Barefoot

Barefoot (EN)

Descalz@ (ES)

Descalç@ (PT)

Quando estava a trabalhar em hotelaria em Amesterdão, lembro-me de ver pessoas a andarem descalças não só no interior mas também na rua. Várias foram as vezes em que meti conversa com essas pessoas para tentar perceber o porquê de tal coisa. A maioria delas eram Australianas ou Neozelandesas e, como eu nunca tinha visitado esses dois países, não sabia se era um costume ou apenas coincidência.

Isto para dizer que, naquela altura, só pensava o quão malucas eram aquelas pessoas por andarem descalças… Mas então para que é que a humanidade tinha inventado os sapatos? Não era para prevenir que lesionassemos os pés?

Anos mais tarde mas ainda em Amesterdão, quando comecei a questionar várias coisas, comecei também a mudar muitos dos hábitos que tinha anteriormente. Hábitos esses que daqueles que tod@s nós temos e nunca paramos para questionar pois foi assim que aprendemos. Ainda que os meus horizontes se estivessem a abrir cada vez mais, eu continuava sem perceber esta ideia de andar descalç@.

No Peru conheci uma rapariga brasileira que era tão aventureira, “terra a terra”, um verdadeiro espírito livre e comecei a admirá-la muito. Ela tinha uns sapatos fora do normal, com dedinhos, o que me chamou a atenção. Como ela era esta miúda com muita pinta, eu queria ter uns sapatos como os dela. Então assim que cheguei a casa comprei os meus primeiros “five fingers” da marca Vibram. Posso dizer que a partir desse momento nunca mais os deixei. Usei-os durante todas as minhas viagens, e se tivesse ter que escolher apenas um par de sapatos para usar sempre, esses seriam a minha escolha.

No entanto, só mais recentemente, já a morar em Vancouver é que finalmente mergulhei numa pesquisa que mudou a forma como eu via o calçado. Sim, eu continuava a calçar os meus “five fingers” que se mantinham os sapatos mais confortáveis até à data mas eu não sabia o porquê. Esta minha pesquisa levou-me ao mundo do calçado minimalista e “barefoot”, onde profissionais desta área afirmam que os “sapatos normais”, aqueles que calçamos diariamente (como os da Nike, Aldo, Toms, Ugg, etc.) deformam os nossos pés. No início fiquei um bocado surpreendida mas, sabendo já que outros conceitos convencionais estavam completamente errados, rendi-me completamente a esta nova ideia.

Depois comecei a recordar-me de como eram os pés das pessoas nativas do Peru, Tailândia ou Indonésia, aquelas que viviam na selva ou perto da natureza e que só calçavam chinelos ocasionalmente. @s miúd@s corriam por todo o lado e subiam a árvores descalços. Os pés del@s tinham uma forma estranha a meu ver. Os dedos eram mais separados que os nossos – o que cria estabilidade. Os seus pés tinham arcos fortes – o que está diretamente conectado com as ancas e postura – e também eram rijos e capazes de enfrentar obstáculos sofrendo apenas danos ligeiros. Aposto que se eu fosse andar por ali de pés descalços como eles, ficaria cheia de feridas e lesões em todo o lado.

Bom, se os nossos pés foram como os deles em determinado momento, porque razão os “encapsulamos”?

Aqui está explicado aquilo que fazemos aos nossos pés, e por consequência ao resto do corpo, só por usarmos calçado comum:

  • Os dedos dos pés amontoam-se em cima uns dos outros;
  • O dedo grande do pé tem uma diferença grande em comparação com os outros dedos, no que toca à sua altura;
  • Pés chatos;
  • Deformidades como joanetes, dedos em martelo, unhas encravadas, etc.;
  • Dores e lesões nas costas, pescoço, joelhos e ancas;
  • Os sapatos de salto alto fazem com que os músculos quadríceps sejam mais dominantes tornando os glúteos mais fracos e causam problemas nos joelhos e tornozelos;
  • Bolhas, ferimentos, micoses, maus cheiros etc.

Os pés daqueles que pouco usam sapatos são realmente muito parecidos com os pés dos bebés. Os pés dos bebés ainda são perfeitos, até os começarmos a restringir. Assim crescemos até nos tornarmos adultos com todos os problemas e mais alguns, não só a nível de pés mas também no resto do corpo, e nem temos a mais pequena ideia acerca disso.

