Turning bad into something good

Transformar o mau em algo bom (PT)

Transformar el mal en algo bueno (ES)

Turning bad into something good (EN)

Today I write this words in hopes of helping those who are going or went through some life challenges similar to mine. To inspire them and to give them power to turn their lives upside down if that’s what they need to be happier.

2011.

The worst year of my life. If you have been reading some of our previous articles you know by now how Nico and I lost our mom.  You might know as well how close we were to her, in different ways, and how we kind of depended on her emotionally. Whoever has a deep relationship with their mother know that, despite the cut of the umbilical cord, we remain forever emotionally connected to them. So connected that many of their traumas can be passed onto us. Maybe they can even be the ones causing us traumas (without intending it, of course). In my reality, my mom had her flaws that could get in my nerves, but mostly she was to me the best mother she could be.

Her death was a mix of emotions. Sadness for losing someone that was still quite young that didn’t seem to get to enjoy her life to the fullest. Gratefulness for being able to have her in my life for 23 years. Relief for her not to be in pain anymore. Happiness for being able to move on with my life again after that terrifying year. What seemed to me the end of the world at some point in my life was the push that I needed to venture and do something I considered brave – move abroad. Today I recognize that running away to live in another country was not the bravest thing, in fact the brave action would have been staying there and face the tough life without my mother. It was more convenient to take the easy way out and pretend that my mom never died, never got sick, never existed. Starting a life in another country meant no one knew me, no one knew my story, no one knew to what family I belonged or what tragedy I had witnessed. Pretending that my mom never existed was just a way of protecting myself from sadness and a feeling of powerlessness.  It didn’t really work though. She would visit me in my dreams very often. Or should I say nightmares? I would wake up totally confused and not knowing if she was alive of dead anymore.

With her living us, physically, I felt like it left an emptiness in my heart too. I know this can sound very dramatic but I have no other way of describing it. It was like something was missing.

2016.

When I quit being a victim of that sad story I finally moved on. Of course that story will always be mine but I started to look at it with another eyes. If my mother had never died, I would certainly not be the person I turned into. I would perhaps not have lived abroad for such long periods of time, or felt the need to know who I was and what my mission in this world is, or never felt the need to turn to spirituality and try to understand what life is all about.

I realized that I was the story that I chose to tell. Instead of looking at this story from a victim perspective that felt pity for herself, I chose to rewrite the story of a fortunate person who was freed in order to be a better self and mature. This freedom is more related to not depending on anyone emotionally anymore. Which story is the right one? I don’t know. I only know that I am still here living and my mother is not. I decided to be the happiest I can be for me and for her, because after all, isn’t that what parents want for their kids?

If my mother had not died back in 2011, I don’t know who I would be today. Maybe it would have taken me much longer to experience everything I got to live till this day.

2019.

My heart will never be the same after that feeling of emptiness (that I was describing above). So I felt the urge of finding out how I could fill it in with something else. I learned that it won’t be filled in with someone else’s love. People come and go from our lives, nothing is eternal. Which means that if I replaced that emptiness with someone else’s love, it would most certainly get empty again. Instead I found out that doing what I love and what I think is my life purpose – being good to myself and to others, help others, make their day a better day – fills in this space more and more everyday.

Have you ever turned something bad in your life into something good? Have you ever thought about it? Can you rewrite your story in order to be happier?

Transformar o mau em algo bom (PT)

Escrevo hoje estas palavras na esperança de ajudar aquel@s que estão a passar ou já passaram por algumas desafios nas suas vidas, similares aos meus. Para @s inspirar e dar-lhes força para que virem a sua vida ao contrário se é isso que precisam para serem felizes.

2011.

O pior ano da minha vida. Se já leste alguns dos nossos artigos, saberás como a Nico e eu perdemos a nossa mãe. Talvez saibas também o quão próximas éramos dela, de formas diferentes, e o quanto dependiamos dela a nível emocional. Aquel@s que têm uma relação próxima com as suas mães sabem que, apesar do corte no cordão umbilical, permanecemos para sempre emocionalmente ligad@s a elas. Tão ligad@s que muitos dos seus traumas podem ser passados para nós. Até podem ser elas a causa de alguns dos nossos traumas (sem intenção, claro). Na minha realidade a minha mãe tinha os seus defeitos, que me tiravam do sério, mas apesar disso era a melhor mãe que eu podia ter tido.

A morte dela foi um misto de emoções. Tristeza por ter perdido alguém que tinha muita vivacidade (antes de ficar doente) e parecia não ter aproveitado a vida ao máximo. Gratidão por ter a oportunidade de a ter na minha vida por 23 anos. Alívio por a sua dor ter chegado ao fim. Felicidade por poder andar para a frente com a minha vida depois daquele ano aterrador.

O que parecia para mim o fim do mundo naquele ponto da minha vida, foi o empurrão que eu precisava para me aventurar e fazer algo que eu considerava corajoso – ir morar para fora. Hoje eu reconheço que fugir e ir viver para outro país não foi a coisa mais corajosa que fiz, de facto o acto de valentia teria sido ficar e encarar a vida difícil sem a minha mãe. Foi mais conveniente escolher o caminho fácil e fazer de conta que a minha mãe não tinha morrido, não tinha ficado doente, não tinha existido. Começar uma vida noutro país significava que ninguém me conhecia, ninguém conhecia a minha história, ninguém sabia a que família eu pertencia ou que tragédia eu tinha testemunhado. Fazer de conta que a minha mãe não tinha existido era uma forma de me proteger da tristeza e do sentimento de impotência. Mas isso não resultou completamente. Ela visitava-me nos meus sonhos com frequência. Ou devo dizer pesadelos? Eu acordava completamente baralhada sem saber se ela estava viva ou morta.

A sua partida do plano material deixou um lugar vazio no meu coração. Sei que isto pode soar muito dramático mas não tenho outra forma de o descrever. É como se a partir dali algo me ficou a faltar.

2016.

Finalmente parei de ser a vítima dessa história e deixei-a para trás. Claro que essa será sempre a minha história mas comecei a olhar para ela com outros olhos. Se a minha mãe não tivesse morrido, eu certamente não seria a pessoa que sou hoje. Talvez não tivesse vivido fora por longos períodos de tempo, ou sentisse a necessidade de ir em busca de saber quem sou e qual é a minha missão no mundo, ou não tivesse a necessidade de recorrer à espiritualidade e tentar perceber o que andamos “cá” a fazer.

Descobri que eu era a história que escolhi contar. Em vez de olhar para ela do ponto de vista de vítima que sentia pena de si própria, escolhi reescrever a história de uma pessoa sortuda que ficou livre para ser uma pessoa melhor e amadurecer. Esta liberdade tem mais a ver com não depender de ninguém a nível emocional. Qual é a verdadeira história? Não sei. O que sei é que eu continuo cá a viver e a minha mãe não. Decidi ser o mais feliz possível, por mim e por ela, e no final das contas não é isso que os pais querem para os seus filhos?

Se a minha mãe não tivesse morrido em 2011, não sei quem eu seria hoje. Talvez eu tivesse levado muito mais tempo a experienciar tudo o que vivi até ao dia de hoje.

2019.

O meu coração nunca será o mesmo depois daquela sensação de vazio. Por isso senti a necessidade de procurar uma forma de preencher esse vazio. Aprendi que não será preenchido com o amor de outra pessoa. As pessoas vêm e vão das nossas vidas, nada é eterno. O que significa que se eu preenchesse esse vazio com o amor de outra pessoa, o mais provável era ficar vazio mais tarde, outra vez. Em vez disso, descobri que se eu fizer aquilo que me dá prazer e que acho que é o meu propósito de vida – fazer o bem para mim e para as outras pessoas, ajudá-las e fazer do dia delas um dia melhor – aquele vazio se preenche mais e mais a cada dia.

Já alguma vez transformaste algo mau em algo bom na tua vida? Já alguma vez pensaste em fazê-lo? Consegues re-escrever a tua história para seres mais feliz?

Transformar el mal en algo bueno (ES)

Escribo hoy estas palabras con la esperanza de ayudar a aquell@s que están pasando o ya han pasado algunos desafíos en sus vidas, similares a los míos. Para inspirarl@s y darles fuerza para que vuelvan sus vidas al revés si eso es lo que necesitan para ser felices.

2011.

El peor año de mi vida. Si ya leíste algunos de nuestros artículos, sabrás cómo Nico y yo perdimos a nuestra madre. Quizás sepas también lo cuán cercanas éramos de ella, cada una a su manera, y lo cuán dependientes de ella a nivel emocional éramos. Aquell@ s que tienen una relación cercana con sus madres saben que, a pesar del corte del cordón umbilical, permanecemos para siempre emocionalmente conectad@s a ellas. De esa manera muchos de sus traumas pueden ser pasados ​​a nosotr@s. Hasta pueden ser ellas la causa de algunos de nuestros traumas (sin intención, claro). En mi realidad mi madre tenía sus defectos, que  a veces me volvían loca, pero a pesar de ello fue la mejor madre que yo podía haber tenido.

Su muerte fue una mezcla de emociones. Tristeza por haber perdido a alguien que tenía mucha vivacidad (antes de enfermarse) y parecía no haber aprovechado la vida al máximo. Gratitud por tener la oportunidad de tenerla en mi vida por 23 años. Alivio por su dolor haber terminado. Felicidad por poder caminar adelante con mi vida después de aquel año aterrador.

Lo que parecía para mí el fin del mundo en aquel punto de mi vida, fue el empujón que necesitaba para aventurarme y hacer algo que yo consideraba valiente – ir a vivir fuera del país. Hoy reconozco que huir e ir a vivir a otro país no fue lo más valiente que hice, de hecho el acto de valentía habría sido quedarme y afrontar la vida difícil sin mi madre. Fue más conveniente elegir el camino fácil y hacer de cuenta que mi madre no había muerto, no había enfermado, no había existido. Comenzar una vida en otro país significaba que nadie me conocía, nadie conocía mi historia, nadie sabía a qué familia pertenecía o que tragedia había testificado. Hacer de cuenta que mi madre no había existido era una forma de protegerme de la tristeza y del sentimiento de impotencia. Pero eso no resultó completamente. Ella me visitaba en mis sueños con frecuencia. ¿O debo decir pesadillas? Yo despertaba completamente confundida sin saber si mi madre estaba viva o muerta. Cuando su cuerpo dejó este plano quedó también un lugar vacío en mi corazón. Sé que esto puede sonar muy dramático pero no tengo otra forma de describirlo. Es como si a partir de aquel momento alguna parte de mí se haya perdido.

2016.

Finalmente dejé de ser la víctima de esa historia y la dejé atrás. Claro que esa será siempre mi historia, pero empecé a mirarla con otros ojos. Si mi madre no hubiera muerto, ciertamente no sería la persona que soy hoy. Quizás no hubiera vivido fuera por largos períodos de tiempo, ni sintiera la necesidad de saber quién soy y cuál es mi misión en el mundo, o no tuviera la necesidad de recurrir a la espiritualidad e intentar percibir qual és el significado de todo esto.

Descubrí que yo era la historia que escogiera contar. En vez de mirarla desde el punto de vista de la víctima que sentía pena de sí misma, elegí reescribir la historia de una persona afortunada que se vió libre para ser una persona mejor y más madura. Esta libertad tiene más que ver con no depender de nadie a nivel emocional. ¿Cuál es la verdadera historia? No lo sé. Lo que sé es que sigo viviendo y mi madre no. Decidí ser lo más feliz posible, por mí y por ella, y al final de cuentas no es eso lo que los padres quieren para sus hijos?

Si mi madre no hubiera muerto en 2011, no sé quién sería hoy. Quizás me hubiera llevado mucho más tiempo para experimentar todo lo que he vivido hasta el día de hoy.

2019.

Mi corazón nunca será el mismo después de aquella sensación de vacío. Por eso sentí la necesidad de buscar una forma de llenar ese vacío. Aprendí que no será llenado con el amor de otra persona. La gente viene y va de nuestras vidas, nada es eterno. Lo que significa que si llenara ese vacío con el amor de otra persona, lo más probable era quedarse vacío más tarde, otra vez. En vez de eso, descubrí que si hago lo que me da placer y lo que creo que es mi propósito de vida – hacer el bien para mí y para las otras personas, ayudarlas y hacer del día de ellas un día mejor – aquel vacío se llena más y más cada día.

¿Alguna vez has transformado algo malo en algo bueno en tu vida? ¿Alguna vez has pensado en hacerlo? ¿Puedes reescribir tu historia para ser más feliz?

Histórias de Amor

Love Stories (EN)

Historias de Amor (ES)

Histórias de Amor (PT)

Lembrar-me que o dia de São Valentim é amanhã fez-me pensar um pouco nalguns dos “questionamentos” que tenho exercido sobre o amor e as relações amorosas.

Primeiro Amor

Tive o meu primeiro namorado com 16 anos. Esse namoro durou cerca de 3 anos. A minha primeira relação amorosa marcou-me para a vida (como creio que marcam quase todas as primeiras vezes). Esta relação ensinou-me sobretudo a saber onde estão os meus limites, especialmente porque os esticou até rebentarem. Aos 16 anos tinha um namorado ciumento, possessivo e paranóico. E eu era muito jovem e inexperiente para perceber que a nossa relação não era uma relação amorosa saudável. Aos 17 anos tinha deixado de encontrar-me sozinha com todos os meus amigos do sexo masculino e estava sempre em cheque auto-analisando as minhas acções para com o sexo oposto, não fosse fazer algo que gerasse a desconfiança ou o ciúme do meu namorado. Mas mesmo assim mais dia menos dia acabava a chorar, tendo que me explicar, provar que não tinha feito nada de errado ou pedir desculpas por algo que ele considerasse passível de despertar os seus ciúmes ou paranóia. Perdi-me nesta relação, quando acabou eu tinha 19 anos e já não sabia quem era. Tinha mudado tantas coisas para conseguir manter aquele namoro que quando ele acabou senti-me profundamente esgotada e sem vontade de voltar a ter namorado nem nenhum outro tipo de relação do género. Demorei 2 anos para me reconstruir e para voltar a dar oportunidade ao amor.

Hoje em dia não me arrependo desses 3 anos. Mas questiono-me sobre as coisas que podiam ter feito com que eu me apercebesse antes que aquilo era uma relação tóxica. Lembro-me perfeitamente do momento em que a minha mãe se apercebeu que eu começara a ter uma vida sexual. Primeiro ela entrou em pânico (suponho que seja normal), zangou-se comigo e fez alguma chantagem emocional para, pensava ela, atrasar um pouco o processo. Mas uns dias depois percebeu que aquele não era o melhor caminho, foi aí que nos sentámos para falar como adultas sobre aquilo que ela considerava mais importante: evitar DST’s e gravidezes indesejadas. Hoje sei que teria sido mais proveitosa outro tipo de conversa. Com 16 anos já sabia quase tudo o que havia para saber sobre preservativos. Mas sabia pouco sobre relações amorosas. Porque é que não se fala mais sobre isso em casa? Eu sei que provavelmente, naquela altura, se a minha mãe me perguntasse como era a minha relação com o meu namorado, eu acharia que ela se estava a meter na minha vida e não lhe contaria muito. Mas, e se falar sobre relações (já sejam elas amorosas, de amizade ou de outros tipos) fosse algo mais habitual entre pais e filhos? Provavelmente no dia em que o meu namorado da altura começou a fazer cenas de ciúmes, eu tivesse percebido que aquilo não era bom nem saudável. Neste momento há adolescentes e jovens (e pessoas adultas também) a passar pelo que eu passei ou por outros problemas semelhantes, e aos pais não se lhes ocorre “ter “a conversa” e incluir nela não só os métodos de contracepção mas também falar sobre relacionamentos.

