Give a kiss to grandma!

Give a kiss to grandma! (EN)

Dale un besito a la abuela! (ES)

Dá um beijinho à avó! (PT)

Desde Outubro que quero escrever este artigo. Venho falar sobre algo que levantou alguma polémica em meados desse mês. Na altura estávamos a preparar o lançamento do blog, e por um lado não quis começar logo “a matar” com um tema tão controverso, por outro não queria escrever de cabeça quente nem que este texto fosse lido sob esse efeito de reação automática. Agora que a poeira já assentou sobre este tema, tenho o gosto de me questionar e vos pôr a questionar também.

Para quem não esteve a par da tal polémica passo a explicar o que aconteceu. No dia 16 de Outubro num programa de debate da RTP (canal público de televisão portuguesa), chamado Prós e Contras, discutiu-se o movimento #MeToo e as suas consequências a nível social em Portugal e no mundo. Durante o debate um professor universitário disse uma frase que chocou muita gente. A frase dita por Daniel Cardoso (o professor) foi: “A educação é quando a avózinha ou o avôzinho vai lá a casa e a criança é obrigada a dar o beijinho à avózinha ou ao avôzinho. Isto é educação, estamos a educar para a violência sobre o corpo do outro e da outra desde crianças. Obrigar alguém a ter um gesto físico de intimidade com outra pessoa como obrigação coerciva é uma pequena pedagogia que depois cresce.”.

Eu não vejo televisão, mas através do facebook apercebi-me deste fenómeno. E foi lá que vi levantar-se uma onda de verdadeiro ódio para com uma pessoa que não tinha feito mais do que dar a sua opinião. Os insultos iam de parvo para cima (ou a expressão correcta seria para baixo, já que o nível também baixava?) e além de discordarem, em letras maiúsculas e com muitos pontos de exclamação, da ideia de que não se devem obrigar as crianças a beijar os avós (porque essas pessoas, que insultavam, tinham também elas sido obrigadas a dar beijos aos avós e continuavam de “boa saúde”; ou porque obrigavam os filhos a fazê-lo e queriam reafirmar que estavam a fazer o correcto), a maioria aproveitou para meter ao barulho a aparência física do Daniel, as suas relações pessoais e os seus gostos sexuais (todos considerados bastante fora do normal dentro dos parâmetros da nossa sociedade).

Eu até percebo a reação emocional das pessoas que procederam assim. Afinal toca-nos profundamente o ego quando alguém vem dizer que, uma das coisas que aceitamos como normais e por isso correctas (temos tendência para erroneamente correlacionar uma coisa com a outra), é afinal uma prática nociva. E como a maioria das pessoas não quer ir realmente ao fundo da questão, questionando-se verdadeiramente sobre o tema, é mais fácil serem infantis e atirar como argumentos coisas que não têm nada a ver com o que foi declarado pelo Daniel, como o facto de ele ter o cabelo comprido e uma aparência pouco masculina (a sério, mas que raio é que isso interessa para a conversa dos beijos aos avós?).  

Vamos então começar o exercício de pensar realmente sobre o assunto. Quais são os prós e contras de obrigar uma criança a dar um beijinho aos avós, ou a qualquer outra pessoa – seja a mãe, a tia afastada ou o amiguinho da escola?

Pró: A criança aprende que se deve cumprimentar as pessoas, mesmo quando não apetece, e que cumprimentar tem que ser através de contacto físico e alguma intimidade, como a que requer o beijo na cara. Contra: Acima está uma lição sem pés nem cabeça, primeiro porque mesmo nós (os adultos) às vezes ,por alguma razão, não cumprimentamos pessoas que conhecemos, depois porque existem mais formas de cumprimentar sem ter que beijar ou mesmo sem entrar em contacto físico.

Pró: A criança aprende que deve fazer o que se lhe manda e o que se lhe manda fazer é o correcto, porque os mais velhos é que sabem. Contra: Mas às vezes os mais velhos não sabem tudo, não sabem o que se passa dentro da cabeça da criança, nem compreendem as razões que ela possa ter para não querer beijar alguém, e essas razões devem ser consideradas tão boas como as que possas ter tu ou eu como adult@ para não querer beijar alguém (imagina que te obrigavam!). E sobretudo não me parece assim tão benéfico que uma criança aprenda que o que os mais velhos dizem, está à partida correcto, sem questionar. Isso é o que produz pessoas que não pensam pelas próprias cabeças, e não queremos educar pessoas dessas, certo?

Pró: Ensinamos à criança a ter respeito pelos mais velhos. Contra: Coagir alguém a fazer algo não ensina respeito, ensina obediência cega.  

Pró: A avó fica contente de ter ganho um beijo d@ net@. Contra: Se explicarmos à avó (ou a quem seja) porque é que não obrigamos a dar beijos talvez ela até perceba. E mais, se a avó eventualmente deixar de pedir beijos à criança esta, por iniciativa própria, pode vir a dar-lhe mais carinho quando realmente lhe apetecer, e isso certamente fará a avó mais feliz que um beijo de raspão por obrigação.  

Desafio quem não está de acordo a dizer-me então afinal o que é que se ganha obrigando as crianças a dar beijos às pessoas.

Eu não me lembro de que alguma vez me tivessem que obrigar a dar beijos aos meus avós, acho que sempre o fiz de livre vontade. Mas lembro-me bem de me fazerem dar beijos a outras pessoas, lembro-me principalmente de ir de mão dada com a minha avó no bairro onde ela vivia, e que sempre que encontrava uma amiga me pedia para eu as cumprimentar com um beijinho. Lembro-me que eram velhotas estranhas para mim, com cheiros esquisitos e com bigodes que pareciam picar ou lábios que pareciam deixar baba pelo caminho. Era normal que eu não tivesse nenhum interesse em beijá-las, e na verdade também não vejo o que nenhuma das partes ganhava com todo aquele “teatro” (nem eu, nem a minha avó, nem as amigas dela).

Eis que agora podem vir os defensores do “não vem nenhum mal ao mundo por fazer as crianças dar beijos a quem quer que seja “ porque, ao que parece, eu própria fui obrigada e não tive nenhum problema por causa disso. E eu digo: Nisso é que vocês se enganam!

O que vou partilhar a seguir sabem-no muito poucas pessoas. É um assunto que durante muito tempo da minha vida me provocou vergonha, e muita revolta. Quanto à vergonha, hoje em dia sei que não sou eu quem a deve sentir, e quanto à revolta não está completamente ultrapassada, e talvez nunca esteja.