Idealmente deveríamos andar mais descalços na natureza ou sempre que tivermos oportunidade (evitando andar descalço em sítios onde pode não ser seguro). O tempo restante, deveríamos ao menos simular andar descalço e para isso temos ótimas opções nos dias de hoje.  O calçado “barefoot” protege os pés de danos, deixando-os respirar, permitindo a separação dos dedos e, acima de tudo, permite que os pés funcionem como se estivéssemos descalços. Este tipo de calçado pode também reverter os danos que sapatos convencionais fizeram aos nossos pés.

Desde que comecei a usar sapatos “barefoot” que deixei de me queixar com dores nos pés. Muitos quilómetros se fizeram com eles calçados, pelo caminho de Santiago, desfiladeiros, grutas, várias caminhadas e os meus pés nunca sofreram com ferimentos ou lesões. A minha irmã Nico pode bem confirmar o que digo pois andámos juntas em muitas destas aventuras. Algumas pessoas que encontrávamos pelo caminho, “metiam-se” connosco por acharem estranho o que levávamos calçado e não conseguiam entender a ideia de que os “sapatos normais” podem de facto ser prejudiciais para nós. Verdade seja dita, essas mesmas pessoas queixavam-se de dores e nós não.

Para o caso de começares a questionar-te sobre calçado “barefoot”, aqui fica um apanhado de informação que te pode ajudar. Elementos que deverás ter em conta quando comprares sapatos: *

  • Rasos: sem salto elevado – o ideal é que não haja nenhuma diferença de altura entre o calcanhar e o resto pé. Os humanos não estão adaptados para andarem com rampas nos pés o dia inteiro e isso contribui para problemas de postura;
  • Flexíveis: se não consegues dobrar, girar e mover os sapatos em todas as direções, irá impedir o movimento do teu pé, criando articulações rígidas e por vezes dolorosas;
  • Suporte do arco: os músculos do teu pé estão lá por alguma razão. Não os enfraqueças com suportes artificiais;
  • Amortecimento: ao contrário do que as marcas querem que tu acredites, amortecedores impedem o teu pé de funcionar da melhor forma e afectam de forma negativa o seu movimento.

* Fonte- The Foot Collective

Barefoot (EN)

Back when I was working in Hotels in Amsterdam, I recall seeing people walking barefoot not just inside the premises but also out in the street. I often nattered with them to figure why would they do such thing. Most of these people were “Aussies” or “Kiwis” and as I had never been in Australia or New Zealand, I couldn’t tell if it was a cultural thing or just coincidence.

This to say that, at the time, I just thought how crazy they were for walking barefoot… I mean, why did humans invented the shoes then? Wasn’t it to prevent us from injuring our feet?

Years latter but still in Amsterdam, when I started questioning various things, I also started changing many habits that I had before. Habits that we have and we would never second guess because that’s how we learned them. Despite getting more and more open minded, I still couldn’t understand the barefoot topic.

In Peru I met a Brazilian girl that was so adventurous, down to earth and a true free spirit and I really admired her for that. She had unusual shoes with fingers that immediately draw my attention. Because she was this kick-ass cool girl, I kind of wanted to have the same shoes. So I went home and bought my first “five fingers” from Vibram. I can say that since then I never left them behind. I brought them to all my trips and if I could only have one pair of shoes, those would be it.

However, it wasn’t up until recently, while living in Vancouver that I truly dived into a research that completely changed the way I saw footwear. Yes, I was still wearing the “five fingers” and they were still the most comfortable shoes I have ever had but I didn’t really know why. My research brought me to minimal footwear and barefoot shoes. These feet experts were saying that our “normal shoes”, the ones that we wear daily (such as from Nike, Aldo, Toms, Ugg etc.) were deforming our feet. At first I was a bit shocked but knowing already that other mainstream things are completely wrong, I completely surrendered to this new idea.

I started to remember how the feet of native people in Peru, Thailand or Indonesia looked like. Those living in the jungle or very close to nature would only occasionally put some flip-flops on. The kids would run around and climb on trees barefoot. Their feet were shaped funny to me. The toes were spread apart – which creates stability. Their feet had arches – which is directly connected with the hips and posture. Their feet were sturdy and could bare all nature obstacles with minor injuries. I bet that if I were to run around barefoot like them, I would get painful cuts and bruises everywhere.