Quando/ se tiver filh@s vou falar com el@s sobre ciúme, possessão, confiança no outro, auto-estima, etc. E quanto às conversas sobre sexo vou-me focar em temas como o consentimento e a importância da intimidade e do prazer partilhado.

Amor Próprio

Até há uns anos atrás sabotava todas as minhas relações pelo facto de precisar delas. Odiava estar sozinha e precisava de ter, além de uma vida social activa, algum tipo de relação íntima que preenchesse o vazio. Todas as minhas relações começavam de forma casual, sem muito compromisso, mas quando eu dava por isso tinha criado uma forte dependência à pessoas com a que tinha um relacionamento naquele momento. Essa dependência fazia de mim alguém que fazia de tudo para agradar a outra pessoa, os gostos da outra pessoa tornavam-se os meus gostos e as minhas vontades deixavam de ter importância. Ao final de algum tempo todas as relações falhavam porque na verdade eu deixava de ser a pessoa pela qual os meus pares se tinham interessado no início.  

Foi há uns anos atrás, depois de mais uma ruptura, que percebi que para meu bem tinha que enfrentar o tal vazio que procurava preencher, percebê-lo e desconstruí-lo para poder estar bem comigo mesma, deixar de “precisar” e de depender das relações amorosas para ser feliz. Hoje em dia tenho alguma dificuldade em perceber como o fiz realmente, porque não foi algo premeditado, nem programado. Acho que simplesmente deixei o vazio existir sem resistir a ele, e depois percebi que não fazia falta ninguém para o preencher e que o amor próprio chegava. Mais do que isso, descobri que sentir-me acompanhada por mim mesma preenchia o vazio realmente e permanentemente. Essa mudança tão subtil a nível interior fez com que a minha maneira de ver as relações (amorosas, familiares, de amizade, profissionais, etc.) mudasse completamente. De facto aquilo que parece uma mentalidade egoísta (pensar que não preciso da companhia constante de outras pessoas para ser feliz) fez com que passasse a pensar mais no que é que posso dar de mim aos outros e menos naquilo que posso obter deles.

Sei que muitas pessoas sentem esse vazio e a necessidade de preenchê-lo. Na verdade a sociedade empurra-nos para isso com histórias sobre “almas gémeas” e “outras metades da laranja”. Aprendemos que as nossas vidas não estão completas, ou até mesmo que não tem sentido até encontrar “@ tal”. A minha experiência diz-me que não é possível ter uma vida completa com outra pessoa se não te sentes preenchido pela tua própria riqueza interior. Porque é que a sociedade te faz acreditar que precisas encontrar “alguém te faça feliz”?

Amor Actual

A relação amorosa que mantenho agora é curiosamente com a mesma pessoa com a qual tive a ruptura que me levou a mudar a minha maneira de ver as relações. Depois da mudança essa pessoa voltou a surgir na minha vida e quando tive que decidir se queria voltar a estar com ela tive este pensamento: “Não preciso desta pessoa para ser feliz, no entanto será que esta relação pode enriquecer as nossas vidas, ajudar-nos a crescer e a melhorar?”. A resposta foi sim.

Com a lição anterior aprendida, apesar de estar com a mesma pessoa que havia estado meio ano antes, a nossa relação passou a ser algo muito diferente daquilo que tinha sido. Além de ter deixado de acreditar na história do príncipe encantado sem o qual a vida da princesa não faz sentido, comecei a questionar outros aspectos das relações comuns. Porque é que os casais “tem” que dormir juntos? – Ironicamente toda vida odiei dormir sozinha, agora é como gosto mais. – Porque é que, a uma certa idade se espera que vivam na mesma casa e porque é que a sociedade faz tanta pressão para isso? – Não acredito que o simples facto de viver juntos seja significado de maior estabilidade na relação. Porque é que a partir do momento que se sabe que temos uma relação ‘séria’ o ‘cônjuge’ fica automaticamente convidado para quase todos os eventos para que a outra pessoa é convidada? E porque é que quando uma pessoa do casal decide comparecer sozinha isso é tido como algo estranho? Afinal as vidas sociais dos casais não tem porque se viver exclusivamente em casal.

Atenção, isto não significa que eu esteja à partida contra todas as convenções sociais sobre as relações dos casais, nem que eu as rejeite todas. Apenas gosto de me questionar sobre elas e decidir quais se adequam realmente à minha vida e quais as que prefiro descartar em vez de simplesmente as aceitar todas.

Que perguntas te fazes sobre o amor, sobre as relações, sobre a maneira como se fala delas e sobre as convenções sociais que muitas vezes as delimitam?

Paradoxalmente, a capacidade de estar sozinho é a condição para a capacidade de amar.― Erich Fromm, A Arte de Amar


 

Historias de amor (ES)

Recordarme que el día de San Valentín es mañana me hizo pensar un poco sobre algunos de los “cuestionamientos” que he ejercido acerca del amor y las relaciones amorosas.

Primero Amor

Tuve mi primer novio con 16 años. Esta relación duró cerca de 3 años. Mi primera relación amorosa me marcó para la vida (como creo que marcan casi todas las primeras). Esta relación me enseñó sobre todo a saber dónde están mis límites, especialmente porque los estiró hasta reventar. A los 16 años tenía un novio celoso, posesivo y paranoico. Y yo era muy joven e inexperta para percibir que nuestra relación no era una relación amorosa sana. A los 17 años había dejado de encontrarme sola con todos mis amigos del sexo masculino y estaba siempre auto-analizando mis acciones hacia el sexo opuesto, no fuera hacer algo que generara la desconfianza o los celos de mi novio. Pero aún así, más día menos día terminaba llorando, teniendo que explicarme, probar que no había hecho nada malo o pedir disculpas por algo que él considerara pasible de despertar sus celos o paranoia. Me perdí en esta relación, cuando acabó yo tenía 19 años y ya no sabía quién era. Había cambiado tantas cosas para conseguir mantener esta pareja que cuando rompimos definitivamente me sentía profundamente agotada y sin ganas de volver a tener novio ni ningún otro tipo de relación del género. Tardé 2 años para reconstruirme y para volver a dar oportunidad al amor.

Hoy en día no me arrepiento de esos 3 años. Pero me questiono sobre las cosas que podían haber hecho com que yo que me diera cuenta antes de que aquello era una relación tóxica. Recuerdo perfectamente el momento en el que mi madre se dio cuenta de que había empezado a tener una vida sexual. Primero entró en pánico (supongo que es normal), se enfadó conmigo e hizo algún chantaje emocional para, pensaba ella, retrasar un poco el proceso. Pero unos días después percibió que aquel no era el mejor camino, fue ahí donde nos sentamos para hablar como adultas sobre lo que ella consideraba más importante: evitar DST’s y embarazos no deseados. Hoy sé que habría sido más provechoso otro tipo de conversación. Con 16 años ya sabía casi todo lo que había para saber sobre preservativos. Pero sabía muy poco sobre las relaciones amorosas. ¿Por qué no se habla más sobre esto en casa? Yo sé que probablemente si, en ese momento, mi madre me hubiera preguntado cómo era mi relación con mi novio, yo pensaría que ella se estaba metiendo en mi vida y no le contaría mucho. Pero, y si hablar sobre relaciones (ya sean ellas amorosas, de amistad o de otros tipos) fuese algo más habitual entre padres e hijos? Probablemente en mismo el día en que mi novio de entonces empezó a hacer escenas de celos, yo habría percibido que aquello no era bueno ni sano. En este momento hay adolescentes y jóvenes (y personas adultas también) a pasar por lo que he pasado o por otros problemas similares, y a los padres no se les ocurre “tener la conversación” e incluir en ella no sólo los métodos de contracepción, sino también hablar sobre las relaciones.

En el caso de que algún día tenga hij@s hablare con el@s sobre celos, posesión, confianza en el otro, autoestima, etc. Y en cuanto a las conversaciones sobre sexo me voy a enfocar en temas como el consentimiento y la importancia de la intimidad y del placer compartido.

Amor Propio

Hasta hace unos años saboteaba todas mis relaciones por el hecho de necesitarlas. Odiaba estar sola y necesitaba tener, además de una vida social activa, algún tipo de relación íntima que llenase el vacío. Todas mis relaciones comenzaban de forma casual, sin mucho compromiso, pero cuando yo me daba cuenta ya había creado una fuerte dependencia a la persona con la que tenía una relación en aquel momento. Esta dependencia hacía de mí alguien que hacía todo para agradar a la otra persona, los gustos de la otra persona se convirtieron en mis gustos y mis voluntades dejaban de tener importancia. Al final de algún tiempo todas las relaciones fallaban porque en realidad yo dejaba de ser la persona por la cual mis parejas se habían interesado al principio.

Fue hace unos años, después de otra ruptura, que percibí que tenía que enfrentar el vacío que buscaba llenar, percibirlo y deconstruirlo para poder estar bien conmigo misma, debía dejar de “necesitar” y de depender de las relaciones amorosas para ser feliz. Hoy en día tengo alguna dificultad en percibir cómo lo hice realmente, porque no fue algo premeditado, ni programado. Creo que simplemente dejé el vacío existir sin resistir a él, y después me di cuenta de que no le falta a nadie para llenarlo y que el amor propio llegaba. Más que eso, descubrí que sentirme acompañada por mí misma llenaba el vacío realmente y permanentemente. Este cambio tan sutil a nivel interior ha hecho que mi manera de ver las relaciones (amorosas, familiares, de amistad, profesionales, etc.) cambiara completamente. De hecho lo que parece una mentalidad egoísta (pensar que no necesito la compañía constante de otras personas para ser feliz) hizo que pasara a pensar más en lo que puedo dar de mí a los demás y menos en lo que puedo obtener de ellos.

Sé que muchas personas sienten ese vacío y la necesidad de llenarlo. En realidad la sociedad nos empuja hacia eso con historias sobre “almas gemelas” y “otras mitades de la naranja”. Aprendemos que nuestras vidas no están completas, o incluso que no tiene sentido hasta encontrar “la persona ideal”. Mi experiencia me dice que no es posible tener una vida completa con otra persona si no te sientes realizado por tu propia riqueza interior. ¿Por qué es que la sociedad te hace creer que necesitas encontrar “alguien te haga feliz”?

Amor Actual

La pareja que mantengo ahora es curiosamente la misma persona con la que tuve la ruptura que me llevó a cambiar mi manera de ver las relaciones. Después del cambio esa persona volvió a surgir en mi vida y cuando tuve que decidir si quería volver a estar con ella tuvo este pensamiento: “No necesito a esta persona para ser feliz, sin embargo será que esta relación puede enriquecer nuestras vidas, ayudándonos a crecer y a mejorar? “. La respuesta fue sí.

Con la lección anterior aprendida, a pesar de estar con la misma persona que había estado medio año antes, nuestra relación pasó a ser algo muy diferente de lo que había sido. Además de haber dejado de creer en la historia del príncipe encantado sin el cual la vida de la princesa no tiene sentido, empecé a cuestionar otros aspectos de las relaciones comunes. ¿Por qué es que las parejas “tienen” que dormir juntas? – Irónicamente toda la vida odié dormir sola, ahora es como me gusta más. – ¿Por qué, a partir de cierta edad, se espera que vivan en la misma casa y por qué la sociedad hace tanta presión para ello? – No creo que el simple hecho de vivir juntos sea significado de mayor estabilidad en la relación. ¿Por qué a partir del momento en que se sabe que tenemos una relación ‘seria’ la pareja queda automáticamente invitada a casi todos los eventos a los que nos han invitado? ¿Y por qué es que cuando una persona de la pareja decide asistir sola a esos eventos la gente lo ve como algo raro? Al final las vidas sociales de las parejas no tienen porque experimentarse exclusivamente en pareja.

Atención, esto no significa que yo esté de antemano contra todas las convenciones sociales sobre las relaciones de las parejas, ni que yo las rechace a todas. Sólo me gusta questionarme sobre ellas y decidir cuáles se adecuan realmente a mi vida y cuáles prefiero descartar, en lugar de simplemente aceptarlas todas.

¿Qué preguntas te haces sobre el amor, sobre las relaciones, sobre la manera como se habla de ellas y sobre las convenciones sociales que muchas veces las delimitan?

Paradójicamente, la capacidad de estar solo es la condición para la capacidad de amar. ― Erich Fromm, El Arte de Amar

A meditative state of mind

Um estado de espirito meditativo (PT)

Un estado de espíritu meditativo (ES)

A meditative state of mind (EN)

Imagine yourself in a room full of people. Around 120 people. Males are sitting on the left side of the room and females on the right side, forming rows. Everybody is sitting facing two masters – the female Master is sitting facing the female’s rows and the male Master faces the male’s rows. Pillows are piled up underneath each individual’s bottom to make a crossed leg position more bearable. There’s silence. So much silence that you don’t have to make any effort to hear the breath of the person sitting right next to you, the drizzling rain outside the door or the singing stomachs of other people. Everyone has their eyes closed. You close your eyes too. The journey starts.

I had researched about meditation, watched some videos, downloaded an app. But somehow I didn’t fully grasped what meditation was all about. I only knew that it was supposed to give you peace of mind, ground you, reduce stress and depression, etc. just like many research articles show. Something so simple such as closing your eyes, sitting in a comfortable position and let go of your thoughts was too hard. I got frustrated at times because nothing seemed to happen. I had read so many testimonials of people that had changed their lives after starting to practice meditation regularly, or started to notice that they could meditate longer and longer each week. Some would even say that they had contacted other entities during meditation. I had so many expectations due to this success stories but I guessed it wasn’t working for me. Maybe meditation wasn’t for everybody. But I didn’t give up on trying.

Back in 2016, still living in Amsterdam, I had an introduction to Mindfulness meditation class. Maybe I needed some guidance and would finally understand how it worked. I remember that in the end of that class, which lasted one hour, the teacher mentioned that she had recently completed a silent retreat that went on for ten days, called Vipassana. I was in awe. It was something so new for me that my first thought was: “why would people want to be in silence and sit still for ten days?”. This was another level! If I couldn’t even sit still, without having a million thoughts in my head, for ten minutes straight, I could not imagine how would it be possible for ten days. Although I had this introduction to meditation class, I didn’t continue practicing it on a regular basis afterwards.

Months later, while traveling in S.E. Asia I met several people that had done Vipassana or were about to do. It got me more curious. Even though this was becoming to me a very well known “thing” that more and more people were talking about, I never asked too much about it nor researched. I knew I would like to do it eventually, in the near future, and wanted to be surprised somehow. I can’t tell why, but if there’s anything that can potentially challenge myself and make me grow as a person and see things from another perspective, I’m on board sooner or later. From the feedback I got, some people liked the experience, others not so much but all of them had learned something from it. I went on and applied for it in Malaysia, however because there were only so many vacancies, I stayed on the waiting list. I ended up not being called and understood that maybe it wasn’t the right time just yet. Instead I figured that maybe was the time for me to give it a go and start meditating without expectations. It would be a good preparation, and less of a shock, for when I would get accepted into a meditation retreat. I did it on-and-off, from five to ten minutes maximum.

One year and a half later I was in Spain doing Vipassana.

Vipassana, which means “to see things as they really are”, is an ancient meditation technique rediscovered by Buddha more than 2500 years ago. It focus on the interconnection between mind and body through self-observation and is teached by S.N. Goenka. This retreats are available worldwide and are donation based to be accessible to everyone.

