Background music

Background music (EN)

Música de fondo (ES)

Música de fundo (PT)

O que é o sucesso (ou êxito)? Porque é que vivemos preocupad@s ou até mesmo obcecad@s com tê-lo, quando às vezes nem sabemos bem o que significa? Porque é que é tão importante na nossa sociedade ter sucesso? É importante para quem?

Durante muito tempo a obtenção de sucesso foi uma grande preocupação minha. E aposto que já foi, ou ainda é, uma grande preocupação da maioria das pessoas que estão a ler isto. Era uma preocupação daquelas que ‘toca’ na mente lá atrás, como música de fundo. Não estava todo o dia a pensar “tenho que ser bem sucedida”, na verdade acho que não pensava nada parecido. Mas estava constantemente a tentar atingir um ideal, que na verdade era inalcançável. Porque cada vez que atingia um objectivo, imediatamente aparecia outro que afinal é que era realmente importante alcançar.

Essa fome insaciável estava maioritariamente relacionada com o que os outros poderiam pensar sobre mim ou como me poderiam valorizar: que os meus amigos me achassem mais fixe, que os meus colegas que achassem mais competente, que os meus pais tivessem mais orgulho em mim, etc. Mas nunca sentia que aquilo que fazia efectivamente me ajudava a obter a aprovação que procurava.

Esta busca contínua fazia com que tivesse uma sensação de insatisfação constante. Por outro lado havia sempre coisas que eu achava que me levariam a conseguir a aprovação que pretendia, mas eram coisas que por alguma razão forte não queria fazer. Principalmente porque iam contra os meus valores ou contra a minha personalidade.

Um dia ouvi alguém falar sobre esta preocupação com o sucesso e identifiquei-me. E comecei a questionar-me sobre o assunto. Uma das primeiras coisas que fiz foi procurar o significado “oficial” das palavras sucesso e êxito. Partilho contigo a minha descoberta:

Segundo vários dicionários da língua portuguesa “sucesso” significa: aquilo que sucede (= acontecimento); resultado de ação ou empreendimento; o que tem bom resultado, boas vendas ou muita popularidade. E “êxito” define-se como: saída, fim, termo; resultado de uma acção; resultado feliz; celebridade ou popularidade.

Em espanhol apenas a palavra “êxito” (éxito) existe e está oficialmente definida como: resultado feliz de um negócio ou actuação; boa aceitação que tem alguém ou algo; fim ou término de um negócio ou assunto.

Mas foi na definição em inglês da palavra “sucesso” (success) que obtive mais esclarecimento: alcançar os resultados desejados ou esperados; atingir resultados positivos; realização de um objectivo ou propósito; obtenção de fama, riqueza ou status social.

Acho que podemos resumir o conceito em duas ideias chave: por um lado a ideia de um resultado positivo ou de um objectivo cumprido, e por outro a obtenção de popularidade, fama e/ou riqueza.

Isto desmistifica bastante a ideia de sucesso, verdade? Tendo em conta que tenho bastante assumido que ser famosa não me interessa, e ser rica não é um objectivo no qual ponha algum empenho, o que é que me importa desta ideia? Qual é o meu conceito de sucesso? Obtenção de resultados positivos e alcance de objetivos?

Sempre que as coisas às que me proponho têm resultados positivos, e sempre que atinjo objetivos, estou a ser sucedida ou a ter êxito? Mas isso acontece constantemente!

E finalmente a busca terminou.

Uma lista de objetivos cumpridos e resultados positivos dos últimos tempos confirmou a minha suposição. E finalmente senti-me uma pessoa de sucesso.

Acabei por criar um conceito próprio de sucesso que englobava melhor aquilo que passei a sentir como sucesso: viver a vida como a quero viver naquele momento. Periodicamente faço uma revisão do meu sucesso actual. Para tal basta perguntar-me se estou a levar a vida como quero e responder-me sinceramente. Se percebo que a resposta é não, então é porque há coisas que precisam ser mudadas. Coisas específicas e atingíveis que se podem mudar com um prazo mais ou menos previsível ou estimado. Objetivos que, depois de cumpridos, me colocam na vida que quero ter, naquele momento.

“Naquele momento” são palavras chave. Estamos em constante crescimento, mudança, evolução e por isso acho que devemos aceitar que o que queremos da vida também vai mudando. O truque é não ver a vida como um suceder constante de níveis num jogo sem final, mas sim como um conjunto de jogos que ganhas ou perdes (falhar é uma parte importante da vida e ensina-nos mais do que ganhar) sem que nenhum jogo seja mais importante que o anterior. Ou seja, ver o sucesso como um conjunto de sucessos e fracassos acumuláveis e não como algo inatingível.

Comecei também a ver o sucesso dos outros com outros olhos. De repente percebi quantas pessoas sucedidas tinha à minha volta. E percebi que aquelas pessoas que pareciam sucedidas mas realmente estão a jogar o jogo sem fim não o são. Não o são por uma razão muito simples, não se sentem sucedidas, porque o sucesso está lá naquele degrau ainda mais acima. Percebi que sucesso nunca vai chegar se estiveres à espera das outras pessoas para te entregarem o troféu. Tens que ser tu a colocar todas as medalhas ao pescoço, e não importa que os outros não as possam ver ou entender.

Acabo com a partilha de algo mais pessoal: Refletir sobre o sucesso fez-me perceber que estava muito dependente da opinião do meu pai sobre mim, como bitola para o meu sucesso. Na verdade passei uma grande parte da minha vida preocupada em fazê-lo orgulhoso. Em contrapartida eu e o meu pai temos, e sempre tivemos/teremos, maneiras muito diferentes de ver e compreender o mundo e a vida em geral. Percebi que era inútil tentar encontrar algo que o fizesse ter aquela sensação de que eu tinha seguido as suas pegadas e, ao mesmo tempo, me fizesse feliz a mim. Então decidi acreditar que, o que um pai no fundo quer é que @s filh@s sejam felizes. E percebi que me tinha que preocupar com a minha felicidade, que na realidade cada um se deve preocupar com a sua.

Qual é o teu conceito de sucesso? Consideras-te sucedid@?

O sucesso não é a chave para a felicidade. A felicidade é a chave para o sucesso. Se adoras aquilo que fazes, então serás és bem sucedido.  —  Albert Schweitzer (alteração à frase original feita pela Nico)

Fontes:

https://dicionario.priberam.org/sucesso

https://dicionario.priberam.org/%C3%AAxito

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/sucesso

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/%C3%AAxito

http://dle.rae.es/srv/fetch?id=HGAP1jB

https://en.oxforddictionaries.com/definition/success

https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english/success

 


 

Música de fondo (ES)

¿Qué es el éxito? ¿Por qué vivimos preocupad@s o incluso obsesionad@s con tenerlo, cuando a veces ni sabemos bien lo que significa? ¿Por qué es tan importante en nuestra sociedad tener éxito? ¿Es importante para quién?