Well, if our feet were just like theirs at some point, why did we “encapsulate” them?

Here is what we have done to our feet and rest of the body by wearing regular footwear:

  • Our toes overlap each other;
  • The big toe has a huge size difference compared to the other fingers, when it comes to its height;
  • Flat arches;
  • Deformities such as bunions, hammer toes, ingrown toenail, etc.;
  • Back, neck, knee and hip injuries or pain;
  • High heeled shoes make quads muscles more dominant and the glutes muscles week & cause knee and ankles problems;
  • Blisters, bruises, mycoses, stinky feet etc.

Native people’s feet are indeed similar to babies feet. Babies feet are still perfect until we start restraining them and then we grow up to adults with all kinds of issues derived from our feet and we don’t even know about it.

Ideally we should walk more barefoot in nature or every time we have a chance (avoiding walking barefoot in the street as it can surely be unsafe). The rest of the time, we should at least mimic what is like to be barefoot and for that we have great options nowadays. Barefoot shoes protect our feet from damage, let them breathe, let the toes spread and above all, allow the feet to function as if we were barefoot. They can also start reversing what regular shoes did to our feet.

Since I started wearing barefoot shoes I stopped complaining of pain in my feet. Many kilometers were done while walking the Camino de Santiago, canyons, caves, hikes and my feet never ended up with bruises or injuries. My sister Nico can confirm as we were together in some of those adventures. People along the way would approach us because they found it rather odd and couldn’t wrap their head around the idea that regular shoes are not proper for us. Truth is, those people complaint of pain and we didn’t.

In case you’ll start questioning about barefoot footwear, here is some homework done to help you. Elements you should look for when buying shoes: *

  • Flat: no elevated heel. Humans aren’t adapted to walking around on ramps all day and it contributes to postural problems;
  • Flexible: if you can’t bend, twist and move a shoe around in every direction it will inhibit movement at your foot creating stiff and sometimes painful joints;
  • Arch support: The muscles of your foot are there for a reason. Don’t weaken them with artificial support;
  • Cushioning: contrary to what shoe companies want you to believe, cushioning actually prevents your foot from working optimally (as a ground sensor) and will negatively affect your movement.

* Resource – The Foot Collective

 

Descalz@ (ES)

Cuando estaba trabajando en hotelería en Amsterdam, recuerdo que veía algunas personas caminando descalzas no sólo en el interior, sino también en la calle. Varias veces empecé conversaciones con esas personas para intentar percibir el porqué de ello. La mayoría de ellas eran Australianas o Neozelandesas y como nunca había visitado estos dos países, no sabía si era una costumbre o apenas coincidencia.
Esto para decir que, en ese momento, sólo pensaba lo locas que eran aquellas personas por ir descalzas … Pero entonces, ¿para qué había la humanidad inventado los zapatos? ¿No era para prevenir que lesionáramos los pies?

Años más tarde pero aún en Ámsterdam, cuando empecé a cuestionar varias otras cosas empecé también a cambiar muchos de los hábitos que tenía anteriormente. Hábitos de esos que tod@s tenemos y nunca paramos para cuestionar pues fue así que los aprendemos. Aunque mis horizontes se abrían cada vez más, yo seguía sin entender esta idea de ir descalzo.

En Perú conocí a una chica brasileña que era tan aventurera, “pies en la tierra”, un verdadero espíritu libre y la admiraba mucho. Ella tenía unos zapatos fuera de lo normal, con deditos, lo que me llamó la atención. Como ella era esta chica muy guay, yo quería tener unos zapatos como los suyos. Conforme volví a casa me compré mis primeros “five fingers” de la marca Vibram. Puedo decir que a partir de ese momento nunca más los dejé. Los usé durante todos mis viajes, y si tuviera que elegir sólo un par de zapatos para usar siempre, esos serían mi elección.

Sin embargo, sólo más recientemente, ya viviendo en Vancouver fue cuando finalmente me sumergí en una investigación que cambió la forma en que veía el calzado. Sí, yo seguía calzando mis “five fingers” que seguían siendo los zapatos más cómodos hasta la fecha, pero no sabía el por qué. Mi búsqueda me llevó al mundo del calzado minimalista y “barefoot “, donde profesionales de la área afirman que los “zapatos normales”, los que calzamos diariamente (como los de Nike, Aldo, Toms, Ugg, etc.) deforman nuestros los pies. Al principio me sorprendió un poco, pero, sabiendo ya qué otros conceptos convencionales estaban completamente equivocados, me rendí completamente a esta nueva idea.

