda (que no llegué a terminar) y intentaba estar en el centro del pequeño mundo de la moda portuguesa tanto como podía, aprovechando todas las oportunidades profesionales que surgían. Creo que pensaba que en 10 años estaría trabajando como “Diseñadora Senior” en una marca de ready-to-wear más o menos famosa.

En esos tiempos tardaba más de una hora para arreglarme después de probar varios looks y mirarme al espejo algunas decenas de veces. Daba mucho valor a mi imagen, pero principalmente a lo que los demás pensaban sobre ella. Siempre me vi naturalmente guapa y para mí el verdadero desafío – al vestirme, peinarme, escoger los accesorios y maquillarme – siempre fue parecer audaz, fuera de lo común y con estilo. Y claro parte del reto era hacer que todo aquello pareciera natural y sin esfuerzo. En realidad todo esto me creaba mucha ansiedad y frustración, porque no todos los días conseguía alcanzar estos objetivos y cuando salía de casa pensando que no estaba en “mi mejor” el día ya iba a ser una gran mierda. Perdía mucho tiempo.

Intento recordar cómo era mi salud en aquella época. Todavía tenía muchos de los problemas de salud que ya he mencionado en otros artículos, como las alergias respiratorias, los mareos matutinos y los problemas digestivos. Creo que tenía una vida poco sedentaria a pesar de no tener actividades físicas de deporte. Bebía bastante alcohol y mi alimentación era a base de pasta, queso, huevos, carne y pan.

En realidad no recuerdo mucho más, y tengo la sensación de que esto son memorias de una vida pasada. Pero con algún esfuerzo reconozco que no. De hecho lo que sucedió fueron algunos (bastantes) cambios en el contexto y alguna (tal vez ni tanta) madurez. No sé si la Nico de hace 10 años se podría reconocer en esta versión actualizada y a primera vista tan diferente.

Creo que lo más importante en este tipo de reflexión es no fijarnos (como creo que la mayoría tendemos a hacer) sólo en las cosas que cambiaron para mejor (en el caso de algunas personas) o para peor (en el caso de otras), pero tratar de percibir lo que aprendemos con el pasado y lo que él todavía tiene para enseñarnos.

Ya sabes (si al este algunos artículos anteriores) que me siento ahora más en sintonía con mi cuerpo e imagen que en el pasado, y que agradezco todos los acontecimientos que me llevaron a tomar las riendas de mi alimentación, lo que mejoró bastante mi salud.

Pero con respecto a mi vida social, por ejemplo, creo que tengo mucho que aprender de la joven Nico. Hoy en día mantengo vivas grandes amistades del pasado. Esas amistades me llenan de energía renovada siempre que tengo oportunidad de revivirlas, pero esos momentos son escasos. Vivir con el apoyo de una red de amigos cercanos físicamente, con los que puedas estar en el día a día y con los que puedas contar para ir a tomar un café, para hablar de la vida y relajarte, es tan importante para la salud (mental y física) como tener una buena alimentación y estar activo físicamente. A la Nico de 21 años no le gustaba nada estar sola, empiezo a pensar que a la Nico de 31 años le gusta demasiado.

Esta reflexión me hizo llegar a la conclusión de que tengo que hacer un esfuerzo para alimentar nuevas amistades, con personas que estén más cerca y que cob intereses comunes.

Con respecto a mi vida profesional tengo que reflexionar un poco más. Tengo la sensación de que todavía hay algo que la Nico universitaria me podría enseñar.

¿Cómo eras hace diez años? ¿Qué puedes recordar de esa época? ¿Qué crees que podrías enseñar a tu versión más joven? ¿Qué te puede enseñar ella a ti?

The illusion we live in

The illusion we live in (EN)

La ilusión en la que vivimos (ES)

A ilusão em que vivemos (PT)

Quando estava a estudar Nutrição Holística, aprendi com alguns professores sobre casos de estudo de pessoas com transtorno dissociativo de identidade, que tem diferentes doenças consoante a identidade que está em controlo. O caso particular de um homem que tinha diabetes do tipo II com uma personalidade mas não com a outra, atraiu a minha atenção e fui aprofundar os meus conhecimentos nesta matéria. Haviam vários outros casos: uma pessoa que tinha miopia com uma personalidade mas que via perfeitamente com a outra; uma pessoa que tinha erupções cutâneas com uma personalidade e o problema começava a curar ou até desaparecia com a outra personalidade; entre outros exemplos. Estes casos foram estudados, incluindo análises de sangue e outros exames que não poderiam ter sido inventados para a conclusão dos mesmos.
Não era a primeira vez que eu tinha ouvido falar deste tipo de casos mas desta vez fez todo o sentido na minha cabeça. A ciência estava agora a confirmar o que eu já vinha a saber sobre crenças e a realidade. Fez todo o sentido!

Se alguém que têm uma doença e esta desaparece quando sintoniza numa outra realidade, significará que nós conseguimos tod@s melhorar ou curar doenças se alterarmos a nossa realidade? E mais, será que conseguimos começar a mudar as nossas crenças e mentalidade se escolhermos outra realidade?

Há algum tempo atrás, em conversa com  a Nico, cheguei à conclusão de que mesmo criadas e educadas da mesma forma, vivíamos duas realidades diferentes. Dezanove meses é o pouco tempo que nos separa em idade e daí que não consideramos o facto de eu ser mais nova e por essa razão não entender algumas coisas. Para resumir uma longa história e não ser muito específica, chegámos à conclusão de que percepcionávamos os nossos pais de maneiras muito diferentes. Ainda que sabendo as virtudes e defeitos de cada um, acabámos por escolher caminhos díspares que iluminavam ou escureciam essas características. Não é que eu tenha esquecido coisas que a minha irmã se lembra (ou vice-versa), no entanto escolhemos no passado ignorar ou dar menos importância a eventos distintos e dessa forma as nossas memórias foram construídas de formas diferentes.

Os meus pais não eram apenas essas duas realidades distintas mas muitas mais. Essas eram só as nossas. As que nós escolhemos. As realidades que nos moldaram nas pessoas em que mais tarde nos tornamos.

Não só o fizemos com os nossos pais mas também com o resto da família, amigos, comunidade. Assim como todas nós fizemos e continuamos a fazer! Mas como é que tu saberias que o fizeste de modo empírico se não falasses com aqueles que te são mais próximos (especialmente irmãos ou pessoas com idade semelhante)? Provavelmente não saberias. Pensarias que unicamente a tua realidade seria A Realidade. E o que há de mal nisso? Bom, percebendo que há mais realidades que não apenas a tua, mais versões do mundo, vais passar a ter a liberdade de escolher aquela em que queres sintonizar. Porque tens alternativas.

Podemos escolher focarmos-nos no lado negativo das pessoas e coisas, e alimentar estes comportamentos, ou podemos fazer o oposto focando no lado positivo das coisas, pessoas, situações, acontecimentos e por aí fora. Sim, isto parece clichê e muito óbvio. Todos nós já ouvimos isto várias vezes na vida. Mas mudámos algo?

Um exemplo: És despedid@ do teu trabalho e agora estás desempregad@ e com contas para pagar. É um facto. Assim posto, há pelo menos duas realidades alternativas que podes escolher:

      1. A vítima – podes sentir pena de ti própri@, ser miserável com este evento desafortunado, ter medo do futuro. Começar a procurar trabalhos com este sentimento de incerteza e temor, o que certamente levará a mais miséria. Esta baixa vibração vai de encontro a um trabalho ou colegas que têm a mesma energia.
      2. O optimista – podes começar a pensar na grande oportunidade que agora ganhaste de fazer aquelas coisas que estavas a adiar por teres o horário tão preenchido. Podes pensar que lições tiraste desse trabalho que perdeste e dos colegas que tiveste. Podes perceber que aquelas coisas desnecessárias onde gastavas o dinheiro não eram assim tão importantes e assim reduzir as tuas despesas. Podes encontrar uma nova paixão ou uma mais antiga que estava em “stand-by”. Talvez agora até possas criar um trabalho a partir duma dessas paixões ou começar a procurar trabalhos com esta alta vibração, o que irá trazer coisas que alinham com esta energia.