Durante mucho tiempo la obtención de éxito fue una gran preocupación mía. Y apuesto que ha sido, o aún lo es, una gran preocupación de la mayoría de las personas que están leyendo esto. Era una preocupación de las que ‘toca’ en la mente por detrás, como una música de fondo. No estaba todo el día pensando “tengo que ser exitosa”, en realidad creo que no pensaba nada parecido. Pero estaba constantemente tratando de alcanzar un ideal, que en realidad era inalcanzable. Porque cada vez que acumplia un objetivo, inmediatamente aparecía otro que al final era el que realmente importaba alcanzar.

Este hambre insaciable estaba mayoritariamente relacionado con lo que otros podrían pensar sobre mí o cómo me podrían valorar: que mis amigos me pensaran que yo era guay, que mis colegas de trabajo pensaran que yo era competente, que mis padres tuvieran más orgullo en mí, etc.. Pero nunca sentía que lo que hacía realmente me ayudaba a obtener la aprobación que buscaba.

Esta búsqueda continua hacía que tuviera una sensación de insatisfacción constante. Por otro lado había cosas que yo creía que me llevarían a conseguir la aprobación que pretendía, pero eran cosas que por alguna razón fuerte no quería hacer. Principalmente porque iban contra mis valores o contra mi personalidad.

Un día oí a alguien hablar de esta preocupación con el éxito y me sentí identificada. Entonces empecé a cuestionarme sobre el tema. Una de las primeras cosas que hice fue buscar el significado “oficial” de la palabra éxito. Comparto contigo lo que descubrí:

De acuerdo con varios diccionarios de la lengua portuguesa “éxito” (sucesso/êxito) significa: lo que tiene buen resultado, buenas ventas o mucha popularidad; salida, fin, término; resultado de una acción; resultado feliz; celebridad o popularidad.

En español “éxito” es oficialmente definido como: resultado feliz de un negocio, actuación; buena aceptación que tiene alguien o algo; fin o terminación de un negocio o asunto.

Pero fue en la definición en inglés de la palabra éxito (success) que obtuve más aclaración: alcanzar los resultados deseados o esperados; alcanzar resultados positivos; realización de un objetivo o propósito; obtención de fama, riqueza o status social.

Creo que podemos resumir el concepto en dos ideas clave: por un lado la idea de un resultado positivo o de un objetivo cumplido, y por otro la obtención de popularidad, fama y / o riqueza.

Esto desmitifica bastante la idea de éxito, verdad? Teniendo en cuenta que tengo bastante asumido que ser famosa no me interesa, y ser rica no es un objetivo en el que ponga cualquier empeño, ¿qué me importa de esta idea? ¿Cuál es mi concepto de éxito? Obtención de resultados positivos y alcance de objetivos?

¿Siempre que las cosas a las que me propongo tienen resultados positivos, y siempre que alcanzo objetivos, estoy teniendo éxito o siendo exitosa? ¡Pero eso sucede constantemente!

Y finalmente la búsqueda terminó.

Una lista de objetivos cumplidos y resultados positivos de los últimos tiempos confirmó mi suposición. Y finalmente me sentía una persona de éxito.

Terminé creando un concepto propio de éxito que abarcaba mejor aquello que pasé a sentir como éxito: vivir la vida como la quiero vivir en aquel momento. Periódicamente hago una revisión de mi éxito actual. Para ello basta preguntarme si estoy llevando la vida como quiero, y responderme sinceramente. Si percibo que la respuesta es no, entonces es porque hay cosas que necesitan ser cambiadas. Cosas específicas y alcanzables que se pueden cambiar con un plazo más o menos previsible o estimado. Objetivos que, después de cumplidos, me colocan en la vida que quiero tener, en aquel momento.

“En aquel momento” son palabras clave. Estamos en constante crecimiento, cambio, evolución y por eso debemos aceptar que lo que queremos de la vida también va cambiando. El truco es no ver la vida como un suceder constante de niveles en un juego sin final, sino como un conjunto de juegos que ganas o pierdes (fallar es una parte importante de la vida y nos enseña más que ganar) sin que ningún juego sea más importante que el anterior. Es decir, ver el éxito como un conjunto de éxitos y fracasos acumulables y no como algo inalcanzable.

Comencé también a ver el éxito de otros con otros ojos. De repente me di cuenta de cuántas personas exitosas tenía a mi alrededor. Y me di cuenta que aquellas personas que parecen exitosas, pero realmente están jugando al juego sin fin, no lo son. No lo son por una razón muy simple, no se sienten exitosas, porque el éxito está allí, en aquel escalón aún más arriba. Me di cuenta de que el éxito nunca llegará si esperas que otras personas te entreguen el trofeo. Tendrás que ser tú a poner todas las medallas al cuello, y no importa que los demás no las puedan ver o entender.

Finalizo compartiendo algo aún más personal: Reflexionar sobre el éxito me hizo percibir que estaba muy dependiente de la opinión de mi padre sobre mí, como medidora de mi éxito. En realidad pasé una gran parte de mi vida preocupada por hacerlo orgulloso. En cambio yo y mi padre tenemos, y siempre hemos tenido/tendremos, maneras muy diferentes de ver y comprender el mundo y la vida en general. Me di cuenta de que era inútil intentar encontrar algo que le hiciera tener esa sensación de que yo había seguido sus pasos y al mismo tiempo me hiciera feliz. Entonces decidí creer que lo que un padre en el fondo quiere es que sus hij@s sean felices. Y me di cuenta de que tenía que preocuparme por mi felicidad, que en realidad cada uno debe preocuparse por la suya.

¿Cuál es tu concepto de éxito? ¿Te consideras exitos@?

El éxito no es la clave para la felicidad. La felicidad es la clave del éxito. Si amas lo que haces tendrás tienes éxito. —  Albert Schweitzer (modificación a la cita original por Nico)

Fuentes:

https://dicionario.priberam.org/sucesso

https://dicionario.priberam.org/%C3%AAxito

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/sucesso

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/%C3%AAxito

http://dle.rae.es/srv/fetch?id=HGAP1jB

https://en.oxforddictionaries.com/definition/success

https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english/success

Uma questão de obrigação ou escolha…

A question of obligation or choice… (EN)

Una cuestión de obligación o elección… (ES)

Uma questão de obrigação ou escolha… (PT)

Tenho que ir fazer o jantar.
Amanhã tenho que ir trabalhar.
Não posso porque tenho que fazer outras coisas.

Quantas vezes durante o dia repetes as palavras “tenho que”? A tua vida é uma grande soma de “tenho ques”?