The first paragraph of this article relates how it all started. I knew that in order to meditate I would be sitting for several hours – about 10h or 11h (with small breaks in between). What I didn’t know, because had not experienced it yet, was how uncomfortable you can get after a couple hours sitting in the same position. Everything hurts on a physical level, you feel itchiness and want to scratch your head, a fly lands on your nose. And you try to focus on the technique and try not to move. Vipassana teaches you equanimity, which is to observe those sensations and not react to them. It’s not easy by any means but it is achievable (even if for brief moments). I learned not only on a physical level that that is possible, but most importantly on a mental level. Anything that happens in your life, good or bad, will pass just like the itchiness in your head does.

Being in silence 24/7 was the best part for me. I couldn’t gossip (a big flaw of mine), meaningless chit-chat didn’t happen, groups didn’t form. Each individual was focused on themselves. Males and females had two different access routes, dorms, canteens and never crossed paths to avoid distractions.  

On the second day of the retreat was my 30th birthday. I obviously didn’t have access to my cell phone and Wi-Fi to receive birthday messages. But during that day, a rainy day, I never stop thinking about the people that I love and love me back. Including those that I miss dearly and are in another dimension but, I believe, are still in my life. A massive rainbow in the sky smiled at me among the clouds and made my day. Such a simple thing that we don’t do justice to in our day-to-day busy lives but was huge to me in this context.

Everyday in the retreat is basically the same, you even create your own routine. What changes is the level of difficulty that the technique demands every single day. And you start to change as well. It’s a long time spent with yourself, your thoughts, in your head.

After an experience like this, I wish everybody could try it once in life. It’s so uncomfortable to be with our own self for such a long period of time. However, in opposite to what I used to think, I believe that meditation is for everybody. In order to meditate you don’t need to go to a retreat, you don’t need to research and you don’t even need to be sitting with closed eyes. Today I go for long walks to meditate, I wash my dishes or cook in a meditative state. What it means to meditate can vary depending on the technique but there’s not even a need to follow a specific technique. You can simply be present and with every single thought that appears in your mind, you accept it and lay it aside. If another thought comes up, you do the same – you let it aside. And so on and so on. Just by trying to do so, you are already meditating.

Do you practice or have you practiced any kind of meditation? If not, why? Did this article made you at least a little bit curious about meditation or Vipassana?

I leave you with some very interesting scientific data about meditation and some of the effects it can have on your lifestyle and mental health:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

 

Um estado de espirito meditativo (PT)
Imagina-te numa sala cheia de pessoas. Cerca de 120 pessoas. Os homens estão sentados do lado esquerdo da sala e as mulheres do lado direito, formando filas. À frente estão dois mestres – a Mestra está sentada de frente para as filas femininas e o Mestre em frente às filas masculinas.

Há almofadas empilhadas por baixo do rabo de cada indivíduo para que a posição sentada com as pernas cruzadas sejam mais tolerável. Há silêncio. Tanto silêncio que não tens que fazer nenhum esforço para ouvir a respiração da pessoa ao teu lado, o barulho da chuva miudinha lá fora ou os estômagos cantantes de outras pessoas. Todos tem os olhos fechados. Tu fechas os teus olhos também. A viajem começa.

Eu tinha pesquisado sobre meditação, tinha visto alguns vídeos, fiz download de uma app. No entanto não entendia bem o que era de facto a meditação. Só sabia que era suposto dar paz de espírito, fazer-nos estar mais presentes, reduzir stress e depressão, etc. assim como mostram muitos artigos de estudos feitos. Algo tão simples como fechar os olhos, estar sentado numa posição confortável e deixar de lado os pensamentos era demasiado difícil. Por vezes sentia-me frustrada porque nada parecia acontecer. Tinha lido tantos testemunhos de pessoas que mudaram as suas vidas após começarem a praticar meditação regularmente, ou começaram a notar que conseguiam meditar cada mais e mais tempo a cada semana. Algumas pessoas diziam até que tinham conseguido contactar outras entidades durante a meditação. Eu tinha altas expectativas por saber destas histórias de sucesso e já começava a achar que talvez não estivesse a resultar comigo. Talvez meditação não fosse para toda a gente. Mesmo assim não desisti.

Em 2016, ainda a viver em Amesterdão, fui a uma aula de introdução à meditação “Mindfulness”. Talvez o que eu precisava era de alguma orientação para perceber finalmente como é que isto funcionava. Lembro-me que no final da aula, que durou uma hora, a professora mencionou que recentemente tinha estado a fazer um retiro de silêncio com a duração de dez dias, chamado Vipassana. Eu fiquei pasmada. Era algo tão novo para mim que o meu primeiro pensamento foi: “mas por que raio é que as pessoas querem estar em silêncio e sentadas sem quase se mexerem durante dez dias?”. Isto era um nível muito à frente! Se eu mal conseguia estar sentada, por dez minutos seguidos, sem que milhares de pensamentos me ocorressem na cabeça, não imaginava como era possível fazê-lo por dez dias. Mesmo depois desta aula de introdução à meditação acabei por não praticar com regularidade.

Meses mais tarde, a viajar no Sudeste Asiático, conheci várias pessoas que tinham feito Vipassana ou estavam prestes a fazer. Fiquei com mais curiosidade. Embora para mim isto se tivesse a tornar uma “coisa” conhecida, que cada vez mais pessoas falavam, nunca perguntei muito sobre isso nem fiz muita pesquisa. Sabia que eventualmente gostaria de fazê-lo num futuro próximo e queria surpreender-me de alguma forma. Não sei explicar porquê, mas se houver alguma coisa que me possa desafiar potencialmente, fazer-me crescer como pessoa e ver as coisas de outra perspectiva, eu acabo por querer experimentar mais cedo ou mais tarde. Daquel@s que já tinham feito, ouvi comentários positivos, outros nem tanto, mas tod@s el@s diziam que tinham aprendido alguma coisa. Fui em frente e inscrevi-me no retiro na Malásia mas infelizmente todas as vagas já tinha sido preenchidas e eu fiquei em lista de espera. No fim das contas não fui chamada e percebi que talvez ainda não fosse a hora certa. Em vez disso, pensei que estivesse na hora de dar uma outra oportunidade e começar a meditar sem expectativas. Seria uma boa preparação, e menos chocante, para quando fosse aceite num retiro de meditação. Fi-lo sem grande regularidade, de cinco a dez minutos no máximo.

Um ano e meio depois, estava eu em Espanha a fazer Vipassana.

Vipassana, que significa “ver as coisas como elas realmente são”, é uma técnica de meditação ancestral redescoberta por Buda, há mais de 2500 anos. Foca-se na interconexão entre mente e corpo através de auto-observação e é ensinada por S.N. Goenka. Estes retiros estão disponíveis no mundo inteiro e baseiam-se em doações para seres acessíveis a qualquer pessoa.

O primeiro parágrafo deste artigo relata como tudo começou. Eu sabia que para meditar teria de estar sentada várias horas – cerca de 10h ou 11h (com pequenas pausas). O que eu não sabia, porque nunca tinha experienciado, era o quão desconfortável te podes sentir umas horas depois de estares sentado na mesma posição. Tudo dói a nível físico, sentes comichão e queres coçar a cabeça, uma mosca aterra no teu nariz. E tu tentas-te focar na técnica e tentas não te mexer. Vipassana ensina-te equanimidade, que é o observar essas sensações sem que reajas a elas. Não é fácil de modo nenhum mas é alcançável (nem que seja por breves momentos). Eu aprendi que isto é possível não só a nível físico, mas mais importante, a nível mental. Tudo o que aconteça na tua vida, bom ou mau, vai passar assim como a comichão na cabeça passa.

Estar em silêncio 24 sob 24 horas foi a melhor parte para mim. Não podia fofocar (um grande defeito meu), não se fazia conversa fiada, não se formavam grupos. Cada indivídu@ estava focad@ nel@ mesm@. Homens e mulheres tinham dois caminhos de acesso, cantinas e dormitórios distintos e nunca se cruzavam para evitar distrações.

No segundo dia do retiro era o meu aniversário de 30 anos. Obviamente não tinha acesso ao meu telemóvel nem WI-FI para receber mensagens de parabéns. Mas durante aquele dia, bem chuvoso, nunca parei de ter em mente as pessoas que amo e me amam a mim. Incluindo aquelas de quem tenho tantas saudades e estão noutra dimensão mas que, acredito eu, estão ainda na minha vida. No céu um arco-íris enorme sorriu pra mim por entre as nuvens e fez o meu dia. Uma coisa tão simples à qual não damos muito valor no nosso dia-a-dia atarefado mas que neste contexto teve muito significado.

Todos os dias no retiro são basicamente iguais, até crias a tua própria rotina. O que se altera é o nível de dificuldade que a técnica demanda a cada dia. E tu começas a mudar também. É muito o tempo que passas contigo mesmo, os teus pensamentos, dentro da tua cabeça.

Depois de uma experiência destas, gostava que todas as pessoas pudessem experimentá-la uma vez na vida. É tão desconfortável estarmos connosco próprios por um longo período de tempo. Ainda assim, contrariando o que eu costumava pensar, acredito que a meditação é sim para toda a gente. Para meditares não precisas de fazer um retiro, não precisas de pesquisar sobre isso e nem precisas de te sentar de olhos fechados. Hoje faço caminhadas longas para meditar, lavou a loiça ou cozinho num estado meditativo. O tipo de meditação pode variar consoante a técnica utilizada mas nem sequer é necessário seguir uma técnica específica. Podes estar simplesmente presente e a cada pensamento que apareça na tua mente, tu aceita-o e deixa-o ir. Se outro pensamento vier fazes o mesmo – deixa-o ir. E assim por diante. Só pelo facto de tentares fazê-lo, já estás a meditar.

Praticas ou já praticaste algum tipo de meditação? Se não, porquê? Este artigo deixou-te um pouco mais curios@ sobre a meditação ou sobre Vipassana?

Deixo-te com os seguintes artigos científicas, muito interessantes acerca da meditação e alguns dos seus efeitos a nível de estilo de vida e saúde mental:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

 

Un estado de espíritu meditativo (ES)

Imagínate en una sala llena de gente. Cerca de 120 personas. Los hombres están sentados en el lado izquierdo de la sala y las mujeres del lado derecho, formando filas. Delante están dos maestros – la Maestra está sentada frente a las filas femeninas y el Maestro frente a las filas masculinas.

Hay cojines apilados debajo del culo de cada individu@ para que la posición sentada con las piernas cruzadas sea más tolerable. Hay silencio. Tanto silencio que no tienes que hacer ningún esfuerzo para oír la respiración de la persona a tu lado, el ruido de la lluvia en el exterior o los estómagos cantantes de otras personas. Todos tienen los ojos cerrados. Tú cierras tus ojos también. El viaje comienza.

Yo había investigado acerca de la meditación, había visto algunos vídeos, descargué una aplicación. Sin embargo, no entendía bien lo que era de hecho la meditación. Sólo sabía que se suponía dar paz de espíritu, hacernos estar más presentes, reducir el estrés y la depresión, etc. así como muestran muchos artículos de estudios hechos. Algo tan simple como cerrar los ojos, estar sentado en una posición cómoda y dejar de lado los pensamientos era demasiado difícil. A veces me sentía frustrada porque nada parecía suceder. Había leído tantos testimonios de personas que cambiaron sus vidas después de comenzar a practicar meditación regularmente, o empezaron a notar que podían meditar cada vez más cada semana. Algunas personas decían hasta que habían logrado contactar a otras entidades durante la meditación. Yo tenía altas expectativas por saber de estas historias de éxito y ya empezaba a pensar que quizás no resultara conmigo. Quizás la meditación no era para todo el mundo. Sin embargo, no desisti.

En 2016, aún viviendo en Amsterdam, fui a una clase de introducción a la meditación “Mindfulness”. Quizás lo que necesitaba era de alguna orientación para percibir finalmente cómo funcionaba. Recuerdo que al final de la clase, que duró una hora, la profesora mencionó que recientemente había hecho un retiro de silencio con la duración de diez días, llamado Vipassana. Me quedé pasmada. Era algo tan nuevo para mí que mi primer pensamiento fue: “¿pero por qué es que la gente quiere estar en silencio y sentada sin moverse durante diez días?”. ¡Esto era un nivel muy por delante! Si yo apenas podía estar sentada por diez minutos seguidos, sin que miles de pensamientos me ocurrieran en la cabeza, no imaginaba cómo era posible hacerlo por diez días. Incluso después de esta clase de introducción a la meditación después terminé por no practicar con regularidad.

Meses más tarde, viajando en el Sudeste Asiático, conocí a varias personas que habían hecho Vipassana o estaban a punto de hacerlo. Me quedé con más curiosidad. Aunque para mí, esto se convirtió en una “cosa” conocida, de la que cada vez más personas hablaban, nunca pregunté mucho sobre ello ni hice mucha investigación. Sabía que eventualmente quisiera hacerlo en un futuro próximo y quería sorprenderme de alguna manera. No sé explicar por qué, pero si hay algo que me pueda desafiar potencialmente, hacerme crecer como persona y ver las cosas desde otra perspectiva, lo probaré tarde o temprano. De l@s que ya lo habían hecho, oí algunos comentarios positivos, otros no tanto, pero tod@s el@s decían que habían aprendido algo. Fui adelante y me inscribí en un retiro en Malasia pero desafortunadamente todas las vacantes ya habían sido llenadas y me quedé en lista de espera. Al final de cuentas no me llamaron y me di cuenta de que quizás no fuera el momento ideal. En vez de eso, pensé que era  la hora de darle otra oportunidad y empezar a meditar sin expectativas. Sería una buena preparación, y menos drástica, para cuando fuera aceptada en un retiro de meditación. Lo hice sin gran regularidad, entre cinco a diez minutos como máximo.

Un año y medio después yo estaba en España haciendo Vipassana.

Vipassana, que significa “ver las cosas como realmente son”, es una técnica de meditación ancestral redescubierta por Buda, hace más de 2500 años. Se centra en la interconexión entre la mente y el cuerpo a través de la auto-observación y es enseñada por S.N. Goenka. Estos retiros están disponibles en todo el mundo y se basan en donaciones para ser accesibles a cualquier persona.

El primer párrafo de este artículo relata cómo empezó todo. Sabía que para meditar tendría que estar sentada varias horas – alrededor de 10h o 11h (con pequeñas pausas). Lo que no sabía, porque nunca había experimentado, era lo incómodo que te puedes sentir después de estar sentado en la misma posición al largo de algunas horas. Todo duele a nivel físico, sientes picor y quieres rascarte la cabeza, una mosca aterriza en tu nariz. Y tú te intentas enfocar en la técnica e intentas no moverte. Vipassana te enseña ecuanimidad, que es el observar esas sensaciones sin reaccionar a ellas. No es fácil pero es alcanzable (ni que sea por breves momentos). He aprendido que esto es posible no sólo a nivel físico, sino también a nivel mental. Todo lo que suceda en tu vida, bueno o malo, pasará así como pasó aquel picor en la cabeza.

Estar en silencio todo aquel tiempo fue la mejor parte para mí. No podía marujear (un gran defecto mío), no se charlava, no se formaban grupos. Cada individu@ estaba enfocado en si mism@. Hombres y mujeres tenían dos caminos de acceso diferentes, cantinas y dormitorios distintos y nunca se cruzaban para evitar distracciones.

En el segundo día del retiro era mi 30º cumpleaños. Obviamente no tenía acceso a mi teléfono móvil ni al WI-FI para recibir mensajes de felicitaciones. Pero durante ese día, bien lluvioso, nunca dejé de tener en mente a las personas que amo y me aman a mí. Incluyendo aquellas que echo mucho de menos y están en otra dimensión pero que, creo yo, todavía están en mi vida. En el cielo un arco iris enorme me sonrió por entre las nubes e hizo mi día. Una cosa tan simple a la que no daría mucho valor en mi día a día en este contexto tuvo mucho significado.