Quando era pequena, um senhor que tinha idade para ser meu avô insistia em tocar-me de maneira pouco normal – isso era como eu via a coisa naqueles tempos. Hoje sei que ele me apalpava em zonas do corpo onde quem o faz é descrito como pedófilo. Na altura só me parecia estranho, ele fingia que me fazia cócegas para me pôr a mão no rabo e entre as pernas. Ou pedia que me sentasse no colo dele para ‘fazer o cavalinho’ quando na verdade o que fazia era esfregar-se em mim de uma maneira que hoje (não naquela altura) reconheço como sexual. Eu via este senhor várias vezes por semana, porque ele trabalhava para o meu pai e, apesar de na altura eu não ter discernimento para juntar dois mais dois (literalmente), só me fazia aquilo quando não havia mais adultos por perto. Eu fui ensinada que os mais velhos faziam o correcto, que devia aceitar as demonstrações de carinho dos mais velhos sem me queixar, e que tinha que respeitar as pessoas mais velhas. Isso fez-me aguentar estas práticas esquisitas, que me deixavam muito desconfortável, sem falar do assunto a nenhum outro adulto porque achava que não havia nada para contar.

Até que um dia este senhor nos chamou à minha irmã e mim para dentro de uma pequena sala de arquivo e fechou-nos lá dentro. Disse-me para eu ficar quieta de cara virada para a porta e, com os joelhos dobrados, pois eu ainda era bastante mais baixa que ele, começou a esfregar-se no meu rabo, com um movimento de pernas e ancas. Aquilo finalmente fez-me desconfiar que algo não batia certo. Apesar de ser tão pequena aquele episódio provocou-me muita vergonha. Lembro-me de dizer à minha mãe chorando que não queria que o meu pai me levasse mais para o trabalho dele. A minha mãe achou estranho porque eu até gostava de ir para lá, porque me entretinha com máquinas de escrever, calculadoras e outros tesouros tecnológicos aos quais não tinha acesso noutro sítio. E a muito custo e depois de muitas lágrimas, porque eu tinha vergonha de pôr aquele acto em palavras, lá contei à minha mãe o que tinha sucedido e também contei sobre os apalpões e outras coisas que achava esquisitas. A minha irmã confirmou a minha história. Eu tinha tanta vergonha que pedi à minha mãe que me prometesse que não diria ao meu pai que lhe tínhamos contado tudo isto. Tinha tanta vergonha que não podia sequer suportar ter que falar com o meu pai directamente sobre o acontecido se ele me perguntasse. A minha mãe falou com o meu pai e disse-lhe tinha ouvido uma conversa minha e da minha irmã sobre aquilo. A minha irmã e eu nunca mais fomos deixadas a sós com aquele senhor, mas ele continuou lá por muitos mais anos.

Voltando à minha revolta. Não, eu não vou dizer quem foi o pedófilo que me molestou quando eu era criança, nem sei se aquele homem ainda está vivo, e de qualquer forma não tenho nenhuma prova para além das minhas memórias. Não estou revoltada para com a minha mãe, que não tomou medidas mais assertivas (as que eu acho que tomaria se estivesse no lugar dela hoje), nem com o meu pai por não ter tentado perceber realmente o que tinha passado e por ter deixado que aquele homem continuasse a trabalhar para ele. Muito menos a minha revolta é para com a minha avó que me obrigava a dar beijos a outras pessoas mais velhas.

Sei que se tivesse sido educada para saber que a intimidade necessita consentimento e que não está certo que uma pessoa mais velha, só por o ser, possa exigir um certo nível de intimidade física comigo, em vez de aprender que é preciso dar beijinhos aos mais velhos quando estes pedem ou outro adulto o comanda… se tivesse sido educada para me respeitar, e lutar para que me respeitassem, em vez de ter de respeitar os mais velhos, só por questão de idade… se tivesse sido educada para pôr o meu desejo e o meu conforto diante de qualquer que seja a satisfação (não percebo realmente) que alguém obtém por conseguir ganhar um beijo de uma criança contrariada …se tudo isto tivesse acontecido assim e não assado talvez eu nem tivesse dado a primeira oportunidade a este homem para me molestar e talvez nunca tivesse que passar por tudo isto. Ainda hoje penso que se eu não me tivesse assustado tanto com aquele último episódio, um bastante mais traumático podia ter-se seguido.

Mas eu também não me sinto revoltada pela minha educação não ter sido diferente. O que realmente me revolta é que nos dias de hoje, com toda a informação que temos, e com pessoas finalmente dispostas a falar abertamente destes assuntos, ainda haja gente quem se recusa a questionar práticas “normais” só porque elas se fizeram assim a vida toda. O que me revolta é que tanta gente que eu considero inteligente, sem pensar cinco minutos sobre o assunto, teve a necessidade de repudiar uma opinião que sei que é bem válida.

Quando alguém tenta forçar crianças a cumprimentarem-me com um beijo eu sou a primeira a dizer que não quero. E quando (se alguma vez) tiver filh@s não @s vou obrigar a dar beijos aos avós, nem às tias, e nem a mim mesma. Se alguém achar que as minhas “crias” são mal-educadas por não beijarem à demanda, problema deles, eu não acho que o objectivo deva ser criar paus mandados, mas sim educar seres pensantes.


Give a kiss to grandma! (EN)

Today, I’m writing about something that generated some controversy in Portugal, last mid-October and since then I was willing to write this article. At that time, we were preparing to launch this blog and for that reason I didn’t want to start with such a controversial topic.

As the english readers might not be familiar with this polemic subject, I will first explain what happened. On the 16th of October, there was a debate on RTP channel (public Portuguese channel) called “Pros & Cons”, where the movement #MeToo and its consequences in Portugal and abroad, were discussed on a social level. During the debate, a university Professor called Daniel Cardoso, said something that shocked many people. The phrase was: “Education is resumed to when grandma or grandpa come to visit and the child is obligated to give a kiss to grandma or grandpa. This is the education, we are educating on violence regarding one’s body since early age. Forcing someone to have a physical and intimate gesture with such coercive obligation with another person is considered a small pedagogy that later on will grow.”.

To those who don’t know Portuguese culture, we kiss people on both cheeks to greet them and we are taught to do so since a very early age.

I don’t watch TV, but this phenomenon reached me through Facebook. There, I saw a surge of deep hatred arising towards someone that had not done anything but express his opinion. The insults were beyond foolish and besides disagreeing, with capital letters and many exclamation marks, with the idea that kids should not be forced to kiss their grandparents (because those insulting were too obligated to kiss their grandparents and remained “all right”; or because they obligate their own children to do the same and wanted to reaffirm that this was the right thing to do), the majority took advantage of the situation to comment on Daniel’s physical appearance, his personal relationships and sexual orientation (all considered abnormal among our society standards).