Mas será que “tens mesmo que”? “Ter que” indica obrigação. És obrigad@ a fazer todas essas coisas ao longo do dia?

Vamos fazer uma experiência! Escolhe um dia, pode ser amanhã, ou podes começar a partir de agora. Durante esse/este dia troca a expressão “tenho que” pela palavra “quero”. Não só quando falas com outras pessoas, mas especialmente quando falas contigo. Aproveita para vigiar os teus pensamentos e se vires que estás a pensar “tenho que” corrige-te e volta a formular a frase mas com “quero”.   

“Quero ir fazer o jantar” vai ser fácil, mas dizer “Amanhã quero ir trabalhar” pode ser muito difícil para algumas pessoas. Ora aí está a magia!!

Custa-te dizer “quero” porque achas que realmente não queres? Pensa então porque é que fazes as coisas. Continuamos com o exemplo de “ir trabalhar”. Não te esqueças de continuar com o “quero”. Eu ajudo: “Quero ir trabalhar porque quero continuar a ter emprego” boa, continuamos: “Quero ter um emprego porque quero ter um salário ao final do mês” seguinte: “Quero ter dinheiro para pagar as contas, para ir ao cinema, para dar o melhor aos meus filhos, para ir de férias com o meu namorado, para ajudar a minha avó…” Acho que deu para perceber. Já é mais fácil dizer que “queres” ir trabalhar, verdade?

Podemos pensar que são só palavras e que se trata apenas de linguagem, de uma forma de expressão. Mas acredito que a linguagem que usamos pode afectar profundamente a maneira como pensamos e o nosso comportamento. Se não estás convencid@ desafio-te a fazer uma pesquisa rápida no Google sobre estudos publicados sobre o assunto. Mas sobretudo desafio-te a fazer o exercício que proponho acima.

Trocar o “tenho que” pelo “quero” pode ter efeitos secundários surpreendentes. O melhor de todos, infelizmente, é o que faz com que a maioria das pessoas desista de continuar. Perceber que temos as rédeas das nossas vidas não é para tod@s. Ao princípio pode parecer desvantajoso. Quando vês que não fazes as coisas por obrigação fica difícil culpar os outros, o tempo, o governo, a situação em que estás, etc.,  e isso pode parecer muito chato à primeira vista. Mas na verdade é empoderador. Pensar que fazemos as coisas por que queremos dá-nos força e ânimo para as fazermos, mas o mais importante é que, ao fazer este exercício, nos apercebemos de quais são as coisas que realmente NÃO queremos fazer. Quando não consegues encontrar razões para querer fazer uma coisa é porque realmente não queres fazê-la. E como há 99,99% de probabilidade de que ninguém te esteja a apontar uma arma à cabeça, então… Adivinha!! Não “tens que” se não “queres”!

Outros efeitos secundários podem ser: deixar de fazer coisas que vens fazendo há imenso tempo sem querer e nunca te deste conta; deixar de dar desculpas a ti mesm@ para fazer coisas que realmente queres fazer; começar a procurar maneiras de conseguir o que queres em vez de passar o dia a imaginar o bom que sería se pudesses fazer “x”; deixar de meter pressão em ti mesm@, e naqueles que te rodeiam, com coisas que “têm que” ser feitas; perder algumas rugas na testa; ver o mundo com uns olhos novos; etc.

Adoraria saber o que têm a dizer sobre isto tod@s aquel@s que decidiram fazer a experiência. Mudou alguma coisa? O quê? Algum “efeito secundário” não mencionado que valha a pena contar? Podes nos escrever de forma privada, através do formulário de contacto ,ou pública, comentando abaixo ou na nossa página de facebook.


Una cuestión de obligación o elección… (ES)

Tengo que ir hacer la cena.
Mañana tengo que ir a trabajar.
No puedo porque tengo otras cosas que hacer.

¿Cuántas veces al largo del día repites las palabras “tengo que”? ¿Tu vida es una gran suma de “tengo ques”?

¿Pero será realmente verdad que “tienes que”? “Tener que” indica obligación. ¿Eres obligad@ a hacer todas esas cosas al largo del día?

Vamos hacer un experimento! Elige un día, puede ser mañana, o puedes empezar ahora mismo. Durante ese/este día cambia la expresión “tengo que” por la palabra “quiero”. No solo cuando hables con otras personas, pero especialmente cuando hables contigo mism@. Aprovecha para vigilar tus pensamientos y si ves que estás pensando “tengo que” corrígete y vuelve a formular la frase con el “quiero”.

“Quiero ir hacer la cena” va a ser fácil pero decir “Mañana quiero ir a trabajar” puede ser algo muy difícil para algunas personas. Pues ahí está la magia!

Te es difícil decir “quiero” porque crees que realmente no quieres? Entonces piensa porque lo haces. Seguimos con el ejemplo de “ir a trabajar”. No te olvides de seguir usando el “quiero”. Yo te enseño: “Quiero ir a trabajar porque quiero seguir teniendo un empleo” bien, seguimos: “Quiero tener un empleo porque quiero tener un salario al final de mes” adelante: “Quiero tener dinero para pagar las cuentas, ir al cine, dar lo mejor a mis hijos, irme de vacaciones con mi novio, ayudar a mi abuela…” Creo que ya se entiende. A que ya es más fácil decir “quiero”, verdad?  

Podemos pensar que solo son palabras y que se trata nada más que de lenguaje, de maneras de expresarse. Pues yo creo que el lenguaje que usamos puede afectar profundamente a la manera como pensamos y a nuestro comportamiento. Si no estás de todo convencid@ te propongo que hagas una búsqueda rápida en Google para encontrar estudios publicados sobre ello. Pero sobretodo te desafío a que intentes el experimento del que hablo arriba.

Cambiar los “tengo ques” por “quiero” puede tener efectos secundarios sorprendentes. Lo mejor de todos, infelizmente, es también el que más hace que la gente desista del experimento. Compreender que podemos dirigir nuestras propias vidas no es para tod@s. Al principio puede parecer desfavorable. Cuando percibes que no haces las cosas porque estás obligad@ se hace difícil culpar a los demás, al tiempo, al gobierno, a la situación en la que estás, etc., y eso puede parecer molesto a primera vista. Pero en realidad es empoderador. Pensar que hacemos las cosas porque queremos nos dá fuerza y ánimo para hacerlas, pero lo más importante es que, al hacer este ejercicio, nos apercibimos de cuales son las cosas que realmente NO queremos hacer. Cuando no puedes encontrar razones para querer hacer una cosa es porque realmente no quieres hacerla. Y como hay un 99,99% de probabilidad de que no tienes una pistola apuntada a la cabeza… ¿adivina? ¡No “tienes que” si no “quieres”!