Todos los días en el retiro son básicamente iguales, hasta creas tu propia rutina. Lo que se altera es el nivel de dificultad que la técnica demanda cada día. Y tú empiezas a cambiar también. Es mucho el tiempo que pasas contigo mismo, tus pensamientos, dentro de tu cabeza.

Después de una experiencia de estas, me gustaba que todas las personas pudieran experimentarlo una vez en la vida. Es muy incómodo estar con nosotros mismos por un largo período de tiempo. Sin embargo, contrariando lo que yo solía pensar, creo que la meditación es para todo el mundo. Para meditar no necesitas hacer un retiro, no necesitas investigar sobre ello y no necesitas sentarte con los ojos cerrados. Hoy hago caminatas largas para meditar, friego las vajillas o cocino en un estado meditativo. El tipo de meditación puede variar según la técnica utilizada, pero ni siquiera es necesario seguir una técnica específica. Podrás estar simplemente presente y aceptar cada pensamiento que aparezca en tu mente y dejándolo irse. Si otro pensamiento viene haces lo mismo lo dejar irse. Sólo por el hecho de intentar hacerlo, ya estás meditando.

¿Practicas o has practicado algún tipo de meditación? Si no, ¿por qué? Este artículo te dejó un poco más curios@ sobre la meditación o sobre el Vipassana?

Te dejo con los siguientes artículos científicos, muy interesantes acerca de la meditación y algunos de sus efectos a nivel de estilo de vida y salud mental:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

Ser feliz estando triste

Being happy while feeling sad (EN)

Ser feliz estando triste (ES)

Ser feliz estando triste (PT)

Desde há bastante tempo que a psicologia e a neurociência tentam desvendar os segredos das emoções humanas. Há estudos que apontam para o facto de haver um número reduzido de emoções primárias ou básicas e muitos investigadores (como Turner e Plutchik) pensam inclusivamente que as emoções tiveram um papel muito importante na evolução da nossa espécie. Contudo não existe ainda um consenso geral sobre estes temas. Alguns estudos apontam para vários leques de emoções básicas que variam entre quatro a dez emoções diferentes.

Daquilo que li e aprendi estou bastante confortável com a ideia de que há quatro emoções principais: alegria, tristeza, medo e ira. Acredito que todas as outras emoções mais complexas partam dessas quatro e que nelas podemos encontrar a chave para compreender os nossos estados emocionais.

Muitas vezes estamos tomados por uma dessas emoções sem darmos por isso. Há pouco tempo a Tico escreveu sobre o ciúme e sobre como num momento da sua vida não tinha controlo sobre esse sentimento. Os sentimentos são interpretações conscientes das emoções. O ciúme não é mais que uma interpretação do medo de que a pessoa de quem gostas goste mais de uma terceira pessoa do que de ti.

Infelizmente muitos de nós aprendemos desde cedo a suprimir as nossas emoções mais básicas. Há relativamente pouco tempo, através de muita auto-análise e com alguma ajuda exterior, descobri que tenho uma tendência muito forte para suprimir a tristeza. Essa tendência tem várias razões sendo uma delas o exemplo (ou a falta dele).

Como com todas as outras ferramentas básicas para viver, aprendemos a gerir e controlar as nossas emoções de pequenos e através do exemplo. Não me lembro de ver a minha mãe triste nunca, exceptuando pelo falecimento de entes queridos. A minha mãe era uma mulher trabalhadora, divorciada e com duas filhas para criar. Acho que era um mecanismo de defesa e preservação que ela tinha, uma maneira de se mostrar a ela e aos outros como “forte”. Ela transformava toda a tristeza que pudesse sentir em ira. E mesmo o medo estava sempre um pouco disfarçado de ira, por isso só me lembro dela alegre ou zangada. Na realidade também só vi o meu pai triste uma ou duas vezes embora o tenha visto alegre e zangado muitas mais.

Lamentavelmente a tristeza (assim como o medo) é tida como sinónimo de fraqueza na nossa sociedade e eu, mesmo sabendo que isso não é verdade (que de facto saber lidar com a tristeza e com o medo são sinais de força e maturidade), tenho também tendência para suprimir essa emoção. Assim como fazia a minha mãe, quando um acontecimento me provoca tristeza eu “reciclo” imediatamente a emoção e transformo-a em ira. Não de forma consciente, como disse só há bem pouco tempo me apercebi disto.

Uma das coisas que me fez constatar esta minha dificuldade para lidar com a tristeza foi conhecer uma pessoa que tinha suprimido a ira durante grande parte da sua vida. Esta pessoa tinha nascido numa família bastante diferente da minha, onde o que estava mal visto era exprimir fúria, raiva ou indignação, onde ninguém gritava nem se zangava nunca.

Há pessoas que suprimem as suas emoções de alegria porque cresceram ou vivem em contextos onde estar alegre não parece estar correcto e muitas outras suprimem o medo porque acham que exprimir essa emoção as faz parecer menos corajosas. O que é um facto é que suprimir as emoções cria problemas e desequilíbrios emocionais.

Em muita da bibliografia disponível sobre a questão das emoções básicas “alegria” e “felicidade” são utilizadas como sinónimo e aí é onde eu ouso discordar. Na minha opinião a alegria é sim uma emoção, ou seja um conjunto de reacções físicas e psíquicas que são desencadeadas por um acontecimento (que pode ser interior como uma memória ou exterior como uma discussão). Não considero que a felicidade seja uma emoção mas um estado ou um modo de ser e estar na vida.

Como tal creio que se pode ser feliz e ter momentos tristes ou ser infeliz e estar às vezes alegre pois esses conceitos não são opostos e não se impossibilitam entre si. Para mim a felicidade tem que ver com estar em paz, com um contentamento constante e com aceitar a vida que se desenrola à nossa frente. Por sua vez a alegria está relacionada com divertimento, animação, entusiasmo ou graça.

No meu primeiro artigo falo rapidamente do episódio em que finalmente chorei a morte da minha mãe. Não foi logo a seguir a ela falecer mas sim uns anos depois durante o funeral da mãe de uma grande amiga. Nesse momento sentia-me profundamente triste, pela minha amiga e pela sua irmã (porque sabia bem pelo que elas estavam a passar), pela avó dela (que chorava e gritava de dor, a pobre senhora) e por mim (finalmente não consegui mais aguentar o dique que segurava toda aquela tristeza que guardava dentro). Mas ao mesmo tempo sentia-me em paz, sabia que a minha amiga e a sua família iam ultrapassar a dor, sabia que os finais trazem novos começos, e senti um grande alívio por finalmente deixar aquela tristeza sair cá para fora. Soube que continuava a ser uma pessoa feliz, talvez até mais feliz que antes.

Uma das maiores descobertas dos últimos tempos para mim foi perceber que, para ser mais feliz, uma das coisas na qual tenho que trabalhar é permitir-me mais tristeza. Parece uma contradição, mas não o é. Sei que tenho ainda bastante trabalho pela frente porque continuo a ter bastante dificuldade em lidar com a tristeza mas acho que com afinco lá chegarei mais tarde ou mais cedo.

E tu, tens o hábito de suprimir alguma das quatro emoções básicas ou achas que lidas bem com todas elas? Pensa se há alguma emoção que te faz sentir especialmente desconfortável, se há alguma emoção da qual tendes a fugir. Ou até se, como eu, tens tendência para processar essa emoção transformando-a noutra. Também pensas que a felicidade é algo mais que uma emoção momentânea como a alegria? Ou achas que ambas são o mesmo? Alguma vez te sentiste triste e ao mesmo tempo estavas feliz? Como sempre gostava de saber a tua opinião sobre este assunto.


Ser feliz estando triste. (ES)

Desde hace bastante tiempo que la psicología y la neurociencia tratan de resolver los misterios de las emociones humanas. Hay estudios que apuntan al hecho de que hay un número reducido de emociones primarias o básicas, y muchos investigadores (como Turner y Plutchik) piensan incluso que las emociones desempeñaron un papel muy importante en la evolución de nuestra especie. Sin embargo, no existe todavía un consenso general sobre estos temas. Algunos estudios apuntan a varios abanicos de emociones básicas que varían entre cuatro a diez emociones diferentes.

De lo que he leído y aprendido, estoy bastante cómoda con la idea de que hay cuatro emociones principales: alegría, tristeza, miedo y ira. Creo que todas las otras emociones más complejas parten de esas cuatro y que en ellas podemos encontrar la clave para comprender nuestros estados emocionales.

Muchas veces estamos tomados por una de esas emociones sin saberlo. Hace poco, Tico escribió sobre los celos y sobre cómo en un momento de su vida no tenía control sobre ese sentimiento. Los sentimientos son interpretaciones conscientes de las emociones. Los celos no son más que una interpretación del miedo de que a la persona que te gusta, le guste más una tercera persona que tu.

Desafortunadamente muchos de nosotros hemos aprendido desde temprano a suprimir nuestras emociones más básicas. Hace relativamente poco tiempo, a través de mucho autoanálisis y con alguna ayuda exterior, descubrí que tengo una tendencia muy fuerte para suprimir la tristeza. Esta tendencia tiene varias razones siendo una de ellas el ejemplo (o la falta de él).

Como con todas las otras herramientas básicas para vivir, aprendemos a gestionar y controlar nuestras emociones de pequeños y a través del ejemplo. No recuerdo ver a mi madre triste nunca, excepto por el fallecimiento de seres queridos. Mi madre era una mujer trabajadora, divorciada y con dos hijas para crear. Creo que era un mecanismo de defensa y preservación que tenía, una manera de mostrarse a ella ya los demás como “fuerte”. Ella transformaba toda la tristeza que pudiera sentir en ira. Y también el miedo siempre estaba un poco disfrazado de ira en el caso de mi madre. Por esto sólo me acuerdo de ella alegre o enfadada. En realidad también sólo vi a mi padre triste una o dos veces aunque lo he visto alegre y enfadado muchas más.

Lamentablemente la tristeza (así como el miedo) es tenida como sinónimo de debilidad en nuestra sociedad y yo, aunque sabiendo que eso no es verdad (que de hecho saber lidiar con la tristeza y con el miedo son señales de fuerza y madurez), tengo también tendencia a suprimir esa emoción. Así como hacía mi madre, cuando un acontecimiento me provoca tristeza yo “reciclo” inmediatamente la emoción y la transformo en ira. No de forma consciente, como dije sólo hace poco tiempo me di cuenta de esto.

Una de las cosas que me hizo constatar mi dificultad para lidiar con la tristeza fue conocer a una persona que había suprimido la ira durante gran parte de su vida. Esta persona había nacido en una familia bastante diferente de la mía, donde lo que estaba mal visto era expresar furia, rabia o indignación, donde nadie gritaba ni se enfadaba nunca.

Hay personas que suprimen sus emociones de alegría porque crecieron o viven en contextos donde estar alegre no parece correcto y muchas otras suprimen el miedo porque creen que expresar esa emoción las hace parecer menos valientes. Lo que es un hecho es que suprimir las emociones crea problemas y desequilibrios emocionales.

En mucha de la bibliografía disponible sobre la cuestión de las emociones básicas, “alegría” y “felicidad” se utilizan como sinónimo y ahí es donde yo me opongo a desacuerdo. En mi opinión la alegría sí es una emoción, o sea un conjunto de reacciones físicas y psíquicas que son desencadenadas por un acontecimiento (que puede ser interior como una memoria o exterior como una discusión). Pero no considero que la felicidad sea una emoción sino un estado o un modo de ser y estar en la vida.

Como tal creo que se puede ser feliz y tener momentos tristes o ser infeliz y estar a veces alegre pues esos conceptos no son opuestos y no se impiden entre sí. Para mí la felicidad tiene que ver con estar en paz, con un contentamiento constante y con aceptar la vida que se desarrolla frente a nosotros. A su vez la alegría está relacionada con la diversión, la animación, el entusiasmo o la gracia.

En mi primer artículo hablo rápidamente del episodio en el que finalmente lloré la muerte de mi madre. No fue inmediatamente después de que ella falleciera, sino unos años después durante el funeral de la madre de una gran amiga. En ese momento me sentía profundamente triste, por mi amiga y por su hermana (porque sabía muy bien por lo que estaban pasando), por su abuela (que lloraba y gritaba de dolor, la pobre señora) y por mí (finalmente no pude aguantar más el dique que sostenía toda aquella tristeza que guardaba dentro). Pero al mismo tiempo me sentía en paz, sabía que mi amiga y su familia iban a superar el dolor, sabía que los finales traen nuevos comienzos, y sentí un gran alivio por finalmente dejar que esa tristeza saliera. Supe que seguía siendo una persona feliz, quizás incluso más feliz que antes.

Uno de los mayores descubrimientos de los últimos tiempos para mí fue percibir que para ser más feliz, una de las cosas en las que tengo que trabajar es permitirme más tristeza. Parece una contradicción, pero no lo es. Sé que todavía tengo mucho trabajo por delante porque todavía tengo dificultades para lidiar con la tristeza, pero creo que con ahínco lo lograré más tarde o más temprano.

Y tú, tienes el hábito de suprimir alguna de las cuatro emociones básicas o crees que leídas bien con todas ellas? Piensa si hay alguna emoción que te hace sentir especialmente incómodo, si hay alguna emoción de la que sueles huir. O incluso si, como yo, tienes tendencia para procesar esa emoción transformándola en otra. También piensas que la felicidad es algo más que una emoción momentánea como la alegría? ¿O crees que ambas son lo mismo? ¿Alguna vez te sentiste triste mientras estando feliz? Como siempre quiero saber tu opinión sobre este asunto.

Believe in those who believe in you

Acredita naqueles que acreditam em ti (PT)

Cree en los que creen en ti (ES)

Believe in those who believe in you (EN)

After being away from my own country for seven years, I decided to give it a go and come back for unlimited time. Even more, after being away from my own hometown for thirteen years, I decided to give it a go and see what’s here for me.

Some acquaintances, that know that I was living somewhere else, were curious in the beginning to find out what brought me here. Unknown people, that I have been meeting since my arrival, are in awe once I tell them that I just arrived some months ago, after being away living in other countries. It’s odd to be from a place and not knowing street names, where specific supermarkets are located, where do people my age meet for a drink etc. One of these days, I decided to go on (what I thought was a) shortcut and end up being lost through a tangle of streets and alleys. Was fun!

The second most asked question, done in many different ways, since I came back – after the question “Are you already working?” (Work in progress) – is “What are you doing here?”, “How come you decided to come back?”, “What’s here for you in this lethargic place?”.

I get that I’m living in a small city (very subjective), with a population of about 55 thousand, and obviously there’s less to do here than in a capital city or a bigger city. But those questions kind of threw me off a little. Here I was, quite excited to be back, in peace with my city, looking forward to be with my friends and family but for some reason I felt like “yeah, maybe I don’t belong here”. If my compatriots were the ones questioning my return maybe the truth is that there was nothing here for me.

Then I started my business and some people were very sceptical about it, saying that this area (holistic nutrition) was way too advanced for this city’s mentality. Telling me that it would be very difficult to get clients, that people were not opened enough yet to new ideas. However, that was exactly why I came here in a way, because I wanted to “awake” some people and help them with better choices, to live better lives and thrive.  

On the other hand, I had (have) some friends and family that cheer me up and help me with what they can and I’m truly grateful for their support. That gives me way more power than those people who don’t believe in change.

I choose to believe in those who encourage me in doing what I like instead of getting slammed with negative and outdated mentalities.  So I keep going.