I even understand people’s emotional reaction when reacting in this way. After all, our ego gets profoundly touched when someone tells us that, something we accept as normal and thus correct (we have a tendency to correlate erroneously both things), is in the end of the day detrimental. As most people are not willing to dig deep to the bottom of the issue, truly questioning about the subject, it is easier to be childish and throw a bunch of arguments that nothing have to do with what Daniel said in the first place, such as commenting on his long hair and his lack of masculine appearance (really? how the hell is this related to the topic about kissing the grandparents?).

Let’s get to an exercise to really start thinking about this issue. What are the pros and cons of forcing a child to kiss their grandparents, or whoever it is – whether is the mother, the estranged aunt or a friend in school?

Pro: The child learns that they should greet people, even when they don’t feel like it, and that greeting has to be with physical contact and some intimacy, such as a cheek kiss requires. Con: Above is a non sense lesson because even adults sometimes don’t greet acquaintances for some reason and also because there are more ways of greeting others with no need for kisses or any physical contact.

Pro: The child learns that they should do what they are taught to do and that what they are taught is correct, because older people know better. Con: Except that older people don’t always know better, they don’t know what lies inside a child’s head, nor understand the reasons behind a child not wanting to kiss someone, and those reasons should be considered as good as the reasons you or I have as adults to not want to kiss someone (picture that you were obligated to!). And above all, it doesn’t seem beneficial to me if a child learns that what older people say is, from the outset, correct without questioning it. That’s exactly what generates people that cannot think for themselves and we do not want educate such people, do we?

Pro: We teach the child to have respect for older people. Con: Compel someone to do something does not teach respect, it teaches blind obedience.

Pro: The grandma is happy because she got a kiss from her grandchild. Con: If we explain to the grandma (or any other person) why we don’t force the child to kiss her, perhaps she can understand. More, eventually if the grandma stops requesting kisses from the child, they can end up giving her more affection from their own initiative, when they feel like doing it, and that will certainly make the grandma happier that gaining a forced glancing kiss.

I challenge those who don’t agree, to tell me what do we gain by forcing children to give kisses to people.

I do not recall ever being forced to give a kiss to my grandparents, I guess I did it with free will. However, I do remember being asked to kiss other people. Mostly older ladies, as I joined my grandma for a walk at her neighbourhood and every time we met one of her friends, she would kindly ask me to greet them with a kiss. I recall that I considered them as outsiders, with weird smells and facial hair that seemed to prick or lips that would drool all over my face. It seems reasonable to me that I wasn’t keen to kiss them and in truth I can’t see what any of us would gain with this “theatrical performance” (my grandma, her friends or myself).

And here can come the advocates of “I don’t see what harm can be done by obligating kids to kiss whoever it is” because, just as I said, I was too obligated and didn’t have any problem because of that. And my answer is: You have no idea!

What I’m about to share here, not many people know. It’s a subject that created shame for quite a long time in my life, and lots of outrage too. With respect to the shame, I know nowadays that it isn’t me who should feel it, and regarding the outrage it is not completely surpassed, and perhaps will never be.

When I was a child, a man that was as old as my grandfather, insisted in touching me in a rather strange way – that’s how I saw things back then. Today I know that he would touch my body in such areas where those who do are called pedophiles. At the time, it seemed odd to me, he would pretend to tickle me just to touch my butt or between my legs. He would also ask me to sit on his lap to “play horsey” when in fact what he just wanted was to rub himself on me in a way that today (not back then) I acknowledge as sexual. I encountered this man several times a week as he was my dad’s employee and, despite my lack of discernment to put two and two together (literally), he would only do those things when there were no other adults around. I was taught that older people did the right thing, that I should accept affection demonstrations for them without complaining, and to respect them. That made me put up with those weird acts, that would would make me feel very uncomfortable, without even mentioning it to any adult because I thought there was nothing to tell.

Until one day, this man took my sister and I to a small archive room and locked us inside with him. He told me to be quiet and facing the door, he bent his knees (because I was way shorter than him) and started to rub his parts in my butt, moving legs and hips. I realised then that something here wasn’t right. Despite being just a child that happening caused me a lot of shame. I recall telling my mother, with tears rolling down my face, that I no longer wanted my father to bring me to his workplace. My mother found this to be strange because going to my dad’s office was something that I enjoyed as I would get amused by the typewriter, calculators and other tech treasures to which I didn’t have access in any other place. Somehow, many tears later as I had so much shame to put that episode in words, I finally explained to my mom what had happen, together with the other odd stuff that he had done before. My sister confirmed my story. Again, my shame was such that I asked my mother to promise not to tell my father what she had just learned from us. This shame prevented me from even thinking about talking about this issue directly with my dad, if I was eventually queried by him. My mother then talked to my father and said that she had heard my sister and I chat about it. Both my sister and I were never again let alone with this man, however he ended up still working there for many more years.

Back to my outrage. No, I won’t say who is the pedophile that molested me when I was a young girl, I don’t even know if he is still alive, and besides my memories no other proof remained. I’m not outraged at my mother, that didn’t take the best measures (those measures that I would take today if I was in her position), nor at my father for not trying to understand what was really happening and to keep that man as an employee. My revolt is even less towards my grandma that obligated me to kiss other elderly people.

I know that if I was brought up to understand that intimacy requires consent and that it is not ok when an older person claims a certain intimacy level with me, instead of learning that it’s necessary to give kisses to older people by their or other adults request… if I was to be raised to respect myself and strive to be respected by others, instead of having to respect older people only because of their age… if I was brought up to place my desire and comfort above other people’s satisfaction for getting a kiss from a countered child…if only all of this had happened in this way and no other, maybe I would have never given this man the first chance to molest me and perhaps would never been through all of this. To this day I think that, had I never been so scared with that last event, a much more traumatising one could have succeeded.

I can’t say that I feel revolt due to the way I was brought up. What is outraging to me is that nowadays, with all the information we have available, and with people open to talk about these topics, is that still to this day there are people who refuse to question “normal” practices just because that’s how they have been done so far. What is outraging to me is that so many people that I consider as intelligent, without even taking five minutes to think about the subject, had the need to repudiate a valid opinion.

When someone tries to force a child to greet me with a kiss, I’m the first to say that I don’t want it. And when (if anytime) I’ll have my own children, they won’t be obligated to kiss their grandparents, nor aunts, nor even myself. If anyone will think that my kids are ill-mannered just because they don’t greet with a kiss, I can’t even bother. I don’t think that the goal is to raise “rubber stamps” but rather individuals that can think.