Conforme a realidade que escolheres, vais encontrar evidências para ela. Se estiveres num caminho mais pessimista, vais começar a ver coisas negativas em todo o lado e o oposto acontece quando escolheres seguir um caminho positivo, começando a notar cada vez mais aspectos benéficos.

Claramente que não é tarefa fácil escolher sempre a realidade optimista, porém é algo que se pode praticar. De cada vez que “meteres o pé” na mentalidade de vítima, reconheces prontamente e escolhes outro caminho que não esse.

As contas que se estão a acumular na tua mesa não serão de forma alguma pagas mais rapidamente por teres essa mentalidade negativa nem se procrastinares. E ser positivo nada tem a ver com procrastinar e esperar que uma solução divina venha resolver problemas. Em vez disso, é a mentalidade que te guiará à criatividade e à descoberta de soluções.

Uma vez entendido o conceito desta ideia de que somos nós quem escolhemos as nossas realidades à medida que a vida corre, podemos começar a desconstruir os nosso medos, queixumes e crenças. Quando tomamos as rédeas da nossa vida, a responsabilidade vem incluída e deixamos de culpabilizar os outros quando algo corre mal no nosso percurso. Portanto comecemos a familiarizar-nos com esta ideia.

Está tudo nas nossas mãos. Temos muitas opções. E é tão libertador!

“A vida é uma ilusão óptica. O que tu vês é baseado nas tuas crenças.” – Dr. Joe Vitale

The illusion we live in (EN)
Back when I was studying Holistic Nutrition, I learned from a couple teachers about study cases of people with multiple personality disorder that have different diseases according to the persona they switch to. A particular case about a man that had type II diabetes in one alter but not in the other one caught my attention and I researched more about it. There were studies of more cases: a person that had short sightedness with one personality but could see perfectly well with the other personality; another person that had skin rashes with one personality and would heal them and eventually disappear with the other personality, among many other examples. Those people were studied, blood levels were measured and the results could not be made up.

It wasn’t the first time I heard about these kinds of cases but this time it really made sense in my head. Science was backing up what I already knew about beliefs and reality. It just made sense!

If one has a disease that can disappear when switching to another reality, does that mean that we can all improve and cure diseases if we change our reality? And further, can we start changing our beliefs and mindset by switching to another reality?

Quite some time ago, in conversation with Nico, I came to conclusion that even though we both were raised together and equally educated, we pretty much lived two different realities. Only nineteen months separate us in age and therefore we can’t really say that I was much younger than her and didn’t get the full picture because of that. To cut a long story short and not be very specific, we realised that we perceived our parents in two very different ways. Despite knowing their virtues and faults, we kind of chose different pathways that would light up or darken those features. It’s not that I forgot some things that my sister remembers (or vice-versa), however we chose to ignore or give less importance in the past to different events and therefore our memories were portrayed differently.

My parents were not only those two different realities but many more. Those were our realities. The ones we chose. The realities that shaped us into the people we later became.

We did that with our parents, with our family, our friends, our community. As we all people did and still do! But how would you know that you did it empirically, if you didn’t speak about it with your close relatives (especially with your siblings or people close in age)? You probably wouldn’t. You would think instead that your reality is the only reality. And what’s so bad about it? Well, understanding that there are more realities out there, more versions of the world, we can totally choose the one we want to tune in. Because it gives you options.

We can choose to focus on the negative side of people or things and feed this behaviour or we can do the opposite and focus on the positive side of things, people, situations, happenings and so on. Yes, this seems very cliché and obvious. We all heard this many times in life. But have we done something about it?

An example: you lose your job and now you are unemployed with bills to pay. That’s the fact. Now, there are at least two different realities you can choose:

      1. The victim – you can feel sorry for yourself, be miserable with this unfortunate event, be fearful of the future. Start looking for jobs from a place of fear and uncertainty, which will lead to more misery. That low vibrancy will also make you encounter a job or colleagues with the same vibe.
      2. The optimistic – you can start thinking of what a great opportunity you have now of doing those things you were postponing when you were too busy working. You can think about what lessons you took from that job and colleagues. You can finally see that those things where you were spending your money are maybe not very important and reduce your expenses. You can find a new passion or an old one that was on hold. You can now maybe create a job out of those passions or start looking into new jobs with this high vibrancy, which will bring you something aligning with this vibe.

Whatever reality you follow, you will find evidence for it. If you are on a negative path, you will starting seeing more negative aspects everywhere, whereas if you choose to follow a positive one, more positive things you will notice.

Obviously is not an easy task to choose always the optimistic reality, yet it is something that can be practiced. Every time you enter a victim mindset, you acknowledge it and change the pathway.

The bills that are accumulating in your desk won’t be paid quicker because of a negative mindset nor if you procrastinate. And positivity is not about procrastinating and await for a divine solution for your problems. Instead, is a mindset that will guide you to creativity and solutions.

Once we understand the concept of the idea that we come to choose our different realities along the way, we can start deconstructing our fears, scarcities and beliefs embedded in us. When we take the reins of our life, responsibility comes with it, as we will stop blaming others when something goes wrong in life. Thus, let’s start getting used to this idea.

It’s all in our hands. We have many options. And it is so liberating!

“Life is an optical illusion. What you see is based on your beliefs” – Dr. Joe Vitale

La ilusión en la que vivimos (ES)
Cuando estaba estudiando Nutrición Holística, aprendí con algunos de los profesores sobre casos de estudios de personas con trastorno de identidad disociativo, que tienen diferentes enfermedades según la personalidad que toma el control. El caso particular de un hombre que tenía diabetes del tipo II con una personalidad pero no con la otra, atrajo mi atención y me hizo querer profundizar mis conocimientos en esta materia. Había varios otros casos: una persona que tenía miopía con una personalidad pero que veía perfectamente con la otra; una persona que tenía erupciones cutáneas con una personalidad y el problema empezaba a curarse o hasta desaparecía con la otra personalidad; entre otros ejemplos. Estos casos se estudiaron, incluyendo análisis de sangre y otros exámenes que no podrían haber sido inventados para la conclusión de los mismos.

No era la primera vez que oía hablar de este tipo de casos pero de esta vez hizo todo el sentido en mi cabeza. La ciencia estaba ahora confirmando lo que ya sabía sobre las creencias y la realidad. ¡Hizo todo el sentido!

Si alguien que tiene una enfermedad y esta desaparece cuando se sintoniza en otra realidad, significará que tod@s podemos mejorar o curar enfermedades si alteramos nuestra realidad? Y más, ¿es posible que podamos cambiar nuestras creencias y mentalidad si elegimos otra realidad?

Hace algún tiempo, hablando con Nico, llegué a la conclusión de que, a pesar de criadas y educadas de la misma forma, vivíamos dos realidades diferentes. Diecinueve meses es el poco tiempo que nos separa en edad y por eso no consideramos el hecho de yo ser más joven y por esa razón no haber entendido algunas cosas. Para resumir una larga historia sin ser muy específica, llegamos a la conclusión de que percibíamos a nuestros padres de maneras muy diferentes. Aunque sabiendo las virtudes y defectos de cada uno, acabamos por escoger caminos dispares que iluminaban o oscurecían esas características. No es que yo haya olvidado cosas que mi hermana recuerda (o viceversa), sin embargo escogemos en, el pasado, ignorar o dar menos importancia a eventos distintos, y de esa forma nuestras memorias fueron construidas de formas diferentes.