Otros efectos secundarios pueden ser: dejar de hacer cosas que vienes haciendo hace mucho tiempo sin querer y nunca te has dado cuenta; dejar de dar disculpas a ti mismo para hacer cosas que realmente quieres hacer; empezar a buscar maneras de conseguir lo que quieres en vez de pasar el día imaginando lo bueno que sería si pudieras hacer “x”; dejar de meter presión en ti mism@, y en aquellos que te rodean, con cosas que “tienen que” ser hechas; perder algunas arrugas en la frente; ver el mundo con unos ojos nuevos; etcétera.

Me encantaría saber lo que tienen que decir sobre esto tod@s aquell@s que decidieron hacer el experimento. ¿Cambió algo? ¿Qué? ¿Algún “efecto secundario” no mencionado que valga la pena contar? Puedes escribirnos de forma privada, a través del formulario de contacto, o pública, comentando abajo o en nuestra página de facebook.

The beginning of questioning by Nico

The beginning of questioning (EN)

El principio del cuestionamiento (ES)

O princípio do questionamento (PT)

Capítulo 1. A ponta do iceberg.

No Verão de 2010 sentia-me profundamente vazia e não sabia porquê. Para me animar decidi ir a um festival de Verão colando-me a uma amiga. Liguei-lhe e perguntei-lhe se me podia juntar a ela e aos seus amigos que eu mal conhecia. Tive uma grande surpresa quando percebi que a minha amiga realmente não queria que eu fosse porque, segundo ela, eu era muito stressada, pouco sociável e estava sempre a levantar problemas. Nesse momento o mundo caiu-me aos pés, especialmente quando vi que, exageros à parte, eu realmente era uma chata. Quando desliguei o telefone fiz as primeiras de muitas perguntas: E se eu não quiser mais ser assim? Posso mudar a minha personalidade? Seria mais feliz se fosse menos rezingona e mais relaxada? Nem me dei tempo para me responder, decidi que tinha que experimentar para saber as respostas. Dez minutos depois voltei a ligar à minha amiga e prometi-lhe que ia ser a pessoa mais descontraída do mundo e comecei a sê-lo naquele exacto momento, tanto que ela fez um esforço para acreditar e aceitou levar-me.

Aquele festival foi um dos momentos mais divertidos da minha vida até então. Hoje em dia olhando para trás sei que foi uma das primeiras vezes em que vivi no presente. Lembro-me de momentos chave em que tive que pôr um grande travão à chata que estava habituada a ser e pensar em micro-segundos como reagiria esta nova pessoa que queria tornar-me. Pela primeira vez estava consciente dos meus próprios pensamentos e começava a desconfiar de alguma forma que aquilo (que pensava) não era eu. Tinha mudado tanto que a minha amiga não me reconhecia e estava realmente admirada que eu estivesse a cumprir a minha promessa.

Com o final do festival veio o medo de que tudo voltasse a ser como antes. Sabia que voltando aos mesmos cenários quotidianos de sempre, o mais provável era que eu voltasse à minha versão mais resmungona. Decidi que ia tentar que isso não acontecesse. Mal sabia eu, que aquela pequena grande mudança de atitude perante a vida, acabaria por salvar-me de cair num poço sem fundo apenas umas semanas mais tarde.

Capítulo 2. O grande abanão.

Umas semanas depois soube que a minha mãe tinha um cancro cerebral. Sempre fui muito apegada à minha mãe, ela era o meu porto seguro. O meu maior medo desde pequena era que ela deixasse de estar ali (nem na minha cabeça me atrevia a formular a ideia de morte). Mas a minha nova maneira de ver o mundo desde um prisma menos stressado e mais presente ajudou-me a manter-me à deriva durante todo o pesadelo.

Os “tratamentos” foram avançando e a minha mãe só piorava, cada procedimento só a deixava pior.  Achei que tinha que haver algo mais e comecei a pesquisar tudo o que eram tratamentos alternativos para o cancro. Essas pesquisas levaram-me a estudos bastante convincentes, que defendiam que a carne e o açúcar eram dois grandes alimentadores do cancro e de várias outras doenças crónicas e mortais. – É de recordar que isto aconteceu uns bons anos antes dos malefícios da carne e do açúcar começarem a ser relatados nos meios de comunicação generalistas e nas redes sociais. – De repente o mundo parecía estar de cabeça para baixo. No hospital, a minha mãe era alimentada à base de carne, cereais e farinhas refinados e sobremesas carregadas de açúcar, tudo o que supostamente só servia para alimentar o maldito cancro. E as pessoas que a visitavam não faziam outra coisa que trazer-lhe mais doces e mais carne. A minha mãe já tinha muita dificuldade em comunicar e a comunicação entre os vários membros da família também se foi deteriorando. Eu era muito jovem e não conseguia fazer-me ouvir e o pior é que não conseguia ajudar a minha mãe com aquilo que estava a aprender.

De repente a carne começou a dar-me nojo e essa repulsa fez que eu deixasse de consumi-la. Também reduzi bastante o meu consumo de açúcar – hoje sei que era estupidamente alto. Comecei a sentir melhorias bastante óbvias na minha qualidade de vida. As dores de barriga que tinha frequentemente, e com as quais pensava que teria que viver até ao resto da minha vida desapareceram (mais tarde soube que o meu corpo tinha muita dificuldade para dirigir a carne). Deixei de ter as tonturas matinais que me tinham acompanhado quase toda a vida, e que sei hoje que eram causadas pelo excesso de açúcar. Também deixei de beber leite e as minhas alergias melhoraram bastante (hoje sei que ambas coisas estão relacionadas). Em geral sentia-me com mais energia e comecei a comer coisas que até então odiava. O meu paladar também tinha mudado. Abriu-se todo um novo mundo de sabores com novos vegetais e frutas que até então não tocava.

Começou a desenrolar-se um sem fim de questionamentos. Afinal todos os meus problemas de saúde crónicos se tinham resolvido com algumas mudanças de alimentação? Mas como é que até à data nenhum médico me tinha perguntado o que é que comia se, pelos vistos, a alimentação era tão importante? Porque é que me tinham dado apenas medicação que disfarçava sintomas, sem nunca tentarem resolver a raiz dos problemas?

Entretanto quase um ano tinha passado, a minha mãe continuava a piorar e essas questões começaram a ser cada vez mais dolorosas. O mesmo tipo de medicina à qual ela estava entregue para curar um cancro já tinha provado falhar em a problemas muito mais ligeiros no meu caso.

Uns meses antes do falecimento da minha mãe consegui confrontar uma das suas médicas e percebi que não havia mais esperança (pelo menos da parte dos médicos) mas por outro lado continuavam a dar-lhe quimioterapia, isto fazia ainda menos sentido! Finalmente a minha irmã e eu conseguimos falar com o resto da família e parar os tratamentos de “quimio” que já tinham causado tanto sofrimento à minha mãe e não tinham ajudado em nada.

Capítulo 3. Depois da tempestade.

No final de Julho de 2011 a minha mãe morreu. Não chorei. Não chorei a morte da minha mãe até uns anos depois quando a mãe de uma grande amiga faleceu, e uma profunda empatia desbloqueou os sentimentos com os quais não consegui lidar naquele momento. Naquele momento o sentimento maior foi de alívio. A minha mãe já não estava a sofrer, todas as pessoas implicadas podiam finalmente retomar as suas vidas.

Parte desse “seguir em frente” foi dar um destino à casa em que a minha mãe vivia. Fiquei encarregue de sozinha (nunca me senti tão sozinha) esvaziar a casa onde a minha mãe vivera mais de 20 anos. A casa onde a minha irmã e eu tínhamos crescido e passado toda a nossa infância e adolescência, mas também a casa onde a minha mãe tinha passado os últimos meses de vida, com todas as memórias que tudo isso pode acarretar.

Comecei primeiro pelo meu quarto (era mais fácil desfazer-me das minhas coisas do que de coisas que nunca me tinham pertencido directamente). O meu quarto de adolescente, onde eu já só ficava quando vinha de visita um ou outro fim de semana por mês desde que tinha ido viver para a Lisboa. Além de muitos elementos decorativos e objectos pessoais esquecidos, havia caixas com recordações (diários, postais, bilhetes de cinema e concertos, aquela flor seca que um dos primeiros namorados ofereceu, etc.). Aquilo tudo era para quê? Porque é que eu guardava aquilo? Afinal muitas daquelas coisas, guardadas na tentativa de preservar a memória que elas representavam, já não me diziam nada, a maioria só me faziam lembrar, muito geralmente, que tinha sido ainda mais jovem um dia, mas eu não precisava de recordatórios fechados em caixas para lembrar-me disso. Naquele momento decidi não voltar a acumular tralha sem utilidade practica real. Deitei todas essas “caixas de memórias” fora, encaixotei roupa e  outras coisas para dar e juntei em sacos aquilo que não podia ter outro fim se não o contentor do lixo. A minha irmã já tinha levado tudo o que era importante do seu quarto e deu-me desde Amsterdão (onde estava a viver) luz verde para eu fazer o que quisesse com o resto. Usei para o quarto dela os mesmos critérios que tinha usado para o meu. Esta tinha sido a parte mais fácil.

Faltava o resto da casa. Só que o resto da casa era parte das memórias que eu tinha da minha mãe. Demorei meses a separar coisas, perdi-me em memórias, encontrei tesouros, frustrei-me muito porque o trabalho parecia não ter fim. Vendi moveis, fiz mais caixas com roupa para dar mas principalmente deparei-me com a realidade de que ao longo da vida a maioria das pessoas vai acumulando muita coisa que não precisa. E para quê? Para que é que serve tanta coisa? Tanta roupa, tantos utensílios de cozinha, tantos objectos de decoração, tantos “gadgets”, tanta tralha? Ao final 90% era tralha, quase nada tinha realmente significado nem valor emocional. E vi que eu, na minha casa em Lisboa, estava a fazer o mesmo: a juntar tralha, a rodear-me de mais e mais objectos desnecessários e sem significado. Decidi que não o faria mais.

Quando voltei a Lisboa desfiz-me de literalmente metade das minhas coisas em poucas semanas. Muita gente pensava que tinha enlouquecido. “Como é que consegues dar os teus livros e os teus CDs? Não tens pena?”- perguntavam. Mas eu já sabia que eram só coisas, coisas das quais não precisava. Saiu-me um peso de cima, foi libertador. Tão libertador que foi isso que me permitiu criar asas e finalmente ganhar coragem para ir viver uma experiência fora do país.

 

Acho que estes foram os três momentos chave na minha vida, que me levaram a questionar tudo. Primeiro vieram as questões sobre a personalidade – Eu sou a minha personalidade ou sou algo mais profundo que isso e posso mudar de personalidade e continuar a ser eu?; depois comecei a questionar-me sobre a alimentação (mais tarde essas questões fizeram com que acabasse por me tornar vegan assim como a Tico) e a medicina convencional (no futuro haverão artigos que tocam este assunto com mais profundidade), e finalmente comecei a questionar-me sobre o sentido do materialismo (o que foi o início de um rol de questões que me levaram ao Yoga e a um estilo de vida mais desapegado).  Claro que houveram mais momentos e mais questões, mesmo no meio desses que conto neste artigo. Tod@s temos momentos nos quais nos apercebemos que não podemos simplesmente seguir a manada e fazer o mesmo que @s outr@s fazem só porque é mais fácil. Consegues reconhecer um desses momentos na tua vida? Revês-te nalguma das coisas que conto? E nas que a Tico conta no seu relato? Queres fazer-nos perguntas? Responde ou pergunta através do nosso formulário de contacto.


 

The beginning of questioning (EN)

Chapter 1. The tip of the iceberg.

In the Summer of 2010 I was feeling profoundly empty and didn’t know why. To cheer me up, I thought of going to a Summer festival and join a friend that already had it all figured out. I called her to ask if I could join her and her friends that I didn’t really know very well. I was very surprised to find out that actually my friend didn’t want me to join them because, in her opinion, I was always stressed, not very sociable and couldn’t stop forging problems. In that moment my whole world fell apart, especially when I realised that in fact I could be quite annoying. When I hanged up the phone, my first questions started popping up: What if I don’t want to be that person anymore? Can I change my personality? Could I be a happier person if I was to be less grumpy and more relaxed? I didn’t even allow any time to ponder but instead I decided to put this into practice in order to find out the answers. Ten minutes later, I called my friend again and promised that I would be a much more easy going person. In fact I started to behave more relaxed right away and that’s why she made an effort to believe me and accepted to take me in with her to the festival.

That festival ended up being one of the coolest moments of my life until then. Looking back, I know now that this event was probably one of the first times I experienced living in the present. I recall specific moments in which I had to stop that annoying girl that I used to be and think in a fraction of a second how would this new person I was willing to be react. For the first time I was conscious of my own thoughts and was starting to somehow suspect that that (what I was thinking ) wasn’t me. I had changed so much that my own friend didn’t recognise me and was truly in aw to see that I had kept my promise.

With the ending of the festival came the fear of everything becoming the old same again. I knew that going back to the same daily routine, the grumpy version of myself could come back to life. I was determined to avoid that at all cost. Little did I know that such a change in my attitude towards life would save me from collapsing in a bottomless pit a couple weeks later.

Chapter 2. The big shakeup

A few weeks later, I learned that my mother had a brain cancer. I was always very close to my mom as she was my safe haven. My biggest fear, since I was a little girl, was that one day she wouldn’t be there anymore (I didn’t even formulate the idea of death in my mind). However, my new way of perceiving the world, through a more present and less stressed lens, helped me to keep my head above the water during the whole nightmare that was to come.

The “treatments” kept on going and my mother only got worse and worse with every procedure. It got me thinking that some other alternatives could be out there and I started making my own research on alternative cancer treatments. Those researches took me to some credible studies stating that meat and sugar were the two biggest foods responsible for feeding cancer, among other chronic and terminal diseases. – Reminding that this happened some good years before mainstream allegations regarding meat and sugar being on general and social media. – Suddenly the world seemed to be upside down. At the hospital, my mother’s meals were based on meat, refined cereals as well as full on sugar desserts. All the foods that supposedly only kept feeding the damned cancer. On top of that, the people who visited her would bring more treats and more meat as they didn’t know better. My mother had extreme difficulty communicating with us and the communication with the remaining family members was going down the hill. I was very young and couldn’t get my voice to be heard and the worst part was that I couldn’t help my mom with the things I was learning.

Suddenly, the meat started to seem disgusting to me which made me give up on eating it. I also decreased my consumption of sugar that was incredibly high, I can see now. My life quality improved significantly with those changes. The stomachaches I had frequently disappeared ( later on I found out that my body had great difficulty to digest meat). The dizziness I had most of my mornings also went away. I know now that it was caused by excessive sugar intake. I quit drinking milk and my allergies got much better as well (as those two things are very much linked). In general, I felt more energised and started to eat foods that I couldn’t stand until then. My taste buds had an upgrade. A new world of flavours opened up together with fruits and vegetables that I never got to try.

A never ending questioning started to unfold. After all this time, all my chronic health problems got cured with some food habit changes? How come, no doctor ever asked me what was I eating, if nutrition is something crucial? Why was I given meds that only concealed my symptoms rather then trying to solve the root cause of my problems?

Meanwhile, nearly a year had passed and my mother continued to get worse and those questions of mine only became more painful. The same medicine applied to her, in order to cure the cancer, had already proved to me its failure when it came to much smaller issues.

A couple months prior to my mother’s death, I confronted one of her doctors and understood that there was no more hope for her case (at least from the doctor’s point of view) but even then, they continued to prescribe chemotherapy. Such thing didn’t make sense whatsoever! Finally, my sister and I were able to talk to the rest of the family and stop with the chemo treatments that had caused so much suffering to my mother and never got to help her in any way, shape or form.

Chapter 3. After the storm.

In the end of July 2011 my mother died. I didn’t cry. I didn’t cry the death of my mother until a few years later, when the mother of a very good friend died and a profound empathy unblocked the feelings that I couldn’t deal with in that moment. In that moment all that I could feel was relieve. My mother wasn’t suffering anymore and everyone involved could finally resume their own lives.

Part of that moving on process was to give a destiny to my mother’s belongings. I alone (never felt so alone) was in charge of emptying the house where my  mother lived for 20 years. The house where my sister and I grew up and spent our childhood and adolescence, but also the house where my mother had lived in her last days of life, with all the memories that all of this can entail.

First I started with my own bedroom (it was easier to get rid of my own things rather than other stuff that wasn’t mine). My teenager bedroom, where I would stay when visiting over from Lisbon (sometimes less than a couple weekends a month). Besides lots of decorative items and forgotten personal objects, there were boxes filled with memories (diaries, postcards, concert tickets, that dry flower that one of my first boyfriends once offered). What was all that for? Why did I keep them? After all, many of those things, kept in the attempt to preserve the memory they represented, no longer told me anything. Most of it only reminded me, very generally, that I had been even younger one day, but I didn’t need memories closed in boxes to remind me of this. In that moment I decided I would stop accumulating useless junk. I threw away all those “memory boxes”, I boxed stuff to donate and put in garbage bags everything that couldn’t have another destination besides the trash. My sister had already taken everything that was important from her room and gave the green light for me to do whatever I wanted with the rest. I used for her room the same criteria I had used for mine. This was the easiest part.

The following part was to deal with all the rest. But the rest of the house was a big part of the memories I had of my mother. It took me months to separate things, I lost myself in memories, I found treasures, I became very frustrated because this work seemed never ending. I sold furniture, gathered more boxes with clothes to donate, but mostly I realised that throughout life most people accumulate a lot of stuff that they do not need. And for what? What’s the use of so many things? So much clothing, so many cooking tools, so many decorative objects, so many gadgets, so much stuff? In the end 90% of it was junk, almost nothing had really meaning nor emotional value. And I realised that I was doing the same exact thing in my apartment in Lisbon: gathering stuff, surrounding myself with more and more unnecessary and meaningless objects. I decided I would not do it anymore.

When I got back to Lisbon, I literally got rid of half of my stuff in a few weeks. A lot of people thought I had gone crazy. “How can you give your books and your CDs? Won’t you be sorry?”- They asked. But I already knew it was all just things, things I did not need. A weight came out of my shoulders, it was liberating. So liberating that it was this that allowed me to create wings and finally get the courage to go live an experience out of the country.

 

I think these were the three key moments in my life, which led me to question everything. First came the questions about personality – Am I my personality or am I something deeper than that and can I change my personality while still being me?; then I began questioning about food (later these issues made me become vegan like Tico) and conventional medicine (in the future there will be articles on this subject with more depth). And finally I began to question about materialism (which was the beginning of a series of questions that led me to Yoga and a much more detached lifestyle). Of course there were more moments and more questions, even simultaneously to the ones I expose in this article. We all have moments when we realise that we cannot simply follow the herd and do the same thing that others do just because it’s easier. Can you recognise one of those moments in your life? Do you see yourself in any of it? And what about in Tico’s story? Do you want to ask us questions? Please respond or ask via our contact form.


 

El principio del cuestionamiento (ES)

Capítulo 1. La punta del iceberg.

En el verano de 2010 me sentía profundamente vacía y no sabía el porqué. Para animarme decidí ir a un festival de música. Llamé a una amiga que iba a ir con amigos de ella que yo casi no conocía. Tuve una gran sorpresa cuando me enteré de que mi amiga realmente no quería mi compañía por que yo, en su opinión, era muy estresada, poco sociable y encontraba problemas en todas partes. En ese momento se me cayó el mundo en la cabeza, especialmente cuando entendí que, exageros aparte, yo realmente era muy pesada a veces. Cuando colgué la llamada hice las primeras de muchas preguntas: Y si no quisiera más ser así? Puedo cambiar mi personalidad? Sería más feliz si fuera menos gruñona y más relajada? No me di tiempo para contestar, decidí que que había que probarlo para saber las respuestas. Diez minutos después volví a llamar a mi amiga y le prometí que iba a ser la persona más tranquila del mundo, y empecé a serlo en el mismo momento. Tanto que mi amiga finalmente aceptó que me juntara a ellos.