By coming back I never intended to stay here forever. I just wanted to try and see how things are here, what has changed, what’s in trend. I also wanted to experience again having a sunny winter, speaking my own language, being close to friends and family, eating local food, having my own garden with fruits and veggies.  Those are the pros of coming back.

Living abroad connected me to people from all over the world; I grew up as a person by struggling and having to do things on my own; speaking a different language (English) became second nature to me; it made me appreciate the warm and sunny days; I became an outdoorsy person; it made me re-evaluate the way I think continually by meeting new realities; I was stimulated culture wise. Those were the pros of living abroad.

I won’t write about the cons of either living abroad or the cons of being back to my home country, as I don’t want to concentrate on the negative points. Instead I would like to encourage those who have plans to start something new or change something in their lives, to go ahead and focus on what makes them happy. More, surround yourself with the people that love you, encourage you and support you instead with those who don’t believe in your success. Your success will be a way of honouring and thanking those that had your back. And hopefully it will encourage them to pursue their goals too.

 

Acredita naqueles que acreditam em ti (PT)

Depois de estar fora do meu país por sete anos, decidi dar uma oportunidade e voltar por tempo indeterminado. Mais ainda, depois de estar fora da cidade onde nasci por treze anos, decidi dar-lhe uma oportunidade e ver o que há aqui para mim.

Alguns conhecidos, que sabiam que eu tinha vivido fora do país, estavam curiosos no início para saberem o que me trazia aqui. Desconhecidos, com quem privei ao longo destes meses, ficaram estupefactos quando lhes disse que estava a viver fora mas que agora tinha decidido voltar. É estranho ser-se de um sítio e não se saber o nome das ruas, onde ficam certas lojas, onde é que as pessoas da minha idade se encontram para tomar uma bebida etc. Um dia destes, decidi enveredar por o que pensava ser um corta-mato e acabei perdida por ruas e ruelas. Foi engraçado!

A segunda pergunta que mais me fazem desde que cheguei, logo atrás da pergunta “Já arranjaste trabalho?” (Trabalho em curso) é feita de formas diferentes – “O que vieste aqui fazer?”, “Por que motivos decidiste voltar?”, “O que vieste fazer à pasmaceira desta cidade?”.

Compreendo que estou a viver numa cidade pequena (muito subjectivo), com 55 mil habitantes, e obviamente há menos para se fazer aqui do que numa capital ou cidade grande. Mas aquelas perguntas desanimaram-me um pouco. Aqui estava eu, toda animada por estar de volta, em paz com a minha cidade, desejosa de estar com os meus amigos e família mas por alguma razão senti que “bom, talvez eu afinal não pertença aqui”. Se os meus conterrâneos questionavam o meu regresso, talvez não houvesse mesmo nada aqui para mim.

Entretanto comecei o meu negócio e algumas pessoas mostravam-se muito sépticas quanto a isso, diziam que a minha área (nutrição holística) era muito “à frente” para a mentalidade desta cidade. Diziam que seria muito difícil arranjar clientes pois as pessoas não estão ainda abertas a ideias novas. No entanto, era essa uma das razões pela qual eu tinha decidido voltar, porque queria ajudar as pessoas a “despertar” e a fazerem melhores escolhas alimentares para que tivessem uma vida melhor a todos os níveis.

Por outro lado, tinha (e tenho) alguns amigos e familiares que me animam e ajudam como podem e eu estou verdadeiramente grata pelo seu apoio. Isso dá-me muito mais força do que aqueles que não acreditam em mudanças.

Eu escolho acreditar naqueles que me encorajam a fazer o que eu gosto do que nos outros que têm mentalidades retrógradas e negativas. Então continuo em frente.

Voltar para mim nunca significou ficar aqui para sempre. Eu só queria tentar e ver como as coisas estão por aqui, o que mudou, o que está na moda. Queria também lembrar-me do que era um Inverno solarengo, falar a minha língua materna, estar perto de amigos de longa data e familiares, comer coisas locais, ter o meu jardim com frutas e vegetais. Estes são os prós de ter retornado.

Viver noutros países conectou-me com pessoas do mundo inteiro; cresci como pessoa por ter passado algumas dificuldades sozinha; ajudou-me a poder falar uma segunda língua (Inglês) de forma automática; fez-me dar valor aos dias quentes e ao sol; tornei-me numa pessoa que gosta de fazer actividades na natureza; fez-me reavaliar a forma como penso continuamente por ter conhecido realidades tão diferentes da minha; fui estimulada culturalmente. Estes foram os prós de viver fora.

Não escreverei agora sobre os “contras” de viver no meu país ou fora dele pois não me quero centrar em pontos negativos. Em vez disso quero encorajar aquel@s que têm planos para começar algo de novo ou mudar qualquer coisa nas suas vidas, a irem em frente e focarem-se naquilo que os faz feliz. Mais, rodearem-se daqueles que vos amam, encorajam e dão apoio em vez de estarem com aquel@s que não acreditam no vosso sucesso. O vosso sucesso será uma forma de honrar e agradecer aquel@s que acreditaram em vocês. E talvez el@s própri@s se sintam inspirados a correrem atrás dos seus objectivos.

 

Cree en los que creen en ti (ES)

Después de estar fuera de mi país durante siete años, decidí dar una oportunidad y volver por tiempo indefinido. Más aún, después de estar fuera de la ciudad donde nacía por trece años, decidí darle una oportunidad y ver lo que hay aquí para mí.

Algunos conocidos, que sabían que yo había vivido fuera del país, estaban curiosos al principio para saber lo que me traía aquí. Desconocidos, con quienes prive a lo largo de estos meses, se sorprendieron cuando les dije que había estado fuera y que ahora había decidido volver. Es extraño ser de un sitio y no saber el nombre de las calles, donde están ciertas tiendas, donde las personas de mi edad se encuentran para tomar una copa, etc. Un día de estos, decidí emprender por lo que pensaba ser un camino más corto y acabé perdida por calles y callejuelas. ¡Fue divertido!

La segunda pregunta que más me hacen desde que llegué, justo después de la pregunta “¿Ya tienes trabajo?” (Trabajo en curso) se hace de formas diferentes – “¿Qué has venido a hacer aquí?”, “¿Por qué motivos decidiste volver?”, “¿Porque has vuelto a esta ciudad tan parada?”.

Entiendo que estoy viviendo en una ciudad pequeña (muy subjetivo), con 55 mil habitantes, y obviamente hay menos cosas que hacer aquí que en una capital o ciudad grande. Pero esas preguntas me desanimaron un poco. Aquí estaba yo, toda animada por haber vuelto, en paz con mi ciudad, deseosa de estar con mis amigos y familia, pero por alguna razón sentí que “bueno, tal vez yo no pertenezca aquí”. Si mis compatriotas cuestionaban mi regreso, quizás no hubiera nada aquí para mí.

Después empecé mi propio negocio y algunas personas se mostraban muy sépticas en cuanto a eso, decían que mi área (nutrición holística) estaba muy “por delante” para la mentalidad de esta ciudad. Dijeron que sería muy difícil conseguir clientes porque la gente no está todavía abierta a nuevas ideas. Sin embargo, esa era una de las razones por las que había decidido volver, porque quería ayudar a la gente a “despertar” y hacer mejores elecciones alimentarias para que tuvieran una vida mejor a todos los niveles.

Por otro lado, tenía (y tengo) algunos amigos y familiares que me animan y ayudan como pueden y estoy realmente agradecida por su apoyo. Esto me da mucho más fuerza que los que no creen en los cambios.

Yo elijo creer en aquellos que me animan a hacer lo que me gusta y no en los demás que tienen mentalidades retrógradas y negativas. Entonces sigo adelante.

Volver a mí cuidad nunca significó quedarme aquí para siempre. Sólo quería intentar y ver cómo las cosas están por aquí, lo que cambió, lo que está de moda. Quería también recordarme lo que era un invierno soleado, hablar mi lengua materna, estar cerca de los amigos de siempre y de mi familia, comer platos tradicionales, tener mi huerto con frutas y verduras. Estos son los pros de haber regresado.

Vivir en otros países me conectó con personas de todo el mundo; crecí como persona por haber pasado algunas dificultades sola; me ayudó a poder hablar una segunda lengua (Inglés) de forma automática; me hizo dar valor a los días calientes y al sol; me he converti en una persona que le gusta hacer actividades en la naturaleza; me hizo reevaluar mi forma de pensar continuamente por haber conocido realidades tan diferentes de la mía; me estimuló culturalmente. Estos fueron los pros de vivir fuera.

No escribiré ahora sobre los “contras” de vivir en mi país o fuera de él porque no quiero centrarme en puntos negativos. En vez de eso quiero animar a aquell@s que tienen planes para comenzar algo nuevo o cambiar cualquier cosa en sus vidas, a seguir adelante y enfocarse en lo que les hace felices. Más, os animo a rodearse de aquellos que os quieren, alientan y dan apoyo en vez de estar con aquellos que no creen en vuestro éxito. Vuestro éxito será una forma de honrar y agradecer a los que creyeron en vosotr@s. Y quizás ellos mismos se sientan inspirados a perseguir sus objetivos.

My mixed feelings about Xmas

My mixed feelings about Xmas (EN)

Mis sentimientos encontrados con relación a Navidad (ES)

Os meus sentimentos contraditórios com relação ao Natal (PT)

O Natal está mesmo à porta. Esta celebração, de uma forma ou de outra, costuma estar carregada de emoções. Para umas pessoas é um momento melancólico porque as recorda de todas as pessoas que já não estão presentes na mesa da ceia; para outras é um stress, uma azáfama quer seja pela correria para comprar presentes ou pela preparação da comida; para outras pessoas é um momento esperado pois é a única altura do ano em que veem alguns membros da família que vivem longe; para outras ainda esta festa cria muita ansiedade pois vão ter que dividir a mesa com membros da família com os quais não se dão muito bem; para algumas pessoas é um momento mesmo especial pois podem ver a felicidade na cara dos mais novos ao abrir os presentes e quase como que relembrar o que elas próprias sentiam nesse momento.

O Natal pode significar um montão de coisas diferentes e os rituais de cada família também variam. Já te questionaste o que significa o Natal para ti? Que sentimentos traz à tona? E quais são mais positivos ou menos?

Para mim o Natal tem dois lados.

Um deles é o lado que me dá alegria e que tem a ver com o facto de que, durante 2 dias (24 e 25 de Dezembro), consigo estar algumas horas com todos os membros da minha família mais próxima. Sempre aguardei com entusiasmo as reuniões familiares e agora que vivo longe de toda a família ainda mais.

O outro é o lado que me traz muita tristeza. É saber que esta é a altura do ano em que o maior número de animais são mortos para que algumas pessoas satisfaçam a sua gula. Que se cozinha cabrito sem pensar que aquele ser era um bebé por desmamar, que se prepara o bacalhau sem pensar na morte dolorosa e angustiante que possibilitou a sua chegada à travessa, que se recheiam perus sem ter em conta que eles são animais sociais que criam verdadeiros laços uns com os outros.

Por um lado quero desfrutar destes momentos preciosos com a minha família, e celebrar a paz e o amor conforme pede a festividade. Por outro não consigo, nem quero, ignorar os cadáveres que encimam a mesa da ceia e do almoço de Natal.

Apesar de ainda viver num mundo onde a maioria das pessoas ignora o termo “especismo” e de a grande parte das pessoas que eu conheço não serem vegan@s, durante a maior parte do ano consigo ou esquivar-me bastante a situações nas que tenha que ver pessoas comerem pedaços de cadáveres. E quando não me consigo safar tento não pensar muito sobre o assunto. Mas no Natal encontro-me, suponho que como a maioria das pessoas, ainda mais empática o que faz com que viva de maneira mais intensa tanto a parte alegre, como a parte triste.

Para compensar esses sentimentos menos positivos que me traz o Natal tento recordar-me de duas coisas que me trazem alegria e esperança.

A primeira é o facto de não passar por tudo isto sozinha, tenho a sorte gigantesca de estar neste caminho da compaixão e do respeito pelos outros animais com a minha irmã Tico. Podemos segurar a mão uma da outra quando nos sentirmos mais assoberbadas pelas visões macabras da mesa natalícia. Às vezes basta só apenas um cruzar de olhares com a minha irmã para saber que ela está a pensar o mesmo que eu.

A segunda é o facto de saber que, a pouco e pouco, nós também estamos a fazer o nosso papel de sensibilizar um pouco a nossa família para aceitar (já nem digo adoptar) os nossos valores e, quem sabe até, simpatizar com eles. Até há bem pouco tempo provavelmente quase ninguém da nossa família próxima sabia o que era o hummus ou o seitan, nunca tinham experimentado queijos nem chouriços veganos, nunca tinham ponderado preparar um prato vegetal para as reuniões familiares. E todos os anos sinto que se torna cada vez mais fácil.

Este ano, para a ceia de Natal, até vamos preparar o nosso prato principal na casa onde se juntará a família, e dessa forma dar uma mini aula de culinária à base de vegetais. Temos preparada uma receita infalível, que vai deixar bem claro que para ter uma refeição equilibrada e cheia de sabor não fazem falta produtos de origem animal. E para a sobremesa estamos a pensar fazer uma versão vegana de uma das sobremesas que fazíamos sempre com a nossa mãe para esta altura. Tentaremos fazer algumas fotos e depois contaremos como foi 🙂 .

Também tens sentimentos contraditórios com relação ao Natal? O Natal leva-te a questionar algumas coisas? Como fazes para lidar com isso?


My mixed feelings about Xmas (EN)

Christmas is right around the corner. This celebration, in one way or another, is loaded with plenty of emotions. For some people it is a melancholic moment because it reminds them of all dear ones that are no longer present at supper; to others it’s a massive stress, a bustle due to the rush to buy presents or prepping food; to other people it’s a moment for which they are looking forward as it is the only time of the year when they get to see their family members that live abroad; other people feel anxious at this time of the year because they’ll have to share table with family members with whom they don’t get along; to some people it’s a very special moment because they get to see the happiness “stamped” on youngster’s faces while opening presents, recalling them on how they felt like back in the day.

Christmas has different meanings and every family have their own rituals. Have you ever questioned what does Christmas means to you? What feelings are brought up? And which are more positive or less positive?

To me Christmas has two sides.

One of them is the side that gives me joy and that has to do with the fact that during two days (December 24th and 25th) I’m able to spend some time and be with all my relatives. I’ve always looked forward enthusiastically for family gatherings and now even more so because I live far away from them.

The other side is the one that brings me a lot of sadness. Knowing that this is the time of the year on which the greatest number of animals are killed so that some of us can indulge with gluttony. That a little lamb is cooked without the conscience that that being was a baby yet to be weaned, that codfish is prepped without any awareness of how painful and distressed of a death that that being had to go through before getting to a platter, that turkeys are stuffed with herbs disregarding the fact that they are social animals that bond with each other.

On one hand I want to enjoy those precious moments with my family, celebrating the peace and love according to what this festivity aims for. On the other hand I cannot, nor do I want to, ignore the corpses that lie on supper’s table and Christmas lunch.

Despite living in a world where the majority of people disregard the word “speciesism” and the fact that most of the people that I know are not vegan, I can wriggle for most part of the year to many events on which I would have to see people eating pieces of death bodies. And when I cannot get away, I try to avoid thinking too much about it. But during Christmas I find myself, just like all the others (I reckon), even more empathetic which makes me live both joyful and sad parts in an intense way.

To make up for these less positive feelings that Christmas brings, I try to remind myself of two things that bring me hope and delight.