Mis padres no eran sólo esas dos realidades distintas, pero muchas más. Estas eran sólo las nuestras. Las que elegimos. Las realidades que nos moldearon en las personas en que más tarde nos convertimos.

No sólo lo hicimos con nuestros padres, pero también con el resto de la familia, amigos, comunidad. ¡Así como todos hicimos y seguimos haciendo! Pero ¿cómo sabrías que lo hiciste de modo empírico si no hablas con aquellos que te son más cercanos (especialmente hermanos o personas con edad semejante)? Probablemente no sabrías. Pensarías que sólo tu realidad sería La Realidad. ¿Y qué hay de mal en eso? Bueno, percibiendo que hay más realidades que no sólo la tuya, más versiones del mundo, vas a tener la libertad de escoger aquella en la que quieres sintonizarte. Porque tienes alternativas.

Un ejemplo: Eres despedid@ de tu trabajo y ahora estás desemplead@ y con cuentas para pagar. Es un hecho. Así puesto, hay al menos dos realidades alternativas que puedes elegir:

      1. La víctima – puedes sentir pena por ti mismo, ponerte miserable con este evento desafortunado, tener miedo del futuro.  Puedes buscar trabajos con este sentimiento de incertidumbre y temor, lo que seguramente traerá más miseria. Esta baja vibración va a encontrar un trabajo o colegas que tienen la misma energía negativa.
      2. El optimista – puedes pensar en la gran oportunidad que ahora tienes para hacer aquellas cosas que estabas a posponiendo por tener el horario tan lleno. Puedes pensar en las lecciones tiraste de ese trabajo que perdiste y de los colegas que tuviste. Puedes percibir que esas cosas innecesarias donde gastabas el dinero no eran tan importantes y así reducir tus gastos. Puedes encontrar una nueva pasión o volver a una más antigua que estaba en “stand-by”. Quizás ahora puedas crear un trabajo desde una de esas pasiones o buscar trabajos con esta alta vibración, lo que traerá cosas que se alinean con esta energía.

Según la realidad que elijas, vas a encontrar evidencias para ella. Si estás en un camino más pesimista, vas a empezar a ver cosas negativas en todas partes y lo contrario sucede cuando eliges seguir un camino positivo, empezando a notar cada vez más aspectos beneficiosos.

Sin duda que elegir siempre la realidad optimista no es tarea fácil, pero es algo que se puede practicar. Cada vez que metas el pie en el camino del victimismo, lo reconoces y prontamente escoges otro camino mejor.

Las cuentas, que se están acumulando en tu escritório, no serán pagadas con más rapidez porque tienes esa mentalidad negativa, ni si procrastinas. Y ser positivo nada tiene que ver con procrastinar y esperar que una solución divina venga a solucionar los problemas. En lugar de eso, es una mentalidad te llevará hacia la creatividad y a encontrar nuevas soluciones.

Una vez entendido el concepto de esta idea, de que somos nosotros quienes elegimos nuestras realidades, a medida que la vida ocurre. Podemos empezar a deconstruir nuestros miedos, lamentos y creencias. Cuando tomamos las riendas de nuestra vida, la responsabilidad está incluída y dejamos de culpar a los demás cuando algo malo ocurre en nuestro recorrido. Por lo tanto, comencemos a familiarizarnos con esta idea.

Todo está en nuestras manos. Tenemos muchas opciones. ¡Y es tan liberador!

“La vida es una ilusión óptica. Lo que ves se basa en tus creencias.” – Dr. Joe Vitale

When thoughts have a life

When thoughts have a life (EN)

Cuando los pensamientos tienen vida propia (ES)

Quando os pensamentos têm vida própria (PT)

Tens ansiedade? Se sim, como a descreverias?

  • a) Sentes pressão no peito?
  • b) Sentes que tens o estômago ao contrário?
  • c) Sentes que tens um nó na garganta?
  • d) Sentes-te inquiet@ com a aproximação de um evento?
  • e) Sentes uma onda de calor a passar pelo teu corpo?
  • f) Todas as opções acima referidas.
  • g) Nenhuma das opções acima referidas.

Há tantas formas de se sentir ansiedade e cada pessoa consegue descrever a sensação de maneiras diferentes. Algumas pessoas sentem-se tão arrasadas pela ansiedade que a deixam tomar o controlo. Outras não entendem o que significa. Eu não entendia até muito recentemente.

Quando estava a estudar nutrição holística em Vancouver (Canadá), tive que formular um protocolo para um estudo de caso e para isso precisava de um voluntário que quisesse trabalhar comigo. O meu voluntário era um rapaz que penava com ansiedade já há algum tempo. Senti compaixão pelo seu problema, já que parecia afectar a sua qualidade de vida e estava disposta a ajudá-lo da forma que pudesse. Para tal, teria de compreender verdadeiramente o que era a ansiedade. Pela sua descrição, era algo que eu nunca tinha vivido. Fui para casa e comecei a pesquisar.

Num artigo que eu estava a ler para a minha pesquisa, o autor referia que “fazia um filme na sua cabeça” vezes sem conta antecipando um evento e que era assim que descrevia a sua ansiedade. No momento em que li isto tive uma epifania: “Perdão? Ansiedade também é isto?” – reagi. Eu pensei toda a minha vida que criar toda uma panóplia de cenários e situações na minha cabeça, num remoinho sem fim, era nervosismo.

Quando era criança/ adolescente, pensava sobre a mesma situação vezes sem conta. Uma conversa que tinha que ter com o meu pai, com um@ professor@ ou mesmo com um@ amig@ dava origem a muitas noites mal dormidas. Durante o dia, de cada vez que me lembrava dessa conversa o meu coração começava a bater mais depressa, roía as unhas até chegar ao sabugo e imaginava todas as hipóteses possíveis de como a dita conversa poderia acabar mal – “E depois el@ vai dizer isto e eu vou responder isto… ou talvez aquilo. Não, el@ vai ficar chatead@ comigo. Não consigo.” As conversas eram adiadas mais uma vez e o meu “nervosismo” – leia-se ansiedade – só piorava.

Quando eu entendi claramente que o que eu tive anos a fio era ansiedade, mais coisas começaram a fazer sentido na minha cabeça. Verdade seja dita, eu também ficava nervosa às vezes em situações específicas: antes de um teste ou apresentação, ir ao dentista ou outro evento qualquer que me deixasse desconfortável. Penso que a maior parte das pessoas se revê nesta sensação, pois todos nós já nos sentimos tensos nalguma(s) altura(s) da vida.

No entanto, ansiedade era algo que regia a minha vida e me deixava fora de controlo. E a maior parte das pessoas não sabiam disto pois eu conseguia escondê-lo muito bem.

Na escola secundária, eu tinha um namorado que era o rapaz mais fixe da escola. Ele vestia-se como um rapper, andava de skate e fazia-me corar cada vez que o via. Mas vê-lo na escola era também sinónimo de muita ansiedade pois eu não parava de pensar em cada possibilidade de como o nosso encontro fosse dar errado. Então acabei com o namoro.

Um tempo depois tinha-me tornado numa mestre da sabotagem. Se me convidavam para um evento que provavelmente me iria provocar ansiedade, eu dizia que ia mas começava imediatamente a pensar numa desculpa para não ir – “eu posso dizer que estou doente ou que a minha mãe não me deixa ir… talvez um contratempo de última hora possa ser a desculpa perfeita”.

Os meus pensamentos tinham vida própria dentro da minha cabeça e eram eles que me controlavam.

Isso só melhorou e finalmente deixou de acontecer quando mudei a forma como pensava e as coisas em que acreditava (mais posts neste tópico virão no futuro). Aprendi a lidar com a ansiedade e, mais importante, descobri que a sua causa não fazia o mínimo sentido.

