A fair amount of clothes

A fair amount of clothes (EN)

La ropa necesaria (ES)

A roupa necessária (PT)

Quando estava a viajar no Sudeste Asiático, carreguei com a mesma mochila durante aqueles cinco meses. A mochila não era enorme mas tinha a roupa necessária, suficiente para umas duas semanas. No entanto, estava preparada com roupas para diferentes estações, já que decidia a cada semana qual era o próximo destino. Na semana seguinte o destino poderia levar-me aos Himalaias, onde estava a nevar, e queria estar preparada para uma dessas situações.

Se bem me lembro, levava comigo cerca de trinta peças de roupa (incluindo roupa interior) para a viagem inteira, que poderia durar até um ano.

Trinta itens de roupa pode parecer muito, mas de facto não era assim tanto, quando comparado com a quantidade de roupas que eu tinha deixado em casa.

Até aqui, eu era uma pessoa um pouco consumista e comprava roupas com alguma frequência. Sempre senti a necessidade de comprar outra peça como se me faltasse algo no guarda-fatos. Navegava em sites de roupa online e entrava em lojas quase todas as semanas. Os saldos… esses não os perdia por nada pois poderia encontrar “achados” a um bom preço. Ocasionalmente dava uma vista de olhos por lojas de segunda mão com roupas “vintage” mas acabava por sair de “mãos a abanar”. Por alguma razão, achava estranho ter roupas usadas que já tinham pertencido a alguém em outros tempos.

Durante a viagem, carregar com a mochila às costas fez me decidir manter o mesmo número de peças de roupa, para não ter de transportar mais peso. De cada vez que comprava um item (o que era raro), tinha de me desfazer de outro. Isso fez com que as minhas decisões fossem mais ponderadas e conscientes.

Com esta viagem aprendi uma lição especial, para além de outras tantas, relacionada com os bens materiais. Aprendi que até então acumulava demasiada roupa nos armários e gavetas. Peças essas das quais só me desfazia quando não cabiam mais nas arrumações lá de casa.

Qual é a necessidade de acumular tanta roupa?

Algumas peças ter um significado especial, outras podem voltar a servir um dia e outras são tão únicas que só as usamos “quando o rei faz anos”. Comprar roupa nova em cada estação torna-se num hábito, pois aquelas que temos já não estão na moda ou já não são do nosso gosto..

Se consegui viver cinco meses com as mesmas roupas, será que precisava mesmo das outras que havia deixado de fora?

Olhando para trás, consigo agora analisar como eu pensava relativamente à roupa e outros bens materiais. Acreditava que vestir repetidamente as mesmas roupas significava desleixo, baixa auto-estima, baixo poder de compra, pouca criatividade, não ter estilo próprio, insegurança… e a lista podia continuar. Essa forma de pensar era totalmente inconsciente porque eu nunca me tinha parado a pensar sobre isso…

Comprar roupa era algo que me trazia alegria de alguma forma. Vestir roupa nova num evento especial fazia-me sentir bem.

Sei agora que essas convicções são exatamente aquilo que as grandes marcas e empresas de moda querem que nós tenhamos. Elas tem sucesso por venderem a pessoas que pensam dessa forma.

E depois? Bem, assim que percebermos onde está a rasteira, podemos evitar cair na armadilha.

“Destralhar” é o próximo passo. Tens alguma coisa guardada nos teus armários que só manténs porque talvez um dia possas voltar a gostar ou porque pode vir a dar jeito? Talvez seja hora de dar uma nova casa a esses pertences. A doação é uma ótima opção pois outra pessoa pode querer realmente usar aquilo que tu já não usas.  

Ainda não consegui encontrar o equilíbrio perfeito no que toca aos bens materiais – comprar, manter, desfazer-me deles – mas estou a tentar o meu melhor para tomar melhores decisões quando o assunto é comprar roupa:

  • Evito a todo o custo comprar a grandes marcas com produção “made in” Bangladesh ou outros países em vias de desenvolvimento e sem leis que protejam os trabalhadores destas indústrias. Ao comprar dessas marcas, continuamos a incentivar práticas como a exploração de crianças e adultos que trabalham sem condições e por salários míseros.
  • Não apoio marcas que usem produtos de origem animal, tais como pele, penas, lã etc. nas suas roupas.
  • Dou preferência a pequenas marcas locais, dependendo do sítio onde me encontro no momento da compra. Deste modo apoio a economia local e as pequenas empresas, mesmo que isso signifique pagar um preço maior.
  • Escolho comprar coisas com mais qualidade que me durem mais tempo ou itens de segunda mão.
  • Compro só se houver mesmo necessidade.