The first one is the fact that I don’t have to go through all of this by myself, as i have the enormous luck of being in this compassionate path with respect towards all animals together with my sister Tico. We can hold hands when we feel swamped by the gruesome imagery that stands before our eyes on top of the table. Sometimes it only takes an exchange of glances with my sister to know that she is thinking exactly the same as I am.

On the other hand is knowing that, little by little, our role that aims to sensitise our family to accept (it’s not realistic to say adopt) our values and who knows, even sympathise with them. Not long ago, probably many of our family members were not familiarised with foods such as hummus or seitan, nor have they tried vegan cheese or chorizo or even consider preparing a veggie dish to family meetings. And every year I notice that is getting easier.

This year, for Christmas supper, we will prepare our main meal at the location where Christmas will be celebrated and thus giving a mini cooking class where vegetables are on the spotlight. We have planned an infallible recipe, that will clarify that in order to have a balanced meal, full of flavour, no animal products are needed. And for dessert we will try to bake a vegan version of one of our favourite desserts that we always made with our mother in this time of the year. We will take some pictures and share the experience after all 🙂 .

Do you also have mixed feelings when it comes to Christmas? Does Christmas leads you to question anything?  How do you deal with it?


La Navidad a 5 días de distancia. Esta celebración, de una forma u otra, suele estar cargada de emociones. Para una gente es un momento melancólico porque las recuerda de todas las personas que ya no están presentes en la mesa de la cena; para otras es un estrés, un bullicio ya sea por la correría para comprar regalos o por la preparación de la comida; para otras personas es un momento muy esperado pues es la única altura del año en la que ven a algunos miembros de la familia que viven lejos; para otras aún esta fiesta les crea mucha ansiedad pues van a tener que compartir la mesa con miembros de la familia con los que no se llevan muy bien; para algunas personas es un momento bastante especial pues pueden ver la felicidad en la cara de los más jóvenes al abrir los regalos y casi como recordar lo que ellas mismas sentían en ese momento.

La Navidad puede significar un montón de cosas diferentes y los rituales de cada familia también varían. ¿Te has preguntado qué significa la Navidad para ti? ¿Qué sentimientos trae a la superficie? ¿Y cuáles son más positivos o menos?

Para mí la Navidad tiene dos lados.

Uno de ellos es el lado que me da alegría y que tiene que ver con el hecho de que durante 2 días (24 y 25 de diciembre) puedo estar unas horas con todos los miembros de mi familia más cercana. Siempre esperé con entusiasmo las reuniones familiares y ahora, que vivo lejos de toda la familia, aún más.

El otro es el lado que me trae mucha tristeza. Es saber que esta es la altura del año en que el mayor número de animales son muertos para que algunas personas satisfagan a su gula. Que se cocina el cabrito sin pensar que aquel ser era un bebé por desmamar, que se prepara el bacalao sin pensar en la muerte dolorosa y angustiante que posibilitó su llegada a la bandeja, que se rellenan pavos sin tener en cuenta que ellos son animales sociales que crean verdaderos lazos unos con otros.

Por un lado quiero disfrutar de estos momentos preciosos con mi familia, y celebrar la paz y el amor como pide la festividad. Por otro no puedo, ni quiero, ignorar los cadáveres repartidos por las mesas de la cena y de la comida de Navidad.

Aunque todavía vivo en un mundo donde la mayoría de la gente ignora el término “especismo” y que la gran parte de las personas que yo conozco no sean vegan@s, durante la mayor parte del año consigo esquivarme bastante a situaciones en las que tenga que ver a la gente comer trozos de cadáveres. Y cuando no me puedo ahorrar esas visiones intento no pensar mucho sobre el asunto. Pero en la Navidad me encuentro, supongo que como la mayoría de la gente, aún más empática, lo que hace que viva de manera más intensa tanto la parte alegre, como la parte triste.

Para compensar esos sentimientos menos positivos que me trae la Navidad intento recordarme de dos cosas que me traen alegría y esperanza.

La primera es el hecho de no pasar por todo esto sola, tengo la suerte gigantesca de estar en este camino de la compasión y del respeto por los otros animales con mi hermana Tico. Podemos dar las manos cuando nos sentimos más abrumadas por las visiones macabras de la mesa navideña. A veces sólo basta un cruzar de miradas con mi hermana para saber que ella está pensando lo mismo que yo.

La segunda es el hecho de que, poco a poco, nosotros también estamos haciendo nuestro papel de sensibilizar un poco a nuestra familia para aceptar (no sería realista decir adoptar) nuestros valores y, quizá incluso, simpatizar con ellos. Hasta hace poco tiempo probablemente casi nadie de nuestra familia cercana sabía lo que era el hummus o el seitán, nunca habían probado quesos ni chorizos veganos, nunca habían pensado preparar un plato vegetal para las reuniones familiares. Y cada año siento que se vuelve cada vez más fácil.

Este año, para la cena de Navidad, vamos a preparar nuestro plato principal en la casa donde se unirá la familia, y de esa forma daremos una mini clase de cocina a base de vegetales. Hemos preparado una receta infalible, que va a dejar bien claro que para tener una comida equilibrada y llena de sabor no hacen falta productos de origen animal. Y para el postre estamos pensando hacer una versión vegana de uno de los postres que hacíamos siempre con nuestra madre para esta altura. Intentaremos hacer algunas fotos y luego contaremos como fue :).

¿También tienes sentimientos contradictorios con respecto a la Navidad? La Navidad te lleva a cuestionar algunas cosas? ¿Cómo haces para lidiar con eso?

Espelho mágico

Magic mirror (EN)

Espejo mágico (ES)

Espelho mágico (PT)

Espelho meu, espelho meu…

O que pensas quando te olhas ao espelho? Gostas do que vês? Gostavas que algo fosse diferente? Até onde irias para mudar algo no teu aspecto físico? Fazer dieta, fazer mais desporto, mudar os hábitos de alimentação e movimento, fazer um tratamento, passar por uma cirurgia plástica?

Eu sempre fui vaidosa, quem me viu crescer deu por mim mais de uma vez a dançar em frente ao espelho, a fazer caretas, ou simplesmente a admirar o bem que ficava com o vestido novo. Mas a partir da adolescência o espelho deixou de ser tão simpático. Sempre tive uma certa gordurinha abdominal (mesmo quando era criança e tinha as pernas tão magras como dois palitos) mas até aos 14 anos isso não me importava. Apareceram-me varizes aos 16 anos (por causa da pílula contraceptiva, história que deixarei para outro artigo), quando me mudei de Évora (onde vivi até aos 18 anos), para ir viver e estudar em Lisboa, engordei uns 7/ 8 quilos, e já não me lembro quando percebi que tinha celulite. Lembro-me de achar que tinha a cintura pouco marcada e que tinha pouco peito (o que me fazia usar sutiãs “push-up” com enchimento, sem eles sentia que não era ninguém). Lembro-me de não comprar certas peças de roupa porque “me faziam as coxas largas”.

Um conjunto de factores (como a morte da minha mãe, o Yoga e outros dos quais acabarei por falar eventualmente noutros artigos) fez com que chegasse aos 29 com uma total aceitação do meu corpo. Não me lembro do momento em que o espelho deixou de ser um crítico de beleza, até porque acho que não foi da noite para o dia.

O Yoga foi definitivamente um dos fatores que contribuiu para mudar a minha relação com o meu corpo. Uma das características do Yoga é que o praticante deve estar consciente do seu corpo durante a prática. O que muitos professores chamam de “ouvir o teu corpo” é na verdade a melhor ferramenta para manter o equilíbrio entre desafiar o corpo mais um pouco sem abusar e produzir lesões. Esta concentração nas capacidades e limites do meu corpo, durante a hora e meia de cada prática, faz-me reconectar com este instrumento maravilhoso que a natureza me deu.

O Yoga alterou completamente os objectivos que tinha quando praticava outras actividades físicas. Deixei de fazer exercícios abdominais para ter uma barriga mais lisa, para passar a fazê-los para fortalecer o meu centro e poder evoluir dentro da prática. Deixei de querer ter umas pernas mais finas e mais tonificadas e passei a concentrar-me em ter umas pernas mais fortes e mais flexíveis. Deixei, aos poucos, de querer ter um corpo que parecesse assim ou assado, para passar a trabalhar para ter um corpo que pudesse fazer isto ou aquilo. Como ter mais autonomia na hora de levantar e carregar coisas pesadas ou poder chegar a ser uma velhota com muita genica que não precise de ajuda para as tarefas do dia a dia.

O Yoga ensinou-me esta lição mas não precisamos ir tod@s practicar Yoga para a aprender. Basta termos mais consciência dos nossos corpos. Quando te baixares para apertar o sapato, baixa-te lentamente, percebe até onde vai o teu tronco sem dobrares as pernas. Se não consegues chegar aos atacadores então dobra as pernas o suficiente para chegar. E quando estiveres lá em baixo, ouve o teu corpo, percebe o que te diz. Podes fazer isto com outros movimentos, ou fazê-lo enquanto estiveres no ginásio, ou no cross-fit. Até quando estiveres a tomar banho, concentra-te na tua pele e na sua resposta à temperatura da água.

Quando crias uma relação de amizade e confiança com o teu corpo, o que ele parece segundo o reflexo do espelho deixa de importar, o que importa agora é o como te sentes dentro dele.

…quem é mais bela do que eu?

Quantas vezes já ouviram uma amiga dizer “Quem me dera ter um corpo como o da ______”? – Preencher o espaço em branco com o nome de qualquer famosa que seja nacional ou internacionalmente reconhecida como ‘“boazona’”. – Quantas vezes já o pensaste tu? – Falo directamente às mulheres, pois a minha experiência não me permite entender tão bem como os homens vivem estas questões da aceitação do próprio corpo.

Há uns dois ou três anos atrás, falava com uma amiga e ela disse: “Ai, se eu tivesse o corpo da _____…”. A frase acabou aqui claro, acaba sempre. É uma frase que fica suspensa. E fica suspensa porque quem a diz não chega a pensar realmente na outra parte. O “se” é uma conjunção subordinativa condicional, o que significa que, neste contexto, indica uma hipótese. Mas nunca ninguém diz o que aconteceria “se tivesse aquele corpo”. Para surpresa da minha amiga eu decidi perguntar: “Se tivesses o corpo da ______, o quê? O que aconteceria? O que seria diferente?”.

A minha amiga é uma rapariga normal, como uma massa corporal bastante dentro do que é considerado saudável, ela não tem nenhum problema ao nível da mobilidade e faz até desporto e dança. Apesar de não haver realmente nada de errado com o seu corpo, ela não tem o que a nossa sociedade considera um “corpo perfeito”.

Então, de que lhe serviria ter um “corpo perfeito”? De que serve a qualquer um@ de nós? Seríamos tod@s modelos ou atrizes/actores famos@s? Mas e quem não quer ter uma profissão relacionada com a beleza física? Ter um “corpo perfeito” será sinónimo de felicidade? Ou sinónimo de uma vida amorosa de sonho? Basta pensarmos um bocado para percebermos que não, apesar de ser essa a mensagem que recebemos dos meios de comunicação e das redes sociais a toda a hora, ISSO NÃO É VERDADE. E no fundo tod@s o sabemos. Também bastam alguns “clicks” para percebermos que @s que supostamente já têm o “corpo perfeito” estão obcecad@s por mantê-lo, ou, na maioria acham que ainda não o atingiram. Hum… isto parece-me mais uma daquelas buscas intermináveis por um ideal incansável.

Atenção, ninguém está a dizer que devemos deixar de fazer qualquer tipo de exercício físico, nem começar a comer sem qualquer controlo, por que a forma física não importa. Ela importa, importa que estejamos saudáveis, que tenhamos força, que mantenhamos o corpo e flexível e preparado, para aquela corrida até à porta do autocarro que está quase a partir, ou para carregar aquelas caixas da mudança de casa. Para que no futuro tenhamos energía e saúde para brincar com os netos ou para ser @ próxim@ Iron Nun. Importa muito que nos sintamos bem no nosso corpo, que o amemos e respeitemos, até que a morte nos separe… dele.


Espejo mágico (ES)

Espejito, espejito, dime una cosa…

¿Qué piensas cuando te miras al espejo? ¿Te gusta lo que ves? ¿Te gustaría que algo fuera diferente? ¿Hasta dónde irías para cambiar algo en tu aspecto físico? Hacer dieta, hacer más deporte, cambiar los hábitos de alimentación y movimiento, hacer un tratamiento, pasar por una cirugía plástica?

Yo siempre fui vanidosa, quien me vio crecer me encontró más de una vez bailando frente al espejo, o haciendo muecas, o simplemente admirando lo bien que me quedaba el vestido nuevo. Pero a partir de la adolescencia el espejo dejó de ser tan simpático. Siempre tuve una cierta grasa abdominal (incluso cuando era niña y tenía las piernas tan delgadas como dos palillos) pero hasta los 14 años eso no me importaba. A los 16 años me salieron varices (a causa de la píldora anticonceptiva, una historia que dejo para otro artículo), cuando me mudé de Évora (donde viví hasta los 18 años), para ir a vivir y a estudiar en Lisboa, gané unos 7/8 kilos, y ya no recuerdo cuando fué que percibí que tenía celulitis. Me acuerdo pensar que tenía la cintura poco marcada, y que tenía poco pecho (lo que me hacía usar sujetadores ‘push-up’ con ‘relleno’, sin ellos sentía que no era nadie). Me acuerdo de no comprar ciertas prendas porque “me hacían los muslos anchos”.

Un conjunto de factores (como la muerte de mi madre, el Yoga y otros de los cuales acabaré por hablar eventualmente en otros artículos) hizo que llegase a los 29 con una total aceptación de mi cuerpo. No recuerdo el momento en que el espejo dejó de ser un crítico de belleza, incluso porque creo que no fue de la noche a la mañana.

El Yoga fue definitivamente uno de los factores que contribuyó para cambiar mi relación con el cuerpo. Una de las características del Yoga es que el practicante debe ser consciente de su cuerpo durante la práctica. Lo que muchos profesores llaman “oír tu cuerpo” es en realidad la mejor herramienta para mantener el equilibrio entre desafiar al cuerpo un poco más pero sin abusar y producir lesiones. Esta concentración en las capacidades y límites de mi cuerpo, durante la hora y media de cada práctica, me hace reconectar con este maravilloso instrumento que la naturaleza me ha dado.

El Yoga cambió completamente los objetivos que tenía cuando practicaba otras actividades físicas. Dejé de hacer ejercicios abdominales para tener una barriga más lisa, para pasar a hacerlos para fortalecer mi centro y poder evolucionar dentro de la práctica. Dejé de querer tener unas piernas más finas y más tonificadas y pasé a concentrarme en tener unas piernas más fuertes y más flexibles. Dejé, poco a poco, de querer tener un cuerpo que pareciera así o asá, para pasar a trabajar para tener un cuerpo que pudiera hacer esto o aquello. Como tener más autonomía a la hora de levantar y cargar cosas pesadas o poder llegar a ser una vieja con mucha vitalidad y que no necesite ayuda para las tareas del día a día.

El Yoga me enseñó esta lección pero no es necesario practicar Yoga aprenderla. Basta con tener más conciencia de nuestros cuerpos. Cuando te bajes para apretar los zapatos, bájate lentamente, percibe hasta donde va tu torso, sin doblar las piernas. Si no puedes llegar a los cordones, entonces dobla las piernas, pero solo lo suficiente para llegar. Y cuando estés allá abajo, oye tu cuerpo, percibe lo que te dice. Puedes hacer esto con otros movimientos, o hacerlo mientras estés en el gimnasio, o en el cross-fit. Hasta lo puedes hacer mientras que estés duchando, concentrándote en tu piel y en su respuesta a la temperatura del agua.