¡Dale un besito a la abuela! (ES)

Desde octubre que quiero escribir este artículo. Vengo a hablar sobre algo que ha levantado alguna polémica en Portugal a mediados de ese mes. En ese momento estábamos preparando el lanzamiento del blog, y no quise empezar tan pronto con un tema tan controvertido.

Es normal que l@s lector@s hispanohablantes no estuvisteis al tanto de esa polémica por lo que paso a explicar lo que sucedió. El 16 de octubre en un programa de debate en RTP (canal de la televisión pública portuguesa) llamado “Prós e Contras” (Pros y Contras), se discutió el movimiento #MeToo y sus repercusiones sociales en Portugal y en el mundo. Durante el debate un profesor universitario dijo una frase que chocó a mucha gente. La frase dicha por Daniel Cardoso (el profesor) fue: “Educación es cuando la abuelita o el abuelito van a la casa y se obliga al crío a dar un besito a la abuelita o al abuelito.  Esto es educación, estamos educando para la violencia sobre el cuerpo del otro y de la otra desde niñ@s. Obligar alguien a tener un gesto físico de intimidad con otra persona como obligación coercitiva es una pequeña pedagogía que después crece”.

Yo no veo la tele, pero a través de facebook me dí cuenta de este fenómeno. Y fue allí donde vi levantarse una ola de verdadero odio hacia una persona que no había hecho más que dar su opinión. Los insultos iban de tonto p’arriba (o quizás la expresión correcta sería p’abajo, ya que el nivel también bajaba) e además de discrepar, en letras mayúsculas y con muchos puntos de exclamación, de la idea de que no se deben obligar a los niños a besar a los abuelos (porque esas personas, que insultaban, también habían sido obligadas a dar besos a los abuelos y continuaban de “buena salud”, o porque obligaban a sus hijos a hacerlo y querían reafirmar que estaban haciendo lo correcto) la mayoría aprovechó para incluir en la discusión la apariencia física de Daniel, sus relaciones personales y sus gustos sexuales (todos considerados bastante fuera de lo normal dentro de los parámetros de nuestra sociedad).

Yo hasta entiendo la reacción emocional de las personas que procedieron así. Al final nos toca profundamente el ego cuando alguien viene a decir que una de las cosas que aceptamos como normales y por eso correctas (tenemos la tendencia para erróneamente correlacionar una cosa con la otra), es una práctica nociva. Y como la mayoría de la gente no quiere ir realmente al fondo de la cuestión, preguntándose verdaderamente sobre el tema, es más fácil ser infantil y disparar como argumentos cosas que no tienen nada que ver con lo que fue declarado por Daniel, como el hecho de él llevar el pelo largo y tener una apariencia poco masculina (¡en serio!,¿ pero qué diablos interesa eso para la conversación de los besos a los abuelos?).

Empecemos el ejercicio de pensar realmente sobre el tema. ¿Cuáles son los pros y contras de obligar a un niño a dar un beso a los abuelos, o a cualquier otra persona – ya sea la madre, la tía alejada o el amiguito de la escuela?

Pro: La niña o el niño aprende que se debe saludar a las personas, incluso cuando no apetece, y que saludar tiene que ser a través de contacto físico y alguna intimidad, como la que requiere el beso en la cara. Contra: Arriba está una lección sin pies ni cabeza, primero porque incluso los adultos a veces no saludamos a las personas que conocemos por alguna razón, después porque hay más formas de saludar a las personas sin tener que besar o incluso sin entrar en contacto físico.

Pro: La niña o el niño aprende que debe hacer lo que se le manda y que lo que se le manda hacer es lo correcto, porque los mayores son los que saben. Contra: Pero a veces los mayores no saben todo, no saben lo que pasa dentro de la cabeza del@ niñ@, ni comprenden las razones que él/ella pueda tener para no querer besar a alguien, y esas razones deben ser consideradas tan buenas como las que podamos tener tu y yo como adult@s para no querer besar a alguien (¡imagina que te obligan!). Y sobre todo no me parece tan beneficioso que un@ niñ@ aprenda que lo que los mayores dicen está desde un principio correcto, sin cuestionar. Eso es lo que produce personas que no piensan por las propias cabezas, y no queremos educar a personas así, ¿verdad?

Pro: Enseñamos al@ niñ@ como tener respeto por los mayores. Contra: Coaccionar a alguien a hacer algo no enseña respeto, enseña obediencia ciega.

Pro: La abuela se queda contenta de haber ganado un beso del nieto o de la nieta. Contra: Si le explicamos a la abuela (o a quien sea) porque no obligamos a dar besos quizás ella lo entienda. Y más, si la abuela eventualmente deja de pedir besos al@ niñ@ est@, por iniciativa propia, puede venir a darle más cariño cuando realmente le apetezca, y eso ciertamente hará la abuela más feliz que un beso de raspón por obligación.

Desafío a quien no está de acuerdo que me diga entonces lo que se gana obligando a l@s niñ@s a dar besos a las personas.

Yo no recuerdo que alguna vez me tuvieran que obligar a dar besos a mis abuel@s, creo que siempre lo hice de libre voluntad. Pero recuerdo bien de sí que me hacían dar besos a otras personas, recuerdo principalmente cuando iba con mi abuela por el barrio donde ella vivía, y como siempre que encontraba una amiga me pedía que yo las saludara con un besito. Recuerdo que eran viejitas extrañas para mí, con olores extraños y con bigotes que parecían picar o labios que parecían dejar babas por el camino. Era normal que yo no tuviera ningún interés en besarlas, y en realidad tampoco veo lo que ninguna de las partes ganaba con todo aquel teatro (ni yo, ni mi abuela, ni sus amigas).

Y ahora pueden venir los defensores del “no viene ningún mal al mundo por hacer los niños dar besos a cualquiera que sea” porque, al parecer, yo misma fui obligada y no tuve ningún problema a causa de eso. Y yo digo: ¡Es en eso que ustedes se equivocan!

Lo que voy a compartir a continuación lo saben muy pocas personas. Es un tema que durante mucho tiempo de mi vida me provocó vergüenza, y mucho enojo. En cuanto a la vergüenza hoy en día sé que no soy yo quien la deba sentir, y en cuanto al enojo no está completamente superado, y quizás nunca lo esté.