Sendo alguém que gosta de agradar aos outros e evita confrontos a todo o custo, eu sentia sempre que precisava de ser a pessoa que os outros esperavam de mim. Eu achava que se dissesse a verdade e explicasse a um@ amig@ que não queria ir ao seu evento, el@ ficaria desiludid@ ou triste comigo e não iria entender ou aceitar.

A causa da ansiedade era simplesmente criada pela minha cabeça. Eu criei a causa porque assumi que tinha de agradar aos outros e não os podia desapontar. Por isso tinha toda esta pressão (desnecessária) em cima.

Não consigo meter em palavras o quão importante é sermos honest@s connosco própri@s e questionarmos os nossos pensamentos. Os teus pensamentos são teus inimigos? Eles impedem-te de fazeres alguma coisa na tua vida? És um@ mestre da sabotagem tal como eu era?

Ansiedade é completamente irracional e uma vez desfeitos os nossos medos, inseguranças e crenças, ela desmorona. Já não tem onde viver uma vez expulsa das nossas mentes. Morre à fome porque a deixamos de alimentar.

Não tens de controlar os teus pensamentos. Só tens de fazer com que eles parem de te controlar a ti. Dan Millman

When thoughts have a life (EN)

Do you have anxiety? If so, how would you describe it?

  • a) Do you feel pressure in your chest?
  • b) Do you feel like your stomach is upside down?
  • c) Do you feel like you have a knot in your throat?
  • d) Do you feel uneasy as an event approaches?
  • e) Do you feel a hot flash washing over your body?
  • f) All of the above.
  • g) None of the above.

There are so many different ways of feeling anxious and everybody can describe it in a different way. Some people get so overwhelmed by anxiety that it can really impair their lives. Others can’t understand the meaning of it. I couldn’t up until very recently.

While studying holistic nutrition in Vancouver (Canada), I had to make a protocol for a case study and had to choose a volunteer that was willing to work with me. My volunteer was a young man suffering with anxiety for quite some time. I felt compassionate for his issue, as it really seemed to affect his quality of life and was willing to help him in any way. For that, I had to fully comprehend what anxiety was. By his description, it was something I had never felt. I went home and started my research.

In an article that I was reading as part of my research, the author stated that he would “play the same movie in his head” over and over again, anticipating an event and that’s how he was describing his anxiety.While reading this I had an epiphany: “Wait what? That’s anxiety?” – was my reaction. I thought up until now that creating a whole scenario of situations in my head, in a loop without and end, was called nervousness. As a child/ teenager, I would think about the same situation endless times. A conversation that needed to happen with my father, a teacher or even with a friend would give me weeks of sleepless nights. During the day, every time I thought about that conversation, I could feel my heart beating faster, I would bite my nails until reaching the nail bed and would imagine all possible hypothesis of what could go wrong – “And then they will say this, and I will reply this… or maybe that. No, they’ll be mad at me. I can’t.”

The conversations were postponed again and again and my “nervousness” -meaning anxiety – only got worse.

When I got clear in my mind that what I had for so long was anxiety, more things made sense. Truth is, I was sometimes nervous in specific situations such as: prior to a test or a presentation, going to the dentist or any other event where I felt uncomfortable. I guess most people can relate to this feeling as we all felt uneasy at some point in life.

On the other hand, anxiety was something that ruled my life and made me feel completely out of control. And not many people would know about it as I was doing a great job hiding it.

In secondary school, I had a boyfriend that I thought was the coolest dude. He dressed like a rapper, had a skateboard and made me blush every time I saw him.

But seeing him in school also meant extreme anxiety, as I couldn’t stop thinking of every possibility on how our date could go wrong. So I broke up with him.

Some time later I became the master of sabotage. If I were to be invited to an event that could possibly cause me anxiety, my RSVP was positive but I immediately started thinking of an excuse not to go – “I can say I’m sick or that my mother wouldn’t let me go… maybe even a last minute unforeseen event can save my ass”.

My thoughts had their own life inside my mind and they were ruling my life.

That only got better and finally came to an end after I changed my beliefs (more posts on this topic to come). I learned to deal with it and more important, I found out that what caused it in first place didn’t make any sense.

As someone that likes pleasing others and avoids confrontation at all cost, I felt like I needed to meet the other people’s needs. I thought that if I told the truth and explained to my friend that I didn’t want to go to their event, they would be disappointed or sad and would not understand or accept it.

The cause of anxiety was purely made up by my head. I created the cause because I assumed that I had to deliver what people expected of me and I didn’t want to disappoint them. So I had all of this (unnecessary) pressure on me.

I cannot explain how important is to be honest with ourselves and question our own thoughts. Are your thoughts your enemies? Are they preventing you from doing anything in your life? Do you sabotage yourself just like I did?

Anxiety is completely irrational and once we dismantle all our fears, insecurities and believes, it falls apart. It doesn’t have anywhere else to live once kicked out of our minds. It starves, as we don’t feed it anymore.

You don’t have to control your thoughts. You just have to stop letting them control you. – Dan Millman

Cuando los pensamientos tienen vida propia (ES)

Tienes ansiedad? Si tu respuesta es sí, cómo la describirías?

  • a) Sientes presión en el pecho?
  • b) Sientes el estómago revuelto?
  • c) Sientes que tienes un nudo en la garganta?
  • d) Te sientes inquiet@ con la aproximación de un evento?
  • e) Sientes una ola de calor pasando por todo tu cuerpo?
  • f) Todas las opciones arriba se aplican?
  • g) Ninguna de las opciones anteriores se aplica?

Hay muchas formas de sentir ansiedad y cada persona puede describir la sensación de maneras diferentes. Algunas personas se sienten tan arrasadas por la ansiedad que le dejan tomar el control. Otras no entienden lo que significa. Yo no lo entendía hasta muy recientemente.

Mientras estudiaba nutrición holística en Vancouver (Canadá), tuve que formular un protocolo para un estudio de caso y para ello necesitaba un voluntario que quisiera trabajar conmigo. Mi voluntario era un chico que padecía de ansiedad hacía ya algún tiempo. Sentí compasión por su problema que parecía afectar bastante a su calidad de vida, y estaba dispuesta a ayudarle de la forma que pudiera. Para ello, tendría que comprender verdaderamente lo que era la ansiedad. Por su descripción, era algo que yo nunca había experimentado. Cuando me fui a casa empecé a investigar.

En un artículo que encontré sobre el tema, el autor explicaba que en su cabeza repetía la misma “película” repetidamente, una y otra vez, anticipando un evento y era así que describía su ansiedad. En el momento en que lo leí tuve una epifania: “¿Perdón? ¿La ansiedad también es esto? “- reaccioné. Pensé toda mi vida que el hecho de crear repetidamente escenarios y situaciones por anticipación a algo se llamaba nerviosismo.

Cuando era niña/ adolescente, pensaba sobre la misma situación muchas veces. Una conversación que debería tener con mi padre, con un@ profesor@ o incluso con un@ amig@ originaba muchas noches mal dormidas. Durante el día, cada vez que me acordaba de esa conversación mi corazón empezaba a latir más rápido, mordía las uñas e imaginaba todas las posibilidades de cómo dicha conversación podría terminar mal – “Y después él/ella va a decir esto y yo voy a responder esto… o quizás aquello. No, él/ella se va a enfadar conmigo. No puedo decirlo.” Acababa posponiendo las conversaciones una vez más, y mi nerviosismo – o sea: ansiedad- sólo empeoraba.

Cuando entendí claramente que lo que tuve durante tantos años era en realidad ansiedad, más cosas empezaron a tener sentido en mi cabeza. La verdad es que yo también me ponía nerviosa en situaciones específicas: antes de una prueba o presentación, ir al dentista u otro evento cualquiera que me dejara incómoda. Creo que la mayoría de las gente se reconoce en esta sensación, pues todos alguna vez ya nos sentimos nerviosos en algún momento de la vida.

Sin embargo, la ansiedad era algo que me gobernaba la vida y me dejaba fuera de control. La mayoría de la gente no lo sabía porque yo podía esconderlo muy bien.

En el instituto, tuve un novio que era el chico más guay de la escuela. Él se vestía como un rapero, iba en monopatín y me hacía ruborizar cada vez que lo veía. Pero verlo en la escuela era también sinónimo de mucha ansiedad porque yo no paraba de pensar en cada posibilidad de cómo nuestro encuentro podría ir mal. Entonces rompí con él.

 Un tiempo después yo me había vuelto maestra del sabotaje. Si alguien me invitaba a un evento que probablemente me diera ansiedad, yo decía que iba pero inmediatamente empezaba a pensar en una excusa para no ir – “puedo decir que estoy enferma o que mi madre no me deja ir … quizás un contratiempo de última hora sea la excusa perfecta “.

Mis pensamientos tenían vida propia dentro de mi cabeza y eran ellos los que me controlaban.

Esto sólo mejoró y finalmente dejó de ocurrir cuando cambié mi manera de pensar  y también mis creencias (escribiré más sobre ello en el futuro). Aprendí a lidiar con la ansiedad y, más importante, descubrí que su causa no tenía el mínimo sentido.

Siendo alguien a quién le gusta agradar a los demás y suele evitar confrontaciones a cualquier coste, sentía que necesitaba ser la persona que los demás esperaban que fuera. Yo creía que si dijese la verdad y explicara a un@ amig@ que no quería ir a su evento, el@ quedaría desiludid@ o triste conmigo y no iba a entenderlo o aceptarlo.

La causa de la ansiedad era simplemente creada por mi cabeza. Yo creé la causa porque asumí que tenía que agradar a los demás y no podía decepcionarlos. Por eso tenía toda esta presión (innecesaria) encima.

No puedo meter en palabras lo importante que es ser honest@s con nosotr@s mism@s y cuestionar nuestros pensamientos. ¿Tus pensamientos son tus enemigos? ¿Te impiden de hacer algo en tu vida? ¿Eres un@ maestr@ del sabotaje como era yo?

La ansiedad es completamente irracional y una vez deshechos nuestros miedos, inseguridades y creencias, se desmorona. Ya no tiene donde vivir una vez expulsada de nuestras mentes. Muere de hambre porque la dejamos de alimentar.

No tienes que controlar tus pensamientos. Sólo tienes que hacer que paren de controlarte a ti. – Dan Millman

The beginning of questioning by Nico

The beginning of questioning (EN)

El principio del cuestionamiento (ES)

O princípio do questionamento (PT)

Capítulo 1. A ponta do iceberg.

No Verão de 2010 sentia-me profundamente vazia e não sabia porquê. Para me animar decidi ir a um festival de Verão colando-me a uma amiga. Liguei-lhe e perguntei-lhe se me podia juntar a ela e aos seus amigos que eu mal conhecia. Tive uma grande surpresa quando percebi que a minha amiga realmente não queria que eu fosse porque, segundo ela, eu era muito stressada, pouco sociável e estava sempre a levantar problemas. Nesse momento o mundo caiu-me aos pés, especialmente quando vi que, exageros à parte, eu realmente era uma chata. Quando desliguei o telefone fiz as primeiras de muitas perguntas: E se eu não quiser mais ser assim? Posso mudar a minha personalidade? Seria mais feliz se fosse menos rezingona e mais relaxada? Nem me dei tempo para me responder, decidi que tinha que experimentar para saber as respostas. Dez minutos depois voltei a ligar à minha amiga e prometi-lhe que ia ser a pessoa mais descontraída do mundo e comecei a sê-lo naquele exacto momento, tanto que ela fez um esforço para acreditar e aceitou levar-me.

Aquele festival foi um dos momentos mais divertidos da minha vida até então. Hoje em dia olhando para trás sei que foi uma das primeiras vezes em que vivi no presente. Lembro-me de momentos chave em que tive que pôr um grande travão à chata que estava habituada a ser e pensar em micro-segundos como reagiria esta nova pessoa que queria tornar-me. Pela primeira vez estava consciente dos meus próprios pensamentos e começava a desconfiar de alguma forma que aquilo (que pensava) não era eu. Tinha mudado tanto que a minha amiga não me reconhecia e estava realmente admirada que eu estivesse a cumprir a minha promessa.

Com o final do festival veio o medo de que tudo voltasse a ser como antes. Sabia que voltando aos mesmos cenários quotidianos de sempre, o mais provável era que eu voltasse à minha versão mais resmungona. Decidi que ia tentar que isso não acontecesse. Mal sabia eu, que aquela pequena grande mudança de atitude perante a vida, acabaria por salvar-me de cair num poço sem fundo apenas umas semanas mais tarde.

Capítulo 2. O grande abanão.

Umas semanas depois soube que a minha mãe tinha um cancro cerebral. Sempre fui muito apegada à minha mãe, ela era o meu porto seguro. O meu maior medo desde pequena era que ela deixasse de estar ali (nem na minha cabeça me atrevia a formular a ideia de morte). Mas a minha nova maneira de ver o mundo desde um prisma menos stressado e mais presente ajudou-me a manter-me à deriva durante todo o pesadelo.

Os “tratamentos” foram avançando e a minha mãe só piorava, cada procedimento só a deixava pior.  Achei que tinha que haver algo mais e comecei a pesquisar tudo o que eram tratamentos alternativos para o cancro. Essas pesquisas levaram-me a estudos bastante convincentes, que defendiam que a carne e o açúcar eram dois grandes alimentadores do cancro e de várias outras doenças crónicas e mortais. – É de recordar que isto aconteceu uns bons anos antes dos malefícios da carne e do açúcar começarem a ser relatados nos meios de comunicação generalistas e nas redes sociais. – De repente o mundo parecía estar de cabeça para baixo. No hospital, a minha mãe era alimentada à base de carne, cereais e farinhas refinados e sobremesas carregadas de açúcar, tudo o que supostamente só servia para alimentar o maldito cancro. E as pessoas que a visitavam não faziam outra coisa que trazer-lhe mais doces e mais carne. A minha mãe já tinha muita dificuldade em comunicar e a comunicação entre os vários membros da família também se foi deteriorando. Eu era muito jovem e não conseguia fazer-me ouvir e o pior é que não conseguia ajudar a minha mãe com aquilo que estava a aprender.

De repente a carne começou a dar-me nojo e essa repulsa fez que eu deixasse de consumi-la. Também reduzi bastante o meu consumo de açúcar – hoje sei que era estupidamente alto. Comecei a sentir melhorias bastante óbvias na minha qualidade de vida. As dores de barriga que tinha frequentemente, e com as quais pensava que teria que viver até ao resto da minha vida desapareceram (mais tarde soube que o meu corpo tinha muita dificuldade para dirigir a carne). Deixei de ter as tonturas matinais que me tinham acompanhado quase toda a vida, e que sei hoje que eram causadas pelo excesso de açúcar. Também deixei de beber leite e as minhas alergias melhoraram bastante (hoje sei que ambas coisas estão relacionadas). Em geral sentia-me com mais energia e comecei a comer coisas que até então odiava. O meu paladar também tinha mudado. Abriu-se todo um novo mundo de sabores com novos vegetais e frutas que até então não tocava.

Começou a desenrolar-se um sem fim de questionamentos. Afinal todos os meus problemas de saúde crónicos se tinham resolvido com algumas mudanças de alimentação? Mas como é que até à data nenhum médico me tinha perguntado o que é que comia se, pelos vistos, a alimentação era tão importante? Porque é que me tinham dado apenas medicação que disfarçava sintomas, sem nunca tentarem resolver a raiz dos problemas?

Entretanto quase um ano tinha passado, a minha mãe continuava a piorar e essas questões começaram a ser cada vez mais dolorosas. O mesmo tipo de medicina à qual ela estava entregue para curar um cancro já tinha provado falhar em a problemas muito mais ligeiros no meu caso.

Uns meses antes do falecimento da minha mãe consegui confrontar uma das suas médicas e percebi que não havia mais esperança (pelo menos da parte dos médicos) mas por outro lado continuavam a dar-lhe quimioterapia, isto fazia ainda menos sentido! Finalmente a minha irmã e eu conseguimos falar com o resto da família e parar os tratamentos de “quimio” que já tinham causado tanto sofrimento à minha mãe e não tinham ajudado em nada.

Capítulo 3. Depois da tempestade.

No final de Julho de 2011 a minha mãe morreu. Não chorei. Não chorei a morte da minha mãe até uns anos depois quando a mãe de uma grande amiga faleceu, e uma profunda empatia desbloqueou os sentimentos com os quais não consegui lidar naquele momento. Naquele momento o sentimento maior foi de alívio. A minha mãe já não estava a sofrer, todas as pessoas implicadas podiam finalmente retomar as suas vidas.

Parte desse “seguir em frente” foi dar um destino à casa em que a minha mãe vivia. Fiquei encarregue de sozinha (nunca me senti tão sozinha) esvaziar a casa onde a minha mãe vivera mais de 20 anos. A casa onde a minha irmã e eu tínhamos crescido e passado toda a nossa infância e adolescência, mas também a casa onde a minha mãe tinha passado os últimos meses de vida, com todas as memórias que tudo isso pode acarretar.

Comecei primeiro pelo meu quarto (era mais fácil desfazer-me das minhas coisas do que de coisas que nunca me tinham pertencido directamente). O meu quarto de adolescente, onde eu já só ficava quando vinha de visita um ou outro fim de semana por mês desde que tinha ido viver para a Lisboa. Além de muitos elementos decorativos e objectos pessoais esquecidos, havia caixas com recordações (diários, postais, bilhetes de cinema e concertos, aquela flor seca que um dos primeiros namorados ofereceu, etc.). Aquilo tudo era para quê? Porque é que eu guardava aquilo? Afinal muitas daquelas coisas, guardadas na tentativa de preservar a memória que elas representavam, já não me diziam nada, a maioria só me faziam lembrar, muito geralmente, que tinha sido ainda mais jovem um dia, mas eu não precisava de recordatórios fechados em caixas para lembrar-me disso. Naquele momento decidi não voltar a acumular tralha sem utilidade practica real. Deitei todas essas “caixas de memórias” fora, encaixotei roupa e  outras coisas para dar e juntei em sacos aquilo que não podia ter outro fim se não o contentor do lixo. A minha irmã já tinha levado tudo o que era importante do seu quarto e deu-me desde Amsterdão (onde estava a viver) luz verde para eu fazer o que quisesse com o resto. Usei para o quarto dela os mesmos critérios que tinha usado para o meu. Esta tinha sido a parte mais fácil.

Faltava o resto da casa. Só que o resto da casa era parte das memórias que eu tinha da minha mãe. Demorei meses a separar coisas, perdi-me em memórias, encontrei tesouros, frustrei-me muito porque o trabalho parecia não ter fim. Vendi moveis, fiz mais caixas com roupa para dar mas principalmente deparei-me com a realidade de que ao longo da vida a maioria das pessoas vai acumulando muita coisa que não precisa. E para quê? Para que é que serve tanta coisa? Tanta roupa, tantos utensílios de cozinha, tantos objectos de decoração, tantos “gadgets”, tanta tralha? Ao final 90% era tralha, quase nada tinha realmente significado nem valor emocional. E vi que eu, na minha casa em Lisboa, estava a fazer o mesmo: a juntar tralha, a rodear-me de mais e mais objectos desnecessários e sem significado. Decidi que não o faria mais.

Quando voltei a Lisboa desfiz-me de literalmente metade das minhas coisas em poucas semanas. Muita gente pensava que tinha enlouquecido. “Como é que consegues dar os teus livros e os teus CDs? Não tens pena?”- perguntavam. Mas eu já sabia que eram só coisas, coisas das quais não precisava. Saiu-me um peso de cima, foi libertador. Tão libertador que foi isso que me permitiu criar asas e finalmente ganhar coragem para ir viver uma experiência fora do país.

 

Acho que estes foram os três momentos chave na minha vida, que me levaram a questionar tudo. Primeiro vieram as questões sobre a personalidade – Eu sou a minha personalidade ou sou algo mais profundo que isso e posso mudar de personalidade e continuar a ser eu?; depois comecei a questionar-me sobre a alimentação (mais tarde essas questões fizeram com que acabasse por me tornar vegan assim como a Tico) e a medicina convencional (no futuro haverão artigos que tocam este assunto com mais profundidade), e finalmente comecei a questionar-me sobre o sentido do materialismo (o que foi o início de um rol de questões que me levaram ao Yoga e a um estilo de vida mais desapegado).  Claro que houveram mais momentos e mais questões, mesmo no meio desses que conto neste artigo. Tod@s temos momentos nos quais nos apercebemos que não podemos simplesmente seguir a manada e fazer o mesmo que @s outr@s fazem só porque é mais fácil. Consegues reconhecer um desses momentos na tua vida? Revês-te nalguma das coisas que conto? E nas que a Tico conta no seu relato? Queres fazer-nos perguntas? Responde ou pergunta através do nosso formulário de contacto.


 

The beginning of questioning (EN)

Chapter 1. The tip of the iceberg.

In the Summer of 2010 I was feeling profoundly empty and didn’t know why. To cheer me up, I thought of going to a Summer festival and join a friend that already had it all figured out. I called her to ask if I could join her and her friends that I didn’t really know very well. I was very surprised to find out that actually my friend didn’t want me to join them because, in her opinion, I was always stressed, not very sociable and couldn’t stop forging problems. In that moment my whole world fell apart, especially when I realised that in fact I could be quite annoying. When I hanged up the phone, my first questions started popping up: What if I don’t want to be that person anymore? Can I change my personality? Could I be a happier person if I was to be less grumpy and more relaxed? I didn’t even allow any time to ponder but instead I decided to put this into practice in order to find out the answers. Ten minutes later, I called my friend again and promised that I would be a much more easy going person. In fact I started to behave more relaxed right away and that’s why she made an effort to believe me and accepted to take me in with her to the festival.

That festival ended up being one of the coolest moments of my life until then. Looking back, I know now that this event was probably one of the first times I experienced living in the present. I recall specific moments in which I had to stop that annoying girl that I used to be and think in a fraction of a second how would this new person I was willing to be react. For the first time I was conscious of my own thoughts and was starting to somehow suspect that that (what I was thinking ) wasn’t me. I had changed so much that my own friend didn’t recognise me and was truly in aw to see that I had kept my promise.

With the ending of the festival came the fear of everything becoming the old same again. I knew that going back to the same daily routine, the grumpy version of myself could come back to life. I was determined to avoid that at all cost. Little did I know that such a change in my attitude towards life would save me from collapsing in a bottomless pit a couple weeks later.

Chapter 2. The big shakeup

A few weeks later, I learned that my mother had a brain cancer. I was always very close to my mom as she was my safe haven. My biggest fear, since I was a little girl, was that one day she wouldn’t be there anymore (I didn’t even formulate the idea of death in my mind). However, my new way of perceiving the world, through a more present and less stressed lens, helped me to keep my head above the water during the whole nightmare that was to come.