Cuando creas una relación de amistad y confianza con tu cuerpo, lo que él parece según el reflejo del espejo deja de importar, lo que importa ahora es lo que sientes desde dentro de él.

…¿quién en este reino es la más hermosa?

¿Cuántas veces has escuchado a una amiga decir “Ojalá tuviera el cuerpo como el de ______”? – Rellenar el espacio en blanco con el nombre de cualquier famosa que esté reconocida nacional o internacionalmente como ‘muy buena’. – ¿Cuántas veces lo has pensado tú? – Hablo directamente a las mujeres, porque mi experiencia no me permite entender tan bien como viven los hombres estas cuestiones de la aceptación del propio cuerpo.

Hace unos dos o tres años, hablaba con una amiga y ella dijo: “Ay, si yo tuviera el cuerpo de ______…”. La frase acabó aquí claro, siempre acaba aquí. Es una frase que se suspende. Y queda suspendida porque quien la dice no llega a pensar realmente en la otra parte. El “si” es una conjunción condicional, lo que significa que, en este contexto, indica una hipótesis. Pero nunca nadie dice lo que sucedería “si tuviera ese cuerpo”. Para sorpresa de mi amiga decidí preguntarle: “Si tuvieras el cuerpo de  ______, ¿qué? ¿Qué sucedería? ¿Qué sería diferente?”.

Mi amiga es una chica normal, como una masa corporal bastante dentro de lo que se considera sano, no tiene ningún problema al nivel de la movilidad y hace hasta deporte y danza. A pesar de que no hay realmente nada malo con su cuerpo, no tiene lo que nuestra sociedad considera un “cuerpo perfecto”.

Entonces, ¿de qué le serviría tener un “cuerpo perfecto”? ¿De qué sirve a cualquier@ de nosotr@s? ¿Seríamos tod@s modelos o actrices/actores famos@s? Pero, ¿y quién no quiere tener una profesión relacionada con la belleza física? ¿Tener un “cuerpo perfecto” es sinónimo de felicidad? ¿O sinónimo de una vida amorosa de sueño? Basta pensar un poco para percibir que no, a pesar de ser ese el mensaje que recibimos de los medios de comunicación y de las redes sociales a toda hora, ESO NO ES VERDAD. Y en el fondo tod@s lo sabemos. También bastan algunos “clicks” para percibir que l@s que supuestamente ya tienen el “cuerpo perfecto” están obcecad@s por mantenerlo, o la mayoría creen que aún no lo han alcanzado. Jo … esto me parece una de aquellas búsquedas interminables por un ideal inalcanzable.

Atención, nadie está diciendo que debemos dejar de hacer cualquier tipo de ejercicio físico, ni empezar a comer sin ningún control, por qué la forma física no importa. Si que importa, es importante que estemos san@s, que tengamos fuerza, que mantengamos el cuerpo flexible y preparado para aquella carrera hacia la puerta del autobús que está a punto de salir, o para mover esas cajas de la mudanza de casa. Para que en el futuro tengamos energía y salud para jugar con los nietos o para ser la próxima Iron Nun. Importa mucho que nos sintamos bien en nuestro cuerpo, que lo amemos y lo respetemos, hasta que la muerte nos separe… de él.

The illusion we live in

The illusion we live in (EN)

La ilusión en la que vivimos (ES)

A ilusão em que vivemos (PT)

Quando estava a estudar Nutrição Holística, aprendi com alguns professores sobre casos de estudo de pessoas com transtorno dissociativo de identidade, que tem diferentes doenças consoante a identidade que está em controlo. O caso particular de um homem que tinha diabetes do tipo II com uma personalidade mas não com a outra, atraiu a minha atenção e fui aprofundar os meus conhecimentos nesta matéria. Haviam vários outros casos: uma pessoa que tinha miopia com uma personalidade mas que via perfeitamente com a outra; uma pessoa que tinha erupções cutâneas com uma personalidade e o problema começava a curar ou até desaparecia com a outra personalidade; entre outros exemplos. Estes casos foram estudados, incluindo análises de sangue e outros exames que não poderiam ter sido inventados para a conclusão dos mesmos.
Não era a primeira vez que eu tinha ouvido falar deste tipo de casos mas desta vez fez todo o sentido na minha cabeça. A ciência estava agora a confirmar o que eu já vinha a saber sobre crenças e a realidade. Fez todo o sentido!

Se alguém que têm uma doença e esta desaparece quando sintoniza numa outra realidade, significará que nós conseguimos tod@s melhorar ou curar doenças se alterarmos a nossa realidade? E mais, será que conseguimos começar a mudar as nossas crenças e mentalidade se escolhermos outra realidade?

Há algum tempo atrás, em conversa com  a Nico, cheguei à conclusão de que mesmo criadas e educadas da mesma forma, vivíamos duas realidades diferentes. Dezanove meses é o pouco tempo que nos separa em idade e daí que não consideramos o facto de eu ser mais nova e por essa razão não entender algumas coisas. Para resumir uma longa história e não ser muito específica, chegámos à conclusão de que percepcionávamos os nossos pais de maneiras muito diferentes. Ainda que sabendo as virtudes e defeitos de cada um, acabámos por escolher caminhos díspares que iluminavam ou escureciam essas características. Não é que eu tenha esquecido coisas que a minha irmã se lembra (ou vice-versa), no entanto escolhemos no passado ignorar ou dar menos importância a eventos distintos e dessa forma as nossas memórias foram construídas de formas diferentes.

Os meus pais não eram apenas essas duas realidades distintas mas muitas mais. Essas eram só as nossas. As que nós escolhemos. As realidades que nos moldaram nas pessoas em que mais tarde nos tornamos.

Não só o fizemos com os nossos pais mas também com o resto da família, amigos, comunidade. Assim como todas nós fizemos e continuamos a fazer! Mas como é que tu saberias que o fizeste de modo empírico se não falasses com aqueles que te são mais próximos (especialmente irmãos ou pessoas com idade semelhante)? Provavelmente não saberias. Pensarias que unicamente a tua realidade seria A Realidade. E o que há de mal nisso? Bom, percebendo que há mais realidades que não apenas a tua, mais versões do mundo, vais passar a ter a liberdade de escolher aquela em que queres sintonizar. Porque tens alternativas.

Podemos escolher focarmos-nos no lado negativo das pessoas e coisas, e alimentar estes comportamentos, ou podemos fazer o oposto focando no lado positivo das coisas, pessoas, situações, acontecimentos e por aí fora. Sim, isto parece clichê e muito óbvio. Todos nós já ouvimos isto várias vezes na vida. Mas mudámos algo?

Um exemplo: És despedid@ do teu trabalho e agora estás desempregad@ e com contas para pagar. É um facto. Assim posto, há pelo menos duas realidades alternativas que podes escolher:

      1. A vítima – podes sentir pena de ti própri@, ser miserável com este evento desafortunado, ter medo do futuro. Começar a procurar trabalhos com este sentimento de incerteza e temor, o que certamente levará a mais miséria. Esta baixa vibração vai de encontro a um trabalho ou colegas que têm a mesma energia.
      2. O optimista – podes começar a pensar na grande oportunidade que agora ganhaste de fazer aquelas coisas que estavas a adiar por teres o horário tão preenchido. Podes pensar que lições tiraste desse trabalho que perdeste e dos colegas que tiveste. Podes perceber que aquelas coisas desnecessárias onde gastavas o dinheiro não eram assim tão importantes e assim reduzir as tuas despesas. Podes encontrar uma nova paixão ou uma mais antiga que estava em “stand-by”. Talvez agora até possas criar um trabalho a partir duma dessas paixões ou começar a procurar trabalhos com esta alta vibração, o que irá trazer coisas que alinham com esta energia.

Conforme a realidade que escolheres, vais encontrar evidências para ela. Se estiveres num caminho mais pessimista, vais começar a ver coisas negativas em todo o lado e o oposto acontece quando escolheres seguir um caminho positivo, começando a notar cada vez mais aspectos benéficos.

Claramente que não é tarefa fácil escolher sempre a realidade optimista, porém é algo que se pode praticar. De cada vez que “meteres o pé” na mentalidade de vítima, reconheces prontamente e escolhes outro caminho que não esse.

As contas que se estão a acumular na tua mesa não serão de forma alguma pagas mais rapidamente por teres essa mentalidade negativa nem se procrastinares. E ser positivo nada tem a ver com procrastinar e esperar que uma solução divina venha resolver problemas. Em vez disso, é a mentalidade que te guiará à criatividade e à descoberta de soluções.

Uma vez entendido o conceito desta ideia de que somos nós quem escolhemos as nossas realidades à medida que a vida corre, podemos começar a desconstruir os nosso medos, queixumes e crenças. Quando tomamos as rédeas da nossa vida, a responsabilidade vem incluída e deixamos de culpabilizar os outros quando algo corre mal no nosso percurso. Portanto comecemos a familiarizar-nos com esta ideia.

Está tudo nas nossas mãos. Temos muitas opções. E é tão libertador!

“A vida é uma ilusão óptica. O que tu vês é baseado nas tuas crenças.” – Dr. Joe Vitale

The illusion we live in (EN)
Back when I was studying Holistic Nutrition, I learned from a couple teachers about study cases of people with multiple personality disorder that have different diseases according to the persona they switch to. A particular case about a man that had type II diabetes in one alter but not in the other one caught my attention and I researched more about it. There were studies of more cases: a person that had short sightedness with one personality but could see perfectly well with the other personality; another person that had skin rashes with one personality and would heal them and eventually disappear with the other personality, among many other examples. Those people were studied, blood levels were measured and the results could not be made up.

It wasn’t the first time I heard about these kinds of cases but this time it really made sense in my head. Science was backing up what I already knew about beliefs and reality. It just made sense!

If one has a disease that can disappear when switching to another reality, does that mean that we can all improve and cure diseases if we change our reality? And further, can we start changing our beliefs and mindset by switching to another reality?

Quite some time ago, in conversation with Nico, I came to conclusion that even though we both were raised together and equally educated, we pretty much lived two different realities. Only nineteen months separate us in age and therefore we can’t really say that I was much younger than her and didn’t get the full picture because of that. To cut a long story short and not be very specific, we realised that we perceived our parents in two very different ways. Despite knowing their virtues and faults, we kind of chose different pathways that would light up or darken those features. It’s not that I forgot some things that my sister remembers (or vice-versa), however we chose to ignore or give less importance in the past to different events and therefore our memories were portrayed differently.

My parents were not only those two different realities but many more. Those were our realities. The ones we chose. The realities that shaped us into the people we later became.

We did that with our parents, with our family, our friends, our community. As we all people did and still do! But how would you know that you did it empirically, if you didn’t speak about it with your close relatives (especially with your siblings or people close in age)? You probably wouldn’t. You would think instead that your reality is the only reality. And what’s so bad about it? Well, understanding that there are more realities out there, more versions of the world, we can totally choose the one we want to tune in. Because it gives you options.

We can choose to focus on the negative side of people or things and feed this behaviour or we can do the opposite and focus on the positive side of things, people, situations, happenings and so on. Yes, this seems very cliché and obvious. We all heard this many times in life. But have we done something about it?

An example: you lose your job and now you are unemployed with bills to pay. That’s the fact. Now, there are at least two different realities you can choose:

      1. The victim – you can feel sorry for yourself, be miserable with this unfortunate event, be fearful of the future. Start looking for jobs from a place of fear and uncertainty, which will lead to more misery. That low vibrancy will also make you encounter a job or colleagues with the same vibe.
      2. The optimistic – you can start thinking of what a great opportunity you have now of doing those things you were postponing when you were too busy working. You can think about what lessons you took from that job and colleagues. You can finally see that those things where you were spending your money are maybe not very important and reduce your expenses. You can find a new passion or an old one that was on hold. You can now maybe create a job out of those passions or start looking into new jobs with this high vibrancy, which will bring you something aligning with this vibe.

Whatever reality you follow, you will find evidence for it. If you are on a negative path, you will starting seeing more negative aspects everywhere, whereas if you choose to follow a positive one, more positive things you will notice.

Obviously is not an easy task to choose always the optimistic reality, yet it is something that can be practiced. Every time you enter a victim mindset, you acknowledge it and change the pathway.

The bills that are accumulating in your desk won’t be paid quicker because of a negative mindset nor if you procrastinate. And positivity is not about procrastinating and await for a divine solution for your problems. Instead, is a mindset that will guide you to creativity and solutions.

Once we understand the concept of the idea that we come to choose our different realities along the way, we can start deconstructing our fears, scarcities and beliefs embedded in us. When we take the reins of our life, responsibility comes with it, as we will stop blaming others when something goes wrong in life. Thus, let’s start getting used to this idea.

It’s all in our hands. We have many options. And it is so liberating!

“Life is an optical illusion. What you see is based on your beliefs” – Dr. Joe Vitale

La ilusión en la que vivimos (ES)
Cuando estaba estudiando Nutrición Holística, aprendí con algunos de los profesores sobre casos de estudios de personas con trastorno de identidad disociativo, que tienen diferentes enfermedades según la personalidad que toma el control. El caso particular de un hombre que tenía diabetes del tipo II con una personalidad pero no con la otra, atrajo mi atención y me hizo querer profundizar mis conocimientos en esta materia. Había varios otros casos: una persona que tenía miopía con una personalidad pero que veía perfectamente con la otra; una persona que tenía erupciones cutáneas con una personalidad y el problema empezaba a curarse o hasta desaparecía con la otra personalidad; entre otros ejemplos. Estos casos se estudiaron, incluyendo análisis de sangre y otros exámenes que no podrían haber sido inventados para la conclusión de los mismos.

No era la primera vez que oía hablar de este tipo de casos pero de esta vez hizo todo el sentido en mi cabeza. La ciencia estaba ahora confirmando lo que ya sabía sobre las creencias y la realidad. ¡Hizo todo el sentido!

Si alguien que tiene una enfermedad y esta desaparece cuando se sintoniza en otra realidad, significará que tod@s podemos mejorar o curar enfermedades si alteramos nuestra realidad? Y más, ¿es posible que podamos cambiar nuestras creencias y mentalidad si elegimos otra realidad?

Hace algún tiempo, hablando con Nico, llegué a la conclusión de que, a pesar de criadas y educadas de la misma forma, vivíamos dos realidades diferentes. Diecinueve meses es el poco tiempo que nos separa en edad y por eso no consideramos el hecho de yo ser más joven y por esa razón no haber entendido algunas cosas. Para resumir una larga historia sin ser muy específica, llegamos a la conclusión de que percibíamos a nuestros padres de maneras muy diferentes. Aunque sabiendo las virtudes y defectos de cada uno, acabamos por escoger caminos dispares que iluminaban o oscurecían esas características. No es que yo haya olvidado cosas que mi hermana recuerda (o viceversa), sin embargo escogemos en, el pasado, ignorar o dar menos importancia a eventos distintos, y de esa forma nuestras memorias fueron construidas de formas diferentes.

Mis padres no eran sólo esas dos realidades distintas, pero muchas más. Estas eran sólo las nuestras. Las que elegimos. Las realidades que nos moldearon en las personas en que más tarde nos convertimos.

No sólo lo hicimos con nuestros padres, pero también con el resto de la familia, amigos, comunidad. ¡Así como todos hicimos y seguimos haciendo! Pero ¿cómo sabrías que lo hiciste de modo empírico si no hablas con aquellos que te son más cercanos (especialmente hermanos o personas con edad semejante)? Probablemente no sabrías. Pensarías que sólo tu realidad sería La Realidad. ¿Y qué hay de mal en eso? Bueno, percibiendo que hay más realidades que no sólo la tuya, más versiones del mundo, vas a tener la libertad de escoger aquella en la que quieres sintonizarte. Porque tienes alternativas.