Cuando era pequeña, un señor que tenía edad para ser mi abuelo insistía en tocarme de manera poco normal – eso era como yo veía la cosa en aquellos tiempos. Hoy sé que él me palpaba en zonas del cuerpo donde quien lo hace es descrito como pedófilo. En la época sólo me parecía extraño, él fingía que me hacía cosquillas para ponerme la mano en el cilo y entre las piernas. O me pedía que me sentara en sus piernas para ‘hacer el caballito’ cuando en realidad lo que hacía era frotarse en mí de una manera que hoy (no en aquella época) reconozco como sexual. Yo veía a este señor varias veces por semana, porque él trabajaba para mi padre y, a pesar de que no tenía discernimiento para juntar dos más dos (literalmente), sólo me hacía aquello cuando no había más adultos cerca. Me enseñaron que los mayores hacían lo correcto, que debía aceptar las demostraciones de cariño de los mayores sin quejarme, y que tenía que respetar a las personas mayores. Eso me hizo aguantar estas prácticas extrañas, que me dejaba muy incómoda, sin hablar del tema a ningún otro adulto porque creía que no había nada que contar.

Hasta que un día este señor nos llamó a mi hermana y a mi, nos llevó para dentro de una pequeña sala de archivo y nos cerró dentro. Me dijo que me quedara quieta de cara hacia la puerta y, con las rodillas dobladas, pues yo todavía era bastante más baja que él, empezó a frotarse en mi culo, con un movimiento de piernas y caderas. Eso finalmente me hizo desconfiar que algo no estaba bien. A pesar de ser tan pequeña ese episodio me provocó mucha vergüenza. Me acuerdo de decir a mi madre llorando que no quería que mi padre me llevara más a su trabajo. A mi madre le pareció extraño porque de normal me gustaba ir allí, porque me entretenía con máquinas de escribir, calculadoras y otros tesoros tecnológicos a los que no tenía acceso en otro sitio. A mucho costo y después de muchas lágrimas, porque yo tenía vergüenza de poner aquel acto en palabras, le conté a mi madre lo que había sucedido y también conté sobre las otras cosas que me hacía y me parecían raras. Mi hermana confirmó mi historia. Yo tenía tanta vergüenza, que le pedí a mi madre que me prometiera que no diría a mi padre que le habíamos contado todo esto. Tenía tanta vergüenza que no podía soportar tener que hablar con mi padre sobre ello si él me lo preguntara directamente. Mi madre habló con mi padre y le dijo que había escuchado una conversación entre mi hermana y yo sobre aquello. Jamás nos volvieron a dejar a solas con aquel señor, pero él continuó allí por muchos más años.

Volviendo a mi enojo. No, no voy a decir quién fue el pedófilo que me molestó cuando yo era niña, ni sé si aquel hombre todavía está vivo, y de todos modos no tengo ninguna prueba más allá de mis memorias. No estoy enojada con mi madre por no haber tomado medidas más asertivas (las que creo que tomaría si estuviera en su lugar hoy), ni con mi padre por no haber intentado percibir realmente lo que había pasado y por haber dejado que aquel hombre continuara trabajando para él. Mucho menos estoy enojada con my abuela que me obligaba a dar besos a otras personas mayores.

Sé que si hubiera sido educada para saber que las intimidades necesitan consentimiento y que no está bien que una persona mayor, sólo por serlo, pueda exigir un cierto nivel de intimidad física conmigo, en vez de aprender que hay que dar besos a los mayores cuando estos me lo piden u otro adulto lo demanda … si hubiera sido educada para respetarme, y luchar para que me respetaran, en vez de tener que respetar a los mayores, sólo por cuestión de edad … si hubiera sido educada para poner a mis deseos y mi comodidad delante de cualquiera que sea la satisfacción (no percibo realmente) que alguien obtiene por conseguir ganar un beso de un@ niñ@ contrariado … si todo esto hubiera ocurrido así y no de la manera que ocurrió, quizás ni siquiera le hubiera dado la primera oportunidad a este hombre para molestarme y quizás nunca tuviera que pasar por todo esto. Hoy todavía pienso que si no me hubiera asustado tanto con aquel último episodio, uno bastante más traumático podía haberse seguido.

Pero yo tampoco me siento enojada por mi educación no haber sido diferente. Lo que realmente me enoja es que en los días de hoy, con toda la información que tenemos, y con personas finalmente dispuestas a hablar abiertamente de estos temas, todavía hay gente que se niega a cuestionar prácticas ‘normales’ sólo porque las cosas se hicieron así toda la vida. Lo que me enoja es que tanta gente que considero inteligente, sin pensar cinco minutos sobre el tema, tuvo la necesidad de repudiar una opinión que sé que es muy válida.

Cuando alguien intenta forzar a l@s niñ@s a saludarme con un beso, soy la primera en decir que no quiero. Y cuando (si alguna vez) tengo hij@s no voy a obligarl@s a dar besos a los abuelos, ni a las tías, ni a mí misma. Si alguien cree que mis crí@s son maleducad@s por no besar a demanda, problema suyo, no creo que el objetivo deba ser criar títeres, sino educar a seres pensantes.

What do queuing and fake news have in common?

What do queuing and fake news have in common? (EN)

¿Qué tienen en común hacer cola y las noticias falsas? (ES)

O que têm em comum uma fila e uma notícia falsa? (PT)

Talvez alguns de vós não saibam que a Tico tem uma certa “alergia” a filas. Mas não é pela fila em si, no sentido em que há que fazer fila e esperar, é porque muitas vezes as filas são filas (e das grandes) porque as pessoas se metem nelas só porque veem que há lá mais pessoas, e que por isso acham que deve ser onde elas também devem estar. Lembro-me de estarmos na Expo98 e de ouvir a minha irmã dizer: “As pessoas são mesmo ovelhas”, ela tinha apenas 10 anos. Eu nessa altura achava que ela estava a exagerar.

Hoje em dia acho que não é correcto ofender as ovelhas… Há umas semanas estivemos as duas numa espécie de congresso. À parte do evento em si estar bastante mal organizado (talvez algum dia escrevamos sobre esse evento), quando chegámos vimos que havia uma fila gigante. Mas a Tico é perita nisto das filas e foi logo averiguar o que se passava. O que se passava era que a maioria das pessoas não tinha percebido que havia 4 filas diferentes lá mais à frente, perto da entrada, e que as pessoas se deviam distribuir, segundo o seu tipo de passe, por cada uma das filas. A maioria das pessoas não se preocupava em ir averiguar (lá mais à frente) porque é que havia uma fila tão grande, elas apenas entravam na fila maior, que era a que acabava mais atrás, e nem se apercebiam que havia outras filas (filas essas que provavelmente eram as que correspondiam aos seus passes de entrada no evento). Este fenómeno acontece onde quer que haja muita gente, e não só em forma de filas.

Na verdade este artigo nem é sobre filas, é sobre a facilidade que as pessoas têm em “ir atrás” ou “seguir o rebanho” de maneira praticamente cega. Porque as pessoas não se questionam! Isto é algo que vejo acontecer prácticamente todos os dias nas redes sociais. Hoje (escrevo este artigo no dia 2 de Dezembro), por exemplo, deparei-me com uma partilha no facebook cujo texto começava com a frase: “O PAN apresentou uma proposta para proibir que os pobres e os sem abrigo pudessem ter animais” e acabava com “Quem não gosta de pessoas não pode gostar de animais!” logo a seguir tinha um link.

Eu, como a maioria das pessoas, tive uma reação imediata, que foi pensar “Que estupidez!!”, e  depois pensei “Como assim o PAN apresentou uma proposta para proibir que os pobres e os sem abrigo pudessem ter animais?”. Só que depois eu fiz algo que muitas das pessoas que partilharam ou comentaram essa publicação não fizerem: cliquei no link!! O link abria um documento com o título “Proposta de Regulamento Municipal do Animal Município de Lisboa”. Um documento que eu me dei ao trabalho de ler, ao contrário das pessoas que se apressaram em partilhar ou comentar demonstrando a sua revolta para com o partido animalista. Nesse documento, onde por acaso o nome do PAN nem aparece em lado nenhum, figuram uma série de propostas de protecção e bem estar animal bastante dentro do que a maioria das pessoas consideraria dentro do bom senso (ora cliquem no link e leiam com os vossos próprios olhos). Em nenhum lado havia algo que dizia que queriam proibir os pobres de ter animais, nem muito menos da leitura daquele documento, que podia nem ser da autoria do PAN, podemos retirar a ideia de que o partido animalista “não gosta de pessoas”.

A publicação em causa tinha sido feita no dia 20 de Novembro e tinha (no momento em que eu escrevia este artigo) 859 comentários, 2715 partilhas e mais de 1860 gostos. E tinha sido feita por um senhor que nitidamente sabe que a maioria das pessoas não se preocuparia em clicar no link e ler o documento. Um senhor que sem dúvida quer denegrir a imagem do PAN, e que de certa forma o conseguiu, de maneira tão simples como escrever umas frases polémicas e colocar um link que figura como fonte daquilo que declara, mas que na realidade sabia que (quase) ninguém ia abrir.

A mesma suposta notícia (com base no tal documento) poderia ter sido: “O PAN apresentou uma proposta que defende que, para ter animais, se devem ter certas condições mínimas para garantir o seu bem estar”. A linguagem é muito importante, como já escrevi num artigo anterior, e a maneira como dizemos as coisas é um exemplo disso, pois uma maneira ou outra podem alterar completamente a resposta que as pessoas têm a uma mesma ideia. O senhor que fez a tal publicação também sabia isso demasiado bem.

Tanto nas filas como nas redes sociais, para nosso próprio bem e para garantir que estamos realmente informad@s, para que não sejamos apenas mais um@ a seguir cegamente o rebanho, devemos sempre verificar o que de facto se passa. Pessoalmente considero que estar bem informad@ não é um privilégio mas sim um dever de cidadania. E perpetuar publicações falsas e tendenciosas é nocivo para tod@s e de facto muito vergonhoso para quem o faz.


What do queuing and fake news have in common? (EN)

Maybe some of you might not know that Tico has a certain “allergy” to queuing. But it is not for the queue itself, in the sense that it is necessary to queue and wait, it is because queues are often formed into queues (and big ones) as people get in them just because and they see that there are more people there waiting and so they think it must be where they should be too. I remember being at the Expo98 and hearing my sister say: “People are so like sheep,” she was only 10 years old. At that point I thought she was exaggerating.

Nowadays I think it is not right to offend the sheep … A few weeks ago we were both in a kind of congress. Apart from the event itself being rather poorly organised (maybe one day we will write about this event), when we arrived we saw that there was a giant queue. But Tico is an expert when it comes to queueing issues and was fast to find out what was going on. What was happening was that most people did not realize that there were four different queues further near the entrance, and that people were to distribute themselves, according to their type of admission ticket, by each of the queues. Most people did not bother to find out why there was such a big queue, they just entered the larger queue, which was the one that ended up further back, and they didn’t even realised that there were other queues (which were probably the ones that matched their entry tickets for the event). This phenomenon happens wherever lots of people come together, and not only in the form of queues.

Actually this article isn’t even supposed to be about queuing, it’s about how easily people engage in “following the herd” in a virtually blind fashion. Because people aren’t used to questioning! This is something I see happen practically every day on social networks. For example, the other day I came upon a post on Facebook whose text began with the phrase: “The PAN party put forward a proposal to prohibit the poor and the homeless from having animals” and ended with “Those who don’t like people can’t love animals!”. At the end of the text there was a link.

Note to non Portuguese readers: PAN : People–Animals–Nature is a Portuguese political party, founded in 2009. Since 2015, they have one seat in the Portuguese parliament.

I had an immediate reaction to the post, as most people did, and thought “How stupid is that!!”, and then I thought “How did PAN put forward a proposal to prevent the poor from having animals?”. But then I did something that many people didn’t: I clicked on the link!! The link would open a document entitled “Proposal for Animal Municipal Regulation of the Municipality of Lisbon”. I then bother myself to read it, unlike all of those who rushed to share or comment on the post, demonstrating their outrage towards the PAN party. This document, where the PAN party name never appears, presents a series of animal protection and welfare proposals, which I’m sure most people would consider within common sense. Nowhere in this document, that might not even be written by PAN, can we find a piece of text that states that they “don’t like people” nor that they have some kind of agenda against the poor or the homeless.  

The post in question had been posted on November 20th and had already (at the time I wrote this article) 859 comments, 2715 shares and more than 1860 likes. And it had been posted by a “gentleman” who clearly knows that most people would not bother clicking on the link and reading the document. A man who undoubtedly wants to denigrate the image of the PAN party, and who somehow managed to do so. In such a simple way as writing some controversial sentences and posting a link that would look like a genuine source of what he declares, but that in reality no one was going to check (and hell, he knew that so well).

The same alleged news (based on such document) could have been: “The PAN party has submitted a proposal that advocates that in order to adopt animals people must have certain minimum conditions to guarantee their well-being.”. Language is very important, as I wrote in a previous article, and the way we say things is very important too because it can completely change the response that others have to the same idea. The “gentleman” who made that post also knew this too well.

Regarding both queues and social networks, for our own good and to ensure that we are really informed, so that we are not just another one blindly “following the herd”, we should always check what is actually happening. Personally I consider that being well informed is not a privilege but a duty of citizenship. And perpetuating false and biased publications is harmful to all and indeed very shameful for the ones who do it.