Tens ideia da quantidade de roupa que tens? Precisas de toda? Para quê?

 

A fair amount of clothes (EN)

When I was traveling in SE Asia, I carried the same backpack during those five months. It was not a big backpack but had a fair amount of clothes, enough for a couple weeks. However, I was prepared with clothes for both hot and cold weather as I decided where to go next on a weekly basis. I could end up on the Himalayas with snow and I wanted to be equipped just in case.

If I recall, I had about thirty pieces (including underwear) for my entire journey, which at the time I didn’t know when was the end of it and it could last for up to one year.

Thirty items of clothing might sound a lot but in fact, compared to the rest of the clothes I left behind, it wasn’t much.

Up until there, I would buy clothes quite often. I always felt the need to buy another piece as if something was missing in my wardrobe. I would look at online clothing websites and enter in fast fashion stores almost every week. The sales… those I wouldn’t miss as I could purchase good findings with a nice deal. Occasionally I would visit thrift stores with vintage garments but ending up not buying anything. For some reason, it felt strange to have something old that belonged to someone else at certain time.

During my trip, carrying that backpack on my shoulders made me decide to always keep the same amount of clothing, as I didn’t want to add more weight. Every time I bought an item (which was very rare), I had to get rid of another item. It surely made my decisions much more weighted and conscious.

With this trip I learned a special lesson, among many other lessons, related with material belongings. I learned that in the past I was keeping way too many clothing items in my closet and drawers. Items that I would only get rid of/ donate once the capacity of my closet was so full that no more pieces would fit.

What is the need to accumulate clothes?

Some of them might have a special meaning, others may fit again one day and others are so unique that we only wear them once a year. It becomes a habit to buy clothes every season because the ones we have are no longer in vogue or we don’t love them anymore.

If I was able to live five months with the same clothing, did I really need the other items I left behind?

Looking back, I can now analyse my previous believes related to clothing and other material belongings. I believed that wearing the same clothes over and over meant lack of caring, low self-esteem, low purchasing power, lack of creativity, no sense of styling, insecurity and the list goes on. These beliefs were totally unconscious as I was not aware of them.

Buying clothes brought me joy  somehow. Wearing my brand new purchased garments to an event felt amazing.

I know now that those believes are exactly what big companies and corporations want us to have. They thrive because of those believes. Thinking like that is a huge reason to keep buying from them.

Well, guess what? Once you realise it’s all a trap, you can avoid being fooled.

Declutter is the next step. Is there something in your storage that you keep just because you might like it again at some point or can be handy sometime in the future? Time to give those things a new home. Donation is great because someone else will give better use to your stuff than you do.

I still didn’t find the “perfect balance” regarding material belongings – buying, keeping, getting rid of – however am trying my best to make better decisions when buying wearing apparel:

  •      I avoid at all cost to buy clothes from big corporations, made in Bangladesh and other underdeveloped countries. By purchasing from those brands, we keep supporting children exploitation, measly salaries and lack of fair trade.
  •      I do not support brands that use animal products such as skin, feathers, silk, etc. for their outfits.
  •      I choose to buy more local to where I’m living at the moment of my purchase. In this way supporting the local economy and small businesses, even if that means paying a higher price.
  •      I choose to either buy goods that have better quality and will last longer or items that are second hand.
  •      I only buy if it is absolutely necessary.

Are you conscious of all the clothing you possess? Do you need all of them? What for?

 

La ropa necesaria (ES)

Cuando viajaba en el Sudeste Asiático, cargué con la misma mochila durante esos cinco meses. La mochila no era enorme pero tenía la ropa necesaria, lo suficiente para unas dos semanas. Sin embargo, estaba preparada con ropa para diferentes estaciones, ya que decidía cada semana cuál sería el próximo destino. La semana siguiente el destino podría llevarme al Himalaya, donde estaba nevando, y quería estar preparada para una de esas situaciones.