Un ejemplo: Eres despedid@ de tu trabajo y ahora estás desemplead@ y con cuentas para pagar. Es un hecho. Así puesto, hay al menos dos realidades alternativas que puedes elegir:

      1. La víctima – puedes sentir pena por ti mismo, ponerte miserable con este evento desafortunado, tener miedo del futuro.  Puedes buscar trabajos con este sentimiento de incertidumbre y temor, lo que seguramente traerá más miseria. Esta baja vibración va a encontrar un trabajo o colegas que tienen la misma energía negativa.
      2. El optimista – puedes pensar en la gran oportunidad que ahora tienes para hacer aquellas cosas que estabas a posponiendo por tener el horario tan lleno. Puedes pensar en las lecciones tiraste de ese trabajo que perdiste y de los colegas que tuviste. Puedes percibir que esas cosas innecesarias donde gastabas el dinero no eran tan importantes y así reducir tus gastos. Puedes encontrar una nueva pasión o volver a una más antigua que estaba en “stand-by”. Quizás ahora puedas crear un trabajo desde una de esas pasiones o buscar trabajos con esta alta vibración, lo que traerá cosas que se alinean con esta energía.

Según la realidad que elijas, vas a encontrar evidencias para ella. Si estás en un camino más pesimista, vas a empezar a ver cosas negativas en todas partes y lo contrario sucede cuando eliges seguir un camino positivo, empezando a notar cada vez más aspectos beneficiosos.

Sin duda que elegir siempre la realidad optimista no es tarea fácil, pero es algo que se puede practicar. Cada vez que metas el pie en el camino del victimismo, lo reconoces y prontamente escoges otro camino mejor.

Las cuentas, que se están acumulando en tu escritório, no serán pagadas con más rapidez porque tienes esa mentalidad negativa, ni si procrastinas. Y ser positivo nada tiene que ver con procrastinar y esperar que una solución divina venga a solucionar los problemas. En lugar de eso, es una mentalidad te llevará hacia la creatividad y a encontrar nuevas soluciones.

Una vez entendido el concepto de esta idea, de que somos nosotros quienes elegimos nuestras realidades, a medida que la vida ocurre. Podemos empezar a deconstruir nuestros miedos, lamentos y creencias. Cuando tomamos las riendas de nuestra vida, la responsabilidad está incluída y dejamos de culpar a los demás cuando algo malo ocurre en nuestro recorrido. Por lo tanto, comencemos a familiarizarnos con esta idea.

Todo está en nuestras manos. Tenemos muchas opciones. ¡Y es tan liberador!

“La vida es una ilusión óptica. Lo que ves se basa en tus creencias.” – Dr. Joe Vitale

Background music

Background music (EN)

Música de fondo (ES)

Música de fundo (PT)

O que é o sucesso (ou êxito)? Porque é que vivemos preocupad@s ou até mesmo obcecad@s com tê-lo, quando às vezes nem sabemos bem o que significa? Porque é que é tão importante na nossa sociedade ter sucesso? É importante para quem?

Durante muito tempo a obtenção de sucesso foi uma grande preocupação minha. E aposto que já foi, ou ainda é, uma grande preocupação da maioria das pessoas que estão a ler isto. Era uma preocupação daquelas que ‘toca’ na mente lá atrás, como música de fundo. Não estava todo o dia a pensar “tenho que ser bem sucedida”, na verdade acho que não pensava nada parecido. Mas estava constantemente a tentar atingir um ideal, que na verdade era inalcançável. Porque cada vez que atingia um objectivo, imediatamente aparecia outro que afinal é que era realmente importante alcançar.

Essa fome insaciável estava maioritariamente relacionada com o que os outros poderiam pensar sobre mim ou como me poderiam valorizar: que os meus amigos me achassem mais fixe, que os meus colegas que achassem mais competente, que os meus pais tivessem mais orgulho em mim, etc. Mas nunca sentia que aquilo que fazia efectivamente me ajudava a obter a aprovação que procurava.

Esta busca contínua fazia com que tivesse uma sensação de insatisfação constante. Por outro lado havia sempre coisas que eu achava que me levariam a conseguir a aprovação que pretendia, mas eram coisas que por alguma razão forte não queria fazer. Principalmente porque iam contra os meus valores ou contra a minha personalidade.

Um dia ouvi alguém falar sobre esta preocupação com o sucesso e identifiquei-me. E comecei a questionar-me sobre o assunto. Uma das primeiras coisas que fiz foi procurar o significado “oficial” das palavras sucesso e êxito. Partilho contigo a minha descoberta:

Segundo vários dicionários da língua portuguesa “sucesso” significa: aquilo que sucede (= acontecimento); resultado de ação ou empreendimento; o que tem bom resultado, boas vendas ou muita popularidade. E “êxito” define-se como: saída, fim, termo; resultado de uma acção; resultado feliz; celebridade ou popularidade.

Em espanhol apenas a palavra “êxito” (éxito) existe e está oficialmente definida como: resultado feliz de um negócio ou actuação; boa aceitação que tem alguém ou algo; fim ou término de um negócio ou assunto.

Mas foi na definição em inglês da palavra “sucesso” (success) que obtive mais esclarecimento: alcançar os resultados desejados ou esperados; atingir resultados positivos; realização de um objectivo ou propósito; obtenção de fama, riqueza ou status social.

Acho que podemos resumir o conceito em duas ideias chave: por um lado a ideia de um resultado positivo ou de um objectivo cumprido, e por outro a obtenção de popularidade, fama e/ou riqueza.

Isto desmistifica bastante a ideia de sucesso, verdade? Tendo em conta que tenho bastante assumido que ser famosa não me interessa, e ser rica não é um objectivo no qual ponha algum empenho, o que é que me importa desta ideia? Qual é o meu conceito de sucesso? Obtenção de resultados positivos e alcance de objetivos?

Sempre que as coisas às que me proponho têm resultados positivos, e sempre que atinjo objetivos, estou a ser sucedida ou a ter êxito? Mas isso acontece constantemente!

E finalmente a busca terminou.

Uma lista de objetivos cumpridos e resultados positivos dos últimos tempos confirmou a minha suposição. E finalmente senti-me uma pessoa de sucesso.

Acabei por criar um conceito próprio de sucesso que englobava melhor aquilo que passei a sentir como sucesso: viver a vida como a quero viver naquele momento. Periodicamente faço uma revisão do meu sucesso actual. Para tal basta perguntar-me se estou a levar a vida como quero e responder-me sinceramente. Se percebo que a resposta é não, então é porque há coisas que precisam ser mudadas. Coisas específicas e atingíveis que se podem mudar com um prazo mais ou menos previsível ou estimado. Objetivos que, depois de cumpridos, me colocam na vida que quero ter, naquele momento.

“Naquele momento” são palavras chave. Estamos em constante crescimento, mudança, evolução e por isso acho que devemos aceitar que o que queremos da vida também vai mudando. O truque é não ver a vida como um suceder constante de níveis num jogo sem final, mas sim como um conjunto de jogos que ganhas ou perdes (falhar é uma parte importante da vida e ensina-nos mais do que ganhar) sem que nenhum jogo seja mais importante que o anterior. Ou seja, ver o sucesso como um conjunto de sucessos e fracassos acumuláveis e não como algo inatingível.

Comecei também a ver o sucesso dos outros com outros olhos. De repente percebi quantas pessoas sucedidas tinha à minha volta. E percebi que aquelas pessoas que pareciam sucedidas mas realmente estão a jogar o jogo sem fim não o são. Não o são por uma razão muito simples, não se sentem sucedidas, porque o sucesso está lá naquele degrau ainda mais acima. Percebi que sucesso nunca vai chegar se estiveres à espera das outras pessoas para te entregarem o troféu. Tens que ser tu a colocar todas as medalhas ao pescoço, e não importa que os outros não as possam ver ou entender.

Acabo com a partilha de algo mais pessoal: Refletir sobre o sucesso fez-me perceber que estava muito dependente da opinião do meu pai sobre mim, como bitola para o meu sucesso. Na verdade passei uma grande parte da minha vida preocupada em fazê-lo orgulhoso. Em contrapartida eu e o meu pai temos, e sempre tivemos/teremos, maneiras muito diferentes de ver e compreender o mundo e a vida em geral. Percebi que era inútil tentar encontrar algo que o fizesse ter aquela sensação de que eu tinha seguido as suas pegadas e, ao mesmo tempo, me fizesse feliz a mim. Então decidi acreditar que, o que um pai no fundo quer é que @s filh@s sejam felizes. E percebi que me tinha que preocupar com a minha felicidade, que na realidade cada um se deve preocupar com a sua.

Qual é o teu conceito de sucesso? Consideras-te sucedid@?

O sucesso não é a chave para a felicidade. A felicidade é a chave para o sucesso. Se adoras aquilo que fazes, então serás és bem sucedido.  —  Albert Schweitzer (alteração à frase original feita pela Nico)

Fontes:

https://dicionario.priberam.org/sucesso

https://dicionario.priberam.org/%C3%AAxito

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/sucesso

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/%C3%AAxito

http://dle.rae.es/srv/fetch?id=HGAP1jB

https://en.oxforddictionaries.com/definition/success

https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english/success

 


 

Música de fondo (ES)

¿Qué es el éxito? ¿Por qué vivimos preocupad@s o incluso obsesionad@s con tenerlo, cuando a veces ni sabemos bien lo que significa? ¿Por qué es tan importante en nuestra sociedad tener éxito? ¿Es importante para quién?

Durante mucho tiempo la obtención de éxito fue una gran preocupación mía. Y apuesto que ha sido, o aún lo es, una gran preocupación de la mayoría de las personas que están leyendo esto. Era una preocupación de las que ‘toca’ en la mente por detrás, como una música de fondo. No estaba todo el día pensando “tengo que ser exitosa”, en realidad creo que no pensaba nada parecido. Pero estaba constantemente tratando de alcanzar un ideal, que en realidad era inalcanzable. Porque cada vez que acumplia un objetivo, inmediatamente aparecía otro que al final era el que realmente importaba alcanzar.

Este hambre insaciable estaba mayoritariamente relacionado con lo que otros podrían pensar sobre mí o cómo me podrían valorar: que mis amigos me pensaran que yo era guay, que mis colegas de trabajo pensaran que yo era competente, que mis padres tuvieran más orgullo en mí, etc.. Pero nunca sentía que lo que hacía realmente me ayudaba a obtener la aprobación que buscaba.

Esta búsqueda continua hacía que tuviera una sensación de insatisfacción constante. Por otro lado había cosas que yo creía que me llevarían a conseguir la aprobación que pretendía, pero eran cosas que por alguna razón fuerte no quería hacer. Principalmente porque iban contra mis valores o contra mi personalidad.

Un día oí a alguien hablar de esta preocupación con el éxito y me sentí identificada. Entonces empecé a cuestionarme sobre el tema. Una de las primeras cosas que hice fue buscar el significado “oficial” de la palabra éxito. Comparto contigo lo que descubrí:

De acuerdo con varios diccionarios de la lengua portuguesa “éxito” (sucesso/êxito) significa: lo que tiene buen resultado, buenas ventas o mucha popularidad; salida, fin, término; resultado de una acción; resultado feliz; celebridad o popularidad.

En español “éxito” es oficialmente definido como: resultado feliz de un negocio, actuación; buena aceptación que tiene alguien o algo; fin o terminación de un negocio o asunto.

Pero fue en la definición en inglés de la palabra éxito (success) que obtuve más aclaración: alcanzar los resultados deseados o esperados; alcanzar resultados positivos; realización de un objetivo o propósito; obtención de fama, riqueza o status social.

Creo que podemos resumir el concepto en dos ideas clave: por un lado la idea de un resultado positivo o de un objetivo cumplido, y por otro la obtención de popularidad, fama y / o riqueza.

Esto desmitifica bastante la idea de éxito, verdad? Teniendo en cuenta que tengo bastante asumido que ser famosa no me interesa, y ser rica no es un objetivo en el que ponga cualquier empeño, ¿qué me importa de esta idea? ¿Cuál es mi concepto de éxito? Obtención de resultados positivos y alcance de objetivos?

¿Siempre que las cosas a las que me propongo tienen resultados positivos, y siempre que alcanzo objetivos, estoy teniendo éxito o siendo exitosa? ¡Pero eso sucede constantemente!

Y finalmente la búsqueda terminó.

Una lista de objetivos cumplidos y resultados positivos de los últimos tiempos confirmó mi suposición. Y finalmente me sentía una persona de éxito.

Terminé creando un concepto propio de éxito que abarcaba mejor aquello que pasé a sentir como éxito: vivir la vida como la quiero vivir en aquel momento. Periódicamente hago una revisión de mi éxito actual. Para ello basta preguntarme si estoy llevando la vida como quiero, y responderme sinceramente. Si percibo que la respuesta es no, entonces es porque hay cosas que necesitan ser cambiadas. Cosas específicas y alcanzables que se pueden cambiar con un plazo más o menos previsible o estimado. Objetivos que, después de cumplidos, me colocan en la vida que quiero tener, en aquel momento.

“En aquel momento” son palabras clave. Estamos en constante crecimiento, cambio, evolución y por eso debemos aceptar que lo que queremos de la vida también va cambiando. El truco es no ver la vida como un suceder constante de niveles en un juego sin final, sino como un conjunto de juegos que ganas o pierdes (fallar es una parte importante de la vida y nos enseña más que ganar) sin que ningún juego sea más importante que el anterior. Es decir, ver el éxito como un conjunto de éxitos y fracasos acumulables y no como algo inalcanzable.

Comencé también a ver el éxito de otros con otros ojos. De repente me di cuenta de cuántas personas exitosas tenía a mi alrededor. Y me di cuenta que aquellas personas que parecen exitosas, pero realmente están jugando al juego sin fin, no lo son. No lo son por una razón muy simple, no se sienten exitosas, porque el éxito está allí, en aquel escalón aún más arriba. Me di cuenta de que el éxito nunca llegará si esperas que otras personas te entreguen el trofeo. Tendrás que ser tú a poner todas las medallas al cuello, y no importa que los demás no las puedan ver o entender.

Finalizo compartiendo algo aún más personal: Reflexionar sobre el éxito me hizo percibir que estaba muy dependiente de la opinión de mi padre sobre mí, como medidora de mi éxito. En realidad pasé una gran parte de mi vida preocupada por hacerlo orgulloso. En cambio yo y mi padre tenemos, y siempre hemos tenido/tendremos, maneras muy diferentes de ver y comprender el mundo y la vida en general. Me di cuenta de que era inútil intentar encontrar algo que le hiciera tener esa sensación de que yo había seguido sus pasos y al mismo tiempo me hiciera feliz. Entonces decidí creer que lo que un padre en el fondo quiere es que sus hij@s sean felices. Y me di cuenta de que tenía que preocuparme por mi felicidad, que en realidad cada uno debe preocuparse por la suya.

¿Cuál es tu concepto de éxito? ¿Te consideras exitos@?

El éxito no es la clave para la felicidad. La felicidad es la clave del éxito. Si amas lo que haces tendrás tienes éxito. —  Albert Schweitzer (modificación a la cita original por Nico)

Fuentes:

https://dicionario.priberam.org/sucesso

https://dicionario.priberam.org/%C3%AAxito

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/sucesso

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/%C3%AAxito

http://dle.rae.es/srv/fetch?id=HGAP1jB

https://en.oxforddictionaries.com/definition/success

https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english/success