Después empecé a recordar cómo eran los pies de las personas nativas de Perú, Tailandia o Indonesia, aquellas que vivían en la selva o cerca de la naturaleza y que sólo calzaban chanclas de vez en cuando. L@s niñ@s corrían por todas partes y subían a los árboles descalzos. Me parecía que sus pies de tenían una forma rara. Los dedos eran más separados que los nuestros – lo que crea estabilidad, tenían arcos marcados – lo que está directamente conectado con las caderas y la postura – y también eran fuertes y capaces de enfrentarse a obstáculos sufriendo sólo daños ligeros. Me parece que si yo fuera a caminar por allí de pies descalzos como ellos, se me harían heridas y lesiones por todas partes.

Bueno, si nuestros pies fueron como los de ellos en determinado momento, porque razón los “encapsulamos”?

Aquí se explica lo que hacemos a nuestros pies, y en consecuencia al resto del cuerpo, sólo por usar calzado común:

  • Los dedos de los pies se amontonan encima unos de otros;
  • El dedo grande del pie tiene una diferencia grande en comparación con los otros dedos, en lo que toca a su altura;
  • Pies planos;
  • Deformidades como juanetes, dedos en martillo, uñas enclavadas, etc .;
  • Dolores y lesiones en la espalda, cuello, rodillas y caderas;
  • Los zapatos de tacón alto hacen que los músculos cuadríceps sean más dominantes haciendo los glúteos más débiles y causan problemas en las rodillas y tobillos;
  • Ampollas, heridas, hongos, malos olores, etc.

Los pies de gente que no usa zapatos son realmente muy parecidos a los pies de los bebés. Los pies de los bebés todavía son perfectos, hasta que empezamos a restringirlos. Así crecimos hasta llegar a ser adultos con todos los problemas no sólo a nivel de pies, sino también en el resto del cuerpo, y ni lo imaginamos.

Idealmente deberíamos caminar más veces descalzos en la naturaleza o siempre que tengamos oportunidad (evitando andar descalzo en sitios donde puede no ser seguro). El tiempo restante, deberíamos al menos simular andar descalzo, y para eso tenemos óptimas opciones en los días de hoy. El calzado “barefoot” protege los pies de daño, dejándolos respirar, permitiendo la separación de los dedos y, por encima de todo, permite que los pies funcionen como si estuviéramos descalzos. Este tipo de calzado también puede revertir el daño que los zapatos convencionales ha hecho a nuestros pies.

Desde que empecé a usar zapatos “barefoot” que dejé de quejarme de dolores en los pies. Muchos kilómetros se hicieron con ellos calzados, por el camino de Santiago, cañones, cuevas, varias caminatas y mis pies nunca sufrieron heridas o lesiones. Mi hermana Nico puede confirmar bien lo que digo porque hemos estado juntos en muchas de estas aventuras. Algunas personas que encontrábamos por el camino, “se metían” con nosotras porque les parecía raro lo que llevábamos calzado, y no podían entender la idea de que los “zapatos normales” pueden de hecho ser perjudiciales para nosotr@s. La verdad es que esas mismas personas se quejaban de dolores en los pies y nosotr@s no.

Para el caso de empezar a cuestionarte sobre calzado “barefoot”, aquí dejo un recopilado de información que te puede ayudar. Elementos que deberás tener en cuenta al comprar zapatos: *

Planos: sin tacón alto – lo ideal es que no haya diferencia de altura entre el talón y el resto del pie. Los humanos no estamos adaptados para caminar con rampas en los pies todo el día, y eso contribuye a problemas de postura;

Flexibles: si no puedes doblar, girar y mover los zapatos en todas las direcciones, entonces van a impedir el movimiento de tus pies, creando articulaciones rígidas ya veces dolorosas;

Soporte del arco: los músculos de tu pie están allí por alguna razón. No los debilites con soportes artificiales;

Amortiguación: al contrario de lo que las marcas quieren que tú creas, amortiguadores impiden tu pie de funcionar de la mejor forma y afectan de forma negativa a tu movimiento.

* Fuente – The Foot Collective

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