¿Qué tienen en común hacer cola y las noticias falsas? (ES)

Quizás algun@s de ustedes no sepan qué Tico tiene una cierta “alergia” a filas. Pero no es por la fila en sí, en el sentido en que hay que hacer cola y esperar, es porque muchas veces las filas son filas (y de las grandes) porque las personas se meten en ellas sólo porque ven que allí hay más gente, y por ello creen que es donde ellas también deben estar. Me acuerdo de estar en la Expo98 y escuchar a mi hermana diciendo: “Las personas son como ovejas”, ella tenía sólo 10 años. En ese momento yo creía que ella estaba exagerando.

Hoy en día creo que no está correcto ofender a las ovejas … Hace unas semanas estuvimos las dos en una especie de congreso. A parte del evento en sí estar bastante mal organizado (quizás algún día escribamos sobre ese evento), cuando llegamos vimos que había una cola gigante. Pero Tico es experta en esto de las filas y pronto averiguó lo que pasaba. Lo que pasaba era que la mayoría de la gente no se había dado cuenta que había 4 filas diferentes más allá, cerca de la entrada, y que las personas se tenían que distribuir, según su tipo de bono, por cada una de las filas. La mayoría de la gente no se preocupaba de ir a averiguar (allí un poco más adelante) porque estaba tan grande la cola, ell@s solamente se incorporaban a la fila más larga, que era la que acababa más atrás, y ni siquiera se percibían que había otras filas (filas esas que probablemente eran las que correspondían a sus bonos de entrada en el evento). Este fenómeno ocurre dondequiera que haya mucha gente, y no sólo en forma de filas.

En realidad este artículo ni siquiera va sobre colas, va sobre la facilidad con la que la gente “sigue la manada” a ciegas. ¡Porque la gente no se cuestiona! Esto es algo que veo suceder prácticamente todos los días en las redes sociales. Por ejemplo, hace pocos días vi un ‘post’ en facebook cuyo texto empezaba con la frase: “El partido PAN presentó una propuesta para prohibir que los pobres y los sin techo puedan tener animales” y el texto terminaba con: “A quien no le gusta a la gente no le gustan los animales!” a continuación tenía el enlace.

Nota para l@s lector@s no portugueses: PAN: Personas – Animales – Naturaleza es un partido político portugués, fundado en 2009. Desde 2015, tienen un escaño en el parlamento portugués. Los ideales de este partido son bastante semejantes a los del partido PACMA en España.

Yo, como la mayoría de la gente, tuve una reacción inmediata que fue pensar “¡Qué estupidez !”, y luego pensé: “¿Cómo es posible que PAN haya presentado una propuesta para prohibir que los pobres y los sin techo tengan animales?”. Pero después yo hice algo que la mayoría de personas que compartió y comentó la publicación no hicieron: ¡hice clic en el enlace! El enlace se abriría para un documento titulado “Propuesta de Reglamento Municipal de Animales del Ayuntamiento de Lisboa.”. Luego me di al trabajo de leer dicho documento, también al contrario de todas las personas que se apresuraron a compartir o comentar, demostrando su enojo hacia el partido animalista. En ese documento, donde por casualidad el nombre del PAN no aparece en ninguna parte, figuran una serie de propuestas de protección y bienestar animal bastante dentro de lo que la mayoría de las personas consideraría dentro del sentido común. En ningún lado había algo que decía que querían prohibir a los pobres de tener animales, ni mucho menos de la lectura de ese documento, que puede ni ser de la autoría del PAN, podemos sacar la idea de que al partido animalista “no le gusta a las personas”.

El post del que hablo se había publicado en Facebook el 20 de Noviembre y (en el momento en el que yo escribía este post) tenía 859 comentarios, más de 1860 “me gusta” y había sido compartido 2715 veces. Y había sido publicado por un señor que nítidamente sabe que la mayoría de la gente no se preocuparía por hacer clic en el enlace ni leer el documento. Un señor que sin duda quiere denigrar la imagen del PAN, y que de cierta forma lo consiguió, de manera tan simple como escribir unas frases polémicas y colocar un enlace que figura como fuente de lo que declara, pero que en realidad sabía que (casi) nadie iba a abrir.

La misma supuesta noticia (con base en dicho documento) podría haber sido: “PAN presentó una propuesta que defiende que, para tener animales, se deben tener ciertas condiciones mínimas para garantizar su bienestar”. El lenguaje es muy importante, como ya he escrito en un artículo anterior, y la forma como decimos las cosas es un ejemplo de ello porque puede cambiar completamente la reacción que las personas tienen a una misma idea. El señor que hizo esa publicación probablemente también lo sabe.

Tanto en las colas como en las redes sociales, para nuestro propio bien y para garantizar que estamos realmente informad@s, para que no seamos sólo un@ más siguiendo ciegamente la manada, debemos siempre verificar lo que de hecho pasa. Personalmente considero que estar bien informad@ no es un privilegio sino un deber de ciudadanía. Y perpetuar publicaciones falsas y tendenciosas es nocivo para todos y de hecho muy vergonzoso para quien lo hace.

Uma questão de obrigação ou escolha…

A question of obligation or choice… (EN)

Una cuestión de obligación o elección… (ES)

Uma questão de obrigação ou escolha… (PT)

Tenho que ir fazer o jantar.
Amanhã tenho que ir trabalhar.
Não posso porque tenho que fazer outras coisas.

Quantas vezes durante o dia repetes as palavras “tenho que”? A tua vida é uma grande soma de “tenho ques”?

Mas será que “tens mesmo que”? “Ter que” indica obrigação. És obrigad@ a fazer todas essas coisas ao longo do dia?

Vamos fazer uma experiência! Escolhe um dia, pode ser amanhã, ou podes começar a partir de agora. Durante esse/este dia troca a expressão “tenho que” pela palavra “quero”. Não só quando falas com outras pessoas, mas especialmente quando falas contigo. Aproveita para vigiar os teus pensamentos e se vires que estás a pensar “tenho que” corrige-te e volta a formular a frase mas com “quero”.   

“Quero ir fazer o jantar” vai ser fácil, mas dizer “Amanhã quero ir trabalhar” pode ser muito difícil para algumas pessoas. Ora aí está a magia!!