Aquel festival fue, hasta entonces, uno de los momentos más divertidos de mi vida. Hoy en día mirando hacia detrás se que fue una de las primeras veces en las logré vivir en el presente. Me acuerdo de momentos clave en los que tuve que poner un freno a la chica pesada que estaba acostumbrada a ser, y pensar en micro-segundos cómo reaccionaría esa nueva persona en la que quería transformarme. Por primera vez era consciente de mis propios pensamientos y empezaba a sospechar que de alguna manera aquello (que pensaba) no era yo. Había cambiado tanto que mi amiga casi no me reconocía pero yo era la que estaba más sorprendida.

Con el final del festival vino el miedo de que todo volviera a ser igual que antes. Sabía que volviendo a las mismas situaciones de siempre, lo más probable era que yo volviera a mi versión más gruñona. Decidí que iba a intentar que eso no pasase. Lo que no sabía entonces era que aquel pequeño gran cambio de actitud ante la vida acabaría por salvarme de caer en un pozo sin fondo tan solo unas semanas más tarde.  

Capítulo 2. La gran sacudida.

Unas semanas después supe que mi madre tenía un cáncer cerebral. Estaba muy apegada a mi madre desde siempre, ella era mi puerto seguro. Mi peor miedo desde pequeña era que ella dejara de estar allí (ni en mi cabeza me atrevía a formular la idea de muerte). Pero mi nueva manera de ver el mundo desde un prisma menos estresado y más presente me ayudó a mantenerme a la deriva durante toda la pesadilla.

Los “tratamientos” avanzaban y mi madre solo empeoraba, cada procedimiento solo la dejaba peor. Pensé que tenía que haber algo más y empecé a investigar todo tipo de tratamientos alternativos para el cáncer. Esas búsquedas me llevaron unos estudios bastante convincentes, que defendían que la carne y el azúcar eran dos de los mayores alimentadores del cáncer y de muchas otras enfermedades crónicas y mortales. – Te recuerdo que esto pasó unos buenos años antes de que los malefícios de la carne y del azúcar fueran publicados en los medios de comunicación generalistas. – De pronto el mundo parecía estar patas arriba. En el hospital mi madre era alimentada a base de carne, cereales refinados y postres cargados de azúcar, todo lo que se suponía que alimentaba aún más el maldito cáncer. Además las personas que la visitaban no hacían otra cosa que traerle más dulces y más carne. A mi madre ya le costaba mucho comunicar, y la comunicación entre los demás miembros de la família también se fue deteriorando. Yo era muy joven, no podía hacerme oír y lo peor era que no podía ayudar a mi madre con todo lo que estaba aprendiendo.

De repente la carne empezó a provocarme asco y esa repulsión hizo que dejara de consumirla. También reduje bastante mi consumición de azúcar (hoy se que era estúpidamente alta). Empecé a sentir mejoras bastante obvias en mi calidad de vida. Los dolores de vientre que tenía frecuentemente y con los cuáles ya me había conformado, desaparecieron (más tarde supe que realmente mi cuerpo tenía mucha dificultad para digerir la carne). Dejé de sentir los mareos matinales que me habían acompañado casi toda mi vida (hoy sé que eran causadas por el exceso de azúcar). También dejé de beber leche de vaca y mis alergias mejoraron bastante (hoy se que ambas cosas están relacionadas). En general me sentía con más energía y empecé a comer cosas que hasta entonces odiaba. Mi paladar también había cambiado. Se abrió todo un nuevo mundo de sabores con nuevos vegetales y frutas que hasta entonces no tocaba.  

Empezó a desarrollarse un sinfín de cuestionamientos.¿Al final todos los problemas crónicos de salud que tenía se habían solucionado con algunos cambios en la alimentación? ¿Cómo era posible que hasta entonces ningún médico hubiera preguntado cómo ni el qué comía, si la alimentación era tan importante? ¿Por qué me habían dado medicamentos que sólo disfrazaban los síntomas sin tratar de resolver los problemas desde la la raíz?

Mientras tanto casi un año había pasado, mi madre seguía empeorando y esas cuestiones empezaron a ser cada vez más dolorosas. El mismo tipo de medicina a la que ella estaba sometida para curar un cáncer ya había probado fallar en problemas mucho más ligeros en mi caso.

Unos meses antes del fallecimiento de mi madre pude confrontar a una de sus médicas y percibí que no había más esperanza (al menos por parte de los médicos), pero por otro lado seguían dándole quimioterapia, ¡esto hacía aún menos sentido! Finalmente mi hermana y yo convencimos el resto de la familia que lo mejor sería parar los tratamientos de “quimio” que ya habían causado tanto sufrimiento a mi madre y no habían ayudado en nada.

Capítulo 3. Después de la tormenta.

A finales de Julio de 2011 mi madre murió. No lloré. No lloré la muerte de mi madre hasta unos años después, cuando la madre de una gran amiga falleció y una profunda empatía desbloqueó los sentimientos con los que no logré lidiar en aquel momento. En aquel momento el sentimiento mayor fue el de alivio. Mi madre ya no estaba sufriendo, todas las personas implicadas podían finalmente retomar sus vidas.

Parte de ese seguir adelante fue dar un destino a la casa donde había vivido mi madre. Me quedé sola (nunca me había sentido tan sola)  , de encargada de vaciar la casa donde mi madre había vivido más de 20 años. La casa donde mi hermana y yo habíamos crecido y pasado toda nuestra infancia y adolescencia, pero también la casa donde mi madre había pasado los últimos meses de vida, con todas las memorias que todo eso puede acarrear.

Empecé primero por mi cuarto (era más fácil deshacerme de mis cosas que de cosas que nunca me habían pertenecido directamente). Mi habitación de la adolescencia, en la que ya solo me quedaba un u otro finde al mes, desde cuándo me había ido a vivir a Lisboa. Además de muchos elementos decorativos y objetos personales olvidados, había cajas con recuerdos (diarios, postales, entradas de conciertos, aquella flor seca que uno de los primeros novios regaló, etc.). ¿Para qué servía todo aquello? ¿Por qué lo guardaba? Al final muchas de esas cosas, guardadas en el intento de preservar la memoria que ellas representaban, ya no me decían nada, la mayoría sólo me recordaban, muy generalmente, que había sido aún más joven un día, pero yo no necesitaba recordatorios cerrados en cajas para recordarme de eso. En aquel momento decidí no volver a guardar trastos sin utilidad práctica real. Tiré todas esas “cajas de recuerdos”, metí ropa y otras cosas para donar en cajas, y junté en bolsas aquello que no podía tener otro destino sino el contenedor de la basura. Mi hermana ya se había llevado todo lo que era importante de su habitación y me dio desde Amsterdam (donde estaba viviendo) luz verde para hacer lo que quisiera con el resto. Utilicé para su habitación los mismos criterios que había utilizado para la mía. Esta había sido la parte más fácil.

Faltaba el resto de la casa. Pero el resto de la casa era parte de las memorias que tenía de mi madre. Tardé meses en separar cosas, me perdí en recuerdos, encontré tesoros, me frustré mucho porque el trabajo parecía no tener fin. Vendí muebles y hice cajas con ropa para donar, pero principalmente me encontré con la realidad de que al largo de la vida la mayoría de las personas acumula muchas cosas de las cuales no necesita.  ¿Y para qué? ¿Para qué sirve tanta cosa? ¿Tanta ropa, tantas cosas de cocina, tantos objetos de decoración, tantos aparatos, tantos trastos? Al final el 90% eran trastos,, casi nada tenía realmente significado ni valor emocional. Y vi que en mi casa en Lisboa estaba haciendo lo mismo: acumulando trastos, rodeándome cada vez más de objetos innecesarios y sin sentido. Decidí que no lo haría más.

Cuando regresé a Lisboa me deshice literalmente la mitad de mis cosas en unas pocas semanas. Mucha gente pensaba que me había vuelto majara. “¿Cómo puedes dar tus libros y tus CDs? ¿No te dá lástima?” – preguntaban. Pero yo ya sabía que eran sólo cosas, cosas de las que no necesitaba. Me salió un peso de encima, fue liberador. Tan liberador que fue eso que me permitió crear alas y finalmente ganar coraje para ir a vivir una experiencia fuera del país.

 

Creo que estos fueron los tres momentos clave en mi vida, que me llevaron a cuestionarlo todo. Primero vinieron las preguntas sobre la personalidad – ¿Yo soy mi personalidad o soy algo más profundo que eso y puedo cambiar de personalidad y seguir siendo yo?; después empecé a cuestionarme sobre la alimentación (más tarde esas cuestiones hicieron que acabara por hacerme vegana como Tico) y finalmente empecé a cuestionarme sobre el sentido del materialismo (lo que fue el inicio de un rol de cuestiones que me llevaron al Yoga y a un estilo de vida más desapegado). Claro que hubo más momentos y más cuestiones, incluso en medio de los que cuento en este artículo. Tod@s tenemos momentos en los que nos damos cuenta que no podemos simplemente seguir la manada y hacer lo mismo que l@s demás sólo porque es más fácil. ¿Puedes reconocer uno de esos momentos en tu vida? ¿Te ves en alguna de las cosas que cuento? ¿Y en las que Tico cuenta en su relato? ¿Quieres hacernos preguntas? Responde o pregunta a través de nuestro formulario de contacto.

 

… stay tuned

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Español

Português

Porque é que usamos sapatos com dedos, temos uma dieta 100% vegetal, meditamos pelas manhãs, compramos em lojas de segunda mão e não fazemos fretes sociais?

Não somos esquisitas, não nos esforçamos para ser diferentes e não temos a mania que somos especiais.

Apenas questionamos TUDO o que geralmente se dá a partida como certo (ou errado). Somos radicalmente contra as respostas “porque sempre foi assim”, “porque é o normal” ou simplesmente ‘‘porque sim/não”.

Achamos que a única maneira de sermos fiéis a nós mesmas é não fazendo nada só porque sim e questionar, questionar e questionar mais um bocado.

Chegou a hora de partilharmos estas questões e algumas tentativas de resposta. Queremos que toda a gente se questione mais e, por isso, mostramos como nós o fazemos, já que esta é possivelmente a nossa melhor ‘habilidade’. E queremos ajuda pois duas cabeças questionam melhor que uma, e mil cabeças têm um potencial “questionador” que pode realmente fazer a diferença.

O primeiro artigo sai já esta sexta-feira (26 de Outubro)!!

Por enquanto podes saber mais sobre o blog ou sobre nós.

O indivíduo criativo tem a capacidade de libertar-se da rede de pressões sociais em que o resto de nós é apanhado. Ele é capaz de questionar as suposições que o resto de nós aceita. – John W. Gardner


 

English 

Why do we wear shoes with fingers, why do we eat 100% plant based food, why do we meditate in the morning, why do we buy at thrift stores and why we no longer waste time socializing with people we don’t want to?

We are not weird, we don’t try to be different and we don’t feel like we are special in any way.

We just question EVERYTHING that we were told was the truth or norm. We are totally against answers such as “because that’s how it is”, “because that’s how it as always been”, or simply “because that’s the norm”.

We know that the only way we can be true to ourselves is by questioning everything at all times, avoiding doing something just because.

Now is the time to share those questions and attempt to give some answers. Our goal is to have more people making more questions and therefore we will show you how we do it since this is possibly our best skill. And we need your help, as two heads question better than only one. And a thousand “questioning” heads have the potential to really make the difference.

The first article comes out next Friday (October 26)!!

Meanwhile you can know more about the blog or about us.

The creative individual has the capacity to free himself from the web of social pressures in which the rest of us are caught. He is capable of questioning the assumptions that the rest of us accept. – John W. Gardner


 

Español

¿Por qué usamos zapatos con deditos, por qué comemos alimentos 100% de origen vegetal, por qué meditamos por las mañanas, por qué compramos en tiendas de segunda mano y por qué ya no perdemos el tiempo socializando con personas que no queremos?

No somos raritas, no nos esforzamos por ser diferentes y no tenemos la manía que somos especiales.

Solamente cuestionamos TODO lo que nos dijeron que era la verdad o la norma. Estamos radicalmente contra las respuestas “porque siempre ha sido así”, “porque es lo normal” o simplemente “porque sí/no”.

Creemos que la única manera de ser fieles a nosotras mismas es no hacer nada sólo porque sí y cuestionar, cuestionar y cuestionar un poco más.

LLegó el momento de compartir estas cuestiones y algunos intentos de respuestas. Queremos que todo el mundo se cuestione cada vez más y, por eso, enseñamos cómo lo hacemos ya que esta es posiblemente nuestra mejor ‘habilidad’. Y queremos ayuda pues dos cabezas cuestionan mejor que una, y mil tienen un potencial ‘cuestionador’ que realmente puede hacer la diferencia.

El primero articulo sale el próximo viernes (26 de Octubre)!!

Por ahora puedes saber más sobre el blog o sobre nosotras.

“El individuo creativo  tiene la capacidad de liberarse de liberarse de la red de presiones sociales en las que el resto de nosotros estamos atrapados. Él es capaz de cuestionar las suposiciones que los demás aceptamos.” — John W.Gardner.