The “treatments” kept on going and my mother only got worse and worse with every procedure. It got me thinking that some other alternatives could be out there and I started making my own research on alternative cancer treatments. Those researches took me to some credible studies stating that meat and sugar were the two biggest foods responsible for feeding cancer, among other chronic and terminal diseases. – Reminding that this happened some good years before mainstream allegations regarding meat and sugar being on general and social media. – Suddenly the world seemed to be upside down. At the hospital, my mother’s meals were based on meat, refined cereals as well as full on sugar desserts. All the foods that supposedly only kept feeding the damned cancer. On top of that, the people who visited her would bring more treats and more meat as they didn’t know better. My mother had extreme difficulty communicating with us and the communication with the remaining family members was going down the hill. I was very young and couldn’t get my voice to be heard and the worst part was that I couldn’t help my mom with the things I was learning.

Suddenly, the meat started to seem disgusting to me which made me give up on eating it. I also decreased my consumption of sugar that was incredibly high, I can see now. My life quality improved significantly with those changes. The stomachaches I had frequently disappeared ( later on I found out that my body had great difficulty to digest meat). The dizziness I had most of my mornings also went away. I know now that it was caused by excessive sugar intake. I quit drinking milk and my allergies got much better as well (as those two things are very much linked). In general, I felt more energised and started to eat foods that I couldn’t stand until then. My taste buds had an upgrade. A new world of flavours opened up together with fruits and vegetables that I never got to try.

A never ending questioning started to unfold. After all this time, all my chronic health problems got cured with some food habit changes? How come, no doctor ever asked me what was I eating, if nutrition is something crucial? Why was I given meds that only concealed my symptoms rather then trying to solve the root cause of my problems?

Meanwhile, nearly a year had passed and my mother continued to get worse and those questions of mine only became more painful. The same medicine applied to her, in order to cure the cancer, had already proved to me its failure when it came to much smaller issues.

A couple months prior to my mother’s death, I confronted one of her doctors and understood that there was no more hope for her case (at least from the doctor’s point of view) but even then, they continued to prescribe chemotherapy. Such thing didn’t make sense whatsoever! Finally, my sister and I were able to talk to the rest of the family and stop with the chemo treatments that had caused so much suffering to my mother and never got to help her in any way, shape or form.

Chapter 3. After the storm.

In the end of July 2011 my mother died. I didn’t cry. I didn’t cry the death of my mother until a few years later, when the mother of a very good friend died and a profound empathy unblocked the feelings that I couldn’t deal with in that moment. In that moment all that I could feel was relieve. My mother wasn’t suffering anymore and everyone involved could finally resume their own lives.

Part of that moving on process was to give a destiny to my mother’s belongings. I alone (never felt so alone) was in charge of emptying the house where my  mother lived for 20 years. The house where my sister and I grew up and spent our childhood and adolescence, but also the house where my mother had lived in her last days of life, with all the memories that all of this can entail.

First I started with my own bedroom (it was easier to get rid of my own things rather than other stuff that wasn’t mine). My teenager bedroom, where I would stay when visiting over from Lisbon (sometimes less than a couple weekends a month). Besides lots of decorative items and forgotten personal objects, there were boxes filled with memories (diaries, postcards, concert tickets, that dry flower that one of my first boyfriends once offered). What was all that for? Why did I keep them? After all, many of those things, kept in the attempt to preserve the memory they represented, no longer told me anything. Most of it only reminded me, very generally, that I had been even younger one day, but I didn’t need memories closed in boxes to remind me of this. In that moment I decided I would stop accumulating useless junk. I threw away all those “memory boxes”, I boxed stuff to donate and put in garbage bags everything that couldn’t have another destination besides the trash. My sister had already taken everything that was important from her room and gave the green light for me to do whatever I wanted with the rest. I used for her room the same criteria I had used for mine. This was the easiest part.

The following part was to deal with all the rest. But the rest of the house was a big part of the memories I had of my mother. It took me months to separate things, I lost myself in memories, I found treasures, I became very frustrated because this work seemed never ending. I sold furniture, gathered more boxes with clothes to donate, but mostly I realised that throughout life most people accumulate a lot of stuff that they do not need. And for what? What’s the use of so many things? So much clothing, so many cooking tools, so many decorative objects, so many gadgets, so much stuff? In the end 90% of it was junk, almost nothing had really meaning nor emotional value. And I realised that I was doing the same exact thing in my apartment in Lisbon: gathering stuff, surrounding myself with more and more unnecessary and meaningless objects. I decided I would not do it anymore.

When I got back to Lisbon, I literally got rid of half of my stuff in a few weeks. A lot of people thought I had gone crazy. “How can you give your books and your CDs? Won’t you be sorry?”- They asked. But I already knew it was all just things, things I did not need. A weight came out of my shoulders, it was liberating. So liberating that it was this that allowed me to create wings and finally get the courage to go live an experience out of the country.

 

I think these were the three key moments in my life, which led me to question everything. First came the questions about personality – Am I my personality or am I something deeper than that and can I change my personality while still being me?; then I began questioning about food (later these issues made me become vegan like Tico) and conventional medicine (in the future there will be articles on this subject with more depth). And finally I began to question about materialism (which was the beginning of a series of questions that led me to Yoga and a much more detached lifestyle). Of course there were more moments and more questions, even simultaneously to the ones I expose in this article. We all have moments when we realise that we cannot simply follow the herd and do the same thing that others do just because it’s easier. Can you recognise one of those moments in your life? Do you see yourself in any of it? And what about in Tico’s story? Do you want to ask us questions? Please respond or ask via our contact form.


 

El principio del cuestionamiento (ES)

Capítulo 1. La punta del iceberg.

En el verano de 2010 me sentía profundamente vacía y no sabía el porqué. Para animarme decidí ir a un festival de música. Llamé a una amiga que iba a ir con amigos de ella que yo casi no conocía. Tuve una gran sorpresa cuando me enteré de que mi amiga realmente no quería mi compañía por que yo, en su opinión, era muy estresada, poco sociable y encontraba problemas en todas partes. En ese momento se me cayó el mundo en la cabeza, especialmente cuando entendí que, exageros aparte, yo realmente era muy pesada a veces. Cuando colgué la llamada hice las primeras de muchas preguntas: Y si no quisiera más ser así? Puedo cambiar mi personalidad? Sería más feliz si fuera menos gruñona y más relajada? No me di tiempo para contestar, decidí que que había que probarlo para saber las respuestas. Diez minutos después volví a llamar a mi amiga y le prometí que iba a ser la persona más tranquila del mundo, y empecé a serlo en el mismo momento. Tanto que mi amiga finalmente aceptó que me juntara a ellos.

Aquel festival fue, hasta entonces, uno de los momentos más divertidos de mi vida. Hoy en día mirando hacia detrás se que fue una de las primeras veces en las logré vivir en el presente. Me acuerdo de momentos clave en los que tuve que poner un freno a la chica pesada que estaba acostumbrada a ser, y pensar en micro-segundos cómo reaccionaría esa nueva persona en la que quería transformarme. Por primera vez era consciente de mis propios pensamientos y empezaba a sospechar que de alguna manera aquello (que pensaba) no era yo. Había cambiado tanto que mi amiga casi no me reconocía pero yo era la que estaba más sorprendida.

Con el final del festival vino el miedo de que todo volviera a ser igual que antes. Sabía que volviendo a las mismas situaciones de siempre, lo más probable era que yo volviera a mi versión más gruñona. Decidí que iba a intentar que eso no pasase. Lo que no sabía entonces era que aquel pequeño gran cambio de actitud ante la vida acabaría por salvarme de caer en un pozo sin fondo tan solo unas semanas más tarde.  

Capítulo 2. La gran sacudida.

Unas semanas después supe que mi madre tenía un cáncer cerebral. Estaba muy apegada a mi madre desde siempre, ella era mi puerto seguro. Mi peor miedo desde pequeña era que ella dejara de estar allí (ni en mi cabeza me atrevía a formular la idea de muerte). Pero mi nueva manera de ver el mundo desde un prisma menos estresado y más presente me ayudó a mantenerme a la deriva durante toda la pesadilla.

Los “tratamientos” avanzaban y mi madre solo empeoraba, cada procedimiento solo la dejaba peor. Pensé que tenía que haber algo más y empecé a investigar todo tipo de tratamientos alternativos para el cáncer. Esas búsquedas me llevaron unos estudios bastante convincentes, que defendían que la carne y el azúcar eran dos de los mayores alimentadores del cáncer y de muchas otras enfermedades crónicas y mortales. – Te recuerdo que esto pasó unos buenos años antes de que los malefícios de la carne y del azúcar fueran publicados en los medios de comunicación generalistas. – De pronto el mundo parecía estar patas arriba. En el hospital mi madre era alimentada a base de carne, cereales refinados y postres cargados de azúcar, todo lo que se suponía que alimentaba aún más el maldito cáncer. Además las personas que la visitaban no hacían otra cosa que traerle más dulces y más carne. A mi madre ya le costaba mucho comunicar, y la comunicación entre los demás miembros de la família también se fue deteriorando. Yo era muy joven, no podía hacerme oír y lo peor era que no podía ayudar a mi madre con todo lo que estaba aprendiendo.

De repente la carne empezó a provocarme asco y esa repulsión hizo que dejara de consumirla. También reduje bastante mi consumición de azúcar (hoy se que era estúpidamente alta). Empecé a sentir mejoras bastante obvias en mi calidad de vida. Los dolores de vientre que tenía frecuentemente y con los cuáles ya me había conformado, desaparecieron (más tarde supe que realmente mi cuerpo tenía mucha dificultad para digerir la carne). Dejé de sentir los mareos matinales que me habían acompañado casi toda mi vida (hoy sé que eran causadas por el exceso de azúcar). También dejé de beber leche de vaca y mis alergias mejoraron bastante (hoy se que ambas cosas están relacionadas). En general me sentía con más energía y empecé a comer cosas que hasta entonces odiaba. Mi paladar también había cambiado. Se abrió todo un nuevo mundo de sabores con nuevos vegetales y frutas que hasta entonces no tocaba.  

Empezó a desarrollarse un sinfín de cuestionamientos.¿Al final todos los problemas crónicos de salud que tenía se habían solucionado con algunos cambios en la alimentación? ¿Cómo era posible que hasta entonces ningún médico hubiera preguntado cómo ni el qué comía, si la alimentación era tan importante? ¿Por qué me habían dado medicamentos que sólo disfrazaban los síntomas sin tratar de resolver los problemas desde la la raíz?

Mientras tanto casi un año había pasado, mi madre seguía empeorando y esas cuestiones empezaron a ser cada vez más dolorosas. El mismo tipo de medicina a la que ella estaba sometida para curar un cáncer ya había probado fallar en problemas mucho más ligeros en mi caso.

Unos meses antes del fallecimiento de mi madre pude confrontar a una de sus médicas y percibí que no había más esperanza (al menos por parte de los médicos), pero por otro lado seguían dándole quimioterapia, ¡esto hacía aún menos sentido! Finalmente mi hermana y yo convencimos el resto de la familia que lo mejor sería parar los tratamientos de “quimio” que ya habían causado tanto sufrimiento a mi madre y no habían ayudado en nada.

Capítulo 3. Después de la tormenta.

A finales de Julio de 2011 mi madre murió. No lloré. No lloré la muerte de mi madre hasta unos años después, cuando la madre de una gran amiga falleció y una profunda empatía desbloqueó los sentimientos con los que no logré lidiar en aquel momento. En aquel momento el sentimiento mayor fue el de alivio. Mi madre ya no estaba sufriendo, todas las personas implicadas podían finalmente retomar sus vidas.

Parte de ese seguir adelante fue dar un destino a la casa donde había vivido mi madre. Me quedé sola (nunca me había sentido tan sola)  , de encargada de vaciar la casa donde mi madre había vivido más de 20 años. La casa donde mi hermana y yo habíamos crecido y pasado toda nuestra infancia y adolescencia, pero también la casa donde mi madre había pasado los últimos meses de vida, con todas las memorias que todo eso puede acarrear.

Empecé primero por mi cuarto (era más fácil deshacerme de mis cosas que de cosas que nunca me habían pertenecido directamente). Mi habitación de la adolescencia, en la que ya solo me quedaba un u otro finde al mes, desde cuándo me había ido a vivir a Lisboa. Además de muchos elementos decorativos y objetos personales olvidados, había cajas con recuerdos (diarios, postales, entradas de conciertos, aquella flor seca que uno de los primeros novios regaló, etc.). ¿Para qué servía todo aquello? ¿Por qué lo guardaba? Al final muchas de esas cosas, guardadas en el intento de preservar la memoria que ellas representaban, ya no me decían nada, la mayoría sólo me recordaban, muy generalmente, que había sido aún más joven un día, pero yo no necesitaba recordatorios cerrados en cajas para recordarme de eso. En aquel momento decidí no volver a guardar trastos sin utilidad práctica real. Tiré todas esas “cajas de recuerdos”, metí ropa y otras cosas para donar en cajas, y junté en bolsas aquello que no podía tener otro destino sino el contenedor de la basura. Mi hermana ya se había llevado todo lo que era importante de su habitación y me dio desde Amsterdam (donde estaba viviendo) luz verde para hacer lo que quisiera con el resto. Utilicé para su habitación los mismos criterios que había utilizado para la mía. Esta había sido la parte más fácil.

Faltaba el resto de la casa. Pero el resto de la casa era parte de las memorias que tenía de mi madre. Tardé meses en separar cosas, me perdí en recuerdos, encontré tesoros, me frustré mucho porque el trabajo parecía no tener fin. Vendí muebles y hice cajas con ropa para donar, pero principalmente me encontré con la realidad de que al largo de la vida la mayoría de las personas acumula muchas cosas de las cuales no necesita.  ¿Y para qué? ¿Para qué sirve tanta cosa? ¿Tanta ropa, tantas cosas de cocina, tantos objetos de decoración, tantos aparatos, tantos trastos? Al final el 90% eran trastos,, casi nada tenía realmente significado ni valor emocional. Y vi que en mi casa en Lisboa estaba haciendo lo mismo: acumulando trastos, rodeándome cada vez más de objetos innecesarios y sin sentido. Decidí que no lo haría más.

Cuando regresé a Lisboa me deshice literalmente la mitad de mis cosas en unas pocas semanas. Mucha gente pensaba que me había vuelto majara. “¿Cómo puedes dar tus libros y tus CDs? ¿No te dá lástima?” – preguntaban. Pero yo ya sabía que eran sólo cosas, cosas de las que no necesitaba. Me salió un peso de encima, fue liberador. Tan liberador que fue eso que me permitió crear alas y finalmente ganar coraje para ir a vivir una experiencia fuera del país.

 

Creo que estos fueron los tres momentos clave en mi vida, que me llevaron a cuestionarlo todo. Primero vinieron las preguntas sobre la personalidad – ¿Yo soy mi personalidad o soy algo más profundo que eso y puedo cambiar de personalidad y seguir siendo yo?; después empecé a cuestionarme sobre la alimentación (más tarde esas cuestiones hicieron que acabara por hacerme vegana como Tico) y finalmente empecé a cuestionarme sobre el sentido del materialismo (lo que fue el inicio de un rol de cuestiones que me llevaron al Yoga y a un estilo de vida más desapegado). Claro que hubo más momentos y más cuestiones, incluso en medio de los que cuento en este artículo. Tod@s tenemos momentos en los que nos damos cuenta que no podemos simplemente seguir la manada y hacer lo mismo que l@s demás sólo porque es más fácil. ¿Puedes reconocer uno de esos momentos en tu vida? ¿Te ves en alguna de las cosas que cuento? ¿Y en las que Tico cuenta en su relato? ¿Quieres hacernos preguntas? Responde o pregunta a través de nuestro formulario de contacto.