Custa-te dizer “quero” porque achas que realmente não queres? Pensa então porque é que fazes as coisas. Continuamos com o exemplo de “ir trabalhar”. Não te esqueças de continuar com o “quero”. Eu ajudo: “Quero ir trabalhar porque quero continuar a ter emprego” boa, continuamos: “Quero ter um emprego porque quero ter um salário ao final do mês” seguinte: “Quero ter dinheiro para pagar as contas, para ir ao cinema, para dar o melhor aos meus filhos, para ir de férias com o meu namorado, para ajudar a minha avó…” Acho que deu para perceber. Já é mais fácil dizer que “queres” ir trabalhar, verdade?

Podemos pensar que são só palavras e que se trata apenas de linguagem, de uma forma de expressão. Mas acredito que a linguagem que usamos pode afectar profundamente a maneira como pensamos e o nosso comportamento. Se não estás convencid@ desafio-te a fazer uma pesquisa rápida no Google sobre estudos publicados sobre o assunto. Mas sobretudo desafio-te a fazer o exercício que proponho acima.

Trocar o “tenho que” pelo “quero” pode ter efeitos secundários surpreendentes. O melhor de todos, infelizmente, é o que faz com que a maioria das pessoas desista de continuar. Perceber que temos as rédeas das nossas vidas não é para tod@s. Ao princípio pode parecer desvantajoso. Quando vês que não fazes as coisas por obrigação fica difícil culpar os outros, o tempo, o governo, a situação em que estás, etc.,  e isso pode parecer muito chato à primeira vista. Mas na verdade é empoderador. Pensar que fazemos as coisas por que queremos dá-nos força e ânimo para as fazermos, mas o mais importante é que, ao fazer este exercício, nos apercebemos de quais são as coisas que realmente NÃO queremos fazer. Quando não consegues encontrar razões para querer fazer uma coisa é porque realmente não queres fazê-la. E como há 99,99% de probabilidade de que ninguém te esteja a apontar uma arma à cabeça, então… Adivinha!! Não “tens que” se não “queres”!

Outros efeitos secundários podem ser: deixar de fazer coisas que vens fazendo há imenso tempo sem querer e nunca te deste conta; deixar de dar desculpas a ti mesm@ para fazer coisas que realmente queres fazer; começar a procurar maneiras de conseguir o que queres em vez de passar o dia a imaginar o bom que sería se pudesses fazer “x”; deixar de meter pressão em ti mesm@, e naqueles que te rodeiam, com coisas que “têm que” ser feitas; perder algumas rugas na testa; ver o mundo com uns olhos novos; etc.

Adoraria saber o que têm a dizer sobre isto tod@s aquel@s que decidiram fazer a experiência. Mudou alguma coisa? O quê? Algum “efeito secundário” não mencionado que valha a pena contar? Podes nos escrever de forma privada, através do formulário de contacto ,ou pública, comentando abaixo ou na nossa página de facebook.


Una cuestión de obligación o elección… (ES)

Tengo que ir hacer la cena.
Mañana tengo que ir a trabajar.
No puedo porque tengo otras cosas que hacer.

¿Cuántas veces al largo del día repites las palabras “tengo que”? ¿Tu vida es una gran suma de “tengo ques”?

¿Pero será realmente verdad que “tienes que”? “Tener que” indica obligación. ¿Eres obligad@ a hacer todas esas cosas al largo del día?

Vamos hacer un experimento! Elige un día, puede ser mañana, o puedes empezar ahora mismo. Durante ese/este día cambia la expresión “tengo que” por la palabra “quiero”. No solo cuando hables con otras personas, pero especialmente cuando hables contigo mism@. Aprovecha para vigilar tus pensamientos y si ves que estás pensando “tengo que” corrígete y vuelve a formular la frase con el “quiero”.

“Quiero ir hacer la cena” va a ser fácil pero decir “Mañana quiero ir a trabajar” puede ser algo muy difícil para algunas personas. Pues ahí está la magia!

Te es difícil decir “quiero” porque crees que realmente no quieres? Entonces piensa porque lo haces. Seguimos con el ejemplo de “ir a trabajar”. No te olvides de seguir usando el “quiero”. Yo te enseño: “Quiero ir a trabajar porque quiero seguir teniendo un empleo” bien, seguimos: “Quiero tener un empleo porque quiero tener un salario al final de mes” adelante: “Quiero tener dinero para pagar las cuentas, ir al cine, dar lo mejor a mis hijos, irme de vacaciones con mi novio, ayudar a mi abuela…” Creo que ya se entiende. A que ya es más fácil decir “quiero”, verdad?  

Podemos pensar que solo son palabras y que se trata nada más que de lenguaje, de maneras de expresarse. Pues yo creo que el lenguaje que usamos puede afectar profundamente a la manera como pensamos y a nuestro comportamiento. Si no estás de todo convencid@ te propongo que hagas una búsqueda rápida en Google para encontrar estudios publicados sobre ello. Pero sobretodo te desafío a que intentes el experimento del que hablo arriba.

Cambiar los “tengo ques” por “quiero” puede tener efectos secundarios sorprendentes. Lo mejor de todos, infelizmente, es también el que más hace que la gente desista del experimento. Compreender que podemos dirigir nuestras propias vidas no es para tod@s. Al principio puede parecer desfavorable. Cuando percibes que no haces las cosas porque estás obligad@ se hace difícil culpar a los demás, al tiempo, al gobierno, a la situación en la que estás, etc., y eso puede parecer molesto a primera vista. Pero en realidad es empoderador. Pensar que hacemos las cosas porque queremos nos dá fuerza y ánimo para hacerlas, pero lo más importante es que, al hacer este ejercicio, nos apercibimos de cuales son las cosas que realmente NO queremos hacer. Cuando no puedes encontrar razones para querer hacer una cosa es porque realmente no quieres hacerla. Y como hay un 99,99% de probabilidad de que no tienes una pistola apuntada a la cabeza… ¿adivina? ¡No “tienes que” si no “quieres”!

Otros efectos secundarios pueden ser: dejar de hacer cosas que vienes haciendo hace mucho tiempo sin querer y nunca te has dado cuenta; dejar de dar disculpas a ti mismo para hacer cosas que realmente quieres hacer; empezar a buscar maneras de conseguir lo que quieres en vez de pasar el día imaginando lo bueno que sería si pudieras hacer “x”; dejar de meter presión en ti mism@, y en aquellos que te rodean, con cosas que “tienen que” ser hechas; perder algunas arrugas en la frente; ver el mundo con unos ojos nuevos; etcétera.

Me encantaría saber lo que tienen que decir sobre esto tod@s aquell@s que decidieron hacer el experimento. ¿Cambió algo? ¿Qué? ¿Algún “efecto secundario” no mencionado que valga la pena contar? Puedes escribirnos de forma privada, a través del formulario de contacto, o pública, comentando abajo o en nuestra página de facebook.