Si lo recuerdo bien, llevaba conmigo cerca de treinta piezas de ropa (incluyendo ropa interior) para el viaje entero, que podría durar hasta un año.

Treinta prendas puede parecer mucho, pero de hecho no era tanto cuando se compara con la cantidad de ropa que yo había dejado en casa.

Hasta aquí, yo era una persona un tanto consumista y compraba ropa con alguna frecuencia. Sentía la necesidad de comprar otra prenda más como si me faltara siempre algo en el guardarropa. Casi todas las semanas entraba en alguna  tienda física o online. Y las rebajas… esas no me las perdía por nada pues podría encontrar alguna ganga. Ocasionalmente echaba un ojo a las tiendas de segunda mano con ropa “vintage” pero acababa por salir de manos vacías. Por alguna razón, me parecía raro tener ropa usada que en el pasado ya había pertenecido a alguien.

Durante el viaje, cargar con la mochila me llevó a decidir mantener siempre el mismo número de prendas, para no aumentar aún más el peso que tenía que transportar. Cada vez que compraba un artículo (lo que era raro), tenía que deshacerme de otro. Esto hizo que mis decisiones fueran más ponderadas y conscientes.

Con este viaje aprendí una lección especial, además de otras tantas, relacionada con los bienes materiales. Aprendí que hasta entonces acumulaba demasiada ropa en los armarios y cajones. Prendas de las que sólo me deshacía cuando no cabían más en las manijas allá de casa.

¿Cuál es la necesidad de acumular tanta ropa?

Algunas prendas pueden tener un significado especial, otras pueden volver a servir un día y otras son tan únicas que sólo las usamos una o dos veces al año. Comprar ropa nueva en cada estación se convierte en un hábito, pues las que tenemos ya no están de moda o ya no nos gustan.

¿Después de vivir cinco meses con la misma ropa, necesitaba toda la que había dejado de afuera?

Mirando hacia atrás, puedo ahora analizar cómo pensaba con relación a la ropa y otros bienes materiales. Creía que vestir repetidamente la misma ropa significaba descuido, baja autoestima, bajo poder adquisitivo, poca creatividad, no tener estilo propio, inseguridad, etc.. Esta forma de pensar era totalmente inconsciente porque nunca me había pensado sobre ello.

Comprar ropa era algo que de alguna manera me traía alegría. Vestir ropa nueva en un evento especial me hacía sentir bien.

Hoy en día sé que esas convicciones son exactamente lo que las grandes marcas y empresas de moda quieren que tengamos. Ellas tienen éxito por vender a las personas que piensan de esa manera.

¿Y después? Bueno, tan pronto como percibimos dónde está la trampa, podemos evitar caer en ella.

El próximo paso el deshacerse de lo que sobra  ¿Tienes alguna cosa guardada en tus armarios que sólo guardas porque quizás un día te vuelva a gustar o porque algun dia puede que vuelva a tener utilidad? Quizás sea el momento de darles una nueva casa a esas pertenencias. La donación es una gran opción, de esa manera otra persona puede realmente usar lo que tu ya no usas.

Todavía no he podido encontrar el equilibrio perfecto en lo que respecta a los bienes materiales – comprar, mantener, deshacerme de ellos – pero estoy tratando de hacer mi mejor para tomar mejores decisiones cuando el tema es comprar ropa:

  • Evito a toda costa comprar de grandes marcas con producción “made in” Bangladesh u otros países en vías de desarrollo y sin leyes que protejan a los trabajadores de estas industrias. Al comprar estas marcas, seguimos fomentando prácticas como la explotación de niños y adultos que trabajan sin condiciones y por salarios míseros.
  • No apoyo a marcas que usan productos de origen animal, tales como piel, plumas, lana, etc. en sus ropas.
  • Doy preferencia a las pequeñas marcas locales, dependiendo del lugar donde me encuentro en el momento de la compra. De este modo apoyo a la economía local ya las pequeñas empresas, aunque esto signifique pagar un precio mayor.
  • Elijo comprar cosas con más calidad y que me duren más tiempo o artículos de segunda mano.
  • Solo compro algo si realmente es necesario.

¿Tienes idea de la cantidad de ropa que tienes? ¿La necesitas toda? ¿Para que?

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *